domingo, 2 de dezembro de 2012

Fabrica de Cerveja Frederico Christoffel & Cia / Frederico Christoffel & Successores


Imagem e texto retirados das publicações: "Revista da Cerveja Nº 2", "jornal A Federação", "Anuário da Província do RS".

Em 1855, exatamente ao pé da letra com a roupa do corpo, chegou ao Rio de Janeiro junto com emigrantes expontâneos vindo do Rheno, Frederico e Guilherme Christoffel após alguns meses de viagem num veleiro que naufragou em frente a Cabo Frio. Os náufragos só puderam salvar a roupa do corpo e o que tinham nos bolsos (documentos, dinheiro, etc.) e assim ficaram em terra estranha, cuja língua desconheciam, cujos costumes ignoravam. Para Frederico Christoffel o naufrágio não foi completo, seu irmão seguiu logo para o interior e ele ficou no Rio de Janeiro só, sem parentes, sem amigos, sem conhecidos e sem recursos, sem poder entender e nem se fazer ser entendido porque naquele tempo eram raros os alemães na grande cidade que o Rio já era. Contudo Frederico encontrou acolhida e dois ou três dias depois foi atraído a um banho na Praia do Russel e quando quis sair suas roupas, suas poucas moedas e os documentos que o naufrágio o poupara, haviam sido roubados.

Conseguiu emprego no comércio do Rio de Janeiro durante cinco anos e em 1860, uma atração irresistível o conduziu a Porto Alegre no Estado do Rio Grande do Sul onde começou a produzir cerveja na Rua da Floresta.

Por volta de 1850, Carlos Leser havia fundado uma pequena cervejaria na Rua do Rosário (antiga Rua do Bandeira e posteriormente em 1877, a Câmara Municipal altera seu nome para Rua Vigário José Inácio, em homenagem ao Padre José Inácio de Carvalho Freitas, vigário da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, que acabava de falecer.) na esquina do Caminho Novo, em Porto Alegre – RS.

Em 1864, Frederico Christoffel compra essa cervejaria, importa máquinas da Alemanha e passa a importar os insumos para a sua produção de cerveja, o lúpulo vinha da Baviera e a cevada de Hamburgo.

O cuidado com a qualidade trouxe à Fabrica de Cerveja Frederico Christoffel & Cia. diversos prêmios em diferentes exposições, o primeiro deles foi em 1866 na Exposição Nacional, na Corte, onde recebeu medalha de bronze.

Em 1875, conquistou medalha de prata na Exposição Comercial e Industrial do Rio Grande do Sul.

O uso de máquinas a vapor levou a Christoffel a produzir no ano de 1879 um milhão de garrafas de cerveja, a metade da produção de todo o Estado.

Em 1881 a cervejaria Christoffel participou da Exposição Brasileira-Alemã, recebendo novamente um prêmio. Participou também das exposições de 1886 e Berlin 1886

A cervejaria de Frederico Christoffel foi a pioneira no estado na produção de cerveja produzida em baixa fermentação a partir de 1883 e em novembro de 1884 começou a fabricar e vender gelo.

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A pequena fábrica tornou-se grande, a cerveja Christoffel criou fama e seu consumo extendeu-se pelo Rio Grande e pelo Brasil afora assegurando a Frederico uma fortuna considerável com a qual ele amparou outra indústria, a dos cofres e fogões Berta e estimulou a agricultura associando-se a fazenda Progresso com um moderno cultivo de arroz.

Em abril de 1887, Frederico Christoffel se desfaz da cervejaria passando-a para a sociedade de Francisco J. Siman e Luiz Englert que alteram sua firma para Frederico Christoffel Sucessores.

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Em 1891 foi transformada em sociedade por ações, constrói um novo edifício para a fábrica na Rua Voluntários da Pátria e desativa a antiga fábrica na Rua Vigário José Inácio, transformando-a em depósito.

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Em março de 1901 recebeu medalha de ouro em todas as cervejas apresentadas na Exposição Agropecuária e Industrial do Rio Grande do Sul.

Em maio de 1903 a Christoffel lança a cerveja parda Culmbach.


Em 16 de março de 1904, o Jornal A Redenção, traz um artigo sobre a cervejaria de onde tiramos alguns tópicos: O capital da fábrica é de 600:000$000 (seiscentos contos de réis), o atual proprietário é o Sr. Luiz Englert e para a produção tem 45 empregados, o limite de produção é de 1.500.000 garrafas de cerveja por ano, de cerveja branca e preta simples e dupla, de Lager Bier, Export Bier, Culmbacher, Chopps simples e duplo. No tocante a maquinaria, a máquina frigorífica pode produzir 300 kg de gelo por hora, a bomba d’água fornece 800 litros por minuto, os reservatórios de água tem a capacidade de 20.000 litros cada um, a caldeira a vapor é do sistema Belevil, de Demayer & Cia. de Villabroek, Bélgica, com uma superfície de fogo de 82 m², correspondendo a mais ou menos 60 cavalos vapor, o combustível empregado é a madeira.

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Em 27 de abril de 1915 falece, com 87 anos, Frederico Christoffel, o pioneiro da cerveja no Rio Grande do Sul.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Fábrica de Cerveja de Ambrozio Leonardelli / Leonardelli & Irmãos / Irmãos Leonardelli & Cia.


Imagem e texto retirados dos jornais: “O Momento” e “O Brazil” de Caxias-RS.

O início da Cervejaria Leonardelli coincide com os primeiros anos da chegada dos imigrantes italianos à região por volta de 1875.

  

Entre os primeiros imigrantes que chegaram a Caxias, contava-se o pioneiro Ambrogio Leonardelli (Ambrozio)que havia chegado em 1876. Homem trabalhador e honesto foi um dos iniciadores da vida da nossa cidade, sendo um dos desbravadores do antigo ambiente que aqui reinava. Em 1878, Ambrozio Leonardelli trabalhava como cervejeiro em uma fábrica caseira nas imediações da Rua Tronca esquina de Visconde de Pelotas, no antigo bairro lusitano, de propriedade de Felice Laner.

Tempos depois, Ambrozio casou com a irmã de Felice, dona Maria Lanner, pertencente a uma das famílias que haviam emigrado para o Brasil, foi o primeiro casamento realizado nesta comuna, desta união nasceram cinco filhos e dentre estes João Leonardelli, nascido em 1880, que viria a ser um grande cervejeiro.

