27 março 2011

Cervejaria Gambrinus / Estabelecimento Industrial Mineiro


http://www.fiemg.com.br/bh100/hist-8.htm


Natural da região de Comacchio, na Itália, Paulo Simoni chegou ao Brasil em 1882, com 9 anos, juntamente com mais dois irmãos, para se reunir ao pai e a irmã casada, que aqui haviam se estabelecido.
Inicialmente, estabeleceu-se com a família no Rio de Janeiro, onde trabalhou em um moinho de trigo. Após ser vitimado pela febre amarela, transferiu-se para o interior, seguindo conselho médico, adotando a cidade de Juiz de Fora como sua nova residência, a partir de 1892.

Nesta cidade, após dedicar-se ao comércio de gêneros alimentícios, iniciou sua carreira como industrial, ao fundar uma pequena fábrica de massas e posteriormente, assessorado por um químico alemão, organizou uma fábrica de vinhos e licores finos.

O sucesso do empreendimento levou Paulo Simoni a buscar o que havia de mais moderno em termos idéias e de equipamentos na Europa. Ao vender suas fábricas, conseguiu os recursos necessários para a viagem, deixando montada uma charutaria e um armazém para os irmãos. Decidiu na mesma época, que, ao retornar da Europa, não mais fundaria indústria congênere naquela cidade.

Em 1907, realizou o seu objetivo, durante a viagem de estudos e negócios realizada à Itália, Suíça, França e Alemanha, onde conheceu o que havia de mais novo em maquinário para a produção de massas, licores, refrigerantes e cervejas, além de equipamentos para os setores de cerâmica e marmoraria.

De volta ao Brasil, enquanto aguardava a chegada de seus equipamentos, estabeleceu-se em Barbacena com planos de conseguir incentivos do poder municipal para seu novo empreendimento.

No mesmo ano de 1907, em visita à Belo Horizonte, a nova capital do Estado, percebeu que o local era propício para a instalação de seus negócios, uma vez que não havia recebido nenhum retorno das autoridades de Barbacena.

A política de incentivos ao desenvolvimento industrial, implementada com o Decreto n. 1.516, de 2 de maio de 1902, assinado pelo prefeito Bernardo Monteiro, foi fundamental para a instalação de diversas indústrias na capital mineira e contribuiu para a definição de Paulo Simoni por esta localidade O decreto previa doações de terrenos, isenção de impostos e fornecimento gratuito de energia elétrica. As indústrias se fixaram na Praça da Estação, que foi a primeira região industrial da cidade, atraídas pela facilidade de transporte de matérias primas e equipamentos.
Favorecido pelo Decreto de 1902, adquiriu terrenos próximos à Estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, iniciando a construção do que viria a ser um "império industrial" para a época. Apesar das instalações destinadas a destilaria, massas, tintas de escrever e bombons não estarem concluídas, instalou provisoriamente um motor a vapor para viabilizar a produção, chegando a trabalhar inclusive à noite, sendo para isto a fábrica iluminada a luz elétrica.

Em 1908, casou-se com Emma Mellis Belgrano, com quem teve seis filhos. Vencidas as dificuldades iniciais de transporte do equipamento importado da Europa, seu empreendimento apresentava indícios de prosperidade nos anos de 1908 e 1909.

Foto de 1911
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Sua linha de produtos, bastante diversificada, obedecia aos rigores dos processos mais aperfeiçoados, acionados por maquinismo moderno e um motor elétrico, de 50 cavalos.


Trabalhavam em suas diversas seções cerca de 40 empregados, responsáveis pelo fabrico dos seguintes artigos: massas brancas e amarelas, cervejas, águas minerais, licores de sabores variados, vinho branco, vinagre, chocolate, doce, cigarro e charuto. Dedicava-se também a produção de fubá e a refinação de sal. Foi também pioneiro na fabricação de confeti no Estado.

O estabelecimento compunha-se de um grande salão, onde ficava o depósito das massas alimentícias, outro, onde era feito o acondicionamento e o depósito de sacos. Para a produção mensal de aproximadamente 30.0000 Kg. de massas, possuía prensas duplas, prensas para massas finas e amassadeiras automáticas.
A fábrica de cerveja, que levava o nome de Cervejaria Gambrinus, dispunha de destiladores, esfriadores e uma grande caldeira, com capacidade para 2.000 litros. Em sua produção mensal de 12.000 garrafas, sobressaíam-se as marcas "Excellente", "Pretinha" e "Gambrinus".

Em 3 de outubro de 1924, foi alterada a denominação de Avenidas e Ruas através da Lei 281, que em seu Art. 4º, reza que terá o nome de "Aarão Reis" a rua sem actual denominação na planta, e que é geralmente conhecida como rua da Estação.

A destilação do vinagre e demais bebidas era feita por diversas máquinas e filtros, utilizando como matéria-prima apenas aguardente fermentada com açúcar de cana. Dentre as bebidas, podem ser citadas xaropes, laranjinhas, aniz, biter, fernet e vermouth.

