11 junho 2011

Carlo Fornaciari & Filhos / Cervejaria Rhenania / S/A Cervejaria Polar



Juliana Gouthier - Jornal Pampulha
Selena Duarte Lage e Lage


Belo Horizonte ainda não era nascida, era um arraial, mas já tinha a sua fábrica de cerveja e gasosa, foi assim que entre ruidosas e justas comemorações a cidade viu nascer, no dia 12 de dezembro de 1897, em ato público soleníssimo, presidido pelo Dr. Crispim Jacques Bias Fortes, a nova capital de Minas. Cidade recém-nascida que, após a inauguração, passou a se chamar oficialmente Cidade de Minas e que só viria a se chamar Belo Horizonte em 1901.

A fábrica de cerveja começou a funcionar um pouco antes, no mesmo ano da inauguração da nova capital, em 1897, o empreendimento foi uma iniciativa do italiano Carlo Fornaciari, da região da Toscana, que em 1894 mudou-se para o então Arraial de Curral del Rei (depois Arraial de Belo Horizonte), onde estava sendo construída a nova capital mineira.

Carlo Fornaciari junto com seus filhos Ulysses e Modesto, montaram a empresa Carlo Fornaciari & Filhos, Cervejaria Rhenânia, com produção de cerveja, chope e gelo, na região da Rua Sergipe com Timbiras.

"Contando com um capital inicial de 45:000$000,00 (quarenta e cinco contos de réis) esta marca viria a ficar logo conhecida pela excelência do produto. Os Fornaciari também passaram a produzir gelo", registra o livro "100 Anos da Indústria em Belo Horizonte", coordenado por Moema Moreira Gontijo. Mensalmente, eram produzidas cerca de 18 mil garrafas de diferentes tipos de cervejas: Rhenânia (pilsen e munchen); Hamonia (preta e branca) e Victória.
  
  

No início do século XX, a prefeitura concedeu um terreno para a construção da nova fábrica na Avenida Oiapoque (onde é atualmente o shopping Oiapoque) através da política de incentivo ao desenvolvimento industrial implementada pelo governo municipal, em 1902. A nova sede da indústria, uma "construção arrojada e monumental", foi equipada com "o que havia de mais moderno em maquinário e tecnologia".
As primeiras edificações do conjunto foram concluídas em 1910. O projeto é de 1908, de autoria do arquiteto italiano Luiz Olivieri, bastante atuante na recém criada Belo Horizonte daquela época.

Carlo Fornaciari logo instala a Cervejaria Rhenânia no novo prédio, deixando o sobrado da praça da Igreja da Boa Viagem na esquina da Rua Sergipe com a Rua Timbiras que abrigou, a primeira cervejaria de Minas Gerais, a Cervejaria Rhenânia, transformou-se em um armazém de secos e molhados. Em 1959 o então "Bar da Esquina" voltou a alimentar os boêmios e mais tarde ficou conhecido como "Clube da Esquina". o local é bastante agradável, ambiente claro, amplo. A decoração é simples, sem ornamentações, mas muito bonita. A casa passou por um período de decadência no final da década de 90. Foi quando o ator e músico Marcelo Galery fez um trabalho de recuperação de estrutura e arquitetura do sobrado e devolveu um ar de nostalgia à casa. O Clube da Esquina participou do Comida di Buteco 2002, concorrendo com a "Carne de panela Manoel Sapateiro". O bar já foi frequentado por famosos como Milton Nascimento, o ex prefeito Patrus Ananias e Murilo Rubião.


Ainda segundo o livro, "a Rhenânia entrou em operação em suas novas instalações, produzindo cerveja, chope e gelo". Naquela década, a empresa chegou a ser a quarta fábrica de cerveja do Brasil. Com o sucesso do empreendimento, Carlos Fornaciari, que já trabalhava com os filhos, contou também com a ajuda de parentes que vieram para o Brasil para se dedicarem à indústria de refrigerantes em Belo Horizonte. Como foi o caso do seu irmão, Giocondo Forniciari que associado aos filhos Alladino, Italo e Marino investiram na produção de refrigerantes, como o Guaraná União e as sodas Limonada, Delícia e Soberana.

A Rhenânia foi vendida em 1922, passando a funcionar no local a então recém-fundada Cervejaria Polar.

  

Por sua vez, a Rhenania agora Cervejaria Polar foi vendida em 1928 para a Companhia Antarctica que constituiu em 23 de abril desse ano a filial independente Companhia Antarctica Mineira.
  

Ao longo do tempo, o conjunto passou por diversas reformas e acréscimos, especialmente nas décadas de 1930 e 1940. Entretanto, seus edifícios ainda guardam a volumetria original e, presentes em sua maioria, as características do estilo eclético com ênfase para os referenciais da arquitetura neoclássica, sendo um dos poucos remanescentes da arquitetura para fins industriais do início do século XX.

Não foram encontradas informações sobre quando o conjunto de edificações da Indústria de Bebidas Antárctica ficou inutilizado. Em 2000, descobriu-se que o conjunto se encontrava em avançado processo de demolição, principalmente de suas partes internas, tendo sido retirada boa parte das coberturas dos prédios. Internamente o conjunto se encontrava praticamente em estado de ruína.
Como as demolições, de acordo com os pareceres técnicos, não foram suficientes para implicar na perda das principais características arquitetônicas do bem, em 2001 o CDPCM-BH deliberou o tombamento com diretrizes especiais de proteção e projeto (Deliberação Nº 004/2001). Em 2002, o imóvel foi arrematado em leilão pelo empresário Mário Valadares que, em parceria com a prefeitura de Belo Horizonte (através do projeto da prefeitura denominado Centro Vivo), foi criado o shopping popular que tem por objetivo organizar a economia informal movimentando os que trabalhavam nas ruas da região para o interior de um estabelecimento único, de modo a oferecer para a população maior segurança, manter limpa a área central e despoluir visualmente as ruas e avenidas do centro da cidade.

