Mostrando postagens com marcador Henrique. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Henrique. Mostrar todas as postagens

01 outubro 2010

Cervejaria Adriática



Nas atividades industriais exercidas pelos alemães, merece destaque o fabrico de cerveja. Muitas fábricas de importância regional foram instaladas e posteriormente absorvidas pelas grandes indústrias de São Paulo ou do Rio de Janeiro. Entre tais cervejarias destacou-se principalmente a Cervejaria Adriática em Ponta Grossa, Estado do Paraná.


No final do século XIX, o alemão Heinrich (Henrique) Thielen, natural da Alemanha, chegou ao Paraná com 9 anos de idade, indo residir com sua família no litoral do Estado, mais precisamente nos arredores da cidade de Morretes, sobrevivendo da lavoura. Pouco tempo depois mudou para Curitiba e posteriormente radicou-se em Ponta Grossa. Seu nome está indissociavelmente ligado ao da Cervejaria Adriática, um dos maiores símbolos da identidade ponta-grossense.

Em 1893 a Cervejaria Grossel abre uma filial, na Rua do Chafariz (atual Avenida Vicente Machado), em Ponta Grossa.

Aos quinze anos de idade, Henrique empregou-se na fábrica de cerveja que era na verdade a dona do capital investido na fundação da Cervejaria Adriática. Por volta de 1896 e somente depois de instalada a indústria em Ponta Grossa é que Henrique Thielen, seu primeiro administrador passa a dirigir a fábrica, tornando-se sócio e mais tarde, seu proprietário, alterando, em 1906, o nome para Fábrica Adriática de Cervejas de Henrique Thielen, nesta época produzia e vendia cerveja, gelo, águas minerais e malte.
A constante ampliação dos mercados fez com que Thielen trouxesse da Alemanha, no final da década de 1910, novos equipamentos com capacidade de produzir ate 30.000 hectolitros/ano de cervejas, gasosas e agua mineral.

Desde sua fundação ate o ano de 1911 a Adriática somente produzia duas qualidades de cerveja, uma clara e outra escura, ambas em alta fermentação. A partir desse ano, Thielen diversificou a produção, e começou a fabricar cerveja com baixa fermentação, instalando maquinas que produziam anualmente 6.000 hectolitros da bebida. A qualidade das cervejas da Adriática garantiu a Thielen uma grande inserção nos mercados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina. Além desses, diversos outros estados brasileiros, bem como diversos países europeus, eram abastecidos com os produtos da indústria comandada por Henrique Thielen.

Na fábrica foram elaboradas técnicas de produção de gelo e de águas minerais, cujas marcas “Soda Limonada”, “Framboeza”, “Salus” e “Gengibirra” conquistaram o gosto dos consumidores da época.

Pretendendo ampliar ainda mais seus negócios e melhorar a quantidade da cerveja que produzia, Henrique Thielen solicita durante governo do prefeito José Bonifácio Guimarães Vilela licença para a construção da grande fábrica de cerveja Adriática, na Avenida Vicente Machado.



Em 1913 encaminha seu filho Alberto para a Alemanha, com objetivo de aprimorar a técnica de cervejeiro. Este permaneceu na Europa entre 1913 e 1919.

Em 9 de agosto de 1913 registra a Cerveja Brilhante sob o nº 1157 da Junta Comercial do Estado do paraná.

Em 22 de dezembro de 1918 registra a Cerveja Adriática sob o nº 1467 da Junta Comercial do Estado do paraná.

Em 1919 Alberto retorna à Ponta Grossa, assumindo a condição de sócio da indústria do pai, criando a Companhia Cervejaria Adriática S/A, transformando em sociedade anônima a já existente Cervejaria Adriática, antiga fábrica de cerveja de seu pai, Henrique Thielen.

