10 agosto 2013

Cervejaria Bela Vista / Fábrica de Bebidas Centenário / Ettore Zini & Irmão


Baseado no texto: Cervejarias de Rio Preto.

Carlo Magro, natural de Veneto, Itália, chegou ao Brasil em 1888, com 15 anos de idade, indo residir na pequena cidade paulista de Jaboticabal, em São Paulo. No decorrer dos anos, trabalhou muito na lavoura, casou-se com Narciza Mendes no dia 4 de setembro de 1897, com quem teve os filhos Maria, casada com Teodoro Sanchez; Luiza, com Ettore Zini; Antônio, com Rosa Sasso; José, com Adelaide e ainda Sebastiana, Rita e Ana, solteiras.

Em 1910, Carlo vindo em carro de bois, numa precária estrada, no meio da poeira, transferiu-se com a família para Rio Preto, município que a partir de 1944 passou a ser chamado São José do Rio Preto. Resolveu montar uma fábrica de cerveja, adquirindo máquinas, outros equipamentos e também um terreno à rua do Comércio (atual Coronel Spínola de Castro), próximo da rua Tiradentes, uma quadra acima do córrego Borá, no bairro Boa Vista, instalando-a, começou a fabricar a cerveja assim como refrigerantes naturais e licores. A cervejaria recebeu o nome de Bela Vista.

Apreciador de boas bebidas (vinho e cerveja), da comida italiana, dos queijos, presuntos e salames, tornou sua Cervejaria um ponto de encontro da cidade. Nela os imigrantes italianos e seus descendentes encontravam o local ideal para cantar suas músicas, beber Chianti e discutir idéias políticas. Não encontramos a data em que encerrou suas atividades. Segundo depoimento da Dra. Doris Scodeller Sanches, esposa de um dos netos de Carlo Magro, Dr. Irineu Sanchez, filho de Luiza Magro e Teodoro Sanchez: "Ele foi um homem forte. Enérgico e de grande coração. Não enriqueceu, mas viveu bem, assim como ele mesmo quis. Seu amor e carinho pela terra sempre foram evidentes. Plantava sempre uma horta na casa em que fosse morar.

Carlo Magro viria a falecer em 30 de julho de 1955, aos 82 anos.

A partir de 1922, a Cervejaria Bela Vista, de Rio Preto - SP, passa a pertencer a Domenico Zini e seu filho Ettore, casado com Luiza Magro filha de Carlo Magro, tendo sua firma alterada para Fábrica de Bebidas Centenário. Continuam a produzir cerveja, gasosas, licores, gelo e o difundido, por toda a região, Guaraná Centenário.

Fachada do prédio da Fábrica de Bebidas Centenário de Ettore Zini & Irmão, em 1927.

Diversas etapas do engarrafamento e embalagem manual das bebidas produzidas pela Centenário.

Proprietários, familiares e funcionários da Fábrica de Bebidas Centenário comemorando a chegada dos novos equipamentos de fabricação. Ao centro, o mais idoso é Domenico Zini.

Mais tarde, a empresa passou a ser dirigida por Ettore e seu irmão.

Fachada do prédio da Fábrica de Bebidas Ettore Zini & Irmão, já sem a palavra centenário.

Posteriormente, por volta de 1945 a indústria foi vendida à família Sinibaldi, tendo seu nome alterado para Produtos Centenário de Irmãos Sinibaldi.

No jornal "O Porvir", de 3 de abril de 1910, encontramos a nota transcrita abaixo, sobre duas fábricas de cerveja da cidade: "Cerveja Estrela e Bela Vista" "São dois magros, os senhores Frederico Bocchi e Carlos Magro, ambos "florentes etate" e cervejeiros ambos; são dois magros resolvidos a cevar a humanidade à força de cevada. E cevam. A cerveja engorda. E são dois cervejeiros de escoimado alento, os dois primorosos cervejeiros. Um, do outro lado, no bairro de Santo Antonio (Boa Vista), levantou a sua bem montada fábrica.

O outro, do lado de cá, à esquerda do Borá, no âmago da cidade, em um belo prédio, com uma vasta sala onde pode a gosto ser apreciada a suculenta e apreciada bebida, em gostosos chopes tem o seu estabelecimento, e sua tenda, onde vende e fabrica o dulçuroso líquido. São duas cervejas magníficas, as do senhor Carlos Magro e Frederico Bocchi, que não é gordo. São dois cervejeiros de mão delicada ao preparo da bebida saxônia os dois moços proprietários das cervejarias desta cidade. Uma delas, a do senhor. Carlos Magro, lembra pela cor, de um belo alaranjado, a afamada Boêmia, de um sabor tão fino. A outra, a do senhor Frederico Bocchi, de cor mais clara, de gosto ameníssimo, recorda a Rio Claro, que tanto agrada, sem amargo tão pronunciado.

Prossigam os tão caprichosos fabricantes da fabricação de seu gênero de indústria com o mesmo cuidado, com o bom comando escrúpulo com que estão oferecendo ao mercado que não terão mãos a medir no seu comércio. As duas cervejas, uma delas clara, mais escura a outra, aquela de mais suave sabor, mais carregada esta, satisfazem a todos os paladares. Ambas são feitas com esmerado asseio; vem em ótimo e limpo engarrafamento. Com superior arrolhamento; rótulos atraentes; bem preparadas ambas. Farão fortunas as duas fábricas, a Bela Vista e a Estrela.

