29 junho 2012

Fábrica de cerveja de Gustav Jahn & Cia / Cervejaria Gustavo Jahn & Cia Ltda.



Texto: baseado em notícias do Jornal Correio do Munícipio de Montenegro - RS


Em 1878 chega ao Brasil o alemão, nascido na cidade de Dassau, Gustav (Gustavo) Jahn, filho de Heinrich Rudolph Jahn e Wilhelmine Jahn-Belger e se estabelece na Vila de São João do Montenegro - RS (atual Montenegro).

Ele, juntamente com Ernesto Jansen, havia sido contratado para trabalhar como tecelão na indústria de Felipe Keller, por volta de 1870. Eles trabalharam naquela fábrica até o seu fechamento.

Em 1886 casou com a filha do seu patrão chamada Guilhermina Keller, este casamento gerou quatro filhos: Carlos Gustavo, Ricardo, Willy e Luiza e permaneceu em Montenegro trabalhando como professor.

Gustavo Jahn foi um dos maiores empresários montenegrinos. Além disso, era um grande músico. Foi regente de coral, maestro de orquestra e presidente da Sociedade Germânia (que depois se tornou o Clube Riograndense). Transmitiu aos filhos o gosto pela música. Sua esposa, Guilhermina, foi uma das principais responsáveis pela construção do Hospital Montenegro, com o apoio da comunidade evangélica luterana, à qual pertencia, e de toda a comunidade montenegrina.


Por volta de 1892, fundou uma fábrica de cerveja em pequena escala, na rua Buarque de Macedo, na saída da vila de Montenegro que devido a sua tenaz perseverança e concentração no trabalho, progrediu muito.

Em 1896, ele construiu o prédio na rua Capitão Cruz esquina da rua São João. Prédio grandioso, para a época. Em 1898 a fábrica começou a funcionar no novo prédio. Em 1902, a empresa empregava três operários e produzia de quatro a cinco mil garrafas por mês. Jahn produzia a cerveja pelo método da alta fermentação. A empresa também produzia gasosa e água mineral. A cevada e lúpulo, principais matérias primas da cerveja, eram importadas da Europa. Em 1909, Gustavo Jahn ampliou e modernizou a sua fábrica para produzir cerveja de baixa fermentação. Produto de maior qualidade. Para isso, mandou seu filho Ricardo para a Alemanha, estudar a técnica de produção dessa cerveja mais sofisticada. Em 27 de outubro de 1910, o Jornal Correio do Município, de Montenegro, noticia que o senhor Gustavo Jahn comprou a fábrica de cerveja de José Mario Christofari, localizada nos subúrbios desta vila.

Em 29 de outubro de 1911, Gustavo Jahn regressa da Alemanha para onde havia ido no início do mês para conhecer e comprar novas máquinas para sua cervejaria.

Em 11 de fevereiro de 1912, retorna da Alemanha o filho Ricardo Jahn que partiu em março de 1910 para fazer o curso de cervejaria. Nesta mesma data o Jornal Correio do Município publica: “...Já estão chegando da Alemanha as novas machinas para a cervejaria do Senhor Jahn que pretende fazer funcional-as em novembro do corrente anno...”

Em 6 de junho de 1912, o Jornal Correio do Município publica: “... O edifício que o Sr. Gustavo Jahn está construindo para funcionamento de sua nova fábrica, já recebeu a cumieira...”.

Em 28 de junho de 1912, foi concluída a construção da chaminé da fábrica, que passou a ser um marco de Montenegro


Em 17 de outubro de 1912 iniciou a fabricação de cerveja pelo sistema de baixa fermentação na nova fábrica da rua Buarque de Macedo (atual Pizzaria Casarão). Essa nova fábrica que deverá ser inaugurada em fins de novembro ou princípio de dezembro, teve aumentado o edifício de sua antiga fábrica onde adaptou-o com mecanismos e utensílios importados da Alemanha e que mais ou menos são os seguintes: filtro, maquina para engarrafamento, lavadeiras de garrafas, 3 tinas para fermentação, tendo cada uma a capacidade de 6000 garrafas, 12 tanques para depositar cerveja também com capacidade de 6000 garrafas cada um, resfriador, aquentador, misturador de cevada, etc.
O motor tem a força de 60 cavalos e o compressor de 36, tendo a caldeira 72 metros quadrados de superfície de calor.
A água para a fabricação de cerveja e gelo é tirada do rio Cahy que fica distante da fábrica 1200 metros. A bomba, que é movida a eletricidade fornece 20 metros cúbicos de água por hora.
São bem espaçosos os dois porões frigoríficos próprios para a fermentação e depósito da cerveja.
O fabrico da cerveja deverá atingir 5000 garrafas diárias e a importância despendida com a montagem da fábrica e o aumento do prédio eleva-se a 200 contos de réis.

A nova cerveja tinha a marca União, classificada como Münchner Brauart (tipo de Munique).


Pelo decreto estadual n° 2026, de 14-10-1913. o Distrito de São João do Monte Negro foi Elevado à condição de cidade com a denominação de São João de Montenegro e pelo decreto estadual n° 1, de 20-01-1916, o município São João de Montenegro passou a denominar-se simplesmente Montenegro.





Depois passou a produzir a cerveja da marca Primor, classificada como Pilsener Brauart (tipo pilsen), que tornou-se a mais vendida e conquistou mercado no estado inteiro. Outra marca bem aceita foi a cerveja preta chamada Montenegrina, própria para ser bebida no inverno.

A fábrica trabalhava com 20 funcionários. A alta qualidade dos produtos garantiu à cervejaria Jahn a medalha de ouro na Exposição Estadual de 1916.

Em 19 de outubro de 1917, Gustavo Jahn veio a falecer e seus filhos: Carlos Gustavo e Ricardo, continuaram a administrar a fábrica.

