domingo, 14 de julho de 2019

Fábrica de Cerveja Rafaelle Buratto




Em 1875 na parte sul da colônia Nova Palmyra divisa com o município de Garibaldi, constituiu-se o primeiro núcleo colonial, em 1877 esse núcleo colonial nos fundos de Nova Palmyra passou a denominar-se Caxias, em 12 de abril de 1884 a colônia foi emancipada e anexada, como distrito, a São Sebastião do Cahy e em 20 de junho de 1890 foi emancipada passando a constituir um município autônomo.

Em 20 de fevereiro de 1879, chegou ao núcleo colonial Caxias o casal Salvatore Sartori e Angela Zancaner acompanhado de seus filhos: Amália, Lino, Luiz, Carolina, Ludovico, Alberto, Maria, Máximo, Guerino e Sétimo. Se estabeleceram primeiramente no lote colonial nº 19 do Travessão Umberto 1º da 6ª légua e após alguns anos mudaram para sede lote 10 da quadra 31 da então rua Silveira Martins, hoje Av. Júlio de Castilho onde se estabeleceram com casa comercial.

Amália Sartori, nascida em 06 de agosto de 1857, havia deixado na Itália seu noivo Rafaelle Buratto, nascido em 24 de Outubro de 1848 na cidade de Ciano del Montello, na província de Treviso, na região do Vêneto na Itália, filho de Pietro Buratto e Giustina Buratto, que logo após, em 18 de Maio de 1879, também chegou ao Brasil.

Casaram em 21 de Novembro de 1879 na Capela de Santa Tereza de Caxias, o casal teve nove filhos: Hermenegildo, Itália, Égide, Rachel, Ignez, Raymundo, Julieta, Angelina e Olga. Rafael era tanoeiro e estabeleceu-se onde atualmente fica o jardim do Hospital Pompéia no lote urbano nº 6 da quadra 4. Fabricou as primeiras tinas e pipas para o acondicionamento do vinho e dirigiu a construções de barracões para alojar os imigrantes enquanto aguardavam fixação em seus respectivos lotes rurais.

Poucos anos depois o seu concunhado Daniel von Schlabrendorff presenteia o casal Buratto com uma chácara, de nº 21A do Travessão Santa Teresa, fronteira à sua própria casa, para sua esposa ter maior proximidade e convivência com a irmã Amália, esposa de Raffaele


Após algum tempo, por volta de 1891, Daniel mandou construir para o concunhado uma grande cervejaria ao lado da casa já construída por Raffaele, que então abandona seu antigo ofício e começa a fabricar vários tipos de refrigerantes e uma afamada cerveja que deu notoriedade ao seu estabelecimento.

Em 22 de novembro de 1925, Rafaelle Buratto falece e em 22 de janeiro de 1946, sua esposa Amália também falece.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Fábrica de Cerveja Herminio dos Santos



As terras que, atualmente, constituem o município de Pedreira - SP, originariamente pertenciam a Amparo - SP e desde o início do século XIX, eram a propriedade rural denominada “Fazenda Grande”, do coronel João Pedro de Godoy Moreira e em 1864 foi dividida na partilha de bens cabendo a seu filho, João Batista de Godoy Moreira a área conhecida como Fazenda Triunfo, onde até abril de 2007, encontrava-se a casa que pertenceu ao fundador de Pedreira. Após a partilha dos bens, João Batista foi adquirindo as terras que foram herdadas pelos seus irmãos e passou a ser o dono do terreno onde hoje se encontra a praça que tem seu nome e que foi o núcleo originário da cidade. Após a morte de seu pai, João Batista assume o seu lugar na família e na política local, adotando também o nome de seu pai, Cel. João Pedro de Godoy Moreira – o moço e torna-se um dos mais prestigiosos chefes políticos de Amparo.

Em 1887 o fundador adquire de Jose Pedro Arruda, um sítio cafeeiro que fazia parte da Fazenda Santa Ana e a anexa à sua “Fazenda Grande".

