03 outubro 2013

Fábrica de Cerveja N.Sa. da Glória / Fábrica de Cerveja Glória


Baseado nos sites: Novo Milenio e Almanak Laemert
Imagens dos rótulos cedidas pelo colecionador Paulo Antunes Júnior

A ermida de Nossa Senhora da Glória do outeiro, no bairro do Catete, Rio de Janeiro, foi erguida pelo ermitão Antonio Caminha em 1671, ficando-lhe por detrás algumas casas para romeiros, com o correr do tempo, necessitando a ermida de consertos foi de novo reconstruída no início do século XVIII. A obra da Igreja da Glória do Outeiro, iniciada a partir de 1713, levou à abertura de uma pedreira em local próximo, no Morro da Nova Sintra, esse local passou a ser denominado "Pedreira da Glória", por fornecer as pedras usadas na construção da Igreja, para isso foi necessária a transformação do caminho que levava à ermida em rua que foi chamada de Rua da Pedreira da Glória, atual Rua Pedro Américo. A atividade na pedreira estimulou a ocupação da área fazendo aparecer novas ruas e a serem construídos prédios residenciais e comerciais.


Rua Pedro Américo e vendo-se a pedreira no final da rua

Em 1864, Aparece pela primeira vez no Almanak Laemert a Fábrica de Cerveja N. Sª. da Glória, de propriedade de Joaquim Antonio Teixeira, situada na Rua da Pedreira da Glória 21, Catete, RJ.

Em 1866, no Almanak Laemert, além do endereço da fábrica aparece o endereço do escritório na Rua D’Alfandega 62, nesse mesmo ano os produtos de sua fabricação receberam prêmios na Exposição Nacional.

Em 1878, o endereço do escritório passa a ser Rua Marquês de Abrantes 27.

Em 1885, o nome é mudado para Fábrica de Cerveja da Glória e passa a pertencer aos antigos proprietários da Fábrica de Cerveja Princeza Imperial, Paulo de Souza Alves e Antonio Soares da Gama Bastos, sob a firma Alves & Bastos.

Em 1886, a Rua da Pedreira da Glória passa a se chamar Rua Pedro Américo.


Em 1889, o nome da firma é mudado para Alves & Cia., passando Paulo de Souza Alves a ser o responsável único da cervejaria com a saída do sócio Antonio Soares da Gama Bastos.

Em 1890, os seus produtos tornam a ser premiados na Exposição de Chicago.

Em 1893, passa a pertencer a Adriano de Souza Albuquerque.

Em 1896, passa a pertencer a Adriano de Souza Albuquerque e Joaquim Alves Ferreira, sob a firma Adriano & Ferreira.

Em 1899, com a saída do sócio Adriano de Souza Albuquerque, passa Joaquim Alves Ferreira a ser o único responsável pela fábrica de cerveja.

Em 1901, esta importante fábrica de bebidas foi adquirida pelo senhor Alfredo Ferreira Gomes Saavedra, de nacionalidade portuguesa aqui chegado em 1889, nascido em 2 de agosto de 1867, filho de Antonio Gomes Saavedra e Maria Gomes, casado com Julia Gomes Saavedra. O senhor Saavedra é também proprietário no Rio de Janeiro e faz parte de diversas instituições pias, tanto portuguesas como brasileiras. Em 23 de junho de 1939, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) que pela portaria de 15 de junho de 1939, o senhor Saavedra foi declarado cidadão brasileiro.

A aquisição da cervejaria foi feita em sociedade com os interessados: Manoel Figueiredo Pinto e Antonio Pereira Peres.

Em 3 de novembro de 1904, é registrada a cerveja Avenida sob o nº 4129 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.
  

Em 1905, com a saída dos sócios interessados: Manoel Figueiredo Pinto e Antonio Pereira Peres, passa a responder sozinho pela cervejaria o senhor Alfredo Ferreira Gomes Saavedra.

Em 11 de novembro de 1906, é registrada a cerveja Gloria Branca sob o nº 4897 e neste mesmo dia registra a cerveja Gloria Parda sob o nº 4898 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.

Em 12 de janeiro de 1907 é anunciada, no jornal Rio Nú, a reinauguração da fábrica de cerveja do Sr. Saavedra no último sábado, dia 5.

Em 1920, a Cervejaria Gloria passa a pertencer a Oscar Vieira & Cia. Em 27 de março, o Jornal O Paiz publica a constituição de uma nova sociedade composta pelos sócios solidários Oscar Vieira de Mello Ferreira, Arthur Adolpho da Silva Schiappe, Antônio Luiz Ribeiro e Luis Governo de Souza, para o comércio de álcool e aguardente em grosso, fabricação de cerveja e bebidas hydroalcoólicas e negócios que convenham, à Rua Pedro Américo 27, com o capital de 250:000$000 (duzentos e cinquenta contos de réis).


Em 14 de outubro de 1920 o Diário Oficial da União, DOU, publica a transferência dos registros dos diversos produtos de Alfredo F. Gomes Saavedra para seus sucessores Oscar Vieira & Cia.

Em 1922, a produção mensal deste estabelecimento é de 50.000 litros de bebidas diversas e 100.000 litros de cerveja. Produz ainda, conhaques, vermutes, fernets, genebras, aniz, laranjinha especial, licores, bitters, xaropes para refrescos, aperitivo americano etc. Fabrica também em grande escala vinagres, brancos e tintos. Em seus depósitos, há sempre grande estoque de cevada, lúpulo, rolhas e cola para fabrico de cerveja, e todos os artigos necessários ao mesmo ramo de negócio.

Tem concorrido a diversas exposições, e sempre os seus produtos foram distinguidos, uns com diversas medalhas de ouro, outros com menções honrosas. Esta casa importa diretamente da Europa todos os artigos, bem como a matéria-prima necessária à manipulação de seus produtos. As suas vendas são feitas na capital e em todos os estados da União, onde a casa mantém representações permanentes.

