04 julho 2011

Cervejaria Augusto Kremer / Kremer & Cia/ Germania / Americana


Imagens:http://mariadoresguardo.blogspot.com/ e Almanak Administrativo, Comercial e Industrial

Alguns exemplos de comércio estabelecidos em Juiz de Fora - MG, ainda nos permitem adentrar no ambiente que marcou esta parte da cidade, entre a segunda metade do século XIX e o início do XX.

Em 1867, nas imediações da Igreja da Glória foi fundada a filial da Cervejaria Augusto Kremer & Cia, uma das mais antiga fábrica de cerveja de Petrópolis - RJ, datada de 1858. Construida num amplo terreno no Morro da Gratidão, na avenida dos Andradas (antiga Rua da Gratidão), adquirido à Cia. União e Indústria numa área desmembrada da Colônia Dom Pedro II (correspondente hoje aos terrenos do Jardim Glória, inclusive onde se situam as instalações do laticínio). A fábrica Kremer era um local de lazer para os juizdeforanos, onde se realizavam festividades e banquetes.

Em 31 de agosto de 1876, na Cervejaria Augusto Kremer & Cia separam-se comercialmente matriz e filial, ficando Frederico Guilherme Lindscheid com a fábrica de Petrópolis que passa a se chamar Imperial Fábrica de Cerveja Nacional e Augusto Kremer com a fábrica de Juiz de Fora que passa a se chamar Imperial Fábrica de Cerveja e Águas Mineraes de Augusto Kremer & Cia.



Em 1878, com a morte de Augusto Kremer, seu sócio e gerente José Weiss decidiu deixar a fábrica que passou a ser dirigida pela viúva, que altera o nome para Cervejaria Germânia e amparada por bons auxiliares continua em crescente desenvolvimento.

Em 1891, foi feita uma sociedade da qual faziam parte Henrique Kremer, Manoel José de castro e como sócia comanditária a viuva Catharina de Castro sob a firma Kremer & Cia.

Em 1899, é desfeita essa sociedade com a saida de Henrique Kremer, permanecendo à frente da cervejaria seus outros dois sócios.






Correspondencia de novembro de 1906, consultando fornecedor.

Em 1º de setembro de 1906, foi reinaugurada a cervejaria, onde foram feitas instalações completas de câmaras frigoríficas, das mais modernas; e mais recentemente, foram montados quatro grandes tonéis, com capacidade para 15 a 22.000 garrafas cada um. O processo da fabricação da cerveja está dividido por 6 seções e é feito de acordo com os melhores métodos. Estas seções ocupam-se respectivamente: da moagem da cevada, fabricação e cozimento, resfriamento, fermentação e decantação, engarrafamento e pasteurização e embalagem.

As máquinas são acionadas por dois motores, um elétrico de 30 cavalos e outro a vapor, tipo R. Wolf, de 28 cavalos. Há também um laboratório para o exame da matéria-prima e uma carpintaria para a fabricação de caixas. A produção é de 800.000 litros de cerveja, que atualmente é, toda ela, vendida no estado. A cervejaria emprega 32 operários.

O gerente técnico é o sr. Carlos Hugo Becker, que está no Brasil há 5 nos. Antes de vir para este país, tinha o sr. Becker trabalhado em diversas cervejarias da Alemanha. O guarda-livros é o sr. Bento Botelho Caldas. A empresa gira atualmente sob a firma Viúva Kremer de Castro e tem conquistado vários prêmios, em diversas exposições.

Por ocasião da Primeira Guerra Mundial, a Cervejaria Germania teve seu nome mudado para Cervejaria Americana, ocasião em que foi mudada também a razão social, passando de Viúva Kremer de Castro para Viúva Catharina de Castro.




Foi publicado no Diário Oficial da União de 02/02/1923 tornando público que sua cerveja recebeu diploma de honra na Exposição Internacional do Centenário da Independência.

Subsistindo até meados da década de 30 quando só havia na cidade duas fábricas de cerveja – a Americana e a José Weiss. Já não existiam a Dois Leões nem a Stiebler.

