15 novembro 2013

Fábrica de Cerveja Princeza Imperial / Cervejaria Princeza / S.A. Companhia Cervejaria Princeza / Cervejaria Princeza Ltda.


Baseado no Almanak Laemert e em notícias de vários jornais
Imagens dos rótulos cedidas pelo colecionador Paulo Antunes Júnior



Em 1882, é inaugurada a Fábrica de Cerveja Princeza Imperial de propriedade da firma Alves, Bastos & Peixoto, formada pelos sócios: Paulo de Souza Alves, Antônio Soares da Gama Bastos e Antonio Peixoto Cavalcante D'Ourem, situada na Rua Visconde de Itauna 13, Praça Onze, RJ.
Em 1884, com a saída dos sócios Paulo de Souza Alves e Antônio Soares da Gama Bastos, que juntos adquiriram a Fábrica de Cerveja Glória, desfez-se a sociedade e foi criada uma nova sociedade: Peixoto, Guimarães & Cia, composta pelos sócios: Antonio Peixoto Cavalcante D'Ourem, José Teixeira da Costa, Manoel Antônio Pereira Guimarães e Manoel Gomes Correa. Fabricam uma cerveja simples chamada Princeza e uma dupla chamada Berlim.

Em 20 de junho de 1891, o Jornal Diário de Noticias, publica que foi arquivado na Junta Comercial o contrato social da firma Peixoto, Guimarães & Cia, para fabricação de cerveja com o capital de 60:000$000.

Em 1895,com a saída dos sócios: Antonio Peixoto Cavalcante D'Ourem e José Teixeira da Costa, passa a ser responsável pela cervejaria a firma Pereira Guimarães & Correa formada pelos sócios remanescentes: Manoel Antônio Pereira Guimarães e Manoel Gomes Correa

Em 1899, com a saída do sócio Manoel Gomes Correa é criada uma nova firma, P. Guimarães & Cia, formada pelos sócios: Manoel Antônio Pereira Guimarães, Zeferino José da Costa e Joaquim Ferreira Souto Júnior. Nesta época continuam a fabricar as cervejas Princeza e Berlim e passam a fabricar a cerveja Bock Bier.
Em 15 de setembro de 1902, é registrada a Cerveja Princeza, pela firma P. Guimarães & Cia, sob o nº 3434 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.

Em 1904, aparece no Almanak Laemert, pela primeira vez, a cerveja Black Princess.

Em 22 de setembro de 1906, é registrada a Cerveja Black Princess, pela firma P. Guimarães & Cia, sob o nº 4873 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.

Em 1907, com a saída do sócio Joaquim Ferreira Souto Júnior é criada uma nova firma, P. Guimarães & Costa, formada pelos sócios: Manoel Antônio Pereira Guimarães e Zeferino José da Costa.

Em 1908, com a saída do sócio Joaquim Manoel Antônio Pereira Guimarães é criada uma nova firma, Zeferino José da Costa sucessor de P. Guimarães & Cia e P. Guimarães & Costa, formada tão somente por Zeferino José da Costa.

Em 2 de julho de 1908 é feita a transferência das marcas Princeza e Black Princess da firma P. Guimarães & Costa para Zeferino Jose da Costa.

Nesse ano a firma conta com o capital de 100:000$000 aparelhada com os mais aperfeiçoados maquinismos, a sua produção está calculada em 1.500.000 garrafas/ano e destacam-se entre seus diversos produtos as cervejas: Princeza branca, Dupla branca, Africana Brau e Black Princess, a fábrica conta com cerca de 30 funcionários.

Em 8 de maio de 1910, o Jornal do Comércio publica o deferimento na sessão de 22 de abril de 1910 da Junta Comercial do Rio de Janeiro, do contrato social de Zeferino José da Costa e Oscar Ribeiro Alves para o fabrico de cerveja à Rua Visconde de Itaúna 29 e 31 com o capital de 100:000$000 (cem contos de reis) sob a firma Zeferino José da Costa & Cia.

Em 4 de julho de 1910, Zeferino José da Costa & Cia, registra a cerveja branca Princeza, sob o nº 6752 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.

Em 30 de janeiro de 1911, Zeferino José da Costa & Cia, registra a cerveja Black Princess, sob o nº 7046 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.

Em 9 de maio de 1919, Zeferino José da Costa & Cia, registra a cerveja Foot-Ball Beer, sob o nº 14188 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.

Em 12 de julho de 1920, é feita a transferência das marcas Princeza, Black Princess e Foot-Ball, de Zeferino José da Costa & Cia, para seu sucessor Zeferino José da Costa.