  

Em 4 e 5 de agosto de 1927, os jornais anunciavam um trágico acontecimento, por volta das 19 horas do dia 3 de agosto, o Senhor Oscar Vieira de Mello Ferreira pôs fim à vida com um tiro no ouvido direito, tendo sido atribuído à esse acontecimento um insucesso de negócio resultante da baixa do preço do açúcar que lhe acarretou grande prejuízo. O comerciante vinha mantendo com outros o que se chama na praça de "corner" fazendo com que esse sistema provocasse a alta do açúcar, que foi de 42$ para 77$, acontece que com a abundancia da safra o mercado recebeu um grande suprimento que causou em consequência a baixa. A firma Oscar Vieira & Cia e outras a ela ligadas tiveram um grande prejuízo pois tinham em estoque mais de 250.000 sacas de açúcar.

O senhor Oscar Vieira era brasileiro, natural de Pernambuco, contava 48 anos de idade e deixa viúva a Dª. Angelina Vieira de Mello Ferreira.

Em 28 de novembro de 1927, a firma Oscar Vieira & Cia entra em concordata, em função das dívidas do açúcar e em 24 de fevereiro de 1928 entra em liquidação extinguindo-se a sociedade.

Em 2 de maio de 1929, faz-se uma nova sociedade composta pelos sócios solidários: Arthur Adolpho da Silva Schiappe e Dr. Durval Rodrigues Cruz; e dos sócios de industrias: Antônio Luiz Ribeiro, Luiz Governo de Souza e Marcelino José Alves para o comércio de álcool e aguardente, à Rua Pedro Américo 21 a 27, com o capital de 500:000$000, sob a mesma firma, Oscar Vieira & Cia.

Em 27 de junho de 1929, o DOU publica o requerimento do pedido de renovação do registro da cerveja Bier Black na Junta Comercial do Rio de Janeiro.

Em 11 de junho de 1930, são registradas por Oscar Vieira & Cia as cervejas preta: Cachopa e Garota sob os nºs 17288 e 17289 e é feito o pedido de renovação da cerveja Preta Gloria, sob o nº 17290 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.

A tragédia parece acompanhar a cervejaria, em 12 de agosto de 1931, o Jornal do Brasil noticia o falecimento de três trabalhadores na Fábrica de Cerveja Glória, na Rua Pedro Américo 27, quando faziam a calafetagem em uma dorna (tonel) de mais de dois metros de altura. Os funcionários faleceram em função dos gases emanados dos produtos que utilizavam, breu e parafina, que entraram em combustão, sem poderem sair acabaram por falecer.

Em 27 de maio de 1933, é registrada a cerveja preta Minho, sob o nº 26221 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.

Em 27 de maio de 1939, falece o sr. Antônio Luiz Ribeiro.

Por volta de 1944,isto é por cerca de 80 anos, esta fábrica ainda funcionava no mesmo endereço.

07 setembro 2013

Rosa & Gouvêa / A. Cardoso de Gouvêa & Comp. / Fábrica de Cerveja Globo / S.A. Fábrica de Bebidas Cardoso de Gouvêa


Baseado no site: Novo Milenio
Imagens dos rótulos cedidas pelo colecionador Paulo Antunes Júnior

Em 1887, Antonio Cardoso de Gouvêa, português, natural da Beira Alta, chegou ao Brasil. Trabalhou durante algum tempo como empregado em fábrica de bebidas até se estabelecer.

Em 1894, é fundada uma fábrica de licores, xaropes, cervejas, vinagres, álcool e aguardente, na Rua General Caldwel, números 106 e 108, na Côrte (atual centro do Rio de Janeiro), sob a razão social de Rosa & Gouvêa, com os seguintes sócios: Antônio Cardoso de Gouvêa, Manoel Francisco Rosa (comanditário), Antônio Joaquim Soares e Joaquim Dias de Mattos Barreto (interessados).

Em 11 de setembro de 1896, o Diário Oficial da União (DOU) publica o arquivamento, na semana de 23 a 26 de março, do contrato social entre Antônio Cardoso de Gouvea e Manoel Francisco Rosa para o comercio de fabrica de vinagre, licores, etc., nesta praça à Rua General Caldwel 106 e 108, com o capital de 30:000$000 sob a firma Rosa & Gouvea.

Em março de 1900 é realizado o contrato entre A. Cardoso de Gouvea e o sócio comanditário Manoel Francisco da Rosa para o comércio de vinagre, etc., com o capital do l00:000$000, sendo metade de cada sócio, sob a firma A. Cardoso de Gouvea & Comp.

Em 1º de abril de 1900 o DOU publica que foi arquivado, na sessão de 22 de janeiro de 1900, da junta Comercial do Rio de janeiro o distrato da firma Rosa & Gouvêa.
Em 15 de abril de 1900 é publicado o deferimento, na sessão de 12 de fevereiro de 1900 da Junta Comercial, do registro de uma nova firma com a denominação de A. Cardoso de Gouvêa & Comp., com fábrica e escritórios situados à Rua do Senado 162.

O Jornal O País publica, em 18 de março de 1900, a notícia de que A. Cardoso de Gouvea & Cia requer a transferência do copiador em branco da firma antecessora Rosa & Gouvea e em 10 de julho requer a anotação de seu endereço, junto à Junta Comercial do Rio de Janeiro.

Consta nos registros do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) que a Marca Globo foi concedida, a A. Cardoso de Gouvêa, em 1º de janeiro de 1901 e sendo seu último depósito em 22 de setembro de 1964, estando atualmente extinto o registro.

Em 1902 entrou para a casa, como empregado, o senhor Manoel José Fernandes, também português e natural do Minho. Passando a sócio em 1905.

Em 18 de janeiro de 1906, A. Cardoso de Gouvea & Comp. registra a marca Globo, como marca geral de seu estabelecimento sob o nº 4530 da Junta Comercial do Rio de janeiro.

Em 22 de fevereiro de 1906 renova o registro da marca de cerveja branca Globo sob o nº 3417 da Junta Comercial do Rio de janeiro.

Em 28 de novembro de 1907 registra a marca de cerveja Mumme sob o nº 4534 da Junta Comercial do Rio de janeiro.
Em 1908, os produtos da firma receberam grandes prêmios e medalhas de ouro na Exposição Nacional, no Rio de Janeiro, nesse ano passa a ter, também, como endereço, Rua Frei Caneca, 51 (sala de cinema).

Em 2 de agosto de 1909 registra a marca de cerveja Black Rio Branco, sob o nº6229 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.
Ainda neste ano, 1909, é corrigida a numeração dos prédios da Rua do Senado, recebendo, a fábrica, o número 230.