Por volta de 1940 passa a pertencer aos Irmãos Preu, o mercado foi conquistado por empresas economicamente mais fortes e a cervejaria faliu, logo após o fechamento da cervejaria, todo o terreno foi comprado pela CCPL, Cooperativa Central dos Produtores de Leite, na época chamada de Laticínio Estrela Branca.

Já em 2003, o local foi adquirido pela Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO e no dia 26 de agosto deste mesmo ano, a fachada do prédio e a chaminé da antiga CCPL foram tombados pelo patrimônio histórico e cultural de Juiz de Fora, através da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage - Funalfa.

18 junho 2011

Cervejaria Alpen Bräu / Heinrich Feldmann / Henrique Feldmann / Kranapehl / Claus Feldmann



Baseado no texto:Museu da Cerveja II – Fotos dos Feldmann.

Heinrich Feldmann Sênior nasceu em 1863, veio da Alemanha com 5 anos de idade acompanhado de seus pais para Itoupava, Blumenau – SC.

No final do século XIX, mais exatamente em 1898, Heinrich Feldmann Sênior iniciou um empreendimento de fundo de quintal, uma pequena produção caseira de cerveja artesanal, fundando Cervejaria Alpen Bräu.


Produzindo boas cervejas, a clara Victoria e a escura Bock, logo passou a atender uma clientela que se estendeu ao comércio e sociedades da região de Altona e região central de Blumenau.

Na época produzia-se duas vezes por semana um lote de 1.200 garrafas, Heinrich trabalhou neste ramo até o ano de 1928 e dois anos após, em 1930 faleceu.

Com o seu falecimento, Henrique Feldmann Junior, seu filho nascido em 1900 assumiu a indústria.Nesta época aparece um alemão, o senhor Willy Kranapehl que o ensina a fabricar licores, por isso o nome Kranapehl aparece em diversos rótulos, este senhor logo volta para a Alemanha.


A tradição familiar teve continuidade anos mais tarde, em 1941, com Claus Ernst Johann Feldmann, nascido em 15 de maio de 1886, irmão mais velho de Henrique Feldmann Júnior, que aluga a cervejaria para posteriormente comprá-la. Adquiriu também a fábrica das cervejas Malta e Massarandubense, que acredito ter sido pertencentes à firma Hein & Bauer (vejam a semelhança entre os rótulos da Cerveja Malta) existente no distrito de Massaranduba.
  

Em seu auge, a fábrica produzia 2,5 mil garrafas por semana feitas por Claus e seu filho Erich. Sua última produção de cerveja aconteceu em 1954.

A localidade de Massaranduba em 1943 passou a se chamar Vila Itoupava.


Em 1958, Alfred, filho de Claus nascido em 25 de julho de 1917, assumiu a cervejaria que já não mais fabricava cerveja, passando a produzir somente licores e bitter. Ainda fabricava gasosas sem álcool, os conhecidos refrescos de framboeza, laranja, limão, gengibre e guaraná especial que Alfred usava os rótulos já existentes e colocava por cima o nome dele, os refrescos de coco e pêssego não tinham rótulo.

Em 3 de julho de 1963, falece Claus e na década de 70 falece Henrique.

E assim, em 1978, a Cervejaria Feldmann deixou de exercer as suas atividades, pois a modernidade e a concorrência de novos produtos que entravam no mercado fizeram crescer as exigências por maiores investimentos para a aquisição de maquinário moderno e de produção em larga escala. Alfred Feldmann, seu proprietário não pode acompanhar este crescimento, temendo assumir empréstimos bancários optou por encerrar as atividades da fábrica, passando a fazer parte da história de um ramo comercial que marcou época, principalmente na região de Blumenau e cidades vizinhas.