  

Em 1929, a cervejaria passa a pertencer à Freire d'Almeida & Cia, firma composta por Francisco Freire d'Almeida e Affonso Freire d'Almeida.
  
Em 2 de setembro de 1931, Domingos Moreira da Costa, Manoel Alves Teixeira, Luiz Antonio Machado, Joaquim Ferreira, Joaquim Ribeiro, Carlos de Souza, Francisco Freire d'Almeida e Affonso Freire d'Almeida resolveram de comum acordo formar uma sociedade para o fim especial da constituição definitiva de uma sociedade anônima para a exploração do fabrico e comercio de cerveja de alta fermentação e bebidas congêneres, o capital inicial será de mil contos de reis (1.000:000$000), representados por dez mil ações no valor nominal de 100$000(cem mil reis) cada uma, sendo incorporada a fábrica de cerveja de propriedade de Francisco Freire de Almeida e Affonso Freire de Almeida (Freire D'Almeida & Cia) avaliada em novecentos contos de reis (900:000$000) recebendo o seu valor em ações. Os ditos senhores subscreveram açóes no valor dos seus pagamentos e mais novecentos e noventa e quatro ações, ficando assim distribuídas: Francisco Freire d'Almeida, subscritor de 9.894 (nove mil oitocentos e noventa e quatro) ações; Affonso Freire d'Almeida, subscritor de 100 (cem) ações, e Carlos de Souza, Joaquim Ribeiro, Joaquim Ferreira, Luiz Antonio Machado, Manoel Alves Teixeira e Domingos Moreira da Costa, subscritores de 1 (uma) ação cada um; ao todo oito pessoas, e que terá a denominação de Sociedade Anonima Companhia Cervejaria Princeza.
Em 16 de setembro de 1931, através do decreto 2040, a sociedade é autorizada a funcionar na República.

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Em maio de 1936 é instalada uma filial com fabrico próprio em Niterói, Estado do Rio de Janeiro, à rua Visconde do Uruguay, 483, denominada Fábrica de Cerveja Baronesa.

Em 1938, a Cervejaria Princeza mudou para a Rua Licínio Cardoso, 339, no bairro do Rocha.
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Foi uma mudança necessária pois estava no caminho da construção do que viria a ser a avenida Presidente Vargas. Toda grande cidade precisa de uma grande avenida, certo? No Rio de Janeiro uma só não bastou, a grandiosidade da construção da Avenida Presidente Vargas, no início dos anos 40, mudou o perfil do Centro. Com 80 m de largura arrasou quarteirões habitados, casas de negócios e quatro das mais antigas igrejas do Rio.

Em 1941, começaram as demolições, que desalojaram centenas de famílias e que acabariam por derrubar 525 prédios pertencentes a quatro ruas: General Câmara, Visconde de Itaúna, de São Pedro e Senador Euzébio, entre eles algumas construções históricas, como as igrejas de São Pedro dos Clérigos e de São Joaquim. As demolições fundiram as quatro ruas numa só via para a construção da avenida. Foram demolidos os quarteirões que formavam o lado par da Rua General Câmara tradicionalmente conhecida como Rua do Sabão e a designação devia-se à localização em um de seus trechos do armazém de sabão aonde a população do Rio colonial ia se abastecer desse produto, no tempo em que o monopólio de fabricá-lo e vendê-lo pertencia, sempre, a um amigo do Rei português ou a um de seus ministros. Esse nome serviu para designá-la até 1870, quando a Câmara Municipal mudou o seu nome para General Câmara, em homenagem ao vencedor do combate do Serro Corá que, com a morte de Lopez, pôs fim à Guerra do Paraguai. E, ao longo do Canal do Mangue, os quarteirões que formavam o seu prolongamento, além do Campo de Santana, denominada pelo povo de Rua do Sabão da Cidade Nova, também rebatizada de Visconde de Itaúna até a Ponte dos Marinheiros. Pelo outro lado foram demolidos os prédios do lado ímpar da Rua de São Pedro e a sua continuação, além do Campo de Santana denominada Rua Senador Eusébio.

  
Rua Visconde de Itaúna em fase de demolição para a abertura da Av. Presidente Vargas (Vê-se o prédio da Central do Brasil ainda sem o relógio e, ao fundo, parte da Praça da República) - 1943.

