quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

cervejaria Lybia


Texto baseado no artigo: O auge das cervejas artesanais em Urussanga - Jornal Vanguarda - 29/06/2015


A 26 de maio de 1878, chegaram a Urussanga - SC, vindos de Longarone, Província de Beluno, Região de Veneza, os primeiros imigrantes italianos. Por essa razão, esta é a data oficial de fundação da cidade. A partir daí a população que viria habitar Urussanga, veio de diversas regiões da Itália, principalmente de Vêneto, Treviso, Veneza, Údine, Beluno, Mántua, Cremona, Bérgona e Trento. Saíram da Itália com o desejo e a esperança de uma vida melhor na nova terra. Urussanga prosperou, tornando-se passagem obrigatória para os imigrantes que se dirigiam para os novos núcleos coloniais de Santa Catarina. Em 3 de junho de 1891 foi criada a freguesia com a denominação de Urussanga, pelo decreto estadual nº 84, subordinado ao município de Tubarão. Foi elevado à categoria de vila e município com a denominação de Urussanga, pela lei estadual nº 474, de 6 de outubro de 1900, desmembrado de Tubarão. Em 1917, com a abertura das minas de carvão, a cidade entrou em novo estágio de desenvolvimento econômico.

Dentre esses italianos, chegados no fim do século XIX, estava a família do comerciante Giovanni (João) Damiani, sua esposa Lucia De Bona Marchet Damiani e seus filhos. Guardado por descendentes existe documentação e livros de registros do comércio de Giovanni Damiani, entre 1885 e 1893.

Giovanni Damiani foi proprietário da primeira casa comercial no município onde construiu uma casa, inaugurada no dia 8 de março de 1896, na parte central do município. Inicialmente, a edificação serviu como moradia da família e foi sede de um armazém, onde era vendido de tudo. Desde os diversos tipos de alimentos para os italianos, até vestimentas, tecidos e ferramentas. Atualmente uma das casas mais antigas e bem conservadas do município de Urussanga, assim pode ser considerada a residência.


Nessa época, o município não possuía nenhum tipo de hotel ou pensão. Devido a isso, e por Giovanni Damiani ter sido o primeiro juiz de paz da cidade, autoridades de toda a região se hospedavam na residência da família.

Giovanni Damiani, faleceu em 17 de abril de 1900 e deixou a esposa Lucia De Bona Marchet Damiani e 12 filhos. Lucia era uma mulher de garra e precisava sustentar os filhos, a época vivenciada entre 1910 e 1940 em Urussanga exigia independência e autossustento das famílias de imigrantes italianos mesmo após os 30 anos de fundação da cidade.

A família entristeceu-se muito, porém Lucia não se deixou abater pela situação. Terminou a obra que o marido havia iniciado, a de uma cervejaria chamada Lybia e em outubro de 1912, um livro de registro guardado, apresenta o início da cervejaria e as primeiras movimentações financeiras. “Naquele tempo não era fácil conseguir cerveja. Então fabricar a caseira artesanalmente era uma maneira de ter a bebida para o consumo próprio. Além disso, a Lucia conseguia utilizar o dinheiro para sustentar a família. O local da produção era em uma casa ao lado da Farmacentro, antiga residência de Iva Damiani”.

A fábrica se localizava ao lado da residência, e a cerveja era preta tipo Malzbier, vendida em todas as cidades da região.

Conforme registros, a cerveja denominada Lybia foi comercializada pela família Damian de 1912 a 1926 sob a responsabilidade de Lucia e do filho Damião Damian. A Lybia era bem conhecida. A garrafa era revestida com um cartucho feito de palha de arroz e trigo e as garrafas eram colocadas em uma caixa de madeira, dividida ao meio, cabendo duas dúzias. Para enviar para outra cidade a caixa era pregada e passava uma cinta de ferro.

Em março de 1927 o filho de Lúcia, Artemio era o responsável pela produção da cerveja, ele era casado com Seraphina Zanellato que era o seu braço direito. Conta Livia Damian Belloli, filha dos dois, que ela levantava à meia noite para ajudar o marido a fazer cerveja. Eles acendiam o fogo, acredito que para a fermentação, e que era um processo muito trabalhoso. Faziam cerveja preta e branca. Minha mãe contava que quando se casava tinha que viver de acordo com o marido, ser companheira. Meu pai perguntava para ela se ela estava precisando comprar algo naquele mês e quando minha mãe dizia que não precisava, ele logo dizia que ia usar o dinheiro para pagar a cevada à vista para ganhar uma saca de presente.

A última assinatura de Artemio Damian, no livro de registros, ocorreu em 30 de junho de 1929. Dias depois ele veio a falecer e a produção e a comercialização foi interrompida por 15 dias.

Em 15 de julho de 1929, Damião Damian, irmão de Artemio, começou a auxiliar Seraphina nos negócios. A exemplo da sogra Lucia, a viúva Seraphina cuidou de três filhos e tocou a cervejaria durante um curto período.