O acervo e o espaço da fábrica estiveram inativos por longos anos, mas com a criação do Centro Cultural da Vila Itoupava (parceria da Fundação Cultural de Blumenau e a Empresa Momento Engenharia Ambiental), foram restaurados, ampliados e revitalizados para proporcionar à comunidade uma área de educação ambiental e patrimonial. Aberto para visitação em dezembro de 2004, o acervo do Centro Cultural é constituído por maquinários, material diversificado da antiga Cervejaria e também doações de utensílios que faziam parte do cotidiano do agricultor que viveu e vive nesta região.

11 junho 2011

Carlo Fornaciari & Filhos / Cervejaria Rhenania / S/A Cervejaria Polar



Juliana Gouthier - Jornal Pampulha
Selena Duarte Lage e Lage


Belo Horizonte ainda não era nascida, era um arraial, mas já tinha a sua fábrica de cerveja e gasosa, foi assim que entre ruidosas e justas comemorações a cidade viu nascer, no dia 12 de dezembro de 1897, em ato público soleníssimo, presidido pelo Dr. Crispim Jacques Bias Fortes, a nova capital de Minas. Cidade recém-nascida que, após a inauguração, passou a se chamar oficialmente Cidade de Minas e que só viria a se chamar Belo Horizonte em 1901.

A fábrica de cerveja começou a funcionar um pouco antes, no mesmo ano da inauguração da nova capital, em 1897, o empreendimento foi uma iniciativa do italiano Carlo Fornaciari, da região da Toscana, que em 1894 mudou-se para o então Arraial de Curral del Rei (depois Arraial de Belo Horizonte), onde estava sendo construída a nova capital mineira.

Carlo Fornaciari junto com seus filhos Ulysses e Modesto, montaram a empresa Carlo Fornaciari & Filhos, Cervejaria Rhenânia, com produção de cerveja, chope e gelo, na região da Rua Sergipe com Timbiras.

"Contando com um capital inicial de 45:000$000,00 (quarenta e cinco contos de réis) esta marca viria a ficar logo conhecida pela excelência do produto. Os Fornaciari também passaram a produzir gelo", registra o livro "100 Anos da Indústria em Belo Horizonte", coordenado por Moema Moreira Gontijo. Mensalmente, eram produzidas cerca de 18 mil garrafas de diferentes tipos de cervejas: Rhenânia (pilsen e munchen); Hamonia (preta e branca) e Victória.
  
  

No início do século XX, a prefeitura concedeu um terreno para a construção da nova fábrica na Avenida Oiapoque (onde é atualmente o shopping Oiapoque) através da política de incentivo ao desenvolvimento industrial implementada pelo governo municipal, em 1902. A nova sede da indústria, uma "construção arrojada e monumental", foi equipada com "o que havia de mais moderno em maquinário e tecnologia".
As primeiras edificações do conjunto foram concluídas em 1910. O projeto é de 1908, de autoria do arquiteto italiano Luiz Olivieri, bastante atuante na recém criada Belo Horizonte daquela época.

Carlo Fornaciari logo instala a Cervejaria Rhenânia no novo prédio, deixando o sobrado da praça da Igreja da Boa Viagem na esquina da Rua Sergipe com a Rua Timbiras que abrigou, a primeira cervejaria de Minas Gerais, a Cervejaria Rhenânia, transformou-se em um armazém de secos e molhados. Em 1959 o então "Bar da Esquina" voltou a alimentar os boêmios e mais tarde ficou conhecido como "Clube da Esquina". o local é bastante agradável, ambiente claro, amplo. A decoração é simples, sem ornamentações, mas muito bonita. A casa passou por um período de decadência no final da década de 90. Foi quando o ator e músico Marcelo Galery fez um trabalho de recuperação de estrutura e arquitetura do sobrado e devolveu um ar de nostalgia à casa. O Clube da Esquina participou do Comida di Buteco 2002, concorrendo com a "Carne de panela Manoel Sapateiro". O bar já foi frequentado por famosos como Milton Nascimento, o ex prefeito Patrus Ananias e Murilo Rubião.


