31 outubro 2011

Cervejaria e Fábrica de Gazosa de Alberto Genz / Cervejaria Ganso / Steglish & Werner



Baseado nos textos:
Os Antigos Produtores de Bebida - Ademar Campos Bindé - Jornal O Reporter - 29 de maio de 2010.
Fábricas de Cerveja e gasosa em Ijuhy e Região - HoraH nº 12 de 6 de maio de 2011.


No desenvolvimento de Ijuí, a produção de bebidas se destaca não apenas como prática econômica, mas também como importante atividade cultural exercida pelo colono imigrante, que trouxe para nossa região as tradições e costumes de sua região de origem. Percebe-se o predomínio do colono alemão na fabricação de cerveja e do colono italiano no ramo do vinho.

Segundo o relatório de 1912 da Comissão de Terras e Colonização de Ijuhy, em que constam dados para um diagnóstico socioeconômico do então município:
A população de Ijuí, era calculada entre 25 a 28.000 habitantes. Havia 70 casas de comércio, 16 serrarias a vapor, 1 serraria hidráulica, 28 moinhos hidráulicos para milho, trigo e centeio, 4 moinhos a vapor para os mesmos cereais, 42 engenhos de cana, 11 fábricas de cerveja e gazoza, 2 de banha (refinarias), 19 ferrarias e fábricas de carroças e carros, 6 olarias, 2 carpintarias a vapor, 5 curtumes, 3 atafonas (fábricas de farinha de mandioca), 3 padarias, 6 funilarias, 4 engenhos a vapor de beneficiar arroz, 4 engenhos hidráulicos para o mesmo cereal, 9 hospedarias e restaurantes, 4 hotéis, 3 açougues, 7 alfaiatarias, 5 sapatarias, 4 barbearias, 3 depósitos de madeiras, 2 armazéns de consignação e despacho de mercadorias, 2 relojoarias, 1 tipografia, 5 médicos, 2 advogados, 1 fábrica de mobílias de vime, 85 fábricas de manteiga de nata doce, 1 ourivesaria, 1 depósito de cal, 1 fábrica de móveis de madeira, 1 fotógrafo, 1 oficina mecânica e armeiro, 1 bazar, 1 pedreiro construtor”.
A produção era calculada em 5.000 contos e a exportação em 2.500 a 3.000 contos. Exportava-se banha, fumo, feijão, milho, madeiras em toras, tábuas, linhas, pranchões,

No ano anterior, 1911, entre os primeiros habitantes de origem alemã, provenientes de Santa Cruz do Sul a se fixar e se estabelecer em Ijuí, na então “Colônia de Ijuhy”, estava a família do Sr. Alberto Henrique Augusto Genz, nascido em 1878 e casado em 1908 com Paulina Schütz.

Após comprar o lote urbano nº 3 na Rua 13 de maio, o Sr. Genz instalou uma cervejaria na confluência das Ruas Coronel Dico e 13 de Maio, local onde posteriormente foi instalada a antiga Casa Jost.

Fabricava cerveja com a marca Ganso e também Gazosa.


A administração do Sr. Genz chegou ao fim em 1924 quando a cervejaria foi assumida por Steglich e Werner que logo no ano seguinte, 1925, a eletrificam.

Depois de vender a cervejaria, o Sr. Genz junto com seus filhos Júlio e Alberto Fernando instala uma manufatura de fumo, nesta época já possuia um matadouro e fábrica de salames, além de um açougue no centro da cidade.

Veio a falecer em 15 de janeiro de 1931 em Ijuí.


Mas os efeitos da existência, no mercado, de um produto mais competitivo influenciaram, mas não tão rapidamente sobre a cervejaria ijuiense, que produzia para a cidade e localidades próximas.

Aos poucos, ela deixa de produzir e passa a atuar como revendedora da Cia. Cervejaria Brahma. A exigência da Brahma, de que a revendedora local vendesse também seus refrigerantes, fez ocasionar o fim da fábrica, que fecha definitivamente em 1971.