O Shopping Oiapoque iniciou suas atividades em 4 de agosto de 2003.

25 maio 2011

Maltaria e Cervejaria Londrina


A zona leste da cidade de Londrina, no Estado do Paraná, já foi uma espécie de “parque empresarial” londrinense. Na época em que os pés de café e a produção do campo eram a base produtiva local, ficavam ali, bem ao lado do “marco zero” da cidade, algumas das poucas unidades industriais de Londrina.

Era a capital mundial do café, mas por que não poderia ser também a capital da cerveja? Esse era o pensamento que norteava o empreendedor português Fausto Tavares, pai da economista Maria Conceição Tavares, radicada no Rio de Janeiro, ex-deputada federal e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Fausto Tavares nasceu em Portugal, no distrito de Aveiro, no dia 28 de abril de 1906. Veio para o Brasil com a intenção de entrar na importação de vinhos portugueses. Mas ao verificar que o câmbio da época não favorecia o negócio de importação de bens não essenciais, resolveu montar uma fábrica de cerveja no Rio de Janeiro (a Cervejaria Cayru), a qual, após poucos anos, vendeu para o Grupo S (Scarpa) que era dono da Cervejaria Rio Claro (Caracu).

Resolveu então partir para Londrina que era um mercado novo onde montou uma nova fábrica de cerveja, assim, nascia em 1952, a Maltaria e Cervejaria Londrina, na Rua Don Fernando, 252, Bairro Aeroporto. A fábrica se identificou tanto com a região onde foi instalada, na zona Leste de Londrina, que o bairro à sua volta ganhou o nome de Cervejaria, que permanece até hoje na boca do povo.

No entanto, ''maltaria'' ficou apenas no nome. Os senhores do café não se animaram a plantar cevada no lugar do ''ouro verde''. Levou algum tempo para a produção de cerveja passar a ser regular, desta época até 1967, fabricava duas cervejas que identificavam e orgulhavam a Cidade: a cerveja clara marca Londrina Chopp e a cerveja preta Chopim.

O nome da cidade também estava na linha de refrigerantes: guaraná, água tônica, soda limonada.

Um dos maiores orgulhos do pessoal da fábrica se deu na Exposição Agropecuária e Industrial do Paraná, realizada em Londrina em 1965, quando o presidente Castelo Branco experimentou a Londrina Chopp.

Oito poços artesianos, com mais de 100 metros de profundidade, garantiam a água para as diversas marcas de cerveja londrinense e nos bons tempos chegou a empregar 500 pessoas.

Ao longo do tempo a Cervejaria Londrina ainda fez diversos experimentos com suas cervejas, colocando no nercado algumas novidades como a Malzbier com vitaminas e a Londrina Chopp com super fermento:



A Cervejaria Londrina teve mais tarde o mesmo destino da primeira cervejaria de Fausto Tavares, sendo vendida para o Grupo S (Scarpa). Fausto Tavares com o dinheiro da venda, se instalou em São Paulo onde se dedicou à construção civil e, mais tarde, à pecuária, comprando fazendas em Mato Grosso e em Goiás. Faleceu em São Paulo em 1984, aos 78 anos, como resultado de uma trombose.

Em 1967 o Grupo S que nessa época detinha o controle acionário das cervejarias Rio Claro (Caracu), Santista, Cayru e Londrina se associou à Skol Internacional Beer Limited, uma empresa criada na Europa em 1964, por um grupo formado por seis cervejarias dentre elas a Sociedade Central de Cervejarias Portuguesas. Em 1969, as quatro cervejarias foram incorporadas, nascendo a Cervejarias Reunidas Skol Caracu S/A.

17 maio 2011

A Cervejaria Hosang / Schossland & Hosang / Cervejaria Nacional Otto Hosang



Baseado em: José Ferreira da Silva – Blumenau em Cadernos Tomo III – nº.9 - setembro de 1960.
Atualizado e/ou confirmado por: Niels Deeke, Brigitte Brandenburg, Henry Henkels e Marcos Schroeder.
Imagens do rótulo e da garrafa gentilmente cedidos por Eliane Hosang (tetraneta de Heinrich hosang).

Em 1858, veio juntar-se aos colonos alemães que construíram, à margem do Garcia, a sede da colônia Blumenau - SC, um imigrante nascido em 29 de março de 1828, natural de Brunswick (Alemanha). Chamava-se Heinrich Hosang (Heinrich Peter Andréas Hosang).

Homem ativo e empreendedor pensou logo na criação de uma indústria de cerveja, de que trouxera prática do velho mundo. E tão logo viu possibilidades de suficiente consumo para a produção prevista, e depois de ter construído sua casa na atual Rua São Paulo (casa que ainda existe) e de ter se casado com Helena Brandes (Helene Friederike Henriette Brandes) nascida em 20 de outubro de 1838, instalou, nos fundos de sua residência, a sua pequena indústria.

