11 julho 2019

Fábrica de Cerveja Herminio dos Santos



As terras que, atualmente, constituem o município de Pedreira - SP, originariamente pertenciam a Amparo - SP e desde o início do século XIX, eram a propriedade rural denominada “Fazenda Grande”, do coronel João Pedro de Godoy Moreira e em 1864 foi dividida na partilha de bens cabendo a seu filho, João Batista de Godoy Moreira a área conhecida como Fazenda Triunfo, onde até abril de 2007, encontrava-se a casa que pertenceu ao fundador de Pedreira. Após a partilha dos bens, João Batista foi adquirindo as terras que foram herdadas pelos seus irmãos e passou a ser o dono do terreno onde hoje se encontra a praça que tem seu nome e que foi o núcleo originário da cidade. Após a morte de seu pai, João Batista assume o seu lugar na família e na política local, adotando também o nome de seu pai, Cel. João Pedro de Godoy Moreira – o moço e torna-se um dos mais prestigiosos chefes políticos de Amparo.

Em 1887 o fundador adquire de Jose Pedro Arruda, um sítio cafeeiro que fazia parte da Fazenda Santa Ana e a anexa à sua “Fazenda Grande".

Em 1889, a partir do loteamento e arruamento de parte de suas terras, nasce, junto ao rio Jaguari, a Vila de Pedreira. O nome da cidade, erroneamente associado por muitos à grande quantidade de pedras, origina-se, na verdade, da abundante presença de "Pedros" na família Godoy Moreira, João Pedro, pai e filho e seus irmãos Bento Pedro, Antonio Pedro e José Pedro (o terreno aonde foi construída a Estação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, em 1875, foi doado por esse último irmão). Por isso passou a ser conhecida como a Terra dos Pedros, bairro do Pedros, depois, por derivativo, bairro dos Pedreiras, e por fim PEDREIRA.


Em 1914 era inaugurada em Pedreira, a Fábrica de Cerveja Herminio dos Santos, que se localizava na Rua Antonio Pedro, nº 214, nas imediações onde atualmente se encontra a loja Magazine Luiza e o Banco Bradesco, no Centro de Pedreira. A empresa chegou a produzir a cerveja da marca Tato, licores, xaropes e água mineral.

Com as mudanças de nome da Freguezia de Amparo, depois Villa de Pedreira e posteriormente município de Pedreira, há a possibilidade dos dados acima não serem corretos e esta fábrica de cerveja ser bem mais antiga pois o Almanach da Comarca de Amparo faz referencia a ela desde 1896 até 1914.

27 junho 2019

Fábrica de Cerveja Kronenthal




Vale Real - RS foi colonizado por imigrantes ítalo-germânicos em meados do século XIX. Os primeiros imigrantes alemães começaram a chegar ao Brasil em 1824, alcançando as terras do atual município de Vale Real somente em 1851. Eles eram provenientes das terras da região do Reno, Monzefeld, Mholstein, Oldenburg e Pomerânea. A colonização valerrealense é sobretudo de origem germânica, pois que somente após 1875 é que chegaram os colonos provenientes da Itália. Entre os sobrenomes das primeiras famílias estavam os Finkler, Freiberger, Stoffels, Arenhardt, Staudt, Krewer, Schneider, Puhl, Rauber, Gauer e Schmitz. O antigo nome de Vale Real era Kronenthal, esse nome em alemão é uma homenagem aos colonizadores que batizaram de Kronenthal o local onde a configuração geográfica dos morros em volta do vale do Rio Caí é constituída por um imenso vale cercado por treze morros que formam uma verdadeira coroa natural. Vale Real seria impropriamente traduzido do alemão, já que Kronenthal significaria, literalmente: Vale da Coroa (onde kronen significa coroa e thal significa vale). Localizado ao pé da serra gaúcha, à margem direita do rio Caí, distante 90 quilômetros de Porto Alegre e 34 quilômetros de Caxias do Sul.

Em Vale Real, os traços culturais herdados dos imigrantes são perceptíveis na arquitetura, na música na dança e na culinária, fazendo do município um refúgio dos costumes e tradições do passado com as inovações do presente.