Em 15 de abril de 1930, outro irmão de Artemio, Viatore Damian, também ajudou Seraphina e passou a assinar o livro registro. A última anotação, feita em 31 de julho de 1930, foi assinada por Viatore. “O cunhado de minha mãe pegou a cervejaria e foi tocar. Depois, por volta de 1938, ele também vendeu para outra família. A cervejaria ficou fechada por muito tempo”, frisa. Livia Damian Belloli, Neta de Lucia De Bona Damian e filha de Artemio e Seraphina, ainda guarda um termômetro utilizado na cervejaria, também guarda um livro de registro da fábrica da avó com dados dos impostos a pagar e das vendas diárias.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Fabrica de Cerveja e Soda Eugenio Anselmi


Texto baseado no trabalho:Conheça Descalvado
Autor: Luiz Carlindo Arruda Kastein


O nome do município de Descalvado vem do nome de um morro, ou precisamente do Morro do Descalvado que tem esse nome devido ao fato de ser desprovido de vegetação. O Morro até possui cerrada vegetação em seu topo, porém apresenta partes rochosas, o que lhe legitima a denominação de Descalvado, escalvado ou calvo.

Em 1809 foram constituídas as fazendas Grama, Nova e Areias, por essa época, as terras de Descalvado não teriam nome, pois eram fundo de Rio Claro ou de Araraquara (mais de Rio Claro, embora não de princípio unido a ele, administrativa e juridicamente).

Em 1820, José Ferreira da Silva, proveniente de Minas Gerais compra a fazenda Areias. Doze anos depois, em 1832, ele constrói a Capela de Nossa Senhora do Belém em cumprimento a um voto religioso de sua mulher Florência Maria de Jesus, rodeada por cinco casinholas ao seu redor dando início ao povoado, em 1842 quando o casal fez a doação de uma légua de terras para a igreja já somavam quarenta taperas. Em 1845, já eram em torno de 80 casebres ao redor da Igreja e em 1883 já existiam 397.

Em 28 de fevereiro de 1844 foi criada a Freguesia (Distrito de Araraquara) da Capela Curada de Nossa Senhora do Belém pela lei n.º 21, esta freguesia fica desanexada do município de Araraquara, e reunida com todo o seu território ao de Mogi-Mirim. E ainda como freguesia, foi incorporada a São João do Rio Claro, pela lei n.º 13, de 7 de março de 1845. Elevada a vila em 1865 continuou a pertencer à comarca de São João do Rio Claro; com o nome de Belém do Descalvado, em 1º de abril de 1889, foi elevado à categoria de cidade com o nome de Belém do Descalvado e em 26 de dezembro de 1908, a Lei n.º 1157 Simplifica o nome mudando a denominação do Município, Comarca e Distrito de Paz de Belém do Descalvado para Descalvado.

O movimento abolicionista associado à expansão cada vez maior do café foi o estímulo para a vinda de imigrantes, principalmente italianos, para o município de Descalvado. A população municipal elevou-se rapidamente com a substituição do braço escravo, os italianos firmavam contratos de trabalho em que se fixava as obrigações do “colono” bem como o salário que recebia, em geral proporcional ao número de pés de café tratados. Às vezes recebiam “pequenas roças, geralmente dois hectares, onde plantavam milho, arroz, feijão, batatas, legumes e às vezes videiras. A grande aspiração destes imigrantes foi a posse de um lote de terra próprio. Procuravam juntar os meios necessários para a compra do mesmo. Em 1886, de cerca de 1124 estrangeiros 729 eram italianos. De 1890 a 1910 o município de Descalvado recebeu, aproximadamente, cerca de 3.000 famílias provindas do norte da Itália. Com isto, a população municipal, elevou-se, rapidamente, para quase 30.000 em 1900.

Antes da grande industrialização da cerveja em São Paulo e no Brasil, e mesmo já iniciada esta, Descalvado sempre fabricou sua cerveja, até que, pela década de 20, fechou sua derradeira fábrica. Dada a grande população rural, na época do fastígio do café, às entradas da sede urbana, erguiam-se cervejarias de proprietários locais e todos fazedores de ótimos produtos, usando, para isso, entre os ingredientes necessários, alguns importados da Alemanha, a terra da cerveja por excelência. Foi época de muita camaradagem, de constantes piqueniques e estes, especialmente nas proximidades das cervejarias. Sabe-se que naqueles tempos a segunda feira era dia de folga para os artesãos e, então, nesse dia, reuniam-se todos nas cervejarias descalvadenses, para uma festiva jornada de muito beber e comer.

Os anos de 1890 a 1893, foram de apreensão sobre o estado de salubridade publica. As noticias que vinham de todos os quadrantes eram as piores possíveis, falava-se em febre amarela, em varíola, em epidemias que grassavam por toda a parte, não escapando a Capital da República e do Estado. Estudavam-se os meios de debelá-las ou de atenuá-las.