Isso se deu em 1860, quando Blumenau contava, apenas, pouco mais de 950 moradores, agrupados em 190 famílias e outras tantas casas de moradia, das quais só umas sessenta mereciam esse nome, pois, as outras, não passavam de ranchos cobertos de palha.

O terreno adquirido por Hosang tinha 150 geiras e custara 450$000 que foram pagos à vista. Não se tendo, no momento de efetuar o pagamento, conhecimento, ainda, do regulamento da colônia (que naquele mesmo ano de 1860 passara para o domínio do governo imperial) e que concedia o desconto de 12% sobre o preço de terras pagas à boca do cofre, Hosang em 1867, requereu lhe fosse devolvida a importância que pagara a mais.

A fábrica de Hosang prosperou. De ano para ano, foi crescendo o consumo da bebida que preparava e que era a preferida no comércio local, visto que a maioria dos moradores era de origem alemã e grandes apreciadores da cerveja.


O casal Heinrich Hosang teve cinco filhos: Elisa, depois casada com Alvin Schrader (que chegou ao posto de superintendente municipal, tendo governado Blumenau por três quatriênios consecutivos); Otto, casado com Clara Odebrecht; Clara, casada com o conde Von Westarp; Francisco, casado com Ana Maschke; e Helena que se casou com Hermann Schossland.

Hosang esteve à frente da sua indústria até quando faleceu em 16 de dezembro de 1888, com 60 anos de idade.

Seus herdeiros ainda guardam um curioso livro de registro de vendas de cerveja, de 1880 a 1881, a comerciantes onde se pode colher dados interessantes: Maurício Holetz, dono de hotel e bar, era grande freguês da cerveja Hosang: cerca de 300 garrafas por mês. Os negócios do Reinhardt, do Fernando Schrader, do Henrique Probst, do Sutter, do W. Scheeffer, do Victor Gaertner, do Paulo Hartmann, do Stein, do Wegener, do Beyer, do Fiedler, do Asseburg, do Rabe, do Schreiber, do Paupitz, do H. Kestner, do H. Hering, do Guilherme Engelke, do Jens Jensen e de muitos outros espalhados pelo interior da colônia, eram outros tantos revendedores importantes.

Depois do falecimento de Heinrich Hosang, a viúva, auxiliada por seu filho Otto, continuou à frente da fábrica, com a mesma eficiência e o mesmo sucesso anterior.

Helena Brandes, esposa de Hosang, quando ainda noiva, trajando elegante indumentária da época.

Por volta de 1889/90, a cervejaria muda de endereço saindo do Garcia para uma transversal da Rua São Paulo (atual Rua Heinrich Hosang).

Otto, nascido em Blumenau em 20 de dezembro de 1873, estudou química em Brunswick (Alemanha) e casou em Blumenau em 20 de agosto de 1896 com Henrica Gustava Clara Odebrecht, nascida em primeiro de junho de 1874, com quem teve 12 filhos (Heinrich, Hedwig, Arthur, Ralf, Ilka, Herald, Curt, Erika, Evelina, Max, Emil, Ingo) e 29 netos.


Até que, em 1898, o filho Franz (Francisco) e o genro, Hermann Schossland, associados, passaram a dirigir a cervejaria, sob a razão social de Schossland & Hosang.


Em 1906, Hermann deixa a sociedade e Francisco assume a responsabilidade social sozinho. Nesse mesmo ano, seu irmão Otto, que tinha regressado recentemente da Alemanha, onde fora estudar, tenta a implementação de uma subsidiária da cervejaria em Itajaí - SC e posteriormente, oficialmente associado ao irmão, transfere a Cervejaria, com o nome de Cervejaria Nacional Otto Hosang, para Aquidaban (antigo distrito de Blumenau e atual município de Apiúna).

Em 1920 Otto Hosang veio com a família fixar residência em Taió, quando foi nomeado primeiro agente do Correio do município. Em 1922 ele muda novamente para Blumenau. Em 1923 voltou com a família para Aquidaban onde se estabeleceu com uma casa de comércio. Foi agente do Correio e Telégrafo e agente da Estação da Estrada de Ferro Santa Catarina naquela localidade.

Infelizmente, a Cervejaria Nacional Otto Hosang deixa de funcionar em 1923, por motivo de doença de Francisco Hosang e por Otto já estar exercendo a função de agente do correio em Taió, sendo vendido todo o acervo, material e maquinaria, à firma Bock de Nova Breslau, atual Presidente Getúlio, onde ainda prestaram serviços por longos anos.

É dessa última época, o rótulo da "Cerveja Victória" que ilustra este trabalho e que custava 300 réis a garrafa. Era, como as demais da época, das chamadas "marca barbante" porque as garrafas, em vez de fechadas com as tampinhas de metal, como atualmente se usa, eram obturadas com rolhas de cortiça. Um fio de barbante, passado sobre as rolhas e amarrado ao gargalo das garrafas, assegurava maior resistência aos efeitos da fermentação da bebida.

Em 1925, Otto Hosang e família vieram morar definitivamente em Taió. Reassumiu a agência do Correio, que esteve entregue desde que se ausentou de Taió, aos cuidados de seu Filho Ralf Hosang. Após a revolução de 1930, quando assumiu o poder Getúlio Vargas, decretou a fusão do Telégrafo aos Correios, e como o telégrafo até aqui esteve sob a agenciação de Estelina Lenzi, ela perdeu o cargo de agente para Otto Hosang, que era funcionário público mais antigo. Por esse motivo Otto Hosang foi nomeado Agente do Correio e Telégrafo de Taió, cujo cargo ele ocupou até sua morte ocorrida em 17 de junho de 1932.