A localidade (colônia) conhecida como Kronenthal tinha como município mãe São Leopoldo de onde fazia parte.
Em 1º de maio de 1875, a Vila de São Sebastião do Cahy se desligou de São Leopoldo se transformando no município de São Sebastião do Cahy e a localidade de Kronenthal foi anexada passando a ser distrito do novo município, tendo papel fundamental na recepção das levas de colonos italianos que se estabeleceram no Campo dos Bugres, que foi batizada de Caxias do Sul. A partir dessa época teve uma fase de grande prosperidade no final do século XIX e no início do século XX. Com uma economia forte devido à produção agrícola, com destaque para o feijão (no final do século XIX) e a alfafa (no início do século XX), e ainda contava com grande movimento comercial.
Em 22 de dezembro de 1888, a então a localidade de Picada Feliz, também pertencente a São Sebastião do Cahy foi elevada à condição de Vila, passando então a chamar-se "Vila Feliz".
Kronenthal teve esse nome até 1938 quando houve uma proibição de se falar a língua alemã, passando a se chamar Vale Real.

Em 17 de fevereiro de 1959, através da Lei Estadual 3.726/1959, foi decretada a emancipação política da Vila Feliz, pertencente a São sebastião do Cahy, que como município passou a se chamar "Feliz", passando Vale Real a ser um de seus distritos.
Em 1988, as pequenas comunidades vizinhas se emanciparam, deixando claro que Vale Real teria plenas condições de fazer o mesmo. No ano seguinte foi empossada a Comissão da Emancipação que redigiu e organizou a documentação necessária para elevar Vale Real de vila a cidade independente. Em 1991, foi realizada a Consulta Plebiscitária entre a população eleitoral, tendo a aprovação popular de 1388 votos a favor, num total de 2054 eleitores.
Em 20 de março de 1992, por força da Lei Nº 9615, criava-se o Município de Vale Real.

Neste ano, 1992, Vale Real integrou suas comunidades transformando as antigas festas de colono na 1ª Kronenthal Fest. já que colonizado por imigrantes italianos e alemães mistura a cultura e tradições das duas etnias na Kronenthal Fest.


Em seu rico passado, Vale Real teve uma das mais importantes casas comerciais da região. A Casa Comercial Reimboldo Stoffels que servia, além de entreposto comercial, como hospedaria, ambulatório e casa de secos e molhados. Além deste importante centro comercial, Vale Real teve também a primeira cervejaria da área, a Fábrica de Cerveja Kronenthal de Mathias Finkler Sobrinho, fundada em 1910 e que existiu até a década de 1930, tendo sido a responsável, em épocas de Kerb, pela distribuição de cervejas e refrigerantes para a comunidade local e região.



25 junho 2019

Centro dos Varejista de Santos


Em Santos - SP, alguns pequenos varejistas resolveram montar uma cooperativa com dupla função: indústria e representante do comércio varejista e com o nome de Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada Centro Varejista de Santos com o intuito de produzir uma cerveja para entrar na briga de mercado pelo consumidor de baixa renda. Instalada no dia 19 de junho de 1904, a linha de produção de cervejas do Centro dos Varejistas de Santos, montada em sistema de cooperativa, iniciava a fabricação de uma bebida forte e refrescante, que prometia conquistar o coração e o paladar dos santistas menos abastados, ou pelo menos daqueles que não tinham condições de consumir as marcas importadas e as forasteiras vindas de outros cantos do Brasil. Produzida na versão escura (preta), a bebida precisava de um nome forte para se consolidar na cidade.

Foi aí que surgiu a ideia de homenagear o fundador santista, o fidalgo “Braz Cubas” fazendo nascer uma marca que participou do cotidiano dos santistas até meados dos anos 30. Quando a estátua em homenagem ao pioneiro santista foi inaugurada, em 1908, o rótulo da nova bebida ganhou o desenho do monumento, e fez o maior sucesso.

No dia 6 de fevereiro de 1928 realizou-se a inauguração do novo maquinário adquirido pelo Centro Varegista de Santos para sua fábrica de bebidas.

Em 1934, a cooperativa, que também fabricava a cerveja clara Mercúrio, anunciava uma série especial da Braz Cubas, trazendo no rótulo a clássica imagem do monumento da Praça da República.