A Companhia Cervejaria Adriática S/A foi constituída em 2 de julho de 1919, tendo sido publicados os atos de sua constituição no Diário Oficial, do Paraná, de 11 de agosto do mesmo ano, dotando-a assim de um maior poder econômico e, conseqüentemente, garantindo a expansão de suas atividades. Quando isso ocorreu, a área física ocupada pela indústria era de 3.500 metros quadrados. Cerca de 120 operários trabalhavam na Adriática, todos protegidos por seguro da Companhia Lloyd Industrial Sul Americano, uma raridade para aquela época. Essa particularidade condiz não exclusivamente com uma preocupação com os operários da fábrica, mas também com um olhar visionário da indústria. Pensando que qualquer debilidade física do operário cervejeiro acarretaria num tempo contado de prejuízo para a fábrica, um auxílio a qualquer tipo de dano que condicionaria na paralisação das funções do indivíduo na fábrica se transforma, nesse caso, numa circunstância de seguro para a produção da fábrica e não simples e unicamente uma forma de proporcionar segurança ao proletariado da empresa.

Em 1921 é anunciado no jornal: A Companhia Cervejaria Adriática S/A ("palácio do néctar espumante"), à frente o dinâmico cel. Henrique Thielen, joga no mercado quinze mil dúzias de "Adriática Pilsen, Adriática Poschorr, Operária, Primor" e a muito afamada "Cachorrinha", todas "leves e límpidas no seu amarello-topázio".


Por tudo isso a Adriática tornou-se o maior símbolo da industrialização ponta-grossense. Devido a relevância da indústria, Thielen ingressou na política. Foi nomeado Coronel da Guarda Nacional pelo Governo Federal e escolhido como Presidente de Honra do Centro Commercio e Indústria de Ponta Grossa (antecessor da ACIPG), quando da fundação dessa entidade em 18 de junho de 1922. Assim, Henrique Thielen se configura como um dos pioneiros do processo de industrialização em Ponta Grossa e um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento economico da cidade.
Henrique Thielen destacou-se como empresário e político. Eleito vereador várias vezes, exerceu a função de prefeito como substituto do titular. Foi também, a partir de 1926, cônsul da Áustria durante alguns anos.

O novo edifício da Companhia Cervejaria Adriática, na Rua Vicente Machado, é inaugurado em 1923.

O Diário Oficial da União publicou no dia 02 de fevereiro de 1923 a relação dos premiados na Exposição Internacional do Centenário da Independência na qual constava a Cervejaria Adriática como tendo recebido medalha de ouro.

Após algum tempo, por volta de 1926, Alberto Thielen constrói a sua residência, a mansão Villa Hilda, título dado em homenagem à sua espôsa, Ida Hilda Schust, com a qual havia casado em 1920 e tiveram dois filhos: Alberto Henrique e Rodolpho Francisco. O imóvel localizado à Rua Júlia Wanderley, esquina com a Rua Cel. Dulcídio, possui arquitetura francesa, com dois pavimentos e mirante, sendo que as paredes internas foram pintadas com paisagens européias pelo artista Paulo Wagner. A casa simbolizava a prosperidade dos Thielen, um novo estilo, um novo espaço urbano, afastado das residências das famílias tradicionais, situadas no alto da colina. A residência foi comprada pela Prefeitura na década de 70, para abrigar a Biblioteca Municipal. Hoje a mansão abriga a Fundação de Cultura e apresenta esporádicamente exposições itinerantes.

Em 1928 a Companhia Cervejaria Adriática, começa a fabricar refrigerantes e engarrafar água mineral.

Em 02 de dezembro de 1931 registra sob os nº 21911 e 21912 as cervejas Original e paranista, a Original logo passa a ser sua principal marca e em 19 de dezembro deste mesmo ano registra a Cerveja Real Pilsen sob o nº 22095.

Em 11 de maio de 1932 renova os registros das cervejas: Brilhante, Adriática Bock, Operária, Primor e Adriática Especial (Cachorrinha) sob os nº 23389 a 233939 da JCPR e em 20 de julho de 1934 registra sob o nº 31537, a Cerveja Brasilense.