Em 1889, a partir do loteamento e arruamento de parte de suas terras, nasce, junto ao rio Jaguari, a Vila de Pedreira. O nome da cidade, erroneamente associado por muitos à grande quantidade de pedras, origina-se, na verdade, da abundante presença de "Pedros" na família Godoy Moreira, João Pedro, pai e filho e seus irmãos Bento Pedro, Antonio Pedro e José Pedro (o terreno aonde foi construída a Estação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, em 1875, foi doado por esse último irmão). Por isso passou a ser conhecida como a Terra dos Pedros, bairro do Pedros, depois, por derivativo, bairro dos Pedreiras, e por fim PEDREIRA.


Em 1914 era inaugurada em Pedreira, a Fábrica de Cerveja Herminio dos Santos, que se localizava na Rua Antonio Pedro, nº 214, nas imediações onde atualmente se encontra a loja Magazine Luiza e o Banco Bradesco, no Centro de Pedreira. A empresa chegou a produzir a cerveja da marca Tato, licores, xaropes e água mineral.

Com as mudanças de nome da Freguezia de Amparo, depois Villa de Pedreira e posteriormente município de Pedreira, há a possibilidade dos dados acima não serem corretos e esta fábrica de cerveja ser bem mais antiga pois o Almanach da Comarca de Amparo faz referencia a ela desde 1896 até 1914.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Fábrica de Cerveja Kronenthal




Vale Real - RS foi colonizado por imigrantes ítalo-germânicos em meados do século XIX. Os primeiros imigrantes alemães começaram a chegar ao Brasil em 1824, alcançando as terras do atual município de Vale Real somente em 1851. Eles eram provenientes das terras da região do Reno, Monzefeld, Mholstein, Oldenburg e Pomerânea. A colonização valerrealense é sobretudo de origem germânica, pois que somente após 1875 é que chegaram os colonos provenientes da Itália. Entre os sobrenomes das primeiras famílias estavam os Finkler, Freiberger, Stoffels, Arenhardt, Staudt, Krewer, Schneider, Puhl, Rauber, Gauer e Schmitz. O antigo nome de Vale Real era Kronenthal, esse nome em alemão é uma homenagem aos colonizadores que batizaram de Kronenthal o local onde a configuração geográfica dos morros em volta do vale do Rio Caí é constituída por um imenso vale cercado por treze morros que formam uma verdadeira coroa natural. Vale Real seria impropriamente traduzido do alemão, já que Kronenthal significaria, literalmente: Vale da Coroa (onde kronen significa coroa e thal significa vale). Localizado ao pé da serra gaúcha, à margem direita do rio Caí, distante 90 quilômetros de Porto Alegre e 34 quilômetros de Caxias do Sul.

Em Vale Real, os traços culturais herdados dos imigrantes são perceptíveis na arquitetura, na música na dança e na culinária, fazendo do município um refúgio dos costumes e tradições do passado com as inovações do presente.

A localidade (colônia) conhecida como Kronenthal tinha como município mãe São Leopoldo de onde fazia parte.
Em 1º de maio de 1875, a Vila de São Sebastião do Cahy se desligou de São Leopoldo se transformando no município de São Sebastião do Cahy e a localidade de Kronenthal foi anexada passando a ser distrito do novo município, tendo papel fundamental na recepção das levas de colonos italianos que se estabeleceram no Campo dos Bugres, que foi batizada de Caxias do Sul. A partir dessa época teve uma fase de grande prosperidade no final do século XIX e no início do século XX. Com uma economia forte devido à produção agrícola, com destaque para o feijão (no final do século XIX) e a alfafa (no início do século XX), e ainda contava com grande movimento comercial.
Em 22 de dezembro de 1888, a então a localidade de Picada Feliz, também pertencente a São Sebastião do Cahy foi elevada à condição de Vila, passando então a chamar-se "Vila Feliz".
Kronenthal teve esse nome até 1938 quando houve uma proibição de se falar a língua alemã, passando a se chamar Vale Real.
Em 17 de fevereiro de 1959, através da Lei Estadual 3.726/1959, foi decretada a emancipação política da Vila Feliz, pertencente a São sebastião do Cahy, que como município passou a se chamar "Feliz", passando Vale Real a ser um de seus distritos.
Em 1988, as pequenas comunidades vizinhas se emanciparam, deixando claro que Vale Real teria plenas condições de fazer o mesmo. No ano seguinte foi empossada a Comissão da Emancipação que redigiu e organizou a documentação necessária para elevar Vale Real de vila a cidade independente. Em 1991, foi realizada a Consulta Plebiscitária entre a população eleitoral, tendo a aprovação popular de 1388 votos a favor, num total de 2054 eleitores.
Em 20 de março de 1992, por força da Lei Nº 9615, criava-se o Município de Vale Real.