Em 1924 a produção anual da empresa chegava a um milhão de garrafas.

Em 1935, na exposição comemorativa à Revolução Farroupilha, os produtos da Jahn concorreram com as maiores cervejarias do estado e venceram a competição recebendo a medalha de ouro.

A Cervejaria Jahn estava no auge quando, em fins de 1939, aconteceu uma verdadeira desgraça: a Segunda Guerra Mundial. No ano seguinte começou a faltar a matéria prima importada para a produção das cervejas e a empresa encerrou suas atividades.

27 junho 2012

Antarctica Paulista / Fábrica de Gelo e Cervejaria - Antarctica Paulista / Companhia Antarctica Paulista S.A. (até 1920)


Baseado nas publicações:
Textos: Coleção de Leis do Brasil - 1891 / Os Primórdios da Cerveja no Brasil (Sérgio de Paula Santos) / Jornal Correio Paulistano.
Imagens: Jornal A Provincia (Atual O Estado de São Paulo) / Luigi Musso.


O cervejeiro alemão Louis Bücher, pertencente a uma família de cervejeiros de Wiesbaden, na Alemanha, que havia chegado em São Paulo em 1868 e que desde 1870 era sócio da pequena Fábrica de Cerveja Gambrinus, cuja firma era Philipps & Buecher, estabelecida na Rua 25 de março nº2, na qual empregava arroz, milho e outros cereais em vez de cevada.
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Essa sociedade foi encerrada em 1º de novembro de 1871, Ficando Luiz Bücher responsável pela firma e fabricando diversos tipos de bebidas.
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No ano de 1875, Louis Bücher ainda estava estabelecido na Rua 25 de março nº2, conforme comprova o anúncio deste marceneiro.
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Joaquim de Salles fez seu curso de engenharia no Instituto Polytechnico de Reusselaer, em Troy Est. de Nova York; formou-se em 1879 e voltou a S. Paulo onde trabalhou no prolongamento da Mogyana, e em 1881 na construção da estrada de ferro da Companhia Rio Claro onde foi chefe da 2.° secção.

Mais tarde dedicou-se à industria, fundando no final de 1885 juntamente com outros sócios (Luiz Campos Salles, José A. Cerqueira, Luiz de Toledo Pizza, Antonio Penteado e José Penteado Nogueira), no bairro da Água Branca, na cidade de São Paulo, o importante estabelecimento industrial Antarctica Paulista, para fabricação de gelo, banha, preparação de presuntos, conservação de carnes e todos os produtos de gado suíno, tendo começado a produzir em 10 de outubro de 1886.

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O estabelecimento é bem situado na proximidade da estação e junto a duas estradas de ferro, Ingleza e Sorocabana. O edifício da fábrica é representado por vários corpos ligados entre si. Um de dois andares de 39 x 14 metros para matança dos porcos, separação de carnes e toucinho e 1700 metros de camaras frigoríficas distribuidas em 5 divisões, nesse mesmo corpo se acha o salão para o fabrico de latas e salsicharia. Um outro corpo, casa de dois andares, com 8 x 6 contem as caldeiras de refinação de banha. No torreão faz-se a fumegação dos presuntos, podendo preparar cerca de 3000. Em um lance da casa terrea com a extensão de 14 x 9 metros se acham os maquinismos para fabricação de gelo podendo fabricar 10 toneladas diariamente. Há escritórios e moradias de empregados, casa esparsas para operários e as casas do Sr. Joaquim Salles (gerente) e luiz Pizza (outro gerente) e mais caldeiras e máquinas.

Em 27 de outubro de 1887, o jornal Correio Paulistano publica que a sociedade comercial estabelecida nesta cidade sob a firma Joaquim Salles & Cia elevou seu capital de Rs 150:000$000 para Rs 300:000$000 e admitiu como seus sócios solidários, o Barão de Romeiro, José de Campos Salles, Dr. Thomaz Augusto de Mello Alves, Angelina de Moraes Salles, José de Moraes Salles, Reginaldo de Moraes Salles, Eduardo Teixeira e o Dr. Domingos Correa de Moraes.

Os cálculos falharam, pois logo após a instalação da grande fábrica, a matéria prima começou a escassear, devido ao avassalamento da lavoura de café que se espalhava por todo o interior. A cultura do café extinguindo a fonte de produção de porcos desfechou um golpe mortal sobre a nova indústria nascente. As custosas e magníficas instalações, não tinham mais razão de ser; não restava à utilíssima empresa, outro recurso senão fechar as suas portas.

A fabricação de gelo ficou com sua enorme capacidade ociosa e isso despertou o interesse do cervejeiro alemão Louis Bücher e por volta de 1888, Louis Bücher acabou por se associar à Antarctica Paulista de Joaquim Salles. Essa sociedade alterou sua razão social para “Antarctica Paulista – Fábrica de Gelo e Cervejaria” e foi a primeira fábrica de cerveja com tecnologia apropriada para a produção de cerveja de baixa fermentação. A fabricação de cerveja começou apenas em 1889, após a instalação dos maquinismos e da chegada de mestres cervejeiros alemães, apesar de ter uma capacidade de produção de 6 mil litros diários a produção inicial foi de 1000 a 1500 litros diários. Seu primeiro logotipo eram dois ursos sobre um campo de gelo. Inicialmente a empresa não tinha um foco muito claro de negócios, atuando na fabricação de cerveja e refrigerantes, assim como continuava na fabricação de banhas e presuntos, fábrica de gelo e manutenção de câmaras frias para estocagem de alimento.