No Descalvado, restabelecida a Câmara e dissolvida a Intendência Municipal, tratou ela de precatar-se contra qualquer surto epidêmico. Como houvesse dentro da cidade quatro fábricas de cerveja e se julgasse que as dejeções das fábricas de cerveja dessem causa aos miasmas (na época era o termo empregado na suposição de que existiam miasmas) pestilentos, a comissão de Higiene da Câmara indicou e a Câmara, em dezembro de 1892, aprovou a lei ordenando que essas fábricas se mudassem, saindo do perímetro urbano como medida de higiene pública. Os proprietários se Insurgiram contra a medida, mas nada conseguiram.
Assim, uma das cervejarias fechou suas portas, vendendo sua maquinaria enquanto a de Pompeu Brambilla, foi mudada para o bairro do Tamanduá, a Cervejaria Fumagalli de Luiz Fumagalli, foi para o bairro São Sebastião e a Fábrica de Cerveja e Soda de Eugenio Anselmi que acabou se instalando no sítio Tirolim que ficava às margens do Ribeirão Bonito, caminho da Fazenda Ibicoara, propriedade de sua família.


No final do século XIX, pelo menos em Descalvado, Igreja e Maçonaria, andavam de mãos dadas, e ambas se preocupavam muito com o casamento civil, que naqueles anos andava no esquecimento. O Secretário da Capitular Loja Maçônica “Triumpho e União”, João Fernandes da Silva, seguindo determinações do Dr. Carlos Reis, Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil, a qual estava subordinada a Loja de Descalvado, reuniu-se com o Pároco de Descalvado, o gaúcho Francisco Teixeira de Vasconcellos Braga, e acertaram a realização de uma conferência pública sobre a tese: “O casamento civil”, escolhendo para dissertar sobre o tema, o maçon Dr. Ângelo Tourinho de Bittencourt, renomado advogado do fórum local e ilustre “pedreiro livre” da “Triumpho e União”. A palestra foi realizada na sede da Loja Maçônica, que ficava na rua Áurea, num domingo do ano de 1902, às 19 horas.
Muitos não compareceram a palestra, porque o Bar do Marcelo que ficava no centro da cidade, lançava naquela noite como novidade, cerveja gelada das marcas: Fumagali, Sassi, Tirolim, Gargantini, Brambilla e Tamanduá, todas fabricadas em Descalvado e vendidas a 1$200 a unidade, mais caras que os vinhos italianos e portugueses, que custavam na época $800 Réis. Até então a cerveja era servida na temperatura natural. O gelo era fabricado no Empório Familiar de Maria Paraventi, que aceitava encomendas pelo telefone 15, fazendo entregas a domicílio.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Estevão Buschle / Fábrica de Bebidas Viuva Emilia Buschle / Kahlhofer & Buschle Irmãos / Companhia Fabril Polaris / Buschle & Irmãos




Stephan Matheus Buschle, nasceu na cidade de Tutlingen, no estado de Baden Württemberg, na Alemanha, estudou em Beuren, na Alemanha e na Suiça, farmacêutico, químico e comerciante, chegou da Alemanha em 1896.

Casou em 1º de fevereiro de 1898, com Emilie Buschle (em solteira Krüger) nascida em 8 de maio de 1878 em São José dos Pinhais-PR, e dessa união nasceram onze filhos: Maria Luiza (1899), Theodoro Guilherme (1900), Ewaldo Antonio (1902), Alfredo Mateus (1903), Ermelinda Aurélia (1905), Maria Cecília (1907), Maria Aloysia (1909), Amália Maria Theresia (1912), Maria Mathilde (1914), Paulo Hilário (1916) e Ludovico Balthasar (1918). Os seis primeiros filhos nascidos em Campo Alegre-SC e os cinco últimos em São Bento do Sul-SC

Em 1908 se radicou em São Bento do Sul-SC, depois de passagens por Salvador, Desterro (Florianópolis), Blumenau, Joinville e Campo Alegre e ter residido por três anos no Rio de Janeiro.

.Em 1911 estabeleceu inicialmente uma empresa com a finalidade de fabricação semi artesanal de medicamentos.
Em 1918, Estevão Buschle iniciou a construção de um imóvel, no qual instalou sua família que residia anteriormente no prédio da fábrica Buschle, essa construção foi interrompida pelo seu falecimento em 17 de setembro de 1918, às 12 horas, vítima de caquexia cancerosa. Devido a esse fato, quem concluiu a construção deste imóvel foi seu filho mais velho Theodoro Guilherme Buschle, que permaneceu ali com sua mãe Emilia e irmãos.

Com o seu desaparecimento é formada uma nova empresa, sucessora de Estevão Buschle, que passa agora a elaborar licores e bitters de forma comercial, sua viúva Emília consolida uma vitoriosa empresa que logo faria fama. A fábrica de licores iniciada pela viúva Buschle é a precursora da famosa fábrica de chocolates Buschle Irmãos que seria desenvolvida pelos filhos da pioneira. Sua lista de produtos, realmente admirável, incluía na época:
Licores de Rosas, Pimenta, Herva Mate, Hortelã, Cominho, Anis, Americano, Cherry Brandy e Cognac; Cremes de Cacao, Baunilha, Leite, Ovos, Framboeza e Creme Suzanna; Xaropes de: Limão, Guaco, Framboeza, Laranja, Abacaxi e Groselha; Aguardentes: Guarany e Cem anos; Bitters: hespanhol, Russo, Estomacal Magenhell e Boonekamp; Benedictina, Cognac anisado, Fogo Italiano, Fernet Milano, Gingibre Ipipermãn.

