segunda-feira, 29 de maio de 2017

Companhia Cervejaria Morávia S/A (alterada)


No início de 1936, o Sr. José R. Moraes, fundador da Fábrica de Massas Alimentícias “A Lusitana” e proprietário do célebre Bar Meia-Noite, dedicou-se intensamente e em poucos meses de trabalho adquiriu uma grande área de terreno no bairro de Vila Mariana onde começou a construção de um prédio de cinco andares com uma caixa d’água, inteiramente de concreto, com a capacidade de 130 mil litros e adquiriu os principais e os mais modernos maquinismos, se preparando para o lançamento de sua marca de cerveja.

Foi justamente nesta altura que um grupo de industriais e comerciantes o procurou, propondo-lhe a organização de uma sociedade anônima, transformando e ampliando o primeiro projeto.

   

Convidado a assumir o cargo de incorporador associou milhares de pequenos e médios comerciantes e logo foram lançadas as bases para a constituição de uma nova companhia Industrial e comercial que levará o nome de Companhia Cervejaria Morávia.

A incorporação da Companhia foi encerrada definitivamente no dia 13 de outubro de 1936 e a sua primeira assembleia, feita no dia 14 de outubro, elegeu a primeira diretoria, composta pelo: Comendador Antonio Pereira Inácio (Diretor Presidente) José R. de Moraes (Diretor Gerente) J. B. Duarte (Diretor Secretário) e Alberto Gonçalves (Diretor Tesoureiro) e ainda o Conselho Fiscal composto pelos senhores: Dr. José Hermírio de Moraes, Comm. Antonio Silva Parada e Cel. Julio Antunes de Oliveira e nomeou uma comissão para avaliação dos bens a serem incorporados ao patrimônio da cervejaria.

Foi publicado no Diário Oficial da União de 4 de dezembro de 1936 a declaração de caducidade da marca Cerveja Morávia, de propriedade da Companhia Progresso Industrial, a pedido de José R. de Moraes desde abril desse ano.

Em 23 de agosto de 1937, o DOU publica o registro do nome comercial Companhia Cervejaria Moravia S/A, sob o nº 48518 de 17 de dezembro de 1936.

No ano de 1937, continuavam as obras e só após, no dia 18 de julho de 1938, a nova empresa já instalada na Rua Rio Grande nº 79, Vila Mariana, São Paulo – SP, iniciou suas atividades, lançando inicialmente dois tipos de chopp, claro e escuro e três marcas em garrafa: cerveja Morávia, cerveja Cachopa e cerveja Karajá.

  

No mês seguinte, agosto, também no dia 18, lançou seus refrigerantes: Guaraná, Água Tônica, Gasoza e Artesiana. Em 1º de setembro termina a montagem e são colocadas a funcionar as suas modernas maquinas frigoríficas, pondo à disposição do público a venda de gelo.


No dia 17 de maio de 1939 é inaugurada uma filial em Santos – Sp, à Rua Conselheiro Nebias, nº88 e lança também a cerveja Karajá em ¼ de garrafa.


Na Assembleia Geral Extraordinária de 28 de abril de 1942, foi aprovada a liquidação da companhia que não pode prosseguir pelos motivos declarados no parecer do Conselho Fiscal na assembleia de 30 de março, sendo eleito como liquidante o senhor José Bonifácio Correa Sampaio.

Segundo o relatório do liquidante datado de 28 de agosto de 1942 e publicado no Diário Oficial de São Paulo, todos os bens móveis e imóveis foram vendidos. Os terrenos, edifícios maquinismos, marcas registradas no valor de Rs 1.823:607$900 foram vendidos à Companhia Cervejaria Brahma. A Brahma era credora de Rs. 1.410:231$300, eram também credores os senhores José R. de Moraes, com o valor de Rs. 220:000$000 e Joaquim Jorge Peralta com o valor de Rs. 20:000$000. A Brahma assumiu o pagamento aos dois credores e fez um pagamento em dinheiro no valor de Rs. 281:368$800, perfazendo assim o valor de Rs. 1.881:600$100.


<

quinta-feira, 23 de março de 2017

Henn, Acker & Cia - Fábrica de Cerveja Atlantica / Henn & Jens / Cervejaria Atlântica S/A


Texto baseado no livro do Pastor Wilhelm Furgmann “Os Alemães no Paraná – Livro do Centenário” e em diversos jornais da época


Apesar de alguns autores citarem Arthur Iwersen como o fundador e administrador da Cervejaria Atlântica no ano de 1901 não há possibilidades da Cervejaria Atlântica ter se originado dessa cervejaria, nem tampouco da cervejaria de Thomaz Iwersen, pai de Arthur, aqui chegado em 1862 e que em 1889 já fabricava cerveja em um estabelecimento na Rua ivahy e que deu origem à Cervejaria Graciosa de Iwersen & Irmão. Essa confusão se originou por ter sido Iwersen diretor da Cervejaria Atlântica na década de 1930.

Em 4 de janeiro de 1912 o periódico Diário da Tarde informa que o senhor Henrique Jens, sócio da fábrica de cerveja Henn & Cia, já fez a aquisição de terrenos pertencentes ao Coronel Joaquim Monteiro, na Rua Igassu, já tendo as plantas aprovadas pela Câmara pretende começar a construção do prédio ainda neste mês. Tendo encomendado as máquinas em outubro do ano passado espera principiar a venda da cerveja no mês de Setembro.

Ainda em 1912 foi criada a firma Henn, Acker & Cia (Karl Henn, Augusto Emilio Acker e outros) que fundou a Fábrica de Cerveja Atlantica, instalada na Rua Iguassu, nº 21 (atual Presidente Vargas), é nesse ano que encontramos a primeira referência desta cervejaria no “Almanach do Paraná” para o ano de 1913. A Cervejaria Atlântica ocupava uma área de 11.000 metros quadrados, com uma construção baseada no estilo medieval, onde foram instaladas máquinas utilizadas, à época, nas maiores cervejarias da Alemanha. Faziam parte ainda do complexo industrial, filtros, aparelhos para pasteurização, máquinas de engarrafamento automático, além de um frigorífico para a refrigeração do porão e para a fabricação de gelo. Além das instalações para a produção de cerveja, outros edifícios tinham equipamentos próprios para a fabricação de limonada, água gaseificada, malte e café de malte. Ainda no mesmo terreno, havia uma fábrica de caixas, uma ferraria, uma carpintaria, uma oficina de marcenaria, um depósito para matéria prima e outro para barris, garagens para os carros de uso da empresa e de particulares, etc.

Já de início a fábrica ofereceu um produto que imediatamente conquistou o mercado. Assim, as outras fábricas locais e as cervejarias do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro cujos produtos eram distribuídos aqui sofreram uma grande concorrência.