Neste ano, 1992, Vale Real integrou suas comunidades transformando as antigas festas de colono na 1ª Kronenthal Fest. já que colonizado por imigrantes italianos e alemães mistura a cultura e tradições das duas etnias na Kronenthal Fest.


Em seu rico passado, Vale Real teve uma das mais importantes casas comerciais da região. A Casa Comercial Reimboldo Stoffels que servia, além de entreposto comercial, como hospedaria, ambulatório e casa de secos e molhados. Além deste importante centro comercial, Vale Real teve também a primeira cervejaria da área, a Fábrica de Cerveja Kronenthal de Mathias Finkler Sobrinho, fundada em 1910 e que existiu até a década de 1930, tendo sido a responsável, em épocas de Kerb, pela distribuição de cervejas e refrigerantes para a comunidade local e região.



terça-feira, 25 de junho de 2019

Centro Varejista de Santos


Em Santos - SP, alguns pequenos varejistas resolveram montar uma cooperativa com dupla função: indústria e representante do comércio varejista e com o nome de Centro Varejista de Santos com o intuito de produzir uma cerveja para entrar na briga de mercado pelo consumidor de baixa renda. Instalada no dia 19 de junho de 1904, a linha de produção de cervejas do Centro dos Varejistas de Santos, montada em sistema de cooperativa, iniciava a fabricação de uma bebida forte e refrescante, que prometia conquistar o coração e o paladar dos santistas menos abastados, ou pelo menos daqueles que não tinham condições de consumir as marcas importadas e as forasteiras vindas de outros cantos do Brasil. Produzida na versão escura (preta), a bebida precisava de um nome forte para se consolidar na cidade.

Foi aí que surgiu a ideia de homenagear o fundador santista, o fidalgo “Braz Cubas” fazendo nascer uma marca que participou do cotidiano dos santistas até meados dos anos 30. Quando a estátua em homenagem ao pioneiro santista foi inaugurada, em 1908, o rótulo da nova bebida ganhou o desenho do monumento, e fez o maior sucesso.

No dia 6 de fevereiro de 1928 realizou-se a inauguração do novo maquinário adquirido pelo Centro Varegista de Santos para sua fábrica de bebidas.

Em 1934, a cooperativa, que também fabricava a cerveja clara Mercúrio, anunciava uma série especial da Braz Cubas, trazendo no rótulo a clássica imagem do monumento da Praça da República.

    
Nesta década a fábrica funcionava com sua linha de produção na Vila Mathias, mais precisamente na Rua Senador Feijó, 415, e já produzia, além das cervejas, licores, limonadas, laranjadas, vinhos de fruta, xaropes e até vinagres. A cooperativa, porém, não durou muito mais tempo. O curioso é que seu endereço, a partir dos anos 70, passou a abrigar a linha de produção da Skol Caracú.

