quinta-feira, 26 de maio de 2016

Fábrica de Cerveja José Zambello


baseado em texto do livro:A Vila E Seus Vilões de Alcides Aldrovandi.

No início do século 20, emigraram da Itália José Zambello e sua mulher Margarida Carpi, descendente de uma condessa da nobreza italiana, chegaram ao Brasil juntamente com três irmãos do primeiro: Luiz, Carlos e Lucia, todos naturais de Altavilla Vicentina, comuna italiana da região do Vêneto, província de Vicenza, Itália, fixando-se toda a família em Piracicaba, SP.

José Zambello se radicou em Piracicaba, na Vila Rezende, onde o casal teve dezenove filhos, entre eles, Judith que foi casada com Luiz Trevisan, o Banhara, que também abriu uma fábrica de cerveja na Paulista e Tereza casada com o açougueiro José Brusatin, cuja filha Dirce é casada com João Carmignani, o Babico, filho de Caetano Carmignani, outro pioneiro em cerveja.


José Zambello inicialmente abriu um armazém, no Areão, no ponto das figueiras, onde depois montou a fábrica de Cerveja Única, a pioneira da Vila Rezende. Sua fábrica de cerveja foi instalada em 1907, na Av. Rui Barbosa, acima da oficina do Oscar Martins e na frente do açougue do Brusantin. O prédio ainda existe.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Fábrica de Refrigerante e Cerveja Aziz Daher


Na história da industrialização de Araguari um empreendimento importante foi a instalação de uma fábrica de refrigerante e cerveja em 1899, de propriedade do sr. Aziz Daher, localizada à Rua Estrela do Sul, no centro da cidade.


Fabricava cervejas muito apreciadas, claras e escuras e também outras bebidas alcoólicas como: conhaque, quinado, etc.

A fábrica foi desativada nos anos 1920, devido às crises provocadas durante a Primeira Grande Guerra. Pouco tempo depois, em 1928, o Sr. Aziz Daher implantou uma fábrica de guaraná denominado Guaraná Santana.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Augusto Tolle & Cia / Sociedade Anônima Empreza de Águas Gazosas / Companhia Antarctica Carioca


O sr. Augusto Tolle, residiu durante 27 anos em São Paulo, onde fundou a conhecida Casa Tolle daquela capital, organizada também em sociedade anônima.

Em 1909, Augusto Tolle se afastou dos negócios em São Paulo, transferiu sua residência para o Rio de Janeiro e fundou a firma Augusto Tolle & Cia.

Em 12 de maio de 1909, o jornal Correio da Manhã publica a compra da firma de águas gasosas Bilz Companhia Limitada – Foerstaer Szulc & Cia, feita em 8 de maio por Augusto Tolle & Cia, firma estabelecida á Rua Itapiru 341, no Rio de Janeiro.
  


Em 26 de outubro de 1909, é publicado no Diário Oficial da União, o Decreto 7621 de 21 de outubro que concede autorização a Joaquim Pinto de Magalhães e outros para organizarem uma sociedade anônima sob a denominação de Empreza de Aguas Gazosas à Rua da Constituição 49.

A sociedade terá duração de 20 anos, podendo esta ser prorrogada por deliberação da assembleia geral.
A companhia tem por fim a fusão, ampliação e exploração da atual Empreza de Aguas Gazosas, de Machado, Magalhães & Comp., e do estabelecimento industrial de Augusto Tolle & Comp., ambos nesta capital, Rio de Janeiro, para o fabrico e consequente comercio de aguas gazosas e aguas mineraes, xaropes, licores e seus congeneres.
O capital da companhia é de Rs 500:000$000 (quinhentos contos de reis), dividido em 5.000 ações de 100$ cada uma integralizadas e representadas pelo valor dos bens e direitos que os subscritores possuem nos referidos estabelecimentos de acordo com a respectiva lista e a distribuição constante da ata da primeira assembleia geral, com as quais entram para a constituição do capital da companhia e ficam aos mesmos incorporados.
A sua diretoria é constituída pelos senhores: Augusto Tolle, presidente; José Joaquim Alves Machado, gerente; Joaquim Pinto Magalhães, tesoureiro; e Jacques Zahner, secretário.

