domingo, 6 de setembro de 2020

Companhia de Cerveja Guanabara / Cervejaria Guanabara / Cervejaria Polonia - Viveiros & Cia / Cervejaria Polonia Ltda.




Em 22 de maio de 1890, através do Decreto 410 /1890 foi concedida permissão a Emilio Paulo de Lima Barbosa para organizar uma companhia sob a denominação de Companhia de Cerveja Guanabara.

Em 27 de maio de 1890, foi constituída a Companhia de Cerveja Guanabara, tendo como endereço à Rua São Francisco Xavier nº 13, na Capital Federal dos Estados Unidos do Brazil, uma sociedade anônima, para explorar o fabrico e o comercio tanto de cerveja como de gelo, aguas gazosas e bebidas fermentadas, que forem permitidas pela Inspetoria Geral de Higiene à cuja analise serão previamente submetidas. Com um capital social de cento e cinquenta contos de réis (R$150:000$000) dividido em setecentas e cinquenta ações de duzentos mil réis (R$200$000), sendo nomeados diretores para o primeiro quadriênio Emilio Paulo de Lima Barbosa e Joaquim Palha de Faria Lacerda.

Em 1891, foi alterada a numeração da Rua São Francisco Xavier e o endereço da Companhia de Cerveja Guanabara passa a ter como endereço os nºs 31 e 33.

Em 23 de dezembro de 1892 é inaugurado o jardim com um grande viveiro de pássaros e o bar da fábrica. Neste ano a Companhia de Cerveja Guanabara produz cerveja especial, dupla e parda, branca simples e preta.

    

Em 26 de outubro de 1893, através do Decreto 1576, é aprovada a reforma dos estatutos votada pela Assembleia Geral de acionistas em 20 de junho último e que elevou o prazo de duração da sociedade para 20 anos.

Em 20 de dezembro de 1894, foi decretada pelo juiz Salvador Muniz Barreto Dantas, a liquidação forçada (falência) da Companhia de Cerveja Guanabara através da ação movida em 28 de outubro pelo Banco Iniciador de Melhoramentos e pela Companhia Mercantil e Hypothecaria.

Em maio de 1895, é anunciado o leilão, constando de terreno e prédios de nºs 31 e 33 da R. São Francisco Xavier, onde possuía grande chácara com jardim e pomar, com 66m de frente por 258m de fundo, toda iluminada por bicos de gás, casa de porteiro, chalet com 4 quartos e dois gabinetes, grande cocheira, armazém com 25m de comprimento por 7m de largura, afora o prédio da fábrica em si com 66m por 15m e 9m de altura. Vasta maquinaria importada, 150 mesas de mármore e 600 cadeiras e anexos próprios do ramo.

O leilão foi arrematado pela firma Viveiros & Cia., formada pelos sócios Willian Roberto Lutz, Arnaldo Octávio Lutz e Américo Duarte de Viveiros.

Em novembro de 1897, é inaugurada a Cervejaria Guanabara (Viveiros & Cia), totalmente remodelada, com maquinismos novos e diversas modificações, produzindo a cerveja Rio-Brau,

Em 25 de janeiro de 1898, é requerido o registro das marcas de cerveja Rio-Brau e Carioca Brau na Junta comercial do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, na Exposição de Higiene e Alimentação Pública, realizada em Hamburgo, recebeu medalha de ouro.

Em 14 de fevereiro de 1898 são registradas na Junta comercial do Rio de Janeiro as marcas de cerveja Rio-Brau e Carioca Brau. Sob os números 2572 e 2573 respectivamente.

Em 1909 devido a alteração de numeração na Rua São Francisco Xavier a Cervejaria Polonia que tinha como endereço os nºs 31 e 33 passa a ter como endereço os nºs 175 e 181.

Em 23 de julho de 1912, o Jornal do Comércio publica que, com a saida do sócio Arnaldo Octávio Lutz, na sessão de 11 de julho de 1912 da Junta Comercial do Rio de janeiro foi registrado o contrato comercial entre William Roberto Lutz e Américo Duarte Viveiros para o comercio de cerveja que fabricam à Rua de São Francisco Xavier 175/181 com o capital Rs 300:000$000 (trezentos contos de reis) sob a firma Viveiros & Cia.

