domingo, 27 de março de 2011

Cervejaria Gambrinus / Estabelecimento Industrial Mineiro


http://www.fiemg.com.br/bh100/hist-8.htm


Natural da região de Comacchio, na Itália, Paulo Simoni chegou ao Brasil em 1882, com 9 anos, juntamente com mais dois irmãos, para se reunir ao pai e a irmã casada, que aqui haviam se estabelecido.
Inicialmente, estabeleceu-se com a família no Rio de Janeiro, onde trabalhou em um moinho de trigo. Após ser vitimado pela febre amarela, transferiu-se para o interior, seguindo conselho médico, adotando a cidade de Juiz de Fora como sua nova residência, a partir de 1892.

Nesta cidade, após dedicar-se ao comércio de gêneros alimentícios, iniciou sua carreira como industrial, ao fundar uma pequena fábrica de massas e posteriormente, assessorado por um químico alemão, organizou uma fábrica de vinhos e licores finos.

O sucesso do empreendimento levou Paulo Simoni a buscar o que havia de mais moderno em termos idéias e de equipamentos na Europa. Ao vender suas fábricas, conseguiu os recursos necessários para a viagem, deixando montada uma charutaria e um armazém para os irmãos. Decidiu na mesma época, que, ao retornar da Europa, não mais fundaria indústria congênere naquela cidade.

Em 1907, realizou o seu objetivo, durante a viagem de estudos e negócios realizada à Itália, Suíça, França e Alemanha, onde conheceu o que havia de mais novo em maquinário para a produção de massas, licores, refrigerantes e cervejas, além de equipamentos para os setores de cerâmica e marmoraria.

De volta ao Brasil, enquanto aguardava a chegada de seus equipamentos, estabeleceu-se em Barbacena com planos de conseguir incentivos do poder municipal para seu novo empreendimento.

No mesmo ano de 1907, em visita à Belo Horizonte, a nova capital do Estado, percebeu que o local era propício para a instalação de seus negócios, uma vez que não havia recebido nenhum retorno das autoridades de Barbacena.

A política de incentivos ao desenvolvimento industrial, implementada com o Decreto n. 1.516, de 2 de maio de 1902, assinado pelo prefeito Bernardo Monteiro, foi fundamental para a instalação de diversas indústrias na capital mineira e contribuiu para a definição de Paulo Simoni por esta localidade O decreto previa doações de terrenos, isenção de impostos e fornecimento gratuito de energia elétrica. As indústrias se fixaram na Praça da Estação, que foi a primeira região industrial da cidade, atraídas pela facilidade de transporte de matérias primas e equipamentos.
Favorecido pelo Decreto de 1902, adquiriu terrenos próximos à Estação da Estrada de Ferro Central do Brasil, iniciando a construção do que viria a ser um "império industrial" para a época. Apesar das instalações destinadas a destilaria, massas, tintas de escrever e bombons não estarem concluídas, instalou provisoriamente um motor a vapor para viabilizar a produção, chegando a trabalhar inclusive à noite, sendo para isto a fábrica iluminada a luz elétrica.

Em 1908, casou-se com Emma Mellis Belgrano, com quem teve seis filhos. Vencidas as dificuldades iniciais de transporte do equipamento importado da Europa, seu empreendimento apresentava indícios de prosperidade nos anos de 1908 e 1909.

Foto de 1911
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Sua linha de produtos, bastante diversificada, obedecia aos rigores dos processos mais aperfeiçoados, acionados por maquinismo moderno e um motor elétrico, de 50 cavalos.


Trabalhavam em suas diversas seções cerca de 40 empregados, responsáveis pelo fabrico dos seguintes artigos: massas brancas e amarelas, cervejas, águas minerais, licores de sabores variados, vinho branco, vinagre, chocolate, doce, cigarro e charuto. Dedicava-se também a produção de fubá e a refinação de sal. Foi também pioneiro na fabricação de confeti no Estado.