29 maio 2013

Fábrica de Cerveja da Guarda Velha / Cervejaria Guarda Velha / Centro Industrial


Para se falar na Fábrica de Cerveja Guarda Velha é necessário citar em primeiro lugar a Rua da Guarda Velha que foi quem lhe deu o nome.


A gravura, reproduzida da Ilustração Brasileira de 1878, mostra o começo da Rua da Guarda Velha (trecho absorvido pelo novo jardim do largo da Carioca), vendo-se, ao centro, o antigo edifício da Imprensa Nacional, em estilo gótico manuelino, construído quatro anos antes pelo Visconde do Rio Branco, então Ministro da Fazenda, e, no canto, à direita, parte do velho chafariz da Carioca e a escadaria para o convento e igrejas de Santo Antônio e São Francisco da Penitência. Por cima do telhado da Imprensa Nacional, vislumbra-se, ao fundo, a coberta do Teatro Lyrico, também já desaparecido.

Mas vamos ao que interessa, a inauguração do chafariz da Carioca deu novo impulso à urbanização do Rio de Janeiro, e, finalmente, durante o governo de Gomes Freire (Conde de Bobadela, 1733-63), fez-se um aterro no antigo caminho, aberto no século da colonização, à margem da lagoa de Santo Antônio, ligando a Carioca ao Largo da Mãe do Bispo (na Cinelândia), facultando a abertura de uma rua neste trajeto. O povo a chamou de Rua Bobadela, homenageando seu governador Conde de Bobadela. A rua iniciava junto ao chafariz, onde havia onde havia uma guarita com uma sentinela, no local onde esteve até recentemente o Hotel Avenida.

Atendendo aos reclamos dos frades do convento contra a algazarra produzida pelos escravos que iam ao chafariz da carioca recolher água para seus senhores, mormente em ocasiões de seca, quando os aguadeiros, disputavam a primazia em encher seus barris e potes. Gomes Freire determinou que além da obrigatoriedade de se organizar uma fila, fosse mantida a ordem, para vigiar a aplicação da regra, foi instituido um posto de guarda chamado pelo povo de Guarda Nova, em contraste com a anterior guarita da Guarda Velha, nome que com o tempo passou a ser também o da Rua Bobadela.

O apelido ficou e, apesar de ter recebido em 14 de maio de 1888 a atual denominação de Treze de Maio, em memória da data da abolição da escravatura no Brasil, ainda no começo deste século muitos não a conheciam senão por aquele nome.

A rua começou a se ligar a uma atividade artística quando, em 1854, ali se construiu o Circo Olympico, mais conhecido como Circo Guarda Velha. Construído na base do Morro de Santo Antônio, em um vasto terreno de propriedade de Bartolomeu Corrêa da Silva.

Depois de algumas dezenas de anos a construção precária do circo foi demolida para poder ser erguido o Imperial Teatro D. Pedro II. Esse teatro, durante mais de 30 anos, foi um dos centros da vida cultural e de comparecimento da sociedade elegante do Rio, foi o melhor teatro da cidade. Ficava na Rua da Guarda Velha (depois Treze de Maio) com a Rua Senador Dantas (esquina mais tarde conhecida como Tabuleiro da Baiana). O antigo Imperial Teatro Dom Pedro II foi inaugurado no dia 19 de fevereiro de 1871, em pleno Carnaval, com um grande baile de máscaras. Após a República, passou a chamar-se Teatro Lyrico. Foi demolido em abril de 1934.


Em 1864, o industrial Bartolomeu Corrêa da Silva inaugurou em frente ao Circo Olympico, uma das primeiras fábricas de cerveja do país. Por ser uma cerveja de baixa fermentação e não existir ainda a chapinha, as garrafas eram tampadas com rolhas de cortiça presas a barbantes, o povo passou a designar o produto como cerveja marca barbante.

Contíguo ao estabelecimento fabril, instalou um parque pitoresco com mesas e cadeiras, à sombra de árvores e para incrementar ainda mais o negócio, contrataram-se músicos, o que acabaria originando o Café-Concerto da Guarda Velha. Freqüentado por artistas de diversas nacionalidades, transformou-se em um dos locais mais movimentados da vida noturna do século. Aos domingos e feriados e nas tardes calmosas, o jardim enchia-se literalmente, havendo uns bailes famosos que fizeram época.

Em pouco tempo, a cervejaria ganhou fama e o carioca referindo–se ao local ou à saborosa bebida, começou a chamar-lhe Cervejaria da Guarda Velha e cerveja Guarda Velha. O fabricante cedeu à sugestão popular: rotulou seu produto com esse nome.

Este ambiente festivo que envolvia a publicidade do consumo da cerveja era entretido, com muito empenho, pela Fábrica de Cerveja da Guarda-Velha que promovia, em seus jardins, concertos musicais pela bem conhecida banda de música dos alemães. Da mesma forma que a Sociedade de Dança Recreio Guanabarense,utilizava o salão da fábrica, aos domingos, para aí realizar, ainda que chovesse, o baile de costume, prevenindo a seus associados que deveriam retirar os “seus cartões até às 7 horas da noite; as damas não têm entrada sem cartão (Jornal do Commercio)


Em 1872, a Fábrica de Cerveja Guarda Velha, passa a ter como responsável Joaquim José Rodrigues Machado.