Em 26 de janeiro de 1910, o Jornal O Paiz publica que foi deferido na sessão do dia 10, o requerimento da Sociedade Anônima Empreza de Águas Gazosas da transferência para seu nome das marcas nº 6005, 6027 e 6123 anteriormente registradas por Machado, Magalhães & Cia e Augusto tolle & Cia.

O DOU de 24 de janeiro de 1911 publica o registro da marca Empreza de Aguas Gazosas na sessão de 11 de janeiro na Junta Comercial do Rio de Janeiro, essa marca serve para distinguir os produtos de sua fabricação (cervejas Porter e Ale, cervejas sem álcool, cervejas com pouco álcool, vinhos, vinhos espumantes. vermouth, vinho de frutas, bebidas alcoolicas, essencias alcoólicas, ginger ale, espirito, licores, agua mineral, limonadas, bebidas sem álcool, etc.).

Ainda neste ano de 1911, para que a Prefeitura possa fazer o prolongamento da Avenida Gomes Freire, foi necessária a desapropriação e demolição do prédio que a empresa ocupa á Rua da Constituição nº 49, com isso, a empresa adquire um imóvel à Rua do Riachuelo nº 92, os prédios, exigirão reformas indispensáveis e ainda será necessária a construção de um edifício apropriado para a fabrica de aguas gasosas, apesar da indenização a empresa sofre considerável prejuízo, não somente pela desmontagem e mudança dos aparelhos e maquinismos, como também pelas grandes obras e benfeitorias que realizou naquela casa, confiando no contrato de arrendamento garantido por hipoteca do prédio.

Em 1913, esta empresa fabrica toda a sorte de águas gasosas, Bilz e cerveja, achando-se presentemente em construção um edifício especial, destinado à manufatura de águas gasosas, próximo ao seu escritório, à Rua Riachuelo, 92, local onde possui a companhia uma área de 5.000 metros quadrados. A nova fábrica será instalada neste edifício e terá maquinismo do mais moderno e uma força motriz de 120 hp. Atualmente, a empresa produz diariamente 600 dúzias de Bilz, 2.000 dúzias de gasosas diversas e 500 dúzias de sifões. A produção de cerveja vai atualmente a 25.000 dúzias mensais, tencionando a empresa construir uma nova fábrica, de modo a elevar a produção a 30.000 hectolitros anualmente. A companhia emprega 120 pessoas, e tem, para os diversos serviços, 25 carroças e 130 animais.

  


O DOU de 14 de setembro de 1923 publica a renovação do registro em 6 de setembro na Junta Comercial do RJ, pela Empresa de Águas Gasosas, da cerveja Tells Bier, sob o nº 19706.

A partir de 1925 passa a ser representante da Companhia Antarctica paulista passando a comercializar os seus produtos.
Na Assembleia Geral Extraordinaria de julho de 1927 foi ratificada a proposta de aumento de capital de Rs 340:000$000 para Rs 1.500:000$000. O representante da Companhia Antarctica Paulista disse que esta pretendia subscrever todo o capital que se pretendia aumentar, mas como eram iguais os direitos dos demais acionistas fazia um apelo para que lhes cedessem as ações com que contribuirão para a realização do capital e assim procedia dados os vultosos interesses que a Companhia Antarctica já tinha na Empreza de Aguas Gazosas S.A.
Depois de ligeira discussão consentiram que o capital fosse todo subscrito pela Companhia Antarctica Paulista

Em 16 de janeiro de 1928 a Assembleia Geral Extraordinária dos respectivos acionistas aprovou resolução proposta em 1927, da alteração dos estatutos, o aumento de capital e, ainda, a alteração do nome de Empreza de Aguas Gazosas para Companhia Antarctica Carioca.

Como o aumento de capital foi totalmente integralizado pela Companhia Antarctica Paulista e pelas ações em poder de sua subsidiária, a Companhia Progresso Industrial, passaram a deter a maioria das ações, assumindo o controle acionário.

