sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cervejaria Santo Antonio


Texto e imagens retirados do Livro: Indústrias de Bebidas na Lapa
Autores: Valmor E. Mendonça e Marilia Souza do Valle


Antonio Dittrich que originalmente assinava Anton Dittrich, nascido na Áustria a 10 de janeiro de 1865, chegou ao Brasil, no ano de 1879, com quatorze anos de idade, veio em companhia de uma leva de imigrantes que aportaram inicialmente no Porto de Santos sendo que mais tarde, se dividiram, tendo migrado um grupo para a Colônia Dona Francisca em Santa Catarina, sendo que a maior parte dos mesmos se dirigiu para o Paraná, principalmente para as cidades de Curitiba e Lapa.

O Cervejeiro, como era conhecido o senhor Antonio Dittrich, era pessoa muito conhecida tendo participado ativamente na vida econômica e social da cidade. Foi um dos fundadores do Clube Teuto Brasileiro, onde tocava violino na banda, tendo tido atuação ativa, na Revolução Federalista, no episódio relativo ao Cerco da Lapa, tanto que foi merecedor de constar seu nome, entre os heróis daquele embate, perpetuado através de uma placa afixada no interior do Panteon dos Heróis.

Antonio Dittrich era casado com a Sra. Luiza dos Santos Dittrich, com quem teve quatorze filhos, entre os quais, pode-se citar Jose, Leocádio casado com Zenira Mayer Dittrich , Adolpho, Jorge, Luis casado com Guilhermina Helena Schelleter, Konrado casado com Olga Renaud Dittrich, Rosa casada com Fernando Weinhardt, Priscila, Tarcila, esta ultima, mãe da sra. Aline Zappa, pessoa muito conhecida na Lapa, por sua brilhante atuação, frente à educação, atuando em vários colégios, assim como, escritora.

Em 1898, com trinta e três anos de idade, e já residindo na Lapa, Antonio Dittrich decide iniciar a fabricação de bebidas e usando o conhecimento que certamente adquiriu em convívio com seus antepassados e antigos compatriotas funda a cervejaria Santo Antonio. A fábrica foi instalada na localidade conhecida como Stinglin, no quarteirão denominado de Casa de Telha, situada na periferia da Lapa, na antiga saída para a cidade de Rio Negro.

Residia na Avenida das Tropas onde posteriormente se instalou a indústria de bebidas de seu filho José, onde hoje se acha a Rodoviária da cidade.

Nos primeiros tempos de existência da fábrica, os rótulos eram estampados em língua alemã, havendo dois tipos de diferentes cervejas, um, a Exportbier tipo kulmbach, e outra a “Pschorr-bier”.



A cerveja produzida na época ficou conhecida como "cerveja barbante", porque a mesma era amarrada com um fio no gargalo, no intuito de segurar a rolha que fechava a garrafa, pois ocorria que se não se tomasse esse cuidado, com a movimentação ou trepidação, a mesma poderia saltar, devido ao processo de fermentação.

De acordo com documento de recolhimento de estampilhas, Antonio Dittrich fabricava uma cerveja tipo bávara, com a marca “Clarinha”, conforme foto do rotulo em anexo, alem de gasosas com sabor de frutas.



As garrafas eram importadas da Alemanha, sendo adquiridas de importadores de Curitiba, principalmente da Firma Charleshü e Cia., localizada na Rua Quinze de Novembro, nº 29, que era agente distribuidor para o Paraná, da Fabrica Santa Marina, fornecedores de garrafas vazias para a indústria de bebidas.

Toda a produção era vendida em bares e clubes da cidade e periferia, sendo as entregas feitas com a utilização de carroções, cujo uso e costume foi trazido por outros colonizadores, os poloneses, já que na época, não existia outro meio de transporte, como caminhões.

Ainda sobre a cerveja Clarinha, fabricada pela Cervejaria Santo Antonio, é de se registrar que em 1932, conforme a publicação Deutsche Kallenders, a Cervejaria Catarinense, de Joinvile, mais tarde absorvida pela Cia. Antarctica Paulista, fabricava uma cerveja clara, tipo pilsen, com o nome também de Clarinha. Isto só era possível, porque na época, não havia o regime de registros de patentes e marcas.

Esta indústria esteve em funcionamento ate o final da década de 30, do século XX, quando veio a fechar, possivelmente em função da dificuldade para a aquisição de matéria prima, no caso, o lúpulo e a cevada, produtos importados da Alemanha e da Califórnia, em conseqüência dos desdobramentos da Segunda Guerra Mundial.

Antonio Dittrich faleceu na cidade da Lapa, onde sempre morou, aos setenta e oito anos, no dia 20 de junho de 1943.


Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns pelo artigo, quero comprar seu livro>Isto sim é recuperar a memória.Você teria informações sobre Louis Schületer?
Pedro Pacheco
ppacheco@usp.br