Neste e nos anos seguintes, foram publicados na imprensa vários anúncios da Fábrica de gelo e cervejaria Antártica Paulista, no jornal "A Província de São Paulo", atual jornal O Estado de São Paulo. Tal como o de 6 de setembro de 1888 inormando a mudança do depósito da Antarctica para o Largo da Sé, onde poderá ser procurado gelo.
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Sob a perspectiva do contexto histórico, o Brasil passou da fase colonial para a República, em 1889. Nesta época o Brasil efetivamente iniciava seu processo de industrialização. O decreto n. 164 de 17 de janeiro de 1890 regulamentou e deu novas liberdades à existência das Sociedades Anônimas. Nesse ano a Antarctica aumentou seu quadro de funcionários para 200 e também a sua capacidade de produção, já alcançava 4 milhões de litros produzidos. E foi esse desenvolvimento que a levou a se tornar uma sociedade anônima.

Em 9 de fevereiro de 1891 foi oficialmente fundada a "Companhia Antarctica Paulista" como sociedade anônima, com 61 acionistas, sendo seus principais acionistas: João Carlos Antonio Zerrener, Adam Ditrik Von Bullow, Antonio Campos Sales, Antonio de Toledo Lara, Augusto Rocha Miranda, Teodoro Sampaio e Asdrubal do Nascimento.

A primeira diretoria foi composta pelos acionistas: Dr. Augusto da Rocha Miranda, presidente; Dr. Fabio Ramos, secretario; Asdrubal Augusto do Nascimento, gerente. O conselho fiscal; que terá de servir no primeiro ano, se comporá dos seguintes acionistas: João Carlos Antonio Zerrenner, Dr. Paulo Ferreira Alves, Dr. Augusto de Siqueira Cardoso. O prazo de duração da companhia será de 30 anos, a contar da data da instalação. O capital da companhia será de tres mil contos de réis (3.000:000$000), dividido em quinze mil ações de duzentos mil réis (200$000) cada uma. A companhia terá por fins: Explorar a fabrica da cerveja Antarctica Paulista e desenvolve-la no sentido de alargar a produção, de acordo com a procura e aceitação desse produto; Fabricar o ácido carbonico líquido, com aplicação à cerveja e outras bebidas espumantes; Fabricar o malte (cevada germinada), pelo sistema mais aperfeiçoado; Promover a cultura de cevada e aplicar os residuos da mesma à engorda e criação de porcos; Adquirir a grande chacara onde se acha estabelecido atualmente o Club Germania, em frente ao Mercadinho, à rua de S. João, e estabelecer ali: a máquina de gelo destinada ao engarrafamento e produção de gelo para o abastecimento da cidade, manutenção de camaras frias para a conservação, mediante armazenagem, de gêneros de fácil deterioração como frutas, legumes, leite, peixe, etc., depósito de matéria prima e dos produtos das fábricas da companhia, no espaço ocupado atualmente pelo gradil, na Rua de São João, pequenos chalés, confortáveis e higiênicos, anexos às camaras frias, para a venda do leite, peixe, frutas, caça, etc., grande salão e jardim de recreio para a venda de chops; Fundar na Agua Branca uma usina de distilação, retificação de álcool e outras manipulações; Montar na localidade do Estado, atualmente servida por estrada de ferro (Botucatú, Itapetininga ou Jahú), que for julgada mais conveniente, uma fábrica de banhas, presuntos, salames, carnes ensacadas, etc., aproveitando para isso todos os aparelhos da antiga fábrica daqueles produtos, pertencentes à Antarctica Paulista, os quais se acham desmontados e em perfeito estado de conservação, para esse fim a companhia adquirirá terrenos apropriados para a criação e engorda de porcos e que disponham de queda de água para a instalação da fábrica; Edificar por conta propria ou dividir em lotes e vender os terrenos de sua propriedade, anexos à fábrica e os da Chácara Germania, desnecessarios ás necessidades da companhia; Montar oportunamente no norte da República (Bahia ou Pernambuco) uma fábrica de cerveja modelada pela Antarctica Paulista, estabelecendo ali uma delegação da diretoria; Promover e realizar, por conta própria ou de terceiros, empreendimentos que entendam com o progresso industrial e agrícola.

O decreto nº 217 de 2 de maio de 1891 firmado pelo presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca autorizou a Companhia Antarctica Paulista a funcionar com os estatutos apresentados dentro da legislação vigente na época.

Entre os acionistas estavam João Carlos Antonio Zerrenner, alemão e Adam Ditrik Von Bülow, dinamarquês, ambos naturalizados brasileiros e proprietários da empresa Zerrenner, Bülow e Cia. exportadora e corretora de café. Eles desempenharam um papel fundamental na modernização da empresa. Importaram equipamentos da Alemanha para modernizar a produção de cerveja e os financiaram para a Antarctica e alem disso, colocaram a disposição da nova sociedade 860 contos de réis de seu próprio capital. A primeira crise, no entanto, aconteceria apenas dois anos depois, em 1893, quando a oscilação do mercado cambial, desvalorização da moeda e a necessidade de importação de matéria-prima trouxeram sérios problemas para manter o ritmo da produção e a Antarctica esteve por decretar a falência. Através da assembléia de 1º de janeiro de 1893 foram votados o novo estatuto, a redução do capital para Rs 1.710:000$000 distribuidos em 17.100 ações de Rs 100$000 cada, das quais 8600 serão entregues a Zerrener, Bullow & Cia. em pagamento da dívida que a companhia tem com esta firma, tornando-se desta forma acionistas majoritários passando a ter o controle de mais de 50% do capital da companhia, encabeçando a lista de acionistas pelo resto da vida.

Em janeiro de 1895, a Companhia Antarctica Paulista S.A. ganha sua primeira logomarca: uma estrela de seis pontas com a letra "A" inscrita no centro. A estrela, usada pelos fabricantes europeus desde a Idade Média, foi uma sugestão dos técnicos cervejeiros alemães.

Em 28 de fevereiro deste mesmo ano, a Antarctica registra sob o número 58 da Junta Comercial do Estado de São Paulo a cerveja Versandt Bier.