    
Nesta década a fábrica funcionava com sua linha de produção na Vila Mathias, mais precisamente na Rua Senador Feijó, 415, e já produzia, além das cervejas, licores, limonadas, laranjadas, vinhos de fruta, xaropes e até vinagres.
Em 16 de julho de 1941 foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOESP) que a Assembleia Geral Extraordinária, em 23 de junho de 1941, deliberou a mudança do nome Centro Varejista de Santos S/A para Centro Varejista de santos S/A - Industria de Bebidas, cuja ata foi arquivada sob o nº 15406 de Junta Comercial do Estado de São Paulo.

A cooperativa, porém, não durou muito mais tempo. O curioso é que seu endereço, a partir dos anos 70, passou a abrigar a linha de produção da Skol Caracú.

11 março 2018

Companhia Alterosa de Cervejas


Baseado na Revista Viver Brasil e em diversos jornais da época


Como se estivesse diante de um passado palpável, o advogado e jornalista Hermógenes Ladeira estende o olhar sobre a sacada de seu apartamento, em uma rua ainda tranquila da Savassi, Belo Horizonte - MG. Tem muita história para contar esse cearense, que chegou a Belo Horizonte aos 6, em plena Segunda Guerra, para viver com a família em um quarto da pensão da avó, na esquina entre a rua Espírito Santo e a avenida Augusto de Lima. Do primeiro emprego como engraxador de sapatos, Hermógenes fez de tudo um pouco: formou-se em direito pela PUC Minas, trabalhou na sucursal mineira do icônico diário Última Hora, dirigido por Samuel Wainer, fundou e dirigiu a Companhia Alterosa de Cervejas, em Vespasiano, e, num golpe de mestre, vendeu a fábrica para a Antarctica, da qual foi um dos cabeças nas praças de Minas, Rio e São Paulo.

A própria passagem pelo jornalismo, aliás, foi circunstancial. Hermógenes entrou para o jornal aos 19 anos, como redator de página de automobilismo, onde permaneceu por 2 anos. Hermógenes descobriu a vocação mais marcante em outros departamentos do jornal. Primeiro, com apenas 21 anos, atuou como gerente regional de publicidade. Com o golpe militar de 1964, o governo fechou o Última Hora, ligado a Jango e ao getulismo. “Um ano depois, o jornalista Dauro Mendes, ex-integrante do diário, me convidou a participar de sua reabertura em Minas. Aceitei e passei a atuar como diretor comercial.”

Em 1967, eu e mais quatro amigos, todos filhos de classe média mineira, decidimos montar nossa própria empresa. Já éramos homens de venda, ligados á áreas diferentes. Devíamos, portanto, unir nossas experiências e analisar qual setor poderia ser mais promissor. Escolhemos a cerveja. Primeiro, porque consideramos o consumo no mercado interno muito inferior à sua potencialidade. Num pais tropical, bebida gelada só podia ser bom negócio. Depois o que existia em Minas era muito pouco em relação ao que podia ser feito.

A grande virada, aos 30 anos, Hermógenes trocou o cargo no jornal pela aventura da fundação da fábrica de Cervejas, que de início, não tinha nada de cervejaria, vale ressaltar.

O investimento necessário custava o relativo a 10 milhões de dólares. Dinheiro não tinha mas boas ideias e bom assessoramento comercial, sim. Para realizar o sonho, contratou bons vendedores para levantar sócios cotistas. E assim, conseguiu prospectar 5 mil acionistas.

No dia 25 de janeiro de 1968 foi constituída a sociedade da Companhia Alterosa de Cervejas e em 1969, foi instalada na sede do município, a primeira grande indústria, a Companhia Alterosa de Cervejas.

Em 1970, antes da cerveja, o grupo lançou dois refrigerantes, o Mineirinho, feito de chapéu-de-couro, produto fluminense que apesar do nome não pegou aqui em Minas Gerais e o Guaraná Alterosa com o mesmo nome da empresa que foi o exemplo de um produto de excelente qualidade e honesto. O refrigerante competia diretamente com o guaraná champagne Antarctica. E conseguiu dividir o mercado, principalmente ao surgir ineditamente em garrafas de 1 litro, foi o primeiro a ser vendido em embalagem tamanho família. Pelo menos dois slogans acompanharam ou acompanhavam a sua orgulhosa versão de tamanho: "Refresca até a alma" e "O primeiro guaraná em litro do Brasil". Chegamos a vender mais que o Guaraná Antarctica, lembra o jornalista.

