11 agosto 2020

Cerveja Alpini de Vincenzo de Bona



Baseado no texto O auge das cervejas artesanais em Urussanga publicado pelo Jornal Vanguarda de 29 de junho de 2015.

Urussanga é um município do Estado de Santa Catarina, "Urussanga" provém do tupi antigo e significa "água muito fria". É o nome do principal rio que banha a cidade.

A história do núcleo colonial de Urussanga faz parte do processo de povoamento e colonização projetado para o Sul do país durante o século XIX. Após os debates políticos e as medições dos lotes, a colonização de Urussanga iniciou-se em 26 de maio de 1878, quando as primeiras famílias de origem italiana chegaram ao local na sua maioria procedentes do pequeno povoado de Igne, Comuna de Longarone, Provincia de Belluno, região do Vêneto, situada ao norte da Itália, próximo a região dos alpes. Depois de passarem pela sede da colônia, em Azambuja, os imigrantes se estabeleceram em um rancho às margens do rio Urussanga, e dali partiram para seus lotes.


A lembrança de sua terra foi a inspiração para o negócio do imigrante italiano Vincenzo (Vicente) De Bona, nascido em 1870. Por volta de 1921 e até a metade de 1930, Vincenzo iniciou a produção de cerveja artesanal. Denominada Cerveja Alpini, de Vicente De Bona, sua origem italiana também foi o motivo para dar nome a cerveja. A bebida era destinada a poucos e bons amigos.


Conta o neto de Vincenzo: Lauro De Bona, nasci em 1924 e quando pequeno dei umas bicadinhas na cerveja caseira branca. Era gostosa, mas as cervejas que vinham de São Paulo eram melhores. De vez em quando estourava uma garrafa devido à pressão. Meu avô tinha seu depósito e local de produção embaixo da sua casa, onde é hoje a DS Travel Tur. A cerveja não podia guardar por muito tempo, tinha de consumir dentro de 15 a 20 dias. E a água para a produção era tirada de um poço com uma bomba na própria casa. Tudo improvisado.

O bisneto de Vincenzo, Vicente De Bona Filho, ainda guarda o molde do rótulo da cerveja. O objeto de madeira, uma espécie de carimbo, foi talhado com as letras ao contrário, a canivete, pelo próprio imigrante italiano. Para confecção do rótulo, ele pintava as letras para estampar o papel. A família já tinha essa habilidade com madeira que trouxe do pvoado de Igne.


Vincenzo faleceu em 1935 com 65 anos. Passando a família a se dedicar mais ao vinho e abandonando a cerveja.

10 junho 2020

Fábrica de cerveja Carlos Stiebler / Cervejaria Dois Leões



Após a inauguração da Estrada União Indústria em 1861, e conclusão dos prazos de contratos com a Companhia União e Indústria, os alemães reuniram suas economias e organizaram pequenas indústrias, contribuindo para que Juiz de Fora recebesse o título de “Manchester Mineira”. Entre os anos de 1861 e 1894 foram fundadas 9 cervejarias em Juiz de Fora – MG, dessas nove cervejarias, cinco criaram ao lado de suas fábricas, parque de diversões, salões para bailes, jogos e encontros familiares. Estas cervejarias, portanto, cumpriam uma função social na cidade, com áreas destinadas ao lazer e esportes e, ao mesmo tempo, garantiam a venda de seus produtos.


Em consonância com o movimento industrial que tomou conta de Juiz de Fora no final do século XIX. O mecânico alemão Carlos Stiebler, nascido em 14 de marco de 1868, em Hamburgo, foi casado com Philippina Jung Stiebler, e teve diversos filhos.

Construiu um belíssimo casarão onde fundou em 1º de janeiro de 1894 uma fábrica de cerveja que levava seu nome, situada na margem esquerda do rio Paraibuna.na Rua Botanágua 127 (posteriormente conhecida como Avenida Garibaldi e desde 1922 Avenida Sete de Setembro, hoje trecho oficial da Estrada Real)


Em 1º de maio de 1899, O Minas Gerais - Órgão Oficial dos Poderes do Estado publicou que na sessão da Junta Comercial de 11 de abril de 1899, foi deferido o registro da firma estabelecida na rua do Botanagua, para fábrica de cerveja e aguas gazozas.