Em 27 de julho de 1896 a Companhia Antarctica registra a cerveja Antarctica sob o nº 75 da Junta comercial do Estado de São Paulo e neste ano registra as cervejas Pilsner e Bock.

Em 14 de dezembro de 1898 faz a renovação do registro da cerveja Antarctica sob o n° 148.

Em 1899, já não havia mais problemas financeiros, através da Assembleia Geral Extraordinária de 16 de junho, o capital foi aumentado de Rs. 1.609.100$000 para Rs. 3.500:000$000, empregava 300 funcionários, produzia 50.000 hl anuais de cerveja e 50 toneladas de gelo por dia.

O Jornal "A Província de São Paulo", atual jornal O Estado de São Paulo do dia 11 de abril de 1900 traz em um de seus artigos referencia sobre a cerveja Bock Bier da Antarctica.

Em 2 de setembro de 1900 falece Luiz Bücher, o mais antigo funcionário da Companhia Antarctica Paulista e um dos mais antigos fabricante de cerveja de São Paulo.

Em 1901, através da Assembleia Geral Extraordinária de 22 de abril, o capital foi aumentado de Rs. 3.500:000$000 para Rs. 7.000.000$000, em função da valorização de seus bens.

Ainda em 1901, entra com requerimento para registro da cerveja Bohemia na sessão da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 23 de setembro de 1902, entra com requerimento para registro da cerveja Monopol na sessão da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 1902, quando o capital já era de Rs. 10.000:000$000, a empresa abriu para o público paulista o amplo espaço onde funcionava a cervejaria, uma área de 300 mil metros quadrados com jardins planejados, passeios, lagos, espaços para piquenique, parques infantis, pistas de atletismo, quadras de tênis e campo de futebol. Assim nascia o Parque da Antarctica Paulista, tornando-se a principal área de lazer da cidade. A partir de então recuperou-se e passou a crescer rapidamente.

Em 1903, a sala das máquinas motrizes de grandes dimensões não parece destinada a conter aqueles monstros de aço que fornecem movimento aos diferentes maquinismos. Os diferentes motores são colocados muito convenientemente de modo a obter a maior economia de espaço e as maiores vantagens para o serviço.
Acham-se ali: um motor Compound, sistema Linde, da fábrica dos Gebruder Sulzer de Winterthur, de 120 hp cujo volante mede 7 metros de diâmetro e outro da mesma fábrica de 80 hp de alta pressão com volante de 4 metros de diâmetro. Os eixos desses motores são ligados a duas bombas especiais para comprimir o amoníaco até 18 atmosferas. Uma máquina de gelo Artic Ice Machine M.F.G. and Co., de Cleveland, Ohio, e cinco bombas Compound de Henry R. Worthington que fornecem a água necessária para todos os serviços da fábrica. Dois grandes compressores de ar de Wegelins and Hübner, de Halle (Saxonia). Dois dínamos acionados por dois motores de 5 hp, de 110 volts e 150 ampéres, da fábrica C. Daevel, de Kiel, destinado a fornecer a iluminação as diversas seções e dependências do estabelecimento, completando a instalação elétrica, um grande quadro distribuidor e um para-raios de Ganz & Cia, de Budapest.

O vapor necessário para os motores, bombas, máquinas de gelo, máquinas para ferver e esterilizar a cerveja, etc. é fornecido por 6 caldeiras de K. N. Möller, de Brackwerde. Essas caldeiras tubulares de 600 hp, trabalham com a pressão de 12 atmosferas e estão colocadas numa sala apropriada.

Em 7 de fevereiro de 1903, entra com requerimento para registro da cerveja Porter na sessão da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 1904 adquire o controle acionário da Cervejaria Bavária, na Mooca, São Paulo - SP, que pertencia a Henrique Stupakoff & Cia. Com capital alemão e brasileiro, dividido meio a meio, e maquinários vindos da Suíça e da Alemanha, ali se produziam as seguintes qualidades de cerveja: Pilsen, Munchen e Export, que eram vendidas em barris ou em garrafas.

Em 1905 a Antarctica efetiva a compra da Cervejaria Bavária por $3.700.000$000 (tres mil e setecentos contos de réis) e seu capital já é de 8.500.000$000.

Em 11 de janeiro de 1907 a Companhia Antarctica Paulista registra a cerveja Excelente sob o nº 814 da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 14 de junho de 1907 a Companhia Antarctica Paulista registra a cerveja Tip Top Bock sob o nº 881 da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 20 de março de 1908, na sessão da Junta Comercial entra com requerimento para registro da cerveja Esperança.

Em 5 de maio de 1908, na sessão da Junta Comercial entra com requerimento para registro da cerveja Pery.

Em 14 de abril de 1911, a Antarctica inaugura, na cidade de Ribeirão Preto no interior de São Paulo, a sua primeira filial.

A Companhia Antaretica Paulista lança a emissão pública de um empréstimo da quantia de Rs. 6;000:000$000, dividido em 30.000 obrigações ao portador (debentures) de duzentos mil réis cada uma, juros do oito por cento ao ano. Para o fim de ultimar as grandes obras que está fazendo em sua fabrica da Moóca,para a edificação de predios para seus depositos na cidade e naconstrução do Theatro Casino Antarctica na Avenida Anhangabahú, bem como para iniciar as grandes obras projetadas nas ruas de S. João, Formosa e vale do Anhangabahu, onde serão construidos os Theatros Bijou e Salão e o novo Theatro Polytheama. assim como sobrados de cinco andares, destinados a hotel, restaurantes, pensões, etc., devidamente autorizada pelas assembléias gerais extraordinarias de 16 de janeiro de 1913, cuja ata foi publicada no Diario Ofical de São Paulo de 19 da janeiro proximo findo sob n. 15 e no O Estado de São Paulo de 1 de março corrente, e a de 12 deste mes de março, cuja ata foi publicada no Diario Oficial de São Paulo de 13 de março de 1913 sob n. 56 e no O Estado de São Paulo do 14 deste mes, atas estas arquivadas na Junta Comercial da Capital de São Paulo, respectivamente a 18 de janeiro proximo findo e a 12 de março corrente.