Obteve junto à Prefeitura a concessão de um terreno de 5.400 metros quadrados, por um prazo de 10 anos, situado nas proximidades da Estação, para a construção de um moinho de trigo. Porém, por questões alheias a sua vontade, não conseguiu efetivar essa produção tão importante para o desenvolvimento industrial da capital.
O nome de Paulo Simoni, bem como do Estabelecimento Industrial Mineiro, foram difundidos em todo o país, pela solidez do empreendimento e a excelência dos produtos, que eram exportados não só para o interior mineiro como para outros Estados.

O reconhecimento de seu trabalho, esforço e dedicação em favor da indústria foi traduzido pelas inúmeras premiações recebidas em várias exposições nacionais e internacionais, onde era sempre convidado a participar. Em 1941, mudou o nome de sua empresa para Indústrias Reunidas Paulo Simoni Ltda.

Data deste mesmo ano, o seu falecimento.

Atualmente, seus sucessores dedicam-se ao setor de construção civil.

19 março 2011

Cervejaria Knudsen / Steglich & Werner / Ernesto Werner


Texto: Ademar Campos Bindé - Jornal O Reporter - 29 de maio de 2010.
Fotos: Coleção Família Beck - Acervo MADP

Nos primeiros anos da colonização de Ijuí a liderança na produção de bebidas era ocupada pelas fabriquetas de cachaça e vinho. De acordo com um levantamento no ano de 1914 existiam 50 fábricas de cachaça e 51 de vinho. Esses números sofreram significativas oscilações nos anos seguintes.

Uma das consequências desse número de fábricas de cachaças e vinho leva os produtores a um processo de aglutinação, a fim de enfrentar a concorrência de fora que começava a ser sentida.

Paralelamente começaram a surgir estabelecimentos que se dedicavam a fabricar outras bebidas, entre as quais se destacavam as fábricas de cerveja e gasosa. Um dos pioneiros foi Henrique Knudsen, que se torna um dos mais fortes fabricantes de bebidas.


Em 1917, Henrique Knudsen participa com sua produção de cerveja na 8ª exposição realizada em Pelotas pela Sociedade Agricola-Pastoril do Rio Grande do Sul, recebendo menção honrosa especial.


No ano de 1924, ele vende sua fábrica que se localizava na esquina da Rua do Comércio com a Rua Tiradentes para Steglich & Werner.

Quatro anos depois, 1928, Ernesto Werner torna-se o único proprietário da cervejaria.

Ernesto Werner tornou-se um dos mais conhecidos cervejeiros de Ijuí. Ele era nascido no atual município de Vera Cruz (antiga Vila Tereza, 2º distrito de Santa Cruz do Sul), no dia 19 de maio de 1899, filho do imigrante alemão Adolf (Adolfo) Werner e de Carolina Zíper Werner, natural deste Estado.

Ernesto Werner veio para Ijuí em 1918, ingressando na firma Bernardo Gressler S/A. Aqui casou com Anna Ella Steglich. Depois do casamento resolveu seguir os passos do pai que era cervejeiro e começou a montar uma cervejaria e fábrica de refrigerantes, que algum tempo depois passou também ao engarrafamento de vinhos finos, aguardentes e outros derivados.


A fábrica de Ernesto Werner, já instalada na Rua Tiradentes nº 611 nas proximidades da atual sede do Fórum, na sua fase áurea contava com cerca de 20 funcionários. O cervejeiro era o que tinha a função mais qualificada, enquanto os demais se dedicavam especialmente no engarrafamento e lavagem de garrafas, operação essa, na qual era utilizado um tambor acionado por energia elétrica. Além de produzir cerveja e gasosa, Ernesto Werner passou também a explorar a industrialização da água mineral Fonte Ijuí. Aos poucos ele deixou de produzir cerveja e passou a revendedor da Companhia Cervejaria Brahma, continuando com a fabricação de refrigerantes.

Com o correr dos anos passou a ser distribuidor da Continental e da Antarctica além da Brahma. Essa situação não durou muito tempo.

A exigência da Brahma de que comercializasse seus refrigerantes e também o mercado cada vez mais competitivo levou ao fechamento da fábrica no ano de 1961.

Em 22 de março de 1962, Ernesto Werner veio a falecer, ficando a atividade comercial a cargo de Bertholdo Rieger e Arno Wuttig, onde conseguiram se manter até 1971.

09 março 2011

Cervejaria Otto Jennrich


Texto: José Ferreira da Silva - Blumenau em Cadernos - Tomo III - nº9 - Setembro de 1960 - www.arquivodeblumenau.com.br

Imagens:Fotos Antigas Blumenau



Em 15 de julho de 1868, chegaram em Blumenau-SC Ludwig Jennrich e sua esposa grávida, quatorze dias, depois, no dia 29, nascia Otto Jennrich no Barracão de Imigrantes. A família acabou por se radicar em Warnow (povoado bem distante que fazia parte de Blumenau, atualmente faz parte de Indaial), ocupando o lote que haviam adquirido.

Em 1882, com 14 anos de idade, Jennrich veio para Blumenau para ficar três meses na casa de Carl Friendenreich, após esse tempo empregou-se na Cervejaria Hosang, em Blumenau no bairro de Altona, atual Itoupava Seca, onde trabalhou de 1883 a 1891. Era ali muito estimado, tanto que a filha de H. Hosang, Clara, deveria casar-se com ele. Esse casamento, entretanto não se realizou, tendo Clara Hosang se casado com o Conde Von Westarp.

