sábado, 24 de julho de 2021

Fábrica de Cerveja Leão / Cervejaria Leão Ltda.



Existiu no Rio de Janeiro/RJ uma cervejaria com o nome “leão” fundada lá pelos anos 1890, por Martins, Irmão & Cia, na Rua do Senado 172A. Em 14 de março de 1891 foi dissolvida a sociedade com a saída de Manoel José Martins Maia (a fábrica vendeu 200kg de cola de peixe, 9 pipas, 2 tinas de fermentação e uma bomba).

O Martins remanescente (José Martins Maia) fez uma sociedade com Veiga e Blanco (Veiga, Martins, Blanco & Cia) e em 12 de janeiro de 1892 começou a produzir cervejas.


Em 26 de janeiro de 1892 o Jornal do Comércio publica que na sessão de 11 de janeiro da Junta Comercial do Rio de Janeiro foi registrado o contrato social entre João José Veiga, José Martins Maia e Antonio Alonso Blanco sob a firma Veiga, Martins, Blanco & Cia.


Em 8 de novembro de 1893 o jornal O Tempo publica que na sessão de 16 de outubro da Junta Comercial foi indeferido o requerimento de registro da marca cerveja Leão por ter o emblema idêntico à marca já registrada por Alves, Bastos e Peixoto em 19 de maio de 1882. Nesse ano produz as cervejas: Stout Brazil, Especial Palle-Alle, Simples e Dupla Branca, simples Preta e Parda (cerveja Leão)

Em 20 de outubro de 1895 o Jornal do Comercio publica que o Juiz Salvador Antonio Moniz Barreto declarou a falência da firma Veiga, Martins, Blanco & Cia, estabelecida com a Fábrica de Cerveja Leão a contar de 31 de maio do corrente ano.

Em 6 de janeiro de 1896 o Jornal do Comercio publica o anúncio do leilão da massa falida de Veiga, Martins, Blanco & Cia para o dia seguinte, tendo seu término em 1897.


Em 1897 passou a pertencer a Joaquim Pereira Cortez (J.P. Cortez deve ter comprado no leilão)

Em 24 de março de 1901, Joaquim Pereira Cortez, anuncia na Gazeta de Notícias o aumento dos preços da cerveja.



Em 16 de outubro de 1902, por despacho da Junta Comercial foi registrada sob o nº 3.472, a cerveja branca marca Rei da Itália para J. P. Cortez.

Em 1903 passou a pertencer a firma Gonzales, Alonso & Cia.


Em 1º de janeiro de 1904 o Diário oficial da União publica que foi registrada na sessão de 14 de outubro de 1903 da Junta Comercial do Rio de Janeiro a marca Fábrica de Cerveja Leão.

Em 13 de outubro de 1905 falece em Portugal o Sr. Joaquim Pereira Cortez (envenenado por acidente com cogumelos).

Em 1906 A Cervejaria Leão, situada na Rua Frei Caneca nº 79, entrou em liquidação (falência), tendo terminado o processo em 1907.

Em 1907 (deve ter havido um leilão) passou a pertencer a Remesal & Iglezias (Francisco Remesal Perez e João Iglezias Rodrigues) e tendo como endereço a Rua Frei Caneca 93 (antigo 79), além do antigo endereço da Rua do Senado 260 (antigo 172 A).

Em 20 de setembro de 1907, o Diário oficial da União publica que Remesal & Iglezias registram na sessão de 31 de julho de 1907 da Junta Comercial do Rio de Janeiro a cerveja branca da marca Leão, sob o nº 5308 e na sessão de 5 de setembro de 1907 da JCRJ a cerveja parda marca Leão sob o nº 5309.

Em 7 de outubro de 1909 o jornal O Pais publica que na sessão de 23 de setembro foi deferido o pedido de registro da marca Leão Stout


Em 25 de dezembro de 1909 o jornal O pais publica que na sessão de 13 de dezembro foi deferido o requerimento de Francisco Remesal para o cancelamento de sua marca sob o nº 2.718 (pode não ter relação com a firma atual, pode ser anterior).

Em 27 de janeiro de 1915 o Jornal do Brasil publica que na sessão de 11 de janeiro foi registrado o distrato entre Francisco Remesal e Iglezias.

Em 2 de dezembro de 1915 é publicada a notícia do falecimento de Francisco Remesal em 29 de novembro.

Em 22 de outubro de 1916, o Jornal do Comercio publica que na sessão de 16 de outubro de 1916 da JC foi deferida a transferência das marcas 5.308, 5.309, 6.203 e 6.229 da firma Remesal & Iglezias para João Iglézias Rodrigues da qual é sucessor.