Em 1882, Ambrozio Leonardelli lançou as bases de uma indústria que Caxias desconhecia. Começou a fabricar cerveja e inaugurou a própria fábrica de cerveja em um terreno na Rua Ernesto Alves, próximo à atual rodoviária. Imitando a iniciativa de Ambrozio, outros imigrantes tentaram fabricar o mesmo produto. Alguns logo desistiram, quando foi criado o imposto de vinte réis (0$020) por garrafa, alegavam que ninguém faria mais uso de cerveja pois a garrafa desse liquido passaria de cento e sessenta réis (0$160) para cento e oitenta réis (0$180). Ambrozio Leonardelli, homem tenaz e cheio de boa vontade não esmoreceu e continuou a fabricação do mencionado produto.

Em 23 de janeiro de 1911, o jornal “O Brazil” publica a relação dos prêmios ganhos pelos estabelecimentos de Caxias que participaram da Exposição Nacional de 1908 e entre eles estava a Fábrica de Cerveja de Ambrozio Leonardelli que havia recebido medalha de bronze.

Em 1912, com o afastamento de Ambrozio, a firma passa a denominar-se Leonardelli & Irmãos composta por João, Carlos e Mario Leonardelli.

Em 18 de outubro de 1914, são inauguradas as novas máquinas da cervejaria, adquiridas na casa Bromberg & Cia. E montadas pelo Sr. Maximiliano Müller.
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Em setembro de 1917 a cervejaria ganhou mais um prêmio, recebeu medalha de prata na 1ª Exposição Agrícola-Industrial promovida pela SC Gondoleiros de Porto Alegre – RS.

Em 26 de janeiro de 1918 o jornal “O Brazil” noticia o falecimento de Ambrozio Leonardelli com a idade de 71 anos, na quarta-feira passada, dia 23. Morre legando a seus filhos um exemplo de força de vontade e de honradez. Os filhos procuraram continuar a obra do velho Ambrozio Leonardelli desenvolvendo-a e aperfeiçoando-a.

Em sessão de 27 de janeiro de 1921 a Junta Comercial defere o requerimento pedindo o arquivamento do contrato da firma Leonardelli & Irmão, com o capital de 20:000$000 (vinte contos de réis), da qual fazem parte João, Carlos e Mário Leonardelli.

Em 1927 falece Mario Leonardelli, um dos três irmãos.

Em 1933, deram um novo impulso, fazendo uma grande reforma e conversão de alta para baixa fermentação. A firma, então, tomou uma nova denominação Irmãos Leonardelli & Cia. Prosseguiram como sócios João e Carlos e entraram para a mesma Ambrozio Leonardelli (neto) e Primo Leonardelli.

Em 3 de abril de 1934, o jornal A Federação, publica que na sessão de 2 de abril da Junta Comercial foi arquivado o contrato social de João Leonardelli & Irmão com o capital de Rs 500:000$000.

  

Em 1934, na 4ª Festa Regional da Uva, recebeu diploma de honra pelo belo stand de seus produtos.

Em 1935, imprimiram os componentes da firma uma nova atividade. Construíram a segunda maltaria do Estado, indústria que o senhor Getúlio Vargas apoiou, isentando-a de impostos, reconhecendo o valor da mesma na prosperidade econômica da nação. Gerencia a atividade comercial da firma, o Sr. Raimundo Leonardi, espirito dinâmico, honrado e benquisto.
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Em 6 de julho de 1945 é publicada nos jornais a declaração da venda da cervejaria e da maltaria à Cervejaria Brahma.
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Em 24 de abril de 1948 o jornal “O Momento” publica o aviso de fechamento, pela Brahma, das fábricas de Caxias do Sul e de Pelotas no Rio Grande do Sul.

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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Cervejaria São Domingos


Baseado no texto: Domingos Spinelli - Revista Revide n.159 - fascículo 9 (Paulo de Viarte)


Domingos João Baptista Spinelli nasceu em Ribeirão Preto, SP, em 25 de janeiro de 1914. Filho de Nicolau Spinelli e Stela Inecchi Spinelli. Estudou no Grupo Escolar Guimarães Júnior de 1922 a 1926 e no Liceu Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora de Campinas, sob regime de internato, durante os anos de 1926 a 1929.

Em 1931, ingressou na Faculdade de Ciências Econômicas de Ribeirão Preto, diplomando-se em 1934. Demonstrando competência profissional, foi convidado para trabalhar em São Paulo, no setor econômico-financeiro das Industrias Matarazzo, retornando a Ribeirão Preto, após ficar por dois anos.

No ano de 1937, assumiu a subgerência das Indústrias Matarazzo e ingressou como professor na Faculdade de Ciências Econômicas, tornou-se professor na área e excelente profissional, a ponto de ser convidado pelo Conde Matarazzo para gerenciar a unidade das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, em Ribeirão Preto, ficando responsável, ainda, pela Fazenda Amália, em Santa Rosa do Viterbo, neste período, trabalhou para a implantação da indústria têxtil e construção do prédio na atual Avenida Costa e Silva, no bairro Campos Elíseos. Permaneceu como superintendente até 1949.

Em 27 de maio de 1949, Domingos João Baptista Spinelli com os sócios Domingos e Francisco Innechi, com o capital de Cr$30.0000,00, dividido igualmente, constituiu a Sociedade Comercial São Domingos, instalada a Avenida Coronel Francisco Junqueira 98, Ribeirão Preto – SP, com filial à Avenida Saudades, onde se acha montada a máquina de beneficiamento de arroz.

Em 16 de julho de 1950 é publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOSP), sob o nº 122.908 a elevação do capital da Comercial São Domingos Ltda. de Cr$ 30.000,00 para Cr$ 300.000,00, dividido em partes iguais entre Domingos Innechi, Domingos Baptista Spinelli e Francisco Cláudio Innechi.

Em 14 de junho de 1953 é publicado no DOSP, a transformação da sociedade por quotas de responsabilidade limitada da Comercial São Domingos, já estabelecida na Rua São Paulo 492, em Sociedade Anônima com a denominação Companhia Cervejaria São Domingos – Fábrica Comandos de Bebidas com o mesmo capital integralizado de Cr$ 6.000.000,00, contrato arquivado na Junta Comercial de São Paulo, em 12 de junho de 1953, sob o número 69.135.