Em 3 de junho de 1913 na sessão da Junta Comercial do RJ é registrada a Cerveja Caboclinha sob o nº 8818.

Em 16 de agosto de 1916 é registrada na JCRJ sob o nº 11462 a alteração do rótulo da Cerveja Caboclinha.

Em 21 de agosto de 1916 são registradas na JCRJ sob os nºs 11481 e 11482 as marcas de cerveja Triestina clara e escura respectivamente.

Em 23 de agosto de 1918, é renovado o registro da cerveja Polonia sob o nº 3.614 da JCRJ.

Em 7 de novembro de 1918, é feito o registro da cerveja Viva o Brasil sob o nº 13616 da JCRJ.

Em 15 de agosto de 1919, o Jornal do Comércio publica que na sessão de 7 de agosto de 1919 da Junta Comercial do Rio de janeiro foi registrado o contrato comercial entre William Roberto Lutz, William Roberto Marinho Lutz e Américo Duarte Viveiros para o comercio de cerveja que fabricam à Rua de São Francisco Xavier 175/181 com o capital Rs 800:000$000 (oitocentos contos de reis) sob a firma Viveiros & Cia.

Em 21 de agosto de 1919 o Diário Oficial da União publica a dissolução da sociedade Viveiros & Cia, pela retirada do sócio Américo Duarte de Viveiros recebendo a importância de Rs100:000$000 (cem contos de réis), ficando o ativo e o passivo com o sócio William Roberto Lutz.

Em 11 de setembro de 1919, o jornal Correio da Manhã publica a organização de uma nova sociedade sob o nome de Cervejaria polonia Limitada composta pelos sócios William Roberto Lutz, William Roberto Marinho Lutz e Aristides Peixoto de Abreu Lima.


    
Em 17 de outubro de 1919, a Cervejaria Polonia Limitada requer lhe sejam transferidas as marcas registradas nesta junta:sob ns. 5.703, 7.198, 10.780, 11.402, 11.481, 11.482, 13.614, 13.616 antes registradas por Viveiros & Cia.

Em 16 de julho de 1930, o periódico O Jornal publica que na sessão de 12 de julho de 1930, da Junta Comercial do Rio de janeiro foi registrado o contrato comercial entre William Roberto Lutz e William roberto Marinho Lutz para o fabrico de cerveja à Rua de São Francisco Xavier 175/181 com o capital Rs 1.300:000$000 (hum mil e trezentos contos de reis) com prazo indeterminado sob o nome de Cervejaria Polonia Limitada.

Em 4 de dezembro de 1944, falece Arnaldo Octávio Lutz.
Em 30 de janeiro de 1946, falece William Roberto Lutz.
Em 10 de junho de 1961, falece com 96 anos, Américo Duarte de Viveiros.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Astro Beer Company / Cervejaria São Paulo Ltda.



Baseado no texto: "Astro Beer" - publicado no Brasil Chapter News - nº154 - setembro de 2010.

Octávio Augusto Slemer, empresário do ramo de informática desde 1975 foi um dos pioneiros na importação de softwares para microcomputadores e redes, gerente da datalogica que comercializava o DBase, o primeiro banco de dados usado em grande quantidade nos microcomputadores.

Slemer, em várias viagens ao exterior vislumbrou o movimento de renascimento de cervejas especiais de alta qualidade, começou a conhecer os brewpubs, cada um com sua característica, cada um com sua variedade de cerveja.

Foi obrigado a mudar seu ritmo de vida, devido a um problema cardíaco e uma ponte de safena, aí começou sua vida de cervejeiro , passou a pesquisar e obter informações sobre o mundo da cerveja.

Em 1995, Octávio fundou a Astro Beer Company e lançou em dezembro a cerveja Astro, cerveja pilsener de produção limitada. O lançamento foi no Brew Pub em São Paulo, Brasil, onde seu criador aproveitou a deixa para lançar também seu livro “Os Prazeres da Cerveja” pela editora Makron.