    

A Cervejaria Dois Leões, era especializada em cerveja preta. Produzia a afamada cerveja “Dois Leões” além das marcas Pilsen, Morena, além da fabricação de cerveja, também produzia sodas e brauses, equipada com maquinário para arrolhar e engarrafar, além de filtros, pasteurizadores, bombas, caldeiras, tinas, barris e garrafas. A matéria-prima era importada da Alemanha, da Áustria e da Espanha.

    

Ao redor da fábrica de cerveja ele construiu um belo parque de recreação, onde aos domingos iam passear numerosas famílias. O parque foi inaugurado em abril de 1903, próximo à fábrica de cerveja. Ali se construiu um prédio destinado ao público, com um grande salão e salas espaçosas para bailes e festas. À frente da casa, foi construído um jardim, e, ao fundo, um parque com caramanchões.


Com a consolidação econômica e conseqüentemente a formação de uma “elite” alemã representativa na cidade, deu-se início a uma intensa vida social, onde os alemães, teuto-brasileiros e brasileiros se reuniam com diversos fins. Com destaque aos encontros semanais nos parques das cervejarias existentes em Juiz de Fora, com o objetivo de promover o lazer e o encontro das famílias.

A freqüente adesão a estes encontros que aconteciam em especial no Parque da Cervejaria “Dois Leões”, encorajou o então proprietário Sr. Carlos Stiebler a instalar, por sugestão do Sr. Hans Happel, assíduo freqüentador e entusiasmado com a juventude presente, alguns aparelhos para a prática de ginástica.

Dentro da propriedade havia o seu escritório, a residência da família e havia ainda a Malharia Stiebler que o mesmo Stiebler inaugurou no dia 8 de março de 1907 para fabricação de meias e camisa de malha.


Em 1905, a fábrica produzia 15.000 garrafas por mês e seu capital era de Rs 80.000$000,00.

Em 1907 a fábrica tinha Rs 100:000$000,00 de capital, força motriz de 20 CV, valor de produção de 371:000$ e 15 operários.

Em 1908 o jornal "O Pharol" faz uma citação à Cervejaria Dois Leões possuidora de um edifício que mede 11.200 metros quadrados, com um motor de 20 cavalos, tem uma produção anual de 150.000 garrafas de cervejas e águas gazosas e sendo seu proprietário Carlos Stiebler.


As primeiras práticas de ginástica ocorreram conforme já mencionado no Parque da Cervejaria Stiebler. Neste local havia um espaço aberto para diversas atividades, o que era comum em outras cervejarias, sendo um local para festas, encontros e reuniões.

Além desse espaço havia um salão de festas, fechado, onde ficavam instalados os aparelhos de ginástica, como argolas, trapézio e paralelas O incremento das atividades ginásticas no pátio da Cervejaria Dois Leões levou os frequentadores à decisão de fundar um clube de ginástica, o qual foi denominado Turnerschaft-Clube Gymnastico de Juiz de Fora no ano de 1909, o qual permaneceu na cervejaria Stiebler por alguns anos.

Em 27 de março de 1918 falece Carlos Stiebler e a cervejaria passa a ser gerenciada por sua esposa e filhos.


O Diário Oficial da União de 18 de março de 1924 publica o requerimento da Viuva Stiebler & Filhos de Minas Gerais para o deposito da marca de Cerveja Victoria, registrada na Junta Comercial daquele Estado sob nº 885.

Em 19 de outubro de 1924, a grande cervejaria Stiebler, cuja matriz era em Juiz de Fora, teve sua filial em Barbacena instalada pela firma Viúva Stiebler & Filhos. Com capacidade de 3.000.000 de garrafas de cervejas na sua produção anual. Uma das marcas da cervejaria Stiebler era a " Bavária".

