23 fevereiro 2016

Tiede & Beyerstedt / Cervejaria Tiede / Viuva de A. Tiede / Alfredo Tiede & Cia / Tiede, Seyboth & Cia / Cervejaria Catharinense Ltda. / Cervejaria Catarinense S.A.


Baseado no texto de Maria Cristina Dias, publicado em Notícias do Dia


A Colônia Dona Francisca ainda estava sendo estruturada e as primeiras cervejarias já começavam a produzir a bebida, que passaria a integrar o dia a dia da comunidade nos momentos de alegria, confraternização, e por que não? – de tristeza.

O imigrante Alfred Tiede (Alfredo), de profissão cervejeiro, nascido em 24 de outubro de 1854, em Thurn, na Suiça, filho de Christian Friedrich Tiede e Mathilde Braun Tiede (que viúva, também imigrou para a Joinville), chegou à Colônia Dona Francisca em 1881, aos 27 anos e ainda solteiro.
Logo casou com Karoline Mathilde, a Lilly, nascida Brand em 1857, que havia chegado com sua família, em outro navio, no mesmo ano de 1881. Disposto a começar uma nova vida escolheu como local desse recomeço um lote de 5,50 morgos (equivalente a 2.400 metros quadrados) na então Mittelweg ou Caminho do Meio, atual Rua XV de Novembro, curiosamente o local onde a princípio os imigrantes suíços se concentraram.

Algum tempo depois, juntamente com Carl Beyerstedt, outro imigrante e cervejeiro radicado na Colônia Itajahy (atual Brusque) casado com Charlotte von Lasperg, fundou a cervejaria Tiede & Beyerstedt que durou pouco tempo.

Carl Beysterdt, havia sido premiado em 30 de setembro de 1875 com a medalha de bronze (2º lugar) na 4ª Exposição de Produtos Agrícolas e Manufaturas das Colônias Itajahy e Príncipe Dom Pedro.

A partir de 1888, fundou a Cervejaria Tiede, que também fabricava gasosas, licores e até xaropes de frutas, as primeiras garrafas produzidas na Cervejaria Tiede começaram a chegar na mesa dos consumidores ainda em janeiro de 1889.

A abertura oficial do novo empreendimento foi no primeiro dia do ano e na edição de 9 de janeiro de 1889, o jornal “Reform”, de circulação local, publicava uma nota informando a comunidade: “O proprietário de cervejaria, sr. Alfred Tiede, que até este momento era sócio da firma Cervejaria Tiede & Beyerstedt, recentemente fechada, abriu a sua própria cervejaria, a qual também administra, no dia 1º de janeiro, sob a denominação de “Alfred Tiede”, segundo tradução da pesquisadora Brigitte Brandenburg.

Tiede apostou na crítica dos jornais e enviou para o editor, “como amostra”, 25 garrafas de sua produção. O resultado foi a nota que visava atrair mais clientes: “Julgamos que a amostra que nos foi enviada apresenta um gosto forte em uma cerveja muito clara e de bom encorpamento, que nós consumidores de cerveja desejamos. É uma cerveja que está acima das melhores cervejas aqui criadas, e que pode colocá-las em segundo lugar”, aproveitando para salientar o preço do produto, considerado bom para a época. “Se o sr. A. Tiede mantiver-se fiel a este princípio, e fermentar a sua cerveja na mesma qualidade com o qual nos enviou, não faltarão encomendas”, assinalava a resenha publicada no jornal.

Alfred Tiede morreu de câncer em 14 de junho de 1904, aos 50 anos, e não deixou filhos. Ele e Lilly tiveram apenas uma criança que também já havia falecido. O casal, havia adotado um sobrinho que tinha o mesmo nome do tio: Alfred Tiede, a coincidência de nomes cria certa confusão, o sobrinho era Alfred Carl Tiede (Alfredo Tiede), nascido em 1893, e filho de Rudolf Baade e Marie Tiede. As informações constam no Kolonie Zeitung, em nota que comunica seu casamento com Gertrud Bennack, em 1917, e foram traduzidas por Brigitte Brandenburg.

A Cervejaria de Alfred Tiede recebeu a medalha de segunda classe da Exposição de Agricultura Indústria e Artes, feita pela Sociedade Catarinense de Agricultura em 1905, pelas cervejas Porter, Kulmbach e Clara e medalha de terceira classe para a sua cerveja simples.

Medalha premial de segunda classe da Exposição de Agricultura Indústria e Artes


Após a morte do marido, Lilly Tiede a princípio assumiu os negócios da família. Rótulos da primeira década do século 20 mostram o novo nome da empresa: “Vª de A. Tiede” (Viúva de Alfred Tiede).

Por volta de 1915, o sobrinho Alfredo Tiede assumiu os negócios da mãe adotiva. A firma passou a aparecer nos rótulos como “Alfredo Tiede & Cia" e adotou o nome fantasia de Cervejaria Catharinense.

     

No início dos anos 20, com a chegada de um sócio, Seyboth, os rótulos passam a apresentar a identificação “Tiede, Seyboth & Cia”.
  

Em 1923, a empresa que fabricava cerveja de alta fermentação, foi transformada em cervejaria de baixa fermentação.

O DOU de 10 de julho de 1925, publica o registro das marcas Clarinha, Morena e Ouro sob os nº 2904, 2905 e 2906 respectivamente e tres meses depois, em 8 de outubro desse mesmo ano, publica o registro da marca Cerveja tipo Original Munchen, sob o nº 3563, para a firma Tiede, Seyboth & Cia.

A modificação, no processo, da cervejaria de alta para baixa fermentação, que visava alcançar maior produtividade, trouxe também problemas financeiros, os quais culminaram com a transformação, em 1928, da Thiede, Seyboth & Cia em Cervejaria Catharinense Ltda.


O Diário oficial de 1/11/1928 publica o deferimento da transferência das marcas nº 22023, 22024 e 22025, 22321 e 24038 da Tiede e Seyboth & Cia para a Cervejaria Catharinense.

Na formação da Cervejaria Catharinense Ltda. houve o aporte de capital de empresários e firmas da região, como Henrique Douat, Eugênio Fleischer, Colin & Cia, Böhm, H. Zimmermann e Werner Metz e Max e Georg Keller. “Tornando-se assim a maior cervejaria do Estado, com produção de 18 mil hectolitros/ano e capital investido de 800 contos de réis”.

Nesta época, final dos anos 20 e década de 30, a cervejaria contava com cerca de 80 empregados, era a maior do Estado e funcionava no mesmo local onde morava o seu fundador, Rua Quinze de Novembro, produzia as marcas Ouro Pilsen, Morena, Catharinense, Clarinha, Sem Rival, Porter e Munchen, além de refrigerantes.

A água utilizada na fabricação das cervejas e que era a grande chave de seu sucesso vinha de duas fontes: uma no terreno da própria empresa e outra na rua Padre Anchieta , por onde era escoada até a empresa através de uma tubulação subterrânea. Essa fonte de água mineral foi usada por mais de 50 anos para a produção de bebidas.