domingo, 11 de março de 2018

Companhia Alterosa de Cervejas


Baseado na Revista Viver Brasil e em diversos jornais da época


Como se estivesse diante de um passado palpável, o advogado e jornalista Hermógenes Ladeira estende o olhar sobre a sacada de seu apartamento, em uma rua ainda tranquila da Savassi, Belo Horizonte - MG. Tem muita história para contar esse cearense, que chegou a Belo Horizonte aos 6, em plena Segunda Guerra, para viver com a família em um quarto da pensão da avó, na esquina entre a rua Espírito Santo e a avenida Augusto de Lima. Do primeiro emprego como engraxador de sapatos, Hermógenes fez de tudo um pouco: formou-se em direito pela PUC Minas, trabalhou na sucursal mineira do icônico diário Última Hora, dirigido por Samuel Wainer, fundou e dirigiu a Companhia Alterosa de Cervejas, em Vespasiano, e, num golpe de mestre, vendeu a fábrica para a Antarctica, da qual foi um dos cabeças nas praças de Minas, Rio e São Paulo.

A própria passagem pelo jornalismo, aliás, foi circunstancial. Hermógenes entrou para o jornal aos 19 anos, como redator de página de automobilismo, onde permaneceu por 2 anos. Hermógenes descobriu a vocação mais marcante em outros departamentos do jornal. Primeiro, com apenas 21 anos, atuou como gerente regional de publicidade. Com o golpe militar de 1964, o governo fechou o Última Hora, ligado a Jango e ao getulismo. “Um ano depois, o jornalista Dauro Mendes, ex-integrante do diário, me convidou a participar de sua reabertura em Minas. Aceitei e passei a atuar como diretor comercial.”

Em 1967, eu e mais quatro amigos, todos filhos de classe média mineira, decidimos montar nossa própria empresa. Já éramos homens de venda, ligados á áreas diferentes. Devíamos, portanto, unir nossas experiências e analisar qual setor poderia ser mais promissor. Escolhemos a cerveja. Primeiro, porque consideramos o consumo no mercado interno muito inferior à sua potencialidade. Num pais tropical, bebida gelada só podia ser bom negócio. Depois o que existia em Minas era muito pouco em relação ao que podia ser feito.

A grande virada, aos 30 anos, Hermógenes trocou o cargo no jornal pela aventura da fundação da fábrica de Cervejas, que de início, não tinha nada de cervejaria, vale ressaltar.

O investimento necessário custava o relativo a 10 milhões de dólares. Dinheiro não tinha mas boas ideias e bom assessoramento comercial, sim. Para realizar o sonho, contratou bons vendedores para levantar sócios cotistas. E assim, conseguiu prospectar 5 mil acionistas.

No dia 25 de janeiro de 1968 foi constituída a sociedade da Companhia Alterosa de Cervejas e em 1969, foi instalada na sede do município, a primeira grande indústria, a Companhia Alterosa de Cervejas.

Em 1970, antes da cerveja, o grupo lançou dois refrigerantes, o Mineirinho, feito de chapéu-de-couro, produto fluminense que apesar do nome não pegou aqui em Minas Gerais e o Guaraná Alterosa com o mesmo nome da empresa que foi o exemplo de um produto de excelente qualidade e honesto. O refrigerante competia diretamente com o guaraná champagne Antarctica. E conseguiu dividir o mercado, principalmente ao surgir ineditamente em garrafas de 1 litro, foi o primeiro a ser vendido em embalagem tamanho família. Pelo menos dois slogans acompanharam ou acompanhavam a sua orgulhosa versão de tamanho: "Refresca até a alma" e "O primeiro guaraná em litro do Brasil". Chegamos a vender mais que o Guaraná Antarctica, lembra o jornalista.

   

Em fins de 1971 a Alterosa saiu em busca do consumidor estrangeiro, pareceria uma loucura querer vender guaraná na terra da Coca-Cola. Mas nos arriscamos e conseguimos. Com a marca Trop (derivada de tropical) esse refrigerante conseguiu abrir mercado em quatro Estados norte-americanos, sendo que na Califórnia o Sergio Mendes estava à frente do negócio. A colocação dos produtos no exterior obedece ao sistema usual de franquia: exporta-se o concentrado, concede-se a marca. A preparação, envase e comercialização é feita por terceiros sob pagamento de royalties.