Em 1877, neste estabelecimento encontra-se um excelente moinho de traçar cevada marca Redidier & Simonel, duas grandes caldeiras: uma de 8.000 e outra de 3.000 garrafas de capacidade, três grandes tinas de fermentação e 16 toneis na adega. Uma máquina de força de 5 cavalos completa o maquinismo de produção da cervejaria. Calcula-se que o consumo anual no espaço da cervejaria chegue a 120.000 garrafas e a venda para diversos estabelecimentos, hotéis, botequins, casas de pasto e particulares deve elevar-se a 400.000 garrafas.

Em 16 de março de 1884, a Gazeta de Noticias publica a notícia que na semana de 8 a 24 de março foi arquivado na Junta Comercial da Côrte o contrato entre Joaquim José Rodrigues Machado e Emilio Gabel para o negócio de fábrica de cerveja à Rua da Guarda Velha nº 12, sob a firma Machado & Gabel. Em 9 de julho de 1884, falece Joaquim José Rodrigues Machado vitimado por um lamentável acidente na construção de um novo salão de baile na Fábrica de cerveja Guarda Velha.

Poucos meses depois, no dia 24 de dezembro, falece Emilio Gabel e logo sua esposa assume a sua posição na direção da Fábrica de Cerveja Guarda Velha.


Ainda em 1885, quando foi aberta a Rua Senador Dantas, ela desembocou justamente onde corria o gradil e se abria o portão da Cervejaria da Guarda Velha. Mudou-se, então, a fábrica para o prédio n.º 52 do novo logradouro e o parque para o lado oposto, no n.º 57, ocupando um terreno de 53 metros de frente por 28 de fundos, no sopé do morro de Santo Antônio. Entrava-se no parque, todo plantado de amendoeiras e palmeiras, por um airoso portão de ferro. No interior, havia um chalé e, em torno, cerca de 200 mesinhas de ferro, pintadas de verde e caramanchões. A música fazia se ouvir em dobrados, valsas, polcas e maxixes e a alegria mais comunicativa se derramava pela multidão em fervente garrulice. Este segundo jardim da Guarda Velha veio até aos nossos dias.

Em 5 de julho de 1889, o jornal Gazeta de Noticias publica o arquivamento na Junta Comercial do Rio de Janeiro do contrato comercial entre Anna Gabel e Theodulo Pupo de Moraes para o fabrico de cerveja e comercio de botequim à Rua Senador Dantas nº 52, com o capital de 150:000$000 sob a firma Viuva Gabel & Cia.

A cervejaria produzia as cervejas: Dupla, Simples e Especial e foi premiada com a Medalha de ouro Na Exposição Universal de Paris de 1889.

Em 26 de dezembro de 1891, a filha da Viúva Gabel se casa com Joaquim Alfredo da Cunha Lages, um pernambucano nascido em 6 de junho de 1864 que veio para o Rio de Janeiro em 1885, tendo se empregado na fábrica de cerveja em 1886.

Em 1898 são admitidos na firma Viuva Gabel & Cia, como sócios o genro Joaquim Alfredo da Cunha Lages e o filho Gustavo Gabel.

Em 2 de janeiro de 1900 é feito o registro da cerveja Guiné, sob o nº 2.834 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.

Em 22 de fevereiro de 1901, falece a viúva Anna Gabel em sua residência à Rua Senador Dantas 52A.

Em 26 de novembro, desse mesmo ano, com a saída do sócio Theodulo Pupo de Moraes é extinta a firma Viúva Gabel & Cia. e os filhos herdeiros, Gustavo, Pedro e Olga e o antigo sócio Joaquim Alfredo da Cunha Lages fundam a firma Lages, Gabel & Cia - Cervejaria Guarda Velha.


Em 19 de outubro de 1906, o jornal Gazeta de Noticias, publica o requerimento feito em 11 de outubro, junto à Junta Comercial do Rio de Janeiro por Manuel Alves da Nóbrega & Cia, para ser anotada sua firma nos registros das marcas: D. Carlos e Lages, registradas sob os números 3.376 e 3.357, respectivamente, por compra da fábrica da finada Anna Gabel.

Em 27 de fevereiro de 1907, Manoel da Nóbrega & Cia., requer o alvará de licença para funcionar como fábrica de cerveja e fábrica de cigarros, marca Bufalo, mudando o nome fantasia para Centro Industrial - Antiga Guarda Velha.


Em 10 de abril de 1907 foi registrado sob o nº 5.094 da Junta Comercial do Rio de Janeiro, a cerveja Extra-stout Fortificante, marca Urso, antiga Cerveja estomacal Guarda Velha por Manoel da Nóbrega & Cia.

Em 18 de agosto de 1909, é registrada por Manoel da Nóbrega & Cia., na Junta Comercial do Rio de Janeiro, a Cerveja Democrata.

Em 6 de dezembro de 1909, Manoel da Nóbrega & Cia registra as cervejas Ruy Barbosa e Marechal Hermes sob os números 6.467 e 6.468 da Junta Comercial do Rio de Janeiro, respectivamente.

Em 3 de outubro de 1911, é concedida licença à Manoel de Nóbrega para a compra do terreno onde se acham edificados os prédios 52 e 52A da Rua Senador Dantas, pertencentes aos herdeiros de Emilio e Anna Gabel.