Em 22 de abril de 1921 o jornal O Imparcial publica a notícia do enterro de João Iglezias Rodrigues, no dia de ontem.

Em 1922 passou a pertencer a Felgueiras & Marques Ltda (Domingos Joaquim Felgueiras e Luiz Pereira Marques) que mudam a fábrica para a Praça da República 65.

O Diário Oficial da União de 1º de agosto de 1923 publica os registros feitos na Junta Comercial do RJ sob o nº 19392 e 19393 para a cerveja de gengibirra e refrigerante de frutas.

Em 14 de março de 1923, O Diário Oficial da União publica o deferimento do registro da Cerveja Leão para Felgueiras & Marques.


Na sessão de 7 de maio de 1923, da Junta Comercial do RJ, Felgueiras & Marques fizeram requerimento para que lhes seja transferida a marca registrada sob o nº 13.178>

Em 11 de outubro de 1934 é publicado no DOU que em 6 de outubro de 1934 foi desfeita a sociedade da firma Felgueiras & Marques com a retirada dos sócios Domingos Joaquim Felgueiras, que recebe a importância de Rs 25:000$000 e Luiz Pereira marques que recebe Também Rs 25:000$000;

    


Em 14 de novembro de 1934, foi feito um contrato social entre Luiz Pereira Marques e Domingos Joaquim Felgueiras para o comercio de fabrico de cerveja à Praça da república nº 65, sob a firma Cervejaria Leão Ltda, com o capital de Rs 50:000$000 com prazo indefinido. (Depto Nacional de Industria e Comércio)

Em 08 de janeiro de 1935 falece o sócio Luiz Pereira marques.


Em 13 de julho de 1935 o jornal Gazeta de Notícias publica a dissolução da firma Cervejaria Leão Ltda pela morte do sócio Luiz pereira Marques.

Em 1936, Rosalina da Conceição Pereira (viúva de Luiz Pereira marques) passa a ser sucessora da firma Cervejaria Leão Ltda e Benjamim Rodrigues adquire a parte da firma referente à Domingos Joaquim Felgueiras.

Em 5 de abril 1937 o DOU publica que foi feito um contrato social entre Benjamim Rodrigues e Napoleão Soares Pereira para o comércio de cerveja, vinhos e etc. à Praça da república nº 65 com o capital de Rs 180:000$000 com prazo indeterminado sob a firma Cervejaria Leão Ltda.

Em 14 de janeiro de 1941 o DOU publica a admissão do sócio Afonso Araujo Pinto e a retirada do sócio Benjamim Rodrigues recebendo Rs20:000$000.

Em 3 de agosto de 1962 o DOU publica o registro da cerveja Black Leão sob o nº 379.042 para Cervejaria Leão Ltda.

Em 24 de dezembro de 1965 o DOU publica o requerimento para a renovação da marca Black Leão para Cervejaria Leão Ltda.

30/06/1967 última referência encontrada.

domingo, 6 de junho de 2021

Imperial Fábrica de Cerveja de Henry Leiden & Cia




Em 1864, após o falecimento de Alexandre Maria Villas-Boas, sócio na Imperial Fábrica de Cerveja Nacional de Henrique leiden, na Rua de Matacavallos 78, na Côrte (Rio de Janeiro). Henry Joseph Leiden (Henrique Leiden) deixa Leon Leiden, seu sobrinho, gerenciando a fábrica e se retira para Recife, Pernambuco, onde tem parentes.

O cervejeiro Henry Joseph Leiden fundara e era dono de fábricas no Rio de Janeiro (desde 1848; ele é considerado o pioneiro desta indústria no Brasil) e no Recife (pelo menos, desde 1866). E era tio de Henri Quanz, alemão da Baviera, que perdera os pais ainda criança e fora morar com parentes em Paris. Henri Quanz ali se casou com uma francesa, teve duas filhas (Ana e Valentina) e, de súbito, a mulher morreu.

Leiden tinha interesses industriais no Brasil, mas morava na Europa. Precisava, especialmente, de alguém confiável para administrar a fábrica do Recife. Convenceu o sobrinho recém-viúvo Henri Quanz a vir residir em Pernambuco. E lhe arranjou a noiva que queria “colocar”: sua cunhada (dele, Henry Leiden) Dorothea Elise Kruss, coincidentemente chega ao Recife no mesmo navio em que veio o alemão August Carl Ludwig Kruss, cunhado de Henry Leiden e que acabaria se tornando cunhado de Quantz.