15 maio 2011

Cervejaria Ernesto Basta / Alta Paulista / Bavária S/A




Em 1898, chegou ao Brasil Salvador Basta (Salvatore) nascido em 1890, na Calábria, Itália, vindo para São José do Rio Preto - SP e mudando posteriormente para Cravinhos - SP. Casou-se com Vicenza Cacciaro Basta. Veio para Marília - SP em 1928, onde fundou com seus filhos a Cervejaria Progresso, fábrica de bebidas e destilaria, fabricava guaraná e vinagre na Vila São Miguel, depois sucedidos por seus filhos que iniciaram fabricação de cerveja.

Ernesto Basta, seu filho, nasceu no dia 15 de setembro de 1912, na cidade paulista de Cravinhos. Ainda menino já trabalhava com o pai, com quem seguiu até se casar em 1932 com Irma Anzanello. Ernesto e Irma tiveram quatro filhas: Dalva (casada com Nestor de Azevedo Falcão), Deise (casada com Nicolau Abramides), Dirce (casada com Waldir Cardani) e Darci (casada com Carlos Alberto dos Santos Silva).

Com a proximidade do casamento, entendeu que era preciso ter seu próximo negócio e adquiriu os equipamentos necessários para a instalação de uma fábrica de refrigerantes. Em 1933, depois de casado e com o equipamento adquirido, instalou a sua primeira fábrica de refrigerante. Em Marília, além da fabricação de refrigerantes, passou a comercializar bebidas importadas e a fabricar cerveja.

Publicado no Diário Oficial de São Paulo de 2 de agosto de 1938 sob o nº.51541, a constituição, em 22 de julho de 1938 na Vila São Miguel, da sociedade solidária Ernesto Basta & Irmãos Comércio e Indústria de Bebidas - Destilaria Basta, com o capital de 62:640$000 (sessenta e dois contos e seiscentos e quarenta mil réis) em partes iguais para os sócios (irmãos): Ernesto, Domingos e Leonildo Basta. Fabricavam a cerveja Basta e Bastinha (cerveja preta).
Publicado, em 19 de maio de 1951, no Diário Oficial de São Paulo o registro nº. 131.050 da assembléia de 6 de março de 1951 que elevou o capital de Cr$600.000,00 para Cr$1.000.000,00.

Publicado, em 20 de setembro de 1952, no Diário Oficial de São Paulo o registro nº. 146.353, da alteração feita em 1 de setembro de 1952 em que a sociedade Ernesto Basta & Irmãos foi transformada na sociedade solidária Ernesto Basta, Irmãos e Cia. Tendo o seu capital social elevado de Cr$1.000.000,00 para Cr$12.000.000,00. Sendo Cr$3.056.000,00 de Ernesto Basta, Cr$3.057.000,00 de Domingos Basta, Cr$3.057.000,00 de Leonildo basta e o acréscimo dos novos sócios Eucherio Graziadei Amado com Cr$2.800.000,00, Amélio Guilherme Forini com Cr$10.000,00, Palmyro Moro com Cr$10.000,00 e Samuel Augusto Manaresi com Cr$10.000,00.


Através da assembléia realizada em 6 de setembro de 1952 a sociedade solidária Ernesto Basta, Irmãos & Cia. foi transformada em sociedade por ações sob a denominação de Cervejaria Alta Paulista S.A. Indústria de Bebidas, com o capital integralizado de Cr$12.000.000 (doze milhões de cruzeiros) divididos em 12.000 ações no valor de Cr$1.000,00 cada uma, distribuídas da seguinte forma: Ernesto Basta com 3056, Domingos Basta com 3057, Leonildo Basta com 3057, Eucherio Graziadei Amado com 2.800, Amélio Guilherme Forini com 10, Palmyro Moro com 10 e Samuel Augusto Manaresi com 10 ações. A Cervejaria Alta Paulista, na época, era a única da região.

Foi registrada em 24 de maio de 1954, na Junta Comercial de São Paulo, sob o nº. 85521 as atas das assembléias de 30 de novembro e 20 de dezembro de 1953 que elevaram o capital de Cr$12.000.000,00 para Cr$18.000.000,00 e aprovaram a participação da firma numa indústria de fabricação de garrafas, a Vidraria Marilia S.A.

Neste mesmo ano de 1954 entrou em funcionamento a fábrica de garrafas que durou somente até 1955 quando a Companhia Antárctica Paulista - Indústria Brasileira de Bebidas e Conexos (IBBC) assumiu o controle acionário constituindo a sua subsidiária Cervejaria Bavária S.A. Indústria Brasileira de Bebidas e Conexos e não aceitou a garrafa cujo gargalo dificultava o engarrafamento mecânico da cerveja lançada, a Bavária Chopp.

Neste ano de 1955, a convite do então prefeito penapolense, Joaquim Veiga de Araújo, Ernesto transfere-se para Penápolis e monta a primeira indústria de garrafas de vidro. A empresa foi instalada na Avenida Antônio Veroneze, Vila América, entre as ruas Guanabara e Guaporé e chamava-se São Joaquim.

Domingos De Léo e Ernesto Peterson, os primeiros gerentes, construíram do outro lado da Avenida Castro Alves, um outro prédio bem próximo à linha do trem da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Ligando os dois prédios ainda há uma passagem subterrânea sob a avenida.