Ainda segundo o livro, "a Rhenânia entrou em operação em suas novas instalações, produzindo cerveja, chope e gelo". Naquela década, a empresa chegou a ser a quarta fábrica de cerveja do Brasil. Com o sucesso do empreendimento, Carlos Fornaciari, que já trabalhava com os filhos, contou também com a ajuda de parentes que vieram para o Brasil para se dedicarem à indústria de refrigerantes em Belo Horizonte. Como foi o caso do seu irmão, Giocondo Forniciari que associado aos filhos Alladino, Italo e Marino investiram na produção de refrigerantes, como o Guaraná União e as sodas Limonada, Delícia e Soberana.

A Rhenânia foi vendida em 1922, passando a funcionar no local a então recém-fundada Cervejaria Polar.

  

Por sua vez, a Rhenania agora Cervejaria Polar foi vendida em 1928 para a Companhia Antarctica que constituiu em 23 de abril desse ano a filial independente Companhia Antarctica Mineira.
  

Ao longo do tempo, o conjunto passou por diversas reformas e acréscimos, especialmente nas décadas de 1930 e 1940. Entretanto, seus edifícios ainda guardam a volumetria original e, presentes em sua maioria, as características do estilo eclético com ênfase para os referenciais da arquitetura neoclássica, sendo um dos poucos remanescentes da arquitetura para fins industriais do início do século XX.

Não foram encontradas informações sobre quando o conjunto de edificações da Indústria de Bebidas Antárctica ficou inutilizado. Em 2000, descobriu-se que o conjunto se encontrava em avançado processo de demolição, principalmente de suas partes internas, tendo sido retirada boa parte das coberturas dos prédios. Internamente o conjunto se encontrava praticamente em estado de ruína.
Como as demolições, de acordo com os pareceres técnicos, não foram suficientes para implicar na perda das principais características arquitetônicas do bem, em 2001 o CDPCM-BH deliberou o tombamento com diretrizes especiais de proteção e projeto (Deliberação Nº 004/2001). Em 2002, o imóvel foi arrematado em leilão pelo empresário Mário Valadares que, em parceria com a prefeitura de Belo Horizonte (através do projeto da prefeitura denominado Centro Vivo), foi criado o shopping popular que tem por objetivo organizar a economia informal movimentando os que trabalhavam nas ruas da região para o interior de um estabelecimento único, de modo a oferecer para a população maior segurança, manter limpa a área central e despoluir visualmente as ruas e avenidas do centro da cidade.

O Shopping Oiapoque iniciou suas atividades em 4 de agosto de 2003.

25 maio 2011

Maltaria e Cervejaria Londrina


A zona leste da cidade de Londrina, no Estado do Paraná, já foi uma espécie de “parque empresarial” londrinense. Na época em que os pés de café e a produção do campo eram a base produtiva local, ficavam ali, bem ao lado do “marco zero” da cidade, algumas das poucas unidades industriais de Londrina.

Era a capital mundial do café, mas por que não poderia ser também a capital da cerveja? Esse era o pensamento que norteava o empreendedor português Fausto Tavares, pai da economista Maria Conceição Tavares, radicada no Rio de Janeiro, ex-deputada federal e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Fausto Tavares nasceu em Portugal, no distrito de Aveiro, no dia 28 de abril de 1906. Veio para o Brasil com a intenção de entrar na importação de vinhos portugueses. Mas ao verificar que o câmbio da época não favorecia o negócio de importação de bens não essenciais, resolveu montar uma fábrica de cerveja no Rio de Janeiro (a Cervejaria Cayru), a qual, após poucos anos, vendeu para o Grupo S (Scarpa) que era dono da Cervejaria Rio Claro (Caracu).

Resolveu então partir para Londrina que era um mercado novo onde montou uma nova fábrica de cerveja, assim, nascia em 1952, a Maltaria e Cervejaria Londrina, na Rua Don Fernando, 252, Bairro Aeroporto. A fábrica se identificou tanto com a região onde foi instalada, na zona Leste de Londrina, que o bairro à sua volta ganhou o nome de Cervejaria, que permanece até hoje na boca do povo.

