22 abril 2011

Fábrica de Cerveja João Leitner / João Leitner & Filhos / J. Leitner & Irmão / Luiz Leitner & Cia / Tivoli / Cervejaria Cruzeiro / Viuva Luiz Leitner & Filhos


João Leitner, imigrante oriundo do Tirol austríaco, homem afável e alegre e que tocava muito bem a cítara e o violão, chegou ao Brasil em 1866 com cerca de 30 anos de idade, indo morar inicialmente na Colônia Dona Francisca, em Joinville - SC, onde casou com Marie Lenkt e nasceu seu primeiro filho.

Por volta de 1868 se mudou para Curitiba – PR, onde nasceram seus outros filhos; Júlio, Edwiges, Guilhermina, Marie, Carlotte, Nestor e Jorge.

Logo se instalou e já em 17 de abril de 1869, o jornal "O Dezenove de Dezembro" anunciava: “Vinagre superior. Vende-se em casa do cervejeiro João Leitner, na Rua das Flores (Quinze de Novembro)”.
Esta foto de 1870 mostra a Rua das Flores, a principal de Curitiba. O espaço fotografado está compreendido, hoje, entre as ruas Monsenhor Celso e Barão do Rio Branco.

Convém traçar, a situação e o aspecto da cidade de Curitiba em 1870, no espaço fechado pelo quadrado formado pela Rua das Flores, Riachuelo, do Comércio e Barão do Rio Branco com Deodoro e Garibaldi, havia apenas quatro casas, de frente para a Rua das Flores e de fundo para a Rua do Comércio. Todas essas casas pertenciam ao Dr. Laurindo, proprietário da vila do Portão. Os jardins, na realidade os pátios das casas cobertos de grama, estendiam-se até os campos úmidos, onde o gado pastava. A uma certa distância dali, na direção sul, estendia-se um espaço completamente vazio, sem nenhuma casa edificada, que alcançava as gargantas do Rio Iguaçu. A alguns metros a sudeste, via-se no meio do mato uma usina de erva-mate, pertencente a um tal Bittencourt. Mais uma outra, propriedade do cidadão Munhoz, encontrava-se ao pé da elevação Alto da Glória, onde também erguia-se o suntuoso e belo edifício do cidadão Fontana. Todos esses moinhos, fábricas, eram acionados pela força das águas do rio Belém. Os jardins e as praças da atual rua Riachuelo e do Passeio Público eram naqueles tempos prados vazios e pântanos, que de vêz em quando eram alagados pelo rio Belém. Um dos cantos desse quadrado de ruas, que traçamos acima, era usado como depósito de cinza. Tratava-se de uma idéia de Leitner, que dessa forma conseguiu secar o terreno e construir nele o hotel. Na Rua das Flores havia já uma casa de pavimentos, propriedade do comerciante José Nabo. O outro edifício de pavimentos era o palácio presidencial. No ponto onde hoje a Rua Quinze de Novembro cruza com a Rua Dr. Murici (antiga Rua da Assembléia), a Rua das Flores estava separada por uma cerca. Se se quisesse ir adiante, era preciso voltar, dirigir-se pela Praça Zacarias e pela Rua Aquidaban, aí desviar o pântano, para finalmente sair nos vistosos Campos Gerais, como eram denominados pelos arrieiros de tropas de carga, que traziam para a cidade diversas mercadorias do interior do Estado.
As ruas principais de Curitiba eram então: Aquidaban, das Flores, do Comércio, da Assembléia, do Rosário, São Francisco e Riachuelo. Das praças podemos citar a Praça Zacarias, da Matriz, Alto São Francisco e a Praça Dezenove de Dezembro. Poucos eram também, na Curitiba daquela época, os edifícios públicos: a administração municipal com a cadeia na parte interna, o edifício do Banco Inglês, adiante o quartel da polícia e a Coletoria. O Correio e a Presidência do Estado encontravam-se em edifícios particulares. Havia ainda a igreja matriz, na praça do mesmo nome, bem como as capelas: da Ordem, Rosário e São Francisco. Além disso, num canto da confluência de ruas acima descrita, encontrava-se a igreja dos protestantes, que se localizava numa casa alugada do Dr.Laurindo. Feiras não muito movimentadas realizavam-se na pracinha Zacarias. As poucas casas de comércio encontravam-se em mãos dos portugueses: José Nabo, Rodrigues, Vidal, Viana. Algumas lojas francesas, como Belache e Mostart, completavam o panorama da capital paranaense daquela época.
Convém frisar que além das lojas citadas não havia outras em Curitiba, nem em mãos de franceses, alemães ou representantes de outras nacionalidades, nem tampouco em mãos de brasileiros.

Em 1870, Leitner começou a construir a sua residência e a sua primeira cervejaria, obra que ficou a cargo dos carpinteiros e construtores Christian August e Gustav Hermann Strobel, pai e filho, na Rua Barão do Rio Branco com Quinze de Novembro, local onde mais tarde foi construído o "Grande Hotel".


Grande Hotel Leitner
Em Pouco tempo terminou a construção, sendo então instalada e inaugurada a Fábrica de Cerveja Tivoli de João Leitner com o inicio da fabricação de sua cerveja. No início ele fazia dois tipos de cerveja: a simples, que custava duzentos réis, e a dupla, por quatrocentos réis a garrafa. O tipo mais consumido era a simples. A aceitação foi muito boa forçando-o em breve a aumentar a capacidade de produção.