O Diário oficial de 2/03/1929 publica o registro da marca Ouro Pilsen sob o nº 13641 e em 8/03/1929, o Diário oficial de publica o registro da marca Sem Rival sob o nº 13687.

  
     

Em 21 de dezembro de 1929, o jornal "A República" publica a notícia da cessão onerosa (venda) que faz Alfredo Tiede, de suas quotas na Cervejaria Catharinense Ltda, no valor de Rs 60:000 (sessenta contos de réis) para Colin & Cia.

O Diário oficial de 4/12/1934 publica o registro da marca Optima.

O Diário oficial de 15/06/1935 publica o registro da marca Favorita.

Em 1938, deixa, definitivamente, de levar o nome Tiede, com a transformação da sociedade por quotas limitada para sociedade anõnima e inicia a construção da nova fábrica.


Em 1942, a Cervejaria Catharinense é reinaugurada e, com a conclusão do novo prédio, Werner Metz assume como diretor-presidente.

     
     

  

Em 1948, a Cervejaria Catharinense foi vendida para a Antarctica, que manteve a antiga razão social até 1962 quando passou a ser Cia. Antarctica Paulista - Industria Brasileira de Bebidas e Conexos e tornou-se, dentro de pouco tempo, uma das maiores cervejarias do Brasil, com filiais em cidades como Curitiba e Caxias do Sul.

  

Em 1973 a última grande mudança: a antiga Cervejaria Catarinense passa a se chamar Companhia Sulina de Bebidas Antarctica, e em 1998, após mais de meio século funcionando na rua 15 de Novembro 1383, bairro América, a fábrica foi desativada, foi a vez do fim da fabricação da cerveja Antarctica em Joinville.

Na época, o patrimônio foi passado para Bebidas Antarctica Polar que após 3 anos de abandono, em 2001, o vendeu à Prefeitura de Joinville que transformou os antigos galpões e depósitos na "Cidadela Cultural Antarctica", um complexo para a realização de eventos, cursos, oficinas e apresentações artísticas que deveria se tornar um centro de cultura, diversão e arte.

17 fevereiro 2016

A. Tiede & Cia / Cervejaria Blumenauense


Na sessão da Junta Comercial de 23 de novembro de 1928, foi requerido o registro do contrato entre Alfredo Tiede e Adolf Schmalz, o 1º solidário e o 2º comanditário, para a exploração de indústria de cerveja na praça de Itoupava Seca, Blumenau, com o capital de Rs 130:000$000 (cento e trinta contos de réis) em partes iguais, por tempo indeterminado sob a razão social de A. Tiede & Cia, tendo sido publicado no jornal “A República” de 26 de fevereiro de 1929, o deferimento desse requerimento.

Essa sociedade durou pouco tempo, em 19 de junho de 1930, foi feito o pedido de registro, na Junta Comercial, do distrato social da firma A. Tiede & Cia, o deferimento desse pedido foi publicado no jornal “A República” em 10 de julho de 1930.

Em 16 de julho de 1930, é publicado no jornal “A República” um aviso (anúncio) em que Alfredo Tiede e Adolpho Schmalz, ambos brasileiros, sócios da firma A. Tiede & Cia, da praça de Blumenau, resolvem de comum acordo dissolver a mesma sociedade, retirando-se o sócio Alfredo Tiede por não ter sido possível cumprir a realização de sua quota de capital da sociedade. A liquidação da extinta firma fica exclusivamente a cargo do sócio Adolpho Schmalz que assume toda a responsabilidade do seu ativo e passivo. O sócio Alfredo Tiede retira-se livre e desonerado de quaisquer compromissos. Tornando pública a dissolução da sociedade.

Suponho que essa sociedade entre Tiede e Schmalz foi para a compra da cervejaria de Otto Jennrich e que com a liquidação da cervejaria, as edificações tenha retornado para Jennrich.

Em 13 de janeiro de 1931, Adolfo R. Schmalz, Tekla Franke, Otto Jennrich, Otto Hennings, Leo Leczymski, Julio Kleine, Fritz Franke, Adolfo Mueler e Hermann Weege, constituem uma sociedade anônima, nesta cidade de Blumenau, que se denominará Cervejaria Blumenauense S.A., com o capital nominal de Rs 200:000$000 (duzentos contos de réis) dividido em 400 ações de Rs 500$000 (quinhentos mil réis) cada uma, com prazo de duração de 20 anos e com o objetivo de fabricação de cervejas e outras bebidas, tais como: gazosas e águas minerais artificiais e o comércio de matérias primas necessárias à fabricação.

O capital será subscrito da seguinte forma: Júlio Kleine e Fritz Franke uma ação cada um; Tekla Franke, Otto Hennings, Leo Laczymski e Adolfo Mueller duas ações cada; Hermann Weege quatro ações, com os valores realizados em dinheiro.
Adolfo Schmalz e Otto Jenrich realizam as entradas do capital em bens, da seguinte forma: Adolfo Schmalz com as máquinas, utensílios, mercadorias, direitos e dívidas da antiga firma A. Tiede & Cia em liquidação em que o subscritor é o único sócio remanescente e Otto Jennrich com os terrenos e edifícios em que se acha localizada a fábrica de cerveja e os bens do subscritor Adolfo Schmalz à Rua São Paulo nº 249, nesta cidade de Blumenau.

Observando o rótulo da cerveja Polar, abaixo, fica comprovado que a Cervejaria Blumenauense foi criada a partir da Cervejaria de Otto Jennrich, pois o texto das medalhas impressas, dizem: "Premiado em Florianópolis em 1905" e "Premiado no Rio de Janeiro em 1908", premios esse recebidos pela cervejaria de Jennrich e não pela Blumenauense que foi criada em 1931.

Em 18 de junho de 1935, é publicado no Diário Oficial da União (DOU) a transferência da marca Culmbach, também de Jennrich registrada anteriormente sob o nº 30600, para a Cervejaria Blumenauense S.A. sob o número de registro 2419/35.

20 outubro 2015

Fábrica de Cerveja João Ruschel / Cervejaria Ruschel / Polka


Baseado nos textos do blog: http://ruschelheberle.blogspot.com.br/


A família de Sebastian Ruschel (Sebastião), o velho, partiu de Bremen, na Prússia e viajou para o Brasil. Chegaram até Rio Grande e daí até Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, no "Brigue Hanseat", onde terminaram sua viagem no dia 17 de outubro de 1846.

Sebastião Ruschel, natural de Scheuren MühlFeld, no Rio Mosela, Alemanha, nasceu em 4 junho 1806 e casou em 2 de março de 1833 com Maria Mayer, ela nascida em 30 de março de 1808 (há publicações que citam a data de nascimento como 1802, mas no registro de imigrantes de 17 de novembro de 1846 foi declarada a idade de Maria como 39 anos), também em Scheuren MühlFeld, chegaram ao Brasil acompanhados de oito filhos: Johan Nikolaus (João Nicolau), Miguel, Maria, Catharina, johan (João), Anna, Jakob (Jacob) e Mathias, nascidos em 1830, 1833, 1834, 1836, 1839, 1840, 1844 e 1845, respectivamente.

