quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Estevão Buschle / Fábrica de Bebidas Viuva Emilia Buschle / Kahlhofer & Buschle Irmãos / Companhia Fabril Polaris / Buschle & Irmãos




Stephan Matheus Buschle, nasceu na cidade de Tutlingen, no estado de Baden Württemberg, na Alemanha, estudou em Beuren, na Alemanha e na Suiça, farmacêutico, químico e comerciante, chegou da Alemanha em 1896.

Casou em 1º de fevereiro de 1898, com Emilie Buschle (em solteira Krüger) nascida em 8 de maio de 1878 em São José dos Pinhais-PR, e dessa união nasceram onze filhos: Maria Luiza (1899), Theodoro Guilherme (1900), Ewaldo Antonio (1902), Alfredo Mateus (1903), Ermelinda Aurélia (1905), Maria Cecília (1907), Maria Aloysia (1909), Amália Maria Theresia (1912), Maria Mathilde (1914), Paulo Hilário (1916) e Ludovico Balthasar (1918). Os seis primeiros filhos nascidos em Campo Alegre-SC e os cinco últimos em São Bento do Sul-SC

Em 1908 se radicou em São Bento do Sul-SC, depois de passagens por Salvador, Desterro (Florianópolis), Blumenau, Joinville e Campo Alegre e ter residido por três anos no Rio de Janeiro.

Em 1911 estabeleceu inicialmente uma empresa com a finalidade de fabricação semi artesanal de medicamentos.
Em 1918, Estevão Buschle iniciou a construção de um imóvel, no qual instalou sua família que residia anteriormente no prédio da fábrica Buschle, essa construção foi interrompida pelo seu falecimento em 17 de setembro de 1918, às 12 horas, vítima de caquexia cancerosa. Devido a esse fato, quem concluiu a construção deste imóvel foi seu filho mais velho Theodoro Guilherme Buschle, que permaneceu ali com sua mãe Emilia e irmãos.

Com o seu desaparecimento é formada uma nova empresa, sucessora de Estevão Buschle, que passa agora a elaborar licores e bitters de forma comercial, sua viúva Emília consolida uma vitoriosa empresa que logo faria fama. A fábrica de licores iniciada pela viúva Buschle é a precursora da famosa fábrica de chocolates Buschle Irmãos que seria desenvolvida pelos filhos da pioneira. Sua lista de produtos, realmente admirável, incluía na época:
Licores de Rosas, Pimenta, Herva Mate, Hortelã, Cominho, Anis, Americano, Cherry Brandy e Cognac; Cremes de Cacao, Baunilha, Leite, Ovos, Framboeza e Creme Suzanna; Xaropes de: Limão, Guaco, Framboeza, Laranja, Abacaxi e Groselha; Aguardentes: Guarany e Cem anos; Bitters: hespanhol, Russo, Estomacal Magenhell e Boonekamp; Benedictina, Cognac anisado, Fogo Italiano, Fernet Milano, Gingibre Ipipermãn.

O Jornal A República de 28 de agosto de 1923 publica a relação dos premiados na Exposição Internacional do Centenário da Independencia, mostrando que os licores da Viuva Emilia Buschle havia recebido medalha de bronze.

Em 27 de maio de 1929, Emília Buschle vem a falecer e três de seus filhos: Theodoro, Ewaldo e Alfredo, passam a administrar os negócios, admitindo agora um novo sócio no empreendimento: Wenzel Kahlhofer, passando a empresa chamar-se Kahlhofer & Buschle Irmãos – Companhia Fabril Polaris.

Wenzel Kahlhofer era um capitalista dos tempos antigos, muito abastado. Era representante comercial local de muitas companhias de renome, agente de casas bancárias e proprietário de serrarias. Era forte no comercio de madeiras e erva mate. Na firma dos irmãos Buschle permaneceu por pouco tempo, até novembro de 1933.
Por volta de 1930 alugam as instalações da fábrica de cerveja de Ernesto Klaumann, além de fabricar cerveja, passam a produzir e engarrafar o refrigerante Crush a partir do xarope de laranja que compravam do detentor da marca nos EUA. Usavam água de uma fonte que nascia nos pés do morro que ficava aos fundos da fábrica. Esse refrigerante de sabor laranja era muito famoso na primeira metade do século XX. Foi a primeira soda sabor laranja a ser introduzida no mercado americano, por J. M. Thompson, de Chicago, em 1906. A Crush perdeu mercado e desapareceu com a expansão da Fanta pela Coca-Cola, em 1960. Aqui em São Bento foi produzida por mais de uma década desde 1931, até 1942 pouco mais pouco menos, pois durante a guerra cessou temporariamente a importação do xarope dos EUA e depois a firma Buschle Irmãos não retomou a produção.