Conhecido pela grande visão comercial e preocupação com os problemas econômicos que possuía. João Leitner fundou a cervejaria e um hotel na cidade, e chegou a organizar um transporte de Curitiba a Antonina. Adquiriu a região do Atuba que nesta época pertencia ainda ao município de Colombo.

Em 01/03/1873, o jornal "O Dezenove de Dezembro", pag. 4, anunciou a pensão de João Leitner: "Alugam-se três quartos com suas competentes alcova, em casa do cervejeiro João Leitner podendo os alugadores tomar sua alimentação do mesmo dono da casa".

Em 29 de abril de 1874, o jornal "O Dezenove de Dezembro", anunciou que no Hotel Leitner acaba de chegar um grande e variado sortimento de armarinhos e modas, o que há de maior.

Em 13 de junho de 1874, no jornal "O Dezenove de Dezembro", torna a aparecer João Leitner, agora como chaveiro, eis o anúncio: "Chapas americanas para marcar vestidos, roupa de cama, guardanapos, louças, meias e todo o gênero de roupas. Como também cartões de visita, livros, envelopes e toda a qualidade de papéis. Argolas Americanas para chaves, são feitas de prata allemã e não são sujeitas a enferrujar, quebrar, como as argolas de aço, são muito fortes e bonitas".

Em 12 de agosto de 1882, o jonal "O Dezenove de Dezembro" na página 4, torna a trazer um anúncio do Hotel Central de Leitner, desta vez para anunciar sua venda para Frederico Mostaerd e comunicar também que além de estar localizado em ótima posição central nele se encontra comodos próprios para famílias.

Até esta época a cerveja ainda era relativamente desconhecida e apenas se fazia alguma cerveja caseira, geralmente a base de milho. Já se importava cerveja européia, mas ela era inacessível para a maioria, pois uma garrafa custava um mil réis, sendo um luxo o seu consumo.

Como a produção de cerveja revelou-se um ótimo negócio, em pouco tempo surgiram outras cervejarias. Assim surgiram as de Johnscher, Mensing, Weigang, Schulze, Fleischmann, Engelhart, Bengson, Iwersen e nos últimos anos ainda diversas outras, não contando as dos arredores de Curitiba.

Conhecido pela grande visão comercial e preocupação com os problemas econômicos que possuía. João Leitner além de fundar uma cervejaria e um hotel na cidade, chegou a organizar um transporte de Curitiba a Antonina. Adquiriu a região do Atuba que nesta época pertencia ainda ao município de Colombo.

Em 4 de julho de 1888 a fábrica de cerveja de João Leitner, altera sua razão social passando a ser João Leitner & Filhos (e outros).

Em 1891 João Leitner vem a falecer, passando a fabrica para a responsabilidade de seus filhos Luiz e Julio.

Em 30 de janeiro de 1902, o jornal A Republica publica o comunicado que Julio e Luiz organizaram uma sociedade sob a razão social de J. leitner & Irmão para o fabrico de cerveja, vinagre e etc. por atacado e varejo.

Em 7 de abril de 1902, o jornal A república, publica a falência da fábrica de cerveja de Jonscher & Irmão no Batel, por dificuldades financeiras.
A Cervejaria posta em leilão em 19 de maio de 1903 e avaliada em Rs 90:000$000, não teve comprador, foi posta novamente em leilão e avaliada em Rs 85:500$000 e também não conseguiu ser vendida e finalmente em 27 de maio, avaliada em Rs 76:950$000, foi arrematada pelos irmãos Julio e Luiz Leitner que fazem grandes investimentos, aplicando vários melhoramentos, especialmente em maquinaria

Em 21 de abril de 1904, o Jornal A Republica publica o anuncio que acaba de ser instalada a Fábrica de Cerveja Tivoli no Batel, a antiga fábrica, na Rua Marechal Deodoro, passa a abrigar somente a administração e depósito. Dois meses após, em anúncio do dia 17 de junho no mesmo jornal, é publicada a alteração de seu nome para Fábrica de Cerveja Cruzeiro, esta indústria rapidamente ganhou gosto popular, fazendo com que suas marcas logo se tornassem as preferidas da época. Produziu inúmeras marcas de cerveja brancas e pretas sendo a marca mais famosa a Cerveja Pomba, foi também o precursor, no Paraná, da fabricação de cerveja de baixa fermentação.
  


Em 15 de abril de 1909, Julio Leitner faleceu e sua viúva, Adelina Leitner, em sociedade com Luiz assumem a direção da fábrica.

Em novembro de 1911, Adelina se retira da sociedade e Luiz passa a ser responsável por toda a empresa.

  


    


No Batel estavam as duas mais importantes fábricas de cervejas: a Cervejaria Providência e esta cervejaria de Leitner, ambas possuíam bosques, onde se realizavam festas particulares, o parque da cervejaria Leitner, o famoso Parque Cruzeiro, localizado na antiga Avenida Siqueira Campos, hoje Avenida Batel, proporcionava à população espaço para o saudável hábito da ginástica.