No final da década de 50, a Cervejaria possuía diversos pavilhões em Marília. Era uma monumental indústria de bebidas e refrigerantes, que fabricava Cerveja Bavária Chopp, Chopp Bavária, Guaraná Caçula, Guaraná Champagne, Pinguim e Águas.

De importância muito grande pelo número de empregados, com assistência social e hospitalar, posição geográfica privilegiada, abastecia diversas zonas, trazendo grandes recursos econômicos ao Município.

Em 1 de junho de 1959 falece Domingos Basta.

Em 1962 a fábrica de cerveja passou a chamar-se Companhia Antárctica Paulista, desaparecendo a Cerveja Bavária Chopp e passando a fabricar somente refrigerantes.

Em 1963 Ernesto se mudou, com a família, para São Paulo e no dia 15 de janeiro de 1975, falece em um acidente automobilístico, nas proximidades de Jaú. O corpo, juntamente com o da esposa, que havia falecido anteriormente, está sepultado na cidade de Cravinhos.

Em 22 de novembro de 1979, falece em Marília, com 89 anos, o patriarca Salvador Basta.
A gerência continuou com Domingos De Léo que aposentando deixou a administração para Adelmo Foresto. Os refrigerantes passaram a ser produzidos na filial de Bauru. Com a grande venda de seus produtos e necessitando aumentar o espaço da indústria, a Antárctica desejou ampliá-la em Marília cogitando a compra da grande área da Matarazzo que estava desativada. Não conseguindo fazer o negócio, optou para centralizar tudo em Jaguariúna - SP.

Desativado no início da década de 90, o prédio foi vendido para o empresário Rui Rocha de Souza e a partir de 2005 ali foi instalado o campus da FATEC (Faculdade de Tecnologia) de Marília, que iniciou as suas atividades em março 2006, com o curso superior de tecnologia em alimentos.

27 abril 2011

Cervejaria Angelo Perucchi



Ângelo Peruchi, filho de imigrantes italianos, nasceu em 23/05/1889 na localidade de Rio Maior no atual município de Urussanga – SC, aproximadamente em 1900 veio com a família para Cocal (atual município de Cocal do Sul) localidade na época também pertencente à Urussanga.
Em 1910 casou com Amábile Beneton (de Cezare). Versátil em seu lidar, entendia e fazia de tudo. Foi industrial, comerciante, minerador da mina de carvão Estrela do Oriente, corretor, prático farmacêutico, etc. Em Cocal tinha casa de negócio em sociedade com os irmãos José e David, foi Juiz de Paz em 1920.
amgelo-peruchi
Vide comentário de ECG

Por volta de 1925, Ângelo Peruchi começa a fabricar cerveja e gazoza, uma espécie de refrigerante, no distrito de Cocal. A marca da cerveja era Cocalina e a da gazoza Ideal. Ângelo Peruchi fornecia esses produtos para as praças de Cocal, Criciúma e Urussanga. Posteriormente ele adquiriu em Criciúma a Fábrica de Cerveja de Cincinato Naspolini e a marca de cerveja “Deliciosa” que passou a produzir.

Em meados de 1930, foi membro da comissão encarregada da construção do Grupo Escolar Professor Padre Schüller,
Em 1932, Ângelo Peruchi aproveitou uma queda d’água e instalou um dínamo que fornecia energia elétrica para Cocal, em contato com a Prefeitura Municipal de Urussanga, obteve a concessão de fornecimento por 20 anos de energia elétrica, com a instalação de um novo dínamo produzia luz elétrica domiciliar e pública atendendo à vila Cocal, no período das 18 às 23 horas, cuja concessão transferiu em 1943 para os Srs. Luiz e Paulo Cechinel, que deram continuidade ao trabalho até 1953.
automovel

Possuiu o primeiro automóvel de Cocal, a primeira vitrola RCA Victor, o primeiro rádio. Como político, foi líder atuante na comunidade e exerceu o cargo de Intendente Distrital de 1931 a 1937, foi empreiteiro de 1939 a 1944.

Em casa atendia com sua esposa, os casos médicos mais simples nada cobrando dos pacientes, inclusive fazendo pequenas intervenções cirúrgicas e curativos.

Transferiu residência para Criciúma em 1942. Faleceu em 31/01/1954, em Criciúma, e lá foi sepultado.

22 abril 2011

Fábrica de Cerveja João Leitner / João Leitner & Filhos / J. Leitner & Irmão / Luiz Leitner & Cia / Tivoli / Cervejaria Cruzeiro / Viuva Luiz Leitner & Filhos


João Leitner, imigrante oriundo do Tirol austríaco, homem afável e alegre e que tocava muito bem a cítara e o violão, chegou ao Brasil em 1866 com cerca de 30 anos de idade, indo morar inicialmente na Colônia Dona Francisca, em Joinville - SC, onde casou com Marie Lenkt e nasceu seu primeiro filho.

Por volta de 1868 se mudou para Curitiba – PR, onde nasceram seus outros filhos; Júlio, Edwiges, Guilhermina, Marie, Carlotte, Nestor e Jorge.

Logo se instalou e já em 17 de abril de 1869, o jornal "O Dezenove de Dezembro" anunciava: “Vinagre superior. Vende-se em casa do cervejeiro João Leitner, na Rua das Flores (Quinze de Novembro)”.
Esta foto de 1870 mostra a Rua das Flores, a principal de Curitiba. O espaço fotografado está compreendido, hoje, entre as ruas Monsenhor Celso e Barão do Rio Branco.