A Astro trazia algumas novidades muito inovadoras para a época. A primeira era ser uma cerveja nitrogenada produzida em pequena escala e sem aditivos. A primeira cervejaria que produziu a Astro foi a Cervejaria Sul Brasileira (mudou o nome em 1999 para Cervejaria Colônia é atualmente INAB) que havia acabado de ser fundada por Jaime Gatto e Saul Brandalise na cidade de Toledo. Paraná, Brasil.

A segunda novidade é que embora a maior parte da população não tivesse acesso à internet, somente alguns poucos privilegiados que conseguiram ter uma conta na Embratel a cerveja já era divulgada e comercializada pela internet. As contas comerciais da internet no Brasil foram liberadas em meados de 1995 e a cerveja lançada em dezembro desse ano. A Cervejaria Astro está permitindo que usuários da rede mundial de computadores Internet se comuniquem com a empresa e encomendem cerveja por meio de sua página na World Wide Web. O serviço também oferece informações sobre a Astro Beer Company e acesso às outras páginas da Web que falam especificamente sobre cerveja. O endereço da Astro na web – www.astro.com.br. Esse endereço web não é mais ocupado pela Astro.

O histórico da atividade cervejeira em Boituva – São Paulo, remonta ao final dos anos 90 com a chegada ao local da família de Octávio Augusto Slemer. E mais especificamente em 1997, Slemer funda em Boituva a Cervejaria São Paulo Ltda e passa a fabricar a cerveja Astro.

A Astro, não teve aceitação no mercado por se tratar de uma cerveja fora do padrão Pilsen popularizado no Brasil, nessa época as mudanças de paladar do consumidor brasileiro ainda não haviam sido difundidas.

Diante desse fracasso na produção de uma cerveja especial, Slemer vende as instalações para a família Momesso que também não expandiu a produção de cerveja na cidade que ficou estagnada até a aquisição da fábrica pelo grupo Petrópolis em 1999. Após a aquisição é lançada a marca Crystal e se deu início ao processo de modernização de toda linha de produção.

A cerveja foi comercializada apenas em garrafas de 600 ml e apenas 6 latas, como teste, foram produzidas e não foram envasadas.

Conhece-se 3 rótulos dos anos de 1995 a 1997 produzidos para a cervejaria em Toledo no Paraná e apenas um da Cervejaria São Paulo em 1997/8 e uma lata-teste pertencente ao colecionador Gustavo Pareja.

    

    

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Cerveja Alpini de Vincenzo de Bona



Baseado no texto O auge das cervejas artesanais em Urussanga publicado pelo Jornal Vanguarda de 29 de junho de 2015.

Urussanga é um município do Estado de Santa Catarina, "Urussanga" provém do tupi antigo e significa "água muito fria". É o nome do principal rio que banha a cidade.

A história do núcleo colonial de Urussanga faz parte do processo de povoamento e colonização projetado para o Sul do país durante o século XIX. Após os debates políticos e as medições dos lotes, a colonização de Urussanga iniciou-se em 26 de maio de 1878, quando as primeiras famílias de origem italiana chegaram ao local na sua maioria procedentes do pequeno povoado de Igne, Comuna de Longarone, Provincia de Belluno, região do Vêneto, situada ao norte da Itália, próximo a região dos alpes. Depois de passarem pela sede da colônia, em Azambuja, os imigrantes se estabeleceram em um rancho às margens do rio Urussanga, e dali partiram para seus lotes.


A lembrança de sua terra foi a inspiração para o negócio do imigrante italiano Vincenzo (Vicente) De Bona, nascido em 1870. Por volta de 1921 e até a metade de 1930, Vincenzo iniciou a produção de cerveja artesanal. Denominada Cerveja Alpini, de Vicente De Bona, sua origem italiana também foi o motivo para dar nome a cerveja. A bebida era destinada a poucos e bons amigos.