No entanto, ''maltaria'' ficou apenas no nome. Os senhores do café não se animaram a plantar cevada no lugar do ''ouro verde''. Levou algum tempo para a produção de cerveja passar a ser regular, desta época até 1967, fabricava duas cervejas que identificavam e orgulhavam a Cidade: a cerveja clara marca Londrina Chopp e a cerveja preta Chopim.

O nome da cidade também estava na linha de refrigerantes: guaraná, água tônica, soda limonada.

Um dos maiores orgulhos do pessoal da fábrica se deu na Exposição Agropecuária e Industrial do Paraná, realizada em Londrina em 1965, quando o presidente Castelo Branco experimentou a Londrina Chopp.

Oito poços artesianos, com mais de 100 metros de profundidade, garantiam a água para as diversas marcas de cerveja londrinense e nos bons tempos chegou a empregar 500 pessoas.

Ao longo do tempo a Cervejaria Londrina ainda fez diversos experimentos com suas cervejas, colocando no nercado algumas novidades como a Malzbier com vitaminas e a Londrina Chopp com super fermento:



A Cervejaria Londrina teve mais tarde o mesmo destino da primeira cervejaria de Fausto Tavares, sendo vendida para o Grupo S (Scarpa). Fausto Tavares com o dinheiro da venda, se instalou em São Paulo onde se dedicou à construção civil e, mais tarde, à pecuária, comprando fazendas em Mato Grosso e em Goiás. Faleceu em São Paulo em 1984, aos 78 anos, como resultado de uma trombose.

Em 1967 o Grupo S que nessa época detinha o controle acionário das cervejarias Rio Claro (Caracu), Santista, Cayru e Londrina se associou à Skol Internacional Beer Limited, uma empresa criada na Europa em 1964, por um grupo formado por seis cervejarias dentre elas a Sociedade Central de Cervejarias Portuguesas. Em 1969, as quatro cervejarias foram incorporadas, nascendo a Cervejarias Reunidas Skol Caracu S/A.

17 maio 2011

A Cervejaria Hosang / Schossland & Hosang / Cervejaria Nacional Otto Hosang



Baseado em: José Ferreira da Silva – Blumenau em Cadernos Tomo III – nº.9 - setembro de 1960.
Atualizado e/ou confirmado por: Niels Deeke, Brigitte Brandenburg, Henry Henkels e Marcos Schroeder.
Imagens do rótulo e da garrafa gentilmente cedidos por Eliane Hosang (tetraneta de Heinrich hosang).

Em 1858, veio juntar-se aos colonos alemães que construíram, à margem do Garcia, a sede da colônia Blumenau - SC, um imigrante nascido em 29 de março de 1828, natural de Brunswick (Alemanha). Chamava-se Heinrich Hosang (Heinrich Peter Andréas Hosang).

Homem ativo e empreendedor pensou logo na criação de uma indústria de cerveja, de que trouxera prática do velho mundo. E tão logo viu possibilidades de suficiente consumo para a produção prevista, e depois de ter construído sua casa na atual Rua São Paulo (casa que ainda existe) e de ter se casado com Helena Brandes (Helene Friederike Henriette Brandes) nascida em 20 de outubro de 1838, instalou, nos fundos de sua residência, a sua pequena indústria.

Isso se deu em 1860, quando Blumenau contava, apenas, pouco mais de 950 moradores, agrupados em 190 famílias e outras tantas casas de moradia, das quais só umas sessenta mereciam esse nome, pois, as outras, não passavam de ranchos cobertos de palha.

O terreno adquirido por Hosang tinha 150 geiras e custara 450$000 que foram pagos à vista. Não se tendo, no momento de efetuar o pagamento, conhecimento, ainda, do regulamento da colônia (que naquele mesmo ano de 1860 passara para o domínio do governo imperial) e que concedia o desconto de 12% sobre o preço de terras pagas à boca do cofre, Hosang em 1867, requereu lhe fosse devolvida a importância que pagara a mais.

A fábrica de Hosang prosperou. De ano para ano, foi crescendo o consumo da bebida que preparava e que era a preferida no comércio local, visto que a maioria dos moradores era de origem alemã e grandes apreciadores da cerveja.