É publicado no DOU de 13 de dezembro de 1912 que na sessão de 16 de agosto de 1912 da Junta Comercial do Estado do Paraná, a firma Henn, Acker & Cia, registrou as marcas: Cerveja Atlântica e Cervejaria Atlântica, sob os números 1079 e 1080 e as marcas: Cerveja Ancora, Cerveja Iguaçu e Cerveja Curitybana, sob os números 1094, 1095 e 1096, respectivamente.

Em 14 de julho de 1913, a firma Henn, Acker & Cia, registra na Junta Comercial do Estado do Paraná, as marcas: Cerveja Paranaense e Cerveja Kosmos, sob os números 1110 e 1111, respectivamente.

Em 27 de janeiro de 1913, o periódico Diário da Tarde publica o anúncio da dissolução da firma Henn, Acker & Cia nesta data, bem como a criação da firma Henn & Jens - fábrica de Cerveja Atlântica, formada pelos sócios solidários Karl (Carlos) Henn, Heinrich (Henrique) Jens e suas respectivas esposas Dª Amélia Fell Henn e Dª Vitalina Vasconcellos Jens nos termos do contrato social arquivado na Junta Comercial deste Estado sob o número 1.236. O primeiro foi seu diretor técnico e o segundo dirigia o departamento comercial.
A fábrica se consolidou na região local e mais tarde, em 1913, expandiu suas instalações com a inauguração do Bar Atlântica voltado para a classe média, onde se serviam refeições cotidianas. Foi organizado um cardápio eclético para cada dia da semana, donde o freguês poderia variar bastante sem correr o risco de repetir a refeição: na segunda-feira, ofertava cozido à carioca; na terça-feira, tripas à moda do Porto; na quarta-feira, vatapá à bahiana; na quinta-feira, feijoada completa; na sexta-feira, bacalhoada à portugueza; no sábado, papas à portugueza e mocotó à bahiana; no domingo, caruru “systema do norte”. Segundo o proprietário claro estava que “com taes iguarias não era possível haver reclammações”, já que ao apostar na diversidade étnica e regional conseguiria agradar a todos os tipos de paladar.

Em 9 de julho de 1914, a Junta Comercial do Estado do Paraná, deferiu o requerimento de Henn & Jens que pede a transferência das marcas de cerveja: Kosmos, Âncora, Curitybana, Atlântica, Paranaense, Iguassú e Cervejaria Atlântica antes pertencentes a Henn, Acker & Cia da qual são sucessores.
Em 28 de maio de 1917 é constituída uma sociedade anônima sob a denominação Cervejaria Atlântica Sociedade Anonyma, com prazo de duração de vinte anos, com o intuito de continuar a desenvolver a exploração industrial da fábrica de cerveja, gelo e outros produtos congêneres, existente à Rua Iguassú, pertencente à firma Henn & Jens, nesta praça. O capital será de setecentos contos de réis (Rs700:000$000), constituído de três mil e quinhentas ações no valor de duzentos mil réis (Rs200$000) cada uma, nesta data foram nomeados seus primeiros administradores: Hans Wenauer, presidente; Carlos Henn, gerente e Henrique Jens, secretário, ficando vago o cargo de tesoureiro para ser posteriormente indicado pelo presidente.
Seus principais acionistas são: Carlos Henn, Henrique Jens, Hans Wenaer, Dr. Pamphilo de Assumpção, Augusto Loureiro, Vicente Loyola, Candido José dos Santos, Frederico Jepsen, Guilherme Fischer Júnior.

Em 27 de julho de 1917 foi registrada a marca Cervejaria Atlântica S.A. representada pela figura de uma âncora, sob o nº 1.387 da Junta Comercial do Paraná.

Em 1918 trabalham nela 140 operários, além de ofertar as variadas marcas de cervejas como Astra Pilsen, Curitybana, Soberba, entre outras, a Atlântica fabricava ainda limonadas, água Selzer, malte e café de malte.
    


Foto carroça de entregas - 1925
Em 1929, a Cervejaria Atlântica tem aproximadamente 260 operários, 64 carroças, 120 muares e 7 caminhões, produz anualmente 3.500.000 litros, superando em estoque todos os seus concorrentes. Possui cinco poços próprios e uma ligação especial à rede de água da cidade, o que fornece água suficiente para a produção de cervejas, gasosas, vapor para a pasteurização, limpeza das garrafas, além de outras finalidades.

Em 23 de junho de 1929, é publicado no DOU que na sessão de 21 de junho da Junta Comercial do Estado do Paraná, foi deferido o registro da cerveja Imperial Pilsen, sob o número 14.628.

23 de julho de 1929, é feito o pedido de renovação da marca Cervejaria Atlântica S.A. e o registro da marca cerveja Malta.

Em 28 de setembro de 1929, é publicado no DOU, o registro da cerveja Tourinho, sob o número 15.448 e na mesma data renova o registro da cerveja Atlântica sob o nº 15.489.

    
Da segunda metade da década de 1920 até 1930, a Cervejaria Atlântica teve como médico o Sr. Gabriel Nogueira Quadros, pai de Jânio da Silva Quadros que em 1961 viria a ser o 22º presidente do Brasil.

Em 26 de março de 1935, é publicado no DOU, que na sessão de 22 de março, da Junta comercial do Estado do Paraná foi feita a renovação do registro da Cerveja Malta sob o nº. 35.759.

Considerada como produtora de alta qualidade, ela enfrentou dificuldades no decorrer da Segunda Guerra Mundial para importar matéria-prima, principalmente cevada e lúpulo de qualidade. Para não perder o mercado conquistado, optou por utilizar a cevada oferecida pelo próprio país e importar do Chile.

Na assembleia geral de 31 de maio de 1941, foram votadas e aprovadas diversas alterações nos estatutos, e entre elas a modificação do prazo de duração da sociedade para cinquenta anos a partir de 29 de setembro de 1938 e o aumento do capital para Rs 3.400:000$000,00 (três mil e quatrocentos contos de réis) divididos em 17.000 ações comuns, ao portador, no valor nominal de Rs200$000,00 (duzentos mil réis) e que sejam concedidos poderes à diretoria para prosseguir com as providências para a aquisição da Cervejaria Paranaense.

Em 1º de janeiro de 1942, o periódico O Dia publica o anúncio de que em 25 de setembro de 1940, foi levado à termo a dissolução da Cervejaria e em 29 de dezembro de 1941, por escritura pública a Companhia Cervejaria Brahma assumiu o seu ativo e o passivo, adquirindo assim as instalações da tradicional Cervejaria Atlântica, em Curitiba, criando sua filial paranaense que se encontra no mesmo endereço até os dias de hoje.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Fábrica de Cerveja A. Groschke & Cia / S.A. Cia Cervejaria Pernambucana


Texto baseado em diversos jornais da época


Albert Raymund Walther Groschke nasceu em 26 de agosto de 1877, em Stettin, na Pomerania, Prússia, Alemanha, filho de Albert Friedrich Christian Groschke e Auguste Friederike Anna Frisch e foi educado em Swinemünde.