   

Em fins de 1971 a Alterosa saiu em busca do consumidor estrangeiro, pareceria uma loucura querer vender guaraná na terra da Coca-Cola. Mas nos arriscamos e conseguimos. Com a marca Trop (derivada de tropical) esse refrigerante conseguiu abrir mercado em quatro Estados norte-americanos, sendo que na Califórnia o Sergio Mendes estava à frente do negócio. A colocação dos produtos no exterior obedece ao sistema usual de franquia: exporta-se o concentrado, concede-se a marca. A preparação, envase e comercialização é feita por terceiros sob pagamento de royalties.

O relatório da diretoria, publicado pelo Correio da Manhã de 13 de abril de 1972, informa que o ativo imobilizado em um ano cresceu de Cr$4.666.607,48 em dezembro de 1970 para Cr$26.899.147,40 em dezembro de 1971 e que as obras do prédio da administração em Vespasiano foram concluídas e já estão sendo utilizadas mas o novo laboratório encontra-se em fase de conclusão. O prédio da nova sede à Avenida Antonio Carlos 7260, onde funcionarão os setores administrativos comercial e financeiro, será inaugurado ainda neste mês de abril. Ficando a fábrica de Vespasiano somente com o setor de produção.

Nos idos de 72, a agência de propaganda JMM lançou o guaraná Trop no Brasil, depois de ele, tropicalíssimo, acontecer nos Estados Unidos. Ou seja, relançou com o status do sucesso na América. Título do rapazinho: “Trop. O guaraná brasileiro que fez glub-glub na terra do bang-bang“. Além de simples, sonoro e possuir a genial ligação com a garotada, o outdoor marcou esta lembrança por levar a um layout onde só havia a garrafinha em close e um copo, cheio de guaraná, sendo estilhaçado por uma bala. Imagem muito cara e de difícil execução na época, foi substituída pelo produto em cima da bandeira americana e pronto. Mas só a beleza do texto já era o bastante.

   

No dia 9 de fevereiro de 1973, com a presença do Governador Rondon Pacheco, foi inaugurada as novas instalações da cervejaria da Cia Alterosa de cervejas, localizada no Município de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com uma produção inicial de oitenta mil hectolitros/ano, simultaneamente à inauguração foi lançada a cerveja Port, em três tipos de embalagens: lata de 355ml, garrafa não retornável de 300ml e a tradicional garrafa de 600ml, cerveja do tipo pilsen extra cuja produção para este ano está programada em 1.301.400 duzias de garrafas.
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Quando, a etapa cervejeira finalmente foi inaugurada, Hermógenes implantou modelos de negócios pioneiros no Brasil, como engradados de plástico, garrafas descartáveis produzidas na França, embalagens sixpack, bem como a padronização dos caminhões de entrega e geladeiras nos bares.

A cerveja Port levou este nome por ser uma inversão das letras do nome Trop, que batizou o guaraná lançado por eles nos Estados Unidos, sem ter nenhuma relação com as Porter inglesas. A cerveja foi um fracasso. Não por sua qualidade, mas porque as garrafas importadas da França para envasar a bebida tinham um design cheio de ondas. As ranhuras impediam que as garrafas fossem empilhadas nas geladeiras dos bares, a quebra era grande e os estabelecimentos desistiam de vendê-las. Retirada de linha a cerveja Port, três anos depois a Cerveja Alterosa chega ao mercado em seu lugar.

A Alterosa produz quatro marcas de refrigerantes: Alterosa (guaraná), Trop (guaraná), Mineirinho (mate) e Sandi (frutas).

“Grandes fabricantes como Antarctica e Brahma não esperavam que a Alterosa vingasse e tivesse tantas inovações. Mas não inventamos nada. Apenas trouxemos o que já era aplicado em outros mercados do mundo.” O investimento se refletiu na produção: de 15 milhões de litros de cerveja produzidos em 1972, a companhia passou a 45 milhões em 1977.

Faturamento triplicado, sucesso depois de muita batalha... Tanto incomodou que em 1979 o empresário foi chamado a São Paulo para uma reunião na Antarctica.

O que fazer com o negócio? Vender.
O embrião de fusões de grandes empresas já começava a dar as caras naquela época, em que um dos marcos foi a compra da Skol pela Brahma, em abril de 1980.