Em 19 de maio de 1868, o Jornal do Recife publica o contrato social feito em 9 de maio, entre Henrique Leiden, Henrique Quanz e Augusto Kruss, estabelecidos na Boa Vista com fábrica de cerveja, vinagre, vinho e outros liquidos com o capital de 56:000$000 Rs, divididos da seguinte forma:Henrique Quanz com 15:000$000 Rs, o sócio Augusto Kruss com 11:000$000Rs e o sócio Henrique Leiden com 30:000$000 RS.


Ainda em 1868, Quanz brigou com Leiden e o casal Quanz, Henri e Dorothea, se mudam para a Paraíba, onde os dois viveram o resto das vidas.

Em 30 de março de 1876, o Jornal do Recife publica que Juiz Sebastião do Rego Baros de Lacerda, em 27 de março, decretou a falência de Henrique Leiden & Cia.


segunda-feira, 31 de maio de 2021

Henrique Leiden & Cia / Imperial Fábrica de Cerveja Nacional de Henrique Leiden




Durante anos, a maior parte da cerveja consumida era importada, nos anos 1830 surgiram as primeiras experiencias de produção da bebida na cidade fazendo nascer a ideia de estabelecerem-se, nesta cidade, cervejarias.

Em 1848, Henry Joseph Leiden (Henrique Leiden) iniciou suas atividades de fabricação de cerveja na rua Princeza dos Cajueiros, passando logo após para a Rua de Matacavallos 78, atualmente Rua do Riachuelo, nessa rua, que se localiza numa região fronteiriça do centro no limite entre o rural e o urbano, a caminho da Tijuca, foi fundada uma empresa que teria maior importância e longevidade: A Fábrica de Cerveja nacional de Henrique Leiden. O proprietário nascido na Argélia, filho de pai alemão, mãe francesa e oito irmãos, era casado com Amalie Maria Christina Leiden (solteira Kruss).

Ccom o sucesso do negócio logo abriu um depósito na Rua do Cano, atual Rua Sete de Setembro facilitando a distribuição do produto. Além disso implantou um sistema de entrega em casa.

Em 1852, Henrique Leiden pede à Commissão de Industria Manufactureira da Sociedade Auxiliadora da Industria nacional, o privilégio por vinte anos para a fabricação de cerveja nesta corte. O parecer da Commissão foi de que o Sr. Leiden não merece um favor tão grande quanto pede, porém que uma indústria como a do Sr. Leiden no pé em que está, porem imperfeita, merece algum favor do governo podendo ser a concessão de um privilégio por cinco anos. Nessa época a fábrica já contava com três empregados.

Em 1853, Henrique Leiden funda uma fábrica em Petrópolis, fato comprovado pelo relatório do Conselheiro Luiz Antonio Barbosa, presidente da Colônia de Petrópolis onde afirma a existência, nesse ano, de três fábricas de cerveja (presume-se que sejam as Carlos Rey, Luiz Augusto Chedel e Henrique Leiden).

Em 27 de maio de 1855, o Correio Mercantil publica o informe de que Henrique Leiden acaba de estabelecer na Rua da Assembleia 79 um depósito de cerveja de sua fábrica. Nesse ano sua fábrica já conta com dez operários livres, sendo oito homens e duas mulheres e nenhum escravo.


Em 2 de outubro de 1858, o Jornal do Comercio publica o informe que o Henrique Leiden deu sociedade de sua fábrica à Louis Jaeger passando a girar sob a firma Henrique Leiden & Cia.


Em 17 de janeiro de 1859, o Jornal do Comercio publica o anúncio da dissolução da sociedade entre Henrique Leiden e Carlos Bernsau que girava em Petrópolis sob a firma Henrique Leiden & Cia., ficando o ativo e o passivo a cargo do sócio Carlos Bernsau (esse sobrenome aparece de diversas maneiras: Bernsau, Bernsan, Bernson, Berenson)

Ainda em 1859, Henrique Leiden vende a sua filial da “Imperial Fabrica de Cerveja Nacional de Henrique Leiden” (Henrique Leiden & Cia) Em Petropolis, na Rua Princeza Dona Leopoldina nºs 16, 18 e 20, conhecida pela população como Rua dos Artistas (depois Rua 7 de Abril e hoje rua Alfredo Pachá), para Henrique Kremer que passa a se chamar “Imperial Fabrica de Cerveja de Henrique Kremer”.

Em 7 de maio de 1861 o jornal Diário do Rio de Janeiro publica que o Tribunal do Comércio recebeu na semana passada para registrar o contrato social entre Henrique Leiden, Leon Leiden (seu sobrinho) e Alexandre Maria Villa-Boas para uma fábrica de cerveja com o capital de 32:667$394 Rs sob a firma Henrique & Cia.