A Cervejaria São Domingos fabricava a cerveja clara Sinhá Chopp, a cerveja escura Sinhazinha, o Chopp Sinhô, o Guaraná Zap, o refrigerante Douradinha feito com as folhas de uma planta da região chamada de douradinha do campo, e tinha, também, a representação do refrigerante “Grapette”.
 
A distribuição dos produtos chegava até Belém do Pará e era feita pela empresa terceirizada Embarque Transportes.

Em Aparecida, veículo da frota dedicada à Cervejaria São Domingos.
 

Veículos da frota, distribuição do Guaraná Douradinha.

Veículos da frota dedicados à Distribuição Sinhá Chopp, linha Ribeirão Preto/Belém do Pará.


Apesar da excelência e aceitação dos produtos, o empreendimento não foi bem sucedido.

Domingos Spinelli Faleceu em Ribeirão Preto no dia 26 de maio de 1980. Foi casado com Elza Aparecida de Almeida Dinamarco e, dessa união, nasceu no dia 19 de outubro de 1939, o filho Nicolau Dinamarco Spinelli, o qual faleceu no dia 21 de dezembro de 2009.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Fábrica de Cerveja Livi & Bertoldi




O hábito de beber cerveja fora introduzido na cidade de Ribeirão Preto pelos imigrantes, eles a fabricavam de maneira artesanal, até surgirem as primeiras indústrias, que se tornaram algumas das mais importantes da cidade. Desde 1878, funcionava na vila uma pequena fábrica artesanal de cerveja, mas a bebida, ruim de doer, era mais utilizada como remédio contra febre. Em 1892 haviam dois pequenos fabricantes de cerveja no núcleo colonial. Então os imigrantes italianos, que sentiam falta do vinho, mas não pensavam em plantar uvas naquele febrão do Sol, ousaram fabricar uma cerveja de qualidade, a primeira grande fábrica fundada foi a de Livi & Bertoldi, tendo sido a terceira fábrica da cidade.

Quarto Bertoldi nasceu em Lavarone, Itália, no dia 27 de julho de 1876. Filho de Ezequiel Bertoldi e Anastácia Bertoldi, chegou ao Brasil no dia 26 de novembro de 1890 desembarcando no porto de Santos com 14 anos de idade, se deslocando para São paulo onde residiu e trabalhou em casas comerciais até 1896.

Em 1896, chegou a Ribeirão Preto para visitar os amigos e ficou.

Em 1900, Quarto Bertoldi associou-se a Salvatore Livi (Salvador) e fundaram uma fábrica de cerveja de alta fermentação, gazosas, licores e xaropes que, em algumas décadas, traria fama àquele italiano e se transformaria, como até hoje o é, numa referência simbólica nacional e produto de grande consumo na cidade. Esta cervejaria esteve situada à Rua Capitão Salomão, na área conhecida como Barracão, onde nessa época começava a se configurar o eixo de comércios e indústrias da terceira seção do Núcleo Colonial Antonio Prado, ela veio se reunir às outras três cervejarias já existentes no Núcleo: a de João Bernardi & Irmão, a de João Betoni localizadas no Barracão e a de Ernesto Esquibole localizada no Tanquinho.

Grande Fábrica de Licores Livi & Bertoldi


Em 8 de junho de 1901 o Diário oficial de São Paulo publica o contrato registrado, no mes de maio na Junta Comercial, entre Salvatore Livi e Quarto bertoldi, na praça de Ribeirão Preto, para o fabrico de cervejas, licores e águas minerais com o capital de 10:000$000 sob a firma Livi & Bertoldi.

Ainda em 1901 foi realizado em Ribeirão Preto a 1ª Exposição Regional Agrícola, Industrial e Artística do 3º. Distrito Agronômico do Estado de São Paulo e a Livi & Bertoldi teve a Cerveja Mulatta como um dos produtos premiados com medalha e diploma.

Em 25 de novembro de 1902 o Diário oficial de São Paulo publica o anúncio do requerimento de registro para a sociedade entre Calixto Tegagno, Salvatore Livi e Quarto Bertoldi para a exploração de fábrica de cerveja, licores e águas minerais em Ribeirão Preto - SP, com o capital de 15:000$000 (quinze contos de réis) sob a razão social de Tegagno, Livi & Bertoldi, esta firma foi de curta duração, tendo sido publicado no Diário oficial de São Paulo de 16 de maio de 1905 o distrato social.

Com o encerramento da firma Tegagno, Livi & Bertoldi. Livi e Bertoldi tornam a se unir e nesta mesma data, 16 de maio de 1905, o Diário oficial de São Paulo publica o contrato entre Salvatore Livi e Quarto Bertoldi, para o fabrico de cervejas, licores e águas minerais com o capital de 6:000$000, na praça de Ribeirão Preto, retornando a firma Livi & Bertoldi.


Cervejaria Livi & Bertoldi


Em 1908, na exposição nacional comemorativa do 1º Centenário de Abertura dos Portos Brasileiros ao Comércio Internacional, realizado no Rio de Janeiro volta a ter seus produtos premiados.

Quarto Bertoldi batizou as melhores cervejas com nomes da terra: Guarani, Indiana, Mulata. E a cerveja revelou-se mais um bom empreendimento.


Em 1928 a cervejaria contava com 12 funcionários e tinha um capital de 60:000$000, em 1929 diminuiu seus funcionários para 10 e em 1930 tinha somente 8. E como era costume entre os imigrantes a maioria de seus funcionários era de origem italiana que não eram tratados como empregados e sim como amigos.


Quarto Bertoldi foi casado com Carolina Bertoldi e tinha uma intensa vida social, colaborou com a instalação do 4º Grupo Escolar nos Campos Elíseos, mais tarde denominado “Antônio Diederichsen”. Trabalhou, com o padre Euclides, na instalação da Santa Casa e da Legião Brasileira. Com os padres Olivetanos, ajudou na edificação da Abadia de Santo Antônio, nos Campos Elíseos.

Quarto Bertoldi faleceu em 1967.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Fábrica de cerveja de Gustav Jahn & Cia / Cervejaria Gustavo Jahn & Cia Ltda.