Em 1910, veio para o Brasil o senhor Benjamim Cardoso de Gouvêa, irmão do chefe da firma, passando a fazer parte da sociedade da casa.

Em 1911, os produtos da firma tornaram a receber um diploma de honra e medalha de prata na Exposição de Turim, na Itália.

Em 31 de janeiro de 1916 registra a marca de cerveja Venus sob o nº 11008 da Junta Comercial do Rio de janeiro.

Em 21 de junho de 1917 foi registrado na Junta comercial do Rio de Janeiro a alteração da firma para A. Cardoso de Gouvêa & Comp. Sucessores, sendo feito também, nesta data, os registros de alteração nas marcas de todos seus produtos.

Em 6 de março de 1918, o Diário Oficial da União (DOU) publica o arquivamento de seu distrato social e, na mesma data, que na Junta Comercial do Rio de janeiro, na sessão de 21 de fevereiro de 1918, foi registrado o contrato da firma A. Cardoso de Gouvea & comp., firma composta pelo sócio solidário A. Cardoso de Gouvea e do comanditário José Cardoso de Gouvea, com o capital de 200:000$000, para o comercio de vinagre, cerveja, etc. que fabricam.

Em 1922, A fábrica tem 55 operários e ocupa uma área de 2.800 metros quadrados, a sua produção anual vai a cerca de 2.000.000 de litros de licores e cerveja, 600.000 litros de álcool e 1.200.000 litros de aguardente. A cerveja, marca Globo, fabricada pela firma, goza de grande reputação em todo o país, assim como os seus outros produtos, que são vendidos em todo o Brasil.

Em 18 de agosto de 1923, é publicado no DOU a relação oficial dos expositores premiados na Exposição Internacional do Centenário da Independência e entre eles está o nome de A. Cardoso de Gouvea & Comp., tendo recebido o grande premio na classe 56 (Xaropes e licores) e medalha de ouro na classe 57 (Vinhos de cana e cervejas).

Em 5 de março de 1925, o Diário Oficial da União publica a alteração de capital de 200:000$000 para 500:000$000 e mais algumas alterações em seu contrato social, arquivado na sessão de 23 de fevereiro de 1925 da Junta Comercial do Rio de janeiro.

Em 24 de julho de 1926, o Diário Oficial da União publica que: Antônio Cardoso de Gouvêa e Amandio Silva Amado, sócios de A. Cardoso de Gouvêa & Comp., informam que retirou-se o sócio Amandio Silva Amado, tendo recebido todos seus haveres conforme distrato social registrado na junta comercial desta capital sob o nº 103412, na sessão de 19 de julho de 1926. E na mesma data informa que em sucessão à razão social de A. Cardoso de Gouvea & comp., ora dissolvida, adotou a firma A. Cardoso de Gouvea - Fábrica de Cerveja Globo que começou a vigorar em 1º de julho de 1926 e que continuará com o mesmo ramo de álcool e aguardente e fabricação de bebidas nacionais no mesmo endereço, com o capital de 500:000$000. Passaram a ter participação na firma os senhores: Joaquim Dias de Mattos Barreto, Antônio Pinto Ferreira e Álvaro Romualdo da Silva.

    
Em 23 de janeiro de 1931, é constituída a Sociedade Anônima A. Cardoso de Gouvêa, com o capital de mil e duzentos contos de réis (1.200:000$000), dividido em 1.200 ações de um conto de réis (1:000$000) da seguinte forma: A. Cardoso de Gouvêa, bens no valor de 1.000 ações; Octávio Walter, 40 ações; Alexandre Gonçalves Almeida, 40 ações; Álvaro Romualdo da Silva, 30 ações; Antônio Pinto Ferreira, 30 ações; Dª Adélia Pizzi, 20 ações, Manuel José Fernandes, 10 ações, Lucio Guedes, 10 ações, Álvaro Ferreira Moreira, 10 ações; Gil Fernandes, 4 ações; Cesar Rebello Gomes, 4 ações e Dr. Godofredo Saturnino da Silva Pinto, 2 ações.

Em 11 de junho de 1931, através do decreto 20.093 é autorizada a Sociedade Anônima Fábrica Cardoso de Gouvêa, a funcionar na República. Este decreto solicita a alteração da firma: S/A A. Cardoso de Gouvêa para S/A Fábrica de Bebidas Cardoso Gouvêa (de A. para Fábrica de Bebidas).
Na assembleia geral de 10 de outubro de 1946 foi aprovado o aumento do capital social de Cr$1.200.000,00 para Cr$2.000.0000,00

O senhor Antonio Cardoso de Gouvêa foi diretor do Gabinete Português de Leitura, comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição, de Vila Viçosa, de Portugal, sócio benemérito da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência, e fez parte de outras instituições pias.

Em 29 de abril de 1948 falece o senhor Antonio Cardoso de Gouveia.

10 agosto 2013

Cervejaria Bela Vista / Fábrica de Bebidas Centenário / Ettore Zini & Irmão


Baseado no texto: Cervejarias de Rio Preto.

Carlo Magro, natural de Veneto, Itália, chegou ao Brasil em 1888, com 15 anos de idade, indo residir na pequena cidade paulista de Jaboticabal, em São Paulo. No decorrer dos anos, trabalhou muito na lavoura, casou-se com Narciza Mendes no dia 4 de setembro de 1897, com quem teve os filhos Maria, casada com Teodoro Sanchez; Luiza, com Ettore Zini; Antônio, com Rosa Sasso; José, com Adelaide e ainda Sebastiana, Rita e Ana, solteiras.

Em 1910, Carlo vindo em carro de bois, numa precária estrada, no meio da poeira, transferiu-se com a família para Rio Preto, município que a partir de 1944 passou a ser chamado São José do Rio Preto. Resolveu montar uma fábrica de cerveja, adquirindo máquinas, outros equipamentos e também um terreno à rua do Comércio (atual Coronel Spínola de Castro), próximo da rua Tiradentes, uma quadra acima do córrego Borá, no bairro Boa Vista, instalando-a, começou a fabricar a cerveja assim como refrigerantes naturais e licores. A cervejaria recebeu o nome de Bela Vista.

