quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Cervejaria Ritter 3 – Cervejaria C. Ritter & Irmão




Em 1870 chegaram a Pelotas com o objetivo de fundar uma fábrica de cerveja, Carlos (Karl) Ritter, nascido em 21 de janeiro de 1853 na Linha Nova, na época uma colônia (Picada Nova) (esta região pertenceu inicialmente a São Leopoldo, depois a São Sebastião do Caí; mais tarde fez parte de Feliz e hoje é sede de município que integra o Vale do Caí), casado com Augusta Jeanette Kessler e seu primo-irmão Frederico (Friedrich) Jacob Ritter casado com Emma Kratz. Logo a instalaram na Rua 24 de outubro (hoje Tiradentes), sobre a margem do Canal de Santa Bárbara.

Estes dois foram fundadores e proprietários da Cervejaria C. Ritter & Irmão que foi uma das maiores cervejarias do Brasil e também fazem parte das precursoras da cervejaria Continental.

Carlos Ritter era pessoa dedicada ao estudo da natureza e preocupado com a Ecologia, autodidata e dedicado aos negócios da fabricação da cerveja. Frederico era o técnico da Cervejaria, tendo obtido conhecimento em seu longo estágio na Alemanha. Ele fiscalizava a fabricação da cerveja, durante o dia e também em alguns momentos da noite, para controle da fermentação.

Mais tarde, em 1876, transferem a fábrica para a Rua Marechal Floriano no encontro com a Marquês de Caxias (atual Santos Dumont), em frente à popular "Praça do Pavão" (Cipriano Barcelos).



A Cervejaria Ritter montou a primeira fábrica de gelo em Pelotas, bem como a primeira usina elétrica da cidade. Fornecia gelo a população e a Santa Casa.

Em 1881, houve a primeira exposição teuto-brasileira, em Porto Alegre, onde se apresentaram as primícias da produção das colônias alemãs no Rio Grande do Sul, e lá já estava Pelotas. Pelotas representada pela Cervejaria Ritter com suas afamadas cervejas.

Em 1889, Leopold Haertel, descendente de alemães nascido em Porto Alegre, estabelece em Pelotas a Cervejaria Rio-grandense, contando com a sociedade de Carlos Ritter.





Na virada do século a cervejaria produzia 4,5 milhões de garrafas por ano, tendo obtido prêmios internacionais, cuja qualidade era garantida pela importação de equipamentos e técnicos alemães. Eram produzidas pela Cervejaria Ritter, entre o final do século XIX e início do XX, as cervejas Pelotense, Pilsen, Royal, Ritter Brau Preta e Maerzen-Bier, além da água mineral Apollo, da Gazoza Limonada Celeste e do Guaraná Ritter como informam as diversas propagandas publicadas nas revistas.


Seus porões são os mais impressionantes do subsolo de Pelotas, ocupavam a quadra toda e eram usados para estoque e fermentação da cerveja produzida na fábrica.



imagem: Arquiteta Singoala Miranda (http://www.tuneisdepelotas.xpg.com.br/)


imagens: Bruno Farias (http://www.tuneisdepelotas.xpg.com.br/)

Em 1901, Carlos Ritter viajou para São Paulo para localizar e fazer contato com seu sobrinho Frederico Augusto, filho de Henrique Ritter, para oferecer todas as condições para estudar e aprender o ofício de mestre cervejeiro na Europa.

De 30 de abril até 1º de dezembro de 1904, teve lugar a "Louisiana Purchase Exposition" (Exposição Internacional de St. Louis) em Saint Louis, Missouri, Estados Unidos da América, na qual a C. Ritter & Irmão, participou e sua cerveja recebeu como prêmio a medalha de prata.

Em 1911, o polo cervejeiro pelotense alcança a produção anual de 6 milhões de garrafas, além de gelo e gasosas, chegando a empregar 250 operários.

Entre 1908 e 1913, Carlos Ritter mandou construir sua nova residência, um grande sobrado em meio a um gigantesco jardim romântico, na Av. Duque de Caxias, dando-lhe o nome de Villa Augusta (homenagem à sua esposa). Edifício de dois pavimentos, porão habitável e sotéia, construído com grande requinte.