Por volta de 1891, tendo adoecido gravemente de "câmaras de sangue" (desinteria sanguínea, talvez originada por amebas), Jennrich foi despedido.

Era um dia chuvoso quando ele, de trouxa de roupa sob o braço, passou diante da casa de Pershun, a caminho da casa dos pais,em Warnow, a pé. Vendo-o, Gustavo Pershun Sênior, perguntou o que havia acontecido. Como os dois já eram conhecidos, Jennrich pô-lo ao corrente do que sucedera e como sofria da moléstia que o atacara.

Pershun, em face da situação do amigo, que de forma alguma poderia chegar a pé até a casa dos pais, convidou-o a permanecer em sua casa, tendo lhe mandado preparar uma cama e mandado chamar o medico, Dr. Valloton. Este declarou grave o estado do doente. Jennrich esteve durante quatro semanas em tratamento, sob cuidados médicos na casa de Pershun.

Mais tarde, Depois que se restabeleceu em 1891, Jennrich tornou-se independente quando comprou de August Daniel Persuhn um terreno junto com uma casa de madeira e a taberna de Daniel August Pershun, pai do alfaiate Gustavo Pershun, onde construiu uma pequena cervejaria com uma capacidade de produção de 250 garrafas por caldeirada de cerveja.
A primeira cerveja fabricada por Jennrich foi servida em um baile no Salão Liesenberg, na Itoupava Norte, no dia 9 de maio de 1891, transportada por Jennrich e Pershun dentro de uma bateira, pelo rio. À meia noite tornaram a mandar buscar mais cerveja.


Jennrich ficou hospedado na casa de Pershun até o ano de 1893, desta forma Jennrich começou sua vida, auxiliado por Daniel e Gustavo Pershun: Vem daí a amizade muito grande que sempre uniu Gustavo Pershun e Jennrich.
Em 1897, comprou a casa com cozinha dos irmãos Persuhn e com o assentamento da pedra fundamental em 17 de março de 1897 começou a construir sua nova casa e uma cervejaria para produzir 2.000 garrafas por caldeirada de cerveja. Assim que terminou a construção, Jennrich mandou buscar os seus pais em Warnow. A mãe cuidava dos afazeres da casa, cozinhando ao mesmo tempo para os empregados da cervejaria.


A Cervejaria Jennrich, de Itoupava-Sêca, que por vários lustros, foi o ponto de reuniões alegres dos apreciadores de cerveja daquele bairro. Mesmo de Blumenau, não poucos apaixonados da loura bebida, se reuniam no bar, que Jennrich preparara num compartimento da fábrica, mobiliado a capricho, à moda das tradicionais "Bierstube" da legendária Munique, com os seus jarros e canecões de barro e porcelana lavrada, ostentando figuras e legendas, ora sérias, ora brejeiras, com chifres e cabeças de veado e de outros animais enfeitando as paredes.

Ali as horas decorriam céleres, em barulhentas tertúlias, pela noite a dentro, sob o estourar das rolhas bombardeando o teto, donde guirlandas pendiam. Ao alto da entrada, a decantada frase latina, que os leitores já conhecem "Cerevisiam bibunt homines; coetera animantia bibunt ex fontibus", os homens bebem cerveja. O gado bebe água da fonte.

Quando a pressão subia além do normal, começavam as cantorias. A princípio, ordenadas, cadenciadas e harmônicas. Depois, e à proporção que o calor aumentava, iam a todas as escalas da desafinação, em sustenidos incríveis, ou em baixos tétricos e sepulcrais.

Era, além de bom cervejeiro, homem de bastante leitura e tinha grande paixão pelas coisas do passado blumenauense. Assim é que, à própria custa, construiu, em terreno fronteiro ao da cervejaria, um pequeno sobrado em que instalou um museu. Ali se via uma infinidade de objetos de raro valor histórico e etnográfico, como flechas, arcos e outros apetrechos dos botocudos que infestavam o Vale do Itajaí; exemplares de plantas exóticas, coleções de insetos e de moedas, minerais, fotografias antigas, rótulos de produtos industriais, enfim uma série enorme de pequenas coisas relacionadas com os primeiros tempos da colônia, com os seus fundadores e povoadores, com as nossas riquezas naturais, o "Museu Jennrich" era tão ou mais conhecido e apreciado quanto a sua cerveja.


Com o início da aplicação dos selos de 40 réis a partir de 1º de maio de 1898, os vários cervejeiros em Blumenau de comum acordo majoraram a cerveja que custava 240 réis, conforme comprova o anúncio feito no jornal “Blumenauer Zeitung”, em 21 de maio de 1898
"Aumento preço cerveja – sábado, 21 de maio de 1898 – Os cervejeiros abaixo assinados comunicam à distinta freguesia que a garrafa de cerveja a partir de agora custará 300 réis à vista. Ass.: Gustav Brandes, Carl Rischbieter, August Germer, Otto Jenrich e Schossland e Hosang."