A fabricação de cerveja foi descontinuada ainda antes, em 1932 ou 1933.

Por volta de 1935, Começa a fabricação de chocolates e bombons. Alguns produtos eram muito sofisticados na época e alcançaram relativa fama no mercado sul brasileiro, como os bombons de Rum, que tinham a bebida em seu interior ou o grandemente sofisticado “Torrão Milanês”, jamais igualado, até hoje. Produziam-se barras de chocolate muito bonitas, fundidas em formas com desenhos de temas natalinos e de páscoa, como papais Noel e coelhinhos, em relevo.

De maneira geral a firma Buschle Irmãos se dividia entre a parte comercial e a fábrica de chocolates e licores. O comercio era muito diversificado em todas as direções possíveis, pois ia da venda de secos e molhados a armarinhos, confecções, utilidades domésticas e material de construção. A parte fabril foi se concentrando na produção de chocolates e bombons. A produção de licores foi diminuindo até que foi encerrada em meados da década de 1960.

Em 1940 a empresa encomenda ao renomado escritório de arquitetura de Simão Gramlich, de Blumenau, um arrojado projeto para sua nova sede comercial. Era o mesmo arquiteto que projetou a igreja matriz da cidade. O prédio em estilo Art-Decó é uma das jóias da arquitetura são-bentense e ainda se conserva em nossos dias.

A administração técnica da firma Buschle Irmãos, desde o princípio, foi exercida por Alfredo Buschle, entre 1918 e 1973, sendo substituído dali por diante por Luis Hilgenstieler, este que ingressou menino na empresa, iniciando como ajudante geral na década de 1930. Hilgenstieler foi diretor técnico da empresa até o final, em 1995.

A administração comercial ficava a cargo de Theodoro Buschle, que exerceu a função entre 1929 e 1956. Depois o irmão Ewaldo Buschle passa a presidir a empresa até 1973 quando é substituído por Marcos Donato Buschle, da geração seguinte, visto que é filho de Alfredo.

Na década de 1970 a parte comercial de secos e molhados é transformada em supermercado. Ainda existe uma seção de materiais de construção, mas o comércio de armarinhos, confecções, utilidades, eletrônicos (basicamente rádios), bicicletas e eletrodomésticos é descontinuada. Administrada agora pela segunda geração a empresa passa a enfrentar problemas de gestão e males relacionados a uma estrutura tremendamente viciada.

Toda a indústria brasileira de chocolates passa a enfrentar provações terríveis. Essa tempestade vem da Bahia, principal centro de produção de cacau do país. Ocorre que uma eminência parda - conhecida como Ângelo Calmon de Sá, cacaueiro e banqueiro (Banco Econômico), foi guinado a Ministro da Indústria e Comércio. Guiado por seus próprios interesses, Calmon de Sá praticou uma modalidade terrivelmente predatória de dumping no mercado nacional de cacau. Através de seu Banco Econômico, arrematava enormes e caríssimos lotes de seu próprio produto para saturar o comércio de produtos com preços artificiais muito abaixo dos praticados por seus concorrentes. Isso desestabilizou gravemente a maior parte da indústria de chocolates do Brasil, alguns até à insolvência.

A Buschle Irmãos, que ainda tinha uma cota adicional dos seus próprios problemas decorrente de uma administração temerária por parte de seu novo presidente, não resiste às adversidades e caminha célere para seu próprio ocaso. No final da década de 1970 problemas de inadimplência e falta de matéria prima para a fábrica de chocolates começam a se suceder. Existe agora uma crise de identidade entre a parte comercial – o supermercado – e a industrial. A empresa Buschle & Lepper de Joinville, cujo maior acionista é o filho mais novo de Estevão e Emilia Buschle - Baltazar Buschle - tenta interferir e salvar a empresa fundada por sua família, mas foi um esforço inútil.

Em 1º de março de 1983 é decretada a falência da Buschle Irmãos Ltda. A massa falida é levada a dois leilões que acontecem em 1º de dezembro de 1995 e 20 de março de 1996. Neste último leilão a maior parte dos bens são arrematados pela família Rudnick, ligada a Móveis Rudnick, de Oxford.

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