A família Ruschel, que ao chegar na região se instalou em Escadinhas, na Linha Feliz (esta localidade fazia parte de São Sebastião do Cahy e hoje é o atual Município de Feliz), na margem direita do Rio Caí, onde se estabeleceu com lavoura e depois teve uma atafona, destilaria de cachaça e curtume.

Sebastião construiu um grande casa para abrigar sua família de 10 filhos, pois mais dois filhos nasceram em solo brasileiro Nikolaus (Nicolau) em 1849 e Peter (Pedro) em 1852. A casa abrigava diversas funções e era parada obrigatória para os imigrantes, principalmente italianos, quando de passagem para a serra. E essa ligação com os italianos ficaria imortalizada, com a doação de mudas de parreira de uva por parte dos Ruschel.

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Em junho de 1872, Miguel abandonou o curtume do pai e veio com a família para Estrela - RS, onde comprou o histórico sobrado de Antônio Vítor de Sampaio Mena Barreto, abrindo uma casa comercial e hotel. Os seus irmãos: Catharina, Mathias, Nicolau e Pedro logo o seguiram. Tendo ficado em Feliz: João Nicolau, maria e Anna trabalhando com destilaria e agricultura e João e Jacob trabalhando com comércio.

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Em Feliz, no dia 22 de novembro de 1882, Sebastião falece e quase seis anos após, em 1º de agosto de 1888, falece sua esposa Maria Mayer.

No ano de 1893, em Feliz, João Ruschel que já possuia comércio e tocava o curtume e a selaria, seguindo os passos de seu pai que também era cervejeiro, funda a fábrica de cerveja João Ruschel. Essa cervejaria foi a que mais se desenvolveu na região do Vale do Caí e quando da sua criação estava estabelecida na esquina da Av. Marcos José de Leão com a Rua Mauricio Cardoso, onde hoje está erigido o residencial Veit.

João Ruschel foi casado com Ana Maria Stürmer e tiveram onze filhos: Maria, Malvina, Sybilla, Catharina, Ana, Daniel, Henrique, Pedro, João Luis, Ferdinando e Francisco. João Ruschel sempre foi auxiliado na cervejaria por seus filhos Henrique Ruschel e Pedro Ruschel Sobrinho.

em 1908, seu filho Pedro assume a cervejaria e na década de 20, todos os 13 filhos de Pedro se envolvem na cervejaria, especialmente Antonio, Leo e Victor.

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As fotos de 1932, mostram o prédio da cervejaria, uma das mais antigas do estado. O prédio havia sido construído em 1893.

Em 1934, Victor assume a direção da cervejaria, altera seu nome para Cervejaria Ruschel e chama Antonio para dirigir a manutenção e Leo para a produção

Na década de 50 a cervejaria se expandiu e passou a produzir semanalmente 600 garrafas de cerveja e 1200 garrafas de refrigerante, framboesa e gazosa.
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Em 1953, a cervejaria lançou a cerveja Polka.

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Em 1959, a Cervejaria Ruschel passa a pertencer a Victor Ruschel já casado com Irena Gräbin, altera o seu nome fantasia para Cervejaria Polka e faz a mudança para o terreno da Avenida Voluntários da Pátria, onde teve grande desenvolvimento, a sua fama provem mais dos festivais do chope que o seu proprietário promoveu do que da própria produção da cervejaria.

De fato, a primeira edição do festival foi realizada a 20 de Abril de 1968, inspirada na popular Oktoberfest de Munique – Alemanha. Victor havia feito uma viagem ao país dos seus antepassados no ano anterior e voltou ao Brasil decidido a promover uma festa nos mesmos moldes na cidade de Feliz.

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A primeira festa se chamou Festival Polka e era praticamente comunitária, com a participação das famílias felizenses.

Entre as curiosidades que marcaram a grande festa, é a que está ligada à escolha de Margarida Rücker como primeira rainha da festa, em 1968. Ela ficou com a faixa porque, entre quatro candidatas, foi a que vendeu mais números da rifa que teve resultado financeiro aplicado na conclusão da Socef. Você sabe como ela conseguiu a vitória? Não? Então, leia esta matéria e descubra. É claro que teve beleza e sedução na história...

Tudo começou com a escolha de quatro candidatas, feitas aleatoriamente por Victor Ruschel, Willibaldo Graebin Filho e Sigesfredo Rücker, os organizadores do festival. A lista de convidadas continha os nomes de Marieta Freiberger, Noemi Sauer, Rosalva Bennemann e Margarida Rücker. A fórmula do concurso estabelecia que fosse declarada rainha a candidata que vendesse mais números da rifa que buscava recursos a serem investidos na sede.

Chegado o dia 20 de abril, o do baile, tudo estava organizado. Na hora de início (18h), a Socef estava tomada pelo público. Porém, algo fugia ao previsto: uma das quatro candidatas, Margarida, não estava presente, o que deixou os organizadores perplexos. Ocorre que ela, que cursava Geografia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS), se encontrava em Porto Alegre participando de um programa da sua faculdade. De ônibus, ela só conseguiu sair da Capital às 19h30min, chegando a Feliz por volta das 21h. Precisando vestir-se adequadamente, Margarida só chegou à Socef quando a primeira das diversas apurações dos números – vendidos pelas outras candidatas - já havia ocorrido. Mesmo empenhando-se ao máximo para compensar o atraso, ela ficou em último lugar tanto na segunda como na terceira apuração. Diante disso, Sigesfredo Rücker a questionou se ainda se dispunha a participar do concurso, tendo dela a resposta afirmativa.

Tendo também ouvido o sim da moça, Victor Ruschell, padrinho de batismo dela, achou que deveria auxiliá-la. Tendo um grande carinho por ela e considerando-a muito bonita, ele achava que a jovem deveria lutar pelo título de rainha. Naquele instante, Guiomar, filho de Victor, aproximou-se de Margarida e dela adquiriu alguns números da rifa. Com isto, Margarida aproximou-se das outras candidatas em relação às vendas e, ganhando maior motivação, deu início a autêntica maratona para a comercialização dos números. O processo foi facilitado porque os homens representavam a maior parte dos presente;. E, como eles já estavam cheios de cerveja, Margarida não teve maiores dificuldades para seduzi-los a comprar as rifas. “Bastava uma dança ou um piscar de olhos”, disse ela, há algum tempo.

Então, procedida a última apuração, Margarida foi anunciada como vencedora na vendagem das rifas. Conquistou, então, o título de rainha, sendo coroada por Victor Ruschell.