Apreciador de boas bebidas (vinho e cerveja), da comida italiana, dos queijos, presuntos e salames, tornou sua Cervejaria um ponto de encontro da cidade. Nela os imigrantes italianos e seus descendentes encontravam o local ideal para cantar suas músicas, beber Chianti e discutir idéias políticas. Não encontramos a data em que encerrou suas atividades. Segundo depoimento da Dra. Doris Scodeller Sanches, esposa de um dos netos de Carlo Magro, Dr. Irineu Sanchez, filho de Luiza Magro e Teodoro Sanchez: "Ele foi um homem forte. Enérgico e de grande coração. Não enriqueceu, mas viveu bem, assim como ele mesmo quis. Seu amor e carinho pela terra sempre foram evidentes. Plantava sempre uma horta na casa em que fosse morar.

Carlo Magro viria a falecer em 30 de julho de 1955, aos 82 anos.

A partir de 1922, a Cervejaria Bela Vista, de Rio Preto - SP, passa a pertencer a Domenico Zini e seu filho Ettore, casado com Luiza Magro filha de Carlo Magro, tendo sua firma alterada para Fábrica de Bebidas Centenário. Continuam a produzir cerveja, gasosas, licores, gelo e o difundido, por toda a região, Guaraná Centenário.

Fachada do prédio da Fábrica de Bebidas Centenário de Ettore Zini & Irmão, em 1927.

Diversas etapas do engarrafamento e embalagem manual das bebidas produzidas pela Centenário.

Proprietários, familiares e funcionários da Fábrica de Bebidas Centenário comemorando a chegada dos novos equipamentos de fabricação. Ao centro, o mais idoso é Domenico Zini.

Mais tarde, a empresa passou a ser dirigida por Ettore e seu irmão.

Fachada do prédio da Fábrica de Bebidas Ettore Zini & Irmão, já sem a palavra centenário.

Posteriormente, por volta de 1945 a indústria foi vendida à família Sinibaldi, tendo seu nome alterado para Produtos Centenário de Irmãos Sinibaldi.

No jornal "O Porvir", de 3 de abril de 1910, encontramos a nota transcrita abaixo, sobre duas fábricas de cerveja da cidade: "Cerveja Estrela e Bela Vista" "São dois magros, os senhores Frederico Bocchi e Carlos Magro, ambos "florentes etate" e cervejeiros ambos; são dois magros resolvidos a cevar a humanidade à força de cevada. E cevam. A cerveja engorda. E são dois cervejeiros de escoimado alento, os dois primorosos cervejeiros. Um, do outro lado, no bairro de Santo Antonio (Boa Vista), levantou a sua bem montada fábrica.

O outro, do lado de cá, à esquerda do Borá, no âmago da cidade, em um belo prédio, com uma vasta sala onde pode a gosto ser apreciada a suculenta e apreciada bebida, em gostosos chopes tem o seu estabelecimento, e sua tenda, onde vende e fabrica o dulçuroso líquido. São duas cervejas magníficas, as do senhor Carlos Magro e Frederico Bocchi, que não é gordo. São dois cervejeiros de mão delicada ao preparo da bebida saxônia os dois moços proprietários das cervejarias desta cidade. Uma delas, a do senhor. Carlos Magro, lembra pela cor, de um belo alaranjado, a afamada Boêmia, de um sabor tão fino. A outra, a do senhor Frederico Bocchi, de cor mais clara, de gosto ameníssimo, recorda a Rio Claro, que tanto agrada, sem amargo tão pronunciado.

Prossigam os tão caprichosos fabricantes da fabricação de seu gênero de indústria com o mesmo cuidado, com o bom comando escrúpulo com que estão oferecendo ao mercado que não terão mãos a medir no seu comércio. As duas cervejas, uma delas clara, mais escura a outra, aquela de mais suave sabor, mais carregada esta, satisfazem a todos os paladares. Ambas são feitas com esmerado asseio; vem em ótimo e limpo engarrafamento. Com superior arrolhamento; rótulos atraentes; bem preparadas ambas. Farão fortunas as duas fábricas, a Bela Vista e a Estrela.

29 maio 2013

Fábrica de Cerveja da Guarda Velha / Cervejaria Guarda Velha / Centro Industrial


Para se falar na Fábrica de Cerveja Guarda Velha é necessário citar em primeiro lugar a Rua da Guarda Velha que foi quem lhe deu o nome.


A gravura, reproduzida da Ilustração Brasileira de 1878, mostra o começo da Rua da Guarda Velha (trecho absorvido pelo novo jardim do largo da Carioca), vendo-se, ao centro, o antigo edifício da Imprensa Nacional, em estilo gótico manuelino, construído quatro anos antes pelo Visconde do Rio Branco, então Ministro da Fazenda, e, no canto, à direita, parte do velho chafariz da Carioca e a escadaria para o convento e igrejas de Santo Antônio e São Francisco da Penitência. Por cima do telhado da Imprensa Nacional, vislumbra-se, ao fundo, a coberta do Teatro Lyrico, também já desaparecido.

Mas vamos ao que interessa, a inauguração do chafariz da Carioca deu novo impulso à urbanização do Rio de Janeiro, e, finalmente, durante o governo de Gomes Freire (Conde de Bobadela, 1733-63), fez-se um aterro no antigo caminho, aberto no século da colonização, à margem da lagoa de Santo Antônio, ligando a Carioca ao Largo da Mãe do Bispo (na Cinelândia), facultando a abertura de uma rua neste trajeto. O povo a chamou de Rua Bobadela, homenageando seu governador Conde de Bobadela. A rua iniciava junto ao chafariz, onde havia onde havia uma guarita com uma sentinela, no local onde esteve até recentemente o Hotel Avenida.

Atendendo aos reclamos dos frades do convento contra a algazarra produzida pelos escravos que iam ao chafariz da carioca recolher água para seus senhores, mormente em ocasiões de seca, quando os aguadeiros, disputavam a primazia em encher seus barris e potes. Gomes Freire determinou que além da obrigatoriedade de se organizar uma fila, fosse mantida a ordem, para vigiar a aplicação da regra, foi instituido um posto de guarda chamado pelo povo de Guarda Nova, em contraste com a anterior guarita da Guarda Velha, nome que com o tempo passou a ser também o da Rua Bobadela.