O relatório da diretoria, publicado pelo Correio da Manhã de 13 de abril de 1972, informa que o ativo imobilizado em um ano cresceu de Cr$4.666.607,48 em dezembro de 1970 para Cr$26.899.147,40 em dezembro de 1971 e que as obras do prédio da administração em Vespasiano foram concluídas e já estão sendo utilizadas mas o novo laboratório encontra-se em fase de conclusão. O prédio da nova sede à Avenida Antonio Carlos 7260, onde funcionarão os setores administrativos comercial e financeiro, será inaugurado ainda neste mês de abril. Ficando a fábrica de Vespasiano somente com o setor de produção.

Nos idos de 72, a agência de propaganda JMM lançou o guaraná Trop no Brasil, depois de ele, tropicalíssimo, acontecer nos Estados Unidos. Ou seja, relançou com o status do sucesso na América. Título do rapazinho: “Trop. O guaraná brasileiro que fez glub-glub na terra do bang-bang“. Além de simples, sonoro e possuir a genial ligação com a garotada, o outdoor marcou esta lembrança por levar a um layout onde só havia a garrafinha em close e um copo, cheio de guaraná, sendo estilhaçado por uma bala. Imagem muito cara e de difícil execução na época, foi substituída pelo produto em cima da bandeira americana e pronto. Mas só a beleza do texto já era o bastante.

   

No dia 9 de fevereiro de 1973, com a presença do Governador Rondon Pacheco, foi inaugurada as novas instalações da cervejaria da Cia Alterosa de cervejas, localizada no Município de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com uma produção inicial de oitenta mil hectolitros/ano, simultaneamente à inauguração foi lançada a cerveja Port, em três tipos de embalagens: lata de 355ml, garrafa não retornável de 300ml e a tradicional garrafa de 600ml, cerveja do tipo pilsen extra cuja produção para este ano está programada em 1.301.400 duzias de garrafas.
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Quando, a etapa cervejeira finalmente foi inaugurada, Hermógenes implantou modelos de negócios pioneiros no Brasil, como engradados de plástico, garrafas descartáveis produzidas na França, embalagens sixpack, bem como a padronização dos caminhões de entrega e geladeiras nos bares.

A cerveja Port levou este nome por ser uma inversão das letras do nome Trop, que batizou o guaraná lançado por eles nos Estados Unidos, sem ter nenhuma relação com as Porter inglesas. A cerveja foi um fracasso. Não por sua qualidade, mas porque as garrafas importadas da França para envasar a bebida tinham um design cheio de ondas. As ranhuras impediam que as garrafas fossem empilhadas nas geladeiras dos bares, a quebra era grande e os estabelecimentos desistiam de vendê-las. Retirada de linha a cerveja Port, três anos depois a Cerveja Alterosa chega ao mercado em seu lugar.

A Alterosa produz quatro marcas de refrigerantes: Alterosa (guaraná), Trop (guaraná), Mineirinho (mate) e Sandi (frutas).

“Grandes fabricantes como Antarctica e Brahma não esperavam que a Alterosa vingasse e tivesse tantas inovações. Mas não inventamos nada. Apenas trouxemos o que já era aplicado em outros mercados do mundo.” O investimento se refletiu na produção: de 15 milhões de litros de cerveja produzidos em 1972, a companhia passou a 45 milhões em 1977.

Faturamento triplicado, sucesso depois de muita batalha... Tanto incomodou que em 1979 o empresário foi chamado a São Paulo para uma reunião na Antarctica.

O que fazer com o negócio? Vender.
O embrião de fusões de grandes empresas já começava a dar as caras naquela época, em que um dos marcos foi a compra da Skol pela Brahma, em abril de 1980.