A Antarctica deu sequência ao processo, adquirindo a fábrica da Alterosa, em Vespasiano, em julho de 1980, por 165 milhões de cruzeiros, em negociação que já durava mais de 2 anos. Com o negócio formalizado e a posse da cervejaria, a Antarctica incorporou a Cia Alterosa, nomeando seu criador e antigo dono, Hermógenes Ladeira, como diretor da marca em Minas Gerais.

“Apesar de todos os esforços, éramos um grupo pequeno. Não aguentaríamos a competição por muito tempo e iríamos quebrar”, explica. Em 1981, a assembleia geral do grupo Antarctica o elegeu como presidente da empresa em Minas, tornando-o responsável por toda área comercial e financeira.

20 dezembro 2017

Cervejaria da Ponte


Texto baseado no artigo "Palmeira, meios de transporte em (1850-1975)"

O Município de Palmeira, localizado na região dos "Campos Gerais", era passagem obrigatória dos tropeiros que abasteciam de gado os mineradores das Minas Gerais, vindos de Viamão (RS) com destino à feira de Sorocaba (SP). Uma das paradas obrigatórias dos tropeiros que passavam por Palmeira era a famosa Fazenda Conceição, que fazia parte da grande Fazenda Palmeira, esta doada como sesmaria ao bisavô de D. Anna Maria Conceição de Sá, esposa do Tenente Manoel José de Araújo, doador do terreno para a construção da igreja para devoção da N. Sra. Imaculada Conceição, ato que deu origem ao surgimento da cidade de Palmeira.

Na metade do século passado, os transportes e as viagens eram feitos através de cavalos; quem não possuía cavalo, viajava a pé. Havia no fim do século XIX as diligências, que se dirigiam de Curitiba até Castro.
De Curitiba a Palmeira, eram dois dias de viagem, enquanto que os outros trechos eram feitos num dia; isto no transporte de passageiros. A distância de Palmeira a Curitiba, na época, era de 96 km. O ponto de saída era a Praça Marechal Floriano Peixoto, onde, em frente à Prefeitura, tinha o marco 96, e, em frente à Catedral de Curitiba, tinha o marco zero. Hoje, essa distância diminuiu para 80 km. Os locais de pousada eram sempre um vilarejo. Havia um perto de São Luís do Purunã, outro próximo a Campo Largo. Ali os viajantes se abrigavam, protegidos do tempo. As pousadas eram particulares. As diligências que puxavam passageiros eram de uma empresa que tinha exclusividade para este serviço.


Germano Ristow, nascido em 14 de julho de 1880, em Brusque, Santa Catarina, filho dos emigrantes Carl Ludwig Ristow e Charlotte Ristow que aqui chegaram em 1873, casado em 16 de Junho de 1910, com Anna Maria Johana Ristow (em solteira, Klappoth). Era o encarregado do transporte de passageiros em Palmeira.
Ele possuía carruagens e um hotel onde o pessoal parava para descansar. O Hotel Germano (onde hoje é o Posto Bordignon) era a estação das diligências. Elas pernoitavam ali, depois iam a Ponta Grossa e de Ponta Grossa a Castro.

Além do serviço de transporte de passageiros, em 1911, nesta cidade de Palmeira - PR, o Sr. Germano montou uma cervejaria, chamada Cervejaria da Ponte, tendo sido instalada na Rua XV de Novembro próximo à ponte do rio Monjolo, de onde vem o seu nome. Fabricava cerveja preta e branca de vários tipos e marcas, principalmente a marca peixe.

O Almanak Laemmert faz referência a essa cervejaria, como pertencente ao Sr. Germano Ristow a partir de 1908 até 1930 quando passa a trazer como responsável seu filho Francisco até o ano de 1937 quando deixa de aparecer.


O SR. Germano Ristow faleceu em 3 de julho de 1942 e sua esposa, Dª Ana, faleceu em 4 de fevereiro de 1959.

29 maio 2017

Companhia Cervejaria Morávia S/A




Imagens de rótulos gentilmente cedidas por Paulo Antunes Júnior


No início de 1936, o Sr. José R. Moraes, fundador da Fábrica de Massas Alimentícias “A Lusitana” e proprietário do célebre Bar Meia-Noite, dedicou-se intensamente e em poucos meses de trabalho adquiriu uma grande área de terreno no bairro de Vila Mariana onde começou a construção de um prédio de cinco andares com uma caixa d’água, inteiramente de concreto, com a capacidade de 130 mil litros e adquiriu os principais e os mais modernos maquinismos, se preparando para o lançamento de sua marca de cerveja.