Conta o neto de Vincenzo: Lauro De Bona, nasci em 1924 e quando pequeno dei umas bicadinhas na cerveja caseira branca. Era gostosa, mas as cervejas que vinham de São Paulo eram melhores. De vez em quando estourava uma garrafa devido à pressão. Meu avô tinha seu depósito e local de produção embaixo da sua casa, onde é hoje a DS Travel Tur. A cerveja não podia guardar por muito tempo, tinha de consumir dentro de 15 a 20 dias. E a água para a produção era tirada de um poço com uma bomba na própria casa. Tudo improvisado.

O bisneto de Vincenzo, Vicente De Bona Filho, ainda guarda o molde do rótulo da cerveja. O objeto de madeira, uma espécie de carimbo, foi talhado com as letras ao contrário, a canivete, pelo próprio imigrante italiano. Para confecção do rótulo, ele pintava as letras para estampar o papel. A família já tinha essa habilidade com madeira que trouxe de Igne.


Vincenzo faleceu em 1935 com 65 anos. Passando a família a se dedicar mais ao vinho e abandonando a cerveja.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Fábrica de cerveja Carlos Stiebler / Cervejaria Dois Leões



Após a inauguração da Estrada União Indústria em 1861, e conclusão dos prazos de contratos com a Companhia União e Indústria, os alemães reuniram suas economias e organizaram pequenas indústrias, contribuindo para que Juiz de Fora recebesse o título de “Manchester Mineira”. Entre os anos de 1861 e 1894 foram fundadas 9 cervejarias em Juiz de Fora – MG, dessas nove cervejarias, cinco criaram ao lado de suas fábricas, parque de diversões, salões para bailes, jogos e encontros familiares. Estas cervejarias, portanto, cumpriam uma função social na cidade, com áreas destinadas ao lazer e esportes e, ao mesmo tempo, garantiam a venda de seus produtos.


Em consonância com o movimento industrial que tomou conta de Juiz de Fora no final do século XIX. O mecânico alemão Carlos Stiebler, nascido em 14 de marco de 1868, em Hamburgo, foi casado com Philippina Jung Stiebler, e teve diversos filhos.

Construiu um belíssimo casarão onde fundou em 1º de janeiro de 1894 uma fábrica de cerveja que levava seu nome, situada na margem esquerda do rio Paraibuna.na Rua Botanágua 127 (posteriormente conhecida como Avenida Garibaldi e desde 1922 Avenida Sete de Setembro, hoje trecho oficial da Estrada Real)


Em 1º de maio de 1899, O Minas Gerais - Órgão Oficial dos Poderes do Estado publicou que na sessão da Junta Comercial de 11 de abril de 1899, foi deferido o registro da firma estabelecida na rua do Botanagua, para fábrica de cerveja e aguas gazozas.

    

A Cervejaria Dois Leões, era especializada em cerveja preta. Produzia a afamada cerveja “Dois Leões” além das marcas Pilsen, Morena, além da fabricação de cerveja, também produzia sodas e brauses, equipada com maquinário para arrolhar e engarrafar, além de filtros, pasteurizadores, bombas, caldeiras, tinas, barris e garrafas. A matéria-prima era importada da Alemanha, da Áustria e da Espanha.

    

Ao redor da fábrica de cerveja ele construiu um belo parque de recreação, onde aos domingos iam passear numerosas famílias. O parque foi inaugurado em abril de 1903, próximo à fábrica de cerveja. Ali se construiu um prédio destinado ao público, com um grande salão e salas espaçosas para bailes e festas. À frente da casa, foi construído um jardim, e, ao fundo, um parque com caramanchões.


Com a consolidação econômica e conseqüentemente a formação de uma “elite” alemã representativa na cidade, deu-se início a uma intensa vida social, onde os alemães, teuto-brasileiros e brasileiros se reuniam com diversos fins. Com destaque aos encontros semanais nos parques das cervejarias existentes em Juiz de Fora, com o objetivo de promover o lazer e o encontro das famílias.

A freqüente adesão a estes encontros que aconteciam em especial no Parque da Cervejaria “Dois Leões”, encorajou o então proprietário Sr. Carlos Stiebler a instalar, por sugestão do Sr. Hans Happel, assíduo freqüentador e entusiasmado com a juventude presente, alguns aparelhos para a prática de ginástica.