Esta era vendida, sob vários nomes, como a "Estrela", a "Polar", a "Kulmbach", preta, em meias garrafas. O seu custo era, geralmente, de 400 réis a garrafa.

Quando Adolfo Schmalz, Hans Lorenz e Victor Gaertner instalaram um cinema em Itoupava-Sêca, a entrada, que custava 1$200, dava direito a três garrafas de "Jennrich-Einfach", bebidas no próprio salão de projeção, enquanto se apreciavam as fitas de Max Linder, de Waldemar Psilander, quase sempre ao lado de Asta Nielsen.

Jennrich tinha as suas esquisitices e era de gênio reservado, pouco comunicativo, apesar de, não raro, ter que sentar-se à mesa dos apreciadores da sua cerveja e, com estes, afundar-se na conseqüente e comunicativa alegria. Andava quase sempre de tamancos. E quando era obrigado a usar sapatos, adquiria-os sempre de um ou dois números maiores que os dos pés, pois tinha verdadeiro pavor de senti-los molestados. Nunca se casou. Viciara-se no uso do cachimbo e do fumo em corda. Chegou, até, a idealizar e construir uma máquina para picar fumo. A esse respeito, conta-se que, certa feita, quando movimentava a sua máquina, fê-lo com tanta infelicidade, que decepou, totalmente, as duas primeiras falanges do indicador direito. Sem se alarmar grande coisa, embrulhou o pedaço do dedo num lenço e foi procurar o Dr. Hugo Gensch para que este o repusesse no devido lugar. Verificando a impossibilidade de uma intervenção cirúrgica, o Dr. Gensch pilheriou com o cervejeiro, dizendo-lhe que não ficasse triste, pois que aquele pedaço de dedo, depois de bem seco, daria um excelente limpador de cachimbo. Pois Jennrich teve a pachorra de fazer secar muito bem o pedaço do dedo e mostrava-o, frequentemente aos amigos, chamando-lhes, a atenção para a originalidade do instrumento que o médico lhe havia recomendado para desentupir o cachimbo.

Com a falange que lhe restava, Jennrich costumava fazer outras pilhérias, como metê-la, em parte, na narina, parecendo, assim, que ali havia metido o dedo todo, o que causava hilaridade aos amigos e o espanto nas crianças, estas não podiam compreender como é que se podia enfiar um dedo inteiro no nariz.

Jennrich foi um cidadão prestimoso e o bairro em que desenvolveu a sua atividade, muito lhe deve do seu engrandecimento urbano e social. O Museu de Ecologia Fritz Müller Possui indumentária e utensílios indígenas da tribo Xokleng, que remontam ao seu cotidiano no Vale do Itajaí, doadas por Otto Jenrich em 1948.

A cervejaria consta do Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro publicado no ano de 1930, comprovando que até 1929 a cervejaria ainda existia funcionando, quando foi vendida para A. Tiede & Cia (sociedade de Alfredo Tiede e Adolf Schmalz), sendo liquidada em 1930.

Em 1931, os prédios e terreno da cervejaria de Otto Jennrich passam a fazer parte da entrada de capital na criação da Cervejaria Blumenauense S.A., depois incorporada ao patrimônio da Antartica Paulista.

Em 3 de fevereiro de 1944, otto Jenrich falece, sendo sepultado no túmulo da família Persuhn.

03 março 2011

Cervejaria Corá / Bramatti & Corá / Serrana / Bade, Barbieux & Cia


Texto retirado do Projeto Passo Fundo - Passo Fundo - RS
Vultos da História de Passo Fundo - 2ª Ed. - autores: Welci Nascimento e Santina Dal
Um encontro com a memória viva - autores: Veríssimo da Fonseca e Paulo Monteiro


Passo Fundo era o mais importante centro comercial, industrial e de serviços de todo o Norte do Rio Grande do Sul e Oeste de Santa Catarina. O município contava com diversas casas comerciais, além de madeireiras e moinhos de arroz, trigo e milho. Também possuía uma cervejaria artesanal, criada por João Corá em 1910, que abastecia todo o mercado, de Santa Maria a Marcelino Ramos.


Em 18 de Julho de 1912 foi requerido, na Junta Comercial, o arquivamento do contrato social feito entre Alexandre Bramatti e João Corá, para o comércio de fabrico de cerveja, gelo e o que mais convier, com o capital de 90:000$000 (noventa contos de reis), sob a firma Bramatti & Corá.


Jorge Barbieux nasceu na localidade de St. Gall, na Suíça, no dia 29 de novembro de 1867. Permaneceu em sua Pátria até os 16 anos de idade, vindo para a América do Sul fixando-se na Argentina.
Em 1884, retornou à Europa, quando estudou, inicialmente, na Wormser Braner Schule-Worms. Mais tarde fez Estágio na Arminius Drauerrei-Kohlstad e, em junho de 1887, já com 20 anos de idade, ingressou como técnico na Fábrica de Cerveja “La Alemanha” de Valência, Espanha, onde também aprimorou seus conhecimentos cervejeiros, tornando-se técnico de fama e diplomando-se em técnico cervejeiro em 1889.