Propaganda publicada na Gazeta do Povo em edição de setembro de 1922 da Cervejaria Cruzeiro de Luiz Leitner, cuja fábrica localizava-se, à época, na Avenida Batel números 56 a 62, e cujo telefone de contato era 382. O escritório e o depósito da cervejaria era nas esquinas da Rua Rio Branco com a Avenida Marechal Deodoro, e cujo telefone era 392, Caixa Postal 180, em Curitiba, Paraná. A foto da propaganda mostra umas das adegas da Cervejaria Cruzeiro. O texto do anúncio é o que se segue: "Aos verdadeiros apreciadores e consumidores de boa cerveja a Cervejaria Cruzeiro recomenda as suas excelentes e preferidas marcas: Cruzeiro (Tipo Pilsen), Pomba, Cruzeiro Escura (meia garrafa) e Cometa (escura). O CHOPS CRUZEIRO, graças às suas excelentes qualidades e sabor inconfundível é ainda o mais preferido". Este documento está exposto na Casa da Memória da cidade da Lapa. Formato retrato, colorida.
  


Em 22 de março de 1929, a Cervejaria Cruzeiro, agora sob a responsabilidade da firma Viuva Luiz Leitner & Filhos pede renovação do registro da Cerveja Pomba.


Frederico Leitner, nascido em 11 de outubro de 1901 e falecido em 15 de setembro de 1988, neto de João Leitner e filho de Luiz Leitner e de Anna Hauer Leitner. Conhecidíssimo na sociedade curitibana como "FRITZ LEITNER", marcou sua vida na Capital do Paraná pela sua honradez, solidariedade e pela sua marcante atuação junto a comunidade empresarial e esportiva de Curitiba.

Um dos pioneiros na área de fabricação e comercialização de cerveja do sul do país, Frederico Leitner foi junto com seu pai, proprietário da Cervejaria Cruzeiro.

Mais antiga, inaugurada ainda no século XIX, a Cervejaria Cruzeiro possuía um bar, onde eram degustados seus produtos. Esse bar preservou suas características através de décadas, até desaparecer em meados de 1980. Nos fundos, existiam dois barracões, e num deles funcionou talvez o primeiro clube de bolicheiros da cidade: o Batel Boliche Clube. No outro barracão, estava instalada a churrascaria Cruzeiro, onde, além do filé, era servida uma das mais apreciadas iguarias: a famosa costela de ripa, sempre acompanhada de saladas, a de batatas foi a mais famosa que existiu em Curitiba.

Em 1940, com este sucesso obtido ao longo dos anos fez com que a já poderosa companhia Cervejaria Brahma fizesse proposta irrecusável para a compra total da Cervejaria Cruzeiro. Na negociação, a experiência e o seu conhecimento levaram Frederico Leitner a assumir uma das diretorias técnicas da Brahma, onde trabalhou por mais de trinta anos.
Foto da década de 1920, Cervejaria Cruzeiro no Bairro do batel, como todas as indústrias de curitiba e mesmo os fogões quer caseiros, quer industriais utilizavam a lenha como o único combustível existente.

Cervejaria Gloria / E. Engelhardt & Cia.


Texto: Ademar Campos Bindé - Jornal O Reporter - 29 de maio de 2010.
Victor augustus Graziotto Silva e José Humberto Boguszewskilivro - Cervejarias de Curitiba - 2022.
Fotos: Coleção Família Beck - Acervo MADP

Sua história começa em 1882. Quando, incentivados pelo presidente da Província do Paraná, Lamenha Lins, muitos imigrantes vindos da Europa chegaram e se estabeleceram em Curitiba. Muitos procuraram o meio rural onde desenvolveram o cultivo do centeio e da cevada. A cevada era (e é) usada na fabricação da cerveja; o centeio, misturado à farinha de trigo, deu vida às broas; Os citadinos, buscaram fazer trabalhos que já conheciam: Eram pedreiros, marceneiros, ferreiros e funileiros.


Entre esses últimos estava o alemão Friedrich Philipp Ludwig Eduard Engelhardt, nascido em 1850, era pedreiro e carpinteiro na Alemanha, e que, como tantos, contratado para trabalhar na construção da catedral de Curitiba.

Eduard Engelhardt, casou em 1880 com Caroline Iser e tiveram nove filhos: Hulda, Ernesto, Edmundo karl, Eduardo Frederico junior, Clara Anna, otto, Oscar. Elza e Guilherme.

Em 1883, o primeiro Engelhardt “curitibano” então com 33 anos de idade, sofreu um acidente, uma queda que lhe custou a quebra de um braço e algumas costelas, deixando o trabalho na catedral.

Após sua recuperação foi um dos primeiros imigrantes alemães a tornar-se dono de uma cervejaria, em 1885 montou uma fábrica de licores na Rua São Francisco nº 47.
Em 1893, além de licores passa a produzir cerveja e registra a marca Ed. Engelhardt's Brauerei, ainda nesse ano, em 13 de julho, Eduardo Engelhardt registra a cerveja Fafel Bier sob o nº13 da Junta de Comércio do Paraná.




Em 1909, seu filho Edmundo se forma mestre cervejeiro em munique e retorna no ano seguinte para continuar atuando junto com seu pai, Eduardo senior, na cervejaria. Nesse ano alteram o nome para Cervejaria Glória e seus rótulos passam a ostentar a informação de ser a primeira cervejaria utilizando maquinaria a vapor.


Seu outro filho Eduardo Engelhardt Junior, com apenas 14 anos, deixou a cervejaria e foi aprender o ofício de padeiro na Padaria Batel, de Guilherme Bürgel. Foram os primeiros passos para ter sua própria padaria, que era também armazém de secos e molhados, tendo sido aberta em 1913, na esquina das ruas Sete de Setembro e Alferes Poli – ao lado da cervejaria do pai, de onde saía o fermento para o pão.
O estabelecimento ganhou em 1914 o nome de Padaria America quando houve a mudança de endereço para a então Rua América, hoje Rua Trajano Reis.
A cervejaria enfrentando dificuldades econômicas em 1913, coloca á venda seu maquinário que fica anunciado até 1914.