As primeiras práticas de ginástica ocorreram conforme já mencionado no Parque da Cervejaria Stiebler. Neste local havia um espaço aberto para diversas atividades, o que era comum em outras cervejarias, sendo um local para festas, encontros e reuniões.

Além desse espaço havia um salão de festas, fechado, onde ficavam instalados os aparelhos de ginástica, como argolas, trapézio e paralelas O incremento das atividades ginásticas no pátio da Cervejaria Dois Leões levou os frequentadores à decisão de fundar um clube de ginástica, o qual foi denominado Turnerschaft-Clube Gymnastico de Juiz de Fora no ano de 1909, o qual permaneceu na cervejaria Stiebler por alguns anos.

Em 1905, a fábrica produzia 15.000 garrafas por mês e seu capital era de 80.000$.

Dentro da propriedade havia o seu escritório, a residência da família e havia ainda a Malharia Stiebler que o mesmo Stiebler inaugurou no dia 8 de março de 1907 para fabricação de meias e camisa de malha.


Em 1907 a fábrica tinha 100:000$ de capital, força motriz de 20 CV, valor de produção de 371:000$ e 15 operários.

Em 27 de março de 1918 falece Carlos Stiebler e a cervejaria passa a ser gerenciada por sua esposa e filhos.


O Diário Oficial da União de 18 de março de 1924 publica o requerimento da Viuva Stiebler & Filhos de Minas Gerais para o deposito da marca de Cerveja Victoria, registrada na Junta Comercial daquele Estado sob nº 885.

Em 19 de outubro de 1924, a grande cervejaria Stiebler, cuja matriz era em Juiz de Fora, teve sua filial em Barbacena instalada pela firma Viúva Stiebler & Filhos. Com capacidade de 3.000.000 de garrafas de cervejas na sua produção anual. Uma das marcas da cervejaria Stiebler era a " Bavária".

A fabrica Stiebler é a antiga Saxonia, situava se na antiga extensão da rua Sena Madureira, hoje rua Benjamin Constant. Ressurgida após vários trabalhos de reconstruções com admiráveis melhoramentos no pavilhão central e dependências, além da substituição das máquinas antigas por modernas importadas diretamente da Alemanha, o seu maquinário foi montado e instalado pelo técnico Dr. Júlio Masham Nathan, com nova direção, e com pessoal habilitadíssimo.

Na filial de Barbacena existe uma fabrica de gelo que produz 5.000 kilos em cada período de 10 horas. Teve na época destaque especial a seção de lavagem, enchimento e arrolhamento das garrafas, onde eram aprontadas cerca de 8000.00 garrafas por hora.
A cervejaria Stiebler também pertenceu a Sra Rita Abranches Quintão e o Sr Vigílio Quintão.

O prédio que abrigou a cervejaria, após o encerramento de suas atividades abrigou vários comércios, alguns deles: a Casa Nilo, a Distribuidora VeV, a Madeireira São José, a Osarte tintas, a Casa da Bateria União, o Moto taxi Minas e uma Oficina mecânica nos fundos. Posteriormente foi demolido, e atualmente nada se escontra no terreno.

O Diário Oficial da União de 13 de junho de 1926 publica o deferimento do requerimento para registro da marca Cerveja Bavária pela Viúva Stiebler & Filhos.

Não sei o que levou ao encerramento das atividades em Juiz de Fora, nem em que ano foi, mas o Almanack Laemert - Administrativo, Mercantil e Industrial traz registro da cervejaria até ao ano de 1940, referente ao ano de 1939.