16 setembro 2011

Fábrica de Cerveja Beauclair - Friburgo Brau / Germania



Baseado no texto:
Cervejas de Friburgo, Friburgo Brau, Suspiro e Germania - Janaína Botelho


Além dos primeiros colonos alemães que migraram para Friburgo em 1824, Nova Friburgo recebeu em 1892, 703 imigrantes alemães do total de 1.421 que imigraram para a região serrana.
É possível que Albano Beauclair tenha vindo neste grupo. E é a partir de então que se inicia a história da cerveja Friburgo-Brau.

“O Friburguense”, de 22 de novembro de 1891 nos dá notícia de que as firmas A. de Beauclair & Cia. e Gonçalves & Bastos solicitaram ao Conselho de Intendência do Município, permissão para conservarem abertas, aos domingos e feriados, depois das 3 horas da tarde, as portas de suas fábricas de cerveja. Isto nos leva à conclusão de que havia funcionando, ao mesmo tempo, duas fábricas de cerveja naquela época.

Em 1893, o sr. Albano Beauclair proprietário da Cervejaria Beauclair, fabricante da cerveja Friburgo-Brau anunciava a inauguração da sua nova fábrica localizada próximo ao “chalet” Mac Nivem, possivelmente em razão da excelente e notória qualidade da água de Friburgo, conhecida até mesmo por suas características medicinais. Situada à margem do Rio Santo Antonio, atual Rua Mac-Nivem, era um importante espaço de sociabilidade na cidade.

As novas instalações da Cervejaria Beauclair contava com os mais modernos equipamentos importados da Alemanha, com depósitos de fermentação, adegas subterrâneas e com pasteurização final do produto. A fabricação utilizava unicamente cevada e lúpulo, importados dos melhores fornecedores alemães.

A fábrica de cerveja Beauclair importara todos os aparelhos da Alemanha, onde produzia em média 22 mil garrafas mensalmente. Possuía ainda uma sofisticada máquina de lavar garrafas e outra que experimentava a resistência das mesmas, à base de gás de ácido carbônico. Para o verão, utilizava um resfriador Patent de Neubecker, um engenhoso aparelho para manter a cerveja sempre geladinha. A cervejaria Beauclair adotava o sistema de Munich não só quanto ao maquinário, como no processo de fabricação. O Sr. Albano de Beauclair tinha o diploma de mestre fabricante de cerveja, conferido pela Escola de Cervejaria de Worms, localizado na Alemanha. A fábrica produzia a famosa e saborosa cerveja Friburgo Brau, um produto especial da casa exportada para outras regiões, sendo considerada uma das melhores cervejas nacionais.

A Friburgo Brau era muito exaltada nos jornais e um dos orgulhos da cidade.
O jornal descrevia a Cervejaria Beauclair como “um sítio aprazível, onde a natureza traja sempre galas”, o que seria, na verdade, um Biergarten. O conceito de cervejaria que se difundira no século XIX, as denominadas Biergarten, eram locais situados em áreas arborizadas, com jardins, normalmente próximos a um rio, onde se espalhavam mesas e bancos de madeira.
Nestes locais, cada um levava seu próprio farnel ou refeição e consumia a cerveja vendida no local. Atualmente, na Baviera, a exemplo de Munique, as Biergarten conservam a mesma tradição de outrora. No entanto, já fornecem refeição aos frequentadores. Logo, a Cervejaria Beauclair aproximava-se desse conceito de Biergarten.

Em 1907, Albano Beauclair arrendou a fábrica a Bernardo Dias e companhia, mas continuou a prestar seus serviços. Ao que parece o sr. Beauclair falecera neste mesmo ano. O novo proprietário mudou o nome para Fábrica de Cerveja Germânia. Neste período, a Cervejaria Germânia já possuía diversas máquinas de pasteurização, lavagem das garrafas, arrolhamento, etc.

A cerveja Germânia era descrita como de cor topázio, de espuma argêntea e “aurivibrante”. As garrafas tinham rótulos litografados em letras art noveau com o nome de Germânia, impresso em tinta vermelha. Já se providenciava a substituição das rolhas de cortiça, presas a arame, por outras do sistema teutonia.