Em 1915, a Cervejaria Glória fechou e o padeiro Engelhardt saiu à procura de outro fermento. Como exigia qualidade, montou um pequeno laboratório e nele desenvolveu seu fermento: feito de um misto de cevada e de batata. Na década de 1930, o fermento industrializado Fleischmann foi lá experimentado e lançado nacionalmente.

De lá para cá, Ewaldo Ernesto (Bruda), o neto Alfonso Eduardo e, hoje, o bisneto Eduardo Henrique, assumiram o trabalho na padaria.

Em recente publicação nacional celebrando o pão e a indústria da panificação, a curitibana Padaria América foi considerada a mais antiga do país, ainda nas mãos da mesma família.

27 março 2011

Cervejaria Gambrinus / Estabelecimento Industrial Mineiro


http://www.fiemg.com.br/bh100/hist-8.htm


Natural da região de Comacchio, na Itália, Paulo Simoni chegou ao Brasil em 1882, com 9 anos, juntamente com mais dois irmãos, para se reunir ao pai e a irmã casada, que aqui haviam se estabelecido.
Inicialmente, estabeleceu-se com a família no Rio de Janeiro, onde trabalhou em um moinho de trigo. Após ser vitimado pela febre amarela, transferiu-se para o interior, seguindo conselho médico, adotando a cidade de Juiz de Fora como sua nova residência, a partir de 1892.

Nesta cidade, após dedicar-se ao comércio de gêneros alimentícios, iniciou sua carreira como industrial, ao fundar uma pequena fábrica de massas e posteriormente, assessorado por um químico alemão, organizou uma fábrica de vinhos e licores finos.

O sucesso do empreendimento levou Paulo Simoni a buscar o que havia de mais moderno em termos idéias e de equipamentos na Europa. Ao vender suas fábricas, conseguiu os recursos necessários para a viagem, deixando montada uma charutaria e um armazém para os irmãos. Decidiu na mesma época, que, ao retornar da Europa, não mais fundaria indústria congênere naquela cidade.

Em 1907, realizou o seu objetivo, durante a viagem de estudos e negócios realizada à Itália, Suíça, França e Alemanha, onde conheceu o que havia de mais novo em maquinário para a produção de massas, licores, refrigerantes e cervejas, além de equipamentos para os setores de cerâmica e marmoraria.

De volta ao Brasil, enquanto aguardava a chegada de seus equipamentos, estabeleceu-se em Barbacena com planos de conseguir incentivos do poder municipal para seu novo empreendimento.

No mesmo ano de 1907, em visita à Belo Horizonte, a nova capital do Estado, percebeu que o local era propício para a instalação de seus negócios, uma vez que não havia recebido nenhum retorno das autoridades de Barbacena.

A política de incentivos ao desenvolvimento industrial, implementada com o Decreto n. 1.516, de 2 de maio de 1902, assinado pelo prefeito Bernardo Monteiro, foi fundamental para a instalação de diversas indústrias na capital mineira e contribuiu para a definição de Paulo Simoni por esta localidade O decreto previa doações de terrenos, isenção de impostos e fornecimento gratuito de energia elétrica. As indústrias se fixaram na Praça da Estação, que foi a primeira região industrial da cidade, atraídas pela facilidade de transporte de matérias primas e equipamentos.
Favorecido pelo Decreto de 1902, adquiriu terrenos próximos à Estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, iniciando a construção do que viria a ser um "império industrial" para a época. Apesar das instalações destinadas a destilaria, massas, tintas de escrever e bombons não estarem concluídas, instalou provisoriamente um motor a vapor para viabilizar a produção, chegando a trabalhar inclusive à noite, sendo para isto a fábrica iluminada a luz elétrica.

Em 1908, casou-se com Emma Mellis Belgrano, com quem teve seis filhos. Vencidas as dificuldades iniciais de transporte do equipamento importado da Europa, seu empreendimento apresentava indícios de prosperidade nos anos de 1908 e 1909.

Foto de 1911
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Sua linha de produtos, bastante diversificada, obedecia aos rigores dos processos mais aperfeiçoados, acionados por maquinismo moderno e um motor elétrico, de 50 cavalos.


Trabalhavam em suas diversas seções cerca de 40 empregados, responsáveis pelo fabrico dos seguintes artigos: massas brancas e amarelas, cervejas, águas minerais, licores de sabores variados, vinho branco, vinagre, chocolate, doce, cigarro e charuto. Dedicava-se também a produção de fubá e a refinação de sal. Foi também pioneiro na fabricação de confeti no Estado.

O estabelecimento compunha-se de um grande salão, onde ficava o depósito das massas alimentícias, outro, onde era feito o acondicionamento e o depósito de sacos. Para a produção mensal de aproximadamente 30.0000 Kg. de massas, possuía prensas duplas, prensas para massas finas e amassadeiras automáticas.
A fábrica de cerveja, que levava o nome de Cervejaria Gambrinus, dispunha de destiladores, esfriadores e uma grande caldeira, com capacidade para 2.000 litros. Em sua produção mensal de 12.000 garrafas, sobressaíam-se as marcas "Excellente", "Pretinha" e "Gambrinus".