O Jornal A República de 28 de agosto de 1923 publica a relação dos premiados na Exposição Internacional do Centenário da Independencia, mostrando que os licores da Viuva Emilia Buschle havia recebido medalha de bronze.

Em 27 de maio de 1929, Emília Buschle vem a falecer e três de seus filhos: Theodoro, Ewaldo e Alfredo, passam a administrar os negócios, admitindo agora um novo sócio no empreendimento: Wenzel Kahlhofer, passando a empresa chamar-se Kahlhofer & Buschle Irmãos – Companhia Fabril Polaris.

Wenzel Kahlhofer era um capitalista dos tempos antigos, muito abastado. Era representante comercial local de muitas companhias de renome, agente de casas bancárias e proprietário de serrarias. Era forte no comercio de madeiras e erva mate. Na firma dos irmãos Buschle permaneceu por pouco tempo, até novembro de 1933.
Por volta de 1930 alugam as instalações da fábrica de cerveja de Ernesto Klaumann, além de fabricar cerveja, passam a produzir e engarrafar o refrigerante Crush a partir do xarope de laranja que compravam do detentor da marca nos EUA. Usavam água de uma fonte que nascia nos pés do morro que ficava aos fundos da fábrica. Esse refrigerante de sabor laranja era muito famoso na primeira metade do século XX. Foi a primeira soda sabor laranja a ser introduzida no mercado americano, por J. M. Thompson, de Chicago, em 1906. A Crush perdeu mercado e desapareceu com a expansão da Fanta pela Coca-Cola, em 1960. Aqui em São Bento foi produzida por mais de uma década desde 1931, até 1942 pouco mais pouco menos, pois durante a guerra cessou temporariamente a importação do xarope dos EUA e depois a firma Buschle Irmãos não retomou a produção.

A fabricação de cerveja foi descontinuada ainda antes, em 1932 ou 1933.

Por volta de 1935, Começa a fabricação de chocolates e bombons. Alguns produtos eram muito sofisticados na época e alcançaram relativa fama no mercado sul brasileiro, como os bombons de Rum, que tinham a bebida em seu interior ou o grandemente sofisticado “Torrão Milanês”, jamais igualado, até hoje. Produziam-se barras de chocolate muito bonitas, fundidas em formas com desenhos de temas natalinos e de páscoa, como papais Noel e coelhinhos, em relevo.

De maneira geral a firma Buschle Irmãos se dividia entre a parte comercial e a fábrica de chocolates e licores. O comercio era muito diversificado em todas as direções possíveis, pois ia da venda de secos e molhados a armarinhos, confecções, utilidades domésticas e material de construção. A parte fabril foi se concentrando na produção de chocolates e bombons. A produção de licores foi diminuindo até que foi encerrada em meados da década de 1960.

Em 1940 a empresa encomenda ao renomado escritório de arquitetura de Simão Gramlich, de Blumenau, um arrojado projeto para sua nova sede comercial. Era o mesmo arquiteto que projetou a igreja matriz da cidade. O prédio em estilo Art-Decó é uma das jóias da arquitetura são-bentense e ainda se conserva em nossos dias.

A administração técnica da firma Buschle Irmãos, desde o princípio, foi exercida por Alfredo Buschle, entre 1918 e 1973, sendo substituído dali por diante por Luis Hilgenstieler, este que ingressou menino na empresa, iniciando como ajudante geral na década de 1930. Hilgenstieler foi diretor técnico da empresa até o final, em 1995.

A administração comercial ficava a cargo de Theodoro Buschle, que exerceu a função entre 1929 e 1956. Depois o irmão Ewaldo Buschle passa a presidir a empresa até 1973 quando é substituído por Marcos Donato Buschle, da geração seguinte, visto que é filho de Alfredo.

Na década de 1970 a parte comercial de secos e molhados é transformada em supermercado. Ainda existe uma seção de materiais de construção, mas o comércio de armarinhos, confecções, utilidades, eletrônicos (basicamente rádios), bicicletas e eletrodomésticos é descontinuada. Administrada agora pela segunda geração a empresa passa a enfrentar problemas de gestão e males relacionados a uma estrutura tremendamente viciada.

Toda a indústria brasileira de chocolates passa a enfrentar provações terríveis. Essa tempestade vem da Bahia, principal centro de produção de cacau do país. Ocorre que uma eminência parda - conhecida como Ângelo Calmon de Sá, cacaueiro e banqueiro (Banco Econômico), foi guinado a Ministro da Indústria e Comércio. Guiado por seus próprios interesses, Calmon de Sá praticou uma modalidade terrivelmente predatória de dumping no mercado nacional de cacau. Através de seu Banco Econômico, arrematava enormes e caríssimos lotes de seu próprio produto para saturar o comércio de produtos com preços artificiais muito abaixo dos praticados por seus concorrentes. Isso desestabilizou gravemente a maior parte da indústria de chocolates do Brasil, alguns até à insolvência.