No entanto a grande herança que o proprietário da cervejaria Ritter & Irmão deixou para a cidade não foi a bebida, mas sim a curiosa coleção de insetos, considerada pelos cientistas como a maior do Brasil. Apaixonado pela fauna brasileira, Carlos Ritter dedicava todo seu tempo livre a coletar e classificar os insetos. Em alguns casos não se contentou apenas em guardá-los nos tradicionais estojos e utilizando-os como matéria-prima para colagens e montagens artísticas.





Uma delas foi dada como presente à princesa Isabel, quando de sua passagem por Pelotas em 1885. Em outro quadro, o naturalista reproduziu com exatidão a fachada da segunda sede da cervejaria da família, enquanto em um terceiro, feito em 1890, exaltou a saudade da pátria de seus pais com os dizeres Deutsche Reich - Eine Gkeit Macht Stark ou Império Alemão - A união faz a força.

Na década de 10 ou 20, os maços de cigarros traziam algumas séries de figurinhas com propagandas em fotos ousadas para a época e entre as diversas propagandas haviam as da Cervejaria Ritter, abaixo, algumas delas:
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Mais imagens de figurinhas aqui e aqui

Quando Carlos Ritter morreu em 1926, sua família doou a coleção à Faculdade de Agronomia. Em 1970 foi criado o museu natural para onde foi levado o acervo, que recebeu seu nome.

A residência foi vendida ao município, em 1928, e passou a abrigar o Instituto de Higiene Borges de Medeiros. Em 1958 a propriedade foi doada à futura faculdade de Medicina de Pelotas, fundada no ano seguinte e definitivamente instalada em 1963.


Em julho de 1924, a cervejaria da família Ritter já havia passado a fazer parte do Consórcio Continental, formado quando as firmas Bopp Irmãos (sucessores de Carlos Bopp), Bernardo Sassen e Filhos (sucessores de Guilherme Becker e Bernardo Sassen) e Henrique Ritter e Filhos (sucessores de Henrique Ritter) fundiram-se sob a razão social Bopp, Sassen e Ritter e Cia. Ltda. Surgindo assim um novo estabelecimento comercial, denominado Cervejaria Continental, que se instalou na Rua Cristóvão Colombo, 625.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Cervejaria Ritter 2 – Cervejaria Henrique Ritter Filho / H. Ritter & Filhos





Henrique (Heinrich) Ritter, tornou-se fabricante de cerveja, seguindo os passos do pai, e foi o primeiro brasileiro nato do ramo que iniciou com Georg Heinrich Ritter, Henrique nasceu em 15 de abril de 1848, em Linha Nova, RS, cerca de dois anos após a chegada de seus pais, Georg Heinrich Ritter e Elizabeth Fuchs, ao solo gaúcho

A partir de 1877, já casado com Paulina Kessler Ritter, Henrique Ritter dedicava-se ao comercio em São Lourenço do Sul. Em 1880, Henrique Ritter firmou sociedade com o cunhado Christian Jakob Trein, casado com Elizabeth Ritter Trein, na grande casa de comércio que entre 1870 e 1910, dominou a atividade comercial em São Sebastião do Caí e passou a chamar-se “Trein e Ritter” a partir da chegada do novo sócio.

Com a sociedade sendo desfeita em 1888, a família de Henrique Ritter transferiu-se para a capital do Estado. O motivo dessa transferencia, ao retirar-se da sociedade, foi a necessidade de auxiliar sua prima-irmã, Elisabeth Ritter Becker, (filha de Friedrich Georg Ritter e Maria Margarida Konrad Ritter, que se havia tornado enteada de seu pai após o segundo matrimônio) bem como seu esposo, Guilherme Becker, que estava muito doente.

Por volta de 1890, após se afastar da Cervejaria Becker, Henrique Ritter, passou a realizar o projeto de criação de sua própria cervejaria, comprou um grande terreno no bairro Moinhos de Vento, situado à Rua Mostardeiro, número 10, com frentes para as Ruas Mostardeiro e Miguel Tostes (antiga Rua Esperança) e lateral para a 24 de Outubro, Henrique construiu um prédio de dois andares. A família passou a residir no andar superior com entrada pela Miguel Tostes.

A fábrica, que iniciou a produção no ano de 1894, com o nome de Cervejaria Henrique Ritter Filho, ocupou o térreo com salas de fermentação, tanques, seção de engarrafamento. Também faziam parte do complexo as moradias de empregados, bem como estrebarias, que eram necessárias porque a distribuição da bebida era feita em carroções puxados a cavalo, imediatamente se impõe na cidade, tanto por suas instalações como pela qualidade de seus produtos.

