quinta-feira, 23 de março de 2017

Henn, Acker & Cia - Fábrica de Cerveja Atlantica / Henn & Jens / Cervejaria Atlântica S/A


Texto baseado no livro do Pastor Wilhelm Furgmann “Os Alemães no Paraná – Livro do Centenário” e em diversos jornais da época


Apesar de alguns autores citarem Arthur Iwersen como o fundador e administrador da Cervejaria Atlântica no ano de 1901 não há possibilidades da Cervejaria Atlântica ter se originado dessa cervejaria, nem tampouco da cervejaria de Thomaz Iwersen, pai de Arthur, aqui chegado em 1862 e que em 1889 já fabricava cerveja em um estabelecimento na Rua ivahy e que deu origem à Cervejaria Graciosa de Iwersen & Irmão. Essa confusão se originou por ter sido Iwersen diretor da Cervejaria Atlântica na década de 1930.

Em 4 de janeiro de 1912 o periódico Diário da Tarde informa que o senhor Henrique Jens, sócio da fábrica de cerveja Henn & Cia, já fez a aquisição de terrenos pertencentes ao Coronel Joaquim Monteiro, na Rua Igassu, já tendo as plantas aprovadas pela Câmara pretende começar a construção do prédio ainda neste mês. Tendo encomendado as máquinas em outubro do ano passado espera principiar a venda da cerveja no mês de Setembro.

Ainda em 1912 foi criada a firma Henn, Acker & Cia (Karl Henn, Augusto Emilio Acker e outros) que fundou a Fábrica de Cerveja Atlantica, instalada na Rua Iguassu, nº 21 (atual Presidente Vargas), é nesse ano que encontramos a primeira referência desta cervejaria no “Almanach do Paraná” para o ano de 1913. A Cervejaria Atlântica ocupava uma área de 11.000 metros quadrados, com uma construção baseada no estilo medieval, onde foram instaladas máquinas utilizadas, à época, nas maiores cervejarias da Alemanha. Faziam parte ainda do complexo industrial, filtros, aparelhos para pasteurização, máquinas de engarrafamento automático, além de um frigorífico para a refrigeração do porão e para a fabricação de gelo. Além das instalações para a produção de cerveja, outros edifícios tinham equipamentos próprios para a fabricação de limonada, água gaseificada, malte e café de malte. Ainda no mesmo terreno, havia uma fábrica de caixas, uma ferraria, uma carpintaria, uma oficina de marcenaria, um depósito para matéria prima e outro para barris, garagens para os carros de uso da empresa e de particulares, etc.

Já de início a fábrica ofereceu um produto que imediatamente conquistou o mercado. Assim, as outras fábricas locais e as cervejarias do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro cujos produtos eram distribuídos aqui sofreram uma grande concorrência.

É publicado no DOU de 13 de dezembro de 1912 que na sessão de 16 de agosto de 1912 da Junta Comercial do Estado do Paraná, a firma Henn, Acker & Cia, registrou as marcas: Cerveja Atlântica e Cervejaria Atlântica, sob os números 1079 e 1080 e as marcas: Cerveja Ancora, Cerveja Iguaçu e Cerveja Curitybana, sob os números 1094, 1095 e 1096, respectivamente.

Em 14 de julho de 1913, a firma Henn, Acker & Cia, registra na Junta Comercial do Estado do Paraná, as marcas: Cerveja Paranaense e Cerveja Kosmos, sob os números 1110 e 1111, respectivamente.

Em 27 de janeiro de 1913, o periódico Diário da Tarde publica o anúncio da dissolução da firma Henn, Acker & Cia nesta data, bem como a criação da firma Henn & Jens - fábrica de Cerveja Atlântica, formada pelos sócios solidários Karl (Carlos) Henn, Heinrich (Henrique) Jens e suas respectivas esposas Dª Amélia Fell Henn e Dª Vitalina Vasconcellos Jens nos termos do contrato social arquivado na Junta Comercial deste Estado sob o número 1.236. O primeiro foi seu diretor técnico e o segundo dirigia o departamento comercial.
A fábrica se consolidou na região local e mais tarde, em 1913, expandiu suas instalações com a inauguração do Bar Atlântica voltado para a classe média, onde se serviam refeições cotidianas. Foi organizado um cardápio eclético para cada dia da semana, donde o freguês poderia variar bastante sem correr o risco de repetir a refeição: na segunda-feira, ofertava cozido à carioca; na terça-feira, tripas à moda do Porto; na quarta-feira, vatapá à bahiana; na quinta-feira, feijoada completa; na sexta-feira, bacalhoada à portugueza; no sábado, papas à portugueza e mocotó à bahiana; no domingo, caruru “systema do norte”. Segundo o proprietário claro estava que “com taes iguarias não era possível haver reclammações”, já que ao apostar na diversidade étnica e regional conseguiria agradar a todos os tipos de paladar.