O Decreto nº 18.155, de 13 de Março de 1928 Aprova a alteração dos estatutos da Empreza de Aguas Gazosas, pela qual passou a se denominar Companhia Antarctica Carioca.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Fábrica de cerveja Ignacio Rasch





Em 17 de dezembro de 1823, partiu de Hamburgo na Alemanha, o navio Caroline com o grupo dos primeiros imigrantes destinados ao Rio Grande do Sul.

No final de junho chegaram ao Rio de Janeiro onde foram recebidos e distribuídos pelo Monsenhor Miranda, trocaram de embarcação passando para o veleiro Protector e seguiram viagem com destino à Porto Alegre, capital da província de São Pedro do Rio Grande onde chegaram em 18 de julho de 1824.

Foram então enviados para a desativada Real Feitoria do Linho-Cânhamo, um estabelecimento agrícola localizado à margem esquerda do Rio dos Sinos, que não dera resultados. A feitoria persistiu até depois da Independência do Brasil, sendo extinta em 31 de março de 1824. Suas terras foram destinadas a abrigar os imigrantes alemães que recém chegavam ao Rio Grande do Sul. Sua estrutura compunha-se da casa-grande que era o centro das atividades e moradia do feitor ou outra autoridade da Feitoria. Nas senzalas moravam os escravos. Havia ainda os galpões para animais e depósitos diversos.

Fazia apenas alguns meses que a fabriqueta de cordas e cordéis da Real Feitoria do Linho-Cânhamo tinha sido desativada. Mas, em boa parte ainda se conservavam as plantas canabíneas para a produção de filamentos e fibras feita por escravos em lavouras de açorianos.

Foram recebidos pelo presidente da província José Fernandes Pinheiro, depois Visconde de São Leopoldo, que, após alguns dias, os encaminhou para a futura colônia. Em carta assinada em 23 de julho de 1824, o presidente informa o Rio de Janeiro que os primeiros colonos já haviam deixado Porto Alegre naquela data com destino a Feitoria. Antes, haviam sido acomodados e assistidos com “carne, farinha, algum legume e tempero de toucinho e sal”.

Em 25 de julho de 1824, esses imigrantes chegaram, à feitoria do Linho-Cânhamo, seu destino. Essa é a data de fundação de São Leopoldo, donde vem o título de “Berço da Imigração”.

Com a chegada dos imigrantes, os poucos moradores tiveram um novo alento na produção de alimentos para os imigrantes, pagos pelo governo provincial.

A primeira leva de imigrantes alemães era composta por 39 pessoas, sendo 15 crianças em idade escolar, 33 evangélicos e 6 católicos, pertencentes às famílias de:
Miguel Krämer e esposa Margarida, lavrador, Bavária, católicos.
João Frederico Höpper, esposa Anna Margarida, filhos Anna Maria, Christóvão, João Ludovico, fabricante de cartas, Bavária, evangélicos.
Paulo Hammel, esposa Maria Teresa, filhos Carlos e Antônio, marceneiro, Munique, católicos.
João Henrique Otto Pfingsten, esposa Catarina, filhos Carolina, Dorothea, Frederico, Catarina, Maria, lavrador, Munique, evangélicos.
João Christiano Rust, esposa Joana Margarida, filha Joana e Luiza, marceneiro, Hamburgo, evangélicos.
Henrique Timm, esposa Margarida Ana, filhos João Henrique, Ana Catarina, Catarina Margarida, Jorge e Jacob, lavrador, Holstein, evangélicos.
Augusto Timm, esposa Catarina, filhos Christóvão e João, lavrador, Holstein, evangélicos.
João Henrique Jaacks, esposa Catarina, filhos João Henrique e João Joaquim, lavrador, Holstein, evangélicos.
Gaspar Henrique Bentzen, cuja esposa e um parente Frederico Gross morreram na viagem, o filho João Henrique, lavrador, Holstein, evangélicos.