Em 20 de novembro de 1920 o jornal Correio da manhã publica o anúncio de venda do prédio da cervejaria.
Até 1930, há informação de que a fábrica de cerveja ainda funcionava, tendo como proprietários Lima Jaccoud & Companhia.

14 setembro 2011

Cervejaria Van De Kamp / Fábrica de Cerveja, Limonadas e Gelo Viúva Norberto Van De Kamp



Texto e imagem: Ton Roos e Margje Eshuis - Os Capixabas Holandeses
Imagens dos rótulos cedidas pelo colecionador Paulo Antunes Júnior

Em 1897, o holandês de nome Norbert Van De Kamp (Norberto), um visionário de inteligência e visão além do seu tempo, natural de Calcar, na então Renânia, atual Estado Federal mais populoso da Alemanha, cuja capital é Dusseldorf, inaugura uma fábrica de cerveja, limonada e gelo, com capacidade de produção compatível com aquele que era o maior e mais desenvolvido empório comercial do Espírito Santo, em Cachoeiro de Santa Leopoldina, atual Município de Santa Leopoldina.

O grande movimento de Cachoeiro de Santa Leopoldina assegurou uma posição social de relevo. Grandes firmas da Europa despachavam seus viajantes diretamente ao Porto de Cachoeiro. Só depois que faziam esta praça é que visitavam Vitória, a Capital, suas festas eram muito concorridas, vinham pessoas até do Rio de Janeiro na época do Carnaval. As ruas ficavam multicoloridas de confetes e serpentinas.

A Cervejaria Van De Kamp criou fama e seus produtos foram remetidos para várias partes do Estado. A fábrica, de porte, se localizava à Rua Porfírio Furtado, onde hoje em seu local está edificada a cadeia pública.
A bebida produzida por ele era muito bem recebida. Fabricava cervejas de alta fermentação, cervejas mais leves, branca, preta e dupla, assim como a célebre gasosa, de muita recordação para os mais antigos moradores do Município.

Com apenas 50 anos de idade, no dia 25 de abril de 1920, um ataque cardíaco o matou e não fosse sua morte prematura Van De Kamp teria se tornado um grande industrial no Espírito Santo. Sua morte interrompeu o sonho de crescimento da fábrica e infelizmente as receitas das cervejas foram enterradas com ele e sua esposa prosseguiu com a administração da cervejaria.
Em 19 de agosto de 1923, o Diário Oficial da União publica a relação oficial dos expositores, do Estado do Espírito Santo, premiados na Exposição Internacional do Centenário da Independencia, onde consta a premiação atribuida à Viúva Norberto Van De Kamp com medalha de bronze, na classe 57, cervejas e gazosas.
  
Apesar dos esforços feitos pelos filhos, para prosseguirem com a fabricação da bebida, nos padrões antigos, sem as receitas de seu pai nada conseguiram e assim, com o decorrer do tempo, a indústria acabou sendo fechada.

09 setembro 2011

Cervejaria Amazonense de Miranda Correa & Cia



Baseado nos textos do site e blogs a seguir:
www.novomilenio.inf.br
Blog do Rocha Cervejaria Amazonense de Miranda Correa;
Blog do Coronel Roberto Cervejaria Amazonense - Inauguração

Imagens dos rótulos cedidas pelo colecionador Paulo Antunes Júnior

Em 1903 foi fundada a “casa de schopps” e a fábrica de "Gelo Crystal", pela família de Maximino Corrêa, oriunda do vizinho estado do Pará.
São sócios desta importante firma o sr. Miranda Corrêa e seus irmãos, três dos quais residem no Rio de Janeiro e dois outros no Pará. O chefe da firma é o dr. Antonino Carlos de Miranda Corrêa, nascido no Pará em 1872 e educado no Rio de Janeiro, onde se formou em Engenharia. Em seguida, cursou a Escola Militar, entrando como tenente para o Exército Brasileiro; pouco depois demitiu-se, vindo para Manaus, em 1896.