Para manter a cervejaria em bom funcionamento, Henrique Ritter contava com o auxílio dos filhos mais velhos, Henrique Valdemar e Frederico Augusto, e, posteriormente, Carlos Oscar. As meninas não trabalhavam naquela época e os outros meninos eram muito jovens.


Foto dos funcionários - 1897

Por volta de 1897, Frederico Augusto abandonou a casa paterna e foi trabalhar em diversas cervejarias, conseguiu um emprego na fábrica de cerveja de Frederico Pavel, localizada em Rio Novo, Minas Gerais. Contudo, em 1898, afastou-se da empresa por sua livre vontade, conforme atestado de boas referências, assinado pelo proprietário no dia 8 de maio daquele ano. No ano seguinte, Frederico estava morando em São Paulo, onde viveu a passagem para a entrada no século XX trabalhando na fábrica de cerveja Bavária. Distante da família, com a qual havia deixado de manter contato, o rapaz foi contratado por essa indústria aos 19 anos, no dia 1º de julho de 1899. Conforme atestado curiosamente escrito em alemão, o período de aprendizado de “Fritz” Ritter durou até 1º de julho de 1901. Podemos inferir que esse documento tenha sido necessário para seus estudos posteriores na Alemanha.

O também cervejeiro e tio Carlos Ritter irmão de seu pai, ofereceu a Frederico todas as condições para estudar e aprender o ofício de mestre cervejeiro na Europa.

Após aceitar a proposta da família paterna, em agosto de 1901 Frederico já se encontrava na Alemanha. De setembro de 1901 a março de 1902, ele atuou como estagiário na fábrica de malte Eduard Scharrer & Co, localizada em Kannstatt-Stuttgart. Ainda em 1902, freqüentou o semestre de verão da escola de cervejaria Brauerakademie München, conforme prova o diploma de Mestre Cervejeiro que obteve em 20 de agosto daquele ano. Um mês após receber o diploma, Frederico obteve um certificado de conclusão do curso de quatro semanas sobre técnicas de laboratório e de microbiologia dos fermentos. Com o título de Mestre Cervejeiro, teve boas oportunidades de colocar seu conhecimento em prática e aprender ainda mais em fábricas de cerveja alemãs. Assim, entre outubro de 1902 e fevereiro de 1903, trabalhou como técnico na Stadtbrauerei Aue, segundo atestado assinado em 19 de fevereiro de 1903 pelo supervisor e proprietário Edmund V. Becher. Nos meses seguintes, entre 22 de fevereiro de 1903 e 7 de maio de 1903, viveu na cidade de Plauen, localizada junto a Dresden, tal como a cidade de Aue, onde fez um estágio prático na fábrica de cevada Sächsiche Malzfabrik, Plauen bei Dresden.

O que parece ter sido seu último estágio ocorreu na cidade de Saybusch, na Erzherzoliche brauerei, no período de 15 de maio a 3 de novembro de 1903. Sabemos também que esteve por algum tempo na cidade de Pilsen, na República Tcheca.

Ao retornar ao Brasil, em fins de 1903 ou início de 1904, passou a utilizar os seus conhecimentos de mestre cervejeiro adquiridos no exterior trabalhando na empresa do pai. Sua influência para a renovação dos negócios da família foi significativa, pois logo após seu retorno, entre os anos de 1904 e 1905, foi construída uma nova fábrica e investiu-se na aquisição de máquinas e equipamentos mais modernos.

Dessa forma, em 1906, a fábrica Ritter mudou-se para a Rua Voluntários da Pátria 501, no bairro Navegantes, em Porto Alegre, onde foi inaugurada a nova cervejaria Ritter sob a razão social: H. Ritter & Filhos. Henrique Ritter e a esposa Paulina permaneceram residindo com os filhos solteiros na Rua Miguel Tostes.

O significado do termo Ritter na língua alemã é cavaleiro, e este era o símbolo da empresa renovada e marca de uma de suas cervejas. Outras marcas dadas à bebida foram Capital, Favorita, Continental tipo Pilsen, Africana e Hércules.





foto dos funcionários - 1913

Em 1916, a empresa de H. Ritter & Filhos figurava em oitavo lugar entre as fábricas do Quarto Distrito quanto ao número de operários.



Henrique Ritter veio a falecer em 16 de maio de 1921, em Porto Alegre, RS.