Em 12 de agosto de 1824, o presidente da província, José Feliciano Fernandes Pinheiro, mandou um ofício ao inspetor da Colônia de São Leopoldo, José Tomás de Lima, com instruções aos agrimensores e juiz de paz, acompanhando a segunda turma de imigrantes. Talvez, seja apressada a conclusão de considerar insignificante a vinda de apenas 6 novos imigrantes nesta segunda leva.
A grande importância deste grupo diminuto, foi a inclusão de dois imigrantes das ilhas dos Açores: o João Antônio da Cunha, de 35 anos de idade, e a Hiacintha ou Jacinta da Rosa, de 29 anos de idade. O casamento deles estava previsto na primeira visita pastoral a ser feita por um sacerdote, vindo de Gravataí. Este contato direto entre os açorianos e alemães facilitava a comunicação entre os fornecedores de alimentos aos colonos e a aprendizagem das primeiras palavras em língua portuguesa mais necessárias para se comunicarem.

Além dos açorianos, vieram também mais quatro alemães solteiros: João Daniel Gottfried Kümmel, ferreiro, 36 anos; Joaquim Frederico Guilherme Jäger, 45 anos, lavrador; André Cristóvão Meyer, 22 anos, lavrador; eram todos evangélicos; e Ignácio Rasch, pedreiro, 24 anos, católico. Esses quatro solteiros vieram 18 dias depois da chegada dos pioneiros por terem permanecido no Hospital Militar em Porto Alegre para tratar de sua saúde, maltratados pelo capitão da sumaca São Francisco de Paula.


Primeiro abrigo dos imigrantes alemães fundadores de São Leopoldo

Instalados na feitoria até que recebessem seus lotes coloniais, o Governo mudou o nome da antiga Real Feitoria e batizou o núcleo de Colônia Alemã de São Leopoldo, em homenagem à Imperatriz Leopoldina, a esposa austríaca de Dom Pedro I. A colônia se estendia por mais de 1000 Km² indo em direção sul-norte de Esteio até Campo dos Bugres (Caxias do Sul, hoje) e em direção leste-oeste; de Taquara (hoje) até o Porto de Guimarães, no Rio do Caí (São Sebastião do Caí, hoje).


Em 12 de outubro de 1824, Ignácio Rasch, nascido na Baviera em 1790, recebeu o Lote nº 1 do plano diretor do núcleo urbano de São Leopoldo, quase defronte à igreja no lado esquerdo do rio.

Ignácio Rasch, homem de visão, tendo recebido o lote na margem do Passo, logo tratou de explorar suas potencialidades, ele abriu um armazém de secos e molhados, instalou à margem do rio, a primeira fábrica de cerveja do Rio Grande do Sul para alegrar o povo em suas festas de Kerb e um serviço de barcas destinado ao transporte de cargas quando ainda não havia ponte.

Ignácio Rasch foi o primeiro comerciante e barqueiro no Rio dos Sinos. Foi assim que se deram os começos duma urbanização primitiva, surgida automaticamente, sem intervenção governamental, no Passo, chamado também Passo da Olaria, no Porto das Telhas.

Como se vê, foi o empresário pioneiro no comércio, indústria e serviços em São Leopoldo, onde faleceu em 1835, casado com Gertrudes Heinz.

O Passo fazia parte da velha estrada de tropas que, partindo do Planalto Central, passava por São Francisco de Paula, se bifurcava no Mundo Novo, seguindo ou para Santo Antônio ou para Boa Saúde (perto do lugar onde depois se estabeleceria Novo Hamburgo), onde mais uma vez se bifurcava, indo um ramo para o Jacuí e outro para Porto Alegre. Em conseqüência deste fluxo de mercadorias do Passo para a Feitoria e, anos mais tarde, em direção oposta, levando as mercadorias já produzidas pelos colonos para Porto Alegre, surgiram as primeiras casas na atual cidade de São Leopoldo.

As compras tinham que ser feitas no Passo, onde havia duas vendas, uma de Ignácio Rasch, na margem esquerda do rio, onde hoje existe o Hotel Brasil, e a outra de Adão Hoefel, na margem direita. Só mais tarde abriram-se novas casas de negócio na Estância Velha e em Hamburgo Velho.