O apelido ficou e, apesar de ter recebido em 14 de maio de 1888 a atual denominação de Treze de Maio, em memória da data da abolição da escravatura no Brasil, ainda no começo deste século muitos não a conheciam senão por aquele nome.

A rua começou a se ligar a uma atividade artística quando, em 1854, ali se construiu o Circo Olympico, mais conhecido como Circo Guarda Velha. Construído na base do Morro de Santo Antônio, em um vasto terreno de propriedade de Bartolomeu Corrêa da Silva.

Depois de algumas dezenas de anos a construção precária do circo foi demolida para poder ser erguido o Imperial Teatro D. Pedro II. Esse teatro, durante mais de 30 anos, foi um dos centros da vida cultural e de comparecimento da sociedade elegante do Rio, foi o melhor teatro da cidade. Ficava na Rua da Guarda Velha (depois Treze de Maio) com a Rua Senador Dantas (esquina mais tarde conhecida como Tabuleiro da Baiana). O antigo Imperial Teatro Dom Pedro II foi inaugurado no dia 19 de fevereiro de 1871, em pleno Carnaval, com um grande baile de máscaras. Após a República, passou a chamar-se Teatro Lyrico. Foi demolido em abril de 1934.


Em 1864, o industrial Bartolomeu Corrêa da Silva inaugurou em frente ao Circo Olympico, uma das primeiras fábricas de cerveja do país. Por ser uma cerveja de baixa fermentação e não existir ainda a chapinha, as garrafas eram tampadas com rolhas de cortiça presas a barbantes, o povo passou a designar o produto como cerveja marca barbante.

Contíguo ao estabelecimento fabril, instalou um parque pitoresco com mesas e cadeiras, à sombra de árvores e para incrementar ainda mais o negócio, contrataram-se músicos, o que acabaria originando o Café-Concerto da Guarda Velha. Freqüentado por artistas de diversas nacionalidades, transformou-se em um dos locais mais movimentados da vida noturna do século. Aos domingos e feriados e nas tardes calmosas, o jardim enchia-se literalmente, havendo uns bailes famosos que fizeram época.

Em pouco tempo, a cervejaria ganhou fama e o carioca referindo–se ao local ou à saborosa bebida, começou a chamar-lhe Cervejaria da Guarda Velha e cerveja Guarda Velha. O fabricante cedeu à sugestão popular: rotulou seu produto com esse nome.

Este ambiente festivo que envolvia a publicidade do consumo da cerveja era entretido, com muito empenho, pela Fábrica de Cerveja da Guarda-Velha que promovia, em seus jardins, concertos musicais pela bem conhecida banda de música dos alemães. Da mesma forma que a Sociedade de Dança Recreio Guanabarense,utilizava o salão da fábrica, aos domingos, para aí realizar, ainda que chovesse, o baile de costume, prevenindo a seus associados que deveriam retirar os “seus cartões até às 7 horas da noite; as damas não têm entrada sem cartão (Jornal do Commercio)


Em 1872, a Fábrica de Cerveja Guarda Velha, passa a ter como responsável Joaquim José Rodrigues Machado.

Em 1877, neste estabelecimento encontra-se um excelente moinho de traçar cevada marca Redidier & Simonel, duas grandes caldeiras: uma de 8.000 e outra de 3.000 garrafas de capacidade, três grandes tinas de fermentação e 16 toneis na adega. Uma máquina de força de 5 cavalos completa o maquinismo de produção da cervejaria. Calcula-se que o consumo anual no espaço da cervejaria chegue a 120.000 garrafas e a venda para diversos estabelecimentos, hotéis, botequins, casas de pasto e particulares deve elevar-se a 400.000 garrafas.

Em 16 de março de 1884, a Gazeta de Noticias publica a notícia que na semana de 8 a 24 de março foi arquivado na Junta Comercial da Côrte o contrato entre Joaquim José Rodrigues Machado e Emilio Gabel para o negócio de fábrica de cerveja à Rua da Guarda Velha nº 12, sob a firma Machado & Gabel. Em 9 de julho de 1884, falece Joaquim José Rodrigues Machado vitimado por um lamentável acidente na construção de um novo salão de baile na Fábrica de cerveja Guarda Velha.

Poucos meses depois, no dia 24 de dezembro, falece Emilio Gabel e logo sua esposa assume a sua posição na direção da Fábrica de Cerveja Guarda Velha.


Ainda em 1885, quando foi aberta a Rua Senador Dantas, ela desembocou justamente onde corria o gradil e se abria o portão da Cervejaria da Guarda Velha. Mudou-se, então, a fábrica para o prédio n.º 52 do novo logradouro e o parque para o lado oposto, no n.º 57, ocupando um terreno de 53 metros de frente por 28 de fundos, no sopé do morro de Santo Antônio. Entrava-se no parque, todo plantado de amendoeiras e palmeiras, por um airoso portão de ferro. No interior, havia um chalé e, em torno, cerca de 200 mesinhas de ferro, pintadas de verde e caramanchões. A música fazia se ouvir em dobrados, valsas, polcas e maxixes e a alegria mais comunicativa se derramava pela multidão em fervente garrulice. Este segundo jardim da Guarda Velha veio até aos nossos dias.

Em 5 de julho de 1889, o jornal Gazeta de Noticias publica o arquivamento na Junta Comercial do Rio de Janeiro do contrato comercial entre Anna Gabel e Theodulo Pupo de Moraes para o fabrico de cerveja e comercio de botequim à Rua Senador Dantas nº 52, com o capital de 150:000$000 sob a firma Viuva Gabel & Cia.

A cervejaria produzia as cervejas: Dupla, Simples e Especial e foi premiada com a Medalha de ouro Na Exposição Universal de Paris de 1889.

Em 26 de dezembro de 1891, a filha da Viúva Gabel se casa com Joaquim Alfredo da Cunha Lages, um pernambucano nascido em 6 de junho de 1864 que veio para o Rio de Janeiro em 1885, tendo se empregado na fábrica de cerveja em 1886.

Em 1898 são admitidos na firma Viuva Gabel & Cia, como sócios o genro Joaquim Alfredo da Cunha Lages e o filho Gustavo Gabel.