Texto: baseado em notícias do Jornal Correio do Munícipio de Montenegro - RS


Em 1878 chega ao Brasil o alemão, nascido na cidade de Dassau, Gustav (Gustavo) Jahn, filho de Heinrich Rudolph Jahn e Wilhelmine Jahn-Belger e se estabelece na Vila de São João do Montenegro - RS (atual Montenegro).

Ele, juntamente com Ernesto Jansen, havia sido contratado para trabalhar como tecelão na indústria de Felipe Keller, por volta de 1870. Eles trabalharam naquela fábrica até o seu fechamento.

Em 1886 casou com a filha do seu patrão chamada Guilhermina Keller, este casamento gerou quatro filhos: Carlos Gustavo, Ricardo, Willy e Luiza e permaneceu em Montenegro trabalhando como professor.

Por volta de 1892, fundou uma fábrica de cerveja em pequena escala, na rua Buarque de Macedo, na saída da vila de Montenegro que devido a sua tenaz perseverança e concentração no trabalho, progrediu muito.

Em 1896, ele construiu o prédio na rua Capitão Cruz esquina da rua São João. Prédio grandioso, para a época. Em 1898 a fábrica começou a funcionar no novo prédio. Em 1902, a empresa empregava três operários e produzia de quatro a cinco mil garrafas por mês. Jahn produzia a cerveja pelo método da alta fermentação. A empresa também produzia gasosa e água mineral. A cevada e lúpulo, principais matérias primas da cerveja, eram importadas da Europa. Em 1909, Gustavo Jahn ampliou e modernizou a sua fábrica para produzir cerveja de baixa fermentação. Produto de maior qualidade. Para isso, mandou seu filho Ricardo para a Alemanha, estudar a técnica de produção dessa cerveja mais sofisticada. Em 27 de outubro de 1910, o Jornal Correio do Município, de Montenegro, noticia que o senhor Gustavo Jahn comprou a fábrica de cerveja de José Mario Christofari, localizada nos subúrbios desta vila.

Em 29 de outubro de 1911, Gustavo Jahn regressa da Alemanha para onde havia ido no início do mês para conhecer e comprar novas máquinas para sua cervejaria.

Em 11 de fevereiro de 1912, retorna da Alemanha o filho Ricardo Jahn que partiu em março de 1910 para fazer o curso de cervejaria. Nesta mesma data o Jornal Correio do Município publica: “...Já estão chegando da Alemanha as novas machinas para a cervejaria do Senhor Jahn que pretende fazer funcional-as em novembro do corrente anno...”

Em 6 de junho de 1912, o Jornal Correio do Município publica: “... O edifício que o Sr. Gustavo Jahn está construindo para funcionamento de sua nova fábrica, já recebeu a cumieira...”.

Em 28 de junho de 1912, foi concluída a construção da chaminé da fábrica, que passou a ser um marco de Montenegro

Em 17 de outubro de 1912 iniciou a fabricação de cerveja pelo sistema de baixa fermentação na nova fábrica da rua Buarque de Macedo (atual Pizzaria Casarão). Essa nova fábrica que deverá ser inaugurada em fins de novembro ou princípio de dezembro, teve aumentado o edifício de sua antiga fábrica onde adaptou-o com mecanismos e utensílios importados da Alemanha e que mais ou menos são os seguintes: filtro, maquina para engarrafamento, lavadeiras de garrafas, 3 tinas para fermentação, tendo cada uma a capacidade de 6000 garrafas, 12 tanques para depositar cerveja também com capacidade de 6000 garrafas cada um, resfriador, aquentador, misturador de cevada, etc.
O motor tem a força de 60 cavalos e o compressor de 36, tendo a caldeira 72 metros quadrados de superfície de calor.
A água para a fabricação de cerveja e gelo é tirada do rio Cahy que fica distante da fábrica 1200 metros. A bomba, que é movida a eletricidade fornece 20 metros cúbicos de água por hora.
São bem espaçosos os dois porões frigoríficos próprios para a fermentação e depósito da cerveja.
O fabrico da cerveja deverá atingir 5000 garrafas diárias e a importância despendida com a montagem da fábrica e o aumento do prédio eleva-se a 200 contos de réis.





A nova cerveja tinha a marca União, classificada como Münchner Brauart (tipo de Munique). Depois passou a produzir a cerveja da marca Primor, classificada como Pilsener Brauart (tipo pilsen), que tornou-se a mais vendida e conquistou mercado no estado inteiro. Outra marca bem aceita foi a cerveja preta chamada Montenegrina, própria para ser bebida no inverno.

A fábrica trabalhava com 20 funcionários. A alta qualidade dos produtos garantiu à cervejaria Jahn a medalha de ouro na Exposição Estadual de 1916.

Em 19 de outubro de 1917, Gustavo Jahn veio a falecer e seus filhos Carlos Gustavo e Ricardo continuaram a administrar a fábrica.

Em 1924 a produção anual da empresa chegava a um milhão de garrafas.

Em 1935, na exposição comemorativa à Revolução Farroupilha, os produtos da Jahn concorreram com as maiores cervejarias do estado e venceram a competição recebendo a medalha de ouro.

A Cervejaria Jahn estava no auge quando, em fins de 1939, aconteceu uma verdadeira desgraça: a Segunda Guerra Mundial. No ano seguinte começou a faltar a matéria prima importada para a produção das cervejas e a empresa encerrou suas atividades.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Antarctica Paulista / Fábrica de Gelo e Cervejaria - Antarctica Paulista / Companhia Antarctica Paulista S.A. (até 1920)


Baseado nas publicações:
Textos: Coleção de Leis do Brasil - 1891 / Os Primórdios da Cerveja no Brasil (Sérgio de Paula Santos) / Jornal Correio Paulistano.
Imagens: Jornal A Provincia (Atual O Estado de São Paulo) / Luigi Musso.


Joaquim de Salles fez seu curso de engenharia no Instituto Polytechnico de Reusselaer, em Troy Est. de Nova York; formou-se em 1879 e voltou a S. Paulo onde trabalhou no prolongamento da Mogyana, e em 1881 na construção da estrada de ferro da Companhia Rio Claro onde foi chefe da 2.° secção.

Mais tarde dedicou-se à industria, fundando no final de 1885 juntamente com outros sócios (Luiz Campos Salles, José A. Cerqueira, Luiz de Toledo Pizza, Antonio Penteado e José Penteado Nogueira), no bairro da Água Branca, na cidade de São Paulo, o importante estabelecimento industrial Antarctica Paulista, para fabricação de gelo, banha, preparação de presuntos, conservação de carnes e todos os produtos de gado suíno, tendo começado a produzir em 10 de outubro de 1886.