Ainda em 1861, Henrique Leiden apresentou ainda outra novidade. Abriu um “[...] salão para famílias, no qual se acharão todos os sorvetes, gelados, fôetes e mais refrescos da melhor qualidade” (CORREIO MERCANTIL, 1861, p. 3). O proprietário assegurava que eram similares aos oferecidos pelas grandes confeitarias da capital. Henrique Leiden, todavia, foi um dos pioneiros do país a fabricar o “gelo artificial”11. Com isso pôde oferecer sorvete durante todo ano, além de potencializar a venda de cervejas.

Pelo decreto de 14 de outubro de 1862, depois de grande debate público, Leiden recebeu o privilégio de explorar o mercado de gelo. Nesse ano, fez várias demonstrações na Escola Central, contando com a presença de deputados, senadores e negociantes (CORREIO MERCANTIL, 1862, p. 1).

Em 3 de maio de 1864, o Jornal do Comércio publica que foi feito um contrato social entre Leon Leiden e Augusto heyn para fabricar cerveja na rua de Matacavallos 76 e 78 nesta Côrte com o capital de 45:000$000 Rs, sob a firma Leon Leiden & Cia.


Em 12 de junho de 1864 falece Alexandre Maria Villas-Boas, com isso foi desfeita a sociedade e Leon Leiden, sobrinho de Henrique, assume a firma.


Em 1866, a Imperial Fábrica de Cerveja Nacional de Leon Leiden & Cia. passa a ter como endereço a Rua do Riachuelo 76 e 78 e passa a ser uma fábrica a vapor e já conta com 32 empregados

Em 1870 é provavel que tenha ocorrido o falecimento de Henrique Leiden pois o Almanack Laemert de 1871 (referente ao ano de 1870) passa a fazer referencia à esposa de Henrique Leiden como Viúva Leiden.

Em 20 de maio de 1870 Leon Leiden convoca seus credores e avisa não ter condições de pagar suas dívidas, seus credores fizeram um acordão em que autorizavam a liquidação da firma e a venda de seus bens.

Em 5 de agosto de 1870 o Jornal do Comercio publica anuncio de leilão de carroças e animais pertencentes à fábrica de Leon Leiden.

Em 13 de outubro de 1870, atendendo requerimento do Dr. Firmo de Albuquerque Diniz procurador dos credores afirmando que não foi cumprido o acórdão, o Dr. Theodoro Machado Freire Pereira da Silva, juiz de direito da 1ª vara de comercio nesta corte, proferiu a sentença de abertura da falência a partir de 13 de setembro.

Em 12 de dezembro de 1870 o Jornal do Comercio publica o anúncio do leilão da fábrica de cerveja de Leon Leiden no dia seguinte, dia 13.

Em 1º de agosto de 1872 o jornal A Nação publica um anúncio para recebimento do rateio da massa falida de Leon Leiden.

Em 1873, a Imperial Fábrica de Cerveja Nacional de Leon Leiden & Cia. passa a ter como responsável a viúva de Henrique Leiden, Amalie Maria Christina Leiden.

Em 5 de março de 1874, o Jornal do comércio publica que o Tribunal de Comércio Administrativo na sessão anterior passou carta de reabilitação à Leon Leiden.

Em 24 de junho de 1891 o Jornal do Comércio publica o aviso do falecimento de Leon Leiden no dia anterior>


sábado, 3 de abril de 2021

Fábrica de cerveja de Carlos Franke




O casal de emigrantes Johann Karl Friedrich Franke e Maria Margaretha Franke chegaram ao brasil em 1824, seus filhos, nascidos em Estancia velha foram os seguintes: Charlotte em 05 de julho de 1832, Johanna em 26 de setembro de 1833, Peter em 11 de setembro de 1839, Katharina em 21 de janeiro de 1841 e o caçula Philipp Karl Franke (Carlos Franke) em 28 de março de 1843.

Philipp Karl Franke (Carlos Franke) já morando em Pelotas – RS, casou em 15 de outubro de 1882 com Adolphine Ebling, nascida em Estancia Velha-RS, em 22 de junho de 1865, dessa união nasceram 10 filhos. Em 1893 Philipp Karl estabeleceu uma cervejaria em Pelotas, na Rua 25 de Março, hoje Rua Dr. Amarante, esquina de Rua Manduca Rodrigues, hoje Rua Prof. Dr. Araújo, onde produzia a cerveja Lager-Bier.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Fábrica de Cerveja Guilherme Griese / Fábrica de Cerveja e Águas Minerais Marca Estrella



Imagens de Minas - Juiz de Fora – Manchester Mineira.
Luis José Stehling - Juiz de Fora a Companhia União Indústria e os Alemães.