Em 1941 a Companhia Cervejaria Adriática, passa a ser controlada pela Cervejaria Antarctica e em 1943 é completado o processo de incorporação.


Em 1973, por causa do processo de descentralização na Antarctica é criada a Companhia Sulina de Bebidas Antarctica da qual fazem parte as unidades de Joinville em Santa Catarina e as unidades de Ponta Grossa e Curitiba no Paraná .

No ano de 1992. A unidade de Ponta Grossa deixa de operar definitivamente.
A demolição do prédio aconteceu aos poucos e terminou em 2005, para dar lugar a um novo empreendimento.

28 setembro 2010

Cervejaria Ritter 2 – Cervejaria Henrique Ritter Filho / H. Ritter & Filhos





Henrique (Heinrich) Ritter, tornou-se fabricante de cerveja, seguindo os passos do pai, e foi o primeiro brasileiro nato do ramo que iniciou com Georg Heinrich Ritter, Henrique nasceu em 15 de abril de 1848, em Linha Nova, RS, cerca de dois anos após a chegada de seus pais, Georg Heinrich Ritter e Elizabeth Fuchs, ao solo gaúcho

A partir de 1877, já casado com Paulina Kessler Ritter, Henrique Ritter dedicava-se ao comercio em São Lourenço do Sul. Em 1880, Henrique Ritter firmou sociedade com o cunhado Christian Jakob Trein, casado com Elizabeth Ritter Trein, na grande casa de comércio que entre 1870 e 1910, dominou a atividade comercial em São Sebastião do Caí e passou a chamar-se “Trein e Ritter” a partir da chegada do novo sócio.

Com a sociedade sendo desfeita em 1888, a família de Henrique Ritter transferiu-se para a capital do Estado. O motivo dessa transferencia, ao retirar-se da sociedade, foi a necessidade de auxiliar sua prima-irmã, Elisabeth Ritter Becker, (filha de Friedrich Georg Ritter e Maria Margarida Konrad Ritter, que se havia tornado enteada de seu pai após o segundo matrimônio) bem como seu esposo, Guilherme Becker, que estava muito doente.

Por volta de 1890, após se afastar da Cervejaria Becker, Henrique Ritter, passou a realizar o projeto de criação de sua própria cervejaria, comprou um grande terreno no bairro Moinhos de Vento, situado à Rua Mostardeiro, número 10, com frentes para as Ruas Mostardeiro e Miguel Tostes (antiga Rua Esperança) e lateral para a 24 de Outubro, Henrique construiu um prédio de dois andares. A família passou a residir no andar superior com entrada pela Miguel Tostes.

A fábrica, que iniciou a produção no ano de 1894, com o nome de Cervejaria Henrique Ritter Filho, ocupou o térreo com salas de fermentação, tanques, seção de engarrafamento. Também faziam parte do complexo as moradias de empregados, bem como estrebarias, que eram necessárias porque a distribuição da bebida era feita em carroções puxados a cavalo, imediatamente se impõe na cidade, tanto por suas instalações como pela qualidade de seus produtos.

Para manter a cervejaria em bom funcionamento, Henrique Ritter contava com o auxílio dos filhos mais velhos, Henrique Valdemar e Frederico Augusto, e, posteriormente, Carlos Oscar. As meninas não trabalhavam naquela época e os outros meninos eram muito jovens.


Foto dos funcionários - 1897

Por volta de 1897, Frederico Augusto abandonou a casa paterna e foi trabalhar em diversas cervejarias, conseguiu um emprego na fábrica de cerveja de Frederico Pavel, localizada em Rio Novo, Minas Gerais. Contudo, em 1898, afastou-se da empresa por sua livre vontade, conforme atestado de boas referências, assinado pelo proprietário no dia 8 de maio daquele ano. No ano seguinte, Frederico estava morando em São Paulo, onde viveu a passagem para a entrada no século XX trabalhando na fábrica de cerveja Bavária. Distante da família, com a qual havia deixado de manter contato, o rapaz foi contratado por essa indústria aos 19 anos, no dia 1º de julho de 1899. Conforme atestado curiosamente escrito em alemão, o período de aprendizado de “Fritz” Ritter durou até 1º de julho de 1901. Podemos inferir que esse documento tenha sido necessário para seus estudos posteriores na Alemanha.