Retornando à Argentina em 1896, fixou-se como técnico cervejeiro, tendo requerido sua cidadania argentina, onde trabalhou alguns anos. Em 1900, Não tendo encontrado a terra ideal para viver, pensou em transferir-se para o Brasil, mais precisamente para o Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, onde existia uma organização cervejeira de certa fama, a Bopp, Sassen, Ritter e Cia, assumindo a Direção Técnica, e passando a apresentar excelentes produtos.

Em Porto Alegre, Jorge Barbieux casou-se com Maria Luiza Breier, a 08 de dezembro de 1900; contava, então, com 33 anos de idade e muita experiência de mundo.

Permaneceu em Porto Alegre como Técnico de uma grande cervejaria até 1914, quando tranferiu-se para Montenegro, onde dirigiu como técnico, a Fábrica de Cerveja Jahn.

Em 1914 iniciava-se a Primeira Guerra Mundial e Jorge, então com 4 filhos: Walter nascido em 1901, Constance em 1902, Bruno em 1904 e Dagmar em 1909, deixa a Direção Técnica da Cervejaria Jahn.

Transfere-se para Passo Fundo onde associando-se aos irmãos Otto e Hugo Bade dá início ao primeiro estabelecimento cervejeiro de expressão regional do Município, adquirindo em 1915, a pequena e modesta Cervejaria Bramatti & Corá (Alexandre Bramatti & João Corá) que foi ampliada e rebatizada em 1916 de Cervejaria Serrana Ltda., onde passou a fabricar a cerveja “Gaúcha”, considerada, na época, uma das melhores da Serra.

Em 19 de março de 1917 foram depositadas na da Junta Commercial da Capital Federal (RJ) o registro das marcas de cerveja Creoula e Serrana, de Bade Irmãos & Barbieux que já haviam sido registradas na Junta Commercial do Rio Grande do Sul, respectivamente sob os nº. 3.149 e 3.150.





Jorge Barbieux e Otto Bade tornaram-se durante anos consecutivos os fabricantes da melhor cerveja do interior rio-grandense. Eles implantaram o primeiro estabelecimento cervejeiro de importância em Passo Fundo, com produção capaz de atender à demanda no consumo desta imensa região.

Ao fixar-se em Passo Fundo como industrial, Jorge Barbieux requereu sua cidadania brasileira, como brasileiro naturalizado participou de muitas campanhas políticas de âmbito municipal, estadual e nacional.


Entre os seus descendentes, destacamos seu filho Walter Barbieux que também soube, como seu pai, dar a parcela de contribuição com o seu trabalho nas atividades comerciais para a prosperidade da Capital do Planalto.
Em fins de 1918, Walter Barbieux foi para Alemanha realizar o curso de técnico cervejeiro, estudando em Hamburgo entre 1919 e 1925 quando retornou e assumiu a cervejaria.

Com o retorno do jovem técnico cervejeiro, a indústria foi modernizada. Tudo foi eletrificado após a importação e a chegada de uma enorme caldeira para a geração de energia, as casas de todos os empregados que moravam nos arredores também foram iluminadas. Vários funcionários moravam próximos da cervejaria, o que acabou por formar uma comunidade mantida por meio dela.

A caldeira desembarcada em Porto Alegre, foi transportada de trem até Passo Fundo. O transporte da caldeira da estação ferroviária exigiu o concurso de dois caminhões: um à frente, puxando-a; outro atrás, segurando-a nos declives. Assim, chegou até indústria movida por dois caminhões, um que puxava e outro que empurrava. A cidade parou para ver a operação de transporte.

Com a reformulação e a ampliação da cervejaria, a produção passou a ser em larga escala e a cervejaria tornou-se responsável pelo abastecimento da região da serra até Santa Maria para as demais cidades a distribuição era feita via trem.

Além de cerveja, a indústria produzia guaraná e limonada gasosa. "O guaraná, natural, vinha do Amazonas em tonéis. A limonada gasosa era produzida com limão natural que vinha de Marcelino Ramos. Todos os produtos eram naturais, com água natural, de um poço artesiano perfurado especialmente para isso. O limão era pasteurizado e conservado em garrafas de vidro, por isso sempre, inverno e verão, podia ser produzida a limonada. Apenas a na água de soda, ia um produto químico, o sódio. Além da Cerveja Serrana, era fabricada a Cervejinha Preta Gauchita".


"As garrafas de cerveja eram acondicionadas em caixas de madeira, com quadradinhos também de madeira. Para transporte mais longo, as garrafas eram empalhadas com palha de cevada. O lúpulo da Tcheco-Eslováquia, enrolado em linho. A cevada era importada da Argentina. O transporte era feito em trens, e para onde estes não chegavam, através de carroças”

Algum tempo depois, Otto Bade vende sua parte para a Cervejaria Continental.

Jorge Barbieux viveu em Passo Fundo de 1915 até 1944 quando se afastou da cervejaria, lutando diuturnamente pelo progresso industrial e pelo desenvolvimento econômico do Município, não esquecendo o engrandecimento espiritual de todos os passo-fundenses, no seio dos quais ele se harmonizava como se estivesse entre irmãos. Em 25 de janeiro de 1945, aos 78 anos de idade, falece em Porto Alegre, no Hospital São Francisco, cercado pelo carinho de seus familiares e amigos.