A fabrica Stiebler é a antiga Saxonia, situava se na antiga extensão da rua Sena Madureira, hoje rua Benjamin Constant. Ressurgida após vários trabalhos de reconstruções com admiráveis melhoramentos no pavilhão central e dependências, além da substituição das máquinas antigas por modernas importadas diretamente da Alemanha, o seu maquinário foi montado e instalado pelo técnico Dr. Júlio Masham Nathan, com nova direção, e com pessoal habilitadíssimo.

Na filial de Barbacena existe uma fabrica de gelo que produz 5.000 kilos em cada período de 10 horas. Teve na época destaque especial a seção de lavagem, enchimento e arrolhamento das garrafas, onde eram aprontadas cerca de 8000.00 garrafas por hora.
A cervejaria Stiebler também pertenceu a Sra Rita Abranches Quintão e o Sr Vigílio Quintão.

O prédio que abrigou a cervejaria, após o encerramento de suas atividades abrigou vários comércios, alguns deles: a Casa Nilo, a Distribuidora VeV, a Madeireira São José, a Osarte tintas, a Casa da Bateria União, o Moto taxi Minas e uma Oficina mecânica nos fundos. Posteriormente foi demolido, e atualmente nada se escontra no terreno.

O Diário Oficial da União de 13 de junho de 1926 publica o deferimento do requerimento para registro da marca Cerveja Bavária pela Viúva Stiebler & Filhos.

Não sei o que levou ao encerramento das atividades em Juiz de Fora, nem em que ano foi, mas o Almanack Laemert - Administrativo, Mercantil e Industrial traz registro da cervejaria até ao ano de 1940, referente ao ano de 1939.

Com o fim das atividades industriais em Juiz de Fora, o casarão passou a ser ocupado como residência familiar, sendo adquirida pelo general do exército Wagner Pereira Werneck nos anos 40, estando nas mãos da família desde então.
Com a decisão de sua conservação, foi totalmente restaurada para abrigar uma casa de festas, onde a riqueza de detalhes da época foi rigorosamente reconstituída. Uma obra delicada e apaixonada, que durou cerca de 2 anos e meio. Com um amplo salão, cozinha industrial, copa de garçons, bar, varandões, banheiros masculino e feminino, conta ainda com instalações exclusivas para portadores de necessidades especiais, além de dois belíssimos jardins, belas janelas de pinho de riga, portas de cedro e um pé-direito de 7 metros fazem do Casarão um local especial para seu evento.

05 junho 2020

Cervejaria José Weiss



Para um melhor entendimento sobre a história dessa cervejaria é necessário algumas notas, a Cervejaria José Weiss esteve atuante durante 98 anos, 94 dos quais sob a administração da família Weiss. Seus administradores ao longo do tempo foram: José Weiss, Viuva José Weiss (Henriqueta Guilhermina Weiss), José Weiss Júnior, Eduardo Weiss, José Weiss Neto. E foi administrada nos últimos 4 anos por um grupo de empresários portugueses que mantiveram o nome. Mas vamos ao que interessa.

O imigrante alemão Joseph (José) Weiss chegou ao Brasil em 1858 com cinco anos de idade, era natural da cidade de Dalberg, estado da Saxônia na Alemanha, veio para o Brasil acompanhado de seus pais Joseph Weiss e Elisabeth Shrunk e seus quatro irmãos menores: Agnes, Elisabeth, Susanna e Phillip.

Em Juiz de Fora-MG, anos depois, casou-se com Henriqueta Guilhermina e teve onze filhos: José Weiss Junior, Jacob, Eduardo, Guilherme, Elisa, Catharina, Sophia, Gabriella, Dorotéia, Henriqueta e Maria Elisa.

Trabalhou durante algum tempo como cervejeiro na Imperial Fábrica de Cerveja Nacional de Augusto Kremer, tornando-se, em pouco tempo, sócio da firma.