Em 1912 deixa de fabricar cerveja e passa a fabricar somente cigarros, O Lyceu Literário Portuguez é instalado no prédio.

17 de agosto de 1913, anuncia no jornal a venda do maquinário para fabricação de cerveja.


Em 23 de maio de 1914 o Jornal do Brasil publica o contrato entre Manuel Duran, Raphael Salgado e Generoso Garrido Alves para o comércio de cerveja à Rua Visconde do Rio Branco nº 49, com o capital de 43:000$000 (Quarenta e três contos de Réis), sob a firma Duran, Salgado & Garrido.

Em 27 de setembro de 1915 é arquivado na Junta Comercial do Rio de Janeiro, o contrato entre Raphael Salgado e Generoso Garrido Alvarez para o comércio de cerveja à Rua Visconde do Rio Branco nº49, com o capital de 30:000&000 (Trinta contos de Réis), sob a firma Salgado & Garrido.

Em 10 de novembro de 1915, a firma Salgado & Garrido, registra a Fábrica de Cerveja Guarda Velha, e sob o nº 10.709 da Junta Comercial do Rio de Janeiro registra a Cerveja Guarda Velha.

Em 1924, Generoso Garrido Alvarez assume individualmente a Cervejaria Guarda Velha, mudando de endereço para a Rua do Riachuelo nº 13.



Em 27 de outubro de 1928, a Cervejaria Guarda Velha, de Generoso Garrido Alvarez, registra o engarrafamento de Vinho do Rio Grande, marca Saccadura, sob o nº 12.556.

Em 3 de setembro de 1929, o Juiz da 3ª Vara Cível defere o pedido, feito em 29 de agosto, de concordata preventiva de Generoso Garrido Alvarez.

Em 12 de dezembro de 1934, O Juiz da 4ª Vara Cível decreta a falência de Generoso Garrido Alvarez - Fábrica de Cerveja Guarda Velha. Encerrando assim, cerca de 70 anos de utilização da marca Guarda Velha.

08 março 2013

Reichert Irmãos / Cervejaria Germania / Companhia Industrial Germania / Emilio Reichert & Cia / Companhia Progresso Nacional


Emilio Reichert, nascido em 1871, em Wurtemberg na Alemanha, chegou ao Brasil em 1889, em companhia do seu irmão Adolph. Pouco tempo depois, iniciaram os dois irmãos os seus negócios e gradualmente, pelos seus esforços, conseguiram dar-lhes um grande impulso. Mais tarde, juntou-se à firma o terceiro irmão, João.

A empresa fundada em 1889 pelos irmãos Reichert começou por negociar em pequena escala, como importadora, e supria então cervejarias de pouca importância que naquela época eram em número nada inferior a 29 só na Capital. Mais tarde, por volta de 1902, iniciaram a fabricação de licores, sabão, biscoitos e bombons, produtos com os quais foram premiados em diversas exposições, inclusive recebeu o grande premio na Exposição de São Luiz.

Em 21 de maio de 1907 foi feito um contrato de sociedade entre Emilio Reichert, Leonora Reichert e Guilherme Reichert para a exploração de indústria, fábrica de cerveja denominada Germânia, bem como fábrica de sabão, importação e fabricação de todos os artigos que convenham, com o capital de 300:000$000 (trezentos contos de réis), nesta capital de São Paulo, sob a firma Reichert Irmãos.
Ainda em 1907, num terreno de 6.000 metros quadrados de propriedade da firma, resolveram os irmãos Reichert, edificar um prédio para instalação da fábrica de cerveja, à Rua dos Italianos, 22 a 28, Freguesia de Santa Ephigenia. O maquinismo, todo ele moderno e aperfeiçoado, é acionado por dois motores a vapor alemães, cada um da força de 80 cavalos. Além disto, trabalham na fábrica 3 motores elétricos, da força total de 25 cavalos.

Em 21 de março de 1907 é publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo os registros na Junta Comercial, na sessão de 15 de março de 1907, das marcas: cerveja Amor e Cerveja Tira Prosa, sob os nº 842 e 843, respectivamente.

Em 5 de dezembro de 1907 é publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo o registro da marca cerveja Americana sob o nº 943, requerido em 8 de novembro na Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 1º de maio de 1908, a fábrica de cerveja foi transformada numa sociedade anônima, sob a denominação de Companhia Industrial Germania, com o capital de Hum mil contos de réis (1.000:000$000), sendo cada ação no valor nominal de duzentos mil réis (200$000). E para organização da qual entram: Emilio Reichert e sua mulher Frieda Reichert, com 2.890 ações; Henrique Reichert e sua mulher Gretel Reichert, com 1.110 ações; Leonor Reichert, com 250 ações; Clotilde Sperling, com 200 ações; Carlos José Sperling, com 100 ações; Carlos João Blank, com 300 ações; Adam Engel e sua mulher Marie Engel, com 125 ações; Luiz Reizig e sua mulher Helena Reizig, com 25 ações.