Em 9 de julho de 1914, a Junta Comercial do Estado do Paraná, deferiu o requerimento de Henn & Jens que pede a transferência das marcas de cerveja: Kosmos, Âncora, Curitybana, Atlântica, Paranaense, Iguassú e Cervejaria Atlântica antes pertencentes a Henn, Acker & Cia da qual são sucessores.
Em 28 de maio de 1917 é constituída uma sociedade anônima sob a denominação Cervejaria Atlântica Sociedade Anonyma, com prazo de duração de vinte anos, com o intuito de continuar a desenvolver a exploração industrial da fábrica de cerveja, gelo e outros produtos congêneres, existente à Rua Iguassú, pertencente à firma Henn & Jens, nesta praça. O capital será de setecentos contos de réis (Rs700:000$000), constituído de três mil e quinhentas ações no valor de duzentos mil réis (Rs200$000) cada uma, nesta data foram nomeados seus primeiros administradores: Hans Wenauer, presidente; Carlos Henn, gerente e Henrique Jens, secretário, ficando vago o cargo de tesoureiro para ser posteriormente indicado pelo presidente.
Seus principais acionistas são: Carlos Henn, Henrique Jens, Hans Wenaer, Dr. Pamphilo de Assumpção, Augusto Loureiro, Vicente Loyola, Candido José dos Santos, Frederico Jepsen, Guilherme Fischer Júnior.

Em 27 de julho de 1917 foi registrada a marca Cervejaria Atlântica S.A. representada pela figura de uma âncora, sob o nº 1.387 da Junta Comercial do Paraná.

Em 1918 trabalham nela 140 operários, além de ofertar as variadas marcas de cervejas como Astra Pilsen, Curitybana, Soberba, entre outras, a Atlântica fabricava ainda limonadas, água Selzer, malte e café de malte.
    


Foto carroça de entregas - 1925
Em 1929, a Cervejaria Atlântica tem aproximadamente 260 operários, 64 carroças, 120 muares e 7 caminhões, produz anualmente 3.500.000 litros, superando em estoque todos os seus concorrentes. Possui cinco poços próprios e uma ligação especial à rede de água da cidade, o que fornece água suficiente para a produção de cervejas, gasosas, vapor para a pasteurização, limpeza das garrafas, além de outras finalidades.

Em 23 de junho de 1929, é publicado no DOU que na sessão de 21 de junho da Junta Comercial do Estado do Paraná, foi deferido o registro da cerveja Imperial Pilsen, sob o número 14.628.

23 de julho de 1929, é feito o pedido de renovação da marca Cervejaria Atlântica S.A. e o registro da marca cerveja Malta.

Em 28 de setembro de 1929, é publicado no DOU, o registro da cerveja Tourinho, sob o número 15.448 e na mesma data renova o registro da cerveja Atlântica sob o nº 15.489.

    
Da segunda metade da década de 1920 até 1930, a Cervejaria Atlântica teve como médico o Sr. Gabriel Nogueira Quadros, pai de Jânio da Silva Quadros que em 1961 viria a ser o 22º presidente do Brasil.

Em 26 de março de 1935, é publicado no DOU, que na sessão de 22 de março, da Junta comercial do Estado do Paraná foi feita a renovação do registro da Cerveja Malta sob o nº. 35.759.

Considerada como produtora de alta qualidade, ela enfrentou dificuldades no decorrer da Segunda Guerra Mundial para importar matéria-prima, principalmente cevada e lúpulo de qualidade. Para não perder o mercado conquistado, optou por utilizar a cevada oferecida pelo próprio país e importar do Chile.

Na assembleia geral de 31 de maio de 1941, foram votadas e aprovadas diversas alterações nos estatutos, e entre elas a modificação do prazo de duração da sociedade para cinquenta anos a partir de 29 de setembro de 1938 e o aumento do capital para Rs 3.400:000$000,00 (três mil e quatrocentos contos de réis) divididos em 17.000 ações comuns, ao portador, no valor nominal de Rs200$000,00 (duzentos mil réis) e que sejam concedidos poderes à diretoria para prosseguir com as providências para a aquisição da Cervejaria Paranaense.

Em 1º de janeiro de 1942, o periódico O Dia publica o anúncio de que em 25 de setembro de 1940, foi levado à termo a dissolução da Cervejaria e em 29 de dezembro de 1941, por escritura pública a Companhia Cervejaria Brahma assumiu o seu ativo e o passivo, adquirindo assim as instalações da tradicional Cervejaria Atlântica, em Curitiba, criando sua filial paranaense que se encontra no mesmo endereço até os dias de hoje.

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