A Buschle Irmãos, que ainda tinha uma cota adicional dos seus próprios problemas decorrente de uma administração temerária por parte de seu novo presidente, não resiste às adversidades e caminha célere para seu próprio ocaso. No final da década de 1970 problemas de inadimplência e falta de matéria prima para a fábrica de chocolates começam a se suceder. Existe agora uma crise de identidade entre a parte comercial – o supermercado – e a industrial. A empresa Buschle & Lepper de Joinville, cujo maior acionista é o filho mais novo de Estevão e Emilia Buschle - Baltazar Buschle - tenta interferir e salvar a empresa fundada por sua família, mas foi um esforço inútil.

Em 1º de março de 1983 é decretada a falência da Buschle Irmãos Ltda. A massa falida é levada a dois leilões que acontecem em 1º de dezembro de 1995 e 20 de março de 1996. Neste último leilão a maior parte dos bens são arrematados pela família Rudnick, ligada a Móveis Rudnick, de Oxford.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

fabrica de cerveja santa maria / Santa Maria & Ribeiro / Santa Maria, Freire & Pinto / Lima, Alves & Cia / Lima & Torres / Napoleão Lima & Cia


Texto baseado em vários jornais de época e principalmente do Jornal das Moças de 23/12/1926.
Imagem dos rótulos cedida pelo colecionador Paulo Antunes Júnior


Em 1881, João Pereira de Santa Maria que havia deixado a antiga Fábrica de Cerveja Sacramento, na Rua do Sacramento (atual Av. Passos) nº 12, no Rio de Janeiro, se estabelece com botequim e fabricação de cerveja em um pequeno prédio da Rua Luiz de Camões nº 42.


Em 26 de novembro de 1881, é inaugurada a Fábrica de Cerveja Santa Maria, instalada na Rua da Carioca 130, a qual desde logo se impôs no conceito público.


NOTA:
Criada em 1697 a antiga Rua ou Caminho do Egito, teve esse nome porque lá existiu um oratório com a fuga da família sagrada para o Egito, em 1741 virou Rua do Piolho quando lá foi morar um procurador com esse apelido, pois era o mestre em procurar processos desaparecidos e posteriormente, em sessão de 24 de outubro de 1848, Rua da Carioca que recebeu esse nome por deliberação da Câmara Municipal, pois era o caminho que se usava para buscar água no chafariz da Carioca.
O nome perdura até os dias de hoje apesar das tentativas de alterá-lo. Assim é que em 14 de agosto de 1879 a Câmara denominou-a de Rua de São Francisco da Penitência, que não foi aprovado pelo Governo Imperial. Em 14 de agosto de 1882 a Câmara tentou novamente mudar o nome, desta vez para Rua de São Francisco de Assis, com a aprovação do Ministério do Império, em homenagem ao sétimo centenário de nascimento do santo ocorrido em outubro de 1881. A Intendência Municipal deliberou em 28 de janeiro de 1892 pela volta do antigo nome de Rua da Carioca, o que foi confirmado pelo Decreto Municipal de 28 de março de 1898, em 1904 foi alargada, com a derrubada dos prédios do lado da numeração par, na administração do prefeito Pereira Passos, Em 1918 mudou para Rua Presidente Wilson e 1919 retornou a ter o nome da Rua da Carioca.
Estas alterações de nome criaram uma barafunda ao longo do tempo, motivadas por hábito de uso dos nomes, principalmente nas documentações.

Em fevereiro de 1882, João Pereira de Santa Maria, no intuito de poder dar maior expansão ao desenvolvimento da fábrica fez um contrato admitindo, como sócio, o sr. Manoel Pereira Ribeiro, sob a firma Santa Maria & Ribeiro com o capital de Rs 14:000$000 (quatorze contos de réis).


Em 13 de janeiro de 1883 o Jornal do Comercio publica o distrato social entre João Pereira de Santa Maria e Manoel Pereira Ribeiro.


Em 1885, novo contrato social, foram admitidos como sócios, os senhores Justino de Oliveira e Joaquim Pinto de Azevedo, sob a firma Santa Maria, Freire & Pinto, com o capital de Rs 16:000$000 (dezesseis contos de réis).


Essa sociedade só durou até 31 de janeiro de 1888 quando foi dissolvida.


Em 2 de março de 1889, o Jornal do Comércio publica o anuncio que foi feito um contrato social, com data de 1º de março, entre João Pereira de Santa Maria (sócio comanditário) e seus dois antigos empregados na fábrica: Napoleão Ferreira da Silva Lima e Antonio José Alves, com o capital de Rs 8:100$000 (oito mil e cem contos de réis), sendo Rs 2:700$000 do comanditário, sob a firma Lima, Alves & Cia.


Em 1891, retirou-se definitivamente o sócio fundador, o sr. João Pereira de Santa Maria, época em que também saiu o sócio Antonio José Alves, que foi montar a fábrica Olinda na Rua do Espírito Santo.