Em 1º de junho de 1947, seus familiares acabaram vendendo totalmente a cervejaria e a Serrana se transforma em filial da Cervejaria Brahma.

A chaminé da fábrica, referência preservada até hoje, emitia o apito que despertava a cidade a cada novo amanhecer e ao final de mais um dia cumprido. E assim foi até 1975. Terminando com o seu fechamento definitivo em 21 de abril de 1997.

O conjunto de prédios abriga atualmente a FAPLAN (Faculdade Planalto) fundada no dia 24 de Agosto de 2001.

26 janeiro 2011

Fábrica de Cerveja Paulo Käsemodel / Cervejaria Luiz Käsemodel (Kaesemodel)



Em 1883 chega ao Brasil, mais propriamente em São Bento – SC, Paulo Käsemodel (Louis Paul) de 18 anos, padeiro e confeiteiro de profissão, acompanhado por seu irmão Heinrich Gotthard Käsemodel, técnico em curtir couros - curtidor. Oriundos da pequena cidade de Frauenstein, na Saxônia.

Paulo logo casou com Anna Kiem, nascida em 12/07/1864 e falecida em 23/03/1930. Desse casamento tiveram 14 filhos: Florentine, Maria, Paul, Lina, Luiz, Elisabeth, Emma, Karl, Anton, Anna, Hulda, Kurt, Felipe e Mario.


Empreendedores de primeira hora na economia Sãobentense são, sem duvida, os Käsemodel, que iriam desempenhar um papel importante no mundo econômico da vila de São Bento dos primeiros tempos, principalmente porque fizeram que suas iniciativas adquirissem certo vulto e trabalhavam numa escala mais audaciosa que os outros. Além disso, eram muito determinados e bem articulados tecnicamente desde sua origem na Alemanha. Outro diferencial é que logo procuram mercado em praças maiores, principalmente em Curitiba.

Paulo Käsemodel abre uma padaria no centro da vila logo depois de sua chegada ao Brasil e, em 1899, adquire o equipamento para fabricar gazosa de Paulo Heyse, passando a produzir refrigerantes, além de continuar em seu negócio como padeiro e confeiteiro.

Em 1906 Paulo Käsemodel passa a incluir cervejas junto à produção de suas gasosas e à antiga padaria. Nessa época abre uma hospedaria (Gasthoff) que depois chamariam "hotel".


A hospedaria, a cervejaria e a padaria dos Käsemodels funcionavam na atual Rua Jorge Lacerda, adiante do prédio do Correio, no local onde se construiu um prédio, agencia do banco HSBC. O prédio em que funcionava o hotel mais tarde abrigou a loja e livraria Santos, de Ernesto Venera dos Santos.

Em 1910 seu filho Luiz Käsemodel compra a Cervejaria Canoinhense em Santa Cruz de Canoinhas que funcionou pouco tempo sob o seu comando, cerca de tres anos, logo a vendendo e retornando a São Bento.
A pequena cervejaria de Paulo Käsemodel funcionou sob sua condução até 1913, quando transferiu o comando para seu filho Luiz Käsemodel.

Paulo Käsemodel morreu em 20 de abril de 1921. Teve 14 filhos.

02 dezembro 2010

Fábrica de Cerveja e Gelo de Carlos Pinho / Cervejaria Rio Claro / Caracú




Residência de Carlos Pinho, fundador da Cervejaria Rio Claro.
Localizada à Avenida 3 com a Rua 9.

Entre tantas pequenas cervejarias que a cidade teve, como: Steinecker, Emilio Weiss, Pessenda e Bortolai que fabricavam cervejas que eram consumidas regionalmente, foi fundada uma cervejaria com o nome de Fábrica de Cerveja e Gelo de Carlos Pinho, no ano de 1900, pelo Major Carlos Pinho, de ascendência espanhola, em Rio Claro, interior de São Paulo, esta cervejaria hoje desativada tornou Rio Claro conhecida por ser a terra da “Caracu” a mais famosa cerveja preta do país.



Em 25 de janeiro de 1902 a cervejaria foi arrendada pelo alemão Julio Stern, engenheiro eletricista nascido em 1849 tendo chegado ao Brasil em 1874 para trabalhar em estradas de ferro, o que fez durante 20 anos.

Logo a fábrica de cerveja e gelo foi comprada, passou a receber a denominação de Cervejaria Rio Claro e sendo sua razão social constituída pelos sócios: Julio Stern e sua esposa Dª. Emilia O. Stern. Em 1905 a Cervejaria tinha 308 empregados, chegou a ser o segundo maior empregador da cidade, perdendo apenas para as Oficinas da Cia. Paulista de Estradas de Ferro. Recebeu medalha de ouro por sua cerveja na Exposição Nacional de 1908, referente ao 7º grupo (vinhos e vinagres, licores, cervejas e outra bebidas alcoólicas), fato publicado no Diário Oficial da União de 4 de abril de 1909.

