sábado, 26 de maio de 2012

Companhia Cervejaria Paulista / Companhia Antarctica Níger





Por iniciativa de descendentes de imigrantes alemães na rica cidade do café de Ribeirão Preto - SP, foi fundada em 25 de abril de 1913, a Companhia Cervejaria Paulista com um capital de Rs.300.000$000,sendo o seu primeiro e principal incorporador o sr. Hanz Scherholz. As primeiras reuniões para a organização da fábrica foram realizadas na antiga sede da Sociedade Dante Alighieri (rua Duque de Caxias, 98). A primeira diretoria era composta por João Alves Meira Junior (Presidente), Alfio Messina (Gerente) e Hanz Scherholz (Diretor-Técnico). Posteriormente, com a saída de Alfio Messina, o seu cargo foi confiado a José Rossi.

A primeira fábrica foi instalada à Rua Visconde do Rio Branco (esquina com rua Barão do Amazonas)

Em 18 de abril de 1914, foi inaugurada a nova fábrica, construída a Avenida Jerônimo Gonçalves, às margens do Ribeirão Preto, próxima a Estação da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, Na margem oposta do mesmo córrego estava instalada a fábrica da Cia. Antárctica Paulista, também fabricante de bebidas e sua principal concorrente. Ainda nesse ano teve o seu capital aumentado para Rs.450.000$000.

As primeiras marcas de bebidas lançadas pela Cia. Cervejaria Paulista foram: Sterlina, Crystalina, Niger, Kromo, Caraboo e Zurê.




Posteriormente foi lançada a cerveja Tust e muitas outras escuras e claras:



Com o tempo as cervejas Poker, Niger e Tust, tornaram-se as principais marcas de cervejas produzidas pela Cia. Paulista e foi sob a égide desta triologia que a Cia. tornou-se conhecida, a princípio regional e depois nacionalmente.

EM 1915, novamente teve seu capital aumentado desta vez para Rs.1.000.000$000.

Em 10 de julho de 1917, é publicada no Diário Oficial de São Paulo o registro da marca cerveja zebu. Em um rótulo com a figura de um boi zebu.

A Cia. Paulista desenvolveu-se no contexto econômico do ciclo do café, dos coronéis, dos cassinos, da imigração européia e do desenvolvimento urbano que esta economia desencadeou no interior do Estado de São Paulo. Desde a sua inauguração, em 1914 até a década de 70, a fábrica de bebidas da Cia. Paulista foi, juntamente com a Cia. Antárctica, responsável pelo desenvolvimento urbano da cidade. Gerou inúmeros empregos e contribuiu para a formação de mão-de-obra especializada, operariado este formado por imigrante, na sua grande maioria. Localizada às margens do córrego (Preto), que dá origem ao nome da cidade, contribuiu ainda para os melhoramentos quanto ao bastecimento de água e energia daquela região da cidade, impulsionando o crescimento do Bairro de Vila Tibério e região Central da cidade.

Em 1927, a Cia. Paulista investiu na compra de terrenos e antigos edifícios localizados à Praça XV de Novembro e, em 1928 já com capital em Rs. 3.000:000$000 contava com 205 funcionários. A Cia. Paulista foi ainda precursora dos investimentos imobiliários que injetaram significativas cifras nas finanças locais em meio a crise iniciada em 1929, nesa época a quantidade de funcionários diminuiu passando a 170 funcionários. Em 1930, inaugurou um Teatro de Ópera, um Edifício Comercial e um Hotel (no chamado Quarteirão Paulista, tombado pelo Condephaat). Estes investimentos foram os responsáveis por lançar as bases do que viria a se tornar baseada a economia local até os nossos dias: uma cidade prestadora de serviços.

Em 1930 apesar do número de seus funcionários diminuir novamente, a cervejaria aumenta seu capital para Rs. 4.500:000$000 e apesar de uma crise financeira sofrida nas décadas de 30 e 40, a fábrica continuou sua produção, baseada principalmente na marca Niger de cerveja preta.

Em 19 de abril de 1960 a cervejaria publicou, no jornal Folha de São Paulo, este anúncio em comemoração de seus 46 anos de trajetória.


Até que, em 1973 fundiu-se com a sua grande rival a Cia. Antárctica Paulista, tornando-se a Cia. Antárctica Niger.

Com a criação da AMBEV em 1999, fusão entre a Antarctica e a Brahma, o Conselho Administrativo de Defesa Economica (Cade) exigiu a venda da marca Bavária e de cinco cervejarias pertencentes a elas, entre as cinco estava a Antarctica Niger, de Ribeirão Preto que foi vendida para a Molson Coors Brewing Company, de Montreal, Canadá.