Em 1895, Napoleão F. da Silva Lima associou-se então a Custodio Gomes Dias Torres, sob a firma Lima & Torres.

Em 1898, a cervejaria já ocupava três prédios de números: 130 a 134 da Rua da Carioca e oferecendo três salões, separados, cada um com cerca de 20 mesas de mármore capazes de conter 800 pessoas, nos fundos desses prédios está instalada a fábrica propriamente dita. Nos pavimentos superiores os tanques de resfriamento e cubas. As caldeiras estão de forma a não prejudicar o fabrico e cercadas de cuidados para não ocasionarem incêndios. A fábrica tem um grande número de empregados e está apta a mandar para o consumo cerca de 25.000 garrafas por dia.

Em 1900, com a saída do sócio Custodio Gomes Dias Torres terminou a sociedade e Napoleão F. da Silva Lima passou a administrar sozinho toda a cervejaria.

Em 29 de janeiro de 1903, a Fábrica de Cerveja Santa Maria, de Napoleão F. da Silva, estabelecida à Rua da Carioca, 130, renova o registro de suas cervejas Branca e preta sob o nº 3598 de Junta Comercial do Rio de Janeiro, publicado no Diário Oficial da União de 05 de fevereiro de 1903

Por muitas modificações tem passado a Fábrica Santa Maria, todas tendendo a aumentar a capacidade da fábrica, aprimorar o produto ou oferecer maior conforto ao público, mas nenhuma foi tão radical como a reforma que acaba de passar, onde foi demolido o prédio para o alargamento da Rua da Carioca, onde todos os imóveis do lado par foram destruídos. Após o sr. Napoleão F. da Silva Lima comprar o local da fábrica, ali foi erguida a nova fachada de arquitetura sóbria mas de linhas suaves e elegantes, projeto traçado pelo sr. Carlos Milanez e executado pelo sr. Miguel Bruno. Com as obras prontas e nova numeração na rua, agora de 72 a 76, foi reinaugurada a cervejaria e o seu salão de bilhares (Luzo Bilhares)em 8 de setembro de 1906.

    

Em 1º de janeiro de 1907, Napoleão F. da Silva Lima formou nova sociedade, admitindo os seus antigos empregados Abel F. da Silva Lima, Francisco Pinto Mascarenhas, José F. da Silva Lima e Miguel Pinto Monteiro, sob a firma Napoleão Lima & cia, sociedade que foi se extinguindo com a saída de uns e morte de outros.

Publicado no Jornal do Brasil de 9 de julho de 1910, a liquidação da sociedade Napoleão Lima & Cia, decretada em função do falecimento, em abril, do sócio Abel Ferreira da Silva Lima.

Em 5 de fevereiro de 1911, faleceu João Pereira de Santa Maria, o fundador.

    
Na sessão de 13 de julho 1911, da Junta Comercial, foi registrado um novo contrato entre Napoleão Ferreira da Silva Lima, José Ferreira da Silva Lima Sobrinho e Dª Margarida de Lima para o comércio e fabrico de cerveja à Rua da Carioca, nº 72, 74 e 76, com o capital de Rs 60:000$000, sob a firma Napoleão Lima & Cia.


Em 1914, Napoleão F. da Silva Lima querendo afastar-se completamente do negócio, em vista de seu precário estado de saúde, chamou o seu sobrinho Napoleão José Malheiro, que passou a adotar o nome de Napoleão Lima Malheiro, e, sabendo-o trabalhador e competente, associou-o com o seu já sócio e também sobrinho José F. da Silva Lima, retirando-se definitivamente.


Em 23 de março de 1917, o jornal O Paiz, publica, que foi registrado o contrato social entre os sócios solidários Napoleão Lima Malheiro e José Ferreira da Silva Lima, para o fabrico de cerveja com o capital de Rs 100:000$000, à Rua da Carioca 72, 74 e 76.


A despeito dos maiores esforços, lutando com grandes dificuldades, algumas das quais em consequência da Grande Guerra, que a tudo e a todos atingiu, os novos sócios apenas conseguiram não comprometer o prestígio de que a fábrica sempre gozou e o caráter e probidade de suas próprias pessoas. Em 1920, o sócio José F. da Silva Lima partiu para a Europa, em busca de melhor saúde e tão precário era seu estado que logo em seguida, em junho de 1921, faleceu.


Ficou desde então à testa da gerencia o sócio Napoleão Lima Malheiro, o qual, após a liquidação, deu sociedade à sua irmã D. Jeronyma da Silva Lima, viúva do sócio falecido.


O Sr. Napoleão é de um espírito modernista, empreendedor, assim, não é surpresa a transformação, quase completa, que se operou na Fábrica de Cerveja Santa Maria logo após ser ele investido da sua administração. Tratou logo com pessoa entendida a aquisição, na Alemanha, de todos os maquinismos mais aperfeiçoados no gênero e que foram armados e postos em funcionamento pelos próprios mecânicos que com eles aqui chegaram.

