terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Indústrias Ítalo-Brasileiras - Cervejaria Bacchi



Baseado nos textos:
Ruas Botucatuenses e A Industrialização em Botucatu
Imagens dos rótulos cedidas pelo colecionador Paulo Antunes Júnior

As origens da Família Bacchi remontam-se à Idade Média. De estirpe nobre, originária de Modena, os antepassados do Sr. Petrarca Bacchi (Petrarcha) foram exclusivamente homens de armas. Vários deles participaram da Batalha de Beoca, contra os mouros, no dia de Santo André. No ano de 1022 passam a pertencer a Ordem dos Cavaleiros instituída pelo rei Roberto, o Devoto. Foram defensores de fé cristã e o brasão heráldico, representa a batalha de Beoca.

Petrarca Bacchi nasceu em Brescello, província de Reggio Emilia, Itália, em 13 de Novembro de 1817. Era filho de Domingos Bacchi e de dª. Maria Sommi Bacchi. Em 1896, fez a campanha da Abissínia sob as ordens do general Baratieri.

Em 1898 veio para o Brasil passando a residir na cidade de Sorocaba - SP. Nesse mesmo ano transferiu-se para Botucatu - SP.

Em 1901 contraiu núpcias com dª. Maria Petry. Desse consórcio teve os seguintes filhos: Domingos, casado com dª. Onélia Dromani; Sidraco, casado com dª. Teodomira Pampado; Hermínio, casado com dª. Ida Milanesi; Dr. Jacob, casado com da. Maria Dromani; Dr. Américo e Anita. Em segundas núpcias, casou-se com dª. Elvira Grazini e deste casamento as suas filhas Mariana e Marina.

A importância do 1º Ciclo Industrial de Botucatu que vai de 1890 a 1930, é medido pela grandiosidade do Grupo Industrial de Petrarcha Bacchi. O Sr. Petrarca Bacchi iniciou suas indústrias com um moinho de Fubá no local denominado hoje de Salgueiro, isto é, no começo da Rua Amando de Barros junto ao Lavapés; transferiu-se depois para o moinho do Russo hoje de propriedade do Sr. Adriano Ribeiro. Em 1909, mudou-se para a Avenida Floriano Peixoto, primeiramente com uma máquina de arroz. É esta a origem do grande parque industrial.

Da maquina de arroz o Sr. Petrarca Bacchi instalou um pastifício, depois a serraria, maquina de beneficiar algodão e café, fábrica de cerveja, gelo, sabão, fiação de algodão, a Usina Hidrelétrica (que alimentava suas industrias e fornecia para grande parte de Botucatu) e, finalmente, uma fabrica de chapéus. Cerca de 400 empregados trabalhavam nas Industrias Bacchi.

O edifício principal consta de cinco pavimentos. Na maior parte ocupado com a fabricação de macarrão. A esse edifício está ligado um outro ocupado na mesma fabricação. Logo nos fundos deste está o grande prédio especialmente construído para a fabrica de cerveja e gelo. Esta fábrica está sendo acabada de montar.

Esta fabrica está montada com os mais modernos maquinismos, movidos por um vapor de 120 cavalos e iluminada a eletricidade. A capacidade de produção dessa fabrica de cerveja é enorme e está previsto para o dia 20 de dezembro de 1916 a primeira partida de cerveja produzida.

O desenvolvimento dado pelo Sr Bacchi, em vinte anos de atividade industrial nesta cidade é digno de nota. A Câmara Municipal concedeu-lhe isenção de impostos durante vinte anos para essa grande fabrica de cerveja, atendendo ao grande impulso que ela vem dar a cidade e ao indireto aumento de rendas para o município.

Em 28 de fevereiro de 1920 é registrada a cerveja Vencedora sob o nº. 4397 da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

Em 30 de maio de 1922 é registrada a cerveja Princeza sob o nº. 5905 da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

As reuniões festivas em Botucatu eram sempre alegradas pelas cervejas das Indústrias Ítalo-Brasileiras – Cervejaria Bacchi, instalada em 1918 na Avenida Floriano peixoto 25, perto do pontilhão da Sorocabana, suas marcas: Vencedora, Botucatuense e Brasileira (mais baratas); Crystal, Muenchen e Moreninha (estas duas últimas escuras), que custavam um pouco mais.


Infelizmente não há um rótulo da cerveja Bugrinha em boas condições

Em 1925, Petrarca Bacchi se desentendeu com a Companhia Paulista de Eletricidade, pois esta não fornecia energia suficiente para tocar suas indústrias. Resolveu, então, montar usina própria na Estação do Lobo. Este desentendimento se arrastou por anos na justiça. Em 22 de julho a Camara de Botucatu aprovou a construção montagem e instalação da usina elétrica no Salto do Rio Pardo proximidades da Estação do Lobo.
A confusão só chegou ao seu témino em 6 de março de 1948 quando a Companhia Paulista de Força e Luz comprou a Empresa Elétrica Bacchi, passando a ser a única fornecedora de energia elétrica no município. O inspetor-chefe da Companhia Paulista de Força e Luz deu explicações: o fio-mestre da Empresa Bacchi será desligado e então ligado o da Companhia Paulista; permanecerão intactas as ligações de casas e indústrias, salvo aquelas que não oferecerem as condições de segurança determinadas pela lei; os medidores das casas até então servidas pela Empresa Bacchi serão substituídos gradativamente.
Pelo acordo havido entre as partes, com a interveniência e aprovação desta prefeitura e dos órgãos federais, a Companhia Elétrica Bacchi deixará de fornecer enegia elétrica em Botucatu, reservando a usina de lobo, de pequena capacidade para as necessidades das indústrias dos sucessores de petrarca Bacchi.

Para completar a visão do quadro de então e da "visão" daquele dinâmico e ousado imigrante, basta dizer que construiu uma Usina Hidrelétrica para "tocar" as suas indústrias, chegando a fornecer energia elétrica à cidade de Botucatu. Da mesma forma que a Matarazzo e a Votorantim, Petrarca Bacchi procurava ser auto-suficiente em energia elétrica, o que mostra que era um empresário moderno e avançado para a sua época.
Petrarca Bacchi, além da Usina Hidro-Elétrica do Lobo, que tenta colocar energia elétrica na cidade, possui as Indústrias Ítalo-Brasileiras, com Cervejaria (cerveja, refresco, gelo), Pastifício (massas alimentícias de vária ordem), Beneficiamento (algodão e arroz), Torrefação e Moagem do Café Sublime, Serraria Sant’Anna (carpintaria e fábrica de veículos de madeira), Posto de gasolina, óleo e querosene (fornecidos pela Anglo Mexican Petroleum), Armazém atacadista de cereais, compras a granel de algodão em caroço, e duas fazendas, a Vargem Grande e a Boa Vista.

A 1º de março de 1940 falecia, em São Paulo, o Sr. Petrarca Bacchi, onde se encontrava em tratamento no Sanatório "Esperança", sendo sepultado em Botucatu, consternando toda a cidade

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