Em 3 de outubro de 1924, foi alterada a denominação de Avenidas e Ruas através da Lei 281, que em seu Art. 4º, reza que terá o nome de "Aarão Reis" a rua sem actual denominação na planta, e que é geralmente conhecida como rua da Estação.

A destilação do vinagre e demais bebidas era feita por diversas máquinas e filtros, utilizando como matéria-prima apenas aguardente fermentada com açúcar de cana. Dentre as bebidas, podem ser citadas xaropes, laranjinhas, aniz, biter, fernet e vermouth.

Obteve junto à Prefeitura a concessão de um terreno de 5.400 metros quadrados, por um prazo de 10 anos, situado nas proximidades da Estação, para a construção de um moinho de trigo. Porém, por questões alheias a sua vontade, não conseguiu efetivar essa produção tão importante para o desenvolvimento industrial da capital.
O nome de Paulo Simoni, bem como do Estabelecimento Industrial Mineiro, foram difundidos em todo o país, pela solidez do empreendimento e a excelência dos produtos, que eram exportados não só para o interior mineiro como para outros Estados.

O reconhecimento de seu trabalho, esforço e dedicação em favor da indústria foi traduzido pelas inúmeras premiações recebidas em várias exposições nacionais e internacionais, onde era sempre convidado a participar. Em 1941, mudou o nome de sua empresa para Indústrias Reunidas Paulo Simoni Ltda.

Data deste mesmo ano, o seu falecimento.

Atualmente, seus sucessores dedicam-se ao setor de construção civil.

19 março 2011

Cervejaria Knudsen / Steglich & Werner / Ernesto Werner


Texto: Ademar Campos Bindé - Jornal O Reporter - 29 de maio de 2010.
Fotos: Coleção Família Beck - Acervo MADP

Nos primeiros anos da colonização de Ijuí a liderança na produção de bebidas era ocupada pelas fabriquetas de cachaça e vinho. De acordo com um levantamento no ano de 1914 existiam 50 fábricas de cachaça e 51 de vinho. Esses números sofreram significativas oscilações nos anos seguintes.

Uma das consequências desse número de fábricas de cachaças e vinho leva os produtores a um processo de aglutinação, a fim de enfrentar a concorrência de fora que começava a ser sentida.

Paralelamente começaram a surgir estabelecimentos que se dedicavam a fabricar outras bebidas, entre as quais se destacavam as fábricas de cerveja e gasosa. Um dos pioneiros foi Henrique Knudsen, que se torna um dos mais fortes fabricantes de bebidas.


Em 1917, Henrique Knudsen participa com sua produção de cerveja na 8ª exposição realizada em Pelotas pela Sociedade Agricola-Pastoril do Rio Grande do Sul, recebendo menção honrosa especial.


No ano de 1924, ele vende sua fábrica que se localizava na esquina da Rua do Comércio com a Rua Tiradentes para Steglich & Werner.

Quatro anos depois, 1928, Ernesto Werner torna-se o único proprietário da cervejaria.

Ernesto Werner tornou-se um dos mais conhecidos cervejeiros de Ijuí. Ele era nascido no atual município de Vera Cruz (antiga Vila Tereza, 2º distrito de Santa Cruz do Sul), no dia 19 de maio de 1899, filho do imigrante alemão Adolf (Adolfo) Werner e de Carolina Zíper Werner, natural deste Estado.

Ernesto Werner veio para Ijuí em 1918, ingressando na firma Bernardo Gressler S/A. Aqui casou com Anna Ella Steglich. Depois do casamento resolveu seguir os passos do pai que era cervejeiro e começou a montar uma cervejaria e fábrica de refrigerantes, que algum tempo depois passou também ao engarrafamento de vinhos finos, aguardentes e outros derivados.


A fábrica de Ernesto Werner, já instalada na Rua Tiradentes nº 611 nas proximidades da atual sede do Fórum, na sua fase áurea contava com cerca de 20 funcionários. O cervejeiro era o que tinha a função mais qualificada, enquanto os demais se dedicavam especialmente no engarrafamento e lavagem de garrafas, operação essa, na qual era utilizado um tambor acionado por energia elétrica. Além de produzir cerveja e gasosa, Ernesto Werner passou também a explorar a industrialização da água mineral Fonte Ijuí. Aos poucos ele deixou de produzir cerveja e passou a revendedor da Companhia Cervejaria Brahma, continuando com a fabricação de refrigerantes.

Com o correr dos anos passou a ser distribuidor da Continental e da Antarctica além da Brahma. Essa situação não durou muito tempo.

A exigência da Brahma de que comercializasse seus refrigerantes e também o mercado cada vez mais competitivo levou ao fechamento da fábrica no ano de 1961.

Em 22 de março de 1962, Ernesto Werner veio a falecer, ficando a atividade comercial a cargo de Bertholdo Rieger e Arno Wuttig, onde conseguiram se manter até 1971.

09 março 2011

Cervejaria Otto Jennrich


Texto: José Ferreira da Silva - Blumenau em Cadernos - Tomo III - nº9 - Setembro de 1960 - www.arquivodeblumenau.com.br

Imagens:Fotos Antigas Blumenau



Em 15 de julho de 1868, chegaram em Blumenau-SC Ludwig Jennrich e sua esposa grávida, quatorze dias, depois, no dia 29, nascia Otto Jennrich no Barracão de Imigrantes. A família acabou por se radicar em Warnow (povoado bem distante que fazia parte de Blumenau, atualmente faz parte de Indaial), ocupando o lote que haviam adquirido.