Em 1901 entrou para a casa Neesen & Cia, firma de comércio de algodão fundada por Victor Neese, cônsul alemão em Pernambuco. Em 1906, passou a exercer interinamente as funções de cônsul por motivo de afastamento de Victor Neesen e foi efetivado no cargo com sua morte, em 1909, com isto, a casa Neesen & Cia, passou a pertencer a vários sócios, dos quais o principal era Albert Groschke que em 1º de janeiro de 1912 se tornou proprietário único.

Em 25 de maio de 1913, o periódico O Diário de Pernambuco publica a petição de Albert Groschke solicitando à Câmara dos Deputados favores para uma fábrica de cerveja de baixa fermentação que pretende fundar no Estado.

A construção da fábrica teve início em 15 de agosto de 1913, sob a direção do Sr. Franz Banner, na Rua Aurora nº 129, Recife, numa área de 200m de comprimento por 45m de largura, está instalada a rigor de conformidade com as prescrições legais para a montagem dos maquinismos destinados ao fabrico da cerveja. O assentamento das máquinas e demais maquinismos foi executado pelo mecânico Sr. Armando Schlenck e a planta é do arquiteto Sr. Eduardo Fonseca. Todo o edifício foi construído em concreto e cimento armado com teto de zinco sobre vergas de ferro batido.

O corpo central da fábrica se compõe de 3 pavimentos: no andar térreo é ocupado pela casa das máquinas, com um poderoso motor de força de 100 cavalos, marca Machinenfabrik Augsburg Nurenberg, um compressor de amoníaco, sistema Linde 1913 e um dínamo para iluminação elétrica de toda a fábrica. A força geradora é produzida por duas caldeiras, sistema Cornwall, com uma superfície calorífica de 140 meros quadrados cuja alimentação é feita por 2 injetores e 1 bomba a vapor. O processo utilizado para a fabricação é o de caldeira a vapor com capacidade de 20.000 litros, todos os aparelhos são os mais modernos tendo capacidade para produzir 30.000 garrafas diárias.

No 2º pavimento vê-se um grande resfriador para cerveja e um moinho para triturar a cevada, a qual é conduzida por um elevador automático que lhe despeja 1.500kg por hora.

No 3º pavimento foram colocados diversos tanques de água podendo acumular 25.000 litros e um grande depósito para cerveja com a mesma capacidade da caldeira de fabricação. Junto à sala de fabricação acham-se os frigoríficos com 30 grandes tanques-deposito cabendo ao todo 345.000 litros, acima destes está a sala de fermentação com 6 grandes cubas de madeira.

O grande armazém para enchimento, capsulagem e todo o preparo de expedição foi construído isoladamente, paralelo ao corpo da fábrica com janelas para a Rua do Lima, aí são observados um grande filtro modelo Enzinger e os aparelhos próprios para encher os barris de chopp e as garrafas pelo sistema isobarometrico com capacidade de 2.000 garrafas por hora.

A sua direção na parte referente ao fabrico de cerveja acha-se confiada ao sr. Rudolph wahl cervejeiro diplomado pelo governo da Baviera com 15 anos de fabricação de cerveja em diferentes estados do Brasil e outros países sulamericanos.

A Secretaria da Junta Comercial do Recife faz público que de 11 a 14 do mês findo (outubro) foi arquivado o contrato social entre Alberto Groschke e um comanditário para o fabrico de cerveja à Rua Aurora nº 129, desta cidade, com o capital de Rs 200:000$000, sendo Rs 170:000$000 em comandita, sob a firma A. Groschke & Cia.

Em 25 de abril de 1914 é inaugurada a fábrica A. Groschke & Cia – Cervejaria Pernambucana.

O periódico O Diário de Pernambuco de 11 de agosto de 1914, publica que na sessão da Junta Comercial do Recife de 23 de julho é deferido o requerimento para o arquivamento do contrato social da firma A. Groschke & Cia – Fábrica de Cerveja Pernambucana.

Ainda, nesse ano de 1914, lança a cerveja pilsen Pernambucana.

O periódico O Diário de Pernambuco de 9 de março de 1915, publica que na sessão de 18 de fevereiro, da Junta comercial do Recife, registra a marca Bahiana para a cerveja de sua fabricação. Nesse ano a produção atingiu 1.800.000 garrafas no valor de Rs 720:000$000.

Em 19 junho de 1915 os jornais de Recife publicam um concurso de capsulas da Cerveja Pernambucana onde os que apresentarem o maior número de capsulas (encarnada), em sua fábrica até o dia 15 de julho, receberão de prêmio, até ao quinto lugar: 10, 6, 4, 3, 2 caixas de cerveja com 48 garrafas.

Em 4 de maio de 1916 torna a promover o concurso, desta vez para os 8 maiores números de capsulas apresentadas na fábrica, até 22 de junho e com prêmios em dinheiro que vão de Rs 150$000 a Rs 10$000.

Em 18 de maio de 1916 foi feita a primeira assembleia de constituição da Sociedade Anônima Companhia Cervejaria Pernambucana onde foi eleita a diretoria: como presidente o Dr. Manoel Gonçalves da Silva; como tesoureiro Pinto Alves & Cia e como secretário o Coronel José Pessoa de Queiroz.

Na sessão de 13 de julho de 1916, da Junta Comercial do Recife, foi feito o requerimento da Companhia Cervejaria Pernambucana para o arquivamento de seu contrato social.

Em 22 de novembro de 1916, foi transferido à Sociedade Anônima Companhia Cervejaria Pernambucana o favorecimento, pela lei 1209 de 20 de abril de 1914, de dez anos de isenção de impostos estaduais que devem terminar em fevereiro de 1925.

Em dezembro de 1917 lança o Guaraná CCP e a bebida sem álcool Cacique.

Em 1918, a Cervejaria Pernambucana produzia as seguintes bebidas: Cerveja clara Pilsen, cervejas escuras Porter (amarga) e Patrícia (doce); Gazosas de limão, laranja, maçã, cidra, framboesa e morango; Guaraná CCP; Ginger Ale; Cacique.

Em 1919, lança a cerveja Pilsen Especial
Em 4 de novembro de 1920 lança a marca de cerveja Centenário, nesta época trabalham na Cervejaria 250 operários e a produção anual é de 2.600.000 garrafas de cerveja, 1.000.000 de garrafas de gazosas e 500.000 garrafas de aguardente.