Em julho de 1924, a cervejaria da família Ritter passou a fazer parte do Consórcio Continental, formado quando as firmas Bopp Irmãos (sucessores de Carlos Bopp), Bernardo Sassen e Filhos (sucessores de Guilherme Becker e Bernardo Sassen) e Henrique Ritter e Filhos (sucessores de Henrique Ritter) fundiram-se sob a razão social Bopp, Sassen e Ritter e Cia. Ltda. Surgindo assim um novo estabelecimento comercial, denominado Cervejaria Continental, que se instalou na Rua Cristóvão Colombo, 625.


Cervejaria Carlos Bopp / Fábrica de Gelo e Cervejaria Bopp & Irmãos




No final do século XIX, Porto Alegre se destacava por ser uma espécie de capital da cerveja - havia 21 fabricantes, segundo o historiador Gunter Axt. A maior parte se localizava no bairro Floresta, onde a comunidade alemã traçou um novo perfil à região.

A principal avenida do bairro Floresta, começou a existir como Estrada da Floresta, que ligava o centro da cidade, onde havia um certo ordenamento social, mesmo incipiente, a um morro coberto de bela mata virgem. Pela localização, ao lado do Guaíba, o centro não tinha como se expandir e as pessoas, que chegavam mais a cada dia, foram procurando novas terras. A Estrada da Floresta foi um desses caminhos. Um local perfeito, porque a floresta era uma fonte de energia gratuita – muita lenha para os fogões. E aos empreendedores, matéria-prima para as madeireiras que descobriram aquela mina.

Com a abertura do Caminho Novo, essa zona passou a se integrar mais com a cidade. Era uma região bucólica, onde famílias abastadas mantinham suas chácaras. A floresta que deu nome ao bairro, diz o pesquisador, era a do atual Morro Ricaldone. Alemães e descendentes que chegavam à capital gaúcha instalaram serrarias, madeireiras e outras oficinas na área, usando essa vegetação.

E foi no Caminho Novo (atual Rua Voluntários da Pátria) próximo à Rua Ramiro Barcelos, em 6 de outubro de 1881, que nasceu mais uma precursora da Cervejaria Continental, a fábrica de cerveja do descendente de alemães Carl Bopp (Carlos), nascido em 1847 em Estância Velha e dono de uma fábrica de vidro e uma funilaria no bairro. Tendo se iniciado na fabricação de cerveja por acaso, a cervejaria nasceu de uma sugestão de sua esposa Maria Luisa, filha de um cervejeiro de Pelotas, que para reduzir o prejuízo de ter executado uma encomenda de uma caldeira (enorme tacho) que o cliente jamais fora buscar, a utilizasse para fazer cerveja. A mulher assumiu a produção, e nos fins de semana o marido colocava as garrafas num carrinho de mão para vender na vizinhança, a produção chegou a alcançar 150 garrafas.




Em 12 de dezembro de 1886, a Cervejaria Bopp se transferiu para o terreno da Rua da Floresta nº 11, atual Rua Cristóvão Colombo, próximo à Cervejaria Becker.




Rótulo registrado em 1896 com a marca Krupp da cervejaria Bopp & Cia trazendo representações de lúpulos e de cevadas dispostos simetricamente em volta de duas molduras ovais sobrepostas que servem de painel onde figura próximo a uma trincheira um soldado acionando um canhão marca Krupp, interessante trazer a inscrição "Pelotas", talvez alguma alusão à Revolta da Armada, onde a paz finalmente foi assinada em Pelotas no dia 23 de agosto de 1895.





De 30 de abril até 1º de dezembro de 1904, teve lugar a "Louisiana Purchase Exposition" (Exposição Internacional de St. Louis) em Saint Louis, Missouri, Estados Unidos da América, na qual a Carlos Bopp participou e sua cerveja recebeu como prêmio a medalha de bronze.

O sucesso da receita caseira foi tão grande que em 1907 a cervejaria que ficou conhecida como "Fabrica da Figueira" já era uma das mais importantes do país. Carlos Bopp gostava de dizer que quem tomava cerveja ficava forte como um elefante. Por isto, o grande animal passou a ser uma espécie de símbolo da família.

Em fevereiro de 1908, Bopp encomendou a construção de um prédio e um projeto industrial para a instalação de caldeiras à firma Steinmüller (provavelmente de Hamburgo, Alemanha) com as caldeiras propriamente ditas fornecidas pela firma J. Rech daquela cidade. Esse projeto foi reelaborado em agosto de 1908, por Hermann Otto Menchen arquiteto da firma de Ahrons, e construido junto aos prédios já existentes.