Em 1914, a 1ª Guerra Mundial não trouxe grandes alterações ao panorama cervejeiro do Brasil. O fato da guerra se desenrolar principalmente na Europa e de a importação de cerveja estrangeira ser diminuta ou mesmo nula, fez com que não só o consumo como também a produção, se mantivesse a níveis bastante elevados e em franco crescimento A participação da cerveja no mercado, neste período, aumentou significativamente até se tornar uma das bebidas mais populares do país. E já no início dos anos 1920 a produção na filial Ribeirão preto era de 250 mil hl/anuais. A cervejaria passou a eliminar quase todas as concorrentes e também as importadas, num segundo momento, a Antarctica diversificaria seus investimentos, marcando os anos 20 com o início da produção de seu famoso guaraná.

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26 maio 2012

Companhia Cervejaria Paulista / Companhia Antarctica Níger





Por iniciativa de descendentes de imigrantes alemães na rica cidade do café de Ribeirão Preto - SP, foi fundada em 25 de abril de 1913, a Companhia Cervejaria Paulista com um capital de Rs.300.000$000,sendo o seu primeiro e principal incorporador o sr. Hanz Scherholz. As primeiras reuniões para a organização da fábrica foram realizadas na antiga sede da Sociedade Dante Alighieri (rua Duque de Caxias, 98). A primeira diretoria era composta por João Alves Meira Junior (Presidente), Alfio Messina (Gerente) e Hanz Scherholz (Diretor-Técnico). Posteriormente, com a saída de Alfio Messina, o seu cargo foi confiado a José Rossi.

A primeira fábrica foi instalada à Rua Visconde do Rio Branco (esquina com rua Barão do Amazonas)

Em 18 de abril de 1914, foi inaugurada a nova fábrica, construída a Avenida Jerônimo Gonçalves, às margens do Ribeirão Preto, próxima a Estação da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, Na margem oposta do mesmo córrego estava instalada a fábrica da Cia. Antárctica Paulista, também fabricante de bebidas e sua principal concorrente. Ainda nesse ano teve o seu capital aumentado para Rs.450.000$000.

As primeiras marcas de bebidas lançadas pela Cia. Cervejaria Paulista foram: Sterlina, Crystalina, Niger, Kromo, Caraboo e Zurê.




Posteriormente foi lançada a cerveja Tust e muitas outras escuras e claras:



Com o tempo as cervejas Poker, Niger e Tust, tornaram-se as principais marcas de cervejas produzidas pela Cia. Paulista e foi sob a égide desta triologia que a Cia. tornou-se conhecida, a princípio regional e depois nacionalmente.

EM 1915, novamente teve seu capital aumentado desta vez para Rs.1.000.000$000.

Em 10 de julho de 1917, é publicada no Diário Oficial de São Paulo o registro da marca cerveja zebu. Em um rótulo com a figura de um boi zebu.

A Cia. Paulista desenvolveu-se no contexto econômico do ciclo do café, dos coronéis, dos cassinos, da imigração européia e do desenvolvimento urbano que esta economia desencadeou no interior do Estado de São Paulo. Desde a sua inauguração, em 1914 até a década de 70, a fábrica de bebidas da Cia. Paulista foi, juntamente com a Cia. Antárctica, responsável pelo desenvolvimento urbano da cidade. Gerou inúmeros empregos e contribuiu para a formação de mão-de-obra especializada, operariado este formado por imigrante, na sua grande maioria. Localizada às margens do córrego (Preto), que dá origem ao nome da cidade, contribuiu ainda para os melhoramentos quanto ao bastecimento de água e energia daquela região da cidade, impulsionando o crescimento do Bairro de Vila Tibério e região Central da cidade.

Em 1927, a Cia. Paulista investiu na compra de terrenos e antigos edifícios localizados à Praça XV de Novembro e, em 1928 já com capital em Rs. 3.000:000$000 contava com 205 funcionários. A Cia. Paulista foi ainda precursora dos investimentos imobiliários que injetaram significativas cifras nas finanças locais em meio a crise iniciada em 1929, nesa época a quantidade de funcionários diminuiu passando a 170 funcionários. Em 1930, inaugurou um Teatro de Ópera, um Edifício Comercial e um Hotel (no chamado Quarteirão Paulista, tombado pelo Condephaat). Estes investimentos foram os responsáveis por lançar as bases do que viria a se tornar baseada a economia local até os nossos dias: uma cidade prestadora de serviços.

Em 1930 apesar do número de seus funcionários diminuir novamente, a cervejaria aumenta seu capital para Rs. 4.500:000$000 e apesar de uma crise financeira sofrida nas décadas de 30 e 40, a fábrica continuou sua produção, baseada principalmente na marca Niger de cerveja preta.

Em 19 de abril de 1960 a cervejaria publicou, no jornal Folha de São Paulo, este anúncio em comemoração de seus 46 anos de trajetória.


Até que, em 1973 fundiu-se com a sua grande rival a Cia. Antárctica Paulista, tornando-se a Cervejaria Antárctica Niger S.A.

Com a criação da AMBEV em 1999, fusão entre a Antarctica e a Brahma, o Conselho Administrativo de Defesa Economica (Cade) exigiu a venda da marca Bavária e de cinco cervejarias pertencentes a elas, entre as cinco estava a Antarctica Niger, de Ribeirão Preto que foi vendida para a Molson Coors Brewing Company, de Montreal, Canadá.

Em 25 de março de 2002, a Molson, adquiriu da Heineken, da Coca-Cola e de seus engarrafadores no Brasil, a Cervejaria Kaiser, em uma transação avaliada em US$ 765 milhões, depois de ter adquirido a Bavária da AmBev por US$ 190 milhões.