Achando-se o valor de todas essas ações representado nas partes e direitos, na qual cada um dos acionistas mantem quinhão do valor idêntico ao que cada um tem no estabelecimento industrial de Reichert Irmãos, compreendendo a fábrica de Cerveja Germania, bem como de gelo, gazosas, licores, aguas minerais, acido carbônico, fermento e fábrica de biscoitos, doces e caramelos, instaladas nos prédios da Rua dos Italianos nº. 22, 24, 26 e 28, freguezia de Santa Ephigenia, desta capital, e uma fabrica de sabão instalada em um terreno sito á Rua Varzea dos Sales, freguezia de Santa Cecilia, desta capital e um terreno sito á Rua Itaboca, freguezia de Santa Ephigenia, desta capital, sob n. 13, contendo duas casas de moradia, um grande armazém para deposito, uma cocheira para 42 animais e deposito de ferragens.

As ações do outorgante Emilio Reichert e sua mulher D. Frieda Reichert são representadas pela quantia de 480:800$000 em bens móveis, imóveis e mercadorias, e 169:200$000, que realizaram em dinheiro. A companhia ora em organização assume toda a responsabilidade do activo e passivo da firma Reichert Irmãos.

Em 4 de junho de 1908 o Decreto nº 6975, concede autorização à Companhia Industrial Germania para funcionar na República. Os irmãos Reichert abandonam o fabrico de sabão, biscoitos e bombons e dedicam-se exclusivamente à fabricação de cerveja, licores, águas minerais, gasosas e gelo. A cervejaria produz diariamente 12.000 litros de cerveja, mas pode fornecer, se fôr necessário, até 36.000, além de 400 dúzias de gasosas, 100 dúzias de sifões, 400 litros de 30 qualidades diferentes de licores, como sejam Benedictine, Cognac, Peppermint etc., e 15 toneladas de gelo. A fábrica emprega 140 operários e dispõe de 4 poços artesianos e 40 carros para entrega dos seus produtos. Em outra parte da cidade tem os seus depósitos, onde também se encontram as cocheiras e telheiros para os carros.

Em 7 de maio de 1909 é publicado no Diário Oficial o registro da marca Cerveja Victoria sob o nº 1061, requerido em 29 de setembro na Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 27 de janeiro de 1909, é publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo o registro na Junta Comercial, na sessão de 29 de dezembro de 1908, a marca cerveja Germania Crystal, sob os nº 1085.

Em 23 de dezembro de 1909 é publicado, a pedido, o certificado de propriedade, em nome de Reichert Irmãos, da marca Vienneza registrada na Junta Comercial sob o nº 1149.

Desde meados de 1910 o Sr. Emilio Reichert se tornou o único proprietário, sob a firma Emilio Reichert & Cia.

Em 27 de novembro de 1910 é publicado, a pedido, o certificado de propriedade, em nome de Emilio Reichert & Cia, da marca Ideal registrada na Junta Comercial sob o nº 1353.

Em 3 de janeiro de 1912 é registrada a marca Cerveja Tripoli.
Em 16 de dezembro de 1914 é registrada a marca Cerveja Castaglia.

Em 30 de dezembro de 1914 é registrada a marca Cerveja Portugueza.

Em 26 de fevereiro de 1916 são registradas as marcas Cerveja Popular, Vienneza, Preta e Pilsen sob os nº 2737, 2738, 2740 e 2741, respectivamente, na Junta Comercial do Estado de São Paulo. Ainda nessa data sob o nº 2742 é registrada a marca Cervejaria Germania.

Em 28 de novembro de 1916 é publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo o registro da marca Cerveja Alpino sob o nº 2911 da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 9 de julho de 1917, Emilio Reichert e sua mulher Frieda Reichert, Emilio Reichert Junior, Arthur Ernesto Kausches e sua mulher Bertha Eiechstadt Kausches, Pedro de Souza Junior, Gustavo Will e sua mulher Rosaria Contasani Will, Henrique Schlenz e sua mulher Francisca Schlenz, Dr. Sylvio de Campos e sua mulher Maria Suzana Dias de Toledo campos, Augusto Frederico Fiedler e sua mulher Mathilde Fiedler resolveram de comum acordo formar uma sociedade para a exploração comercial e industrial da firma Emilio Reichert, com o fim de explorar e desenvolver a fabrica de cerveja, gelo, águas minerais e outras bebidas com ou sem álcool, que era mantida por aquela firma, e bem assim as industrias congêneres que se transforma em sociedade anônima e que terá a denominação Companhia progresso Nacional em sucessão a esta e assumindo o seu ativo e passivo. O capital inicial é de mil e quinhentos contos de réis (1.500:000$000), dividido em sete mil e quinhentas ações no valor de duzentos mil réis (200$000), cada, pela forma seguinte: Emilio Reichert - mil duzentos e cinqüenta contos de réis (1.250:000$000), Frieda Reichert – duzentos e trinta contos de réis (230:000$000),, Emilio Reichert Junior – cinco contos de réis (5:000$000), Arthur Ernesto Kausches – dois contos de réis (2:000$000), Pedro de Souza Junior - dois contos de réis (2:000$000), Gustavo Will - dois contos de réis (2:000$000), Henrique Schlenz - dois contos de réis (2:000$000), Dr. Sylvio de Campos - cinco contos de réis (5:000$000) e Augusto Frederico Fiedler - dois contos de réis (2:000$000).

Em 15 de setembro de 1917 é feito o requerimento junto a Junta Comercial do Estado de São Paulo para alteração do registro das marcas de cerveja: Munchen, Victória, Vienneza, Alpino, Hespanhola e Preta, todas já registradas anteriormente pela antecessora.