Em 1908, os três filhos do funileiro (Carlos, Arthur e Alberto) deram inicio à Cervejaria e Fábrica de Gelo Bopp & Irmãos.


Em abril de 1910 os irmãos Bopp decidiram construir um novo prédio, com 27 metros de frente por outros tantos de fundos e com previsão de aumento de mais 18 metros nos fundos, no terreno da Rua Cristóvão Colombo n° 545, 691 e 695, no bairro Floresta em Porto Alegre – RS.
No dia 6 de maio de 1910 o jornal Correio do povo, noticiava:
"...Cervejaria Bopp - Com o dr. Rudolph Ahrons, os industrialistas desta praça sr. Bopp & Irmãos contrataram a construção de um magestoso edificio para o funccionamento da cervejaria daquelle nome.
A rua Christovam Colombo (Floresta) ficará assim dotada de mais um predio digno di adiantamento desta capital. Como já tivemos occasião de noticiar, a Cervejaria Bopp vae desenvolver, em grande escala, a sua producão, de forma a poder attender à exportação para outros mercados nacionaes. Já está em viagem para a Allemanha, aonde chegará dentro de breves dias, o capitão Carlos Bopp Filho, que ali adquirirá machinismos modernos e outros pertences, de fórma a dotar o estabelecimento de todos os requisitos necessarios. Os trabalhos da construcão do novo edificio da fabrica dos srs. Bopp & Irmãos já foram encetados, sob inspeção immediata do dr. Rudolph Ahrons...".

Este prédio de tres andares foi projetado pelo arquiteto alemão Theodor Wiederspahn e construído por Rudolph Ahrons e decorado pela equipe de decoradores de João Vicente Friederichs, entre eles Alfred Adolff um dos maiores escultores decoradores de Porto Alegre. Conta com uma área de 42.000m2, decorado com lindas esculturas na sua fachada, foi o maior prédio de cimento armado do Brasil nesta época, composto por um piso superior contínuo que servia para armazenamento de matéria prima, na parte frontal do térreo, havia um pé-direito duplo e servia de expedição enquanto nos fundos, no térreo estavam os tanques de cerveja pronta que seria engarrafada no piso intermediário.

Mas o prédio ia além da funcionalidade: sua decoração externa não foi considerada mero detalhe, tanto que consumiu 10% do custo total da construção. A fachada funcionava como um gigantesco outdoor, que, por um lado, incentivava o consumo de cerveja e, por outro, afirmava os valores daquela nova elite que utilizaram a arquitetura de seus empreendimentos para afirmar sua posição social. A fábrica era considerada sinônimo de progresso, riqueza e civilização. Sendo assim aumentado e dotado de todos os recursos técnicos, imponente e com uma produção impressionante para a época – 30 mil garrafas por dia – produzindo as cervejas: Pielsen, Hercules, Elefante, Negrita, Comercial e ainda o Guaraná Continental a nova fábrica possuía um dínamo que fornecia toda a luz do edifício, um elevador de 15 metros de altura, hidráulica própria (com água captada do Rio Guaíba) e salas de análises químicas. Todo o maquinário era importado da Alemanha.

Em 1911 Carlos Bopp veio a falecer e neste mesmo ano em 27 de outubro, o segundo prédio da Cervejaria Bopp foi inaugurado.


Com o consequente aumento da produção, em maio de 1912, foram iniciados os projetos de construção de um aumento na casa de máquinas, de um grande tanque de água e de uma nova chaminé de 35 metros de altura que só foram concluidos com a chegada da nova maquinaria em meados desse ano.
Em junho de 1912 a firma Linde Maschinenfabrik A.G., de Wiesbaden foi encarregada do projeto da fábrica de gelo.
Para dar vazão a crescente demanda houve a necessidade de uma completa reformulação de toda a fábrica. Em maio de 1913 foi iniciado o projeto industrial de um novo prédio para caldeirões de cozimento na firma A. Ziemann, de Stuttgart, Alemanha, com projeto arquitetônico realizado na firma Bihl & Woltz, da mesma cidade, em julho de 1913 esse projeto foi complementado pela firma A. Ziemann com a adição de uma central de moagem de cereais realizada pela firma Schindler & Stein A.G. de Dresden, Alemanha. Além disso uma nova fábrica de gelo foi desenvolvida pela firma Linde Maschinenfabrik A.G., de Wiesbaden.
Em outubro de 1913, foi assinado o projeto do "pavilhão sul", o terceiro prédio do conjunto que seria recuado em relação à Rua Cristóvão Colombo em planta quadrada de 14 metros de lado com tres pisos e porão, com um passadiço ligando o pavilhão sul ao conjunto de prédios já concluídos.