Com esses maquinismos e com as vantagens advindas para o fabrico da cerveja, ao contrário de outrora, em que o trabalho, era todo manual, exigia avultado número de braços para uma produção mínima, pois insuficiente, sem falar em muitos outros inconvenientes, hoje, graças à radical transformação, o fabrico, como exige o formidável consumo, é três vezes maior que anteriormente, e, por assim dizer, quase sem esforço. Além disso, sendo o serviço assim feito, á mais precisão e regularidade na produção, absoluto asseio e completa segurança.


Assim aparelhada, a Fábrica Santa Maria só deste modo consegue a produção necessária para atender ao consumo, cada vez maior, pois esta Cervejaria, tão inteligentemente administrada, cada vez merece mais a confiança e a preferencia do público, que, não só no amplo e confortável salão-bar existente na própria fábrica, como em toda a parte, presta com sua preferencia à excelente bebida merecida compensação aos proprietários de uma fábrica modelar, que é digna do apoio do público e da admiração dos entendidos. A Fábrica Santa Maria mantem, no 1º andar, um amplo e aprazível salão de bilhares, o qual, administrado pelos criteriosos dirigentes da fábrica, de há muito se tornou o ponto predileto dos apreciadores desse agradável e proveitoso divertimento. Montado com capricho e servido por pessoal competente e dedicado, esse centro de diversão é hoje um dos melhores que existem nesta Capital.

Em 1929 , O Correio da manhã publica novo contrato ente Napoleão de Lima Malheiro e José Marques.


Não sei em que época essa sociedade foi extinta, mas em 1940 foi feita uma sociedade entre várias pessoas, entre elas o sr. Napoleão de Lima malheiro, para um comércio e fábrica de cerveja sob a firma Sociedade de Bebidas Carioca Ltda., com endereço à Rua Campos da Paz 101, onde desde 1937 já estava estabelecida a Fábrica Santa Maria.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Fábrica de Cerveja José Zambello


baseado em texto do livro:A Vila E Seus Vilões de Alcides Aldrovandi.

No início do século 20, emigraram da Itália José Zambello e sua mulher Margarida Carpi, descendente de uma condessa da nobreza italiana, chegaram ao Brasil juntamente com três irmãos do primeiro: Luiz, Carlos e Lucia, todos naturais de Altavilla Vicentina, comuna italiana da região do Vêneto, província de Vicenza, Itália, fixando-se toda a família em Piracicaba, SP.

José Zambello se radicou em Piracicaba, na Vila Rezende, onde o casal teve dezenove filhos, entre eles, Judith que foi casada com Luiz Trevisan, o Banhara, que também abriu uma fábrica de cerveja na Paulista e Tereza casada com o açougueiro José Brusatin, cuja filha Dirce é casada com João Carmignani, o Babico, filho de Caetano Carmignani, outro pioneiro em cerveja.


José Zambello inicialmente abriu um armazém, no Areão, no ponto das figueiras, onde depois montou a fábrica de Cerveja Única, a pioneira da Vila Rezende. Sua fábrica de cerveja foi instalada em 1907, na Av. Rui Barbosa, acima da oficina do Oscar Martins e na frente do açougue do Brusantin. O prédio ainda existe.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Fábrica de Refrigerante e Cerveja Aziz Daher


Na história da industrialização de Araguari um empreendimento importante foi a instalação de uma fábrica de refrigerante e cerveja em 1899, de propriedade do sr. Aziz Daher, localizada à Rua Estrela do Sul, no centro da cidade.


Fabricava cervejas muito apreciadas, claras e escuras e também outras bebidas alcoólicas como: conhaque, quinado, etc.

A fábrica foi desativada nos anos 1920, devido às crises provocadas durante a Primeira Grande Guerra. Pouco tempo depois, em 1928, o Sr. Aziz Daher implantou uma fábrica de guaraná denominado Guaraná Santana.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Augusto Tolle & Cia / Sociedade Anônima Empreza de Águas Gazosas / Companhia Antarctica Carioca


O sr. Augusto Tolle, residiu durante 27 anos em São Paulo, onde fundou a conhecida Casa Tolle daquela capital, organizada também em sociedade anônima.

Em 1909, Augusto Tolle se afastou dos negócios em São Paulo, transferiu sua residência para o Rio de Janeiro e fundou a firma Augusto Tolle & Cia.

Em 12 de maio de 1909, o jornal Correio da Manhã publica a compra da firma de águas gasosas Bilz Companhia Limitada – Foerstaer Szulc & Cia, feita em 8 de maio por Augusto Tolle & Cia, firma estabelecida á Rua Itapiru 341, no Rio de Janeiro.
  


Em 26 de outubro de 1909, é publicado no Diário Oficial da União, o Decreto 7621 de 21 de outubro que concede autorização a Joaquim Pinto de Magalhães e outros para organizarem uma sociedade anônima sob a denominação de Empreza de Aguas Gazosas à Rua da Constituição 49.