Foi justamente nesta altura que um grupo de industriais e comerciantes o procurou, propondo-lhe a organização de uma sociedade anônima, transformando e ampliando o primeiro projeto.

   

Convidado a assumir o cargo de incorporador associou milhares de pequenos e médios comerciantes e logo foram lançadas as bases para a constituição de uma nova companhia Industrial e comercial que levará o nome de Companhia Cervejaria Morávia.

A incorporação da Companhia foi encerrada definitivamente no dia 13 de outubro de 1936 e a sua primeira assembleia, feita no dia 14 de outubro, elegeu a primeira diretoria, composta pelo: Comendador Antonio Pereira Inácio (Diretor Presidente) José R. de Moraes (Diretor Gerente) J. B. Duarte (Diretor Secretário) e Alberto Gonçalves (Diretor Tesoureiro) e ainda o Conselho Fiscal composto pelos senhores: Dr. José Hermírio de Moraes, Comm. Antonio Silva Parada e Cel. Julio Antunes de Oliveira e nomeou uma comissão para avaliação dos bens a serem incorporados ao patrimônio da cervejaria.

Foi publicado no Diário Oficial da União de 4 de dezembro de 1936 a declaração de caducidade da marca Cerveja Morávia, de propriedade da Companhia Progresso Industrial, a pedido de José R. de Moraes desde abril desse ano.

Em 23 de agosto de 1937, o DOU publica o registro do nome comercial Companhia Cervejaria Moravia S/A, sob o nº 48518 de 17 de dezembro de 1936.

No ano de 1937, continuavam as obras e só após, no dia 17 de julho de 1938, a nova empresa já instalada na Rua Rio Grande nº 79, Vila Mariana, São Paulo – SP, iniciou suas atividades, lançando inicialmente dois tipos de chopp, claro e escuro e três marcas em garrafa: cerveja Morávia, cerveja Cachopa e cerveja Karajá.

  

No mês seguinte, agosto, no dia 18, lançou seus refrigerantes: Guaraná, Água Tônica, Gasoza e Artesiana. Em 1º de setembro termina a montagem e são colocadas a funcionar as suas modernas maquinas frigoríficas, pondo à disposição do público a venda de gelo.


No dia 17 de maio de 1939 é inaugurada uma filial em Santos – Sp, à Rua Conselheiro Nebias, nº88 e lança também a cerveja Karajá em ¼ de garrafa.


Na Assembleia Geral Extraordinária de 28 de abril de 1942, foi aprovada a liquidação da companhia que não pode prosseguir pelos motivos declarados no parecer do Conselho Fiscal na assembleia de 30 de março, sendo eleito como liquidante o senhor José Bonifácio Correa Sampaio.

Segundo o relatório do liquidante datado de 28 de agosto de 1942 e publicado no Diário Oficial de São Paulo, todos os bens móveis e imóveis foram vendidos. Os terrenos, edifícios maquinismos, marcas registradas no valor de Rs 1.823:607$900 foram vendidos à Companhia Cervejaria Brahma. A Brahma era credora de Rs. 1.410:231$300, eram também credores os senhores José R. de Moraes, com o valor de Rs. 220:000$000 e Joaquim Jorge Peralta com o valor de Rs. 20:000$000. A Brahma assumiu o pagamento aos dois credores e fez um pagamento em dinheiro no valor de Rs. 281:368$800, perfazendo assim o valor de Rs. 1.881:600$100.

    

23 março 2017

Henn, Acker & Cia - Fábrica de Cerveja Atlantica / Henn & Jens / Cervejaria Atlântica S/A


Texto baseado no livro do Pastor Wilhelm Furgmann “Os Alemães no Paraná – Livro do Centenário” e em diversos jornais da época


Apesar de alguns autores citarem Arthur Iwersen como o fundador e administrador da Cervejaria Atlântica no ano de 1901 não há possibilidades da Cervejaria Atlântica ter se originado dessa cervejaria, nem tampouco da cervejaria de Thomaz Iwersen, pai de Arthur, aqui chegado em 1862 e que em 1889 já fabricava cerveja em um estabelecimento na Rua ivahy e que deu origem à Cervejaria Graciosa de Iwersen & Irmão. Essa confusão se originou por ter sido Iwersen diretor da Cervejaria Atlântica na década de 1930.