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O estabelecimento é bem situado na proximidade da estação e junto a duas estradas de ferro, Ingleza e Sorocabana. O edifício da fábrica é representado por vários corpos ligados entre si. Um de dois andares de 39 x 14 metros para matança dos porcos, separação de carnes e toucinho e 1700 metros de camaras frigoríficas distribuidas em 5 divisões, nesse mesmo corpo se acha o salão para o fabrico de latas e salsicharia. Um outro corpo, casa de dois andares, com 8 x 6 contem as caldeiras de refinação de banha. No torreão faz-se a fumegação dos presuntos, podendo preparar cerca de 3000. Em um lance da casa terrea com a extensão de 14 x 9 metros se acham os maquinismos para fabricação de gelo podendo fabricar 10 toneladas diariamente. Há escritórios e moradias de empregados, casa esparsas para operários e as casas do Sr. Joaquim Salles (gerente) e luiz Pizza (outro gerente) e mais caldeiras e máquinas.

Os cálculos falharam, pois logo após a instalação da grande fábrica, a matéria prima começou a escassear, devido ao avassalamento da lavoura de café que se espalhava por todo o interior. A cultura do café extinguindo a fonte de produção de porcos desfechou um golpe mortal sobre a nova indústria nascente. As custosas e magníficas instalações, não tinham mais razão de ser; não restava à utilíssima empresa, outro recurso senão fechar as suas portas.

A fabricação de gelo ficou com sua enorme capacidade ociosa e isso despertou o interesse do cervejeiro alemão Louis Bücher, pertencente a uma família de cervejeiros de Wiesbaden, na Alemanha, que havia chegado em São Paulo em 1868 e que desde 1870 era sócio da pequena Fábrica de Cerveja Gambrinus, cuja firma era Philipps & Buecher, estabelecida na Rua 25 de março nº2, na qual empregava arroz, milho e outros cereais em vez de cevada.
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Essa sociedade foi encerrada em 1º de novembro de 1871, Ficando Luiz Bücher responsável pela firma e fabricando diversos tipos de bebidas.
No ano de 1875, Louis Bücher ainda estava estabelecido na Rua 25 de março nº2, conforme comprova o anúncio deste marceneiro.
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Em 27 de outubro de 1887, o jornal Correio Paulistano publica que a sociedade comercial estabelecida nesta cidade sob a firma Joaquim Salles & Cia elevou seu capital de Rs 150:000$000 para Rs 300:000$000 e admitiu como seus sócios solidários, o Barão de Romeiro, José de Campos Salles, Dr. Thomaz Augusto de Mello Alves, Angelina de Moraes Salles, José de Moraes Salles, Reginaldo de Moraes Salles, Eduardo Teixeira e o Dr. Domingos Correa de Moraes.

Por volta de 1888, Louis Bücher acabou por se associar à Antarctica Paulista de Joaquim Salles. Essa sociedade alterou sua razão social para “Antarctica Paulista – Fábrica de Gelo e Cervejaria” e foi a primeira fábrica de cerveja com tecnologia apropriada para a produção de cerveja de baixa fermentação. A fabricação de cerveja começou apenas em 1889, após a instalação dos maquinismos e da chegada de mestres cervejeiros alemães, apesar de ter uma capacidade de produção de 6 mil litros diários a produção inicial foi de 1000 a 1500 litros diários. Seu primeiro logotipo eram dois ursos sobre um campo de gelo. Inicialmente a empresa não tinha um foco muito claro de negócios, atuando na fabricação de cerveja e refrigerantes, assim como continuava na fabricação de banhas e presuntos, fábrica de gelo e manutenção de câmaras frias para estocagem de alimento.

Neste e nos anos seguintes, foram publicados na imprensa vários anúncios da Fábrica de gelo e cervejaria Antártica Paulista, no jornal "A Província de São Paulo", atual jornal O Estado de São Paulo. Tal como o de 6 de setembro de 1888 inormando a mudança do depósito da Antarctica para o Largo da Sé, onde poderá ser procurado gelo.
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Sob a perspectiva do contexto histórico, o Brasil passou da fase colonial para a República, em 1889. Nesta época o Brasil efetivamente iniciava seu processo de industrialização. O decreto n. 164 de 17 de janeiro de 1890 regulamentou e deu novas liberdades à existência das Sociedades Anônimas. Nesse ano a Antarctica aumentou seu quadro de funcionários para 200 e também a sua capacidade de produção, já alcançava 4 milhões de litros produzidos. o Jornal "A Província de São Paulo", atual jornal O Estado de São Paulo do dia 11 de abril de 1900 traz em um de seus artigos referencia sobre a cerveja Bock Bier da Antarctica. E foi esse desenvolvimento que a levou a se tornar uma sociedade anônima.

Em 9 de fevereiro de 1891 foi oficialmente fundada a "Companhia Antarctica Paulista" como sociedade anônima, com 61 acionistas, sendo seus principais acionistas: João Carlos Antonio Zerrener, Adam Ditrik Von Bullow, Antonio Campos Sales, Antonio de Toledo Lara, Augusto Rocha Miranda, Teodoro Sampaio e Asdrubal do Nascimento.