Em 1882, com 14 anos de idade, Jennrich veio para Blumenau para ficar três meses na casa de Carl Friendenreich, após esse tempo empregou-se na Cervejaria Hosang, em Blumenau no bairro de Altona, atual Itoupava Seca, onde trabalhou de 1883 a 1891. Era ali muito estimado, tanto que a filha de H. Hosang, Clara, deveria casar-se com ele. Esse casamento, entretanto não se realizou, tendo Clara Hosang se casado com o Conde Von Westarp.

Por volta de 1891, tendo adoecido gravemente de "câmaras de sangue" (desinteria sanguínea, talvez originada por amebas), Jennrich foi despedido.

Era um dia chuvoso quando ele, de trouxa de roupa sob o braço, passou diante da casa de Pershun, a caminho da casa dos pais,em Warnow, a pé. Vendo-o, Gustavo Pershun Sênior, perguntou o que havia acontecido. Como os dois já eram conhecidos, Jennrich pô-lo ao corrente do que sucedera e como sofria da moléstia que o atacara.

Pershun, em face da situação do amigo, que de forma alguma poderia chegar a pé até a casa dos pais, convidou-o a permanecer em sua casa, tendo lhe mandado preparar uma cama e mandado chamar o medico, Dr. Valloton. Este declarou grave o estado do doente. Jennrich esteve durante quatro semanas em tratamento, sob cuidados médicos na casa de Pershun.

Mais tarde, Depois que se restabeleceu em 1891, Jennrich tornou-se independente quando comprou de August Daniel Persuhn um terreno junto com uma casa de madeira e a taberna de Daniel August Pershun, pai do alfaiate Gustavo Pershun, onde construiu uma pequena cervejaria com uma capacidade de produção de 250 garrafas por caldeirada de cerveja.
A primeira cerveja fabricada por Jennrich foi servida em um baile no Salão Liesenberg, na Itoupava Norte, no dia 9 de maio de 1891, transportada por Jennrich e Pershun dentro de uma bateira, pelo rio. À meia noite tornaram a mandar buscar mais cerveja.


Jennrich ficou hospedado na casa de Pershun até o ano de 1893, desta forma Jennrich começou sua vida, auxiliado por Daniel e Gustavo Pershun: Vem daí a amizade muito grande que sempre uniu Gustavo Pershun e Jennrich.
Em 1897, comprou a casa com cozinha dos irmãos Persuhn e com o assentamento da pedra fundamental em 17 de março de 1897 começou a construir sua nova casa e uma cervejaria para produzir 2.000 garrafas por caldeirada de cerveja. Assim que terminou a construção, Jennrich mandou buscar os seus pais em Warnow. A mãe cuidava dos afazeres da casa, cozinhando ao mesmo tempo para os empregados da cervejaria.


A Cervejaria Jennrich, de Itoupava-Sêca, que por vários lustros, foi o ponto de reuniões alegres dos apreciadores de cerveja daquele bairro. Mesmo de Blumenau, não poucos apaixonados da loura bebida, se reuniam no bar, que Jennrich preparara num compartimento da fábrica, mobiliado a capricho, à moda das tradicionais "Bierstube" da legendária Munique, com os seus jarros e canecões de barro e porcelana lavrada, ostentando figuras e legendas, ora sérias, ora brejeiras, com chifres e cabeças de veado e de outros animais enfeitando as paredes.

Ali as horas decorriam céleres, em barulhentas tertúlias, pela noite a dentro, sob o estourar das rolhas bombardeando o teto, donde guirlandas pendiam. Ao alto da entrada, a decantada frase latina, que os leitores já conhecem "Cerevisiam bibunt homines; coetera animantia bibunt ex fontibus", os homens bebem cerveja. O gado bebe água da fonte.

Quando a pressão subia além do normal, começavam as cantorias. A princípio, ordenadas, cadenciadas e harmônicas. Depois, e à proporção que o calor aumentava, iam a todas as escalas da desafinação, em sustenidos incríveis, ou em baixos tétricos e sepulcrais.

Era, além de bom cervejeiro, homem de bastante leitura e tinha grande paixão pelas coisas do passado blumenauense. Assim é que, à própria custa, construiu, em terreno fronteiro ao da cervejaria, um pequeno sobrado em que instalou um museu. Ali se via uma infinidade de objetos de raro valor histórico e etnográfico, como flechas, arcos e outros apetrechos dos botocudos que infestavam o Vale do Itajaí; exemplares de plantas exóticas, coleções de insetos e de moedas, minerais, fotografias antigas, rótulos de produtos industriais, enfim uma série enorme de pequenas coisas relacionadas com os primeiros tempos da colônia, com os seus fundadores e povoadores, com as nossas riquezas naturais, o "Museu Jennrich" era tão ou mais conhecido e apreciado quanto a sua cerveja.


Com o início da aplicação dos selos de 40 réis a partir de 1º de maio de 1898, os vários cervejeiros em Blumenau de comum acordo majoraram a cerveja que custava 240 réis, conforme comprova o anúncio feito no jornal “Blumenauer Zeitung”, em 21 de maio de 1898
"Aumento preço cerveja – sábado, 21 de maio de 1898 – Os cervejeiros abaixo assinados comunicam à distinta freguesia que a garrafa de cerveja a partir de agora custará 300 réis à vista. Ass.: Gustav Brandes, Carl Rischbieter, August Germer, Otto Jenrich e Schossland e Hosang."