Estabelecida a Fábrica de Gelo, que em breve se tornou uma empresa rendosa. O gelo, que fora o produto básico vendido pelos irmãos Corrêa, a partir de 1905 deu partida ao elevado desempenho da firma Miranda Corrêa.
A Cervejaria Miranda Correa foi idealizada por Antonino, que em 1909, foi à Europa onde visitou as principais cervejarias e trouxe da Alemanha todo o maquinário e também dois técnicos especializados voltando a Manaus deu início ao projeto da grande empresa.

Instalada em Manaus em 6 de setembro de 1909 teve autorizada sua montagem por lei número 595. Em 20 de fevereiro de 1910, às nove horas da manhã, foi lançada a pedra fundamental da Fábrica Amazonense de Cerveja e Gelo de Miranda Corrêa e Cia, à margem esquerda do igarapé da Cachoeira Grande, em Manaus, Amazonas, sendo seu fundador Antonino Carlos de Miranda Corrêa.

Por se inserir em um período muito conturbado da história mundial e regional, a região sofre, neste momento, os primeiros indícios de uma eminente e possível crise na produção gomífera e a diminuição dos recursos que transformaram uma pequena vila em uma das cidades mais bonitas e modernas de sua época. Nesse contexto, surge a implantação da Cervejaria Amazonense Miranda Corrêa.

Em 12 de outubro de 1912,foi inaugurada a primeira cervejaria em Manaus, a Cervejaria Amazonense pela família Miranda Corrêa composta pelos irmãos Luís Maximino e Antonino Carlos (engenheiros), Altino Flávio (almirante) e Deocleto Clarivaldo (médico). Quando inaugurada, a fábrica serviu para a produção da cerveja XPTO e produtos afins, além de continuar com a fabricação de gelo cristal.

A cervejaria, com todo o seu aparato técnico de última geração impressionava até os mais pessimistas dos pessimistas. A maioria das pessoas não acreditava ser possível um empreendimento daquela magnitude.


No período de 1910 a 1920, o mundo passava por grandes transformações. A cidade de Manaus vivia o período que ficou conhecido por “Belle Epoque”, a sua década de ouro, com esplendor das mais importantes personalidades artísticas vindas para se apresentarem no teatro Amazonas. É claro que tal dinamismo e mecenato tinha que ter o dedo do Dr. Luiz Maximino de Miranda Corrêa, de personalidade marcante, era um homem que estava muitos anos à frente de seu tempo. Por uma questão muito peculiar, ele era um verdadeiro estrategista e profundo observador dos destinos desta terra.

Em 1914, Maximino de Miranda Correa, proprietário da Cervejaria Miranda Corrêa, fabricante da cerveja XPTO, e da Casa de “Schopps” (ortografia da época) localizada na Eduardo Ribeiro do cinema, compra o prédio do cinema Odeon, ao lado, e o fecha para reformas. Sua reabertura ocorre a 3 de maio, agora com programação da Agência Geral Cinematográfica. Em dezembro de 1914, o Odeon é arrendado para a empresa Fontenelle.

Os deslevos com a produção, levou a família a "importar" um edifício projetado na França, no estilo de um castelo bávaro para servir de fábrica, o qual ainda existe no bairro de Aparecida, localizado à margem do igarapé de São Raimundo. O local era bastante privilegiado, além da água em abundância, permitia uma visão panorâmica da cidade de Manaus.

Um edifício notável com seis andares e uma torre artística, a altura do edifício, desde o solo até o alto da torre, é de 160 pés. No interior, a torre é servida por um elevador elétrico (o primeiro instalado em manaus) de duas toneladas de capacidade e por um escada de caracol com 200 degraus. O edifício fica situado na margem do rio, no ponto terminal da linha de tramways elétricos do Plano Inclinado. No pavimento térreo fica situada a seção de despachos, em como os depósitos e salas de lavagem de garrafas e empacotamento. O primeiro e segundo andares são reservados ao tratamento final da cerveja, que a eles desce por um sistema não excedido em nenhum outro estabelecimento similar da América do Sul.

A cervejaria tem uma capacidade de produção de cinco milhões de litros. Os tubos serpentinas para o resfriamento são trazidos por quatro câmaras frigoríficas, cujas paredes são interiormente acolchoadas com cortiça e revestidas de acabamento em jaspe. O terceiro andar é o depósito para a fermentação, e aí ficam as retortas de fermentação, que distribuem o produto os andares inferiores por meio da força de gravidade. Esta seção está dividida em dois compartimentos - inferior e superior - de fino acabamento e decoração artística.