Convém traçar, a situação e o aspecto da cidade de Curitiba em 1870, no espaço fechado pelo quadrado formado pela Rua das Flores, Riachuelo, do Comércio e Barão do Rio Branco com Deodoro e Garibaldi, havia apenas quatro casas, de frente para a Rua das Flores e de fundo para a Rua do Comércio. Todas essas casas pertenciam ao Dr. Laurindo, proprietário da vila do Portão. Os jardins, na realidade os pátios das casas cobertos de grama, estendiam-se até os campos úmidos, onde o gado pastava. A uma certa distância dali, na direção sul, estendia-se um espaço completamente vazio, sem nenhuma casa edificada, que alcançava as gargantas do Rio Iguaçu. A alguns metros a sudeste, via-se no meio do mato uma usina de erva-mate, pertencente a um tal Bittencourt. Mais uma outra, propriedade do cidadão Munhoz, encontrava-se ao pé da elevação Alto da Glória, onde também erguia-se o suntuoso e belo edifício do cidadão Fontana. Todos esses moinhos, fábricas, eram acionados pela força das águas do rio Belém. Os jardins e as praças da atual rua Riachuelo e do Passeio Público eram naqueles tempos prados vazios e pântanos, que de vêz em quando eram alagados pelo rio Belém. Um dos cantos desse quadrado de ruas, que traçamos acima, era usado como depósito de cinza. Tratava-se de uma idéia de Leitner, que dessa forma conseguiu secar o terreno e construir nele o hotel. Na Rua das Flores havia já uma casa de pavimentos, propriedade do comerciante José Nabo. O outro edifício de pavimentos era o palácio presidencial. No ponto onde hoje a Rua Quinze de Novembro cruza com a Rua Dr. Murici (antiga Rua da Assembléia), a Rua das Flores estava separada por uma cerca. Se se quisesse ir adiante, era preciso voltar, dirigir-se pela Praça Zacarias e pela Rua Aquidaban, aí desviar o pântano, para finalmente sair nos vistosos Campos Gerais, como eram denominados pelos arrieiros de tropas de carga, que traziam para a cidade diversas mercadorias do interior do Estado.
As ruas principais de Curitiba eram então: Aquidaban, das Flores, do Comércio, da Assembléia, do Rosário, São Francisco e Riachuelo. Das praças podemos citar a Praça Zacarias, da Matriz, Alto São Francisco e a Praça Dezenove de Dezembro. Poucos eram também, na Curitiba daquela época, os edifícios públicos: a administração municipal com a cadeia na parte interna, o edifício do Banco Inglês, adiante o quartel da polícia e a Coletoria. O Correio e a Presidência do Estado encontravam-se em edifícios particulares. Havia ainda a igreja matriz, na praça do mesmo nome, bem como as capelas: da Ordem, Rosário e São Francisco. Além disso, num canto da confluência de ruas acima descrita, encontrava-se a igreja dos protestantes, que se localizava numa casa alugada do Dr.Laurindo. Feiras não muito movimentadas realizavam-se na pracinha Zacarias. As poucas casas de comércio encontravam-se em mãos dos portugueses: José Nabo, Rodrigues, Vidal, Viana. Algumas lojas francesas, como Belache e Mostart, completavam o panorama da capital paranaense daquela época.
Convém frisar que além das lojas citadas não havia outras em Curitiba, nem em mãos de franceses, alemães ou representantes de outras nacionalidades, nem tampouco em mãos de brasileiros.

Em 1870, Leitner começou a construir a sua residência e a sua primeira cervejaria, obra que ficou a cargo dos carpinteiros e construtores Christian August e Gustav Hermann Strobel, pai e filho, na Rua Barão do Rio Branco com Quinze de Novembro, local onde mais tarde foi construído o "Grande Hotel".


Grande Hotel Leitner
Em Pouco tempo terminou a construção, sendo então instalada e inaugurada a Fábrica de Cerveja Tivoli de João Leitner com o inicio da fabricação de sua cerveja. No início ele fazia dois tipos de cerveja: a simples, que custava duzentos réis, e a dupla, por quatrocentos réis a garrafa. O tipo mais consumido era a simples. A aceitação foi muito boa forçando-o em breve a aumentar a capacidade de produção.

Conhecido pela grande visão comercial e preocupação com os problemas econômicos que possuía. João Leitner fundou a cervejaria e um hotel na cidade, e chegou a organizar um transporte de Curitiba a Antonina. Adquiriu a região do Atuba que nesta época pertencia ainda ao município de Colombo.

Em 01/03/1873, o jornal "O Dezenove de Dezembro", pag. 4, anunciou a pensão de João Leitner: "Alugam-se três quartos com suas competentes alcova, em casa do cervejeiro João Leitner podendo os alugadores tomar sua alimentação do mesmo dono da casa".

Em 29 de abril de 1874, o jornal "O Dezenove de Dezembro", anunciou que no Hotel Leitner acaba de chegar um grande e variado sortimento de armarinhos e modas, o que há de maior.