Em julho de 2003, a Molson desativa a fábrica de Ribeirão Preto sob a alegação de que a fábrica, construída há 75 anos, era ineficiente, tinha alto custo de operação, e sua modernização exigiria muito investimento. A região de Ribeirão Preto será abastecida pela unidade de Araraquara, mais moderna, que fica a 80 quilômetros da região.

Em 17 de Janeiro de 2006, a Fomento Econômico Mexicano S.A. (FEMSA), adquiriu 68% da Cervejarias Kaiser mediante o pagamento de 68 milhões de dólares a Molson Coors Brewing Company, a qual ficará com 15% da Kaiser, enquanto os 17% restantes continuarão sendo propriedade de Heineken.

Em 1º de março de 2007, exatos cinco anos depois da sua chegada ao Brasil, a Molson encerra, definitivamente, sua conturbada participação no mercado brasileiro de cervejas. Sem anúncio oficial ou alarde, a empresa canadense vendeu os 15% de participação que ainda detinha na Kaiser para a mexicana Femsa por US$ 16 milhões.

Localizados no centro histórico de Ribeirão Preto, os edifícios da antiga fábrica, construídos pelo arquiteto-construtor Baudílio Domingues, foram tombados pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico Turístico do Estado de São Paulo), pelo CONPPAC (Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural do Município de Ribeirão Preto) e atualmente encontra-se em processo de tombamento pelo IPHAN. Nesse sentido, foram cedidos em comodato pela FEMSA, detentora da marca Kaiser, para a São Paulo Film Commission, mantenedora dos Estúdios Kaiser de Cinema, para implantação do seu centro de produção audiovisual e para desenvolver atividades culturais. As obras de restauro, reformas e adequação foram viabilizadas pelo Governo do Estado de São Paulo (Secretaria de Estado da Cultura – ProAC), Prefeitura de Ribeirão Preto e também pelo setor da construção civil desta cidade. ( Texto produzido com informações prestadas por Tânia Registro, do Arquivo Público e Histórico) Desde o encerramento das atividades da Kaiser na cidade, a sirene instalada na torre ficou desativada desde que soou pela última vez, em 1992. Ela não servia apenas para marcar os horários de funcionamento dos turnos da fábrica. Desde que foi instalada, em 1928, a sirene passou a regular também a vida dos moradores de Ribeirão Preto, acostumados a ouvi-la soar com precisão sempre às 6h, ao meio-dia e às 18h.

A construção original se tornou patrimônio histórico e cultural tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) e também pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural do Município de Ribeirão Preto (CONPPAC), através da inscrição nº355, p. 96 do Livro do Tombo Histórico em 20/12/2007.
O prédio dos Estúdios Kaiser de Cinema foi cedido em comodato pela Heineken do Brasil (controladora da Kaiser), para a São Paulo Film Commission desenvolver o seu centro de produção audiovisual. As obras de restauro, reformas e adequação foram viabilizadas pelo Governo do Estado de São Paulo (Secretaria de Estado da Cultura – ProAC), Prefeitura de Ribeirão Preto e também pelo setor da construção civil desta cidade. Nos Estúdios Kaiser de Cinema funcionam as sedes do Núcleo de Cinema de Ribeirão Preto, da São Paulo Film Commission, da Fundação Feira do Livro e do Projeto CineCidade.

A indústria adaptada em espaço cultural é uma exceção em meio à decadência das ruas que cruzam a Avenida Jerônimo Gonçalves, onde outros cartões-postais da cidade, como o Hotel Brasil e a sede da Antarctica – primeira fábrica de cerveja de Ribeirão, fundada em 1911 –, apresentam sinais de degradação e esquecimento

31 março 2012

Cervejaria Orleanense




Por volta de 1890, em Santa Catarina, nos Campos Elísios, no local onde acabava de nascer a cidade de Orleans do Sul, no bairro hoje conhecido como Coloninha que na época era o centro da cidade, ao lado de onde funcionou por muito tempo a fábrica de móveis Zomer, surgia a primeira cervejaria da cidade.
O alemão Ignatz Brandl (Ignácio) que havia chegado ao Brasil há algum tempo com sua companheira Theresia Schambeck e seu enteado Albert Schambeck (Alberto), filho natural de Jacob Zahnweh e sua companheira, começou a fabricar a primeira cerveja de que se tem notícia em Orleans.

Resultado de puro artesanato, com boa dose de ingredientes e alguns modestos equipamentos era a cerveja consumida à moda alemã, na temperatura ambiente, estilo modificado pelo brasileiro para estupidamente gelada, mesmo no inverno. Ocorre que na época além de se copiar o estilo alemão também não existia gelo, surgido bem mais tarde. Conforme o livro de registro do armazém de Ignácio Brandl, uma garrafa custava 300$.
Seu enteado Albert Schambeck nasceu em Haag, Regensburg, Alemanha, em 27 de agosto de 1871. Na Alemanha sempre exerceu sua profissão de moleiro, sendo recomendado por sua dedicação e zelo à profissão. Por volta de 1900 retornou, conforme consta na sua carteira profissional, sozinho à Alemanha onde se casou com Maria Meisinger.

De posse de um documento militar concedendo-lhe licença de dois anos (entre 4 de julho de 1904 até julho de 1906) para a América do Norte, acabou voltando ao Brasil (não se sabe o motivo).

Em 1 de setembro de 1904, Albert Schambeck e Maria Meisinger Schambeck, partiram do porto de Hamburgo, Alemanha, no navio argentino Presidente Rocca, para o Brasil, trazendo seus filhos Alberto e João. Instalaram-se em Orleans e tiveram mais 9 filhos: Afonso, Maria, Thereza, Emma, Rosalina (Rosa), Hedwig (Ieta), Ignácio, Anselmo e Luiz.