Em 28 de janeiro de 1923 O Diário Oficial da União publica que na sessão de 8 de janeiro de 1923 da Junta Comercial do Recife, foi registrada a marca Cerveja Maltada.

O Periódico Jornal Pequeno de 22 de fevereiro de 1924, publica que na sessão de 18 de fevereiro, da Junta comercial do Recife, foi registrada a marca Sultana para a cerveja de sua fabricação.

Em outubro de 1924, durante a Exposição Geral de Pernambuco, lança a cerveja Az de Ouros.

Em 1926 teve decretada a sua falência, tendo sido levado a leilão em 23 de abril, 11 de maio e 26 de maio, não havendo comprador.

Em 24 de março de 1928, foi publicado no periódico Jornal de Recife um anuncio informando que a Companhia Antarctica Paulista comprou a Cervejaria Pernambucana. Instala o escritório em abril e organiza a Companhia Antarctica Pernambucana com o capital de Rs 1.000:000$000, inaugurando-a em setembro de 1930.

Em 8 de novembro de 1932, às 9:30 hs o industrial Alberto Groschke falece repentinamente, no consultório do dentista Augusto Klutsenichell. O industrial contava 54 anos de idade, era casado com a Sra. Annita Lundgren Groschke e não deixou filhos.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Fábrica de Cerveja Paraense (alterada)


Texto baseado nos artigos da Faculdade de Arquitetura e urbanismo da UFPA



Em maio de 1896, João Moreira da Costa, através da Lei 443, obteve o privilégio por dez anos para montar uma fábrica de cerveja em Belém bem como outros benefícios para poder se estruturar.

Após duas prorrogações, a primeira pela lei 686, de 23 de março de 1900, que prorroga por um ano e a segunda pela lei 835, de 25 de maio de 1902, que prorroga por cinco anos a partir de 29 de março de 1903 o prazo marcado a João Moreira da Costa, para efetivar a instalação da fábrica de cerveja.

A Fábrica de Cerveja Paraense foi constituída por uma sociedade anônima, cujos principais incorporadores foram os empresários: Domingos Pires Barreira, Coronel Casemiro Brasil Montenegro, Otto Herbert Fuerth e João Moreira Costa. A primeira reunião de acionistas se efetuou em 14 de setembro de 1899, onde foi eleita a sua primeira diretoria.

Na sessão de 21 de setembro de 1899 da Junta comercial do Estado do Pará foi deferido o requerimento para o arquivamento de diversos documentos concernentes à sua definitiva constituição.

No dia 1º de janeiro de 1900 foi colocada a pedra fundamental do edifício da fábrica.

A Fábrica de Cerveja Paraense começou a funcionar em 1º de janeiro de 1905. Foi inaugurada em 24 de junho do mesmo ano, quando seus produtos foram expostos à venda pela primeira vez. Note-se que foram necessários cinco anos à construção da estrutura fabril dada às expertises do engenheiro industrial Claudio Solanes que já mostrara resultados em 1897 com a modernização produtiva da cerveja Babylonia Brau com sede na capital federal.

A fábrica ocupa uma área de 3.375 metros quadrados de edificações, na Avenida Independência (atual gov. Magalhães Barata), toda ela edificada, medindo o terreno pertencente ao estabelecimento 29.750 metros quadrados. Ao longo do tempo, com a aquisição de diversos terrenos contíguos, a fábrica passou a ter as seguintes metragens: pela Av. Independência 64, 65m; pela Av. Gentil Bittencourt 118m, tendo de fundos 295, 60m. A largura de 116m sob a Av. Gentil Bittencourt prolonga-se até 299,50m de fundos.
Acredita-se que outras construções foram acrescidas na área da Fábrica de Cerveja Paraense após 1905: o Club Allemão com seu anexo para jogos, o Bar Paraense, o Bar Pilsen e o Cinema Popular, destacamos o (Theatro) Bar Paraense, que mesmo dentro do complexo da Fábrica de Cerveja Paraense, contíguo à sucursal da Real Fábrica Palmeira, era tido como propriedade de Jorge Corrêa e Cia. A Fábrica de Cerveja Paraense era composta, na sequencia da numeração da via, pelo Theatro Bar Paraense, pelo gradil da Fábrica com dois portões para carros), o Bar Pilsen e o Theatro Popular.

Os mais modernos e aperfeiçoados maquinismos acham-se ali aplicados à indústria da cerveja, podendo eles produzir até 5.000.000 de litros por ano. O maquinário foi fornecido pela firma alemã Fabrik Germania de Chemmitze, a matéria prima era importada da Bohemia (Alemanha) e da América do Norte.

Em 1908, segundo seu balanço em 31 de dezembro, sua capacidade produtora anual foi de 3.000.000 litros e seu capital de Rs 1:000.000$000 (Hum mil contos de réis), tendo sido distinguido com o Grande Prêmio da Exposição Internacional do Rio de Janeiro.

Em 1911, sua produção anual foi de 4.000.000 de litros, produzia as cervejas tipo claro: Amazonia, Americana e Rio Branco e as tipo escuro: Marzen, Rio Negro e Porter. Tornou a receber um Grande Prêmio na Exposição Internacional de Turim. Sua diretoria era composta por: Visconde do Monte Redondo, presidente; Adolpho Custódio Ferreira Braga, secretário e Dr. Lucio Freitas do Amaral, tesoureiro.


Em 2 de setembro de 1912, o jornal O Estado do Pará, anuncia que a Fábrica de Cerveja Paraense acaba de por a venda uma nova marca de cerveja tipo pilsen, a Cerveja Paraense Especial.

Em 4 de novembro de 1912, falece seu presidente em exercício, o Sr. Adolpho Custódio Ferreira Braga, suplente da diretoria pelo impedimento de Joaquim Antonio do Amorim, Visconde de Monte Redondo, sendo substituído por Eugenio Augusto Soares.

Em maio de 1913, a Fábrica de Cerveja Paraense lança a Cerveja Ideal tipo Vienna, leve e agradável.

A fábrica, nesse ano, empregava 140 homens em sua maioria portugueses, anualmente colocava 3.600.000 litros de cerveja no mercado. Produzia cinco tipos de cerveja: Pilsen, Vienna, Leão, Rio Branco e Portel, Os proprietários afirmavam que o produto rivalizava com o que melhor existia na Alemanha. O sucesso da fábrica foi tão grande que estes sofreram alguns dissabores em razão da campanha de difamação do produto produzido no norte do Brasil. Em carta dirigida aos jornais paraenses, reclamavam de representantes do sul do Brasil que faziam uma campanha desleal em relação à cerveja local; ocorre dizer, entretanto, que a Fábrica de Cerveja Paraense não produzia somente cerveja. Saiam dos muros maciços daquele grande empório industrial, diariamente, centenas de dúzias de garrafas de outros produtos, tais como: Guaraná, Kola-Champagne, Quina-Tonica, etc. que obtiveram, desde logo, a preferencia do publico, pela excelência de seu preparo, ganhando lugar de destaque no mercado.