Com a morte do proprietário da cervejaria Augusto Kremer em 1878, a sociedade que havia entre eles é dissolvida,em 14 de janeiro de 1879, retirando-se com o valor de seis contos de réis, que era o seu capital, acrescido de mais dez contos de réis entre valores em caixa da cervejaria e o depósito que havia na cidade de Barbacena, Minas Gerais.

Meses depois de deixar a sociedade da firma Augusto Kremer & C., José Weiss anuncia no jornal O Pharol a instalação de sua nova fábrica de cerveja, dentro do primeiro núcleo habitacional alemão conhecido como Villagem (localizado afastado do centro da cidade), situada na antiga chácara do barão de Pitangui, primo-irmão de Mariano Procópio, a qual estava aberta para arrendamento desde 1877, sob a responsabilidade da Companhia União e Indústria.


José Weiss era um exigente cervejeiro, que fabricava artesanalmente sua própria cerveja, havendo informações que as fabricadas em Juiz de Fora causavam dor de cabeça. Weiss controlava os ingredientes que eram empregados na fabricação da bebida, fazia questão que a água fosse puríssima e, além disso, importava o malte, o cânhamo e lúpulo da Alemanha.

Dentro da Villagem, a área de destaque logo se definia: A fábrica marcava o final da primitiva Rua da Colônia (atual Bernardo Mascarenhas). A rua que se tornou o polo atrativo para a elite.

O cotidiano dos alemães não era só de trabalho, das nove cervejarias existentes na cidade de Juiz de Fora, cinco propiciavam à população juizforana momentos de diversão e lazer. Eram parques, jardins, salões destinados à realização de bailes, espaço livre para jogos recreativos e brincadeiras que propiciavam o encontro de toda sociedade. Nesses espaços, assim como nas associações assistencialistas, os alemães podiam manter vivas algumas de suas tradições e, ainda, ampliar o convívio com a sociedade local.

O alemão José Weiss era muito influente, tanto entre os colonos alemães, quanto na comunidade juiz-forana. Muitas das festas da colônia, até o ano de 1892, foram realizadas nas dependências de sua cervejaria.

A Cervejaria José Weiss, foi sucesso na cidade, tornando-se ponto de encontro de imigrantes alemães e seus descendentes.

Em 1897 foi constituído o hipódromo, Prado de Juiz de Fora, nas terras arrendadas da cervejaria, mais tarde,em 1906, foi transformado em velódromo do Cicle Club Juiz de Fora.

Em volta da cervejaria, foram construídos um grande salão de festas para bailes e parque de diversão, com roda gigante, a primeira da cidade, pista para boliche e o estande de tiro do Revólver Club. Grandes eventos foram realizados no grande pátio da cervejaria. Entre eles, uma homenagem ao governador de Minas, Antônio Carlos Andrada. Era um local amplo e pitoresco no qual se faziam pic-nics animados por bandas de música, dançava-se, embriagava-se, atirava-se em pombos ou no alvo, apostava-se em corridas de cavalos, tomava-se a melhor soda da cidade.


No pátio da cervejaria, na rua Bernardo Mascarenhas, eram realizados “Biergärten”, grandes eventos onde a rainha da cervejaria, a cerveja Britannia, era servida gelada.

Em 1902, a fábrica tem uma produção anual de 60000 garrafas de cerveja e 12000 de água mineral emprega 6 pessoas e possui maquinismo para arrolhamento das garrafas e fabrico de água mineral.

Em 23 de julho de 1903, José Weiss vem a falecer e sua esposa e seus filhos continuam a gerenciar a cervejaria.

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Mais tarde, a viúva de José Weiss, além de manter a produção dos produtos já existentes iniciou a produção de uma cerveja preta especial, muito nutritiva e de sabor agradável.


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Em 16 de dezembro de 1906 é inaugurado o velódromo nas terras da cervejaria.

Em 1907, a fábrica de cerveja Weiss, em Juiz de Fora - MG, conta com 10 empregados.