Em Orleans, desde o início, residiu nos Campos Elísios, na casa de Ignácio Brandl, nesta casa desenvolveu suas atividades com armazém e hospedaria. Posteriormente, talvez por morte de Ignácio Brandl, assumiu o comando da Cervejaria que funcionou por muito tempo no local.
Sua mãe, Therezia, faleceu em 25 de abril de 1910, com 75 anos, havia nascido em 17 de abril de 1835.

Albert, após ter tido um hotel em Florianópolis e já morando em Lauro Müller – SC onde tinha um açougue, foi encontrado morto em sua cama, no dia 17 de dezembro de 1919, tendo como causa mortis Apoplexia Cerebral (Derrame Cerebral). Foi sepultado em Orleans. Deixou dez filho e o mais velho, Alberto, tinha apenas 18 anos.

O destino desta cervejaria é uma incógnita, mas por volta dos anos 20, o Sr. José Cechetto fabricou por muito tempo a Cerveja Centenário e sua firma era a Cervejaria Orleanense, a qual, conforme informações no próprio rótulo, tinha graduação alcoólica de 3,2%, isto é fraca para os bebedores de hoje.



23 março 2012

Fábrica de Cerveja Cachoeira / Gustavo Ehlke




Joachim Friedrich Ferdinand Ehlke, conhecido como Ferdinando ou Fernando veio para o Brasil juntamente com seu irmão Johann Wilhelm Friedrich Ehlke, o Fritz ou Frederico.de origem pomerana, isto é, os membros emigrados para o Brasil, vieram da Pomerânia, antiga Província da Prússia (Oriental), depois Alemanha unificada, e, atualmente território polonês após a segunda Grande Guerra Mundial.

Vieram com suas famílias pelo barco "Franklin", saído de Hamburgo, tendo chegado em São Francisco do Sul - SC, aos 05 de junho de 1863, com destino à Colônia Dona Francisca (Joinville atual), estabelecendo-se, inicialmente à Estrada Blumenau, núcleo de "Neudorf", em Joinville -SC, dedicando-se à Lavoura. A partir de 20 de maio de 1877 foi, durante muitos anos, professor contratado pela "Schulgemeinde der Blumenauer Strasse Neudorf" (Associação Escolar da Estrada Blumenau Neudorf).

Mais tarde transferiu-se para a Lapa - Pr, onde durante anos foi presidente da Comunidade Evangélica Luterana. Em setembro de 1906 mudou-se para Canoinhas - SC, onde já residia o seu filho Roberto.

Ferdinando nasceu em 9 de março de 1927, em Kamptz, Pomerânia (Prússia) e faleceu em Joinville - SC em 13 de janeiro de 1916, com 88 anos de idade, foi casado duas vezes, tendo ambas as esposas se chamado Karolina.

Para o Brasil, veio acompanhado da segunda esposa e 5 filhos do primeiro matrimônio ainda nascidos na Pomerânia: Franz Friedrich Wilhelm nascido em 1846, Auguste Ernestine Luise nascida em 1850, Hermann Ferdinand Theodor nascido em 1854, Anna Wilhelmine Emilie nascida em 1858 e Wilhelmine nascida em 1861.

Já instalados em Joinville, 18 dias após a chegada da família ao porto de São Francisco do Sul - SC, nasceu mais um filho: Gustav (Gustavo).

Posteriormente, Gustavo se estabeleceu no Paraná em uma área pertencente ao município de São João do Triunfo, originalmente um posto avançado, um local de pouso dos Bandeirantes que adentraram nossas matas para ocupar o sul do Brasil. Tendo sido um dos pioneiros fundadores de uma colônia que inicialmente recebeu a denominação de Porto de Santa Maria, por situar-se às margens do Rio Iguaçu; em 1890 passou a chamar-se Colônia Maria Augusta em homenagem a esposa do administrador do povoado, José Carvalho Sobrinho. É nesta época que chegam cerca de duas mil famílias polonesas lideradas por Sebastião Edmundo Saporski e se estabelecem em pequenas colônias rurais, a colônia passa a ser conhecida como Colônia São Matheus e finalmente, através da Lei Estadual nº 763 de 02 de abril de 1908 foi criado o Município de São Mateus do Sul e instalado oficialmente em 21 de setembro de 1908.
Neste Município, onde está instalada a Usina Industrial de Xisto da Petrobrás, que Gustavo fundou a sua fábrica de cerveja, foi a primeira do Município, a Fábrica de Cerveja Cachoeira.
Dedicou-se, também, ao comércio de compra e venda de erva mate. Foi casado com Rosa Weinhardt e em 25 de fevereiro de 1933 faleceu em São Mateus Sul – Pr, estando sepultado no Cemitério dos Imigrantes em Joinville, não tendo deixado filhos.

14 fevereiro 2012

Birreria / Casa da Cerveja de Arceburgo



Baseado nos textos:
A restauração da antiga Casa da Cerveja de Arceburgo A Folha Regional/cidade - Sander Rogério Ribeiro Pereira
Na-velha-casa-da-cerveja Jornal Hoje em dia - manoel hygino dos santos.
Imagens:
Iara Nicola - restauração da antiga Casa da Cerveja
www.diariodemococa.com.br - Fotos Antigas de Arceburgo

  
Antes e depois da restauração

O ex-povoado, criado com a denominação de São João da Fortaleza tornou-se distrito pela lei municipal nº 280, de 10-08-1901, subordinado ao município de Monte Santo. Posteriormente foi Elevado à categoria de município com a denominação de Arceburgo, pela lei estadual nº 556, de 30-08-1911, desmembrado de Monte Santo.