A cada ano que passava a festividade atraia mais pessoas. Assim não demorou muito para que o evento se tornasse de renome estadual. Nos anos seguintes, com o crescimento da festa, a infraestrutura foi ampliada.

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A partir de 1971 o evento passou a se chamar Festival da Cerveja.

Em 25 de novembro de 1972, a fábrica foi vendida para a Serramalte, de Getúlio Vargas. Em 1973 a Serramalte assume o controle acionário da Cervejaria Polka.

11 março 2015

Imperial Fábrica de Cerveja Nacional de Henrique Kremer / Augusto Kremer & Cia / Imperial Fábrica de Cerveja Nacional de Frederico Guilherme Lindscheid / Lindscheid & Cia / Companhia Cervejaria Bohemia


Baseado em vários jornais da época

Em junho de 1844, a Província do Rio de Janeiro contrata com o Vice-Cônsul do Brasil em Dunquerque, a vinda de 600 casais de trabalhadores e de artífices das mais variadas profissões, destinadas às obras públicas fluminenses. Durante o ano de 1845 foram relacionadas 13 embarcações trazendo 2.338 imigrantes para a província do Rio de Janeiro, a primeira delas chegando ao porto de Niterói em 13 de junho e a última, em 7 de novembro de 1845.

Junto com esses colonos, chegou a família de Johann Henrich Krämer (Henrique Kremer) acompanhado de esposa e 5 filhos. Kremer era alemão, proprietário de fábrica de cerveja, nascido em 12 de agosto de 1811 em Hilchenbach-Grund, Siegerland (Hilchenbach e as aldeias em torno eram uma parte do antigo Condado de Nassau. Durante as guerras napoleônicas em 1807 tornou-se parte do Reino de Westphália. Em 1815, após o Congresso de Viena, Hilchenbach e outras aldeias de Siegerland tornaram-se parte da Prussia, província da Westphalia). Casado com Anna Margaretha Helmes em 22 de janeiro de 1836. O casal teve seis filhos, cinco ainda na Alemanha: Maria Elisabeth, nascida em 3 de agosto de 1834, Wilhelmina, nascida em 21 de março de 1837, Johannes Justus, nascido em 2 de novembro de 1838 e os gêmeos Henriette e August, nascidos em 20 de março de 1841. Já em Petrópolis, no Rio de Janeiro, nasceu Karoline Christine Josephine em 9 de agosto de 1852.

Os colonos receberam um PRAZO, isto é, uma determinada superfície de terreno num dos Quarteirões, em geral de 5 a 10 mil braças quadradas, isento pelo artigo 24 das Instruções da Mordomia da Casa Imperial, do pagamento de jóia e de oito anos de foro anula a contar de 1-1-1846. A Henrique Kremer coube o prazo nº 3030 do Quarteirão Brasileiro.

Henrique Kremer, foi um hábil artesão especializado em fazer coberturas de casas com pequenas tábuas e também ardósia, o Almanak Laemert o registra nessa função até o ano de sua morte, além disso, também fazia, em casa, sua própria cerveja.

Publicado no Diário do Rio de Janeiro de 1º de Janeiro de 1854 a autorização para a Colônia comprar o terreno de propriedade de Henrique Kremer para instalação de um matadouro.
Com os negócios indo bastante bem, em junho de 1854 adquiriu de Pedro Alcântara Belegarde um terreno na atual Avenida Koeler nº 130, próximo à Catedral São Pedro de Alcântara e Praça da Liberdade onde construiu uma residência, constituida originalmente, de dois prédios distintos: casas 114 e 130. Apresentando linhas simples, a arquitetura remete aos chalés germânicos.
Em 1858, finalizando uma negociação que se arrastava desde 1854, Henrique Kremer vende à fazenda provincial, a propriedade que possuía no Quarteirão Westphália, que a transformou no atual Matadouro Municipal de Petrópolis e, com os recursos obtidos, comprava a filial da Imperial Fábrica de Cerveja Nacional de Henrique Leiden, situada no Quarteirão Nassau, na Rua Princeza Dona Leopoldina nºs 16, 18 e 20, conhecida pela população como Rua dos Artistas (depois Rua 7 de Abril e hoje rua Alfredo Pachá). Essa fábrica de cerveja aparece no Almanak Laemmert, pela primeira vez em 1854 (dados referentes ao ano anterior). Henrique Leiden possuía no Município da Corte a matriz dessa fábrica, fundada em 1848.
Passando a se chamar Imperial Fábrica de Cerveja Nacional de Henrique Kremer.
Em 12 de novembro de 1859, é publicado no jornal O Mercantil, o primeiro de vários convites para bailes no salão da fábrica: CONVITE: Concêrto instrumental, na fábrica de cerveja, Rua dos Artistas nº 8, (Petrópolis - RJ) dado pela banda de música que aqui chegou do Rio de Janeiro, sábado 12 do corrente, às 7 horas da noite. Entrada 1$000. (a) Henrique Kremer. Em 16 de abril de 1863, o jornal “O Mercantil” publica que anteontem na Rua dos Artistas, na fábrica de cerveja do Sr. Kremer, de madrugada, houve um horrível conflito com muitos feridos. Diz ainda que: “... seria conveniente que taes bailes fossem prohibidos, pois não é este o primeiro conflicto que se tem dado, e a julgar-se por ele, dia virá em que seja ali theatro de morticínios, como já tem sido de espancamentos...”.

Com o falecimento de Henrique kremer, em 1865, foi constituída a empresa Augusto Kremer & Cia pelos seus herdeiros, cujos sócios eram: Augusto Kremer e seus irmãos.

Em 22 de julho de 1866 Henriqueta Kremer (Henriette Kramer), filha de Henrique Kremer (Johann Henrich Krämer) casa com Frederico Guilherme Lindscheid (Friedrich Wilhelm Lindscheid), nascido em 11 de junho de 1835, em Remscheid na região administrativa de Düsseldorf, estado da Renãnia do Norte, Westfália. Tiveram três filhas: Ana Bertha, Katharina Auguste e Caroline (Carolina) Lindscheid.

Em 1867, em Juiz de Fora - MG nas imediações da Igreja da Glória, foi fundada a filial da Cervejaria Augusto Kremer & Cia. Em 31 de agosto de 1876, a Cervejaria Augusto Kremer & Cia é dissolvida e separam-se comercialmente matriz e filial, ficando Augusto Kremer com a fábrica de Juiz de Fora que passa a se chamar Imperial Fábrica de Cerveja e Águas Mineraes de Augusto Kremer & Cia. E Frederico Guilherme Lindscheid com a fábrica de Petrópolis que passa a se chamar Imperial Fábrica de Cerveja Nacional.
Em Juiz de Fora no mês de abril de 1878, falece Augusto Kremer, deixando viúva Catharina Kremer e três filhas: Margarida, Henriqueta e Carolina.

Em Petrópolis, a Imperial Fábrica de Cerveja nacional nas mãos de Lindscheid tomou uma grande expansão e prosperidade tornando o seu proprietário, o industrial petropolitano mais rico de seu tempo. Em 1883 a cervejaria chegou à expressiva marca de produzir 1 milhão de garrafas.