Na imagem dá para ver nítidamente os tres prédios (de 1908, 1911 e 1914)

Em 1914 a Bopp fez a conversão de sua fabrica de Cervejaria de alta fermentação para baixa fermentação.

No primeiro dia de julho de 1924, as indústrias denominadas Bopp Irmãos, Bernardo Sassen e filhos e sucessores de Henrique Ritter (com fábricas em Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande) promovem uma fusão (reunindo as famílias cervejeiras Ritter, Becker, Sassen e Bopp) caracterizando-se em uma única empresa, dando ao estabelecimento comercial a denominação de Cervejaria Continental (Cervejaria Bopp, Sassen, Ritter e Cia. Ltda.) que se instalou no edifício da antiga Cervejaria Bopp Irmãos, na Rua Cristóvão Colombo nº 545, 691 e 695, no bairro Floresta, em Porto Alegre - RS.


Cervejaria Becker / Sassen - Guilherme Becker/ Bernhard Oswald Sassen


Outra cervejaria precursora da Cervejaria Continental foi a cervejaria de Guilherme Becker, alemão que emigrou para o Brasil em 1869.

Na Alemanha onde nasceu ele havia trabalhado como polidor de ágata e pedras semi-preciosas, nos primeiros tempos no Brasil, trabalhou no calçamento da rua Cristóvão Colombo, em Porto Alegre.

Ainda solteiro, Guilherme transferiu-se para a Linha Nova para trabalhar na fábrica de cerveja de Georg Heinrich Ritter, com quem aprendeu o ofício de cervejeiro.

Em 9 de fevereiro de 1878 casou-se com Elisabeth Ritter e recebeu o incentivo do tio e padrasto de sua esposa, tido como sogro, para construir a residência da família e instalar a fábrica de cerveja em um terreno localizado no bairro Floresta, em Porto Alegre.

Guilherme Becker conseguiu instalar sua cervejaria, em Porto Alegre, no início do ano de 1879.

Do casamento, com 11 anos de duração, de Guilherme e Elisabeth nasceram quatro filhos:

Helma, que perdeu a vida com 7 anos de idade, Lydia, Guilherme e Olga. Esta última, mais tarde, casaria com o primo em segundo grau Frederico Augusto, filho de Henrique Ritter, com o qual convivera desde a infância.

Em 1881, sua cerveja recebeu medalha de ouro na Exposição Brasileira-Alemã, em Berlim, distinção que não foi concedida a nenhuma outra marca de cerveja.



As atividades insalubres a que se dedicou durante a juventude causaram-lhe uma moléstia nos pulmões, denominada silicose, produzida pela inalação de pó de pedra ou de areia. Apesar de ter procurado cura na Alemanha, veio a falecer aos 39 anos, no dia 4 de junho de 1889, em Porto Alegre.

Quando de sua morte o capital da cervejaria era de 600:000$000 (seiscentos contos de réis) e as vendas anuais dos seus produtos sobem a mais de 300:000$000 (trezentos contos de réis). A cervejaria, que se acha superiormente instalada, pode fabricar até 3.000 hectolitros de diversas qualidades, como sejam Becker, Colombiana e Becker Bock, todas elas engarrafadas no estabelecimento. O maquinismo, acionado por um motor de 150 hp, representa o que há de moderno e aperfeiçoado. Para o transporte das mercadorias, dispõe a fábrica de 5 carros e vagões e 30 cavalos e mulas. Nos seus diversos serviços, trabalham 30 pessoas. Os seus produtos são vendidos pelo interior do estado.

Henrique Ritter decidiu administrar e trabalhar nessa empresa no período da enfermidade de Guilherme e, posteriormente, durante a viuvez da prima Elisabeth Ritter Becker. Desse modo, administrou os negócios da prima-irmã e somente se afastou quando sua prima-irmã, Elisabeth Ritter Becker decidiu casar-se novamente algum tempo depois, aos 33 anos. A união com Bernhard Oswald Sassen ocorreu no dia 7 de outubro de 1890. O noivo, com 38 anos, era um alemão que havia emigrado para o Brasil em 1870 e fora amigo do falecido marido de sua nova esposa.