A localidade acolheu muitos imigrantes, principalmente os sírio-libaneses e italianos. Devemos destacar, entre a população italiana, as famílias Durante, Bassani, Borghetti, Lupatelli, Ferrareto e Meggiolaro que chegaram da Itália em 1910. Entre a população sírio-libanesa, destacam-se as famílias Maffud e Salim João, ambas vindas do Líbano em 1910, e fixaram moradia em Arceburgo. Hoje, seus descendentes são muitos, são famílias grandes e tradicionais na cidade.

A Birreria como cervejaria teve curta duração, já que só existiu de 1911 a 1926, mas o imóvel, localizado com frente para a Rua Coronel Cândido de Souza Dias, número 309 (antigo número 22), esquina com a Travessa 21 de Abril, localizado na sede do Município de Arceburgo, Estado de Minas Gerais, tem alto interesse histórico e arquitetônico. Trata-se de uma construção térrea, erguida por volta de 1911, pelo imigrante italiano Antônio Gosso, em terreno adquirido do Coronel Cândido de Souza Dias, acha-se edificado sobre parte do “Córrego do Cresciúma” e desde a sua construção destinou-se a ser a primeira fábrica de Cerveja da cidade, que além da fábrica, mantinha também uma taverna, onde os tropeiros e os primeiros habitantes de Arceburgo, se divertiam naqueles tempos. A “Casa da Cerveja”, estava construída pouco abaixo do “Hotel dos Viajantes”, do imigrante italiano David Longo, que foi historicamente o núcleo fundador de Arceburgo, originariamente São João da Fortaleza.

Segundo relatos orais de antigos moradores, o frontispício da “Casa da Cerveja” foi confeccionado por um escultor de origem italiana, que a tradição chamou como Ricardo, que de passagem por aqui, deixou a marca de sua arte, nesse imóvel, através de terras, barro e cimento, objetos cozidos e criou a alegoria que lembra num ecletismo a Arte Romana Antiga, o Renascimento Italiano e o Colonial Brasileiro, e a qual ele denominou como se lê: “Al Vero Lido de Venezia”, traduzindo: “O Verdadeiro Cassino de Veneza”, já que águas passam por debaixo do imóvel, parodiando Veneza, na Itália, e no imóvel eram mantidos jogos de azar.
  

A cerveja fabricada era de alta fermentação e não tinha grande durabilidade (de 10 a 15 dias) e na falta de congeladores para esfriá-la, usava-se o leito do “Córrego Cresciúma”, que passa por debaixo do imóvel de uma maneira interessante: colocava-se areia em montes, enterravam-se a garrafa e molhava a areia por cima, desse modo, a cerveja era servida fria.

Fabricava-se também um refrigerante de nome “Gazoza”, que era engarrafado em vasilhame importado muito interessante: era fechado por uma bolinha de vidro. Um outro tipo de refrigerante fabricado era de nome “Vita”, muito apreciado naqueles tempos e tinha o aspecto da “Coca-Cola”.

Antônio Gosso manteve seu estabelecimento de 1911 a 1926, nesse ano transferiu sua residência para a cidade de São Paulo e vendeu o imóvel para o imigrante italiano Francisco Menossi e sua esposa Dona Natalina Bassani; o maquinário da fábrica de cerveja foi adquirida pelo imigrante italiano José Guidorizzi, o Beppe Cervejeiro, que a anexou a sua já montada fábrica.

De 1926 a 1955, Francisco Menossi residiu no imóvel com sua família e nas dependências onde estava instalada a “Casa da Cerveja” ele montou sua alfaiataria.

Em 1955, Dona Natalina Bassani, já viúva de Francisco Menossi, vendeu o imóvel a Francisco Borgheti e sua esposa Dona Anna Melatti, esta família aí residiu até 2007.

Em 1963, foi a “Birreria”, palco do filme nacional “O Cabeleira”, da Prodifilmes Ltda. do Diretor Nelson Teixeira Mendes. Este filme cujas principais cenas foram rodadas neste município, teve como atores: Marlene França; Hélio Souto; Milton Ribeiro; Francisco Egídio; Ruth de Souza; Diva Vaz Lobo e Alfredo Scarlati, entre outros.

Cena do filme ''O Cabeleira'' gravado em Arceburgo e Mococa. Detalhe da foto: cena gravada no bairro da varzea, em Arceburgo. Ao fundo a antiga casa da cerveja.

A “Casa da Cerveja de Arceburgo”, desde a sua construção, tratou-se de um bem “sui generis”, sempre chamando a atenção de moradores, turistas e transeuntes, que param para admirá-la, fotografá-la, sendo motivo de várias obras artísticas espalhadas em acervos particulares e salões de artes de várias regiões do país.

Isso foi uma das causas que despertou o interesse do empresário Doutor Thiago Varejão Fontoura, que preocupado em preservar o patrimônio histórico de Arceburgo, pagou com seus próprios recursos, a indenização de desapropriação que a Prefeitura Municipal de Arceburgo, moveu ao espólio de Francisco Borgheti, em 2007.

Pela Lei Municipal Número 1456/2007, de 22 de Outubro de 2007, sancionada pelo Prefeito Municipal, Antônio Roberto da Costa, foi a “Casa da Cerveja”, considerada Patrimônio Histórico do Município de Arceburgo.

Vive-se a hora do resgate para a qual deram decisiva contribuição a Secretaria de Estado de Cultura, o BDMG, o prefeito Antônio Roberto da Costa, a dra. Patrícia Camparotto Pricoli da Costa, os beneméritos locais, e, enfim, toda a sociedade prestante da cidade, graças ao que se recuperou inteiramente o conjunto numa bela esquina.

Em 12 de dezembro de 2009, foi instalada na antiga “Casa da Cerveja”, a sede social do “Instituto Histórico e Cultural de Arceburgo”, com a denominação de Paço Cultural “Doutor Thiago Varejão Fontoura”. O Instituto Histórico e Cultural de Arceburgo foi fundado em 22 de junho de 1985, pelo Professor-Doutor Orlando Lodovici (1920 – 2002).