Em 5 de janeiro de 1940, a assembleia geral extraordinária pôs em votação a necessidade de liquidar-se a filial estabelecida na vizinha cidade de Niterói, em virtude de não apresentar a mesma resultados relativos ao esforço ali empregado, o que evidentemente prejudica a sociedade. Sendo aprovada unanimemente a venda pela melhor oferta, livre e desembaraçada, da filial mantida pela sociedade à rua Visconde do Uruguai, número quatrocentos e oitenta e três, em Niterói, Estado do Rio, denominada Fábrica de Cerveja Baronesa, com todos os seus maquinários, móveis, utensílios, vasilhames, dois caminhões, mercadorias, marcas que na mesma existiam ao tempo de sua aquisição e contrato de arrendamento do prédio onde está localizada a dita fábrica; e ainda, se assim convier a sociedade vender a marca registrada "Batuta"

Em junho de 1940 já havia sido vendida a fábrica de Niterói e a marca Batuta para a Companhia Cervejaria São Francisco.

Em 29 de dezembro de 1972, o Jornal do Brasil anuncia que a Cervejaria Princeza amplia instalações, com uma experiência calcada em 92 anos de trabalho que lhe dão o direito de ser considerada a fábrica de cervejas pretas mais antiga do Brasil, a S.A. Companhia Cervejaria Princeza está agora ampliando o seu parque industrial para modernizar o fabrico e a apresentação de seus produtos. Em suas instalações fabris da Rua João Rodrigues, em São Francisco Xavier, (foto) a empresa instalou um complexo industrial dos mais modernos, equipado com as máquinas mais atualizadas na sua especialidade, para aperfeiçoar, ainda mais, as suas técnicas de fabricação. Entre os produtos que distribui, ao mercado, a Cervejaria Princeza tem a Bib Hop, cerveja preta em tamanho pequeno vendida em garrafas one way, que pela sua sofisticação agradou em cheio à faixa dos jovens consumidores e a Black princess tradicional cerveja preta que figura como a mais consumida pelos que gostam de cerveja deste gênero e que, dentro de mais 30 dias estará sendo apresentada numa embalagem inteiramente nova. Na linha dos refrigerantes, onde se destaca o guaraná, considerado da mais alta qualidade, a Cervejaria Princeza produz ainda, a soda e a água tônica, ambas com grande aceitação.

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Em 20 de outubro de 1988, o jornal A Folha de São Paulo anuncia que a Cervejaria Princeza está relançando a cerveja Black Princess em embalagem One Way, a empresa optou também por diversificar suas atividades prestando serviços a gigante norte americana Procter & Gamble e engarrafando o refrigerante Crush. Para viabilizar estes projetos a empresa investiu US$ 1 milhão (Cz$ 418,5 milhões no cambio oficial), 50% foram canalizados para o engarrafamento do Crush e o restante na duplicação da capacidade de produção da Black Princess.

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Em 21 de março de 1995, o Jornal do Brasil noticia o lançamento da cerveja Basel, o objetivo da Princeza é abocanhar 2,5% do mercado carioca de cerveja clara de 800 milhões de litros, vamos dobrar o faturamento diz o presidente da companhia, Paolo Tocci, a Princeza faturou US$2,5 milhões, 75% dos quais obtidos com a venda da Black Princess.

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Em 10 de abril de 1997, o Jornal do Brasil anuncia que a cervejaria Princeza vai investir R$300 mil no lançamento da nova versão da Cerveja Preta Black Princess, responsável por todo o faturamento da empresa, a partir de agora a cerveja no consumidor na versão da tradicional garrafa de 600ml e na versão descartável long neck de 300ml. A cervejaria está investindo R$1 milhão na divulgação da marca. Com um quadro de 52 funcionários a fábrica acabou com a linha de produção de refrigerantes e vinhos compostos, passando a investir pesado na Black Princess. A Princeza planeja ainda a construção de uma nova fábrica na baixada fluminense ao custo de R$10 milhões e o lançamento de uma cerveja clara em condições de competir no mercado.

Em 28 de outubro de 1998 foi deferido o pedido de concordata preventiva.

Em 18 de abril de 2000 foi decretada a falência.

Em 16 de julho de 2007 foi à leilão, dos bens arrecadados nos autos da massa falida, as marcas Black Princess, Sul Americana, Princeza, Basel e Sul América no valor R$ 15.000,00 (quinze mil reais), sendo atualizado na data para R$ 16.348,68 (dezesseis mil, trezentos e quarenta e oito reais e sessenta e oito centavos).