Fundou, então, a Companhia União Indústria, com a emissão de quinhentas ações no valor de Rs. 500$000 cada uma e o problema que se impunha era a infraestrutura humana, fabril e de manutenção. Assim foram contratados técnicos gabaritados para a supervisão dos serviços e pessoal credenciado para atuar nos escritórios.

A Companhia União e Indústria lutava com dificuldades para iniciar a construção da estrada macadamizada, devido a falta de artífices especializados. Por isso resolveu contratá-los na Alemanha e nomeou como seu preposto do Sr. H. F. Eschels, o qual teve todos os poderes para fazer em nome do Diretor Presidente da Companhia União Indústria os contratos dos primeiros artífices nas seguintes especialidades: mecânicos, fundidores, ferreiros, folheiros, ferradores, segeiros, seleiros, carpinteiros, marceneiros, pontoneiros, pedreiros, pintores e oleiros. Foram contratados 1193 imigrantes alemães que com a finalização das obras criaram um núcleo colonial voltado para a produção de gêneros agrícolas que deu origem à Colonia D. Pedro II, hoje atual bairro São Pedro em Juiz de Fora, MG.

No dia 11 de outubro de 1855 foi assinado o contrato com o artífice de seges, Carl Heinrich Julius Griese, que teria como função, toda obra de seu oficio, ou seja, caixas de seges, carruagens, carro de correio, assim como toda obra nos carros de correio e carretos. O contrato tinha duração de dois anos, a partir da sua chegada a Juiz de Fora, cobria todas as despesas de transporte até sua chegada nesta cidade, a empresa oferecia a hospedagem como sua alimentação durante os dois anos. E no caso de suspenção do contrato por parte da empresa ela deveria pagar uma indenização do duplo importe do valor da passagem e despesas para retorno a Alemanha. A remuneração seria de Rs. 2$000 (Dois mil reis) mensais, pagos ao final de cada mês.

Carl Heinrich Julius Griese nasceu em 3 de julho de 1826, na cidade de Preetz, Ducado de Schlswig-Holstein, região que pertenceu à Dinamarca, e posteriormente foi anexada à Alemanha. Filho do ferreiro Frederico Clemente Griese e Cristina Dorotéa Hennitz, foi batizado ao atingir a idade de 20 anos e aboliu o primeiro nome Carl.

No dia 02 de novembro de 1855 partiu a bordo do veleiro “Antilope”, da cidade de Hamburgo, junto com os primeiros imigrantes alemães com destino a Juiz de Fora. Chegaram ao Rio de Janeiro, no dia 28 de dezembro do mesmo ano, depois de 56 dias de viagem, onde pegaram um vapor até porto de Estrela no fundo da Baia da Guanabara. Por terra subiram a serra da Estrela, passaram por Petrópolis, Paraiba do Sul, para finalmente chegarem a Juiz de Fora no dia 07 de janeiro de 1856.

Depois de ter vencido o prazo do contrato com a empresa União Indústria Henrique Julios Griese, continuou a trabalhar como segeiro, por conta própria, montando uma oficina, no morro da Gratidão (atual morro da Gloria), em frente à cervejaria Kremer, e nesta oficina fabricou carros e carroças estilo “Camponês do norte da Alemanha”. Chegou a organizar um serviço de transporte de mercadoria entre Juiz de Fora e Petrópolis.

Pelo fato de ter pertencido a turma de primeiros imigrantes a chegar em Juiz de Fora, prestou muita ajuda aos demais colonos alemães, que vieram posteriormente, principalmente com interprete da língua portuguesa. Com isto tornou-se um dos lideres da colônia alemã em Juiz de Fora, sendo intermediador de muitas desavenças.

Depois de alguns anos já no Brasil, casou-se com Dorotéa Sofia Schröder, também imigrante, nascida na cidade de Holstein, e como seu marido uma cidade que pertencia ao reino da Dinamarca e foi anexada a Alemanha.

Depois que casou largou a função de segeiro para ser comerciante. Comprou da Companhia União e Indústria o prédio da antiga “Estação de Diligencia” onde montou um grande “ EMPORIO”, onde vendia produtos importados da Alemanha, principalmente produtos natalinos, ocupação que exerceu até sua morte em 1917.