Esta era vendida, sob vários nomes, como a "Estrela", a "Polar", a "Kulmbach", preta, em meias garrafas. O seu custo era, geralmente, de 400 réis a garrafa.

Quando Adolfo Schmalz, Hans Lorenz e Victor Gaertner instalaram um cinema em Itoupava-Sêca, a entrada, que custava 1$200, dava direito a três garrafas de "Jennrich-Einfach", bebidas no próprio salão de projeção, enquanto se apreciavam as fitas de Max Linder, de Waldemar Psilander, quase sempre ao lado de Asta Nielsen.

Jennrich tinha as suas esquisitices e era de gênio reservado, pouco comunicativo, apesar de, não raro, ter que sentar-se à mesa dos apreciadores da sua cerveja e, com estes, afundar-se na conseqüente e comunicativa alegria. Andava quase sempre de tamancos. E quando era obrigado a usar sapatos, adquiria-os sempre de um ou dois números maiores que os dos pés, pois tinha verdadeiro pavor de senti-los molestados. Nunca se casou. Viciara-se no uso do cachimbo e do fumo em corda. Chegou, até, a idealizar e construir uma máquina para picar fumo. A esse respeito, conta-se que, certa feita, quando movimentava a sua máquina, fê-lo com tanta infelicidade, que decepou, totalmente, as duas primeiras falanges do indicador direito. Sem se alarmar grande coisa, embrulhou o pedaço do dedo num lenço e foi procurar o Dr. Hugo Gensch para que este o repusesse no devido lugar. Verificando a impossibilidade de uma intervenção cirúrgica, o Dr. Gensch pilheriou com o cervejeiro, dizendo-lhe que não ficasse triste, pois que aquele pedaço de dedo, depois de bem seco, daria um excelente limpador de cachimbo. Pois Jennrich teve a pachorra de fazer secar muito bem o pedaço do dedo e mostrava-o, frequentemente aos amigos, chamando-lhes, a atenção para a originalidade do instrumento que o médico lhe havia recomendado para desentupir o cachimbo.

Com a falange que lhe restava, Jennrich costumava fazer outras pilhérias, como metê-la, em parte, na narina, parecendo, assim, que ali havia metido o dedo todo, o que causava hilaridade aos amigos e o espanto nas crianças, estas não podiam compreender como é que se podia enfiar um dedo inteiro no nariz.

Jennrich foi um cidadão prestimoso e o bairro em que desenvolveu a sua atividade, muito lhe deve do seu engrandecimento urbano e social. O Museu de Ecologia Fritz Müller Possui indumentária e utensílios indígenas da tribo Xokleng, que remontam ao seu cotidiano no Vale do Itajaí, doadas por Otto Jenrich em 1948.

A cervejaria consta do Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro publicado no ano de 1930, comprovando que até 1929 a cervejaria ainda existia funcionando, quando foi vendida para A. Tiede & Cia (sociedade de Alfredo Tiede e Adolf Schmalz), sendo liquidada em 1930.

Em 1931, os prédios e terreno da cervejaria de Otto Jennrich passam a fazer parte da entrada de capital na criação da Cervejaria Blumenauense S.A., depois incorporada ao patrimônio da Antartica Paulista.

Em 3 de fevereiro de 1944, otto Jenrich falece, sendo sepultado no túmulo da família Persuhn.

03 março 2011

Cervejaria Corá / Bramatti & Corá / Serrana / Bade, Barbieux & Cia


Texto retirado do Projeto Passo Fundo - Passo Fundo - RS
Vultos da História de Passo Fundo - 2ª Ed. - autores: Welci Nascimento e Santina Dal
Um encontro com a memória viva - autores: Veríssimo da Fonseca e Paulo Monteiro


Passo Fundo era o mais importante centro comercial, industrial e de serviços de todo o Norte do Rio Grande do Sul e Oeste de Santa Catarina. O município contava com diversas casas comerciais, além de madeireiras e moinhos de arroz, trigo e milho. Também possuía uma cervejaria artesanal, criada por João Corá em 1910, que abastecia todo o mercado, de Santa Maria a Marcelino Ramos.


Em 18 de Julho de 1912 foi requerido, na Junta Comercial, o arquivamento do contrato social feito entre Alexandre Bramatti e João Corá, para o comércio de fabrico de cerveja, gelo e o que mais convier, com o capital de 90:000$000 (noventa contos de reis), sob a firma Bramatti & Corá.


Jorge Barbieux nasceu na localidade de St. Gall, na Suíça, no dia 29 de novembro de 1867. Permaneceu em sua Pátria até os 16 anos de idade, vindo para a América do Sul fixando-se na Argentina.
Em 1884, retornou à Europa, quando estudou, inicialmente, na Wormser Braner Schule-Worms. Mais tarde fez Estágio na Arminius Drauerrei-Kohlstad e, em junho de 1887, já com 20 anos de idade, ingressou como técnico na Fábrica de Cerveja “La Alemanha” de Valência, Espanha, onde também aprimorou seus conhecimentos cervejeiros, tornando-se técnico de fama e diplomando-se em técnico cervejeiro em 1889.

Retornando à Argentina em 1896, fixou-se como técnico cervejeiro, tendo requerido sua cidadania argentina, onde trabalhou alguns anos. Em 1900, Não tendo encontrado a terra ideal para viver, pensou em transferir-se para o Brasil, mais precisamente para o Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, onde existia uma organização cervejeira de certa fama, a Bopp, Sassen, Ritter e Cia, assumindo a Direção Técnica, e passando a apresentar excelentes produtos.