O estabelecimento compunha-se de um grande salão, onde ficava o depósito das massas alimentícias, outro, onde era feito o acondicionamento e o depósito de sacos. Para a produção mensal de aproximadamente 30.0000 Kg. de massas, possuía prensas duplas, prensas para massas finas e amassadeiras automáticas.
A fábrica de cerveja, que levava o nome de Cervejaria Gambrinus, dispunha de destiladores, esfriadores e uma grande caldeira, com capacidade para 2.000 litros. Em sua produção mensal de 12.000 garrafas, sobressaíam-se as marcas "Excellente", "Pretinha" e "Gambrinus".

Em 3 de outubro de 1924, foi alterada a denominação de Avenidas e Ruas através da Lei 281, que em seu Art. 4º, reza que terá o nome de "Aarão Reis" a rua sem actual denominação na planta, e que é geralmente conhecida como rua da Estação.

A destilação do vinagre e demais bebidas era feita por diversas máquinas e filtros, utilizando como matéria-prima apenas aguardente fermentada com açúcar de cana. Dentre as bebidas, podem ser citadas xaropes, laranjinhas, aniz, biter, fernet e vermouth.

Obteve junto à Prefeitura a concessão de um terreno de 5.400 metros quadrados, por um prazo de 10 anos, situado nas proximidades da Estação, para a construção de um moinho de trigo. Porém, por questões alheias a sua vontade, não conseguiu efetivar essa produção tão importante para o desenvolvimento industrial da capital.
O nome de Paulo Simoni, bem como do Estabelecimento Industrial Mineiro, foram difundidos em todo o país, pela solidez do empreendimento e a excelência dos produtos, que eram exportados não só para o interior mineiro como para outros Estados.

O reconhecimento de seu trabalho, esforço e dedicação em favor da indústria foi traduzido pelas inúmeras premiações recebidas em várias exposições nacionais e internacionais, onde era sempre convidado a participar. Em 1941, mudou o nome de sua empresa para Indústrias Reunidas Paulo Simoni Ltda.

Data deste mesmo ano, o seu falecimento.

Atualmente, seus sucessores dedicam-se ao setor de construção civil.

sábado, 19 de março de 2011

Cervejaria Knudsen / Steglich & Werner / Ernesto Werner


Texto: Ademar Campos Bindé - Jornal O Reporter - 29 de maio de 2010.
Fotos: Coleção Família Beck - Acervo MADP

Nos primeiros anos da colonização de Ijuí a liderança na produção de bebidas era ocupada pelas fabriquetas de cachaça e vinho. De acordo com um levantamento do ano de 1914 existiam 50 fábricas de cachaça e 51 de vinho. Esses números sofreram significativas oscilações nos anos seguintes.

Paralelamente começaram a surgir estabelecimentos que se dedicavam a fabricar outras bebidas, entre as quais se destacavam as fábricas de cerveja e gasosa. Um dos pioneiros foi Henrique Knudsen, que se torna um dos mais fortes fabricantes de bebidas.

Em 1917, Henrique Knudsen participa com sua produção de cerveja numa exposição em Pelotas.

No ano de 1924, ele vende sua fábrica que se localizava na esquina da Rua do Comércio com a Rua Tiradentes para Steglich & Werner.

Quatro anos depois, 1928, Ernesto Werner torna-se o único proprietário da cervejaria.

Ernesto Werner tornou-se um dos mais conhecidos cervejeiros de Ijuí. Ele era nascido no atual município de Vera Cruz (antiga Vila Tereza, 2º distrito de Santa Cruz do Sul), no dia 19 de maio de 1899, filho do emigrante alemão Adolf (Adolfo) Werner e de Carolina Zíper Werner, natural deste Estado.

Ernesto Werner veio para Ijuí em 1918, ingressando na firma Bernardo Gressler S/A. Aqui casou com Anna Ella Steglich. Depois do casamento resolveu seguir os passos do pai que era cervejeiro e começou a montar uma cervejaria e fábrica de refrigerantes, que algum tempo depois passou também ao engarrafamento de vinhos finos, aguardentes e outros derivados.