  
  
  
  
  


Em 2 de setembro de 1918 o jornal Correio Paulistano anuncia o lançamento da Cerveja Palestra.

Em 9 de outubro de 1918 o jornal Correio Paulistano anuncia o lançamento da Cerveja Popular.

Em 17 de outubro de 1929 o jornal Diário Nacional anuncia o lançamento da Cerveja Progresso.

Em 2 de agosto de 1934 os jornais Correio Paulistano e Correio de São Paulo anunciam o lançamento da Cerveja Caramuru (acondicionada em garrafinhas de 250 ml).

Em 30 de junho de 1940 o jornal Correio Paulistano anuncia o lançamento da Cerveja Malzbier.

Em 22 de agosto de 1941 o jornal Correio Paulistano anuncia o lançamento da Cerveja Monopol.

18 janeiro 2013

Cervejaria Astra



José Dias de Macêdo, nasceu no dia 08 de agosto de 1919, na cidade de Camocim - CE. Casado com Maria Proença de Macêdo.

Iniciou suas atividades empresariais, em Fortaleza - CE, a partir de um pequeno escritório de representações junto com seu cunhado. Uma sociedade comercial em nome coletivo e em forma solidária, que entre si fazem Carlindo Cruz e José Dias de Macêdo, a qual seria regida sob a razão social Carlindo Cruz & Cia. conforme o registro de número 4538 da Junta Comercial do Estado do Ceará, em 24 de maio de 1940. O início da empresa está associado à participação do Sr. José Dias de Macêdo em uma representação comercial, a qual representava produtos de todo o Brasil: manteiga das Minas Gerais, vinho gaúcho, madeira paranaense, vidro pernambucano, café capixaba, cortiça carioca, arroz do Maranhão e saco de juta da Amazônia. Em 1945, formou-se economista pela faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Ceará, nesse mesmo ano, a sociedade com seu cunhado foi dissolvida e a partir de 11 de outubro a razão social passou a ser J. Macêdo & Cia.

O grande salto da então J. Macêdo & Cia se deu em 1948, com a representação exclusiva, no Ceará, do Jeep da Willys-Overland.

Em 30 de maio de 1952 é modificada a razão social para J. Macêdo S.A. Comércio, Indústria e Agricultura.

A experiência da importação e comercialização do Jeep contribuiu para a empresa conseguir uma licença para a importação de 80 mil sacas de farinha de trigo dos Estados Unidos, em 1952, marco inicial da sua atuação na área de alimentos derivados de trigo.

Em 1955 iniciou um importante processo de diversificação de atividades, passando a atuar em três divisões: alimentos, bebidas e veículos. O resultado positivo na comercialização da farinha de trigo importada e o grande interesse dos fundadores em entrar na atividade industrial levaram a J. Macêdo S.A a construir seu primeiro moinho, o Moinho de Trigo Fortaleza, o qual entrou em funcionamento em setembro de 1955.

A diversificação do grupo teve inicio em 1959, com a criação do Frigorífico Industrial de Fortaleza - Frifort, destinado ao abate de bovinos e comercialização de carnes. Em 1962, foi construído a Construções Eletromecânicas - Cemec, para a produção de transformadores elétricos. A Hidracor, por seu turno, foi inaugurada em 1963, para a produção e comercialização de tintas hidrossolúveis.

Em 1965 foi lançada a pedra fundamental do prédio que abrigaria a Cervejaria Astra, localizado na Rua Lauro Nogueira, 1355, bairro Papicu em Fortaleza, CE. O prédio foi construído pelo engenheiro cearense, Luiz Gonzaga de Carmo Paula, formado pela Universidade Mackenzie, de São Paulo.

Em 26 de agosto de 1967 é novamente alterada a razão social para Indústria e Comércio J. Macêdo S.A. – ICOMASA. E exatamente um ano após, 26 de agosto de 1968, retorna à denominação anterior: J. Macêdo S.A. Comércio, Indústria e Agricultura.

Em 8 de outubro de 1969, ocorre nova mudança nas atividades, com a criação de uma empresa holding, adequando-se à razão social que passa a ser J. Macêdo S.A. Comércio, Administração e Participações.

Dando continuidade ao processo de diversificação, em 1970 o grupo inaugura a Cervejaria Astra e faz o lançamento da cerveja Astra Pilsen, “Astra, cerveja do Ceará!” com festa no Clube Náutico Atlético Cearense, em Fortaleza.

Além de produzir a Astra Pilsen produz também a Astra Malzbier, as duas versões em dois tamanhos, garrafas de 600 e de 300 ml e também uma cerveja tipo exportação, a Astra Export.

   

   

Logo depois, em 1971 compra o controle acionário da Cervejaria Miranda Corrêa, em Manaus e, em seguida se associa à Brahma que através da aquisição de 26% das ações da Cervejaria Astra passa a controlar as duas cervejarias: Astra, de Fortaleza - CE e Miranda Correa de Manaus – AM, passando a ter uma forte liderança para a fabricação e distribuição de seus produtos no Norte e Nordeste do Brasil.

Em 1999, passou a pertencer a Ambev, empresa criada com a fusão das empresas Antarctica e Brahma, e após o fechamento toda a produção foi transferida para sua nova fábrica em Aquiraz – CE. Em 2010 a antiga fábrica da Brahma foi ao chão. A implosão ocorreu sem problemas, para implodir o prédio, foram necessários 250 kg de dinamite. A implosão durou 10 segundos. A população pôde assistir a implosão, de longe, cujo impacto pôde ser sentido bem longe dali.