A primeira diretoria foi composta pelos acionistas: Dr. Augusto da Rocha Miranda, presidente; Dr. Fabio Ramos, secretario; Asdrubal Augusto do Nascimento, gerente. O conselho fiscal; que terá de servir no primeiro ano, se comporá dos seguintes acionistas: João Carlos Antonio Zerrenner, Dr. Paulo Ferreira Alves, Dr. Augusto de Siqueira Cardoso. O prazo de duração da companhia será de 30 anos, a contar da data da instalação. O capital da companhia será de tres mil contos de réis (3.000:000$000), dividido em quinze mil ações de duzentos mil réis (200$000) cada uma. A companhia terá por fins: Explorar a fabrica da cerveja Antarctica Paulista e desenvolve-la no sentido de alargar a produção, de acordo com a procura e aceitação desse produto; Fabricar o ácido carbonico líquido, com aplicação à cerveja e outras bebidas espumantes; Fabricar o malte (cevada germinada), pelo sistema mais aperfeiçoado; Promover a cultura de cevada e aplicar os residuos da mesma à engorda e criação de porcos; Adquirir a grande chacara onde se acha estabelecido atualmente o Club Germania, em frente ao Mercadinho, à rua de S. João, e estabelecer ali: a máquina de gelo destinada ao engarrafamento e produção de gelo para o abastecimento da cidade, manutenção de camaras frias para a conservação, mediante armazenagem, de gêneros de fácil deterioração como frutas, legumes, leite, peixe, etc., depósito de matéria prima e dos produtos das fábricas da companhia, no espaço ocupado atualmente pelo gradil, na Rua de São João, pequenos chalés, confortáveis e higiênicos, anexos às camaras frias, para a venda do leite, peixe, frutas, caça, etc., grande salão e jardim de recreio para a venda de chops; Fundar na Agua Branca uma usina de distilação, retificação de álcool e outras manipulações; Montar na localidade do Estado, atualmente servida por estrada de ferro (Botucatú, Itapetininga ou Jahú), que for julgada mais conveniente, uma fábrica de banhas, presuntos, salames, carnes ensacadas, etc., aproveitando para isso todos os aparelhos da antiga fábrica daqueles produtos, pertencentes à Antarctica Paulista, os quais se acham desmontados e em perfeito estado de conservação, para esse fim a companhia adquirirá terrenos apropriados para a criação e engorda de porcos e que disponham de queda de água para a instalação da fábrica; Edificar por conta propria ou dividir em lotes e vender os terrenos de sua propriedade, anexos à fábrica e os da Chácara Germania, desnecessarios ás necessidades da companhia; Montar oportunamente no norte da República (Bahia ou Pernambuco) uma fábrica de cerveja modelada pela Antarctica Paulista, estabelecendo ali uma delegação da diretoria; Promover e realizar, por conta própria ou de terceiros, empreendimentos que entendam com o progresso industrial e agrícola.

O decreto nº 217 de 2 de maio de 1891 firmado pelo presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca autorizou a Companhia Antarctica Paulista a funcionar com os estatutos apresentados dentro da legislação vigente na época.

Entre os acionistas estavam João Carlos Antonio Zerrenner, alemão e Adam Ditrik Von Bülow, dinamarquês, ambos naturalizados brasileiros e proprietários da empresa Zerrenner, Bülow e Cia. exportadora e corretora de café. Eles desempenharam um papel fundamental na modernização da empresa. Importaram equipamentos da Alemanha para modernizar a produção de cerveja e os financiaram para a Antarctica e alem disso, colocaram a disposição da nova sociedade 860 contos de réis de seu próprio capital. A primeira crise, no entanto, aconteceria apenas dois anos depois, em 1893, quando a oscilação do mercado cambial, desvalorização da moeda e a necessidade de importação de matéria-prima trouxeram sérios problemas para manter o ritmo da produção e a Antarctica esteve por decretar a falência. Através da assembléia de 1º de janeiro de 1893 foram votados o novo estatuto, a redução do capital para Rs 1.710:000$000 distribuidos em 17.100 ações de Rs 100$000 cada, das quais 8600 serão entregues a Zerrener, Bullow & Cia. em pagamento da dívida que a companhia tem com esta firma, tornando-se desta forma acionistas majoritários passando a ter o controle de mais de 50% do capital da companhia, encabeçando a lista de acionistas pelo resto da vida.

Em janeiro de 1895, a Companhia Antarctica Paulista S.A. ganha sua primeira logomarca: uma estrela de seis pontas com a letra "A" inscrita no centro. A estrela, usada pelos fabricantes europeus desde a Idade Média, foi uma sugestão dos técnicos cervejeiros alemães.

Em 28 de fevereiro deste mesmo ano, a Antarctica registra sob o número 58 da Junta Comercial do Estado de São Paulo a cerveja Versandt Bier.

Em 27 de julho de 1896 a Companhia Antarctica registra a cerveja Antarctica sob o nº 75 da Junta comercial do Estado de São Paulo e neste ano registra as cervejas Pilsner e Bock.

Em 14 de dezembro de 1898 faz a renovação do registro da cerveja Antarctica sob o n° 148.

Em 1899, já não havia mais problemas financeiros, através da Assembleia Geral Extraordinária de 16 de junho, o capital foi aumentado de Rs. 1.609.100$000 para Rs. 3.500:000$000, empregava 300 funcionários, produzia 50.000 hl anuais de cerveja e 50 toneladas de gelo por dia.

Em 2 de setembro de 1900 falece Luiz Bücher, o mais antigo funcionário da Companhia Antarctica Paulista e um dos mais antigos fabricante de cerveja de São Paulo.

Em 1901, através da Assembleia Geral Extraordinária de 22 de abril, o capital foi aumentado de Rs. 3.500:000$000 para Rs. 7.000.000$000, em função da valorização de seus bens.

Ainda em 1901, entra com requerimento para registro da cerveja Bohemia na sessão da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 23 de setembro de 1902, entra com requerimento para registro da cerveja Monopol na sessão da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 1902, quando o capital já era de Rs. 10.000:000$000, a empresa abriu para o público paulista o amplo espaço onde funcionava a cervejaria, uma área de 300 mil metros quadrados com jardins planejados, passeios, lagos, espaços para piquenique, parques infantis, pistas de atletismo, quadras de tênis e campo de futebol. Assim nascia o Parque da Antarctica Paulista, tornando-se a principal área de lazer da cidade. A partir de então recuperou-se e passou a crescer rapidamente.

Em 1903, a sala das máquinas motrizes de grandes dimensões não parece destinada a conter aqueles monstros de aço que fornecem movimento aos diferentes maquinismos. Os diferentes motores são colocados muito convenientemente de modo a obter a maior economia de espaço e as maiores vantagens para o serviço.
Acham-se ali: um motor Compound, sistema Linde, da fábrica dos Gebruder Sulzer de Winterthur, de 120 hp cujo volante mede 7 metros de diâmetro e outro da mesma fábrica de 80 hp de alta pressão com volante de 4 metros de diâmetro. Os eixos desses motores são ligados a duas bombas especiais para comprimir o amoníaco até 18 atmosferas. Uma máquina de gelo Artic Ice Machine M.F.G. and Co., de Cleveland, Ohio, e cinco bombas Compound de Henry R. Worthington que fornecem a água necessária para todos os serviços da fábrica. Dois grandes compressores de ar de Wegelins and Hübner, de Halle (Saxonia). Dois dínamos acionados por dois motores de 5 hp, de 110 volts e 150 ampéres, da fábrica C. Daevel, de Kiel, destinado a fornecer a iluminação as diversas seções e dependências do estabelecimento, completando a instalação elétrica, um grande quadro distribuidor e um para-raios de Ganz & Cia, de Budapest.