No quarto andar ficam o laboratório químico e escritório técnico. O quinto andar é reservado para armazenagem e tratamento da cevada, que a ele chega depois de ter passado pelo limpador no andar superior; aí fica também situada uma grande retorta para o lúpulo e o fermento. No sexto andar, fica o depósito de cevada, e aí está também instalado o engenhoso dispositivo para limpar a cevada e livrá-la das matérias estranhas que se lhe tenham juntado.

Tanto a cobertura como as paredes são todas à prova de fogo, sendo o vapor e água fria, para fins de manufatura e outros usos, supridos ao andar superior. Em cima do poço do elevador estão instalados dois tanques para água, com capacidade para 50.000 litros cada um. Do alto da torre se descortina uma esplêndida vista da cidade e do porto. A eletricidade para a luz e força motriz é produzida na usina geradora, situada ao lado do edifício principal.

A cevada e o lúpulo são importados da Alemanha e a água usada passa, previamente, por uma filtração completa, depois de ser retirada do rio. Ao lado da cervejaria fica situada a fábrica de gelo, a primeira estabelecida em Manaus; o seu maquinismo é movido por um motor de 500 hp, ao qual fornece o vapor uma enorme caldeira, tipo Lancashire. A instalação é americana e tem capacidade para produzir 40 toneladas de gelo diariamente, o qual é entregue duas vezes por dia à freguesia espalhada por toda a cidade e vendido por um preço que o torna de consumo geral na cidade.
Trabalham nesta fábrica cerca de 20 homens, havendo também um caminhão com 30 hp e vários carros automóveis e outros de tração animal, para o serviço de distribuição.

Com o início da produção de cerveja e chope em barris, que faria fama entre os manauenses. A XPTO sobreviveu aos seus criadores, continuando a ser fabricada por mais de 50 anos. Ganharam o mundo, pois eram servidas nos navios que saiam de Manaus rumo à Europa. XPTO, que a primeira vista é uma sigla, na realidade é abreviatura do nome de Cristo em grego (Christós: X (qui), P (ró), T (tau) e O (omicron). O historiador Antonio Loureiro, descobriu que XPTO é uma gíria usada em Portugal desde o século 20 e falada até hoje e significa “OK, é o máximo”. A tampinha que fechava a garrafa tinha desenhado o mapa do Amazonas e seus rios, circundado pela inscrição Cervejaria Miranda Corrêa. O rótulo apresentava uma águia entrelaçada com o nome XPTO. Uma cópia de um anúncio visto na Times Square, em Nova York, por Antonino quando esteve lá.

Bolacha de chope - anos 50


A empresa subsistiu por mais de meio século, apesar do definhamento da economia amazonense. Serviu aos lares e aos bares por décadas, até ser atingida pelos concorrentes e pelo desenvolvimento da capital amazonense.

A expansão do comércio com a instalação da Zona Franca de Manaus, a partir de 1967, levou a fabricante da cerveja XPTO a mudar de proprietário.

Em 1970, a empresa J. Macedo, com sede em Fortaleza - CE, comprou o controle acionário da Cervejaria Miranda Corrêa.

Em 1972, a J. Macedo, através de convênio começou a fabricar a cerveja Brahma, e com novos e modernos equipamentos aumentaram a produção, a XPTO deixou de ser fabricada, talvez não vissem sentido em produzir duas marcas de cervejas ou mesmo a Brahma não permitisse que eles produzissem outra.

Durou pouco a presença dessa empresa. Logo depois, passou ao gerenciamento da Brahma, então de conceito nacional, que construiu uma nova fábrica no mesmo local, abandonando o castelo.

Com a fusão da Brahma e Antarctica, as instalações foram novamente comercializadas, passando a pertencer à cervejaria Kaiser.

20 agosto 2011

Emilio Kirst / Albano Kirst & Cia. / Kirst & Cia. Ltda. / Bebidas Fruki Ltda. / Bebidas Fruki S.A.