03 outubro 2013

Fábrica de Cerveja N.Sa. da Glória / Fábrica de Cerveja Glória


Baseado nos sites: Novo Milenio e Almanak Laemert
Imagens dos rótulos cedidas pelo colecionador Paulo Antunes Júnior

A ermida de Nossa Senhora da Glória do outeiro, no bairro do Catete, Rio de Janeiro, foi erguida pelo ermitão Antonio Caminha em 1671, ficando-lhe por detrás algumas casas para romeiros, com o correr do tempo, necessitando a ermida de consertos foi de novo reconstruída no início do século XVIII. A obra da Igreja da Glória do Outeiro, iniciada a partir de 1713, levou à abertura de uma pedreira em local próximo, no Morro da Nova Sintra, esse local passou a ser denominado "Pedreira da Glória", por fornecer as pedras usadas na construção da Igreja, para isso foi necessária a transformação do caminho que levava à ermida em rua que foi chamada de Rua da Pedreira da Glória, atual Rua Pedro Américo. A atividade na pedreira estimulou a ocupação da área fazendo aparecer novas ruas e a serem construídos prédios residenciais e comerciais.


Rua Pedro Américo e vendo-se a pedreira no final da rua

Em 1864, Aparece pela primeira vez no Almanak Laemert a Fábrica de Cerveja N. Sª. da Glória, de propriedade de Joaquim Antonio Teixeira, situada na Rua da Pedreira da Glória 21, Catete, RJ.

Em 1866, no Almanak Laemert, além do endereço da fábrica aparece o endereço do escritório na Rua D’Alfandega 62, nesse mesmo ano os produtos de sua fabricação receberam prêmios na Exposição Nacional.

Em 1878, o endereço do escritório passa a ser Rua Marquês de Abrantes 27.

Em 1885, o nome é mudado para Fábrica de Cerveja da Glória e passa a pertencer aos antigos proprietários da Fábrica de Cerveja Princeza Imperial, Paulo de Souza Alves e Antonio Soares da Gama Bastos, sob a firma Alves & Bastos.

Em 1886, a Rua da Pedreira da Glória passa a se chamar Rua Pedro Américo.


Em 1889, o nome da firma é mudado para Alves & Cia., passando Paulo de Souza Alves a ser o responsável único da cervejaria com a saída do sócio Antonio Soares da Gama Bastos.

Em 1890, os seus produtos tornam a ser premiados na Exposição de Chicago.

Em 1893, passa a pertencer a Adriano de Souza Albuquerque.

Em 1896, passa a pertencer a Adriano de Souza Albuquerque e Joaquim Alves Ferreira, sob a firma Adriano & Ferreira.

Em 1899, com a saída do sócio Adriano de Souza Albuquerque, passa Joaquim Alves Ferreira a ser o único responsável pela fábrica de cerveja.

Em 1901, esta importante fábrica de bebidas foi adquirida pelo senhor Alfredo Ferreira Gomes Saavedra, de nacionalidade portuguesa aqui chegado em 1889, nascido em 2 de agosto de 1867, filho de Antonio Gomes Saavedra e Maria Gomes, casado com Julia Gomes Saavedra. O senhor Saavedra é também proprietário no Rio de Janeiro e faz parte de diversas instituições pias, tanto portuguesas como brasileiras. Em 23 de junho de 1939, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) que pela portaria de 15 de junho de 1939, o senhor Saavedra foi declarado cidadão brasileiro.

A aquisição da cervejaria foi feita em sociedade com os interessados: Manoel Figueiredo Pinto e Antonio Pereira Peres.

Em 3 de novembro de 1904, é registrada a cerveja Avenida sob o nº 4129 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.
  

Em 1905, com a saída dos sócios interessados: Manoel Figueiredo Pinto e Antonio Pereira Peres, passa a responder sozinho pela cervejaria o senhor Alfredo Ferreira Gomes Saavedra.

Em 11 de novembro de 1906, é registrada a cerveja Gloria Branca sob o nº 4897 e neste mesmo dia registra a cerveja Gloria Parda sob o nº 4898 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.

Em 12 de janeiro de 1907 é anunciada, no jornal Rio Nú, a reinauguração da fábrica de cerveja do Sr. Saavedra no último sábado, dia 5.

Em 1920, a Cervejaria Gloria passa a pertencer a Oscar Vieira & Cia. Em 27 de março, o Jornal O Paiz publica a constituição de uma nova sociedade composta pelos sócios solidários Oscar Vieira de Mello Ferreira, Arthur Adolpho da Silva Schiappe, Antônio Luiz Ribeiro e Luis Governo de Souza, para o comércio de álcool e aguardente em grosso, fabricação de cerveja e bebidas hydroalcoólicas e negócios que convenham, à Rua Pedro Américo 27, com o capital de 250:000$000 (duzentos e cinquenta contos de réis).