Em 13 de junho de 1874, no jornal "O Dezenove de Dezembro", torna a aparecer João Leitner, agora como chaveiro, eis o anúncio: "Chapas americanas para marcar vestidos, roupa de cama, guardanapos, louças, meias e todo o gênero de roupas. Como também cartões de visita, livros, envelopes e toda a qualidade de papéis. Argolas Americanas para chaves, são feitas de prata allemã e não são sujeitas a enferrujar, quebrar, como as argolas de aço, são muito fortes e bonitas".

Em 12 de agosto de 1882, o jonal "O Dezenove de Dezembro" na página 4, torna a trazer um anúncio do Hotel Central de Leitner, desta vez para anunciar sua venda para Frederico Mostaerd e comunicar também que além de estar localizado em ótima posição central nele se encontra comodos próprios para famílias.

Até esta época a cerveja ainda era relativamente desconhecida e apenas se fazia alguma cerveja caseira, geralmente a base de milho. Já se importava cerveja européia, mas ela era inacessível para a maioria, pois uma garrafa custava um mil réis, sendo um luxo o seu consumo.

Como a produção de cerveja revelou-se um ótimo negócio, em pouco tempo surgiram outras cervejarias. Assim surgiram as de Johnscher, Mensing, Weigang, Schulze, Fleischmann, Engelhart, Bengson, Iwersen e nos últimos anos ainda diversas outras, não contando as dos arredores de Curitiba.

Conhecido pela grande visão comercial e preocupação com os problemas econômicos que possuía. João Leitner além de fundar uma cervejaria e um hotel na cidade, chegou a organizar um transporte de Curitiba a Antonina. Adquiriu a região do Atuba que nesta época pertencia ainda ao município de Colombo.

Em 4 de julho de 1888 a fábrica de cerveja de João Leitner, altera sua razão social passando a ser João Leitner & Filhos (e outros).

Em 1891 João Leitner vem a falecer, passando a fabrica para a responsabilidade de seus filhos Luiz e Julio.

Em 30 de janeiro de 1902, o jornal A Republica publica o comunicado que Julio e Luiz organizaram uma sociedade sob a razão social de J. leitner & Irmão para o fabrico de cerveja, vinagre e etc. por atacado e varejo.

Em 7 de abril de 1902, o jornal A república, publica a falência da fábrica de cerveja de Jonscher & Irmão no Batel, por dificuldades financeiras.
A Cervejaria posta em leilão em 19 de maio de 1903 e avaliada em Rs 90:000$000, não teve comprador, foi posta novamente em leilão e avaliada em Rs 85:500$000 e também não conseguiu ser vendida e finalmente em 27 de maio, avaliada em Rs 76:950$000, foi arrematada pelos irmãos Julio e Luiz Leitner que fazem grandes investimentos, aplicando vários melhoramentos, especialmente em maquinaria

Em 21 de abril de 1904, o Jornal A Republica publica o anuncio que acaba de ser instalada a Fábrica de Cerveja Tivoli no Batel, a antiga fábrica, na Rua Marechal Deodoro, passa a abrigar somente a administração e depósito. Dois meses após, em anúncio do dia 17 de junho no mesmo jornal, é publicada a alteração de seu nome para Fábrica de Cerveja Cruzeiro, esta indústria rapidamente ganhou gosto popular, fazendo com que suas marcas logo se tornassem as preferidas da época. Produziu inúmeras marcas de cerveja brancas e pretas sendo a marca mais famosa a Cerveja Pomba, foi também o precursor, no Paraná, da fabricação de cerveja de baixa fermentação.
  


Em 15 de abril de 1909, Julio Leitner faleceu e sua viúva, Adelina Leitner, em sociedade com Luiz assumem a direção da fábrica.

Em novembro de 1911, Adelina se retira da sociedade e Luiz passa a ser responsável por toda a empresa.

  


    


No Batel estavam as duas mais importantes fábricas de cervejas: a Cervejaria Providência e esta cervejaria de Leitner, ambas possuíam bosques, onde se realizavam festas particulares, o parque da cervejaria Leitner, o famoso Parque Cruzeiro, localizado na antiga Avenida Siqueira Campos, hoje Avenida Batel, proporcionava à população espaço para o saudável hábito da ginástica.

Propaganda publicada na Gazeta do Povo em edição de setembro de 1922 da Cervejaria Cruzeiro de Luiz Leitner, cuja fábrica localizava-se, à época, na Avenida Batel números 56 a 62, e cujo telefone de contato era 382. O escritório e o depósito da cervejaria era nas esquinas da Rua Rio Branco com a Avenida Marechal Deodoro, e cujo telefone era 392, Caixa Postal 180, em Curitiba, Paraná. A foto da propaganda mostra umas das adegas da Cervejaria Cruzeiro. O texto do anúncio é o que se segue: "Aos verdadeiros apreciadores e consumidores de boa cerveja a Cervejaria Cruzeiro recomenda as suas excelentes e preferidas marcas: Cruzeiro (Tipo Pilsen), Pomba, Cruzeiro Escura (meia garrafa) e Cometa (escura). O CHOPS CRUZEIRO, graças às suas excelentes qualidades e sabor inconfundível é ainda o mais preferido". Este documento está exposto na Casa da Memória da cidade da Lapa. Formato retrato, colorida.
  


Em 22 de março de 1929, a Cervejaria Cruzeiro, agora sob a responsabilidade da firma Viuva Luiz Leitner & Filhos pede renovação do registro da Cerveja Pomba.