Em 4 de março de 1890, é publicado no DOU que a Antiga Fábrica de Cerveja Nacional – FGL, registra na Junta Comercial do RJ, sob o nº 1752, a cerveja dupla branca marca Petrópolis.

Em 5 de junho de 1895, Carolina Lindscheid veio a casar com seu primo Henrique Kremer, filho de Johannes Justus Kramer, passando a se chamar Carolina Lindscheid Kremer.

Em 1º de fevereiro de 1896 Frederico Guilherme Lindscheid transfere sua fábrica de cerveja: Antiga fábrica de Cerveja e Águas Mineraes, para seu genro e sobrinho Henrique Kremer que registra uma nova firma: Lindscheid & Cia, onde fica respondendo como sócio comanditário e como sócios solidários Frederico Guilherme Lindscheid Sobrinho que passa a dirigir a fábrica em Petrópolis e Victorino Rodrigues de Figueiredo que continua a dirigir o depósito na Rua 7 de Setembro nº 62, no Rio de Janeiro.

Em março de 1896, por ocasião da partilha de bens do espólio da mulher do industrial, Sra. Henriqueta Kremer Lindscheid falecida em 21 de setembro de 1892, a fortuna declarada no Inventário totalizava 1.073:973$840. Uma quantia fabulosa para a época. Tanto mais sabendo-se que nessa ocasião, o Inventário do Imperador D. Pedro II somou o valor de 1.5567:080$131. Nessa partilha de bens a filha, Carolina Lindscheid Kremer, casada com Henrique Kremer, neto do fundador, tocou uma parcela avaliada em 220:000$000 representando a fábrica de cerveja e os prédios onde ela funcionava.

Em 6 de julho de 1896, é publicado no DOU que Lindscheid & Cia (Antiga Fábrica de Cerveja Nacional), registra na Junta Comercial do RJ, sob o nº 2351, a cerveja marca Petrópolis – Especial Beer.

Em 23 de abril de 1897, é publicado no DOU que Lindscheid & Cia (Fabrica de Cerveja e Águas Minerais a vapor) registra na Junta Comercial do RJ, sob o nº 2411, a cerveja marca Branca Simples.

Em 28 de julho de 1897, é dissolvida a sociedade retirando-se os sócios Frederico Guilherme Lindscheid sobrinho e Victorino Rodrigues de Figueiredo.

Registros indicam que em 1897, a fábrica realiza diversos melhoramentos e, segundo anunciava a Gazeta de Petrópolis daquele ano, estava habilitada a “servir com promptidão qualquer pedido com que lhes honrem seus amigos e freguezes”.

Em 5 de março de 1898, o Jornal do Commercio, de Juiz de Fora – MG, publica a chegada de Wilhelm Bradac, contratado por Henrique Kremer sócio da fábrica de cerveja Kremer, de Juiz de Fora, e proprietário da Cervejaria Lindscheid, de Petropolis, para dirigir os trabalhos nessas fábricas.

Em 25 de julho de 1898, achando-se presentes e representados na assembléia geral os senhores Rodolpho Weber, Souza Filho & Cia., C. Spaelty - Zweifel, F. C. F. Finkennauer, Hermann Kalkuhl, Fernando Augusto da Rocha, Octávio da Silva Prates, Carlos Maximo de Souza, Monsenhor Dr. Pedro Peixoto de Abreu Lima, Júlio Delage, Pedro de Schepper, Francisco Sixel, João Esch Jun, João Antonio Ribeiro, Miguel Rittmeyer , Antonio Joaquim Luiz Canedo, Carlos Kerster, Victorino Rodrigues de Figueiredo, Guilherme Bradac, Henrique Kremer. Christiano Hecksher, Emílio Vielsen, Dona Virgínia Ferrari, Hernesto Roncheni, Ettore Poggiolesi, foi constituída a Cervejaria Bohemia incorporando todos os bens da Lindscheid & Cia, antecessora, e com o capital de 500:000$000 divido em 2.500 ações no valor nominal de 200$000, sendo que os primeiros diretores eleitos, foram os senhores Henrique Kremer e Guilherme Bradac.

Kremer, auxiliado por Bradac, decidiu transformar a fábrica de cerveja comum noutra de fabricação aperfeiçoada e superior, até 1899, a fabricação chega a ser suspensa temporariamente, para completa modificação da Cervejaria. As condições dos antigos edifícios em nada se adaptavam à fabricação moderna, sendo necessário reconstruir os velhos e construir novo edifício o que se efetuou sob o plano elaborado pelo Sr. Bradac, sendo mestre de obras o conhecido construtor Sr. Rodolpho Müller, ex-diretor de obras da fábrica Teutonia de Mendes – RJ. O edifício da companhia subdivide-se em várias partes: Casa da caldeira, onde se acha instalada a grande caldeira Cronwall com 55 metros quadrados de aquecimento, pressão de 8 atmosferas e um comprimento de 9 metros, sendo alimentada por uma bomba a vapor Worthington e por um injetor contando-se da caldeira à ponta da chaminé 25 metros de altura; Casa das máquinas, ali se encontra a máquina à vapor, força de 40 cavalos, dois compressores para amoníaco (nº4), sistema Linde e bombas rotativas para suprir de água os diversos compartimentos, junto fica a casa do gerador para fabricação do gelo; Casa da fabricação, de três andares e magnificamente instalada, no térreo acha-se uma caldeira de fermentação aquecida á vapor, tina de mexer (maischbottich), aparelhos rotativos e outros necessário a extração da cevada, no segundo e terceiro andar acha-se o deposito de cevada e outros utensílios; Passa-se em seguida ao prédio em que estão além das camaras frigorificas Eiskeller, a sala de fermentação atualmente com 12 tinas mas para o futuro serão 26, todas fabricadas pelo Sr. Miguel Sixel, Filho & Cia, o depósito de lúpulo e aparelhos de esterilização e os toneis de armazenamento, atualmente em número de 60 com capacidade de 3 a 4 mil litros cada; Casa do meio, onde estão instaladas as seções de engarrafamento e lavagens de barris e garrafas e por último o escritório.
Kremer não conseguiu ver a Companhia Cervejaria Bohemia funcionando, em 10 de maio de 1900 faleceu com somente 35 anos de idade, deixando viúva e dois filhos.

Nos meses de agosto e setembro de 1900 foram refeitos os registros de marca da antiga Lindscheid & Cia passando para a Cervejaria Bohemia as diversas marcas: Petrópolis Pilsen e Munchen, Viena Preta e Branca e a Bohemia.

Em 1901, é relançada a cerveja Viena.
Em 1908 a Cia. Cervejaria Bohemia ganha o Grande Prêmio na Exposição Nacional do Rio de Janeiro.

Em 1910, a produção vai a 18 mil dúzias de garrafas por mês.