Em 14 de outubro de 1920 o Diário Oficial da União, DOU, publica a transferência dos registros dos diversos produtos de Alfredo F. Gomes Saavedra para seus sucessores Oscar Vieira & Cia.

Em 1922, a produção mensal deste estabelecimento é de 50.000 litros de bebidas diversas e 100.000 litros de cerveja. Produz ainda, conhaques, vermutes, fernets, genebras, aniz, laranjinha especial, licores, bitters, xaropes para refrescos, aperitivo americano etc. Fabrica também em grande escala vinagres, brancos e tintos. Em seus depósitos, há sempre grande estoque de cevada, lúpulo, rolhas e cola para fabrico de cerveja, e todos os artigos necessários ao mesmo ramo de negócio.

Tem concorrido a diversas exposições, e sempre os seus produtos foram distinguidos, uns com diversas medalhas de ouro, outros com menções honrosas. Esta casa importa diretamente da Europa todos os artigos, bem como a matéria-prima necessária à manipulação de seus produtos. As suas vendas são feitas na capital e em todos os estados da União, onde a casa mantém representações permanentes.

  

Em 4 e 5 de agosto de 1927, os jornais anunciavam um trágico acontecimento, por volta das 19 horas do dia 3 de agosto, o Senhor Oscar Vieira de Mello Ferreira pôs fim à vida com um tiro no ouvido direito, tendo sido atribuído à esse acontecimento um insucesso de negócio resultante da baixa do preço do açúcar que lhe acarretou grande prejuízo. O comerciante vinha mantendo com outros o que se chama na praça de "corner" fazendo com que esse sistema provocasse a alta do açúcar, que foi de 42$ para 77$, acontece que com a abundancia da safra o mercado recebeu um grande suprimento que causou em consequência a baixa. A firma Oscar Vieira & Cia e outras a ela ligadas tiveram um grande prejuízo pois tinham em estoque mais de 250.000 sacas de açúcar.

O senhor Oscar Vieira era brasileiro, natural de Pernambuco, contava 48 anos de idade e deixa viúva a Dª. Angelina Vieira de Mello Ferreira.

Em 28 de novembro de 1927, a firma Oscar Vieira & Cia entra em concordata, em função das dívidas do açúcar e em 24 de fevereiro de 1928 entra em liquidação extinguindo-se a sociedade.

Em 2 de maio de 1929, faz-se uma nova sociedade composta pelos sócios solidários: Arthur Adolpho da Silva Schiappe e Dr. Durval Rodrigues Cruz; e dos sócios de industrias: Antônio Luiz Ribeiro, Luiz Governo de Souza e Marcelino José Alves para o comércio de álcool e aguardente, à Rua Pedro Américo 21 a 27, com o capital de 500:000$000, sob a mesma firma, Oscar Vieira & Cia.

Em 27 de junho de 1929, o DOU publica o requerimento do pedido de renovação do registro da cerveja Bier Black na Junta Comercial do Rio de Janeiro.

Em 11 de junho de 1930, são registradas por Oscar Vieira & Cia as cervejas preta: Cachopa e Garota sob os nºs 17288 e 17289 e é feito o pedido de renovação da cerveja Preta Gloria, sob o nº 17290 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.

A tragédia parece acompanhar a cervejaria, em 12 de agosto de 1931, o Jornal do Brasil noticia o falecimento de três trabalhadores na Fábrica de Cerveja Glória, na Rua Pedro Américo 27, quando faziam a calafetagem em uma dorna (tonel) de mais de dois metros de altura. Os funcionários faleceram em função dos gases emanados dos produtos que utilizavam, breu e parafina, que entraram em combustão, sem poderem sair acabaram por falecer.

Em 27 de maio de 1933, é registrada a cerveja preta Minho, sob o nº 26221 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.

Em 27 de maio de 1939, falece o sr. Antônio Luiz Ribeiro.

Por volta de 1944,isto é por cerca de 80 anos, esta fábrica ainda funcionava no mesmo endereço.

07 setembro 2013

Rosa & Gouvêa / A. Cardoso de Gouvêa & Comp. / Fábrica de Cerveja Globo / S.A. Fábrica de Bebidas Cardoso de Gouvêa


Baseado no site: Novo Milenio
Imagens dos rótulos cedidas pelo colecionador Paulo Antunes Júnior

Em 1887, Antonio Cardoso de Gouvêa, português, natural da Beira Alta, chegou ao Brasil. Trabalhou durante algum tempo como empregado em fábrica de bebidas até se estabelecer.