Baseado nos textos:
Homenagem aos 80 anos da Fruki
PROJETO DE LEI CM Nº 087 - 02/2010 - justificativa
E no site da empresa:www.fruki.com.br
Imagens dos rótulos cedidas pelo colecionador Paulo Antunes Júnior

Em 1846, o agricultor Adam Kirst partia com mulher Elisabeth e filhos da pequena aldeia de Hochscheid, onde morava, na região de Hunsrück, sudoeste da Alemanha, para uma viagem de 70 dias com destino às terras brasileiras. Um de seus filhos que aqui chegou com a idade de seis anos, Peter Kirst, casou-se com Phillipina Bloss, também foi agricultor e trouxe, com muito trabalho, uma riqueza que poderia deixar um futuro seguro para ele e sua família. Seu filho Emilio Kirst, neto de Adam, nascido em 4 de outubro de 1880 em Montenegro, duas gerações depois levaria à criação de uma das mais importantes empresas de bebidas do sul do país.


Em 29 de abril de 1924, Emílio Kirst e seus filhos Albano, Bruno e Walter instalaram a Cervejaria Bella Vista, uma pequena fábrica de refrigerantes e cervejas no Bairro Bella Vista, em Arroio do Meio, município de Lajeado, no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul.


No início da fabricação das bebidas todo o processo era realizado manualmente e era produzido cerca de 200 garrafas por dia.

Em 1927, a família Kirst ampliou a indústria, adquirindo a cervejaria de Alfredo Bender, de Arroio do Meio. A partir daquele momento, passou a produzir a cerveja “Bella Vista”.

No final da década de 20, Kirst viu a necessidade de reestruturar a empresa e viu no filho Bruno este alicerce, este se empregou na fábrica de bebidas de Luiz Gerhardt, na localidade de Corvo, município de Estrela, para conhecer e aprender sobre a fabricação de refrigerantes e outras bebidas. Algum tempo depois, de volta a Kirst, em 1930, começou a fabricar licores e aperitivos, xaropes, vinagres, cachaça de alambique, Fernet, batidas e outros, depois da compra da empresa de Edmundo Rodner, de Arroio do Meio, que fabricava esses produtos, aumentando ainda mais a gama de itens.


Theobaldo Eggers nasceu no dia 12 de dezembro de 1911 na localidade de Arroio Grande, atual município de Paverama, o último dos dez filhos de Frederico e Christina Eggers.

Em 1932, Theobaldo Eggers ingressou como funcionário na fábrica de cerveja e refrigerante de Albano Kirst & Cia, em Canabarro.

Em 12 de agosto de 1933 casou com Elma Kirst, irmã do proprietário da empresa e filha de Emílio e Olinda Kirst. Ainda em 1933, deixou a fábrica de cerveja e estabeleceu-se em Picada Boa Vista, município de Estrela, onde abriu uma casa comercial de secos e molhados.

Em 1935, era firmado o contrato com a razão social de Kirst & Cia. Ltda. A fábrica, produzia cervejas, refrigerantes, vinagres e aperitivos com a marca Bella Vista.

Em 1937, Theobaldo, a convite de seu pai, vendeu a casa comercial e assumiu a propriedade agrícola da família, em Paverama. Dedicou-se ao plantio da mandioca e instalou uma atafona para fabricação de farinha de mandioca e polvilho.

Com o falecimento de seu sogro, Emílio Kirst em 1941, proprietário da fábrica de bebidas Kirst & Cia Ltda, Theobaldo foi convidado pelo seus cunhados, Bruno e Walter Kirst, para ingressar como sócio da empresa em 1945. E o novo sócio e caixeiro-viajante passou a vender os produtos, percorrendo o interior da região, de freguês em freguês, no lombo de um burro.

Em 1949 o empresário Arno Vontobel procurou a empresa em busca de sócios para a produção do refrigerante Laranjinha, para isso foi fundada uma empresa em Porto Alegre, a Refrigerantes do Sul, dirigida por Walter Kirst e Omar Vontobel, irmão de Arno, porém após 10 anos, em 1959, teve de fechar as portas e a Laranjinha voltou a ser produzida pela Kirst & Cia. Ltda. até 1970.