O casal Heinrich Hosang teve cinco filhos: Elisa, depois casada com Alvin Schrader (que chegou ao posto de superintendente municipal, tendo governado Blumenau por três quatriênios consecutivos); Otto, casado com Clara Odebrecht; Clara, casada com o conde Von Westarp; Francisco, casado com Ana Maschke; e Helena que se casou com Hermann Schossland.

Hosang esteve à frente da sua indústria até quando faleceu em 16 de dezembro de 1888, com 60 anos de idade.

Seus herdeiros ainda guardam um curioso livro de registro de vendas de cerveja, de 1880 a 1881, a comerciantes onde se pode colher dados interessantes: Maurício Holetz, dono de hotel e bar, era grande freguês da cerveja Hosang: cerca de 300 garrafas por mês. Os negócios do Reinhardt, do Fernando Schrader, do Henrique Probst, do Sutter, do W. Scheeffer, do Victor Gaertner, do Paulo Hartmann, do Stein, do Wegener, do Beyer, do Fiedler, do Asseburg, do Rabe, do Schreiber, do Paupitz, do H. Kestner, do H. Hering, do Guilherme Engelke, do Jens Jensen e de muitos outros espalhados pelo interior da colônia, eram outros tantos revendedores importantes.

Depois do falecimento de Heinrich Hosang, a viúva, auxiliada por seu filho Otto, continuou à frente da fábrica, com a mesma eficiência e o mesmo sucesso anterior.

Helena Brandes, esposa de Hosang, quando ainda noiva, trajando elegante indumentária da época.

Por volta de 1889/90, a cervejaria muda de endereço saindo do Garcia para uma transversal da Rua São Paulo (atual Rua Heinrich Hosang).

Otto, nascido em Blumenau em 20 de dezembro de 1873, estudou química em Brunswick (Alemanha) e casou em Blumenau em 20 de agosto de 1896 com Henrica Gustava Clara Odebrecht, nascida em primeiro de junho de 1874, com quem teve 12 filhos (Heinrich, Hedwig, Arthur, Ralf, Ilka, Herald, Curt, Erika, Evelina, Max, Emil, Ingo) e 29 netos.


Até que, em 1898, o filho Franz (Francisco) e o genro, Hermann Schossland, associados, passaram a dirigir a cervejaria, sob a razão social de Schossland & Hosang.


Em 1906, Hermann deixa a sociedade e Francisco assume a responsabilidade social sozinho. Nesse mesmo ano, seu irmão Otto, que tinha regressado recentemente da Alemanha, onde fora estudar, tenta a implementação de uma subsidiária da cervejaria em Itajaí - SC e posteriormente, oficialmente associado ao irmão, transfere a Cervejaria, com o nome de Cervejaria Nacional Otto Hosang, para Aquidaban (antigo distrito de Blumenau e atual município de Apiúna).

Em 1920 Otto Hosang veio com a família fixar residência em Taió, quando foi nomeado primeiro agente do Correio do município. Em 1922 ele muda novamente para Blumenau. Em 1923 voltou com a família para Aquidaban onde se estabeleceu com uma casa de comércio. Foi agente do Correio e Telégrafo e agente da Estação da Estrada de Ferro Santa Catarina naquela localidade.

Infelizmente, a Cervejaria Nacional Otto Hosang deixa de funcionar em 1923, por motivo de doença de Francisco Hosang e por Otto já estar exercendo a função de agente do correio em Taió, sendo vendido todo o acervo, material e maquinaria, à firma Bock de Nova Breslau, atual Presidente Getúlio, onde ainda prestaram serviços por longos anos.

É dessa última época, o rótulo da "Cerveja Victória" que ilustra este trabalho e que custava 300 réis a garrafa. Era, como as demais da época, das chamadas "marca barbante" porque as garrafas, em vez de fechadas com as tampinhas de metal, como atualmente se usa, eram obturadas com rolhas de cortiça. Um fio de barbante, passado sobre as rolhas e amarrado ao gargalo das garrafas, assegurava maior resistência aos efeitos da fermentação da bebida.