Nesta ocasião, julho de 1913, estava ocorrendo a Exposição Universal de Turim e o Delegado do Estado do Pará na Exposição, o Sr. Jaime Gama e Abreu, tomou conhecimento da nota e escreveu uma carta aos proprietários, solidarizando-se com os protestos e comprometendo-se levar tal fato ao júri. A Revista registra que Gama e Abreu solicitou ao júri da Exposição que fizesse análise mais acurada do produto paraense, considerando que sempre, neste quesito, eram as fábricas estrangeiras ou do sul do Brasil que levavam vantagem. A solicitação foi atendida, resultando na concessão do Grande Prémio ao produto da Cervejaria Paraense.

Em agosto de 1913, de acordo com a assembleia Geral extraordinária, o capital foi aumentado em Rs 250:000$ através de ações de Rs e 100$000 e uma emissão de 2.200 debentures de Rs 500$000

Em 30 de setembro de 1914, o Congresso Legislativo do Estado do Pará, em 3ª discussão aprovou a emenda Nº 1343 isentando de todos os impostos estaduais a Fábrica de Cerveja Paraense e seus depósitos de gelo e cerveja.

Ao longo das décadas de 1910 e 1920, notamos que a Cervejaria Paraense obteve do governo vantagens fiscais através de decretos. Em 1919, a Cervejaria Paraense obteve isenção de impostos por dez anos. O contrato entre o estado e a fábrica de cerveja paraense, em atenção á lei nº 2.840, de 07 de novembro de 1929, sancionada pelo governador Eurico Valle, que prorrogava por mais dez anos os favores concedidos á dita fábrica em 1919. A fabrica de cerveja, suas dependências e os seus produtos ficariam isentos de todos os impostos estaduais, excetos os de consumo, pelo prazo de 10 anos. Por seu lado a fábrica se obrigaria a fornecer gratuitamente, durante o mencionado prazo, diariamente 30 quilos de gelo e meio litro de levedo para os hospitais da cidade.

Em todas as exposições a que tem concorrido, as melhores recompensas lhe são conferidas. Assim foi na de Turim, nas duas Exposições Nacional do Rio de Janeiro, nas de Bruxelas e de Londres.

Foi contemplada com o Grande Premio nas exposições de Londres em 1921 e na do Centenário do Brasil em 1922.

Em 1926, porém, devido às condições da praça de Belém, a produção atingia somente 2.500.000 litros.

12 de setembro de 1926, o Jornal O paiz publica que para melhor corresponder às simpatias e a preferência do público, os seus incansáveis diretores: Antonio Faciola, Eduardo Tavares Cardoso e Menassés Bensimon, acabam de dotar a fábrica de novos melhoramentos, cuja inauguração se fez em 21 de julho, celebrando o 21º aniversário de sua fundação.

Esses melhoramentos consistem de seis motores e dois dínamos para reforçar a capacidade produtora do estabelecimento, sendo feitas também novas instalações elétricas.

Em 29 de outubro de 1929, o jornal O Nordeste publicou que a Fabrica de Cerveja Paraense que vem de lançar a consumo público o guaraná de sua produção e que tão grande sucesso alcançou e foi considerado o guaraná da moda e da atualidade acaba de lançar ao consumo público uma nova marca de cerveja denominada Munich, cerveja escura em 1/2 garrafa, fabricada especialmente com cevada e perfeitamente igual à afamada cerveja de Munich, na Baviera

Esse complexo fabril e comercial entrou em declínio na década de 1930 entrando em liquidação em 1939 e foi posto à venda depois de decretada, em 12 de abril de 1940, sua penhora por ação judicial do Banco do Pará, foram penhorados todos os bem móveis e imóveis pertencentes à fabrica de cerveja, a ação foi proposta pelos portadores de debentures emitidas por aquela fábrica.


Em 27 de julho de 1940 a Fábrica de Cerveja Paraense é posta em malogrado leilão; somente em 1943 é desapropriada, a bem da utilidade pública, pelo interventor Magalhães Barata que por ela pagou quatrocentos mil Cruzeiros; Barata intencionava instalar na antiga fábrica um magnífico modelo que resolveria o problema de abastecimento de carne verde à população – a Fábrica de Cerveja Paraense era dotada de espaçosas câmaras frigoríficas que alugava a importadores de gêneros perecíveis ou a qualquer que pudesse pagar por elas.

Em 1947, pelo decreto-lei nº 9, o major Moura Carvalho, então governador do Estado do Pará, vende por um milhão e seiscentos mil cruzeiros (Cr$1.600.000,00) a Fábrica de Cerveja Paraense à Companhia Cervejaria Brahma do Rio de Janeiro, com a condição de que no local fosse instalada uma moderna fábrica de cerveja.

A Brahma fez da Fábrica de Cerveja Paraense depósito e manteve em funcionamento, dentro do complexo que adquiriu, o Bar Pilsen (nota de revitalização do lugar em 1947) e o Cinema Popular (notícia policial de 1951) .

Em 1962 os paraenses Alcyr Boris de Souza Meira e Geneciano Fernandes Luz, intermediados pelo escritório Freitas Valle do Rio de Janeiro, adquiriram da Brahma toda a superfície (e ruínas) do complexo Fábrica de Cerveja Paraense, uma área de 40.000m² e lá planejaram o Loteamento Jardim Independência, dando origem ao conjunto residencial Jardim Independência.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

cervejaria Lybia


Texto baseado no artigo: O auge das cervejas artesanais em Urussanga - Jornal Vanguarda - 29/06/2015


A 26 de maio de 1878, chegaram a Urussanga - SC, vindos de Longarone, Província de Beluno, Região de Veneza, os primeiros imigrantes italianos. Por essa razão, esta é a data oficial de fundação da cidade. A partir daí a população que viria habitar Urussanga, veio de diversas regiões da Itália, principalmente de Vêneto, Treviso, Veneza, Údine, Beluno, Mántua, Cremona, Bérgona e Trento. Saíram da Itália com o desejo e a esperança de uma vida melhor na nova terra. Urussanga prosperou, tornando-se passagem obrigatória para os imigrantes que se dirigiam para os novos núcleos coloniais de Santa Catarina. Em 3 de junho de 1891 foi criada a freguesia com a denominação de Urussanga, pelo decreto estadual nº 84, subordinado ao município de Tubarão. Foi elevado à categoria de vila e município com a denominação de Urussanga, pela lei estadual nº 474, de 6 de outubro de 1900, desmembrado de Tubarão. Em 1917, com a abertura das minas de carvão, a cidade entrou em novo estágio de desenvolvimento econômico.