Em 1922 a companhia recebe novamente o Grande Prêmio na Exposição do Centenário do Rio de Janeiro.

Em 1930 a produção dobra e vai a 36 mil dúzias de garrafas por mês. 30% do total era cerveja Bohemia.

Em 1954 a Bohemia passa a contar com diversos produtos no mercado: seis marcas de cervejas e mais ingredientes.

Em 1960, a Cia. Antárctica Paulista comprou a empresa que produzia dez mil dúzias por mês.

27 outubro 2014

Fábrica de Cerveja Cosmopolita


Baseado em vários jornais da época
Imagem do rótulo cedida pelo colecionador Paulo Antunes Júnior



Em 28 de março de 1916, o Jornal do Brasil publica que na sessão de 13 de março da Junta Comercial do Rio de Janeiro, foi arquivado o contrato comercial entre Salustiano Dominguez Lourido e Jesus Rodriguez Martinez para o fabrico de cervejas, com o capital de Rs. 30:000$00 sob a firma Dominguez Lourido & Rodriguez à Praça Duque de Caxias 9 (atual Largo do Machado).

O Largo do Machado adquiriu esse nome (ao que conta) por causa de um enorme machado de pau na porta do primeiro açougue ali instalado. Em 1843, com a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Glória (não confundir com a Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro), passou a se chamar Largo da Glória. Em 1880, com a morte do Duque de Caxias, mudaram de novo seu nome para Praça Duque de Caxias. Só que os nomes novos não colaram, e o largo voltou à sua denominação tradicional: Largo do Machado, isso explica os rótulos um com endereço da Praça Duque de Caxias e outro do Largo do Machado.

Em 15 de abril de 1916, a Revista da Semana publicou o seguinte artigo: “....No dia 1º de abril de 1916 inaugurou-se a Fabrica de Cerveja Cosmopolita que foi instalada no número 9 da Praça Duque de Caxias (Largo do Machado), no Catete. São seus proprietários os Srs. Dominguez & Rodrigues, nomes muito conhecidos, que por si só é uma garantia de sucesso para o novo estabelecimento, que está montado com todos os requisitos do conforto e da higiene.

Nesse ponto a Fábrica de Cerveja Cosmopolita não teme confronto e nisto estão, sobretudo, os bons augúrios do seu futuro. Clara e arejada com belíssima decoração interna, devido aos pinceis dos artistas Justino Migueis e Gion Baptista Maggia. A inauguração foi assistida por muitas pessoas, representantes da imprensa, mostrando-se todos excelentemente impressionados pelo tratamento que receberam por parte dos referidos negociantes.

Aos presentes foi oferecida uma excelente mesa de doces finíssimos e a todos foi oferecida uma taça de champanhe, sendo levantados diversos brindes....”

O Diário Oficial da União de 23 de março de 1917 publica que na sessão de 1º de março da Junta Comercial do Rio de janeiro foram feitos os registros da cerveja Black Duques e da cerveja Cosmopolita, sob os números 11.981 e 11.982 respectivamente.

    
A Tragédia parece acompanhar as fábricas de cervejas, vários jornais do dia 25 de fevereiro de 1928 publicaram noticias sobre o violento temporal que atingiu o Rio de Janeiro no dia anterior e que fez com que uma avalanche de água e lama descesse do Morro de Santa Tereza e levasse tudo de roldão, fazendo com que desmoronassem três residências da vila de casas da Travessa Cassiano nº 6 e perecessem soterradas dez pessoas. Entre essas pessoas encontrava-se Dª Maria do Carmo Martinez esposa do senhor Jesus Rodriguez Martinez, sócio e químico responsável da Cervejaria Cosmopolita que residia na casa de número 3.

Em 29 de outubro de 1935 às 17:00 horas, no Hospital da Beneficiencia Espanhola,faleceu o Sr. Salustiano Dominguez Lourido, não tendo suportado uma melindrosa operação. Deixou viúva a senhora Rosa Gonzales Lourido e os filhos: Candido, Manoel, Clara, Olivia, Sara e Irene.

O Diário Oficial da União de 21 de maio de 1937 publica que na sessão de 13 de maio, da Diretoria da Secção do Comércio do Departamento Nacional da Indústria e Comércio, foi deferido o requerimento para dissolução da Firma Dominguez Lourido & Rodriguez pelo falecimento do sócio Salustiano Dominguez Lourido recebendo seus herdeiros a importância de Rs 18:363$364, ficando com o ativo e passivo o sócio Jesus Rodriguez Martinez.

Em 26 de junho de 1951, o jornal Diário da Noite publica o falecimento de Jesus Rodriguez Martinez.

26 setembro 2014

Fábrica de Cerveja Austríaca / Grintzler


Baseado no blog Antonio Rigotti - Pouso Alegre MG.
Imagem do rótulo cedida pelo colecionador Paulo Antunes Júnior



A imigração italiana é um capítulo da história rico em experiências e escasso em informações. Os navios que chegavam aos portos (Vitória, Rio de Janeiro, Santos e Rio Grande) não forneciam em suas listagens as cidades de origem dos imigrantes. Mas pesquisar as origens italianas significa descobrir de que região, província e cidade vieram os ancestrais. A tarefa não é fácil. Exige respeito, paciência, perseverança, além de muita pesquisa e uma boa dose de sorte.

Antônio Rigotti, ou melhor, Antonio Bortollo Rigotti, nasceu na Vila de Sporminore, Região Autônoma de Trentino-Alto-Adige, região do Trento, Itália, em 3 de abril de 1865 e foi batizado na Parrochia Dell'addolorata.

Antonio é filho de Bortolo Francesco Rigotti e Domenica Remondini Rigotti e sendo seus irmãos: Giuseppe Michelle Rigotti, Lucia Rosa Rigotti, Giambattista Bortolomeo Rigotti, Luigi Giovanni Rigotti, Luigi Michelle Rigotti, Maria Luigia Rigotti e Teresa Lúcia Rigotti.

Antonio Rigotti, já casado com Luigia Teresa Nardelli nascida em 17 de junho de 1872 e também natural de Sporminore, veio para o Brasil em 1894 tendo embarcado no porto de Gênova em 29 de dezembro com destino a "mérica", a bordo do vapor Maranhão, em sua companhia vieram a esposa, a filha Paolina Luigia, de um ano de idade nascida em 28 de novembro de 1893, e um cunhado.

No Brasil a família de Antônio e Luigia aumentou. Nasceram os filhos Vitorino, Gregório, José, Inês, Maria, Erenice, Vitória, Francisco e Zenaide. Em 1899 Antônio Rigotti inaugurou uma fábrica de cerveja em Pouso Alegre MG.

Transcrevo a seguir trecho do site “Pouso Alegre – Passado e Presente/Industrias”:
O processo industrial pouso-alegrense teve o seu início no final do século 19, quando alguns de seus habitantes, sem a tecnologia de hoje, ousaram constituir pequenas indústrias, inaugurando uma nova etapa no desenvolvimento da cidade.