Em 14 de maio de 1909 a firma dos comerciantes de Campinas: João Jorge, Figueiredo & Cia. registraram sob o nº 1122 da Junta Comercial de São Paulo, uma marca de cerveja fabricada especialmente para o seu estabelecimento, essa marca era a Cerveja Rio Claro (Estrella d'Oeste) com a inclusão no rótulo dos dizeres "Cerveja da Zona, fabricada especialmente para João Jorge, Figueiredo & Cia".

Em 1º. de junho de 1909 a Fábrica de Cerveja e Gelo de Julio Stern registrou sob os números de 1136 a 1139, na Junta Comercial do Estado de São Paulo as cervejas: Sport, Rio Claro, do Paíz, e a Preta Extrato de Malte.

Em 2 de abril de 1910 foi constituída a Sociedade Anônima Cerveja Rio Claro - Companhia Industrial, com o capital realizado de 630:000$000 (seiscentos e trinta contos de réis) divididos em 3.150 ações de 200$000 (duzentos mil réis), tendo como acionistas: Julio Stern e sua mulher Dª. Emilia O. Stern, Frederico Fiedler Júnior, Jorge Ochlmeyer, João Francisco Ochlmeyer, Jorge Winkler, Paulo Betcher, Ann O. Günther e Luigi (Luiz) Setti. A escritura de constituição foi registrada no Livro de Notas 102 às fls. 159 no tabelião Heliodoro Antonio Costa Ferreira de Rio Claro, Estado de São Paulo. E também foi registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo em 27 de junho de 1910, sob o nº. 1235.

No dia 5 de maio, através do Decreto 7985, a Sociedade Anônima Cerveja Rio Claro – Companhia Industrial é autorizada a funcionar.

A cervejaria montada com todos os aperfeiçoamentos modernos, o que lhe garantia uma fabricação esmerada e higiênica. O maquinismo era movido, parte à eletricidade por dois motores de 25 HP e 15 HP e parte a vapor por duas máquinas, sendo uma de 30 HP e outra de 6 HP. Os serviços de lavagem das garrafas, engarrafamento, arrolhamento e rotulação eram feitos com as máquinas mais modernas. Eram fabricados, anualmente 8.000 hectolitros de cerveja e diariamente se davam ao consumo 10.000 quilos de gelo.
A matéria-prima era importada da Alemanha e da Áustria. O diretor da fabricação era de nacionalidade alemã e tinha longos anos de prática do ramo, sob as suas ordens trabalhavam na fábrica cerca de 70 operários. No escritório, ocupavam-se do expediente 6 auxiliares. Para a venda e propaganda dos seus produtos, mantinha a companhia 4 representantes nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

Em 2 de dezembro de 1917, foi feito um requerimento junto à Junta Comercial para o arquivamento da documentação de extinção da Sociedade Anônima Cerveja Rio Claro – Companhia Industrial.

Tendo arrematado todos os bens móveis, imóveis, semoventes e utensílios que constituiam a Sociedade Anônima Cerveja Rio Claro – Companhia Industrial, Oscar Baptista da Costa, o Costinha e sua mulher Dª. Alice Soares da Costa, em 4 de outubro de 1919 constituem uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada, com escritura registrada no 8º Tabelião de São Paulo no Livro 26, Pags. 64 V. com a razão social de Cervejaria Rio Claro Ltda. com o capital inicial de 300:000$000 (trezentos contos de réis). O contrato social foi arquivado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob o nº15586 de 8 de outubro de 1920

Nesta mesma época é comprada a Cervejaria Wagner, situada na Av. Dom Pedro II nº 64, esquina de Benjamin Constant, em Piracicaba, se transformando na primeira filial da Cervejaria Rio Claro.

É registrada na Junta Comercial de São Paulo, em 15 de outubro de 1921, sob o nº 5493 a Cerveja Brasi-Luza.

O Diário Oficial da União publicou em 23 de setembro de 1923 a relação dos premiados na Exposição Internacional do Centenário da Independência ocorrida em 1922, tendo a Cervejaria Rio Claro recebido diploma de honra por seus produtos.

Em outubro de 1923 a Cervejaria Rio Claro Ltda. emite um empréstimo de 10.000 obrigações, debêntures nominal ao portador de 100$000, perfazendo 1.000:000$000 e em 17 de janeiro de 1924 eleva seu capital dos 300:000$000 iniciais para 1.000:000$000, sendo o aumento de 700:000$000 subscrito em partes iguais pelos sócios: Oscar Baptista da Costa e sua mulher Dª. Alice Soares da Costa, Oscar Baptista da Costa Filho, Zilda Costa, Marina Costa, Maria Aparecida Soares da Costa e Maria Helena do Rosário Baptista da Costa.



As gazosas de Maçã, Guaraná, Café e Soda Limonada, também eram fabricadas pela companhia que concorria com afamadas marcas de água mineral com sua Água Artezia.

Até essa época, viajantes desbravavam o país vendendo os produtos rio-clarenses, quase sempre despachados pela estrada de ferro ou levados pelos "fordecos".