Em 2 de janeiro de 1900 é feito o registro da cerveja Guiné, sob o nº 2.834 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.

Em 22 de fevereiro de 1901, falece a viúva Anna Gabel em sua residência à Rua Senador Dantas 52A.

Em 26 de novembro, desse mesmo ano, com a saída do sócio Theodulo Pupo de Moraes é extinta a firma Viúva Gabel & Cia. e os filhos herdeiros, Gustavo, Pedro e Olga e o antigo sócio Joaquim Alfredo da Cunha Lages fundam a firma Lages, Gabel & Cia - Cervejaria Guarda Velha.


Em 19 de outubro de 1906, o jornal Gazeta de Noticias, publica o requerimento feito em 11 de outubro, junto à Junta Comercial do Rio de Janeiro por Manuel Alves da Nóbrega & Cia, para ser anotada sua firma nos registros das marcas: D. Carlos e Lages, registradas sob os números 3.376 e 3.357, respectivamente, por compra da fábrica da finada Anna Gabel.

Em 27 de fevereiro de 1907, Manoel da Nóbrega & Cia., requer o alvará de licença para funcionar como fábrica de cerveja e fábrica de cigarros, marca Bufalo, mudando o nome fantasia para Centro Industrial - Antiga Guarda Velha.


Em 10 de abril de 1907 foi registrado sob o nº 5.094 da Junta Comercial do Rio de Janeiro, a cerveja Extra-stout Fortificante, marca Urso, antiga Cerveja estomacal Guarda Velha por Manoel da Nóbrega & Cia.

Em 18 de agosto de 1909, é registrada por Manoel da Nóbrega & Cia., na Junta Comercial do Rio de Janeiro, a Cerveja Democrata.

Em 6 de dezembro de 1909, Manoel da Nóbrega & Cia registra as cervejas Ruy Barbosa e Marechal Hermes sob os números 6.467 e 6.468 da Junta Comercial do Rio de Janeiro, respectivamente.

Em 3 de outubro de 1911, é concedida licença à Manoel de Nóbrega para a compra do terreno onde se acham edificados os prédios 52 e 52A da Rua Senador Dantas, pertencentes aos herdeiros de Emilio e Anna Gabel.

Em 1912 deixa de fabricar cerveja e passa a fabricar somente cigarros, O Lyceu Literário Portuguez é instalado no prédio.

17 de agosto de 1913, anuncia no jornal a venda do maquinário para fabricação de cerveja.


Em 23 de maio de 1914 o Jornal do Brasil publica o contrato entre Manuel Duran, Raphael Salgado e Generoso Garrido Alves para o comércio de cerveja à Rua Visconde do Rio Branco nº 49, com o capital de 43:000$000 (Quarenta e três contos de Réis), sob a firma Duran, Salgado & Garrido.

Em 27 de setembro de 1915 é arquivado na Junta Comercial do Rio de Janeiro, o contrato entre Raphael Salgado e Generoso Garrido Alvarez para o comércio de cerveja à Rua Visconde do Rio Branco nº49, com o capital de 30:000&000 (Trinta contos de Réis), sob a firma Salgado & Garrido.

Em 10 de novembro de 1915, a firma Salgado & Garrido, registra a Fábrica de Cerveja Guarda Velha, e sob o nº 10.709 da Junta Comercial do Rio de Janeiro registra a Cerveja Guarda Velha.

Em 1924, Generoso Garrido Alvarez assume individualmente a Cervejaria Guarda Velha, mudando de endereço para a Rua do Riachuelo nº 13.



Em 27 de outubro de 1928, a Cervejaria Guarda Velha, de Generoso Garrido Alvarez, registra o engarrafamento de Vinho do Rio Grande, marca Saccadura, sob o nº 12.556.

Em 3 de setembro de 1929, o Juiz da 3ª Vara Cível defere o pedido, feito em 29 de agosto, de concordata preventiva de Generoso Garrido Alvarez.

Em 12 de dezembro de 1934, O Juiz da 4ª Vara Cível decreta a falência de Generoso Garrido Alvarez - Fábrica de Cerveja Guarda Velha. Encerrando assim, cerca de 70 anos de utilização da marca Guarda Velha.

08 março 2013

Reichert Irmãos / Cervejaria Germania / Companhia Industrial Germania / Emilio Reichert & Cia / Companhia Progresso Nacional


Emilio Reichert, nascido em 1871, em Wurtemberg na Alemanha, chegou ao Brasil em 1889, em companhia do seu irmão Adolph. Pouco tempo depois, iniciaram os dois irmãos os seus negócios e gradualmente, pelos seus esforços, conseguiram dar-lhes um grande impulso. Mais tarde, juntou-se à firma o terceiro irmão, João.

A empresa fundada em 1889 pelos irmãos Reichert começou por negociar em pequena escala, como importadora, e supria então cervejarias de pouca importância que naquela época eram em número nada inferior a 29 só na Capital. Mais tarde, por volta de 1902, iniciaram a fabricação de licores, sabão, biscoitos e bombons, produtos com os quais foram premiados em diversas exposições, inclusive recebeu o grande premio na Exposição de São Luiz.

Em 21 de maio de 1907 foi feito um contrato de sociedade entre Emilio Reichert, Leonora Reichert e Guilherme Reichert para a exploração de indústria, fábrica de cerveja denominada Germânia, bem como fábrica de sabão, importação e fabricação de todos os artigos que convenham, com o capital de 300:000$000 (trezentos contos de réis), nesta capital de São Paulo, sob a firma Reichert Irmãos.
Ainda em 1907, num terreno de 6.000 metros quadrados de propriedade da firma, resolveram os irmãos Reichert, edificar um prédio para instalação da fábrica de cerveja, à Rua dos Italianos, 22 a 28, Freguesia de Santa Ephigenia. O maquinismo, todo ele moderno e aperfeiçoado, é acionado por dois motores a vapor alemães, cada um da força de 80 cavalos. Além disto, trabalham na fábrica 3 motores elétricos, da força total de 25 cavalos.

Em 21 de março de 1907 é publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo os registros na Junta Comercial, na sessão de 15 de março de 1907, das marcas: cerveja Amor e Cerveja Tira Prosa, sob os nº 842 e 843, respectivamente.