A fábrica de Ernesto Werner, já instalada na Rua Tiradentes nº 611 nas proximidades da atual sede do Fórum, na sua fase áurea contava com cerca de 20 funcionários. O cervejeiro era o que tinha a função mais qualificada, enquanto os demais se dedicavam especialmente no engarrafamento e lavagem de garrafas, operação essa, na qual era utilizado um tambor acionado por energia elétrica. Além de produzir cerveja e gasosa, Ernesto Werner passou também a explorar a industrialização da água mineral Fonte Ijuí. Aos poucos ele deixou de produzir cerveja e passou a revendedor da Companhia Cervejaria Brahma, continuando com a fabricação de refrigerantes.

Com o correr dos anos a Indústria e Comércio de Bebidas Werner Ltda. Passou a ser distribuidora de empresas de fora que atuavam no mesmo ramo, no caso, além da Brahma, as cervejarias Continental e Antarctica. Essa situação não perdurou por muito tempo. A exigência da Brahma de que a revendedora local igualmente comercializasse seus refrigerantes e também esse mercado cada vez mais competitivo terminou levando ao fechamento da fábrica no ano de 1961, mais ou menos um ano antes do falecimento de seu titular Ernesto Werner no dia 22 de março de 1962.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Cervejaria Otto Jennrich


Texto: José Ferreira da Silva - Blumenau em Cadernos - Tomo III - nº9 - Setembro de 1960 - www.arquivodeblumenau.com.br

Imagens:Fotos Antigas Blumenau



Otto Jennrich nasceu no Barracão de Imigrantes, pouco depois da chegada de seus pais a Blumenau - SC. Estes últimos depois se mudaram para Warnow (povoado bem distante que fazia parte de Blumenau, atualmente faz parte de Indaial), ocupando o lote que haviam adquirido. Com 14 anos de idade, Jennrich empregou-se na Cervejaria Hosang, em Blumenau no bairro de Altona, atual Itoupava Seca. Era ali muito estimado, tanto que a filha de H. Hosang, Clara, deveria casar-se com ele. Esse casamento, entretanto não se realizou, tendo Clara Hosang se casado com o Conde Von Westarp.

Por volta de 1891, tendo adoecido gravemente de "câmaras de sangue" (disenteria sanguínea, talvez originada por amebas), Jennrich foi despedido.

Era um dia chuvoso quando ele, de trouxa de roupa sob o braço, passou diante da casa de Pershun, a caminho de Warnow a pé.

Vendo-o, Gustavo Pershun Sênior, perguntou o que havia acontecido. Como os dois já eram conhecidos, Jennrich pô-lo ao corrente do que sucedera e como sofria da moléstia que o atacara.

Pershun, em face da situação do amigo, que de forma alguma poderia chegar a pé até a casa dos pais, convidou-o a permanecer em sua casa, tendo lhe mandado preparar uma cama e mandado chamar o medico, Dr. Valloton. Este declarou grave o estado do doente. Jennrich esteve durante quatro semanas em tratamento, sob cuidados médicos na casa de Pershun.

Depois que Jennrich se restabeleceu, Pershun emprestou 600 mil reis para Jennrich comprar uma tina para cervejaria e deu mais um terreno para a construção do rancho em que seria instalada a pequena fábrica, o rancho era de palmitos e coberto de palha. Além disso, ainda Pershun cedeu os seus aprendizes para ajudarem Jennrich na lavação das garrafas.

A primeira cerveja fabricada por Jennrich foi vendida em um baile no Salão Liesenberg, na Itoupava Norte, até lá, transportada por Jennrich e Pershun dentro de uma bateira, pelo rio. À meia noite tornaram a mandar buscar mais cerveja.

Mais tarde, em 1891, Jennrich comprou o botequim de Daniel August Pershun, pai do alfaiate Gustavo Pershun. Jennrich ficou hospedado na casa de Pershun até o ano de 1893, quando construiu a sua casa e a fábrica, no local em que ainda se encontram.

Assim que terminou a construção, Jennrich mandou buscar os seus pais em Warnow. A mãe cuidava dos afazeres da casa, cozinhando ao mesmo tempo para os empregados da cervejaria.