Heinrich Julius Henrique e Dorotéa tiveram vários filhos, mas somente seis chegaram a idade adulta, não sei a ordem de nascimento, são eles:
Catarina que casou com um Newbauer, com isto seus descendentes devem ter perdido o sobrenome Griese.
Cristiano que casou com Luiza Krambeck, não teve descendentes.
Cristina que casou com João Krambeck, e como Catarina seus descendentes perderam o nome Griese Cristina teve 3 filhos, Herta, Wille e Erich.
Felipe Sebastião que casou com Olga Maria Cathoud e tiveram 5 filhos, Olga Helena que morreu ainda bebê, Pedro Paulo, Sophia Matilde, Maria Cecilia e Celia.
Carolina que casou com Nunes, seus descendentes perderam o sobrenome Griese
Frederico Guilherme casou-se foi proprietário de uma cervejaria em Juiz de Fora, a Cervejaria Estrela (Fábrica de Cerveja e Águas Minerais Marca Estrella de Guilherme Griese).


As fontes não apontam o ano em que surgiu a Cervejaria Estrella. Sabe-se que era localizada no morro da Gratidão, atual Avenida dos Andradas, e pertenceu à família Griese, em especial a Henrique Julios Griese, chefe da família, ficando depois sob a responsabilidade de seu filho, Guilherme Griese. Mas com certeza já existia em 1896 conforme o demonstra este anúncio publicado no jornal "Correio de Minas" no dia 3 de junho.


Em 1899 o Almanach de Juiz de Fora publicou uma propaganda da Fábrica de Cervejas e Águas Minerais:

Nada se sabe sobre o encerramento desta fábrica, mas tornamos a encontrar referência no ano de 1933 e agora em Belo Horizonte, sobre Guilherme Griese.

Em 1933, o pastor Viktor Schwanner que era pastor em Juiz de Fora resolveu vir a Belo Horizonte para fazer uma visita aos evangélicos alemães para tratar da fundação de uma igreja luterana. Ele passou uns 10 dias fazendo visitas, fez publicar o seguinte convite:
"Aos evangélicos alemães em Bello Horizonte e arredores!.
Na quarta-feira, dia 25 de janeiro de 1933 haverá á noite, ás 7:30 horas, na Igreja Batista, á Avenida Paraoapeba, 1962 (Bonde: Calafate) um culto evangélico, para o qual todos os de fala alemã são convidados cordialmente. A seguir, depois do culto,todos os interessados são convidados para uma reunião na casa do sr. Wilhelm (Guilherme) Griese (Cervejaria União, Rua Juiz de Fora) para deliberar sobre a fundação de uma comunidade evangélica alemã em Bello Horizonte.
Viktor Schwaner – Pastor da Comunidade Evangélica Allemã em Juiz de Fora."

E no dia 25 de janeiro de 1933, às 19:30h, realmente aconteceu o primeiro culto na Igreja Batista do Barro Preto. Umas 70 pessoas estiveram presentes naquele culto. Depois do culto, o pastor Schwanner e umas 40 pessoas foram até a rua Juiz de Fora, para o prédio da Cervejaria União de propriedade do sr. Guilherme Griese e ali aconteceu a Assembleia de fundação da CECLBH. Oficialmente a igreja não começou no culto, mas na cervejaria. A promessa do pastor Schwanner era que a Igreja da Alemanha enviaria um pastor para Belo Horizonte. Depois ele voltou para Juiz de Fora.


domingo, 6 de setembro de 2020

Companhia de Cerveja Guanabara / Cervejaria Guanabara / Cervejaria Polonia - Viveiros & Cia / Cervejaria Polonia Ltda.




Em 22 de maio de 1890, através do Decreto 410 /1890 foi concedida permissão a Emilio Paulo de Lima Barbosa para organizar uma companhia sob a denominação de Companhia de Cerveja Guanabara.

Em 27 de maio de 1890, foi constituída a Companhia de Cerveja Guanabara, tendo como endereço à Rua São Francisco Xavier nº 13, na Capital Federal dos Estados Unidos do Brazil, uma sociedade anônima, para explorar o fabrico e o comercio tanto de cerveja como de gelo, aguas gazosas e bebidas fermentadas, que forem permitidas pela Inspetoria Geral de Higiene à cuja analise serão previamente submetidas. Com um capital social de cento e cinquenta contos de réis (R$150:000$000) dividido em setecentas e cinquenta ações de duzentos mil réis (R$200$000), sendo nomeados diretores para o primeiro quadriênio Emilio Paulo de Lima Barbosa e Joaquim Palha de Faria Lacerda.

Em 1891, foi alterada a numeração da Rua São Francisco Xavier e o endereço da Companhia de Cerveja Guanabara passa a ter como endereço os nºs 31 e 33.