Em Porto Alegre, Jorge Barbieux casou-se com Maria Luiza Breier, a 08 de dezembro de 1900; contava, então, com 33 anos de idade e muita experiência de mundo.

Permaneceu em Porto Alegre como Técnico de uma grande cervejaria até 1914, quando tranferiu-se para Montenegro, onde dirigiu como técnico, a Fábrica de Cerveja Jahn.

Em 1914 iniciava-se a Primeira Guerra Mundial e Jorge, então com 4 filhos: Walter nascido em 1901, Constance em 1902, Bruno em 1904 e Dagmar em 1909, deixa a Direção Técnica da Cervejaria Jahn.

Transfere-se para Passo Fundo onde associando-se aos irmãos Otto e Hugo Bade dá início ao primeiro estabelecimento cervejeiro de expressão regional do Município, adquirindo em 1915, a pequena e modesta Cervejaria Bramatti & Corá (Alexandre Bramatti & João Corá) que foi ampliada e rebatizada em 1916 de Cervejaria Serrana Ltda., onde passou a fabricar a cerveja “Gaúcha”, considerada, na época, uma das melhores da Serra.

Em 19 de março de 1917 foram depositadas na da Junta Commercial da Capital Federal (RJ) o registro das marcas de cerveja Creoula e Serrana, de Bade Irmãos & Barbieux que já haviam sido registradas na Junta Commercial do Rio Grande do Sul, respectivamente sob os nº. 3.149 e 3.150.





Jorge Barbieux e Otto Bade tornaram-se durante anos consecutivos os fabricantes da melhor cerveja do interior rio-grandense. Eles implantaram o primeiro estabelecimento cervejeiro de importância em Passo Fundo, com produção capaz de atender à demanda no consumo desta imensa região.

Ao fixar-se em Passo Fundo como industrial, Jorge Barbieux requereu sua cidadania brasileira, como brasileiro naturalizado participou de muitas campanhas políticas de âmbito municipal, estadual e nacional.


Entre os seus descendentes, destacamos seu filho Walter Barbieux que também soube, como seu pai, dar a parcela de contribuição com o seu trabalho nas atividades comerciais para a prosperidade da Capital do Planalto.
Em fins de 1918, Walter Barbieux foi para Alemanha realizar o curso de técnico cervejeiro, estudando em Hamburgo entre 1919 e 1925 quando retornou e assumiu a cervejaria.

Com o retorno do jovem técnico cervejeiro, a indústria foi modernizada. Tudo foi eletrificado após a importação e a chegada de uma enorme caldeira para a geração de energia, as casas de todos os empregados que moravam nos arredores também foram iluminadas. Vários funcionários moravam próximos da cervejaria, o que acabou por formar uma comunidade mantida por meio dela.

A caldeira desembarcada em Porto Alegre, foi transportada de trem até Passo Fundo. O transporte da caldeira da estação ferroviária exigiu o concurso de dois caminhões: um à frente, puxando-a; outro atrás, segurando-a nos declives. Assim, chegou até indústria movida por dois caminhões, um que puxava e outro que empurrava. A cidade parou para ver a operação de transporte.

Com a reformulação e a ampliação da cervejaria, a produção passou a ser em larga escala e a cervejaria tornou-se responsável pelo abastecimento da região da serra até Santa Maria para as demais cidades a distribuição era feita via trem.

Além de cerveja, a indústria produzia guaraná e limonada gasosa. "O guaraná, natural, vinha do Amazonas em tonéis. A limonada gasosa era produzida com limão natural que vinha de Marcelino Ramos. Todos os produtos eram naturais, com água natural, de um poço artesiano perfurado especialmente para isso. O limão era pasteurizado e conservado em garrafas de vidro, por isso sempre, inverno e verão, podia ser produzida a limonada. Apenas a na água de soda, ia um produto químico, o sódio. Além da Cerveja Serrana, era fabricada a Cervejinha Preta Gauchita".


"As garrafas de cerveja eram acondicionadas em caixas de madeira, com quadradinhos também de madeira. Para transporte mais longo, as garrafas eram empalhadas com palha de cevada. O lúpulo da Tcheco-Eslováquia, enrolado em linho. A cevada era importada da Argentina. O transporte era feito em trens, e para onde estes não chegavam, através de carroças”

Algum tempo depois, Otto Bade vende sua parte para a Cervejaria Continental.

Jorge Barbieux viveu em Passo Fundo de 1915 até 1944 quando se afastou da cervejaria, lutando diuturnamente pelo progresso industrial e pelo desenvolvimento econômico do Município, não esquecendo o engrandecimento espiritual de todos os passo-fundenses, no seio dos quais ele se harmonizava como se estivesse entre irmãos. Em 25 de janeiro de 1945, aos 78 anos de idade, falece em Porto Alegre, no Hospital São Francisco, cercado pelo carinho de seus familiares e amigos.

Em 1º de junho de 1947, seus familiares acabaram vendendo totalmente a cervejaria e a Serrana se transforma em filial da Cervejaria Brahma.

A chaminé da fábrica, referência preservada até hoje, emitia o apito que despertava a cidade a cada novo amanhecer e ao final de mais um dia cumprido. E assim foi até 1975. Terminando com o seu fechamento definitivo em 21 de abril de 1997.

O conjunto de prédios abriga atualmente a FAPLAN (Faculdade Planalto) fundada no dia 24 de Agosto de 2001.