O vapor necessário para os motores, bombas, máquinas de gelo, máquinas para ferver e esterilizar a cerveja, etc. é fornecido por 6 caldeiras de K. N. Möller, de Brackwerde. Essas caldeiras tubulares de 600 hp, trabalham com a pressão de 12 atmosferas e estão colocadas numa sala apropriada.

Em 7 de fevereiro de 1903, entra com requerimento para registro da cerveja Porter na sessão da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 1904 adquire o controle acionário da Cervejaria Bavária, na Mooca, São Paulo - SP, que pertencia a Henrique Stupakoff & Cia. Com capital alemão e brasileiro, dividido meio a meio, e maquinários vindos da Suíça e da Alemanha, ali se produziam as seguintes qualidades de cerveja: Pilsen, Munchen e Export, que eram vendidas em barris ou em garrafas.

Em 1905 a Antarctica efetiva a compra da Cervejaria Bavária por $3.700.000$000 (tres mil e setecentos contos de réis) e seu capital já é de 8.500.000$000.

Em 11 de janeiro de 1907 a Companhia Antarctica Paulista registra a cerveja Excelente sob o nº 814 da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 14 de junho de 1907 a Companhia Antarctica Paulista registra a cerveja Tip Top Bock sob o nº 881 da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 20 de março de 1908, na sessão da Junta Comercial entra com requerimento para registro da cerveja Esperança.

Em 5 de maio de 1908, na sessão da Junta Comercial entra com requerimento para registro da cerveja Pery.

Em 14 de abril de 1911, a Antarctica inaugura, na cidade de Ribeirão Preto no interior de São Paulo, a sua primeira filial.

A Companhia Antaretica Paulista lança a emissão pública de um empréstimo da quantia de Rs. 6;000:000$000, dividido em 30.000 obrigações ao portador (debentures) de duzentos mil réis cada uma, juros do oito por cento ao ano. Para o fim de ultimar as grandes obras que está fazendo em sua fabrica da Moóca,para a edificação de predios para seus depositos na cidade e naconstrução do Theatro Casino Antarctica na Avenida Anhangabahú, bem como para iniciar as grandes obras projetadas nas ruas de S. João, Formosa e vale do Anhangabahu, onde serão construidos os Theatros Bijou e Salão e o novo Theatro Polytheama. assim como sobrados de cinco andares, destinados a hotel, restaurantes, pensões, etc., devidamente autorizada pelas assembléias gerais extraordinarias de 16 de janeiro de 1913, cuja ata foi publicada no Diario Ofical de São Paulo de 19 da janeiro proximo findo sob n. 15 e no O Estado de São Paulo de 1 de março corrente, e a de 12 deste mes de março, cuja ata foi publicada no Diario Oficial de São Paulo de 13 de março de 1913 sob n. 56 e no O Estado de São Paulo do 14 deste mes, atas estas arquivadas na Junta Comercial da Capital de São Paulo, respectivamente a 18 de janeiro proximo findo e a 12 de março corrente.

Em 1914, a 1ª Guerra Mundial não trouxe grandes alterações ao panorama cervejeiro do Brasil. O fato da guerra se desenrolar principalmente na Europa e de a importação de cerveja estrangeira ser diminuta ou mesmo nula, fez com que não só o consumo como também a produção, se mantivesse a níveis bastante elevados e em franco crescimento A participação da cerveja no mercado, neste período, aumentou significativamente até se tornar uma das bebidas mais populares do país. E já no início dos anos 1920 a produção na filial Ribeirão preto era de 250 mil hl/anuais. A cervejaria passou a eliminar quase todas as concorrentes e também as importadas, num segundo momento, a Antarctica diversificaria seus investimentos, marcando os anos 20 com o início da produção de seu famoso guaraná.

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sábado, 26 de maio de 2012

Companhia Cervejaria Paulista





Por iniciativa de descendentes de imigrantes alemães na rica cidade do café de Ribeirão Preto - SP, foi fundada em 25 de abril de 1913, a Companhia Cervejaria Paulista com um capital de Rs.300.000$000,sendo o seu primeiro e principal incorporador o sr. Hanz Scherholz. As primeiras reuniões para a organização da fábrica foram realizadas na antiga sede da Sociedade Dante Alighieri (rua Duque de Caxias, 98). A primeira diretoria era composta por João Alves Meira Junior (Presidente), Alfio Messina (Gerente) e Hanz Scherholz (Diretor-Técnico). Posteriormente, com a saída de Alfio Messina, o seu cargo foi confiado a José Rossi.

A primeira fábrica foi instalada à Rua Visconde do Rio Branco (esquina com rua Barão do Amazonas)

Em 18 de abril de 1914, foi inaugurada a nova fábrica, construída a Avenida Jerônimo Gonçalves, às margens do Ribeirão Preto, próxima a Estação da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, Na margem oposta do mesmo córrego estava instalada a fábrica da Cia. Antárctica Paulista, também fabricante de bebidas e sua principal concorrente. Ainda nesse ano teve o seu capital aumentado para Rs.450.000$000.

As primeiras marcas de bebidas lançadas pela Cia. Cervejaria Paulista foram: Sterlina, Crystalina, Niger, Kromo, Caraboo e Zurê.




Posteriormente foi lançada a cerveja Tust e muitas outras escuras e claras:



Com o tempo as cervejas Poker, Niger e Tust, tornaram-se as principais marcas de cervejas produzidas pela Cia. Paulista e foi sob a égide desta triologia que a Cia. tornou-se conhecida, a princípio regional e depois nacionalmente.

EM 1915, novamente teve seu capital aumentado desta vez para Rs.1.000.000$000.

Em 10 de julho de 1917, é publicada no Diário Oficial de São Paulo o registro da marca cerveja zebu. Em um rótulo com a figura de um boi zebu.