Em 1925, Otto Hosang e família vieram morar definitivamente em Taió. Reassumiu a agência do Correio, que esteve entregue desde que se ausentou de Taió, aos cuidados de seu Filho Ralf Hosang. Após a revolução de 1930, quando assumiu o poder Getúlio Vargas, decretou a fusão do Telégrafo aos Correios, e como o telégrafo até aqui esteve sob a agenciação de Estelina Lenzi, ela perdeu o cargo de agente para Otto Hosang, que era funcionário público mais antigo. Por esse motivo Otto Hosang foi nomeado Agente do Correio e Telégrafo de Taió, cujo cargo ele ocupou até sua morte ocorrida em 17 de junho de 1932.

15 maio 2011

Cervejaria Ernesto Basta / Alta Paulista / Bavária S/A




Em 1898, chegou ao Brasil Salvador Basta (Salvatore) nascido em 1890, na Calábria, Itália, vindo para São José do Rio Preto - SP e mudando posteriormente para Cravinhos - SP. Casou-se com Vicenza Cacciaro Basta. Veio para Marília - SP em 1928, onde fundou com seus filhos a Cervejaria Progresso, fábrica de bebidas e destilaria, fabricava guaraná e vinagre na Vila São Miguel, depois sucedidos por seus filhos que iniciaram fabricação de cerveja.

Ernesto Basta, seu filho, nasceu no dia 15 de setembro de 1912, na cidade paulista de Cravinhos. Ainda menino já trabalhava com o pai, com quem seguiu até se casar em 1932 com Irma Anzanello. Ernesto e Irma tiveram quatro filhas: Dalva (casada com Nestor de Azevedo Falcão), Deise (casada com Nicolau Abramides), Dirce (casada com Waldir Cardani) e Darci (casada com Carlos Alberto dos Santos Silva).

Com a proximidade do casamento, entendeu que era preciso ter seu próximo negócio e adquiriu os equipamentos necessários para a instalação de uma fábrica de refrigerantes. Em 1933, depois de casado e com o equipamento adquirido, instalou a sua primeira fábrica de refrigerante. Em Marília, além da fabricação de refrigerantes, passou a comercializar bebidas importadas e a fabricar cerveja.

Publicado no Diário Oficial de São Paulo de 2 de agosto de 1938 sob o nº.51541, a constituição, em 22 de julho de 1938 na Vila São Miguel, da sociedade solidária Ernesto Basta & Irmãos Comércio e Indústria de Bebidas - Destilaria Basta, com o capital de 62:640$000 (sessenta e dois contos e seiscentos e quarenta mil réis) em partes iguais para os sócios (irmãos): Ernesto, Domingos e Leonildo Basta. Fabricavam a cerveja Basta e Bastinha (cerveja preta).
Publicado, em 19 de maio de 1951, no Diário Oficial de São Paulo o registro nº. 131.050 da assembléia de 6 de março de 1951 que elevou o capital de Cr$600.000,00 para Cr$1.000.000,00.

Publicado, em 20 de setembro de 1952, no Diário Oficial de São Paulo o registro nº. 146.353, da alteração feita em 1 de setembro de 1952 em que a sociedade Ernesto Basta & Irmãos foi transformada na sociedade solidária Ernesto Basta, Irmãos e Cia. Tendo o seu capital social elevado de Cr$1.000.000,00 para Cr$12.000.000,00. Sendo Cr$3.056.000,00 de Ernesto Basta, Cr$3.057.000,00 de Domingos Basta, Cr$3.057.000,00 de Leonildo basta e o acréscimo dos novos sócios Eucherio Graziadei Amado com Cr$2.800.000,00, Amélio Guilherme Forini com Cr$10.000,00, Palmyro Moro com Cr$10.000,00 e Samuel Augusto Manaresi com Cr$10.000,00.