O também cervejeiro e tio Carlos Ritter irmão de seu pai, ofereceu a Frederico todas as condições para estudar e aprender o ofício de mestre cervejeiro na Europa.

Após aceitar a proposta da família paterna, em agosto de 1901 Frederico já se encontrava na Alemanha. De setembro de 1901 a março de 1902, ele atuou como estagiário na fábrica de malte Eduard Scharrer & Co, localizada em Kannstatt-Stuttgart. Ainda em 1902, freqüentou o semestre de verão da escola de cervejaria Brauerakademie München, conforme prova o diploma de Mestre Cervejeiro que obteve em 20 de agosto daquele ano. Um mês após receber o diploma, Frederico obteve um certificado de conclusão do curso de quatro semanas sobre técnicas de laboratório e de microbiologia dos fermentos. Com o título de Mestre Cervejeiro, teve boas oportunidades de colocar seu conhecimento em prática e aprender ainda mais em fábricas de cerveja alemãs. Assim, entre outubro de 1902 e fevereiro de 1903, trabalhou como técnico na Stadtbrauerei Aue, segundo atestado assinado em 19 de fevereiro de 1903 pelo supervisor e proprietário Edmund V. Becher. Nos meses seguintes, entre 22 de fevereiro de 1903 e 7 de maio de 1903, viveu na cidade de Plauen, localizada junto a Dresden, tal como a cidade de Aue, onde fez um estágio prático na fábrica de cevada Sächsiche Malzfabrik, Plauen bei Dresden.

O que parece ter sido seu último estágio ocorreu na cidade de Saybusch, na Erzherzoliche brauerei, no período de 15 de maio a 3 de novembro de 1903. Sabemos também que esteve por algum tempo na cidade de Pilsen, na República Tcheca.

Ao retornar ao Brasil, em fins de 1903 ou início de 1904, passou a utilizar os seus conhecimentos de mestre cervejeiro adquiridos no exterior trabalhando na empresa do pai. Sua influência para a renovação dos negócios da família foi significativa, pois logo após seu retorno, entre os anos de 1904 e 1905, foi construída uma nova fábrica e investiu-se na aquisição de máquinas e equipamentos mais modernos.

Dessa forma, em 1906, a fábrica Ritter mudou-se para a Rua Voluntários da Pátria 501, no bairro Navegantes, em Porto Alegre, onde foi inaugurada a nova cervejaria Ritter sob a razão social: H. Ritter & Filhos. Henrique Ritter e a esposa Paulina permaneceram residindo com os filhos solteiros na Rua Miguel Tostes.

O significado do termo Ritter na língua alemã é cavaleiro, e este era o símbolo da empresa renovada e marca de uma de suas cervejas. Outras marcas dadas à bebida foram Capital, Favorita, Continental tipo Pilsen, Africana e Hércules.









foto dos funcionários - 1913

Em 1916, a empresa de H. Ritter & Filhos figurava em oitavo lugar entre as fábricas do Quarto Distrito quanto ao número de operários.

Henrique Ritter veio a falecer em 16 de maio de 1921, em Porto Alegre, RS.


Em julho de 1924, a cervejaria da família Ritter passou a fazer parte do Consórcio Continental, formado quando as firmas Bopp Irmãos (sucessores de Carlos Bopp), Bernardo Sassen e Filhos (sucessores de Guilherme Becker e Bernardo Sassen) e Henrique Ritter e Filhos (sucessores de Henrique Ritter) fundiram-se sob a razão social Bopp, Sassen e Ritter e Cia. Ltda. Surgindo assim um novo estabelecimento comercial, denominado Cervejaria Continental, que se instalou na Rua Cristóvão Colombo, 625.