Sob a administração de seu filho José Weiss Júnior foram fabricados diversas marcas de cerveja e refrigerantes
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Em 3 de junho de 1920, falecia na cidade, aos 42 anos de idade, o capitão José Weiss (josé Weiss Júnior), gerente e co-proprietário da Cervejaria José Weiss. Ficando a cervejaria a cargo do seu irmão Sr. Eduardo Weiss.


Até a década de 1920, Juiz de Fora era considerada a principal cidade de Minas Gerais, por sua pujança econômica e por seu desenvolvimento cultural. A cidade está localizada próxima ao Rio de Janeiro e vivenciou um intenso processo de modernização a partir da segunda metade do século XIX.

A cervejaria, ao longo do tempo, participou de diversas exposições tanto na cidade, quanto em outros estados e até em outros países. Esteve presente em 29 de agosto de 1886 no Paço da Câmara Municipal, apresentando seus produtos na Exposição Municipal de Juiz de Fora, participou da exposição realizada em 1907, no interior mineiro, em Leopoldina e também em 1908 na Exposição Nacional do Centenário, no Rio de janeiro, em 1910 participou da Exposição Turim-Roma e em 1921 em Londres.

Em 1947, o engenheiro Dr. José Weiss Neto assume a direção da cervejaria.

Em 2 de maio de 1948, falece em sua residência, na Rua Bernardo Mascarenhas no. 1503, o Sr. Eduardo Weiss, proprietário da Cervejaria José Weiss e diretor do Centro Industrial de Juiz de Fora.


Em 1950, O Dr. José Weiss Neto, após comprar todo maquinário moderno de engarrafamento, trouxe um dos 10 melhores mestres cervejeiros da Alemanha, Senhor Adolph Redlish e família, com isso elevou muito o nível e lançaram a cerveja Weiss Export, deixando e ser uma venda regional para se expandir para novos mercados, principalmente Rio de Janeiro, onde em pouco tempo, foi reconhecida como a melhor cerveja brasileira. A Cervejaria José Weiss ficou famosa pela cerveja choppinho, produzida no formato long neck.

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Em 1973, a cervejaria foi vendida para um grupo português, que ainda tentou manter o nome e a cervejaria funcionando sob a nova direção. Funcionou até o ano de 1977, quando foi declarada sua falência. A massa falida dos portugueses, bem como as instalações da antiga Cervejaria José Weiss foi comprada pelo empresário Luiz Ferreira Marangon Macedo. Marangon, ao adquirir a fábrica e os equipamentos muda o nome para Cervejaria Americana, sem nenhuma relação, mas com o mesmo nome da antiga Cervejaria Americana ex-Germania.

14 julho 2019

Fábrica de Cerveja Rafaelle Buratto / Birraria São Pellegrino




Em 1875 na parte sul da colônia Nova Palmyra divisa com o município de Garibaldi, constituiu-se o primeiro núcleo colonial, em 1877 esse núcleo colonial nos fundos de Nova Palmyra passou a denominar-se Caxias, em 12 de abril de 1884 a colônia foi emancipada e anexada, como distrito, a São Sebastião do Cahy e em 20 de junho de 1890 foi emancipada passando a constituir um município autônomo.

Em 20 de fevereiro de 1879, chegou ao núcleo colonial Caxias, provenientes de Treviso na Itália, o casal Salvatore Sartori e Angela Zancaner acompanhado de seus filhos: Amália, Lino, Luiz, Carolina, Ludovico, Alberto, Maria, Máximo, Guerino e Sétimo. Se estabeleceram primeiramente no lote colonial nº 19 do Travessão Umberto 1º da 6ª légua e após alguns anos mudaram para sede lote 10 da quadra 31 da então rua Silveira Martins, hoje Av. Júlio de Castilho onde se estabeleceram com casa comercial.