Através da assembléia realizada em 6 de setembro de 1952 a sociedade solidária Ernesto Basta, Irmãos & Cia. foi transformada em sociedade por ações sob a denominação de Cervejaria Alta Paulista S.A. Indústria de Bebidas, com o capital integralizado de Cr$12.000.000 (doze milhões de cruzeiros) divididos em 12.000 ações no valor de Cr$1.000,00 cada uma, distribuídas da seguinte forma: Ernesto Basta com 3056, Domingos Basta com 3057, Leonildo Basta com 3057, Eucherio Graziadei Amado com 2.800, Amélio Guilherme Forini com 10, Palmyro Moro com 10 e Samuel Augusto Manaresi com 10 ações. A Cervejaria Alta Paulista, na época, era a única da região.

Foi registrada em 24 de maio de 1954, na Junta Comercial de São Paulo, sob o nº. 85521 as atas das assembléias de 30 de novembro e 20 de dezembro de 1953 que elevaram o capital de Cr$12.000.000,00 para Cr$18.000.000,00 e aprovaram a participação da firma numa indústria de fabricação de garrafas, a Vidraria Marilia S.A.

Neste mesmo ano de 1954 entrou em funcionamento a fábrica de garrafas que durou somente até 1955 quando a Companhia Antárctica Paulista - Indústria Brasileira de Bebidas e Conexos (IBBC) assumiu o controle acionário constituindo a sua subsidiária Cervejaria Bavária S.A. Indústria Brasileira de Bebidas e Conexos e não aceitou a garrafa cujo gargalo dificultava o engarrafamento mecânico da cerveja lançada, a Bavária Chopp.

Neste ano de 1955, a convite do então prefeito penapolense, Joaquim Veiga de Araújo, Ernesto transfere-se para Penápolis e monta a primeira indústria de garrafas de vidro. A empresa foi instalada na Avenida Antônio Veroneze, Vila América, entre as ruas Guanabara e Guaporé e chamava-se São Joaquim.

Domingos De Léo e Ernesto Peterson, os primeiros gerentes, construíram do outro lado da Avenida Castro Alves, um outro prédio bem próximo à linha do trem da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Ligando os dois prédios ainda há uma passagem subterrânea sob a avenida.

No final da década de 50, a Cervejaria possuía diversos pavilhões em Marília. Era uma monumental indústria de bebidas e refrigerantes, que fabricava Cerveja Bavária Chopp, Chopp Bavária, Guaraná Caçula, Guaraná Champagne, Pinguim e Águas.

De importância muito grande pelo número de empregados, com assistência social e hospitalar, posição geográfica privilegiada, abastecia diversas zonas, trazendo grandes recursos econômicos ao Município.

Em 1 de junho de 1959 falece Domingos Basta.

Em 1962 a fábrica de cerveja passou a chamar-se Companhia Antárctica Paulista, desaparecendo a Cerveja Bavária Chopp e passando a fabricar somente refrigerantes.

Em 1963 Ernesto se mudou, com a família, para São Paulo e no dia 15 de janeiro de 1975, falece em um acidente automobilístico, nas proximidades de Jaú. O corpo, juntamente com o da esposa, que havia falecido anteriormente, está sepultado na cidade de Cravinhos.

Em 22 de novembro de 1979, falece em Marília, com 89 anos, o patriarca Salvador Basta.
A gerência continuou com Domingos De Léo que aposentando deixou a administração para Adelmo Foresto. Os refrigerantes passaram a ser produzidos na filial de Bauru. Com a grande venda de seus produtos e necessitando aumentar o espaço da indústria, a Antárctica desejou ampliá-la em Marília cogitando a compra da grande área da Matarazzo que estava desativada. Não conseguindo fazer o negócio, optou para centralizar tudo em Jaguariúna - SP.

Desativado no início da década de 90, o prédio foi vendido para o empresário Rui Rocha de Souza e a partir de 2005 ali foi instalado o campus da FATEC (Faculdade de Tecnologia) de Marília, que iniciou as suas atividades em março 2006, com o curso superior de tecnologia em alimentos.