Frederico Leitner, nascido em 11 de outubro de 1901 e falecido em 15 de setembro de 1988, neto de João Leitner e filho de Luiz Leitner e de Anna Hauer Leitner. Conhecidíssimo na sociedade curitibana como "FRITZ LEITNER", marcou sua vida na Capital do Paraná pela sua honradez, solidariedade e pela sua marcante atuação junto a comunidade empresarial e esportiva de Curitiba.

Um dos pioneiros na área de fabricação e comercialização de cerveja do sul do país, Frederico Leitner foi junto com seu pai, proprietário da Cervejaria Cruzeiro.

Mais antiga, inaugurada ainda no século XIX, a Cervejaria Cruzeiro possuía um bar, onde eram degustados seus produtos. Esse bar preservou suas características através de décadas, até desaparecer em meados de 1980. Nos fundos, existiam dois barracões, e num deles funcionou talvez o primeiro clube de bolicheiros da cidade: o Batel Boliche Clube. No outro barracão, estava instalada a churrascaria Cruzeiro, onde, além do filé, era servida uma das mais apreciadas iguarias: a famosa costela de ripa, sempre acompanhada de saladas, a de batatas foi a mais famosa que existiu em Curitiba.

Em 1940, com este sucesso obtido ao longo dos anos fez com que a já poderosa companhia Cervejaria Brahma fizesse proposta irrecusável para a compra total da Cervejaria Cruzeiro. Na negociação, a experiência e o seu conhecimento levaram Frederico Leitner a assumir uma das diretorias técnicas da Brahma, onde trabalhou por mais de trinta anos.
Foto da década de 1920, Cervejaria Cruzeiro no Bairro do batel, como todas as indústrias de curitiba e mesmo os fogões quer caseiros, quer industriais utilizavam a lenha como o único combustível existente.

Cervejaria Gloria / E. Engelhardt & Cia.


Texto: Ademar Campos Bindé - Jornal O Reporter - 29 de maio de 2010.
Victor augustus Graziotto Silva e José Humberto Boguszewskilivro - Cervejarias de Curitiba - 2022.
Fotos: Coleção Família Beck - Acervo MADP

Sua história começa em 1882. Quando, incentivados pelo presidente da Província do Paraná, Lamenha Lins, muitos imigrantes vindos da Europa chegaram e se estabeleceram em Curitiba. Muitos procuraram o meio rural onde desenvolveram o cultivo do centeio e da cevada. A cevada era (e é) usada na fabricação da cerveja; o centeio, misturado à farinha de trigo, deu vida às broas; Os citadinos, buscaram fazer trabalhos que já conheciam: Eram pedreiros, marceneiros, ferreiros e funileiros.


Entre esses últimos estava o alemão Friedrich Philipp Ludwig Eduard Engelhardt, nascido em 1850, era pedreiro e carpinteiro na Alemanha, e que, como tantos, contratado para trabalhar na construção da catedral de Curitiba.

Eduard Engelhardt, casou em 1880 com Caroline Iser e tiveram nove filhos: Hulda, Ernesto, Edmundo karl, Eduardo Frederico junior, Clara Anna, otto, Oscar. Elza e Guilherme.

Em 1883, o primeiro Engelhardt “curitibano” então com 33 anos de idade, sofreu um acidente, uma queda que lhe custou a quebra de um braço e algumas costelas, deixando o trabalho na catedral.

Após sua recuperação foi um dos primeiros imigrantes alemães a tornar-se dono de uma cervejaria, em 1885 montou uma fábrica de licores na Rua São Francisco nº 47.
Em 1893, além de licores passa a produzir cerveja e registra a marca Ed. Engelhardt's Brauerei, ainda nesse ano, em 13 de julho, Eduardo Engelhardt registra a cerveja Fafel Bier sob o nº13 da Junta de Comércio do Paraná.




Em 1909, seu filho Edmundo se forma mestre cervejeiro em munique e retorna no ano seguinte para continuar atuando junto com seu pai, Eduardo senior, na cervejaria. Nesse ano alteram o nome para Cervejaria Glória e seus rótulos passam a ostentar a informação de ser a primeira cervejaria utilizando maquinaria a vapor.


Seu outro filho Eduardo Engelhardt Junior, com apenas 14 anos, deixou a cervejaria e foi aprender o ofício de padeiro na Padaria Batel, de Guilherme Bürgel. Foram os primeiros passos para ter sua própria padaria, que era também armazém de secos e molhados, tendo sido aberta em 1913, na esquina das ruas Sete de Setembro e Alferes Poli – ao lado da cervejaria do pai, de onde saía o fermento para o pão.
O estabelecimento ganhou em 1914 o nome de Padaria America quando houve a mudança de endereço para a então Rua América, hoje Rua Trajano Reis.
A cervejaria enfrentando dificuldades econômicas em 1913, coloca á venda seu maquinário que fica anunciado até 1914.


Em 1915, a Cervejaria Glória fechou e o padeiro Engelhardt saiu à procura de outro fermento. Como exigia qualidade, montou um pequeno laboratório e nele desenvolveu seu fermento: feito de um misto de cevada e de batata. Na década de 1930, o fermento industrializado Fleischmann foi lá experimentado e lançado nacionalmente.

De lá para cá, Ewaldo Ernesto (Bruda), o neto Alfonso Eduardo e, hoje, o bisneto Eduardo Henrique, assumiram o trabalho na padaria.

Em recente publicação nacional celebrando o pão e a indústria da panificação, a curitibana Padaria América foi considerada a mais antiga do país, ainda nas mãos da mesma família.