Dentre esses italianos, chegados no fim do século XIX, estava a família do comerciante Giovanni (João) Damiani, sua esposa Lucia De Bona Marchet Damiani e seus filhos. Guardado por descendentes existe documentação e livros de registros do comércio de Giovanni Damiani, entre 1885 e 1893.

Giovanni Damiani foi proprietário da primeira casa comercial no município onde construiu uma casa, inaugurada no dia 8 de março de 1896, na parte central do município. Inicialmente, a edificação serviu como moradia da família e foi sede de um armazém, onde era vendido de tudo. Desde os diversos tipos de alimentos para os italianos, até vestimentas, tecidos e ferramentas. Atualmente uma das casas mais antigas e bem conservadas do município de Urussanga, assim pode ser considerada a residência.


Nessa época, o município não possuía nenhum tipo de hotel ou pensão. Devido a isso, e por Giovanni Damiani ter sido o primeiro juiz de paz da cidade, autoridades de toda a região se hospedavam na residência da família.

Giovanni Damiani, faleceu em 17 de abril de 1900 e deixou a esposa Lucia De Bona Marchet Damiani e 12 filhos. Lucia era uma mulher de garra e precisava sustentar os filhos, a época vivenciada entre 1910 e 1940 em Urussanga exigia independência e autossustento das famílias de imigrantes italianos mesmo após os 30 anos de fundação da cidade.

A família entristeceu-se muito, porém Lucia não se deixou abater pela situação. Terminou a obra que o marido havia iniciado, a de uma cervejaria chamada Lybia e em outubro de 1912, um livro de registro guardado, apresenta o início da cervejaria e as primeiras movimentações financeiras. “Naquele tempo não era fácil conseguir cerveja. Então fabricar a caseira artesanalmente era uma maneira de ter a bebida para o consumo próprio. Além disso, a Lucia conseguia utilizar o dinheiro para sustentar a família. O local da produção era em uma casa ao lado da Farmacentro, antiga residência de Iva Damiani”.

A fábrica se localizava ao lado da residência, e a cerveja era preta tipo Malzbier, vendida em todas as cidades da região.

Conforme registros, a cerveja denominada Lybia foi comercializada pela família Damian de 1912 a 1926 sob a responsabilidade de Lucia e do filho Damião Damian. A Lybia era bem conhecida. A garrafa era revestida com um cartucho feito de palha de arroz e trigo e as garrafas eram colocadas em uma caixa de madeira, dividida ao meio, cabendo duas dúzias. Para enviar para outra cidade a caixa era pregada e passava uma cinta de ferro.

Em março de 1927 o filho de Lúcia, Artemio era o responsável pela produção da cerveja, ele era casado com Seraphina Zanellato que era o seu braço direito. Conta Livia Damian Belloli, filha dos dois, que ela levantava à meia noite para ajudar o marido a fazer cerveja. Eles acendiam o fogo, acredito que para a fermentação, e que era um processo muito trabalhoso. Faziam cerveja preta e branca. Minha mãe contava que quando se casava tinha que viver de acordo com o marido, ser companheira. Meu pai perguntava para ela se ela estava precisando comprar algo naquele mês e quando minha mãe dizia que não precisava, ele logo dizia que ia usar o dinheiro para pagar a cevada à vista para ganhar uma saca de presente.

A última assinatura de Artemio Damian, no livro de registros, ocorreu em 30 de junho de 1929. Dias depois ele veio a falecer e a produção e a comercialização foi interrompida por 15 dias.

Em 15 de julho de 1929, Damião Damian, irmão de Artemio, começou a auxiliar Seraphina nos negócios. A exemplo da sogra Lucia, a viúva Seraphina cuidou de três filhos e tocou a cervejaria durante um curto período.

Em 15 de abril de 1930, outro irmão de Artemio, Viatore Damian, também ajudou Seraphina e passou a assinar o livro registro. A última anotação, feita em 31 de julho de 1930, foi assinada por Viatore. “O cunhado de minha mãe pegou a cervejaria e foi tocar. Depois, por volta de 1938, ele também vendeu para outra família. A cervejaria ficou fechada por muito tempo”, frisa. Livia Damian Belloli, Neta de Lucia De Bona Damian e filha de Artemio e Seraphina, ainda guarda um termômetro utilizado na cervejaria, também guarda um livro de registro da fábrica da avó com dados dos impostos a pagar e das vendas diárias.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Fabrica de Cerveja e Soda Eugenio Anselmi


Texto baseado no trabalho:Conheça Descalvado
Autor: Luiz Carlindo Arruda Kastein


O nome do município de Descalvado vem do nome de um morro, ou precisamente do Morro do Descalvado que tem esse nome devido ao fato de ser desprovido de vegetação. O Morro até possui cerrada vegetação em seu topo, porém apresenta partes rochosas, o que lhe legitima a denominação de Descalvado, escalvado ou calvo.

Em 1809 foram constituídas as fazendas Grama, Nova e Areias, por essa época, as terras de Descalvado não teriam nome, pois eram fundo de Rio Claro ou de Araraquara (mais de Rio Claro, embora não de princípio unido a ele, administrativa e juridicamente).

Em 1820, José Ferreira da Silva, proveniente de Minas Gerais compra a fazenda Areias. Doze anos depois, em 1832, ele constrói a Capela de Nossa Senhora do Belém em cumprimento a um voto religioso de sua mulher Florência Maria de Jesus, rodeada por cinco casinholas ao seu redor dando início ao povoado, em 1842 quando o casal fez a doação de uma légua de terras para a igreja já somavam quarenta taperas. Em 1845, já eram em torno de 80 casebres ao redor da Igreja e em 1883 já existiam 397.

Em 28 de fevereiro de 1844 foi criada a Freguesia (Distrito de Araraquara) da Capela Curada de Nossa Senhora do Belém pela lei n.º 21, esta freguesia fica desanexada do município de Araraquara, e reunida com todo o seu território ao de Mogi-Mirim. E ainda como freguesia, foi incorporada a São João do Rio Claro, pela lei n.º 13, de 7 de março de 1845. Elevada a vila em 1865 continuou a pertencer à comarca de São João do Rio Claro; com o nome de Belém do Descalvado, em 1º de abril de 1889, foi elevado à categoria de cidade com o nome de Belém do Descalvado e em 26 de dezembro de 1908, a Lei n.º 1157 Simplifica o nome mudando a denominação do Município, Comarca e Distrito de Paz de Belém do Descalvado para Descalvado.