A filha do casal Salvatore e Angela, Amália Sartori, nascida em 06 de agosto de 1857, havia deixado na Itália seu noivo Rafaelle Buratto, nascido em 24 de Outubro de 1848 na cidade de Ciano del Montello, na província de Treviso, na região do Vêneto na Itália, filho de Pietro Buratto e Giustina Buratto, que logo após, em 18 de Maio de 1879, também chegou ao Brasil.

Casaram em 21 de Novembro de 1879 na Capela de Santa Tereza de Caxias, o casal teve nove filhos: Hermenegildo, Itália, Égide, Rachel, Ignez, Raymundo, Julieta, Angelina e Olga e criaram mais 7 filhos adotivos. Rafael era tanoeiro e estabeleceu-se onde atualmente fica o jardim do Hospital Pompéia no lote urbano nº 6 da quadra 4. Fabricou as primeiras tinas e pipas para o acondicionamento do vinho e dirigiu a construções de barracões para alojar os imigrantes enquanto aguardavam fixação em seus respectivos lotes rurais.

Em 15 de março de 1882 chegou à colônia o barão João Daniel von Schlabendorff, comprando terras na entrada da cidade. O barão instalou-se à beira da estrada em uma casa simples com sua irmã Alexandrina e abriu um curtume e uma selaria nas proximidades, aproveitando o intenso movimento de colonos, comerciantes e tropeiros com seus cavalos e mulas. O primeiro nome do local foi Morro da Baronesa, devido à presença de Alexandrina. Com eles efetivamente iniciou o povoamento da área, que então era suburbana e ficava a cerca de dois quilômetros do centro, organizado em torno da Praça Dante Alighieri.

Pouco depois o barão casou-se com Maria Sartori, outra filha do casal Salvatore, levou-a para morar em sua casa, mas a esposa tinha sua família e amigos no centro e ressentia-se da solidão, sendo ponto afastado e de difícil acesso naqueles tempos de caminhos precários. Para remediar esta situação, o barão cedeu à sua cunhada Amália Sartori, casada com o tanoeiro Rafael Buratto, uma chácara, de nº 21A do Travessão Santa Teresa, fronteira à sua própria casa, para sua esposa ter maior proximidade e convivência com a irmã.

Após algum tempo, por volta de 1891, Daniel mandou construir para o concunhado uma grande cervejaria ao lado da casa já construída por Raffaele, que então abandona seu antigo ofício e começa a fabricar vários tipos de refrigerantes e uma afamada cerveja que deu notoriedade ao seu estabelecimento.



Em 11 de janeiro de 1912 o periódico Brazil de Caxias do Sul publicou:

Em 11 de agosto de 1913, o periódico "Cittá di Caxias" publica a seguinte propaganda:

Em 22 de novembro de 1925, Rafaelle Buratto falece e em 22 de janeiro de 1946, sua esposa Amália também falece.

11 julho 2019

Fábrica de Cerveja Herminio dos Santos



As terras que, atualmente, constituem o município de Pedreira - SP, originariamente pertenciam a Amparo - SP e desde o início do século XIX, eram a propriedade rural denominada “Fazenda Grande”, do coronel João Pedro de Godoy Moreira e em 1864 foi dividida na partilha de bens cabendo a seu filho, João Batista de Godoy Moreira a área conhecida como Fazenda Triunfo, onde até abril de 2007, encontrava-se a casa que pertenceu ao fundador de Pedreira. Após a partilha dos bens, João Batista foi adquirindo as terras que foram herdadas pelos seus irmãos e passou a ser o dono do terreno onde hoje se encontra a praça que tem seu nome e que foi o núcleo originário da cidade. Após a morte de seu pai, João Batista assume o seu lugar na família e na política local, adotando também o nome de seu pai, Cel. João Pedro de Godoy Moreira – o moço e torna-se um dos mais prestigiosos chefes políticos de Amparo.

Em 1887 o fundador adquire de Jose Pedro Arruda, um sítio cafeeiro que fazia parte da Fazenda Santa Ana e a anexa à sua “Fazenda Grande".