Em 14 de agosto de 1959, Walter se desligou da empresa e Nelson Eggers, filho de Teobaldo, completou o quadro societário.

Com a necessidade de modernização em 1962 iniciou a busca por um novo endereço que proporcionasse uma localização estratégica para melhor distribuição do produto. A promessa de abertura da rodovia BR 386, conhecida então como “Estrada da Produção” e que seria uma das vias mais importantes de escoamento da produção gaúcha, levou a empresa a adquirir uma área de terras junto à mesma, para a construção de uma nova e moderna fábrica, em Lajeado. Iniciando a construção da fábrica em 1969.

Com a a transferência da fábrica e a sua inauguração em 2 de outubro de 1971, a Kirst & Cia. Ltda. lançou a linha de refrigerantes Fruki. O novo produto incorporado à linha da antes pequena indústria, quase artesanal e pouco conhecida, foi a alavanca que impulsionou a empresa para a conquista do mercado gaúcho.
A partir daí deu-se inicio a história do sucesso da Fruki. Em 1974 adquiriu modernos equipamentos industriais.

Na década de 90, os permanentes investimentos no aperfeiçoamento de suas instalações industriais e na modernização de suas linhas de produção, levaram a Fruki a ser reconhecida como um exemplo para todo o setor de refrigerantes.

Em 1992 lançou os refrigerantes Fruki em embalagens PET de 2 litros.

Em 1996 a Razão Social foi alterada, passando a adotar o nome de Bebidas Fruki Ltda.

Theobaldo Eggers foi Diretor da empresa e trabalhou na área administrativa até novembro de 1998, aos 87 anos quando foi hospitalizado em virtude sérios problemas respiratórios relacionados à sua idade avançada. Veio a falecer no dia 04 de janeiro de 1999 deixando a esposa Elma Eggers, os filhos Ilse Eggers Wagner, Nelson Eggers e Vanda Eggers Fetter, netos e bisnetos, sócios e amigos, além de 200 funcionários admiradores de seu trabalho.

Em 2004 a Bebidas Fruki Ltda é transformada em Bebidas Fruki S.A.

Atualmente a empresa é a maior indústria regional de refrigerantes do Rio Grande do Sul, com capacidade anual de 300 milhões de litros de bebidas atingindo 12% do mercado de refrigerantes, 15% do mercado de água mineral e 35% do mercado de repositor energético no Estado.

10 agosto 2011

Cervejaria Cincinato Naspolini




Cincinato Naspolini nasceu em 12 de março de 1893, em Cocal (atual município de Cocal do Sul) localidade pertencente à Urussanga - SC. Casado com Florença Bez Batti Naspolini, nascida em 14/09/1899, em Urussanga e falecida em 1º de janeiro de 1984 em Criciuma, com 85 anos, era filha de Lucca Bez Batti (primeiro prefeito de Urussanga) e Rosa Minotto Bez Batti. O casal teve sete filhos: Haidée, Haiti, Gília, Hilda (falecida em 6/08/2011 com 89 anos), Holmes, Zulma e Fúlvio.

Cincinato foi um grande empreendedor, criou a Cervejaria Cincinato Naspolini, a primeira fábrica de cerveja e gasosa (tampadas com bolinha de gude) de Urussanga, que produzia a Cerveja Deliciosa que acabou por vender, para Ângelo Perucchi fabricante, no distrito de Cocal, da “Cerveja Cocalina” e da “Gazoza Ideal”.

A cervejaria, pelo que se tem de notícia, ficava ali na Vila Operária Velha (hoje o Bairro Santa Bárbara), onde, atualmente, está o prédio e Loja de Máquinas de Costura de Clóvis Perucchi.

Em 1928 (com 35 anos) veio morar em Cresciúma (nome alterado para Criciúma em 1943), que foi território e distrito pertencente do município de Araranguá, do qual se desmembrou em 1925. Sua instalação se deu dia 1º de janeiro de 1926, com a posse de Marcos Rovaris como Superintendente, cargo correspondente a Prefeito. Rovaris governou até 18 de outubro de 1930, quando foi destituído pela Revolução Getulista. O General Ernesto Lacombe, chefe da revolução em Santa Catarina designou Cincinatto Naspolini governador civil e militar de Cresciúma (corresponde a Prefeito) que administrou até julho de 1933.