Desta forma Jennrich começou sua vida, auxiliado por Daniel e Gustavo Pershun: Vem daí a amizade muito grande que sempre uniu Gustavo Pershun e Jennrich.

A Cervejaria Jennrich, de Itoupava-Sêca, que por vários lustros, foi o ponto de reuniões alegres dos apreciadores de cerveja daquele bairro. Mesmo de Blumenau, não poucos apaixonados da loura bebida, se reuniam no bar, que Jennrich preparara num compartimento da fábrica, mobiliado a capricho, à moda das tradicionais "Bierstube" da legendária Munique, com os seus jarros e canecões de barro e porcelana lavrada, ostentando figuras e legendas, ora sérias, ora brejeiras, com chifres e cabeças de veado e de outros animais enfeitando as paredes.

Ali as horas decorriam céleres, em barulhentas tertúlias, pela noite a dentro, sob o estourar das rolhas bombardeando o teto, donde guirlandas pendiam. Ao alto da entrada, a decantada frase latina, que os leitores já conhecem "Cerevisiam bibunt homines; coetera animantia bibunt ex fontibus", os homens bebem cerveja. O gado bebe água da fonte.

Quando a pressão subia além do normal, começavam as cantorias. A princípio, ordenadas, cadenciadas e harmônicas. Depois, e à proporção que o calor aumentava, iam a todas as escalas da desafinação, em sustenidos incríveis, ou em baixos tétricos e sepulcrais.

Era, além de bom cervejeiro, homem de bastante leitura e tinha grande paixão pelas coisas do passado blumenauense. Assim é que, à própria custa, construiu, em terreno fronteiro ao da cervejaria, um pequeno sobrado em que instalou um museu. Ali se via uma infinidade de objetos de raro valor histórico e etnográfico, como flechas, arcos e outros apetrechos dos botocudos que infestavam o Vale do Itajaí; exemplares de plantas exóticas, coleções de insetos e de moedas, minerais, fotografias antigas, rótulos de produtos industriais, enfim uma série enorme de pequenas coisas relacionadas com os primeiros tempos da colônia, com os seus fundadores e povoadores, com as nossas riquezas naturais, o "Museu Jennrich" era tão ou mais conhecido e apreciado quanto a sua cerveja.

Esta era vendida, sob vários nomes, como a "Estrela", a "Polar", a "Kulmbach", preta, em meias garrafas. O seu custo era, geralmente, de 400 réis a garrafa.

Quando Adolfo Schmalz, Hans Lorenz e Victor Gaertner instalaram um cinema em Itoupava-Sêca, a entrada, que custava 1$200, dava direito a três garrafas de "Jennrich-Einfach", bebidas no próprio salão de projeção, enquanto se apreciavam as fitas de Max Linder, de Waldemar Psilander, quase sempre ao lado de Asta Nielsen.

Os vários cervejeiros em Blumenau de comum acordo majoravam a cerveja, conforme comprova o anúncio feito no jornal “Blumenauer Zeitung”, em 21 de maio de 1898
"Aumento preço cerveja – sábado, 21 de maio de 1898 – Os cervejeiros abaixo assinados comunicam à distinta freguesia que a garrafa de cerveja a partir de agora custará 300 réis à vista. Ass.: Gustav Brandes, Carl Rischbieter, August Germer, Otto Jenrich e Schossland e Hosang."