Em 1889, a partir do loteamento e arruamento de parte de suas terras, nasce, junto ao rio Jaguari, a Vila de Pedreira. O nome da cidade, erroneamente associado por muitos à grande quantidade de pedras, origina-se, na verdade, da abundante presença de "Pedros" na família Godoy Moreira, João Pedro, pai e filho e seus irmãos Bento Pedro, Antonio Pedro e José Pedro (o terreno aonde foi construída a Estação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, em 1875, foi doado por esse último irmão). Por isso passou a ser conhecida como a Terra dos Pedros, bairro do Pedros, depois, por derivativo, bairro dos Pedreiras, e por fim PEDREIRA.


Em 1914 era inaugurada em Pedreira, a Fábrica de Cerveja Herminio dos Santos, que se localizava na Rua Antonio Pedro, nº 214, nas imediações onde atualmente se encontra a loja Magazine Luiza e o Banco Bradesco, no Centro de Pedreira. A empresa chegou a produzir a cerveja da marca Tato, licores, xaropes e água mineral.

Com as mudanças de nome da Freguezia de Amparo, depois Villa de Pedreira e posteriormente município de Pedreira, há a possibilidade dos dados acima não serem corretos e esta fábrica de cerveja ser bem mais antiga pois o Almanach da Comarca de Amparo faz referencia a ela desde 1896 até 1914.

27 junho 2019

Fábrica de Cerveja Kronenthal




Vale Real - RS foi colonizado por imigrantes ítalo-germânicos em meados do século XIX. Os primeiros imigrantes alemães começaram a chegar ao Brasil em 1824, alcançando as terras do atual município de Vale Real somente em 1851. Eles eram provenientes das terras da região do Reno, Monzefeld, Mholstein, Oldenburg e Pomerânea. A colonização valerrealense é sobretudo de origem germânica, pois que somente após 1875 é que chegaram os colonos provenientes da Itália. Entre os sobrenomes das primeiras famílias estavam os Finkler, Freiberger, Stoffels, Arenhardt, Staudt, Krewer, Schneider, Puhl, Rauber, Gauer e Schmitz. O antigo nome de Vale Real era Kronenthal, esse nome em alemão é uma homenagem aos colonizadores que batizaram de Kronenthal o local onde a configuração geográfica dos morros em volta do vale do Rio Caí é constituída por um imenso vale cercado por treze morros que formam uma verdadeira coroa natural. Vale Real seria impropriamente traduzido do alemão, já que Kronenthal significaria, literalmente: Vale da Coroa (onde kronen significa coroa e thal significa vale). Localizado ao pé da serra gaúcha, à margem direita do rio Caí, distante 90 quilômetros de Porto Alegre e 34 quilômetros de Caxias do Sul.

Em Vale Real, os traços culturais herdados dos imigrantes são perceptíveis na arquitetura, na música na dança e na culinária, fazendo do município um refúgio dos costumes e tradições do passado com as inovações do presente.

A localidade (colônia) conhecida como Kronenthal tinha como município mãe São Leopoldo de onde fazia parte.
Em 1º de maio de 1875, a Vila de São Sebastião do Cahy se desligou de São Leopoldo se transformando no município de São Sebastião do Cahy e a localidade de Kronenthal foi anexada passando a ser distrito do novo município, tendo papel fundamental na recepção das levas de colonos italianos que se estabeleceram no Campo dos Bugres, que foi batizada de Caxias do Sul. A partir dessa época teve uma fase de grande prosperidade no final do século XIX e no início do século XX. Com uma economia forte devido à produção agrícola, com destaque para o feijão (no final do século XIX) e a alfafa (no início do século XX), e ainda contava com grande movimento comercial.
Em 22 de dezembro de 1888, a então a localidade de Picada Feliz, também pertencente a São Sebastião do Cahy foi elevada à condição de Vila, passando então a chamar-se "Vila Feliz".
Kronenthal teve esse nome até 1938 quando houve uma proibição de se falar a língua alemã, passando a se chamar Vale Real.