Os pioneiros, homens sem tecnologia moderna, naquele instante, tornaram-se fundamentais, pelo impacto que deram ao desenvolvimento da cidade e os empregos que ofereciam, além do novo ciclo que fundavam.

Em 1899, uma delas, muito recente, alegrava bastante os moradores da cidade, principalmente os homens. Era uma fábrica de cerveja de propriedade de Antônio Rigotti, um imigrante italiano que viera para Pouso Alegre - MG.

Sua história é simples e cheia de poesia: para fabricar a cerveja, Antônio Rigotti ia todo santo dia pegar água num chafariz que havia atrás Catedral. Este chafariz oferecia uma água límpida de mina, a mais pura da cidade, e ideal para a fabricação da cerveja, que se chamava "Austríaca". O primeiro local da fábrica foi na esquina da Adalberto Ferraz com o Largo do Mercado, do lado direito de quem desce.

Pouco tempo depois, ela se mudou para a "Casa do Canto Redondo", que ficava na esquina da Adalberto Ferraz com a Afonso Pena, onde hoje existe um prédio de mármore de três andares.

A “Casa do Canto Redondo” tinha esse nome porque suas laterais eram arredondadas e, pela sua singularidade, foi uma das mais famosas e conhecidas de Pouso Alegre, e nela a fábrica da cerveja “Austríaca” existiu por dez anos.

Em 1914, no período da 1ª Guerra Mundial, por questões políticas internacionais, mudou-se o nome da cerveja para "Grintzler", bem como o local, indo para onde hoje está a Marcenaria Rigotti, na rua Marechal Deodoro, que é propriedade de seus descendentes.

De 1915 a 1917, tempo em que os padres holandeses lecionavam no Ginásio São José, a cerveja foi considerada pelos padres, conhecedores da melhor cerveja mundial, a alemã, como de primeiríssima qualidade, dando inclusive preferência à cerveja do Rigotti, em lugar das outras mais famosas.

A fábrica encerrou suas atividades, aproximadamente, em 1918, dando lugar a um novo tipo de negócio, restando, ao contrário dos tempos modernos, o exemplo de se fazer produção com elementos da melhor qualidade, com competência e honestidade, dado pelo saudoso e honrado imigrante Antônio Rigotti, um magnífico italiano que escolheu Pouso Alegre para seu serviço, sua descendência e seu amor!

14 agosto 2014

Fábrica de Cerveja Brazil / Fabrica de Cerveja Luzitania / Companhia Cervejaria Lusitania S/A


Baseado nas publicações da época


Em 27 de setembro de 1906, é registrada na Junta Comercial, sob o nª 4.880, a Cerveja Brazil produzida na Fábrica de Cerveja Brazil de Alfredo Gomes & Cia. Esta firma estabelecida à Rua do Catete 107, bairro da Glória, Rio de Janeiro, é composta por Alfredo Ferreira Gomes Saavedra e os sócios de indústria: Joaquim da Silva Pereira e Francisco machado da Motta. Em 16 de março de 1907, o Diário Oficial da União, DOU, publica que na sessão de 7 de março da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro foi arquivado o contrato social para exploração de uma fábrica de cerveja, sob a firma Alfredo Gomes & Cia com o capital de Rs 20:000$000.

Em 1912, a Fabrica de Cerveja Brazil de Alfredo Gomes & Cia. passa a pertencer a Santos & Lyra.
O Jornal do Brasil de 10 de maio de 1915, publica que na sessão de 24 de abril da Junta Comercial, foi arquivado o contrato social feito entre os sócios Alfredo João Soares e Manoel Pinto Lyra para a exploração de fábrica de cerveja (Fábrica de Cerveja Brazil) à Rua do Catete 107, sob a firma Soares & Lyra, com o capital de Rs 48:000$000.

Em 22 de maio de 1915, o Diário Oficial da União, publica o deferimento do requerimento de Soares & Lyra feito à Junta Comercial do Rio de Janeiro, na sessão de 10 de maio de 1915, para o registro de sua firma.
É publicado no Diário Oficial da União, que na sessão de 4 de abril 1918 da Junta Comercial, foi arquivado o distrato da firma Soares & Lyra, com a saída do sócio Manoel Pinto Lyra que recebeu Rs 10:000$000, ficando o ativo e o passivo com o sócio Alfredo João Soares sendo seus haveres também de Rs 10:000$000.

O jornal “O Paiz”, de 31 de agosto de 1920, publica o contrato social entre Alfredo João Soares e Pedro Perez Diegues para a exploração de uma fábrica de cerveja (Fábrica de Cerveja Brazil) à Rua do Catete 107, com o capital de Rs 60:000$000, sob a firma Soares & Perez.

O Diário Oficial da União, de 21 de dezembro de 1921, publica o arquivamento da alteração do contrato social da firma Soares & Perez, pela admissão do sócio Manoel Alonso Veiga ficando o capital alterado para Rs 54:000$000 sob a firma Soares, Perez & Alonso.

O Diário Oficial da União, de 14 de julho de 1922, publica a alteração do contrato de Soares, Perez & Alonso, pela saída do sócio Pedro Perez Diegues que recebeu a quantia de Rs 23:064$620. Ficando a firma alterada para A. Soares & Alonso com o capital de Rs 36:000$000.

Em 14 de junho de 1923, A. Soares & Alonso, estabelecidos à Rua do Catete nº 107, registraram na Junta Comercial do Rio de janeiro, a cerveja Luzitania, sob o nº 19.311. Este primeiro rótulo traz impressa a frase: “Engarrafada na Cervejaria Brazil”.

O Diário Oficial da União, de 29 de setembro de 1923 publica o deferimento do pedido de arquivamento do distrato da firma A. Soares & Alonso na Junta Comercial do Rio de Janeiro. O Correio da Manhã de 7 de novembro de 1923, publica que na sessão de 29 de outubro foi registrado o distrato da firma, onde retiram-se os sócios Alfredo João Soares que recebe a importância de Rs 49:088$554 e Manoel Alonso Veiga a importância de Rs 17:187$813.

O Correio da Manhã de 24 de novembro de 1923, publica que na sessão de 16 de novembro da Junta Comercial, foi arquivado o contrato social feito entre os sócios solidários: Alfredo João Soares, Manoel Alonso Veiga, João Antonio Figueiredo e Martinho Antonio Paredes, para exploração de fabrica de cerveja à Rua do Catete 107, sob a firma Alonso, Soares & Cia, com o capital de Rs 100:000$000. O Diário Oficial da União, de 27 de novembro de 1923, publica o arquivamento na Junta Comercial do Rio de Janeiro desse contrato.

O jornal Correio da Manhã de 31 de março de 1926, publica o deferimento da alteração de contrato da firma Alonso, Soares & Cia. para Alonso, Paredes & Gonçalves, na sessão de 25 de março de 1926 da Junta Comercial.