Em 1894, é fundada uma fábrica de licores, xaropes, cervejas, vinagres, álcool e aguardente, na Rua General Caldwel, números 106 e 108, na Côrte (atual centro do Rio de Janeiro), sob a razão social de Rosa & Gouvêa, com os seguintes sócios: Antônio Cardoso de Gouvêa, Manoel Francisco Rosa (comanditário), Antônio Joaquim Soares e Joaquim Dias de Mattos Barreto (interessados).

Em 11 de setembro de 1896, o Diário Oficial da União (DOU) publica o arquivamento, na semana de 23 a 26 de março, do contrato social entre Antônio Cardoso de Gouvea e Manoel Francisco Rosa para o comercio de fabrica de vinagre, licores, etc., nesta praça à Rua General Caldwel 106 e 108, com o capital de 30:000$000 sob a firma Rosa & Gouvea.

Em março de 1900 é realizado o contrato entre A. Cardoso de Gouvea e o sócio comanditário Manoel Francisco da Rosa para o comércio de vinagre, etc., com o capital do l00:000$000, sendo metade de cada sócio, sob a firma A. Cardoso de Gouvea & Comp.

Em 1º de abril de 1900 o DOU publica que foi arquivado, na sessão de 22 de janeiro de 1900, da junta Comercial do Rio de janeiro o distrato da firma Rosa & Gouvêa.
Em 15 de abril de 1900 é publicado o deferimento, na sessão de 12 de fevereiro de 1900 da Junta Comercial, do registro de uma nova firma com a denominação de A. Cardoso de Gouvêa & Comp., com fábrica e escritórios situados à Rua do Senado 162.

O Jornal O País publica, em 18 de março de 1900, a notícia de que A. Cardoso de Gouvea & Cia requer a transferência do copiador em branco da firma antecessora Rosa & Gouvea e em 10 de julho requer a anotação de seu endereço, junto à Junta Comercial do Rio de Janeiro.

Consta nos registros do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) que a Marca Globo foi concedida, a A. Cardoso de Gouvêa, em 1º de janeiro de 1901 e sendo seu último depósito em 22 de setembro de 1964, estando atualmente extinto o registro.

Em 1902 entrou para a casa, como empregado, o senhor Manoel José Fernandes, também português e natural do Minho. Passando a sócio em 1905.

Em 18 de janeiro de 1906, A. Cardoso de Gouvea & Comp. registra a marca Globo, como marca geral de seu estabelecimento sob o nº 4530 da Junta Comercial do Rio de janeiro.

Em 22 de fevereiro de 1906 renova o registro da marca de cerveja branca Globo sob o nº 3417 da Junta Comercial do Rio de janeiro.

Em 28 de novembro de 1907 registra a marca de cerveja Mumme sob o nº 4534 da Junta Comercial do Rio de janeiro.
Em 1908, os produtos da firma receberam grandes prêmios e medalhas de ouro na Exposição Nacional, no Rio de Janeiro, nesse ano passa a ter, também, como endereço, Rua Frei Caneca, 51 (sala de cinema).

Em 2 de agosto de 1909 registra a marca de cerveja Black Rio Branco, sob o nº6229 da Junta Comercial do Rio de Janeiro.
Ainda neste ano, 1909, é corrigida a numeração dos prédios da Rua do Senado, recebendo, a fábrica, o número 230.

Em 1910, veio para o Brasil o senhor Benjamim Cardoso de Gouvêa, irmão do chefe da firma, passando a fazer parte da sociedade da casa.

Em 1911, os produtos da firma tornaram a receber um diploma de honra e medalha de prata na Exposição de Turim, na Itália.

Em 31 de janeiro de 1916 registra a marca de cerveja Venus sob o nº 11008 da Junta Comercial do Rio de janeiro.

Em 21 de junho de 1917 foi registrado na Junta comercial do Rio de Janeiro a alteração da firma para A. Cardoso de Gouvêa & Comp. Sucessores, sendo feito também, nesta data, os registros de alteração nas marcas de todos seus produtos.

Em 6 de março de 1918, o Diário Oficial da União (DOU) publica o arquivamento de seu distrato social e, na mesma data, que na Junta Comercial do Rio de janeiro, na sessão de 21 de fevereiro de 1918, foi registrado o contrato da firma A. Cardoso de Gouvea & comp., firma composta pelo sócio solidário A. Cardoso de Gouvea e do comanditário José Cardoso de Gouvea, com o capital de 200:000$000, para o comercio de vinagre, cerveja, etc. que fabricam.