Em 4 de janeiro de 1912 o periódico Diário da Tarde informa que o senhor Henrique Jens, sócio da fábrica de cerveja Henn & Cia, já fez a aquisição de terrenos pertencentes ao Coronel Joaquim Monteiro, na Rua Igassu, já tendo as plantas aprovadas pela Câmara pretende começar a construção do prédio ainda neste mês. Tendo encomendado as máquinas em outubro do ano passado espera principiar a venda da cerveja no mês de Setembro.

Ainda em 1912 foi criada a firma Henn, Acker & Cia (Karl Henn, Augusto Emilio Acker e outros) que fundou a Fábrica de Cerveja Atlantica, instalada na Rua Iguassu, nº 21 (atual Presidente Vargas), é nesse ano que encontramos a primeira referência desta cervejaria no “Almanach do Paraná” para o ano de 1913. A Cervejaria Atlântica ocupava uma área de 11.000 metros quadrados, com uma construção baseada no estilo medieval, onde foram instaladas máquinas utilizadas, à época, nas maiores cervejarias da Alemanha. Faziam parte ainda do complexo industrial, filtros, aparelhos para pasteurização, máquinas de engarrafamento automático, além de um frigorífico para a refrigeração do porão e para a fabricação de gelo. Além das instalações para a produção de cerveja, outros edifícios tinham equipamentos próprios para a fabricação de limonada, água gaseificada, malte e café de malte. Ainda no mesmo terreno, havia uma fábrica de caixas, uma ferraria, uma carpintaria, uma oficina de marcenaria, um depósito para matéria prima e outro para barris, garagens para os carros de uso da empresa e de particulares, etc.

Já de início a fábrica ofereceu um produto que imediatamente conquistou o mercado. Assim, as outras fábricas locais e as cervejarias do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro cujos produtos eram distribuídos aqui sofreram uma grande concorrência.

É publicado no DOU de 13 de dezembro de 1912 que na sessão de 16 de agosto de 1912 da Junta Comercial do Estado do Paraná, a firma Henn, Acker & Cia, registrou as marcas: Cerveja Atlântica e Cervejaria Atlântica, sob os números 1079 e 1080 e as marcas: Cerveja Ancora, Cerveja Iguaçu e Cerveja Curitybana, sob os números 1094, 1095 e 1096, respectivamente.

Em 14 de julho de 1913, a firma Henn, Acker & Cia, registra na Junta Comercial do Estado do Paraná, as marcas: Cerveja Paranaense e Cerveja Kosmos, sob os números 1110 e 1111, respectivamente.

Em 27 de janeiro de 1913, o periódico Diário da Tarde publica o anúncio da dissolução da firma Henn, Acker & Cia nesta data, bem como a criação da firma Henn & Jens - fábrica de Cerveja Atlântica, formada pelos sócios solidários Karl (Carlos) Henn, Heinrich (Henrique) Jens e suas respectivas esposas Dª Amélia Fell Henn e Dª Vitalina Vasconcellos Jens nos termos do contrato social arquivado na Junta Comercial deste Estado sob o número 1.236. O primeiro foi seu diretor técnico e o segundo dirigia o departamento comercial.
A fábrica se consolidou na região local e mais tarde, em 1913, expandiu suas instalações com a inauguração do Bar Atlântica voltado para a classe média, onde se serviam refeições cotidianas. Foi organizado um cardápio eclético para cada dia da semana, donde o freguês poderia variar bastante sem correr o risco de repetir a refeição: na segunda-feira, ofertava cozido à carioca; na terça-feira, tripas à moda do Porto; na quarta-feira, vatapá à bahiana; na quinta-feira, feijoada completa; na sexta-feira, bacalhoada à portugueza; no sábado, papas à portugueza e mocotó à bahiana; no domingo, caruru “systema do norte”. Segundo o proprietário claro estava que “com taes iguarias não era possível haver reclammações”, já que ao apostar na diversidade étnica e regional conseguiria agradar a todos os tipos de paladar.