O negócio registrou períodos de crescimentos e dificuldades até 1929 quando os efeitos da crise econômica mundial, eclodida a partir da quebra da bolsa de valores norte-americana, foram devastadores para a empresa. Até que em 24 de novembro dester mesmo ano foi declarada a falência da Cervejaria Rio Claro Ltda. requerida pela Sociedade Anônima Scarpa, sendo nomeados como síndicos da massa falida a própria requerente Sociedade Anônima Scarpa, Jorge de Carvalho Fernandes e Bernardo Gonçalves.

Após a crise, por volta de 1930, o empresário italiano naturalizado brasileiro Nicolau Scarpa, adquiriu a indústria e alterando sua razão social para Companhia Cervejaria Rio Claro deu início a um processo de modernização. Quando adquiriu a cervejaria a concorrência era grande e o adversário principal era o consumo de vinho, principalmente o italiano ou os feitos pelos seus descendentes em nosso país.
O comendador Nicolau Scarpa investiu em máquinas capazes de produção em larga escala e construiu prédios para a gerência, diretoria, refeitório, conferência, setor de vasilhames e adegas, bem como um galpão para as caldeiras.

Em 4 de dezembro de 1931 é renovado o registro da Cerveja Caracu.

Em 1932, a cervejaria preparou um rótulo comemorativo caso São Paulo saísse vitorioso na Revolução, coisa que não aconteceu e o rótulo não foi colocado em cerveja alguma.

Para evitar os registros de marcas que possam fazer confusão com a sua cerveja Caracú a Cervejaria registra ao longo do tempo várias marcas na Junta Comercial de São Paulo, como por exemplo: a Cerveja Preta Extra Forte Canguçú, em 25 de setembro 1930 sob o nº 1249 e a Cerveja Caetetú sob o nº 29011 de 7 de fevereiro de 1934.

No Brasil, uma das primeiras ações de marketing esportivo que se tem registro ocorreu em 1933 quando o automóvel pilotado pelo vencedor do Primeiro Prêmio Cidade do Rio de Janeiro, Manuel de Teffé, no Circuito da Gávea em uma corrida no Rio de Janeiro, foi patrocinado pela Cerveja Caracu.
Em 1936 a Cerveja Caracu também ofereceu a "Taça de Ouro Caracu" ao vencedor do Primeiro Grande Premio Cidade de São Paulo, vencido pelo piloto Carlo Pintacuda que ainda recebeu além de dinheiro outros prêmios.

Quando faleceu, em 1942, o Comendador Nicolau Scarpa deixou um sólido patrimônio para os filhos Francisco Scarpa e Nicolau Scarpa Júnior, que foram para a Alemanha fazer cursos de engenharia e química especializadas no setor cervejeiro.



A eles, os irmãos Scarpa, deve-se o aumento da produção da Caracu, cerveja escura que substituiu no Brasil a britânica Guiness. Paralelamente ao aprimoramento tecnológico, deram sequência aos projetos de ampliação física iniciados pelo patriarca da família. Eles construíram o prédio da Avenida 4 com rua 8, que abrigava a fábrica de gelo e a ferramentaria, e o anexo de três pavimentos, onde ficavam a casa de máquinas e os resfriadores de água. Na sequência, avançaram para o interior da quadra com 8 mil metros quadrados de área e ergueram outro prédio, todo de cimento armado, com três andares e arguido para comportar máquinas compradas no exterior. No local, instalaram ainda a nova carpintaria, o engarrafamento e o armazém. Cada vez mais ousados, Francisco Scarpa e Nicolau Scarpa Júnior construíram um edifício de oito andares, o mais alto de todas as indústrias paulistas da época. No último andar, ficava o moinho da cevada e, logo abaixo, os tanques para produção de cerveja. Na parte de baixo, os demais setores, entre eles o de envasamento. Uma das características marcantes da construção – que existe até hoje – era a chaminé de 40 metros de altura, que durante décadas exalou o aroma de cevada por toda a cidade.

Por escritura de 30 de janeiro de 1945, a Sociedade por quotas de responsabilidade limitada Cervejaria Rio Claro se transformou na Sociedade Anônima Companhia Cervejaria Rio Claro com o mesmo capital, o mesmo objeto, o mesmo ativo e passivo, os mesmos sócios, a mesma sede social e conservando a mesma personalidade jurídica, sem qualquer solução de continuidade, modificando-se tão somente a denominação social que passou a ser Companhia Cervejaria Rio Claro,tendo sido arquivada na Junta Comercial de São Paulo sob nº 22.869.

Ao completar 50 anos de fundação, os rótulos de seus produtos passam a ostentar as duas datas, a inicial e a dos 50 anos (1899 - 1949), nesta época a fábrica possuía 307 funcionários e uma posição consolidada no segmento cervejeiro. Um dos segredos do sucesso de seus produtos sempre foi a excelente qualidade da água utilizada, originária de três profundos poços artesianos.




E mesmo com o passar dos anos a Cervejaria Rio Claro, através da Cerveja Caracú continuou patrocinando esportes e programas radiofônicos esportivos.

Em 10 de setembro de 1957, através da Assembléia Geral Extraordinária, foi alterada a razão social de Cia Cervejaria Rio Claro para Cia Cervejaria Caracú, tendo sido a ata arquivada na Junta Comercial de São Paulo sob o nº 125.257.