A casa onde funcionava a sede da Real Feitoria do Linho Cânhamo em São Leopoldo, permanece ainda no mesmo local, no Bairro que leva o nome de Feitoria, conhecida como Casa da Feitoria ou Casa do Imigrante.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Tiede & Beyerstdt / Cervejaria Tiede / Viuva de A. Tiede / Alfredo Tiede & Cia / Tiede, Seyboth & Cia / Cervejaria Catharinense Ltda. / Cervejaria Catarinense S.A.


Baseado no texto de Maria Cristina Dias, publicado em Notícias do Dia


A Colônia Dona Francisca ainda estava sendo estruturada e as primeiras cervejarias já começavam a produzir a bebida, que passaria a integrar o dia a dia da comunidade nos momentos de alegria, confraternização, e por que não? – de tristeza.

O imigrante Alfred Tiede (Alfredo), de profissão cervejeiro, nascido em 24 de outubro de 1854, em Thurn, na Suiça, filho de Christian Friedrich Tiede e Mathilde Braun Tiede (que viúva, também imigrou para a Joinville), chegou à Colônia Dona Francisca em 1881, aos 27 anos e ainda solteiro.
Logo casou com Karoline Mathilde, a Lilly, nascida Brand em 1857, que havia chegado com sua família, em outro navio,no mesmo ano de 1881. Disposto a começar uma nova vida escolheu como local desse recomeço um lote de 5,50 morgos (equivalente a 2.400 metros quadrados) na então Mittelweg ou Caminho do Meio, atual Rua XV de Novembro, curiosamente o local onde a princípio os imigrantes suíços se concentraram.

Algum tempo depois, juntamente com outro imigrante, Carl Beysterdt, cervejeiro radicado em Brusque e premiado em 30 de setembro de 1875 com a medalha de bronze (2º lugar) na 4ª Exposição de Produtos Agrícolas e Manufaturas das Colônias Itajahy e Príncipe Dom Pedro, fundou a cervejaria Tiede & Beyerstedt que durou pouco tempo.

A partir de 1888, fundou a Cervejaria Tiede, que também fabricava gasosas, licores e até xaropes de frutas, as primeiras garrafas produzidas na Cervejaria Tiede começaram a chegar na mesa dos consumidores ainda em janeiro de 1889.

A abertura oficial do novo empreendimento foi no primeiro dia do ano e na edição de 9 de janeiro de 1889, o jornal “Reform”, de circulação local, publicava uma nota informando a comunidade: “O proprietário de cervejaria, sr. Alfred Tiede, que até este momento era sócio da firma Cervejaria Tiede & Beyerstedt, recentemente fechada, abriu a sua própria cervejaria, a qual também administra, no dia 1º de janeiro, sob a denominação de “Alfred Tiede”, segundo tradução da pesquisadora Brigitte Brandenburg.

Tiede apostou na crítica dos jornais e enviou para o editor, “como amostra”, 25 garrafas de sua produção. O resultado foi a nota que visava atrair mais clientes: “Julgamos que a amostra que nos foi enviada apresenta um gosto forte em uma cerveja muito clara e de bom encorpamento, que nós consumidores de cerveja desejamos. É uma cerveja que está acima das melhores cervejas aqui criadas, e que pode colocá-las em segundo lugar”, aproveitando para salientar o preço do produto, considerado bom para a época. “Se o sr. A. Tiede mantiver-se fiel a este princípio, e fermentar a sua cerveja na mesma qualidade com o qual nos enviou, não faltarão encomendas”, assinalava a resenha publicada no jornal.

Alfred Tiede morreu de câncer em 14 de junho de 1904, aos 50 anos, e não deixou filhos. Ele e Lilly tiveram apenas uma criança que também já havia falecido. O casal, havia adotado um sobrinho que tinha o mesmo nome do tio: Alfred Tiede, a coincidência de nomes cria certa confusão, o sobrinho era Alfred Carl Tiede (Alfredo Tiede), nascido em 1893, e filho de Rudolf Baade e Marie Tiede. As informações constam no Kolonie Zeitung, em nota que comunica seu casamento com Gertrud Bennack, em 1917, e foram traduzidas por Brigitte Brandenburg.