Com o fim das atividades industriais em Juiz de Fora, o casarão passou a ser ocupado como residência familiar, sendo adquirida pelo general do exército Wagner Pereira Werneck nos anos 40, estando nas mãos da família desde então.
Com a decisão de sua conservação, foi totalmente restaurada para abrigar uma casa de festas, onde a riqueza de detalhes da época foi rigorosamente reconstituída. Uma obra delicada e apaixonada, que durou cerca de 2 anos e meio. Com um amplo salão, cozinha industrial, copa de garçons, bar, varandões, banheiros masculino e feminino, conta ainda com instalações exclusivas para portadores de necessidades especiais, além de dois belíssimos jardins, belas janelas de pinho de riga, portas de cedro e um pé-direito de 7 metros fazem do Casarão um local especial para seu evento.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Cervejaria José Weiss



Para um melhor entendimento sobre a história dessa cervejaria é necessário algumas notas, a Cervejaria José Weiss esteve atuante durante 98 anos, 94 dos quais sob a administração da família Weiss. Seus administradores ao longo do tempo foram: José Weiss, Viuva José Weiss (Henriqueta Guilhermina Weiss), José Weiss Júnior, Eduardo Weiss, José Weiss Neto. E foi administrada nos últimos 4 anos por um grupo de empresários portugueses que mantiveram o nome. Mas vamos ao que interessa.

O imigrante alemão Joseph (José) Weiss chegou ao Brasil em 1858 com cinco anos de idade, era natural da cidade de Dalberg, estado da Saxônia na Alemanha, veio para o Brasil acompanhado de seus pais Joseph Weiss e Elisabeth Shrunk e seus quatro irmãos menores: Agnes, Elisabeth, Susanna e Phillip.

Em Juiz de Fora-MG, anos depois, casou-se com Henriqueta Guilhermina e teve onze filhos: José Weiss Junior, Jacob, Eduardo, Guilherme, Elisa, Catharina, Sophia, Gabriella, Dorotéia, Henriqueta e Maria Elisa.

Trabalhou durante algum tempo como cervejeiro na Imperial Fábrica de Cerveja Nacional de Augusto Kremer, tornando-se, em pouco tempo, sócio da firma.


Com a morte do proprietário da cervejaria Augusto Kremer em 1878, a sociedade que havia entre eles é dissolvida,em 14 de janeiro de 1879, retirando-se com o valor de seis contos de réis, que era o seu capital, acrescido de mais dez contos de réis entre valores em caixa da cervejaria e o depósito que havia na cidade de Barbacena, Minas Gerais.

Meses depois de deixar a sociedade da firma Augusto Kremer & C., José Weiss anuncia no jornal O Pharol a instalação de sua nova fábrica de cerveja, dentro do primeiro núcleo habitacional alemão conhecido como Villagem (localizado afastado do centro da cidade), situada na antiga chácara do barão de Pitangui, primo-irmão de Mariano Procópio, a qual estava aberta para arrendamento desde 1877, sob a responsabilidade da Companhia União e Indústria.


José Weiss era um exigente cervejeiro, que fabricava artesanalmente sua própria cerveja, havendo informações que as fabricadas em Juiz de Fora causavam dor de cabeça. Weiss controlava os ingredientes que eram empregados na fabricação da bebida, fazia questão que a água fosse puríssima e, além disso, importava o malte, o cânhamo e lúpulo da Alemanha.

Dentro da Villagem, a área de destaque logo se definia: A fábrica marcava o final da primitiva Rua da Colônia (atual Bernardo Mascarenhas). A rua que se tornou o polo atrativo para a elite.

O cotidiano dos alemães não era só de trabalho, das nove cervejarias existentes na cidade de Juiz de Fora, cinco propiciavam à população juizforana momentos de diversão e lazer. Eram parques, jardins, salões destinados à realização de bailes, espaço livre para jogos recreativos e brincadeiras que propiciavam o encontro de toda sociedade. Nesses espaços, assim como nas associações assistencialistas, os alemães podiam manter vivas algumas de suas tradições e, ainda, ampliar o convívio com a sociedade local.

O alemão José Weiss era muito influente, tanto entre os colonos alemães, quanto na comunidade juiz-forana. Muitas das festas da colônia, até o ano de 1892, foram realizadas nas dependências de sua cervejaria.

A Cervejaria José Weiss, foi sucesso na cidade, tornando-se ponto de encontro de imigrantes alemães e seus descendentes.

Em 1897 foi constituído o hipódromo, Prado de Juiz de Fora, nas terras arrendadas da cervejaria, mais tarde,em 1906, foi transformado em velódromo do Cicle Club Juiz de Fora.