O terreno foi vendido para João Carlos Paes Mendonça, que virou a sigla JCPM, controlador de um conglomerado de empresas, entre as quais a TV, a Rádio e o Jornal do Comercio de Recife, além de 11 shopping centers espalhados por grandes cidades do Nordeste, no local será instalado o Shopping Riomar Fortaleza que será construído nos 220 mil metros quadrados do antigo terreno da cervejaria Astra.

02 dezembro 2012

Fabrica de Cerveja Frederico Christoffel & Cia / Frederico Christoffel & Successores


Imagem e texto retirados das publicações: "Revista da Cerveja Nº 2", "jornal A Federação", "Anuário da Província do RS".

Em 1855, exatamente ao pé da letra com a roupa do corpo, chegou ao Rio de Janeiro junto com emigrantes expontâneos vindo do Rheno, Frederico e Guilherme Christoffel após alguns meses de viagem num veleiro que naufragou em frente a Cabo Frio. Os náufragos só puderam salvar a roupa do corpo e o que tinham nos bolsos (documentos, dinheiro, etc.) e assim ficaram em terra estranha, cuja língua desconheciam, cujos costumes ignoravam. Para Frederico Christoffel o naufrágio não foi completo, seu irmão seguiu logo para o interior e ele ficou no Rio de Janeiro só, sem parentes, sem amigos, sem conhecidos e sem recursos, sem poder entender e nem se fazer ser entendido porque naquele tempo eram raros os alemães na grande cidade que o Rio já era. Contudo Frederico encontrou acolhida e dois ou três dias depois foi atraído a um banho na Praia do Russel e quando quis sair suas roupas, suas poucas moedas e os documentos que o naufrágio o poupara, haviam sido roubados.

Conseguiu emprego no comércio do Rio de Janeiro durante cinco anos e em 1860, uma atração irresistível o conduziu a Porto Alegre no Estado do Rio Grande do Sul onde começou a produzir cerveja na Rua da Floresta.

Por volta de 1850, Carlos Leser havia fundado uma pequena cervejaria na Rua do Rosário (antiga Rua do Bandeira e posteriormente em 1877, a Câmara Municipal altera seu nome para Rua Vigário José Inácio, em homenagem ao Padre José Inácio de Carvalho Freitas, vigário da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, que acabava de falecer.) na esquina do Caminho Novo, em Porto Alegre – RS.

Em 1864, Frederico Christoffel compra essa cervejaria, importa máquinas da Alemanha e passa a importar os insumos para a sua produção de cerveja, o lúpulo vinha da Baviera e a cevada de Hamburgo.

O cuidado com a qualidade trouxe à Fabrica de Cerveja Frederico Christoffel & Cia. diversos prêmios em diferentes exposições, o primeiro deles foi em 1866 na Exposição Nacional, na Corte, onde recebeu medalha de bronze.

Em 1875, conquistou medalha de prata na Exposição Comercial e Industrial do Rio Grande do Sul.

O uso de máquinas a vapor levou a Christoffel a produzir no ano de 1879 um milhão de garrafas de cerveja, a metade da produção de todo o Estado.

Em 1881 a cervejaria Christoffel participou da Exposição Brasileira-Alemã, recebendo novamente um prêmio. Participou também das exposições de 1886 e Berlin 1886

A cervejaria de Frederico Christoffel foi a pioneira no estado na produção de cerveja produzida em baixa fermentação a partir de 1883 e em novembro de 1884 começou a fabricar e vender gelo.

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A pequena fábrica tornou-se grande, a cerveja Christoffel criou fama e seu consumo extendeu-se pelo Rio Grande e pelo Brasil afora assegurando a Frederico uma fortuna considerável com a qual ele amparou outra indústria, a dos cofres e fogões Berta e estimulou a agricultura associando-se a fazenda Progresso com um moderno cultivo de arroz.

Em abril de 1887, Frederico Christoffel se desfaz da cervejaria passando-a para a sociedade de Francisco J. Siman e Luiz Englert que alteram sua firma para Frederico Christoffel Sucessores.

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Em 1891 foi transformada em sociedade por ações, constrói um novo edifício para a fábrica na Rua Voluntários da Pátria e desativa a antiga fábrica na Rua Vigário José Inácio, transformando-a em depósito.

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Em março de 1901 recebeu medalha de ouro em todas as cervejas apresentadas na Exposição Agropecuária e Industrial do Rio Grande do Sul.

Em maio de 1903 a Christoffel lança a cerveja parda Culmbach.


Em 16 de março de 1904, o Jornal A Redenção, traz um artigo sobre a cervejaria de onde tiramos alguns tópicos: O capital da fábrica é de 600:000$000 (seiscentos contos de réis), o atual proprietário é o Sr. Luiz Englert e para a produção tem 45 empregados, o limite de produção é de 1.500.000 garrafas de cerveja por ano, de cerveja branca e preta simples e dupla, de Lager Bier, Export Bier, Culmbacher, Chopps simples e duplo. No tocante a maquinaria, a máquina frigorífica pode produzir 300 kg de gelo por hora, a bomba d’água fornece 800 litros por minuto, os reservatórios de água tem a capacidade de 20.000 litros cada um, a caldeira a vapor é do sistema Belevil, de Demayer & Cia. de Villabroek, Bélgica, com uma superfície de fogo de 82 m², correspondendo a mais ou menos 60 cavalos vapor, o combustível empregado é a madeira.