A Antarctica deu sequência ao processo, adquirindo a fábrica da Alterosa, em Vespasiano, em julho de 1980, por 165 milhões de cruzeiros, em negociação que já durava mais de 2 anos. Com o negócio formalizado e a posse da cervejaria, a Antarctica incorporou a Cia Alterosa, nomeando seu criador e antigo dono, Hermógenes Ladeira, como diretor da marca em Minas Gerais.

“Apesar de todos os esforços, éramos um grupo pequeno. Não aguentaríamos a competição por muito tempo e iríamos quebrar”, explica. Em 1981, a assembleia geral do grupo Antarctica o elegeu como presidente da empresa em Minas, tornando-o responsável por toda área comercial e financeira.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Cervejaria da Ponte


Texto baseado no artigo "Palmeira, meios de transporte em (1850-1975)"

O Município de Palmeira, localizado na região dos "Campos Gerais", era passagem obrigatória dos tropeiros que abasteciam de gado os mineradores das Minas Gerais, vindos de Viamão (RS) com destino à feira de Sorocaba (SP). Uma das paradas obrigatórias dos tropeiros que passavam por Palmeira era a famosa Fazenda Conceição, que fazia parte da grande Fazenda Palmeira, esta doada como sesmaria ao bisavô de D. Anna Maria Conceição de Sá, esposa do Tenente Manoel José de Araújo, doador do terreno para a construção da igreja para devoção da N. Sra. Imaculada Conceição, ato que deu origem ao surgimento da cidade de Palmeira.

Na metade do século passado, os transportes e as viagens eram feitos através de cavalos; quem não possuía cavalo, viajava a pé. Havia no fim do século XIX as diligências, que se dirigiam de Curitiba até Castro.
De Curitiba a Palmeira, eram dois dias de viagem, enquanto que os outros trechos eram feitos num dia; isto no transporte de passageiros. A distância de Palmeira a Curitiba, na época, era de 96 km. O ponto de saída era a Praça Marechal Floriano Peixoto, onde, em frente à Prefeitura, tinha o marco 96, e, em frente à Catedral de Curitiba, tinha o marco zero. Hoje, essa distância diminuiu para 80 km. Os locais de pousada eram sempre um vilarejo. Havia um perto de São Luís do Purunã, outro próximo a Campo Largo. Ali os viajantes se abrigavam, protegidos do tempo. As pousadas eram particulares. As diligências que puxavam passageiros eram de uma empresa que tinha exclusividade para este serviço.


Germano Ristow, nascido em 14 de julho de 1880, em Brusque, Santa Catarina, filho dos emigrantes Carl Ludwig Ristow e Charlotte Ristow que aqui chegaram em 1873, casado em 16 de Junho de 1910, com Anna Maria Johana Ristow (em solteira, Klappoth). Era o encarregado do transporte de passageiros em Palmeira.
Ele possuía carruagens e um hotel onde o pessoal parava para descansar. O Hotel Germano (onde hoje é o Posto Bordignon) era a estação das diligências. Elas pernoitavam ali, depois iam a Ponta Grossa e de Ponta Grossa a Castro.

Além do serviço de transporte de passageiros, em 1911, nesta cidade de Palmeira - PR, o Sr. Germano montou uma cervejaria, chamada Cervejaria da Ponte, tendo sido instalada na Rua XV de Novembro próximo à ponte do rio Monjolo, de onde vem o seu nome. Fabricava cerveja preta e branca de vários tipos e marcas, principalmente a marca peixe.

O Almanak Laemmert faz referência a essa cervejaria, como pertencente ao Sr. Germano Ristow a partir de 1908 até 1930 quando passa a trazer como responsável seu filho Francisco até o ano de 1937 quando deixa de aparecer.