O movimento abolicionista associado à expansão cada vez maior do café foi o estímulo para a vinda de imigrantes, principalmente italianos, para o município de Descalvado. A população municipal elevou-se rapidamente com a substituição do braço escravo, os italianos firmavam contratos de trabalho em que se fixava as obrigações do “colono” bem como o salário que recebia, em geral proporcional ao número de pés de café tratados. Às vezes recebiam “pequenas roças, geralmente dois hectares, onde plantavam milho, arroz, feijão, batatas, legumes e às vezes videiras. A grande aspiração destes imigrantes foi a posse de um lote de terra próprio. Procuravam juntar os meios necessários para a compra do mesmo. Em 1886, de cerca de 1124 estrangeiros 729 eram italianos. De 1890 a 1910 o município de Descalvado recebeu, aproximadamente, cerca de 3.000 famílias provindas do norte da Itália. Com isto, a população municipal, elevou-se, rapidamente, para quase 30.000 em 1900.

Antes da grande industrialização da cerveja em São Paulo e no Brasil, e mesmo já iniciada esta, Descalvado sempre fabricou sua cerveja, até que, pela década de 20, fechou sua derradeira fábrica. Dada a grande população rural, na época do fastígio do café, às entradas da sede urbana, erguiam-se cervejarias de proprietários locais e todos fazedores de ótimos produtos, usando, para isso, entre os ingredientes necessários, alguns importados da Alemanha, a terra da cerveja por excelência. Foi época de muita camaradagem, de constantes piqueniques e estes, especialmente nas proximidades das cervejarias. Sabe-se que naqueles tempos a segunda feira era dia de folga para os artesãos e, então, nesse dia, reuniam-se todos nas cervejarias descalvadenses, para uma festiva jornada de muito beber e comer.

Os anos de 1890 a 1893, foram de apreensão sobre o estado de salubridade publica. As noticias que vinham de todos os quadrantes eram as piores possíveis, falava-se em febre amarela, em varíola, em epidemias que grassavam por toda a parte, não escapando a Capital da República e do Estado. Estudavam-se os meios de debelá-las ou de atenuá-las.

No Descalvado, restabelecida a Câmara e dissolvida a Intendência Municipal, tratou ela de precatar-se contra qualquer surto epidêmico. Como houvesse dentro da cidade quatro fábricas de cerveja e se julgasse que as dejeções das fábricas de cerveja dessem causa aos miasmas (na época era o termo empregado na suposição de que existiam miasmas) pestilentos, a comissão de Higiene da Câmara indicou e a Câmara, em dezembro de 1892, aprovou a lei ordenando que essas fábricas se mudassem, saindo do perímetro urbano como medida de higiene pública. Os proprietários se Insurgiram contra a medida, mas nada conseguiram.
Assim, uma das cervejarias fechou suas portas, vendendo sua maquinaria enquanto a de Pompeu Brambilla, foi mudada para o bairro do Tamanduá, a Cervejaria Fumagalli de Luiz Fumagalli, foi para o bairro São Sebastião e a Fábrica de Cerveja e Soda de Eugenio Anselmi que acabou se instalando no sítio Tirolim que ficava às margens do Ribeirão Bonito, caminho da Fazenda Ibicoara, propriedade de sua família.


No final do século XIX, pelo menos em Descalvado, Igreja e Maçonaria, andavam de mãos dadas, e ambas se preocupavam muito com o casamento civil, que naqueles anos andava no esquecimento. O Secretário da Capitular Loja Maçônica “Triumpho e União”, João Fernandes da Silva, seguindo determinações do Dr. Carlos Reis, Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil, a qual estava subordinada a Loja de Descalvado, reuniu-se com o Pároco de Descalvado, o gaúcho Francisco Teixeira de Vasconcellos Braga, e acertaram a realização de uma conferência pública sobre a tese: “O casamento civil”, escolhendo para dissertar sobre o tema, o maçon Dr. Ângelo Tourinho de Bittencourt, renomado advogado do fórum local e ilustre “pedreiro livre” da “Triumpho e União”. A palestra foi realizada na sede da Loja Maçônica, que ficava na rua Áurea, num domingo do ano de 1902, às 19 horas.
Muitos não compareceram a palestra, porque o Bar do Marcelo que ficava no centro da cidade, lançava naquela noite como novidade, cerveja gelada das marcas: Fumagali, Sassi, Tirolim, Gargantini, Brambilla e Tamanduá, todas fabricadas em Descalvado e vendidas a 1$200 a unidade, mais caras que os vinhos italianos e portugueses, que custavam na época $800 Réis. Até então a cerveja era servida na temperatura natural. O gelo era fabricado no Empório Familiar de Maria Paraventi, que aceitava encomendas pelo telefone 15, fazendo entregas a domicílio.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Estevão Buschle / Fábrica de Bebidas Viuva Emilia Buschle / Kahlhofer & Buschle Irmãos / Companhia Fabril Polaris / Buschle & Irmãos




Stephan Matheus Buschle, nasceu na cidade de Tutlingen, no estado de Baden Württemberg, na Alemanha, estudou em Beuren, na Alemanha e na Suiça, farmacêutico, químico e comerciante, chegou da Alemanha em 1896.

Casou em 1º de fevereiro de 1898, com Emilie Buschle (em solteira Krüger) nascida em 8 de maio de 1878 em São José dos Pinhais-PR, e dessa união nasceram onze filhos: Maria Luiza (1899), Theodoro Guilherme (1900), Ewaldo Antonio (1902), Alfredo Mateus (1903), Ermelinda Aurélia (1905), Maria Cecília (1907), Maria Aloysia (1909), Amália Maria Theresia (1912), Maria Mathilde (1914), Paulo Hilário (1916) e Ludovico Balthasar (1918). Os seis primeiros filhos nascidos em Campo Alegre-SC e os cinco últimos em São Bento do Sul-SC

Em 1908 se radicou em São Bento do Sul-SC, depois de passagens por Salvador, Desterro (Florianópolis), Blumenau, Joinville e Campo Alegre e ter residido por três anos no Rio de Janeiro.

Em 1911 estabeleceu inicialmente uma empresa com a finalidade de fabricação semi artesanal de medicamentos.
Em 1918, Estevão Buschle iniciou a construção de um imóvel, no qual instalou sua família que residia anteriormente no prédio da fábrica Buschle, essa construção foi interrompida pelo seu falecimento em 17 de setembro de 1918, às 12 horas, vítima de caquexia cancerosa. Devido a esse fato, quem concluiu a construção deste imóvel foi seu filho mais velho Theodoro Guilherme Buschle, que permaneceu ali com sua mãe Emilia e irmãos.