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Em 27 de abril de 1915 falece, com 87 anos, Frederico Christoffel, o pioneiro da cerveja no Rio Grande do Sul.


21 setembro 2012

Fábrica de Cerveja de Ambrozio Leonardelli / Leonardelli & Irmãos / Irmãos Leonardelli & Cia.


Imagem e texto retirados dos jornais: “O Momento” e “O Brazil” de Caxias-RS.

O início da Cervejaria Leonardelli coincide com os primeiros anos da chegada dos imigrantes italianos à região por volta de 1875.

  

Entre os primeiros imigrantes que chegaram a Caxias, contava-se o pioneiro Ambrogio Leonardelli (Ambrozio) que havia chegado em 1876. Homem trabalhador e honesto foi um dos iniciadores da vida da nossa cidade, sendo um dos desbravadores do antigo ambiente que aqui reinava. Em 1878, Ambrozio Leonardelli trabalhava como cervejeiro em uma fábrica caseira nas imediações da Rua Tronca esquina de Visconde de Pelotas, no antigo bairro lusitano, de propriedade de Felice Laner.

Tempos depois, Ambrozio casou com a irmã de Felice, dona Maria Lanner, pertencente a uma das famílias que haviam emigrado para o Brasil, foi o primeiro casamento realizado nesta comuna, desta união nasceram cinco filhos e dentre estes João Leonardelli, nascido em 1880, que viria a ser um grande cervejeiro.

Em 1882, Ambrozio Leonardelli lançou as bases de uma indústria que Caxias desconhecia. Começou a fabricar cerveja e inaugurou a própria fábrica de cerveja em um terreno na Rua Ernesto Alves, próximo à atual rodoviária. Imitando a iniciativa de Ambrozio, outros imigrantes tentaram fabricar o mesmo produto. Alguns logo desistiram, quando foi criado o imposto de vinte réis (0$020) por garrafa, alegavam que ninguém faria mais uso de cerveja pois a garrafa desse liquido passaria de cento e sessenta réis (0$160) para cento e oitenta réis (0$180). Ambrozio Leonardelli, homem tenaz e cheio de boa vontade não esmoreceu e continuou a fabricação do mencionado produto.

Em 23 de janeiro de 1911, o jornal “O Brazil” publica a relação dos prêmios ganhos pelos estabelecimentos de Caxias que participaram da Exposição Nacional de 1908 e entre eles estava a Fábrica de Cerveja de Ambrozio Leonardelli que havia recebido medalha de bronze.

Em 1912, com o afastamento de Ambrozio, a firma passa a denominar-se Leonardelli & Irmãos composta por João, Carlos e Mario Leonardelli.

Em 18 de outubro de 1914, são inauguradas as novas máquinas da cervejaria, adquiridas na casa Bromberg & Cia. E montadas pelo Sr. Maximiliano Müller.
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Em setembro de 1917 a cervejaria ganhou mais um prêmio, recebeu medalha de prata na 1ª Exposição Agrícola-Industrial promovida pela SC Gondoleiros de Porto Alegre – RS.

Em 26 de janeiro de 1918 o jornal “O Brazil” noticia o falecimento de Ambrozio Leonardelli com a idade de 71 anos, na quarta-feira passada, dia 23. Morre legando a seus filhos um exemplo de força de vontade e de honradez. Os filhos procuraram continuar a obra do velho Ambrozio Leonardelli desenvolvendo-a e aperfeiçoando-a.

Em sessão de 27 de janeiro de 1921 a Junta Comercial defere o requerimento pedindo o arquivamento do contrato da firma Leonardelli & Irmão, com o capital de 20:000$000 (vinte contos de réis), da qual fazem parte João, Carlos e Mário Leonardelli.

Em 1927 falece Mario Leonardelli, um dos três irmãos.

Em 1933, deram um novo impulso, fazendo uma grande reforma e conversão de alta para baixa fermentação. A firma, então, tomou uma nova denominação Irmãos Leonardelli & Cia. Prosseguiram como sócios João e Carlos e entraram para a mesma Ambrozio Leonardelli (neto) e Primo Leonardelli.

Em 3 de abril de 1934, o jornal A Federação, publica que na sessão de 2 de abril da Junta Comercial foi arquivado o contrato social de João Leonardelli & Irmão com o capital de Rs 500:000$000.

  

Em 1934, na 4ª Festa Regional da Uva, recebeu diploma de honra pelo belo stand de seus produtos.

Em 1935, imprimiram os componentes da firma uma nova atividade. Construíram a segunda maltaria do Estado, indústria que o senhor Getúlio Vargas apoiou, isentando-a de impostos, reconhecendo o valor da mesma na prosperidade econômica da nação. Gerencia a atividade comercial da firma, o Sr. Raimundo Leonardi, espirito dinâmico, honrado e benquisto.
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Em 6 de julho de 1945 é publicada nos jornais a declaração da venda da cervejaria e da maltaria à Cervejaria Brahma.
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Em 24 de abril de 1948 o jornal “O Momento” publica o aviso de fechamento, pela Brahma, das fábricas de Caxias do Sul e de Pelotas no Rio Grande do Sul.

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