Em 1922, A fábrica tem 55 operários e ocupa uma área de 2.800 metros quadrados, a sua produção anual vai a cerca de 2.000.000 de litros de licores e cerveja, 600.000 litros de álcool e 1.200.000 litros de aguardente. A cerveja, marca Globo, fabricada pela firma, goza de grande reputação em todo o país, assim como os seus outros produtos, que são vendidos em todo o Brasil.

Em 18 de agosto de 1923, é publicado no DOU a relação oficial dos expositores premiados na Exposição Internacional do Centenário da Independência e entre eles está o nome de A. Cardoso de Gouvea & Comp., tendo recebido o grande premio na classe 56 (Xaropes e licores) e medalha de ouro na classe 57 (Vinhos de cana e cervejas).

Em 5 de março de 1925, o Diário Oficial da União publica a alteração de capital de 200:000$000 para 500:000$000 e mais algumas alterações em seu contrato social, arquivado na sessão de 23 de fevereiro de 1925 da Junta Comercial do Rio de janeiro.

Em 24 de julho de 1926, o Diário Oficial da União publica que: Antônio Cardoso de Gouvêa e Amandio Silva Amado, sócios de A. Cardoso de Gouvêa & Comp., informam que retirou-se o sócio Amandio Silva Amado, tendo recebido todos seus haveres conforme distrato social registrado na junta comercial desta capital sob o nº 103412, na sessão de 19 de julho de 1926. E na mesma data informa que em sucessão à razão social de A. Cardoso de Gouvea & comp., ora dissolvida, adotou a firma A. Cardoso de Gouvea - Fábrica de Cerveja Globo que começou a vigorar em 1º de julho de 1926 e que continuará com o mesmo ramo de álcool e aguardente e fabricação de bebidas nacionais no mesmo endereço, com o capital de 500:000$000. Passaram a ter participação na firma os senhores: Joaquim Dias de Mattos Barreto, Antônio Pinto Ferreira e Álvaro Romualdo da Silva.

    
Em 23 de janeiro de 1931, é constituída a Sociedade Anônima A. Cardoso de Gouvêa, com o capital de mil e duzentos contos de réis (1.200:000$000), dividido em 1.200 ações de um conto de réis (1:000$000) da seguinte forma: A. Cardoso de Gouvêa, bens no valor de 1.000 ações; Octávio Walter, 40 ações; Alexandre Gonçalves Almeida, 40 ações; Álvaro Romualdo da Silva, 30 ações; Antônio Pinto Ferreira, 30 ações; Dª Adélia Pizzi, 20 ações, Manuel José Fernandes, 10 ações, Lucio Guedes, 10 ações, Álvaro Ferreira Moreira, 10 ações; Gil Fernandes, 4 ações; Cesar Rebello Gomes, 4 ações e Dr. Godofredo Saturnino da Silva Pinto, 2 ações.

Em 11 de junho de 1931, através do decreto 20.093 é autorizada a Sociedade Anônima Fábrica Cardoso de Gouvêa, a funcionar na República. Este decreto solicita a alteração da firma: S/A A. Cardoso de Gouvêa para S/A Fábrica de Bebidas Cardoso Gouvêa (de A. para Fábrica de Bebidas).
Na assembleia geral de 10 de outubro de 1946 foi aprovado o aumento do capital social de Cr$1.200.000,00 para Cr$2.000.0000,00

O senhor Antonio Cardoso de Gouvêa foi diretor do Gabinete Português de Leitura, comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição, de Vila Viçosa, de Portugal, sócio benemérito da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência, e fez parte de outras instituições pias.

Em 29 de abril de 1948 falece o senhor Antonio Cardoso de Gouveia.

10 agosto 2013

Cervejaria Bela Vista / Fábrica de Bebidas Centenário / Ettore Zini & Irmão


Baseado no texto: Cervejarias de Rio Preto.

Carlo Magro, natural de Veneto, Itália, chegou ao Brasil em 1888, com 15 anos de idade, indo residir na pequena cidade paulista de Jaboticabal, em São Paulo. No decorrer dos anos, trabalhou muito na lavoura, casou-se com Narciza Mendes no dia 4 de setembro de 1897, com quem teve os filhos Maria, casada com Teodoro Sanchez; Luiza, com Ettore Zini; Antônio, com Rosa Sasso; José, com Adelaide e ainda Sebastiana, Rita e Ana, solteiras.