Executou várias obras dentre as quais: Construção da Praça Nereu Ramos, criação e construção do Hospital São José, construção do Grupo Escolar Professor Lapagesse, abertura da Avenida Getúlio Vargas e Rua João Pessoa, abriu diversas estradas no interior do município. Na localidade de São Bento Baixo, construiu uma ponte coberta, arborizou a cidade com cinamomos e outras árvores (isso numa época em que a cidade era toda rodeada de árvores e mata virgem).

Foi dele a primeira empresa de ônibus (década de 40) que fazia as linhas: Centro ao Bairro São Marcos e Criciúma a Siderópolis.

Recebeu o título de Cidadão Honorário de Criciúma em 5 de setembro de 1983 e faleceu em 10 de junho de 1985 aos 92 anos.

30 julho 2011

Cervejaria Caetano Carmignani / Carlos Carmignani & Irmão / Carmignani S/A


A Carmignani nasceu graças ao trabalho e empenho de Caetano Carmignani, filho de Giovacchino Carmignani e Maria Salvatore Papini Carmignani, nascido em 8 de novembro de 1875, na Itália, na cidade de Montecarlo, província de Lucca, veio como imigrante para o Brasil, em 1887, ainda criança com somente 12 anos de idade e foi morar nas proximidades de Piracicaba - SP. Até sua maioridade ajudou muito seus progenitores, pois tinha em seu pensamento o desejo de progredir, vencer na vida, já almejando seu futuro. Em 1904 já com 29 anos de idade teve a feliz idéia de instalar uma fábrica de cerveja.
Com visão ampla de progresso adquiriu da família Barão de Rezende uma área de 1.000 metros quadrados, onde construiu a fábrica e a sua residência.
Em 1907 a primitiva fábrica foi transferida para esse lugar, situava-se na Avenida Dona Francisca, nº. 60, praticamente na esquina com a Rua Monsenhor Gallo e com a aquisição de máquinas e outros equipamentos, começou a fabricar a cerveja preta Cavalinho de alta fermentação, assim como refrigerantes naturais.

Nesta ocasião Caetano Carmignani conheceu Rosa Zílio, com quem contraiu matrimônio em 20 de fevereiro de 1908. Ao longo do tempo o casal teve numerosos filhos: Zelinda, Albertina, Olga, Lucila, Carlos, Alcides (Conde) e João (Babico).


O patriarca da família faleceu em 1932 e o controle da cervejaria passou aos filhos, alterando sua razão social para Carlos Carmignani e Irmãos.

A companhia, além de cerveja, produzia também Gengibirra, Cotubaina e vários refrigerantes. Por volta de 1934 eles começaram a fazer o engarrafamento de aguardente que denominaram Caninha Cavalinho.

Posteriormente com a transformação da empresa para Carmignani S/A Indústria e Comércio de Bebidas, vejam o esboço do novo rótulo da Caninha Cavalinho (difícil de ler mas na faixa abaixo do cavalinho, está escrito "Carmignani S/A").

Por volta de 1989 engarrafavam as seguintes marcas de aguardente:


No início do ano de 2005, a produção de cachaça foi suspensa.

Em Dezembro de 2006, o Grupo Midas Bebidas, presente no mercado desde 2002, anunciou a aquisição das marcas de bebidas alcoólicas do Grupo Carmignani, que tem como carro-chefe a tradicional Caninha Cavalinho. As embalagens e os rótulos da Cavalinho foram reestilizados, mas mantiveram a identidade visual muito próxima daquelas utilizadas até 2005. O novo fornecedor exclusivo da aguardente é a Destilaria Capuava, empresa também centenária, situada em Piracicaba. A Caninha Cavalinho agora é comercializada em garrafas de vidro de 1 litro (incolor) e de 600 mililitros (âmbar) e garrafas de PET de 500 mililitros.