Em 5 de dezembro de 1907 é publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo o registro da marca cerveja Americana sob o nº 943, requerido em 8 de novembro na Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 1º de maio de 1908, a fábrica de cerveja foi transformada numa sociedade anônima, sob a denominação de Companhia Industrial Germania, com o capital de Hum mil contos de réis (1.000:000$000), sendo cada ação no valor nominal de duzentos mil réis (200$000). E para organização da qual entram: Emilio Reichert e sua mulher Frieda Reichert, com 2.890 ações; Henrique Reichert e sua mulher Gretel Reichert, com 1.110 ações; Leonor Reichert, com 250 ações; Clotilde Sperling, com 200 ações; Carlos José Sperling, com 100 ações; Carlos João Blank, com 300 ações; Adam Engel e sua mulher Marie Engel, com 125 ações; Luiz Reizig e sua mulher Helena Reizig, com 25 ações.

Achando-se o valor de todas essas ações representado nas partes e direitos, na qual cada um dos acionistas mantem quinhão do valor idêntico ao que cada um tem no estabelecimento industrial de Reichert Irmãos, compreendendo a fábrica de Cerveja Germania, bem como de gelo, gazosas, licores, aguas minerais, acido carbônico, fermento e fábrica de biscoitos, doces e caramelos, instaladas nos prédios da Rua dos Italianos nº. 22, 24, 26 e 28, freguezia de Santa Ephigenia, desta capital, e uma fabrica de sabão instalada em um terreno sito á Rua Varzea dos Sales, freguezia de Santa Cecilia, desta capital e um terreno sito á Rua Itaboca, freguezia de Santa Ephigenia, desta capital, sob n. 13, contendo duas casas de moradia, um grande armazém para deposito, uma cocheira para 42 animais e deposito de ferragens.

As ações do outorgante Emilio Reichert e sua mulher D. Frieda Reichert são representadas pela quantia de 480:800$000 em bens móveis, imóveis e mercadorias, e 169:200$000, que realizaram em dinheiro. A companhia ora em organização assume toda a responsabilidade do activo e passivo da firma Reichert Irmãos.

Em 4 de junho de 1908 o Decreto nº 6975, concede autorização à Companhia Industrial Germania para funcionar na República. Os irmãos Reichert abandonam o fabrico de sabão, biscoitos e bombons e dedicam-se exclusivamente à fabricação de cerveja, licores, águas minerais, gasosas e gelo. A cervejaria produz diariamente 12.000 litros de cerveja, mas pode fornecer, se fôr necessário, até 36.000, além de 400 dúzias de gasosas, 100 dúzias de sifões, 400 litros de 30 qualidades diferentes de licores, como sejam Benedictine, Cognac, Peppermint etc., e 15 toneladas de gelo. A fábrica emprega 140 operários e dispõe de 4 poços artesianos e 40 carros para entrega dos seus produtos. Em outra parte da cidade tem os seus depósitos, onde também se encontram as cocheiras e telheiros para os carros.

Em 7 de maio de 1909 é publicado no Diário Oficial o registro da marca Cerveja Victoria sob o nº 1061, requerido em 29 de setembro na Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 27 de janeiro de 1909, é publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo o registro na Junta Comercial, na sessão de 29 de dezembro de 1908, a marca cerveja Germania Crystal, sob os nº 1085.

Em 23 de dezembro de 1909 é publicado, a pedido, o certificado de propriedade, em nome de Reichert Irmãos, da marca Vienneza registrada na Junta Comercial sob o nº 1149.

Desde meados de 1910 o Sr. Emilio Reichert se tornou o único proprietário, sob a firma Emilio Reichert & Cia.

Em 27 de novembro de 1910 é publicado, a pedido, o certificado de propriedade, em nome de Emilio Reichert & Cia, da marca Ideal registrada na Junta Comercial sob o nº 1353.

Em 3 de janeiro de 1912 é registrada a marca Cerveja Tripoli.
Em 16 de dezembro de 1914 é registrada a marca Cerveja Castaglia.

Em 30 de dezembro de 1914 é registrada a marca Cerveja Portugueza.

Em 26 de fevereiro de 1916 são registradas as marcas Cerveja Popular, Vienneza, Preta e Pilsen sob os nº 2737, 2738, 2740 e 2741, respectivamente, na Junta Comercial do Estado de São Paulo. Ainda nessa data sob o nº 2742 é registrada a marca Cervejaria Germania.

Em 28 de novembro de 1916 é publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo o registro da marca Cerveja Alpino sob o nº 2911 da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 9 de julho de 1917, Emilio Reichert e sua mulher Frieda Reichert, Emilio Reichert Junior, Arthur Ernesto Kausches e sua mulher Bertha Eiechstadt Kausches, Pedro de Souza Junior, Gustavo Will e sua mulher Rosaria Contasani Will, Henrique Schlenz e sua mulher Francisca Schlenz, Dr. Sylvio de Campos e sua mulher Maria Suzana Dias de Toledo campos, Augusto Frederico Fiedler e sua mulher Mathilde Fiedler resolveram de comum acordo formar uma sociedade para a exploração comercial e industrial da firma Emilio Reichert, com o fim de explorar e desenvolver a fabrica de cerveja, gelo, águas minerais e outras bebidas com ou sem álcool, que era mantida por aquela firma, e bem assim as industrias congêneres que se transforma em sociedade anônima e que terá a denominação Companhia progresso Nacional em sucessão a esta e assumindo o seu ativo e passivo. O capital inicial é de mil e quinhentos contos de réis (1.500:000$000), dividido em sete mil e quinhentas ações no valor de duzentos mil réis (200$000), cada, pela forma seguinte: Emilio Reichert - mil duzentos e cinqüenta contos de réis (1.250:000$000), Frieda Reichert – duzentos e trinta contos de réis (230:000$000),, Emilio Reichert Junior – cinco contos de réis (5:000$000), Arthur Ernesto Kausches – dois contos de réis (2:000$000), Pedro de Souza Junior - dois contos de réis (2:000$000), Gustavo Will - dois contos de réis (2:000$000), Henrique Schlenz - dois contos de réis (2:000$000), Dr. Sylvio de Campos - cinco contos de réis (5:000$000) e Augusto Frederico Fiedler - dois contos de réis (2:000$000).