A Cervejaria de Alfred Tiede recebeu a medalha de segunda classe da Exposição de Agricultura Indústria e Artes, feita pela Sociedade Catarinense de Agricultura em 1905, pelas cervejas Porter, Kulmbach e Clara e medalha de terceira classe para a sua cerveja simples.

Medalha premial de segunda classe da Exposição de Agricultura Indústria e Artes

Após a morte do marido, Lilly Tiede a princípio assumiu os negócios da família. Rótulos da primeira década do século 20 mostram o novo nome da empresa: “Vª de A. Tiede” (Viúva de Alfred Tiede).

Por volta de 1915, o sobrinho Alfredo Tiede assumiu os negócios da mãe adotiva. A firma passou a aparecer nos rótulos como “Alfredo Tiede & Cia" e adotou o nome fantasia de Cervejaria Catharinense.

     

No início dos anos 20, com a chegada de um sócio, Seyboth, os rótulos passam a apresentar a identificação “Tiede, Seyboth & Cia”.
  

Em 1923, a empresa que fabricava cerveja de alta fermentação, foi transformada em cervejaria de baixa fermentação.

O DOU de 10 de julho de 1925, publica o registro das marcas Clarinha, Morena e Ouro sob os nº 2904, 2905 e 2906 respectivamente e tres meses depois, em 8 de outubro desse mesmo ano, publica o registro da marca Cerveja tipo Original Munchen, sob o nº 3563, para a firma Tiede, Seyboth & Cia.

A modificação, no processo, da cervejaria de alta para baixa fermentação, que visava alcançar maior produtividade, trouxe também problemas financeiros, os quais culminaram com a transformação, em 1928, da Thiede, Seyboth & Cia em Cervejaria Catharinense Ltda.


O Diário oficial de 1/11/1928 publica o deferimento da transferência das marcas nº 22023, 22024 e 22025, 22321 e 24038 da Tiede e Seyboth & Cia para a Cervejaria Catharinense.

Na formação da Cervejaria Catharinense Ltda. houve o aporte de capital de empresários e firmas da região, como Henrique Douat, Eugênio Fleischer, Colin & Cia, Böhm, H. Zimmermann e Werner Metz e Max e Georg Keller. “Tornando-se assim a maior cervejaria do Estado, com produção de 18 mil hectolitros/ano e capital investido de 800 contos de réis”.

Nesta época, final dos anos 20 e década de 30, a cervejaria contava com cerca de 80 empregados, era a maior do Estado e funcionava no mesmo local onde morava o seu fundador, Rua Quinze de Novembro, produzia as marcas Ouro Pilsen, Morena, Catharinense, Clarinha, Sem Rival, Porter e Munchen, além de refrigerantes.

A água utilizada na fabricação das cervejas e que era a grande chave de seu sucesso vinha de duas fontes: uma no terreno da própria empresa e outra na rua Padre Anchieta , por onde era escoada até a empresa através de uma tubulação subterrânea. Essa fonte de água mineral foi usada por mais de 50 anos para a produção de bebidas.

O Diário oficial de 2/03/1929 publica o registro da marca Ouro Pilsen sob o nº 13641 e em 8/03/1929, o Diário oficial de publica o registro da marca Sem Rival sob o nº 13687.

  
     

Em 21 de dezembro de 1929, o jornal "A República" publica a notícia da cessão onerosa (venda) que faz Alfredo Tiede, de suas quotas na Cervejaria Catharinense Ltda, no valor de Rs 60:000 (sessenta contos de réis) para Colin & Cia.

O Diário oficial de 4/12/1934 publica o registro da marca Optima.

O Diário oficial de 15/06/1935 publica o registro da marca Favorita.

Em 1938, deixa, definitivamente, de levar o nome Tiede, com a transformação da sociedade por quotas limitada para sociedade anõnima e inicia a construção da nova fábrica.