A primitiva fábrica (Fábrica de Cerveja Brazil), sob a firma Alonso, Paredes & Gonçalves, funcionou durante quatro anos na Rua do Catete 107, o consumo das duas principais marcas cresceu tanto que as instalações se tornaram acanhadas, no entanto não havia área maior para aproveitar. Os senhores: Manoel Alonso Veiga, Martinho José Paredes e Francisco Ferreira Gonçalves que constituem a firma Alonso, Paredes & Gonçalves, com sua larga visão deliberaram instalar um estabelecimento digno dos progressos da nossa capital, para esse fim adquiriram um vasto terreno de 33 metros de frente por 100 metros de fundo, à Rua Theodoro da Silva nº 371, em Vila Isabel. Encarregaram da construção do edifício o arquiteto Calixto Pereira de Carvalho.
O prédio é o que há de mais moderno, está colocado no centro do grande terreno, tem tres pavimentos, piso de cimento e paredes revestidas de ladrilhos. O seu maquinismo, todo elétrico, foi importado da Alemanha. Desde a fermentação até o engarrafamento não tem o homem necessidade de intervir senão de um modo indireto para acionar os maquinismos, tudo girando automaticamente. A maquinaria da fábrica de cerveja veio toda da Alemanha, importada pela firma Eduardo Pinto da Fonseca & Filhos, o aparelhamento compõe-se de: 40 toneis de depósito com capacidade de 2.500 garrafas cada um, duas grandes tinas de fermentação comportando 20.000 garrafas, um resfriador automático, um enorme depósito de cerveja, uma caldeira e um moderníssimo tanque de pasteurização a vapor. A Fábrica de Cerveja Luzitania é a primeira a adotar o processo de pasteurização.

Em 30 de outubro de 1927, foram inauguradas as novas instalações da Fábrica de Cerveja Luzitania Ltda., fabricante das cervejas Brasil e Luzitania que eram feitas na Fabrica de Cerveja Brasil à Rua do Catete nº 107.
Um ano após, em 1928, estão sendo montados mais 10 toneis de depósito, a capacidade que era inicialmente de 100.000 garrafas passa agora para 125.000. Para a entrega, já possui sete caminhões entre 2 e 4 toneladas. Nesse ano, não havendo mais necessidade vendem a Fábrica de Cerveja Brasil para Figueiredo, Carvalho, Rodrigues & Cia, passando a ficar somente com a Fabrica de Cerveja Luzitania Ltda.

  
Em 17 de outubro de 1935, o DOU publica alteração contratual motivada pelo falecimento do sócio Francisco Ferreira Gonçalves, em junho de 1930, tendo seus herdeiros recebido Rs 272:232$841 e continuando a sociedade com os demais sócios sob a firma Cervejaria Lusitania Ltda.

Em 10 de fevereiro de 1936, é constituída a Sociedade Anônima Companhia Cervejaria Lusitania, à Rua Teodoro da Silva, nº 749 a 753, tendo como fim o fabrico de cervejas, refrigerantes e produtos congêneres, com o capital de Rs 1.500:000$000 (Um mil e quinhentos contos de réis), dividido em 15.000 ações de Rs 100$000 (cem mil réis) cada uma, assim realizado: Rs 1.000:000$000, representados por 10.000 ações entregues aos senhores Manoel Alonso Veiga e Martinho José Paredes (5.000 a cada um) como parte da estimativa dos imóveis sito à Rua Teodoro da Silva, nº 749 a 753, maquinismos, acessórios, móveis e utensílios, mercadorias e matéria prima; bens de propriedade da firma Cervejaria Lusitania Ltda., ora incorporada e Rs 500.000$000 em moeda corrente, devido pelos subscritores das ações pela quantidade que subscreveram. A Companhia Cervejaria Lusitania, ora constituida, assume o ativo e o passivo verificado na Cervejaria Lusitania Ltda., da qual fica sendo sucessora, bem como a responsabilidade de todos os atos praticados até a data.

Èm 23 de setembro de 1936, o Decreto 1.113 concede à Sociedade Anônima Companhia Cervejaria Lusitania autorização para o funcionamento.
  
O Diário Oficial da União, de 21 de maio de 1937, publica o pedido da Companhia para que seja anotada a mudança de nome nas marcas Lusitania (registros: 19.311, 19.918, 46.510 a 46.512, 47.827 e 47828), Gaiata (registro 28.995), Branca Lusitania (registro 49.616) e Emblemática (registros: 49.617 e 49.618).

Em 1º de setembro de 1937, o Decreto 1.944, concede á sociedade anônima Companhia Cervejaria Lusitânia autorização para continuar a funcionar, com as alterações feitas nos respectivos estatutos em virtude de deliberação da assembléia geral extraordinária dos seus acionistas realizada a 7 de julho de 1937.

A assembleia de março de 1953 noticiou aos acionistas que: em 1952 com a aquisição de novas máquinas foi possível melhorar a produção de refrigerantes, devendo também a produção de cerveja ser melhorada com a chegada de mais máquinas já encomendadas e está em estudos a possibilidade de construir um andar sobre a atual garagem, isto é, em toda a área situada nos fundos a fim de ampliar as instalações existentes.

  
Em 1957, a cervejaria encomendou à firma Oficina Mecânica Caju Retiro Ltda., duas tinas de alumínio de 1,40 m de altura por 3,90m de diâmetro. De acordo com o contrato as chapas serão fornecidas pela cervejaria e o serviço de preparação das chapas será feito na oficina. Estando as mesmas prontas, serão remetidas em partes para a Cervejaria Luzitania, onde serão montadas e feito os serviços de acabamento, na impossibilidade de levá-las montadas.

O Diário Oficial da União de 10 de março de 1959 publica que o Departamento nacional da Indústria e Comércio, Divisão de Registro do Comércio, em 23 de fevereiro arquivou sob o nº 82.593, cópia da ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 31 de dezembro de 1958 que modificou parcialmente os estatutos e aprovou o aumento do capital para Cr$10.000.0000,00 (dez milhões de cruzeiros).

A Companhia Cervejaria Luzitania S.A. Possuía uma linha diversificada de produtos que compreendia além das tradicionais cervejas pretas (envasadas em garrafas “barrigudas”, também conhecidas por “achampanhadas’ e ainda nas tradicionais) uma linha de refrigerantes gasosos: guaraná, soda, água tônica e até mate espumante. Produzia também vários xaropes para refrescos, sobressaindo-se a famosa groselha, muito apreciada pelas crianças e também por grande número de adultos.

Em 1980, infelizmente, a mudança de hábitos com relação ao consumo da cerveja preta, que tinha nos europeus um público cativo, a concorrência enfrentada junto às grandes cervejarias e as dificuldades para importação e modernização do maquinário decretaram o fim da empresa e, conseqüentemente, a venda de seu imóvel. Hoje, no local da antiga fábrica está construído um grande edifício de apartamentos.