Em 15 de setembro de 1917 é feito o requerimento junto a Junta Comercial do Estado de São Paulo para alteração do registro das marcas de cerveja: Munchen, Victória, Vienneza, Alpino, Hespanhola e Preta, todas já registradas anteriormente pela antecessora.

  
  
  
  
  


Em 2 de setembro de 1918 o jornal Correio Paulistano anuncia o lançamento da Cerveja Palestra.

Em 9 de outubro de 1918 o jornal Correio Paulistano anuncia o lançamento da Cerveja Popular.

Em 17 de outubro de 1929 o jornal Diário Nacional anuncia o lançamento da Cerveja Progresso.

Em 2 de agosto de 1934 os jornais Correio Paulistano e Correio de São Paulo anunciam o lançamento da Cerveja Caramuru (acondicionada em garrafinhas de 250 ml).

Em 30 de junho de 1940 o jornal Correio Paulistano anuncia o lançamento da Cerveja Malzbier.

Em 22 de agosto de 1941 o jornal Correio Paulistano anuncia o lançamento da Cerveja Monopol.

18 janeiro 2013

Cervejaria Astra



José Dias de Macêdo, nasceu no dia 08 de agosto de 1919, na cidade de Camocim - CE. Casado com Maria Proença de Macêdo.

Iniciou suas atividades empresariais, em Fortaleza - CE, a partir de um pequeno escritório de representações junto com seu cunhado. Uma sociedade comercial em nome coletivo e em forma solidária, que entre si fazem Carlindo Cruz e José Dias de Macêdo, a qual seria regida sob a razão social Carlindo Cruz & Cia. conforme o registro de número 4538 da Junta Comercial do Estado do Ceará, em 24 de maio de 1940. O início da empresa está associado à participação do Sr. José Dias de Macêdo em uma representação comercial, a qual representava produtos de todo o Brasil: manteiga das Minas Gerais, vinho gaúcho, madeira paranaense, vidro pernambucano, café capixaba, cortiça carioca, arroz do Maranhão e saco de juta da Amazônia. Em 1945, formou-se economista pela faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Ceará, nesse mesmo ano, a sociedade com seu cunhado foi dissolvida e a partir de 11 de outubro a razão social passou a ser J. Macêdo & Cia.

O grande salto da então J. Macêdo & Cia se deu em 1948, com a representação exclusiva, no Ceará, do Jeep da Willys-Overland.

Em 30 de maio de 1952 é modificada a razão social para J. Macêdo S.A. Comércio, Indústria e Agricultura.

A experiência da importação e comercialização do Jeep contribuiu para a empresa conseguir uma licença para a importação de 80 mil sacas de farinha de trigo dos Estados Unidos, em 1952, marco inicial da sua atuação na área de alimentos derivados de trigo.

Em 1955 iniciou um importante processo de diversificação de atividades, passando a atuar em três divisões: alimentos, bebidas e veículos. O resultado positivo na comercialização da farinha de trigo importada e o grande interesse dos fundadores em entrar na atividade industrial levaram a J. Macêdo S.A a construir seu primeiro moinho, o Moinho de Trigo Fortaleza, o qual entrou em funcionamento em setembro de 1955.

A diversificação do grupo teve inicio em 1959, com a criação do Frigorífico Industrial de Fortaleza - Frifort, destinado ao abate de bovinos e comercialização de carnes. Em 1962, foi construído a Construções Eletromecânicas - Cemec, para a produção de transformadores elétricos. A Hidracor, por seu turno, foi inaugurada em 1963, para a produção e comercialização de tintas hidrossolúveis.

Em 1965 foi lançada a pedra fundamental do prédio que abrigaria a Cervejaria Astra, localizado na Rua Lauro Nogueira, 1355, bairro Papicu em Fortaleza, CE. O prédio foi construído pelo engenheiro cearense, Luiz Gonzaga de Carmo Paula, formado pela Universidade Mackenzie, de São Paulo.

Em 26 de agosto de 1967 é novamente alterada a razão social para Indústria e Comércio J. Macêdo S.A. – ICOMASA. E exatamente um ano após, 26 de agosto de 1968, retorna à denominação anterior: J. Macêdo S.A. Comércio, Indústria e Agricultura.

Em 8 de outubro de 1969, ocorre nova mudança nas atividades, com a criação de uma empresa holding, adequando-se à razão social que passa a ser J. Macêdo S.A. Comércio, Administração e Participações.

Dando continuidade ao processo de diversificação, em 1970 o grupo inaugura a Cervejaria Astra e faz o lançamento da cerveja Astra Pilsen, “Astra, cerveja do Ceará!” com festa no Clube Náutico Atlético Cearense, em Fortaleza.

Além de produzir a Astra Pilsen produz também a Astra Malzbier, as duas versões em dois tamanhos, garrafas de 600 e de 300 ml e também uma cerveja tipo exportação, a Astra Export.

   

   

Logo depois, em 1971 compra o controle acionário da Cervejaria Miranda Corrêa, em Manaus e, em seguida se associa à Brahma que através da aquisição de 26% das ações da Cervejaria Astra passa a controlar as duas cervejarias: Astra, de Fortaleza - CE e Miranda Correa de Manaus – AM, passando a ter uma forte liderança para a fabricação e distribuição de seus produtos no Norte e Nordeste do Brasil.

Em 1999, passou a pertencer a Ambev, empresa criada com a fusão das empresas Antarctica e Brahma, e após o fechamento toda a produção foi transferida para sua nova fábrica em Aquiraz – CE. Em 2010 a antiga fábrica da Brahma foi ao chão. A implosão ocorreu sem problemas, para implodir o prédio, foram necessários 250 kg de dinamite. A implosão durou 10 segundos. A população pôde assistir a implosão, de longe, cujo impacto pôde ser sentido bem longe dali.

O terreno foi vendido para João Carlos Paes Mendonça, que virou a sigla JCPM, controlador de um conglomerado de empresas, entre as quais a TV, a Rádio e o Jornal do Comercio de Recife, além de 11 shopping centers espalhados por grandes cidades do Nordeste, no local será instalado o Shopping Riomar Fortaleza que será construído nos 220 mil metros quadrados do antigo terreno da cervejaria Astra.