O SR. Germano Ristow faleceu em 3 de julho de 1942 e sua esposa, Dª Ana, faleceu em 4 de fevereiro de 1959.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Companhia Cervejaria Morávia S/A


No início de 1936, o Sr. José R. Moraes, fundador da Fábrica de Massas Alimentícias “A Lusitana” e proprietário do célebre Bar Meia-Noite, dedicou-se intensamente e em poucos meses de trabalho adquiriu uma grande área de terreno no bairro de Vila Mariana onde começou a construção de um prédio de cinco andares com uma caixa d’água, inteiramente de concreto, com a capacidade de 130 mil litros e adquiriu os principais e os mais modernos maquinismos, se preparando para o lançamento de sua marca de cerveja.

Foi justamente nesta altura que um grupo de industriais e comerciantes o procurou, propondo-lhe a organização de uma sociedade anônima, transformando e ampliando o primeiro projeto.

   

Convidado a assumir o cargo de incorporador associou milhares de pequenos e médios comerciantes e logo foram lançadas as bases para a constituição de uma nova companhia Industrial e comercial que levará o nome de Companhia Cervejaria Morávia.

A incorporação da Companhia foi encerrada definitivamente no dia 13 de outubro de 1936 e a sua primeira assembleia, feita no dia 14 de outubro, elegeu a primeira diretoria, composta pelo: Comendador Antonio Pereira Inácio (Diretor Presidente) José R. de Moraes (Diretor Gerente) J. B. Duarte (Diretor Secretário) e Alberto Gonçalves (Diretor Tesoureiro) e ainda o Conselho Fiscal composto pelos senhores: Dr. José Hermírio de Moraes, Comm. Antonio Silva Parada e Cel. Julio Antunes de Oliveira e nomeou uma comissão para avaliação dos bens a serem incorporados ao patrimônio da cervejaria.

Foi publicado no Diário Oficial da União de 4 de dezembro de 1936 a declaração de caducidade da marca Cerveja Morávia, de propriedade da Companhia Progresso Industrial, a pedido de José R. de Moraes desde abril desse ano.

Em 23 de agosto de 1937, o DOU publica o registro do nome comercial Companhia Cervejaria Moravia S/A, sob o nº 48518 de 17 de dezembro de 1936.

No ano de 1937, continuavam as obras e só após, no dia 17 de julho de 1938, a nova empresa já instalada na Rua Rio Grande nº 79, Vila Mariana, São Paulo – SP, iniciou suas atividades, lançando inicialmente dois tipos de chopp, claro e escuro e três marcas em garrafa: cerveja Morávia, cerveja Cachopa e cerveja Karajá.

  

No mês seguinte, agosto, no dia 18, lançou seus refrigerantes: Guaraná, Água Tônica, Gasoza e Artesiana. Em 1º de setembro termina a montagem e são colocadas a funcionar as suas modernas maquinas frigoríficas, pondo à disposição do público a venda de gelo.


No dia 17 de maio de 1939 é inaugurada uma filial em Santos – Sp, à Rua Conselheiro Nebias, nº88 e lança também a cerveja Karajá em ¼ de garrafa.


Na Assembleia Geral Extraordinária de 28 de abril de 1942, foi aprovada a liquidação da companhia que não pode prosseguir pelos motivos declarados no parecer do Conselho Fiscal na assembleia de 30 de março, sendo eleito como liquidante o senhor José Bonifácio Correa Sampaio.

Segundo o relatório do liquidante datado de 28 de agosto de 1942 e publicado no Diário Oficial de São Paulo, todos os bens móveis e imóveis foram vendidos. Os terrenos, edifícios maquinismos, marcas registradas no valor de Rs 1.823:607$900 foram vendidos à Companhia Cervejaria Brahma. A Brahma era credora de Rs. 1.410:231$300, eram também credores os senhores José R. de Moraes, com o valor de Rs. 220:000$000 e Joaquim Jorge Peralta com o valor de Rs. 20:000$000. A Brahma assumiu o pagamento aos dois credores e fez um pagamento em dinheiro no valor de Rs. 281:368$800, perfazendo assim o valor de Rs. 1.881:600$100.


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