Em 25 de março de 2002, a Molson, adquiriu da Heineken, da Coca-Cola e de seus engarrafadores no Brasil, a Cervejaria Kaiser, em uma transação avaliada em US$ 765 milhões, depois de ter adquirido a Bavária da AmBev por US$ 190 milhões.

Em julho de 2003, a Molson desativa a fábrica de Ribeirão Preto sob a alegação de que a fábrica, construída há 75 anos, era ineficiente, tinha alto custo de operação, e sua modernização exigiria muito investimento. A região de Ribeirão Preto será abastecida pela unidade de Araraquara, mais moderna, que fica a 80 quilômetros da região.

Em 17 de Janeiro de 2006, a Fomento Econômico Mexicano S.A. (FEMSA), adquiriu 68% da Cervejarias Kaiser mediante o pagamento de 68 milhões de dólares a Molson Coors Brewing Company, a qual ficará com 15% da Kaiser, enquanto os 17% restantes continuarão sendo propriedade de Heineken.

Em 1º de março de 2007, exatos cinco anos depois da sua chegada ao Brasil, a Molson encerra, definitivamente, sua conturbada participação no mercado brasileiro de cervejas. Sem anúncio oficial ou alarde, a empresa canadense vendeu os 15% de participação que ainda detinha na Kaiser para a mexicana Femsa por US$ 16 milhões.

Localizados no centro histórico de Ribeirão Preto, os edifícios da antiga fábrica, construídos pelo arquiteto-construtor Baudílio Domingues, foram tombados pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico Turístico do Estado de São Paulo), pelo CONPPAC (Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural do Município de Ribeirão Preto) e atualmente encontra-se em processo de tombamento pelo IPHAN. Nesse sentido, foram cedidos em comodato pela FEMSA, detentora da marca Kaiser, para a São Paulo Film Commission, mantenedora dos Estúdios Kaiser de Cinema, para implantação do seu centro de produção audiovisual e para desenvolver atividades culturais. As obras de restauro, reformas e adequação foram viabilizadas pelo Governo do Estado de São Paulo (Secretaria de Estado da Cultura – ProAC), Prefeitura de Ribeirão Preto e também pelo setor da construção civil desta cidade. ( Texto produzido com informações prestadas por Tânia Registro, do Arquivo Público e Histórico) Desde o encerramento das atividades da Kaiser na cidade, a sirene instalada na torre ficou desativada desde que soou pela última vez, em 1992. Ela não servia apenas para marcar os horários de funcionamento dos turnos da fábrica. Desde que foi instalada, em 1928, a sirene passou a regular também a vida dos moradores de Ribeirão Preto, acostumados a ouvi-la soar com precisão sempre às 6h, ao meio-dia e às 18h.

A construção original se tornou patrimônio histórico e cultural tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) e também pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural do Município de Ribeirão Preto (CONPPAC), através da inscrição nº355, p. 96 do Livro do Tombo Histórico em 20/12/2007.
O prédio dos Estúdios Kaiser de Cinema foi cedido em comodato pela Heineken do Brasil (controladora da Kaiser), para a São Paulo Film Commission desenvolver o seu centro de produção audiovisual. As obras de restauro, reformas e adequação foram viabilizadas pelo Governo do Estado de São Paulo (Secretaria de Estado da Cultura – ProAC), Prefeitura de Ribeirão Preto e também pelo setor da construção civil desta cidade. Nos Estúdios Kaiser de Cinema funcionam as sedes do Núcleo de Cinema de Ribeirão Preto, da São Paulo Film Commission, da Fundação Feira do Livro e do Projeto CineCidade.

A indústria adaptada em espaço cultural é uma exceção em meio à decadência das ruas que cruzam a Avenida Jerônimo Gonçalves, onde outros cartões-postais da cidade, como o Hotel Brasil e a sede da Antarctica – primeira fábrica de cerveja de Ribeirão, fundada em 1911 –, apresentam sinais de degradação e esquecimento

4 comentários:

Ricardo Almeida Martins disse...

Ótimo depoimento. Participei dessa história desde 1971 até 2000 ...

Odilon Andrade disse...

Trabalhando por quase 40 anos no Grupo Antarctica, interesso-me sempre por conhecer histórias de empresas produtoras de cervejas e refrigerantes.Vale a pena tomar concecimento.

Anônimo disse...

sera q nunca mais a tao respeitada sereia vai tocar?

Anônimo disse...

cade o Gasparini ?