Em 9 de julho de 1914, a Junta Comercial do Estado do Paraná, deferiu o requerimento de Henn & Jens que pede a transferência das marcas de cerveja: Kosmos, Âncora, Curitybana, Atlântica, Paranaense, Iguassú e Cervejaria Atlântica antes pertencentes a Henn, Acker & Cia da qual são sucessores.
Em 28 de maio de 1917 é constituída uma sociedade anônima sob a denominação Cervejaria Atlântica Sociedade Anonyma, com prazo de duração de vinte anos, com o intuito de continuar a desenvolver a exploração industrial da fábrica de cerveja, gelo e outros produtos congêneres, existente à Rua Iguassú, pertencente à firma Henn & Jens, nesta praça. O capital será de setecentos contos de réis (Rs700:000$000), constituído de três mil e quinhentas ações no valor de duzentos mil réis (Rs200$000) cada uma, nesta data foram nomeados seus primeiros administradores: Hans Wenauer, presidente; Carlos Henn, gerente e Henrique Jens, secretário, ficando vago o cargo de tesoureiro para ser posteriormente indicado pelo presidente.
Seus principais acionistas são: Carlos Henn, Henrique Jens, Hans Wenauer, Dr. Pamphilo de Assumpção, Augusto Loureiro, Vicente Loyola, Candido José dos Santos, Frederico Jepsen, Guilherme Fischer Júnior.

Em 27 de julho de 1917 foi registrada a marca Cervejaria Atlântica S.A. representada pela figura de uma âncora, sob o nº 1.387 da Junta Comercial do Paraná.

Em 1918 trabalham nela 140 operários, além de ofertar as variadas marcas de cervejas como Astra Pilsen, Curitybana, Soberba, entre outras, a Atlântica fabricava ainda limonadas, água Selzer, malte e café de malte.
    


Foto carroça de entregas - 1925
Em 1929, a Cervejaria Atlântica tem aproximadamente 260 operários, 64 carroças, 120 muares e 7 caminhões, produz anualmente 3.500.000 litros, superando em estoque todos os seus concorrentes. Possui cinco poços próprios e uma ligação especial à rede de água da cidade, o que fornece água suficiente para a produção de cervejas, gasosas, vapor para a pasteurização, limpeza das garrafas, além de outras finalidades.

Em 23 de junho de 1929, é publicado no DOU que na sessão de 21 de junho da Junta Comercial do Estado do Paraná, foi deferido o registro da cerveja Imperial Pilsen, sob o número 14.628.

23 de julho de 1929, é feito o pedido de renovação da marca Cervejaria Atlântica S.A. e o registro da marca cerveja Malta.

Em 28 de setembro de 1929, é publicado no DOU, o registro da cerveja Tourinho, sob o número 15.448 e na mesma data renova o registro da cerveja Atlântica sob o nº 15.489.

    
Da segunda metade da década de 1920 até 1930, a Cervejaria Atlântica teve como médico o Sr. Gabriel Nogueira Quadros, pai de Jânio da Silva Quadros que em 1961 viria a ser o 22º presidente do Brasil.

Em 26 de março de 1935, é publicado no DOU, que na sessão de 22 de março, da Junta comercial do Estado do Paraná foi feita a renovação do registro da Cerveja Malta sob o nº. 35.759.

Considerada como produtora de alta qualidade, ela enfrentou dificuldades no decorrer da Segunda Guerra Mundial para importar matéria-prima, principalmente cevada e lúpulo de qualidade. Para não perder o mercado conquistado, optou por utilizar a cevada oferecida pelo próprio país e importar do Chile.

Na assembleia geral de 31 de maio de 1941, foram votadas e aprovadas diversas alterações nos estatutos, e entre elas a modificação do prazo de duração da sociedade para cinquenta anos a partir de 29 de setembro de 1938 e o aumento do capital para Rs 3.400:000$000,00 (três mil e quatrocentos contos de réis) divididos em 17.000 ações comuns, ao portador, no valor nominal de Rs200$000,00 (duzentos mil réis) e que sejam concedidos poderes à diretoria para prosseguir com as providências para a aquisição da Cervejaria Paranaense.

Em 1º de janeiro de 1942, o periódico O Dia publica o anúncio de que em 25 de setembro de 1940, foi levado à termo a dissolução da Cervejaria e em 29 de dezembro de 1941, por escritura pública a Companhia Cervejaria Brahma assumiu o seu ativo e o passivo, adquirindo assim as instalações da tradicional Cervejaria Atlântica, em Curitiba, criando sua filial paranaense que se encontra no mesmo endereço até os dias de hoje.