Em 23 de dezembro de 1892 é inaugurado o jardim com um grande viveiro de pássaros e o bar da fábrica. Neste ano a Companhia de Cerveja Guanabara produz cerveja especial, dupla e parda, branca simples e preta.

    

Em 26 de outubro de 1893, através do Decreto 1576, é aprovada a reforma dos estatutos votada pela Assembleia Geral de acionistas em 20 de junho último e que elevou o prazo de duração da sociedade para 20 anos.

Em 20 de dezembro de 1894, foi decretada pelo juiz Salvador Muniz Barreto Dantas, a liquidação forçada (falência) da Companhia de Cerveja Guanabara através da ação movida em 28 de outubro pelo Banco Iniciador de Melhoramentos e pela Companhia Mercantil e Hypothecaria.

Em maio de 1895, é anunciado o leilão, constando de terreno e prédios de nºs 31 e 33 da R. São Francisco Xavier, onde possuía grande chácara com jardim e pomar, com 66m de frente por 258m de fundo, toda iluminada por bicos de gás, casa de porteiro, chalet com 4 quartos e dois gabinetes, grande cocheira, armazém com 25m de comprimento por 7m de largura, afora o prédio da fábrica em si com 66m por 15m e 9m de altura. Vasta maquinaria importada, 150 mesas de mármore e 600 cadeiras e anexos próprios do ramo.

O leilão foi arrematado pela firma Viveiros & Cia., formada pelos sócios Willian Roberto Lutz, Arnaldo Octávio Lutz e Américo Duarte de Viveiros.

Em novembro de 1897, é inaugurada a Cervejaria Guanabara (Viveiros & Cia), totalmente remodelada, com maquinismos novos e diversas modificações, produzindo a cerveja Rio-Brau,


Em 25 de janeiro de 1898, é requerido o registro das marcas de cerveja Rio-Brau e Carioca Brau na Junta comercial do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, na Exposição de Higiene e Alimentação Pública, realizada em Hamburgo, recebeu medalha de ouro.

Em 14 de fevereiro de 1898 são registradas na Junta comercial do Rio de Janeiro as marcas de cerveja Rio-Brau e Carioca Brau. Sob os números 2572 e 2573 respectivamente.

Em 1909 devido a alteração de numeração na Rua São Francisco Xavier a Cervejaria Polonia que tinha como endereço os nºs 31 e 33 passa a ter como endereço os nºs 175 e 181.

Em 23 de julho de 1912, o Jornal do Comércio publica que, com a saida do sócio Arnaldo Octávio Lutz, na sessão de 11 de julho de 1912 da Junta Comercial do Rio de janeiro foi registrado o contrato comercial entre William Roberto Lutz e Américo Duarte Viveiros para o comercio de cerveja que fabricam à Rua de São Francisco Xavier 175/181 com o capital Rs 300:000$000 (trezentos contos de reis) sob a firma Viveiros & Cia.

Em 3 de junho de 1913 na sessão da Junta Comercial do RJ é registrada a Cerveja Caboclinha sob o nº 8818.

Em 16 de agosto de 1916 é registrada na JCRJ sob o nº 11462 a alteração do rótulo da Cerveja Caboclinha.

Em 21 de agosto de 1916 são registradas na JCRJ sob os nºs 11481 e 11482 as marcas de cerveja Triestina clara e escura respectivamente.

Em 23 de agosto de 1918, é renovado o registro da cerveja Polonia sob o nº 3.614 da JCRJ.

Em 7 de novembro de 1918, é feito o registro da cerveja Viva o Brasil sob o nº 13616 da JCRJ.

Em 15 de agosto de 1919, o Jornal do Comércio publica que na sessão de 7 de agosto de 1919 da Junta Comercial do Rio de janeiro foi registrado o contrato comercial entre William Roberto Lutz, William Roberto Marinho Lutz e Américo Duarte Viveiros para o comercio de cerveja que fabricam à Rua de São Francisco Xavier 175/181 com o capital Rs 800:000$000 (oitocentos contos de reis) sob a firma Viveiros & Cia.

Em 21 de agosto de 1919 o Diário Oficial da União publica a dissolução da sociedade Viveiros & Cia, pela retirada do sócio Américo Duarte de Viveiros recebendo a importância de Rs100:000$000 (cem contos de réis), ficando o ativo e o passivo com o sócio William Roberto Lutz.

Em 11 de setembro de 1919, o jornal Correio da Manhã publica a organização de uma nova sociedade sob o nome de Cervejaria polonia Limitada composta pelos sócios William Roberto Lutz, William Roberto Marinho Lutz e Aristides Peixoto de Abreu Lima.