A sociedade terá duração de 20 anos, podendo esta ser prorrogada por deliberação da assembleia geral.
A companhia tem por fim a fusão, ampliação e exploração da atual Empreza de Aguas Gazosas, de Machado, Magalhães & Comp., e do estabelecimento industrial de Augusto Tolle & Comp., ambos nesta capital, Rio de Janeiro, para o fabrico e consequente comercio de aguas gazosas e aguas mineraes, xaropes, licores e seus congeneres.
O capital da companhia é de Rs 500:000$000 (quinhentos contos de reis), dividido em 5.000 ações de 100$ cada uma integralizadas e representadas pelo valor dos bens e direitos que os subscritores possuem nos referidos estabelecimentos de acordo com a respectiva lista e a distribuição constante da ata da primeira assembleia geral, com as quais entram para a constituição do capital da companhia e ficam aos mesmos incorporados.
A sua diretoria é constituída pelos senhores: Augusto Tolle, presidente; José Joaquim Alves Machado, gerente; Joaquim Pinto Magalhães, tesoureiro; e Jacques Zahner, secretário.

Em 26 de janeiro de 1910, o Jornal O Paiz publica que foi deferido na sessão do dia 10, o requerimento da Sociedade Anônima Empreza de Águas Gazosas da transferência para seu nome das marcas nº 6005, 6027 e 6123 anteriormente registradas por Machado, Magalhães & Cia e Augusto tolle & Cia.

O DOU de 24 de janeiro de 1911 publica o registro da marca Empreza de Aguas Gazosas na sessão de 11 de janeiro na Junta Comercial do Rio de Janeiro, essa marca serve para distinguir os produtos de sua fabricação (cervejas Porter e Ale, cervejas sem álcool, cervejas com pouco álcool, vinhos, vinhos espumantes. vermouth, vinho de frutas, bebidas alcoolicas, essencias alcoólicas, ginger ale, espirito, licores, agua mineral, limonadas, bebidas sem álcool, etc.).

Ainda neste ano de 1911, para que a Prefeitura possa fazer o prolongamento da Avenida Gomes Freire, foi necessária a desapropriação e demolição do prédio que a empresa ocupa á Rua da Constituição nº 49, com isso, a empresa adquire um imóvel à Rua do Riachuelo nº 92, os prédios, exigirão reformas indispensáveis e ainda será necessária a construção de um edifício apropriado para a fabrica de aguas gasosas, apesar da indenização a empresa sofre considerável prejuízo, não somente pela desmontagem e mudança dos aparelhos e maquinismos, como também pelas grandes obras e benfeitorias que realizou naquela casa, confiando no contrato de arrendamento garantido por hipoteca do prédio.

Em 1913, esta empresa fabrica toda a sorte de águas gasosas, Bilz e cerveja, achando-se presentemente em construção um edifício especial, destinado à manufatura de águas gasosas, próximo ao seu escritório, à Rua Riachuelo, 92, local onde possui a companhia uma área de 5.000 metros quadrados. A nova fábrica será instalada neste edifício e terá maquinismo do mais moderno e uma força motriz de 120 hp. Atualmente, a empresa produz diariamente 600 dúzias de Bilz, 2.000 dúzias de gasosas diversas e 500 dúzias de sifões. A produção de cerveja vai atualmente a 25.000 dúzias mensais, tencionando a empresa construir uma nova fábrica, de modo a elevar a produção a 30.000 hectolitros anualmente. A companhia emprega 120 pessoas, e tem, para os diversos serviços, 25 carroças e 130 animais.

  


O DOU de 14 de setembro de 1923 publica a renovação do registro em 6 de setembro na Junta Comercial do RJ, pela Empresa de Águas Gasosas, da cerveja Tells Bier, sob o nº 19706.

A partir de 1925 passa a ser representante da Companhia Antarctica paulista passando a comercializar os seus produtos.
Na Assembleia Geral Extraordinaria de julho de 1927 foi ratificada a proposta de aumento de capital de Rs 340:000$000 para Rs 1.500:000$000. O representante da Companhia Antarctica Paulista disse que esta pretendia subscrever todo o capital que se pretendia aumentar, mas como eram iguais os direitos dos demais acionistas fazia um apelo para que lhes cedessem as ações com que contribuirão para a realização do capital e assim procedia dados os vultosos interesses que a Companhia Antarctica já tinha na Empreza de Aguas Gazosas S.A.
Depois de ligeira discussão consentiram que o capital fosse todo subscrito pela Companhia Antarctica Paulista

Em 16 de janeiro de 1928 a Assembleia Geral Extraordinária dos respectivos acionistas aprovou resolução proposta em 1927, da alteração dos estatutos, o aumento de capital e, ainda, a alteração do nome de Empreza de Aguas Gazosas para Companhia Antarctica Carioca.

Como o aumento de capital foi totalmente integralizado pela Companhia Antarctica Paulista e pelas ações em poder de sua subsidiária, a Companhia Progresso Industrial, passaram a deter a maioria das ações, assumindo o controle acionário.

O Decreto nº 18.155, de 13 de Março de 1928 Aprova a alteração dos estatutos da Empreza de Aguas Gazosas, pela qual passou a se denominar Companhia Antarctica Carioca.