Em 1942, a Cervejaria Catharinense é reinaugurada e, com a conclusão do novo prédio, Werner Metz assume como diretor-presidente.

     
     

Em 1948, a Cervejaria Catharinense foi vendida para a Antarctica, que manteve a antiga razão social até 1962 e tornou-se, dentro de pouco tempo, uma das maiores cervejarias do Brasil, com filiais em cidades como Curitiba e Caxias do Sul.

Em 1973 a última grande mudança: a antiga Cervejaria Catarinense passa a se chamar Companhia Sulina de Bebidas Antarctica, e em 1998, após mais de meio século funcionando na rua 15 de Novembro 1383, bairro América, a fábrica foi desativada, foi a vez do fim da fabricação da cerveja Antarctica em Joinville.

Na época, o patrimônio foi passado para Bebidas Antarctica Polar que após 3 anos de abandono, em 2001, o vendeu à Prefeitura de Joinville que transformou os antigos galpões e depósitos na "Cidadela Cultural Antarctica", um complexo para a realização de eventos, cursos, oficinas e apresentações artísticas que deveria se tornar um centro de cultura, diversão e arte.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A. Tiede & Cia / Cervejaria Blumenauense


Na sessão da Junta Comercial de 23 de novembro de 1928, foi requerido o registro do contrato entre Alfredo Tiede e Adolf Schmalz, o 1º solidário e o 2º comanditário, para a exploração de indústria de cerveja na praça de Itoupava Seca, Blumenau, com o capital de Rs 130:000$000 (cento e trinta contos de réis) em partes iguais, por tempo indeterminado sob a razão social de A. Tiede & Cia, tendo sido publicado no jornal “A República” de 26 de fevereiro de 1929, o deferimento desse requerimento.

Essa sociedade durou pouco tempo, em 19 de junho de 1930, foi feito o pedido de registro, na Junta Comercial, do distrato social da firma A. Tiede & Cia, o deferimento desse pedido foi publicado no jornal “A República” em 10 de julho de 1930.

Em 16 de julho de 1930, é publicado no jornal “A República” um aviso (anúncio) em que Alfredo Tiede e Adolpho Schmalz, ambos brasileiros, sócios da firma A. Tiede & Cia, da praça de Blumenau, resolvem de comum acordo dissolver a mesma sociedade, retirando-se o sócio Alfredo Tiede por não ter sido possível cumprir a realização de sua quota de capital da sociedade. A liquidação da extinta firma fica exclusivamente a cargo do sócio Adolpho Schmalz que assume toda a responsabilidade do seu ativo e passivo. O sócio Alfredo Tiede retira-se livre e desonerado de quaisquer compromissos. Tornando pública a dissolução da sociedade.

Suponho que essa sociedade entre Tiede e Schmalz foi para a compra da cervejaria de Otto Jennrich e que com a liquidação da cervejaria, as edificações tenha retornado para Jennrich.

Em 13 de janeiro de 1931, Adolfo R. Schmalz, Tekla Franke, Otto Jennrich, Otto Hennings, Leo Leczymski, Julio Kleine, Fritz Franke, Adolfo Mueler e Hermann Weege, constituem uma sociedade anônima, nesta cidade de Blumenau, que se denominará Cervejaria Blumenauense S.A., com o capital nominal de Rs 200:000$000 (duzentos contos de réis) dividido em 400 ações de Rs 500$000 (quinhentos mil réis) cada uma, com prazo de duração de 20 anos e com o objetivo de fabricação de cervejas e outras bebidas, tais como: gazosas e águas minerais artificiais e o comércio de matérias primas necessárias à fabricação.

O capital será subscrito da seguinte forma: Júlio Kleine e Fritz Franke uma ação cada um; Tekla Franke, Otto Hennings, Leo Laczymski e Adolfo Mueller duas ações cada; Hermann Weege quatro ações, com os valores realizados em dinheiro.
Adolfo Schmalz e Otto Jenrich realizam as entradas do capital em bens, da seguinte forma: Adolfo Schmalz com as máquinas, utensílios, mercadorias, direitos e dívidas da antiga firma A. Tiede & Cia em liquidação em que o subscritor é o único sócio remanescente e Otto Jennrich com os terrenos e edifícios em que se acha localizada a fábrica de cerveja e os bens do subscritor Adolfo Schmalz à Rua São Paulo nº 249, nesta cidade de Blumenau.