Bernardo Sassen, nasceu em 1852, na Alemanha, onde fez os seus estudos e adquiriu prática comercial. Veio para Porto Alegre em 1869 e aqui iniciou negócios por conta própria. Assim, passou a administrar a cervejaria Becker.

Henrique, por sua vez, com toda a sua experiência tomou a decisão de continuar no ofício de cervejeiro e realizou o projeto de criação de sua própria cervejaria.

No dia 9 de fevereiro de 1909 o jornal Correio do Povo noticiava na seção "Diversas":

"...Cervejaria Becker - Chegou a esta capital, com procedencia de Munich na Allemanha, o engenheiro Fritz Mack, que vem armar as novas machinas da Cervejaria Becker, do sr. Guilherme Sassen, á rua Christovão Colombo..."


No dia 26 de setembro de 1919, o jornal A Federação publica o requerimento junto à Junta Comercial de Porto Alegre do arquivamento do contrato social realizado entre Bernardo Sassen, Bernardo Sassen Júnior e Guilherme Becker (filho) com o capital de 1,750:000$000.

Na década de 1920, a cervejaria de Bernardo Sassen e Filhos (sucessores de Guilherme Becker e Bernardo Sassen) passou a fazer parte do Consórcio Continental, formado em julho de 1924 quando as firmas Bopp Irmãos (sucessores de Carlos Bopp), Henrique Ritter e Filhos (sucessores de Henrique Ritter) fundiram-se sob a razão social Bopp, Sassen e Ritter e Cia. Ltda. Surgiu assim um novo estabelecimento comercial, denominado Cervejaria Continental, que se instalou na rua Cristóvão Colombo, 625.

Cervejaria Leopoldo Haertel / Cervejaria Sul Brasil Ltda.





Em 1889 é fundada pelo capitão Leopoldo Haertel, um imigrante alemão da região de São Leopoldo, Vale dos Sinos, a Cervejaria Sul-Riograndense Fábrica de cerveja, gelo e águas gasosas (os refrigerantes da época), popularmente conhecida como Cervejaria Haertel e uma das precursoras da Cervejaria Continental.

O investimento chega a 600 mil réis, obtidos mediante empréstimo junto aos proprietários de outra cervejaria em atividade no Município, a Ritter.

O primeiro endereço da Cervejaria Sul-Riograndense é na Rua Conde de Porto Alegre, 44, na zona do porto em Pelotas - RS, no mesmo terreno em que o conjunto de prédios construídos em diferentes épocas está instalado.





É desta época uma das mais antigas bolachas de chopp conhecida.



Entre 1914 e 1915 são erguidos os novos escritórios, voltados para a rua Benjamin Constant com entrada pelo número 51, e um prédio de cinco pavimentos junto à rua José do Patrocínio.



Em 1922, conforme documentos, a Cervejaria ostenta grande desenvolvimento. Fabrica as cervejas Peru, Moreninha, São Luís, Preta e Commercial (tipo Dortmunder). Ultrapassando a impressionante marca das 16 mil garrafas diárias e é através do bonde, o principal meio de transporte que liga o Centro de Pelotas à região portuária, que os estabelecimentos comerciais da cidade são abastecidos com as cervejas e gasosas produzidas na indústria.

Em 1931 todo o conjunto ganha reforma e um novo depósito, desta vez para o lado da Rua João Pessoa. Esta espécie de colagem - termo técnico empregado na arquitetura - resulta na criação de um conjunto arquitetônico com volumetria bastante diversificada e agradável, marcado por estilos heterogêneos.



diretores da cervejaria

Após o fim das atividades da Cervejaria Sul-Riograndense, o local passa a ser utilizado primeiro como depósito de arroz. Em 1944 o prédio que hoje se encaminha para a destruição é vendido à Companhia Cervejaria Brahma - atual proprietária. Agora administrada pela Ambev (Companhia de Cervejas das Américas), holding que controla também a Antarctica, a Brahma mantém no local até 1998 sua filial e distribuidora. Um ano depois, um pedido para realizar obra de demolição já tramita no Ministério Público.

Cervejaria Antonio Klinger



Anton (Antonio) Klinger um imigrante austríaco de Kittlitz-Falkenau na Böhmen, Alemanha, casado com uma descendente de alemães, Marie Sussane Ritter nascida em 02/05/1862 e falecida em 23/09/1940, veio para Rio Grande onde trabalhou como colono e professor até 1883, tornando-se, então, proprietário de uma cervejaria, em seguida ampliada com a produção de malte.