Com o seu desaparecimento é formada uma nova empresa, sucessora de Estevão Buschle, que passa agora a elaborar licores e bitters de forma comercial, sua viúva Emília consolida uma vitoriosa empresa que logo faria fama. A fábrica de licores iniciada pela viúva Buschle é a precursora da famosa fábrica de chocolates Buschle Irmãos que seria desenvolvida pelos filhos da pioneira. Sua lista de produtos, realmente admirável, incluía na época:
Licores de Rosas, Pimenta, Herva Mate, Hortelã, Cominho, Anis, Americano, Cherry Brandy e Cognac; Cremes de Cacao, Baunilha, Leite, Ovos, Framboeza e Creme Suzanna; Xaropes de: Limão, Guaco, Framboeza, Laranja, Abacaxi e Groselha; Aguardentes: Guarany e Cem anos; Bitters: hespanhol, Russo, Estomacal Magenhell e Boonekamp; Benedictina, Cognac anisado, Fogo Italiano, Fernet Milano, Gingibre Ipipermãn.

O Jornal A República de 28 de agosto de 1923 publica a relação dos premiados na Exposição Internacional do Centenário da Independencia, mostrando que os licores da Viuva Emilia Buschle havia recebido medalha de bronze.

Em 27 de maio de 1929, Emília Buschle vem a falecer e três de seus filhos: Theodoro, Ewaldo e Alfredo, passam a administrar os negócios, admitindo agora um novo sócio no empreendimento: Wenzel Kahlhofer, passando a empresa chamar-se Kahlhofer & Buschle Irmãos – Companhia Fabril Polaris.

Wenzel Kahlhofer era um capitalista dos tempos antigos, muito abastado. Era representante comercial local de muitas companhias de renome, agente de casas bancárias e proprietário de serrarias. Era forte no comercio de madeiras e erva mate. Na firma dos irmãos Buschle permaneceu por pouco tempo, até novembro de 1933.
Por volta de 1930 alugam as instalações da fábrica de cerveja de Ernesto Klaumann, além de fabricar cerveja, passam a produzir e engarrafar o refrigerante Crush a partir do xarope de laranja que compravam do detentor da marca nos EUA. Usavam água de uma fonte que nascia nos pés do morro que ficava aos fundos da fábrica. Esse refrigerante de sabor laranja era muito famoso na primeira metade do século XX. Foi a primeira soda sabor laranja a ser introduzida no mercado americano, por J. M. Thompson, de Chicago, em 1906. A Crush perdeu mercado e desapareceu com a expansão da Fanta pela Coca-Cola, em 1960. Aqui em São Bento foi produzida por mais de uma década desde 1931, até 1942 pouco mais pouco menos, pois durante a guerra cessou temporariamente a importação do xarope dos EUA e depois a firma Buschle Irmãos não retomou a produção.

A fabricação de cerveja foi descontinuada ainda antes, em 1932 ou 1933.

Por volta de 1935, Começa a fabricação de chocolates e bombons. Alguns produtos eram muito sofisticados na época e alcançaram relativa fama no mercado sul brasileiro, como os bombons de Rum, que tinham a bebida em seu interior ou o grandemente sofisticado “Torrão Milanês”, jamais igualado, até hoje. Produziam-se barras de chocolate muito bonitas, fundidas em formas com desenhos de temas natalinos e de páscoa, como papais Noel e coelhinhos, em relevo.

De maneira geral a firma Buschle Irmãos se dividia entre a parte comercial e a fábrica de chocolates e licores. O comercio era muito diversificado em todas as direções possíveis, pois ia da venda de secos e molhados a armarinhos, confecções, utilidades domésticas e material de construção. A parte fabril foi se concentrando na produção de chocolates e bombons. A produção de licores foi diminuindo até que foi encerrada em meados da década de 1960.

Em 1940 a empresa encomenda ao renomado escritório de arquitetura de Simão Gramlich, de Blumenau, um arrojado projeto para sua nova sede comercial. Era o mesmo arquiteto que projetou a igreja matriz da cidade. O prédio em estilo Art-Decó é uma das jóias da arquitetura são-bentense e ainda se conserva em nossos dias.

A administração técnica da firma Buschle Irmãos, desde o princípio, foi exercida por Alfredo Buschle, entre 1918 e 1973, sendo substituído dali por diante por Luis Hilgenstieler, este que ingressou menino na empresa, iniciando como ajudante geral na década de 1930. Hilgenstieler foi diretor técnico da empresa até o final, em 1995.

A administração comercial ficava a cargo de Theodoro Buschle, que exerceu a função entre 1929 e 1956. Depois o irmão Ewaldo Buschle passa a presidir a empresa até 1973 quando é substituído por Marcos Donato Buschle, da geração seguinte, visto que é filho de Alfredo.

Na década de 1970 a parte comercial de secos e molhados é transformada em supermercado. Ainda existe uma seção de materiais de construção, mas o comércio de armarinhos, confecções, utilidades, eletrônicos (basicamente rádios), bicicletas e eletrodomésticos é descontinuada. Administrada agora pela segunda geração a empresa passa a enfrentar problemas de gestão e males relacionados a uma estrutura tremendamente viciada.

Toda a indústria brasileira de chocolates passa a enfrentar provações terríveis. Essa tempestade vem da Bahia, principal centro de produção de cacau do país. Ocorre que uma eminência parda - conhecida como Ângelo Calmon de Sá, cacaueiro e banqueiro (Banco Econômico), foi guinado a Ministro da Indústria e Comércio. Guiado por seus próprios interesses, Calmon de Sá praticou uma modalidade terrivelmente predatória de dumping no mercado nacional de cacau. Através de seu Banco Econômico, arrematava enormes e caríssimos lotes de seu próprio produto para saturar o comércio de produtos com preços artificiais muito abaixo dos praticados por seus concorrentes. Isso desestabilizou gravemente a maior parte da indústria de chocolates do Brasil, alguns até à insolvência.

A Buschle Irmãos, que ainda tinha uma cota adicional dos seus próprios problemas decorrente de uma administração temerária por parte de seu novo presidente, não resiste às adversidades e caminha célere para seu próprio ocaso. No final da década de 1970 problemas de inadimplência e falta de matéria prima para a fábrica de chocolates começam a se suceder. Existe agora uma crise de identidade entre a parte comercial – o supermercado – e a industrial. A empresa Buschle & Lepper de Joinville, cujo maior acionista é o filho mais novo de Estevão e Emilia Buschle - Baltazar Buschle - tenta interferir e salvar a empresa fundada por sua família, mas foi um esforço inútil.

Em 1º de março de 1983 é decretada a falência da Buschle Irmãos Ltda. A massa falida é levada a dois leilões que acontecem em 1º de dezembro de 1995 e 20 de março de 1996. Neste último leilão a maior parte dos bens são arrematados pela família Rudnick, ligada a Móveis Rudnick, de Oxford.