    
Em 17 de outubro de 1919, a Cervejaria Polonia Limitada requer lhe sejam transferidas as marcas registradas nesta junta:sob ns. 5.703, 7.198, 10.780, 11.402, 11.481, 11.482, 13.614, 13.616 antes registradas por Viveiros & Cia.

Em 16 de julho de 1930, o periódico O Jornal publica que na sessão de 12 de julho de 1930, da Junta Comercial do Rio de janeiro foi registrado o contrato comercial entre William Roberto Lutz e William roberto Marinho Lutz para o fabrico de cerveja à Rua de São Francisco Xavier 175/181 com o capital Rs 1.300:000$000 (hum mil e trezentos contos de reis) com prazo indeterminado sob o nome de Cervejaria Polonia Limitada.

Em 4 de dezembro de 1944, falece Arnaldo Octávio Lutz.
Em 30 de janeiro de 1946, falece William Roberto Lutz.
Em 10 de junho de 1961, falece com 96 anos, Américo Duarte de Viveiros.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Astro Beer Company / Cervejaria São Paulo Ltda.



Baseado no texto: "Astro Beer" - publicado no Brasil Chapter News - nº154 - setembro de 2010.

Octávio Augusto Slemer, empresário do ramo de informática desde 1975 foi um dos pioneiros na importação de softwares para microcomputadores e redes, gerente da datalogica que comercializava o DBase, o primeiro banco de dados usado em grande quantidade nos microcomputadores.

Slemer, em várias viagens ao exterior vislumbrou o movimento de renascimento de cervejas especiais de alta qualidade, começou a conhecer os brewpubs, cada um com sua característica, cada um com sua variedade de cerveja.

Foi obrigado a mudar seu ritmo de vida, devido a um problema cardíaco e uma ponte de safena, aí começou sua vida de cervejeiro , passou a pesquisar e obter informações sobre o mundo da cerveja.

Em 1995, Octávio fundou a Astro Beer Company e lançou em dezembro a cerveja Astro, cerveja pilsener de produção limitada. O lançamento foi no Brew Pub em São Paulo, Brasil, onde seu criador aproveitou a deixa para lançar também seu livro “Os Prazeres da Cerveja” pela editora Makron.

A Astro trazia algumas novidades muito inovadoras para a época. A primeira era ser uma cerveja nitrogenada produzida em pequena escala e sem aditivos. A primeira cervejaria que produziu a Astro foi a Cervejaria Sul Brasileira (mudou o nome em 1999 para Cervejaria Colônia é atualmente INAB) que havia acabado de ser fundada por Jaime Gatto e Saul Brandalise na cidade de Toledo. Paraná, Brasil.

A segunda novidade é que embora a maior parte da população não tivesse acesso à internet, somente alguns poucos privilegiados que conseguiram ter uma conta na Embratel a cerveja já era divulgada e comercializada pela internet. As contas comerciais da internet no Brasil foram liberadas em meados de 1995 e a cerveja lançada em dezembro desse ano. A Cervejaria Astro está permitindo que usuários da rede mundial de computadores Internet se comuniquem com a empresa e encomendem cerveja por meio de sua página na World Wide Web. O serviço também oferece informações sobre a Astro Beer Company e acesso às outras páginas da Web que falam especificamente sobre cerveja. O endereço da Astro na web – www.astro.com.br. Esse endereço web não é mais ocupado pela Astro.

O histórico da atividade cervejeira em Boituva – São Paulo, remonta ao final dos anos 90 com a chegada ao local da família de Octávio Augusto Slemer. E mais especificamente em 1997, Slemer funda em Boituva a Cervejaria São Paulo Ltda e passa a fabricar a cerveja Astro.

A Astro, não teve aceitação no mercado por se tratar de uma cerveja fora do padrão Pilsen popularizado no Brasil, nessa época as mudanças de paladar do consumidor brasileiro ainda não haviam sido difundidas.

Diante desse fracasso na produção de uma cerveja especial, Slemer vende as instalações para a família Momesso que também não expandiu a produção de cerveja na cidade que ficou estagnada até a aquisição da fábrica pelo grupo Petrópolis em 1999. Após a aquisição é lançada a marca Crystal e se deu início ao processo de modernização de toda linha de produção.

A cerveja foi comercializada apenas em garrafas de 600 ml e apenas 6 latas, como teste, foram produzidas e não foram envasadas.

Conhece-se 3 rótulos dos anos de 1995 a 1997 produzidos para a cervejaria em Toledo no Paraná e apenas um da Cervejaria São Paulo em 1997/8 e uma lata-teste pertencente ao colecionador Gustavo Pareja.