Em 1910, Carlo vindo em carro de bois, numa precária estrada, no meio da poeira, transferiu-se com a família para Rio Preto, município que a partir de 1944 passou a ser chamado São José do Rio Preto. Resolveu montar uma fábrica de cerveja, adquirindo máquinas, outros equipamentos e também um terreno à rua do Comércio (atual Coronel Spínola de Castro), próximo da rua Tiradentes, uma quadra acima do córrego Borá, no bairro Boa Vista, instalando-a, começou a fabricar a cerveja assim como refrigerantes naturais e licores. A cervejaria recebeu o nome de Bela Vista.

Apreciador de boas bebidas (vinho e cerveja), da comida italiana, dos queijos, presuntos e salames, tornou sua Cervejaria um ponto de encontro da cidade. Nela os imigrantes italianos e seus descendentes encontravam o local ideal para cantar suas músicas, beber Chianti e discutir idéias políticas. Não encontramos a data em que encerrou suas atividades. Segundo depoimento da Dra. Doris Scodeller Sanches, esposa de um dos netos de Carlo Magro, Dr. Irineu Sanchez, filho de Luiza Magro e Teodoro Sanchez: "Ele foi um homem forte. Enérgico e de grande coração. Não enriqueceu, mas viveu bem, assim como ele mesmo quis. Seu amor e carinho pela terra sempre foram evidentes. Plantava sempre uma horta na casa em que fosse morar.

Carlo Magro viria a falecer em 30 de julho de 1955, aos 82 anos.

A partir de 1922, a Cervejaria Bela Vista, de Rio Preto - SP, passa a pertencer a Domenico Zini e seu filho Ettore, casado com Luiza Magro filha de Carlo Magro, tendo sua firma alterada para Fábrica de Bebidas Centenário. Continuam a produzir cerveja, gasosas, licores, gelo e o difundido, por toda a região, Guaraná Centenário.

Fachada do prédio da Fábrica de Bebidas Centenário de Ettore Zini & Irmão, em 1927.

Diversas etapas do engarrafamento e embalagem manual das bebidas produzidas pela Centenário.

Proprietários, familiares e funcionários da Fábrica de Bebidas Centenário comemorando a chegada dos novos equipamentos de fabricação. Ao centro, o mais idoso é Domenico Zini.

Mais tarde, a empresa passou a ser dirigida por Ettore e seu irmão.

Fachada do prédio da Fábrica de Bebidas Ettore Zini & Irmão, já sem a palavra centenário.

Posteriormente, por volta de 1945 a indústria foi vendida à família Sinibaldi, tendo seu nome alterado para Produtos Centenário de Irmãos Sinibaldi.

No jornal "O Porvir", de 3 de abril de 1910, encontramos a nota transcrita abaixo, sobre duas fábricas de cerveja da cidade: "Cerveja Estrela e Bela Vista" "São dois magros, os senhores Frederico Bocchi e Carlos Magro, ambos "florentes etate" e cervejeiros ambos; são dois magros resolvidos a cevar a humanidade à força de cevada. E cevam. A cerveja engorda. E são dois cervejeiros de escoimado alento, os dois primorosos cervejeiros. Um, do outro lado, no bairro de Santo Antonio (Boa Vista), levantou a sua bem montada fábrica.

O outro, do lado de cá, à esquerda do Borá, no âmago da cidade, em um belo prédio, com uma vasta sala onde pode a gosto ser apreciada a suculenta e apreciada bebida, em gostosos chopes tem o seu estabelecimento, e sua tenda, onde vende e fabrica o dulçuroso líquido. São duas cervejas magníficas, as do senhor Carlos Magro e Frederico Bocchi, que não é gordo. São dois cervejeiros de mão delicada ao preparo da bebida saxônia os dois moços proprietários das cervejarias desta cidade. Uma delas, a do senhor. Carlos Magro, lembra pela cor, de um belo alaranjado, a afamada Boêmia, de um sabor tão fino. A outra, a do senhor Frederico Bocchi, de cor mais clara, de gosto ameníssimo, recorda a Rio Claro, que tanto agrada, sem amargo tão pronunciado.

Prossigam os tão caprichosos fabricantes da fabricação de seu gênero de indústria com o mesmo cuidado, com o bom comando escrúpulo com que estão oferecendo ao mercado que não terão mãos a medir no seu comércio. As duas cervejas, uma delas clara, mais escura a outra, aquela de mais suave sabor, mais carregada esta, satisfazem a todos os paladares. Ambas são feitas com esmerado asseio; vem em ótimo e limpo engarrafamento. Com superior arrolhamento; rótulos atraentes; bem preparadas ambas. Farão fortunas as duas fábricas, a Bela Vista e a Estrela.