Em 8 de janeiro de 1890, ocorreu um grande incêndio e nada se pode salvar, a fábrica e demais dependências, bem como a moradia e os móveis estavam no seguro pelo valor de 60.000$000 na Northen Assurance Company e o inquérito policial apurou que o incêndio foi casual.

Alguns anos mais tarde, Antonio Klinger liquidou suas duas fábricas e transformou-se em representante de uma poderosa cervejaria sediada em Pelotas, a Cervejaria Ritter pertencente a seus dois cunhados Carl e Frederico Ritter.

Além dos cunhados, outros parentes próximos possuíam cervejarias em Porto Alegre e em São Lourenço.


Fábrica de Cerveja Guarani / Fábrica de Cerveja e Gelo Columbia


Ângelo Franceschini, veio da Itália para o Brasil em 1875, em 1880 junto com A. Belluomini, seu sócio, fundou sua primeira fábrica de cerveja, a Fábrica de Cerveja Guarani, na Rua Cônego Scipião 19 (antiga Rua 24 de maio), em Campinas – SP, prédio que até 1988 ainda resistia ao tempo.

Em 22 de agosto de 1885, o jornal Gazeta de Campinas - SP, publicou que foi realizada nos salões da Faculdade de Direito, em São Paulo - SP, a Exposição Provincial e que obtiveram prêmios nessa exposição diversos expositores de Campinas. Entre os produtos premiados constava a cerveja branca de A. Franceschini & A. Belluomini, na “Seção Indústria Manufatureira – Cervejas".

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Em 1906 através de seu fundador Ângelo Franceschini, a Fábrica de Cerveja e Gelo Columbia começou a funcionar na cidade de Campinas – SP, no prédio de tijolo à vista da Avenida Andrade Neves 103. Esse prédio construído em 1873 para abrigar a Cia. MacHardy, primeira fundição de Campinas. Foi comprado pela Columbia quando a Cia. MacHardy enfrentou problemas financeiros no final do século 19 e se transferiu para
O capital empregado foi de 1,727:091$736 (1 milhão, 727 mil, 91 contos e 736 réis), todos os produtos eram elaborados com matéria-prima alemã. Seus produtos receberam medalhas de ouro e diploma de honra nas exposições de Torino em 1911 e em Roma em 1913.

Fabricava entre outras, as cervejas: Franciscana, Duqueza, Colúmbia, Negrita e ainda o Guaraná Cristal.

A produção anual de cerveja, refrescos, gasosas, água mineral e xaropes eram de 15 mil hectolitros. Seu movimento era de cerca de 1500 contos por ano. A fábrica utilizava 70 empregados e tinha importação anual de 100:000$000 (cem mil contos de réis).







No edifício de tijolo a vista, a partir de 1933 foi fabricada uma cerveja preta criada em homenagem ao cavalo de nome Mossoró que ganhou o 1º Grande Prêmio do Brasil, no rótulo da garrafa de cerveja estava estampada a cara do cavalo campeão.

Curiosidade: A cor do cavalo Mossoró, vencedor do GP Brasil, era tordilho isto é: acinzentado, a cor básica escura entremeada uniformemente por pelos brancos. Talvez por problemas de impressão gráfica, os rótulos aparecem, ao longo do tempo, com a cor do Mossoró variando do branco até o preto.

Em 1957 a fábrica foi incorporada pela Antártica, transformando o prédio em depósito de sua fábrica que já existia ao lado. Gradativamente os produtos da Columbia deixaram de ser produzidos, a Antarctica ainda produziu por um certo tempo a cerveja preta Mossoró.


No dia 1º de outubro de 2004 foi dado um passo importante envolvendo a Prefeitura, a Sanasa e a AmBev, o terreno que tem 2.736,30 m2, dos quais 1.691,20 m2 de área construída e que se encontra vazio e abandonado desde 1989, foi desapropriado por decreto pela Prefeitura. A Sanasa vai pagar a desapropriação amigável de R$ 750 mil parcelados em cinco vezes e restaurar o prédio, mantendo a fachada original, para ali instalar oficinas de carpintaria e eletromecânica, além de um “Centro de Memória da Água” em que serão expostos equipamentos que contam a história do abastecimento de água em Campinas.