Observando o rótulo da cerveja Polar, abaixo, fica comprovado que a Cervejaria Blumenauense foi criada a partir da Cervejaria de Otto Jennrich, pois o texto das medalhas impressas, dizem: "Premiado em Florianópolis em 1905" e "Premiado no Rio de Janeiro em 1908", premios esse recebidos pela cervejaria de Jennrich e não pela Blumenauense que foi criada em 1931.

Em 18 de junho de 1935, é publicado no Diário Oficial da União (DOU) a transferência da marca Culmbach, também de Jennrich registrada anteriormente sob o nº 30600, para a Cervejaria Blumenauense S.A. sob o número de registro 2419/35.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

TopBlog 2015






Amigos, desde 2012, o meu blog Cervisiafilia - A História das Antigas Cervejarias vem participando do Premio Topblog, já tendo recebido o selo Top100 "OS MAIS VOTADOS PELO JURI POPULAR" de 2012, 2013 e 2014, por obra e graça dos meus amigos e daqueles que querem saber um pouco da História do Brasil que não está escrita em nenhum livro e que votaram neste meu blog. Mas infelizmente não foi além desse patamar de ficar entre os 100 blogs.

Agora em 2015 estou concorrendo a este novo premio e como vida de blogueiro e colecionador de itens de cerveja é só pedir (pede-se um rótulo aqui, uma chapinha ali, uma história antiga, um documento, uma foto, etc.). Eu peço, também, o voto de vocês para tentar ficar colocado entre os 3 blogs mais votados, se você gosta do meu blog, acha que ele tem condições de disputar este premio você pode me ajudar.

Como nos outros anos, o visitante leitor é fundamental na escolha do melhor blog do ano: apenas os 3 blogs mais votados pelos internautas serão avaliados também pelo júri técnico. A votação se processa até às 18 horas do dia 18/12/2015. Acesse o link para a página de votação ou clique no banner TopBlog na coluna lateral do Cervisiafilia. Você deve clicar no botão azul onde se lê "VOTE AQUI", para ser redirecionado à página de votação.

Você pode votar no Blog Cervisiafilia todos os dias, mas o sistema do Topblog só permite um voto diário por IP.

Se quiser dar mais uma olhadinha no meu blog antes de se decidir a votar, esteja à vontade, é só clicar aqui neste link Cervisiafilia - A História das Antigas Cervejarias.

Agora uma explicação sobre o premio TopBlog 2015, após cinco edições, mais de 160 mil blogs participantes e diversos projetos contemplados, o Top Blog retorna em 2015 com o objetivo de selecionar, recomendar e reconhecer as melhores iniciativas de produção de conteúdo independente no Brasil em ambiente digital. O Top Blog é um projeto de incentivo cultural baseado em informação democrática e colaborativa. Desde 2008, premiou, mediante votação popular e técnica, os melhores blogs nacionais de acordo com seus temas e abordagens. Em 2015, após ser adquirido por um grupo de investidores com experiência no mundo digital, retorna sob nova gestão, mantendo sua essência original, porém adequado a um novo cenário de produção e consumo de conteúdo na internet.

Entre as principais atualizações da edição 2015 estão as novas categorias de premiação, que incluem diferentes plataformas do meio digital, como mídias sociais, galerias de foto e canais de vídeo. Na opinião de Leonardo Ciucci e Marcelo Rico, diretores do projeto, “Blogueiro é quem produz conteúdo na web, seja qual for a plataforma utilizada. Principalmente nesta nova era digital que permite os mais diversos formatos de publicação, interação e divulgação”.

Agradecendo antecipadamente,

Muito obrigado.

Carlos Alberto Tavares Coutinho (Cervisiafilia)