Em volta da cervejaria, foram construídos um grande salão de festas para bailes e parque de diversão, com roda gigante, a primeira da cidade, pista para boliche e o estande de tiro do Revólver Club. Grandes eventos foram realizados no grande pátio da cervejaria. Entre eles, uma homenagem ao governador de Minas, Antônio Carlos Andrada. Era um local amplo e pitoresco no qual se faziam pic-nics animados por bandas de música, dançava-se, embriagava-se, atirava-se em pombos ou no alvo, apostava-se em corridas de cavalos, tomava-se a melhor soda da cidade.


No pátio da cervejaria, na rua Bernardo Mascarenhas, eram realizados “Biergärten”, grandes eventos onde a rainha da cervejaria, a cerveja Britannia, era servida gelada.

Em 1902, a fábrica tem uma produção anual de 60000 garrafas de cerveja e 12000 de água mineral emprega 6 pessoas e possui maquinismo para arrolhamento das garrafas e fabrico de água mineral.

Em 23 de julho de 1903, José Weiss vem a falecer e sua esposa e seus filhos continuam a gerenciar a cervejaria.

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Mais tarde, a viúva de José Weiss, além de manter a produção dos produtos já existentes iniciou a produção de uma cerveja preta especial, muito nutritiva e de sabor agradável.


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Em 16 de dezembro de 1906 é inaugurado o velódromo nas terras da cervejaria.

Em 1907, a fábrica de cerveja Weiss, em Juiz de Fora - MG, conta com 10 empregados.

Sob a administração de seu filho José Weiss Júnior foram fabricados diversas marcas de cerveja e refrigerantes
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Em 3 de junho de 1920, falecia na cidade, aos 42 anos de idade, o capitão José Weiss (josé Weiss Júnior), gerente e co-proprietário da Cervejaria José Weiss. Ficando a cervejaria a cargo do seu irmão Sr. Eduardo Weiss.


Até a década de 1920, Juiz de Fora era considerada a principal cidade de Minas Gerais, por sua pujança econômica e por seu desenvolvimento cultural. A cidade está localizada próxima ao Rio de Janeiro e vivenciou um intenso processo de modernização a partir da segunda metade do século XIX.

A cervejaria, ao longo do tempo, participou de diversas exposições tanto na cidade, quanto em outros estados e até em outros países. Esteve presente em 29 de agosto de 1886 no Paço da Câmara Municipal, apresentando seus produtos na Exposição Municipal de Juiz de Fora, participou da exposição realizada em 1907, no interior mineiro, em Leopoldina e também em 1908 na Exposição Nacional do Centenário, no Rio de janeiro, em 1910 participou da Exposição Turim-Roma e em 1921 em Londres.

Em 1947, o engenheiro Dr. José Weiss Neto assume a direção da cervejaria.

Em 2 de maio de 1948, falece em sua residência, na Rua Bernardo Mascarenhas no. 1503, o Sr. Eduardo Weiss, proprietário da Cervejaria José Weiss e diretor do Centro Industrial de Juiz de Fora.


Em 1950, O Dr. José Weiss Neto, após comprar todo maquinário moderno de engarrafamento, trouxe um dos 10 melhores mestres cervejeiros da Alemanha, Senhor Adolph Redlish e família, com isso elevou muito o nível e lançaram a cerveja Weiss Export, deixando e ser uma venda regional para se expandir para novos mercados, principalmente Rio de Janeiro, onde em pouco tempo, foi reconhecida como a melhor cerveja brasileira. A Cervejaria José Weiss ficou famosa pela cerveja choppinho, produzida no formato long neck.

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Em 1973, a cervejaria foi vendida para um grupo português, que ainda tentou manter o nome e a cervejaria funcionando sob a nova direção. Funcionou até o ano de 1977, quando foi declarada sua falência. A massa falida dos portugueses, bem como as instalações da antiga Cervejaria José Weiss foi comprada pelo empresário Luiz Ferreira Marangon Macedo. Marangon, ao adquirir a fábrica e os equipamentos muda o nome para Cervejaria Americana, sem nenhuma relação, mas com o mesmo nome da antiga Cervejaria Americana ex-Germania.