Em 17 de fevereiro de 1959, através da Lei Estadual 3.726/1959, foi decretada a emancipação política da Vila Feliz, pertencente a São sebastião do Cahy, que como município passou a se chamar "Feliz", passando Vale Real a ser um de seus distritos.
Em 1988, as pequenas comunidades vizinhas se emanciparam, deixando claro que Vale Real teria plenas condições de fazer o mesmo. No ano seguinte foi empossada a Comissão da Emancipação que redigiu e organizou a documentação necessária para elevar Vale Real de vila a cidade independente. Em 1991, foi realizada a Consulta Plebiscitária entre a população eleitoral, tendo a aprovação popular de 1388 votos a favor, num total de 2054 eleitores.
Em 20 de março de 1992, por força da Lei Nº 9615, criava-se o Município de Vale Real.

Neste ano, 1992, Vale Real integrou suas comunidades transformando as antigas festas de colono na 1ª Kronenthal Fest. já que colonizado por imigrantes italianos e alemães mistura a cultura e tradições das duas etnias na Kronenthal Fest.


Em seu rico passado, Vale Real teve uma das mais importantes casas comerciais da região. A Casa Comercial Reimboldo Stoffels que servia, além de entreposto comercial, como hospedaria, ambulatório e casa de secos e molhados. Além deste importante centro comercial, Vale Real teve também a primeira cervejaria da área, a Fábrica de Cerveja Kronenthal de Mathias Finkler Sobrinho, fundada em 1910 e que existiu até a década de 1930, tendo sido a responsável, em épocas de Kerb, pela distribuição de cervejas e refrigerantes para a comunidade local e região.



25 junho 2019

Centro dos Varejista de Santos


Em Santos - SP, alguns pequenos varejistas resolveram montar uma cooperativa com dupla função: indústria e representante do comércio varejista e com o nome de Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada Centro Varejista de Santos com o intuito de produzir uma cerveja para entrar na briga de mercado pelo consumidor de baixa renda. Instalada no dia 19 de junho de 1904, a linha de produção de cervejas do Centro dos Varejistas de Santos, montada em sistema de cooperativa, iniciava a fabricação de uma bebida forte e refrescante, que prometia conquistar o coração e o paladar dos santistas menos abastados, ou pelo menos daqueles que não tinham condições de consumir as marcas importadas e as forasteiras vindas de outros cantos do Brasil. Produzida na versão escura (preta), a bebida precisava de um nome forte para se consolidar na cidade.

Foi aí que surgiu a ideia de homenagear o fundador santista, o fidalgo “Braz Cubas” fazendo nascer uma marca que participou do cotidiano dos santistas até meados dos anos 30. Quando a estátua em homenagem ao pioneiro santista foi inaugurada, em 1908, o rótulo da nova bebida ganhou o desenho do monumento, e fez o maior sucesso.

No dia 6 de fevereiro de 1928 realizou-se a inauguração do novo maquinário adquirido pelo Centro Varegista de Santos para sua fábrica de bebidas.

Em 1934, a cooperativa, que também fabricava a cerveja clara Mercúrio, anunciava uma série especial da Braz Cubas, trazendo no rótulo a clássica imagem do monumento da Praça da República.

    
Nesta década a fábrica funcionava com sua linha de produção na Vila Mathias, mais precisamente na Rua Senador Feijó, 415, e já produzia, além das cervejas, licores, limonadas, laranjadas, vinhos de fruta, xaropes e até vinagres.
Em 16 de julho de 1941 foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOESP) que a Assembleia Geral Extraordinária, em 23 de junho de 1941, deliberou a mudança do nome Centro Varejista de Santos S/A para Centro Varejista de santos S/A - Industria de Bebidas, cuja ata foi arquivada sob o nº 15406 de Junta Comercial do Estado de São Paulo.

A cooperativa, porém, não durou muito mais tempo. O curioso é que seu endereço, a partir dos anos 70, passou a abrigar a linha de produção da Skol Caracú.