A Cia. Paulista desenvolveu-se no contexto econômico do ciclo do café, dos coronéis, dos cassinos, da imigração européia e do desenvolvimento urbano que esta economia desencadeou no interior do Estado de São Paulo. Desde a sua inauguração, em 1914 até a década de 70, a fábrica de bebidas da Cia. Paulista foi, juntamente com a Cia. Antárctica, responsável pelo desenvolvimento urbano da cidade. Gerou inúmeros empregos e contribuiu para a formação de mão-de-obra especializada, operariado este formado por imigrante, na sua grande maioria. Localizada às margens do córrego (Preto), que dá origem ao nome da cidade, contribuiu ainda para os melhoramentos quanto ao bastecimento de água e energia daquela região da cidade, impulsionando o crescimento do Bairro de Vila Tibério e região Central da cidade.

Em 1927, a Cia. Paulista investiu na compra de terrenos e antigos edifícios localizados à Praça XV de Novembro e, em 1928 já com capital em Rs. 3.000:000$000 contava com 205 funcionários. A Cia. Paulista foi ainda precursora dos investimentos imobiliários que injetaram significativas cifras nas finanças locais em meio a crise iniciada em 1929, nesa época a quantidade de funcionários diminuiu passando a 170 funcionários. Em 1930, inaugurou um Teatro de Ópera, um Edifício Comercial e um Hotel (no chamado Quarteirão Paulista, tombado pelo Condephaat). Estes investimentos foram os responsáveis por lançar as bases do que viria a se tornar baseada a economia local até os nossos dias: uma cidade prestadora de serviços.

Em 1930 apesar do número de seus funcionários diminuir novamente, a cervejaria aumenta seu capital para Rs. 4.500:000$000 e apesar de uma crise financeira sofrida nas décadas de 30 e 40, a fábrica continuou sua produção, baseada principalmente na marca Niger de cerveja preta.

Em 19 de abril de 1960 a cervejaria publicou, no jornal Folha de São Paulo, este anúncio em comemoração de seus 46 anos de trajetória.


Até que, em 1973 fundiu-se com a sua grande rival a Cia. Antárctica Paulista, tornando-se a Cia. Antárctica Niger.

Com a criação da AMBEV em 1999, fusão entre a Antarctica e a Brahma, o Conselho Administrativo de Defesa Economica (Cade) exigiu a venda da marca Bavária e de cinco cervejarias pertencentes a elas, entre as cinco estava a Antarctica Niger, de Ribeirão Preto que foi vendida para a Molson Coors Brewing Company, de Montreal, Canadá.

Em 25 de março de 2002, a Molson, adquiriu da Heineken, da Coca-Cola e de seus engarrafadores no Brasil, a Cervejaria Kaiser, em uma transação avaliada em US$ 765 milhões, depois de ter adquirido a Bavária da AmBev por US$ 190 milhões.

Em julho de 2003, a Molson desativa a fábrica de Ribeirão Preto sob a alegação de que a fábrica, construída há 75 anos, era ineficiente, tinha alto custo de operação, e sua modernização exigiria muito investimento. A região de Ribeirão Preto será abastecida pela unidade de Araraquara, mais moderna, que fica a 80 quilômetros da região.

Em 17 de Janeiro de 2006, a Fomento Econômico Mexicano S.A. (FEMSA), adquiriu 68% da Cervejarias Kaiser mediante o pagamento de 68 milhões de dólares a Molson Coors Brewing Company, a qual ficará com 15% da Kaiser, enquanto os 17% restantes continuarão sendo propriedade de Heineken.

Em 1º de março de 2007, exatos cinco anos depois da sua chegada ao Brasil, a Molson encerra, definitivamente, sua conturbada participação no mercado brasileiro de cervejas. Sem anúncio oficial ou alarde, a empresa canadense vendeu os 15% de participação que ainda detinha na Kaiser para a mexicana Femsa por US$ 16 milhões.

Localizados no centro histórico de Ribeirão Preto, os edifícios da antiga fábrica, construídos pelo arquiteto-construtor Baudílio Domingues, foram tombados pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico Turístico do Estado de São Paulo), pelo CONPPAC (Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural do Município de Ribeirão Preto) e atualmente encontra-se em processo de tombamento pelo IPHAN. Nesse sentido, foram cedidos em comodato pela FEMSA, detentora da marca Kaiser, para a São Paulo Film Commission, mantenedora dos Estúdios Kaiser de Cinema, para implantação do seu centro de produção audiovisual e para desenvolver atividades culturais. As obras de restauro, reformas e adequação foram viabilizadas pelo Governo do Estado de São Paulo (Secretaria de Estado da Cultura – ProAC), Prefeitura de Ribeirão Preto e também pelo setor da construção civil desta cidade. ( Texto produzido com informações prestadas por Tânia Registro, do Arquivo Público e Histórico) Desde o encerramento das atividades da Kaiser na cidade, a sirene instalada na torre ficou desativada desde que soou pela última vez, em 1992. Ela não servia apenas para marcar os horários de funcionamento dos turnos da fábrica. Desde que foi instalada, em 1928, a sirene passou a regular também a vida dos moradores de Ribeirão Preto, acostumados a ouvi-la soar com precisão sempre às 6h, ao meio-dia e às 18h.

A construção original se tornou patrimônio histórico e cultural tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) e também pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural do Município de Ribeirão Preto (CONPPAC), através da inscrição nº355, p. 96 do Livro do Tombo Histórico em 20/12/2007.
O prédio dos Estúdios Kaiser de Cinema foi cedido em comodato pela Heineken do Brasil (controladora da Kaiser), para a São Paulo Film Commission desenvolver o seu centro de produção audiovisual. As obras de restauro, reformas e adequação foram viabilizadas pelo Governo do Estado de São Paulo (Secretaria de Estado da Cultura – ProAC), Prefeitura de Ribeirão Preto e também pelo setor da construção civil desta cidade. Nos Estúdios Kaiser de Cinema funcionam as sedes do Núcleo de Cinema de Ribeirão Preto, da São Paulo Film Commission, da Fundação Feira do Livro e do Projeto CineCidade.

A indústria adaptada em espaço cultural é uma exceção em meio à decadência das ruas que cruzam a Avenida Jerônimo Gonçalves, onde outros cartões-postais da cidade, como o Hotel Brasil e a sede da Antarctica – primeira fábrica de cerveja de Ribeirão, fundada em 1911 –, apresentam sinais de degradação e esquecimento