Jennrich tinha as suas esquisitices e era de gênio reservado, pouco comunicativo, apesar de, não raro, ter que sentar-se à mesa dos apreciadores da sua cerveja e, com estes, afundar-se na conseqüente e comunicativa alegria. Andava quase sempre de tamancos. E quando era obrigado a usar sapatos, adquiria-os sempre de um ou dois números maiores que os dos pés, pois tinha verdadeiro pavor de senti-los molestados. Nunca se casou. Viciara-se no uso do cachimbo e do fumo em corda. Chegou, até, a idealizar e construir uma máquina para picar fumo. A esse respeito, conta-se que, certa feita, quando movimentava a sua máquina, fê-lo com tanta infelicidade, que decepou, totalmente, as duas primeiras falanges do indicador direito. Sem se alarmar grande coisa, embrulhou o pedaço do dedo num lenço e foi procurar o Dr. Hugo Gensch para que este o repusesse no devido lugar. Verificando a impossibilidade de uma intervenção cirúrgica, o Dr. Gensch pilheriou com o cervejeiro, dizendo-lhe que não ficasse triste, pois que aquele pedaço de dedo, depois de bem seco, daria um excelente limpador de cachimbo. Pois Jennrich teve a pachorra de fazer secar muito bem o pedaço do dedo e mostrava-o, frequentemente aos amigos, chamando-lhes, a atenção para a originalidade do instrumento que o médico lhe havia recomendado para desentupir o cachimbo.

Com a falange que lhe restava, Jennrich costumava fazer outras pilhérias, como metê-la, em parte, na narina, parecendo, assim, que ali havia metido o dedo todo, o que causava hilaridade aos amigos e o espanto nas crianças, estas não podiam compreender como é que se podia enfiar um dedo inteiro no nariz.

Jennrich foi um cidadão prestimoso e o bairro em que desenvolveu a sua atividade, muito lhe deve do seu engrandecimento urbano e social. O Museu de Ecologia Fritz Müller Possui indumentária e utensílios indígenas da tribo Xokleng, que remontam ao seu cotidiano no Vale do Itajaí, doadas por Otto Jenrich em 1948.

A cervejaria consta do Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro publicado no ano de 1930, comprovando que até 1929 a cervejaria ainda existia funcionando, quando foi vendida para A. Tiede & Cia (sociedade de Alfredo Tiede e Adolf Schmalz), sendo liquidada em 1930.

Em 1931, os prédios e terreno da cervejaria de Otto Jennrich passam a fazer parte da entrada de capital na criação da Cervejaria Blumenauense S.A., depois incorporada ao patrimônio da Antartica Paulista.

Em 3 de fevereiro de 1944, otto Jenrich falece, sendo sepultado no túmulo da família Persuhn.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Cervejaria Corá / Bramatti & Corá / Serrana / Bade, Barbieux & Cia


Texto retirado do Projeto Passo Fundo - Passo Fundo - RS
Vultos da História de Passo Fundo - 2ª Ed. - autores: Welci Nascimento e Santina Dal
Um encontro com a memória viva - autores: Veríssimo da Fonseca e Paulo Monteiro


Passo Fundo era o mais importante centro comercial, industrial e de serviços de todo o Norte do Rio Grande do Sul e Oeste de Santa Catarina. O município contava com diversas casas comerciais, além de madeireiras e moinhos de arroz, trigo e milho. Também possuía uma cervejaria artesanal, criada por João Corá em 1910, que abastecia todo o mercado, de Santa Maria a Marcelino Ramos.

Em 18 de Julho de 1912 foi requerido, na Junta Comercial, o arquivamento do contrato social feito entre Alexandre Bramatti e João Corá, para o comércio de fabrico de cerveja, gelo e o que mais convier, com o capital de 90:000$000 (noventa contos de reis), sob a firma Bramatti & Corá.

Jorge Barbieux nasceu na localidade de St. Gall, na Suíça, no dia 29 de novembro de 1867. Permaneceu em sua Pátria até os 16 anos de idade, vindo para a América do Sul fixando-se na Argentina.
Em 1884, retornou à Europa, quando estudou, inicialmente, na Wormser Braner Schule-Worms. Mais tarde fez Estágio na Arminius Drauerrei-Kohlstad e, em junho de 1887, já com 20 anos de idade, ingressou como técnico na Fábrica de Cerveja “La Alemanha” de Valência, Espanha, onde também aprimorou seus conhecimentos cervejeiros, tornando-se técnico de fama e diplomando-se em técnico cervejeiro em 1889.

Retornando à Argentina em 1896, fixou-se como técnico cervejeiro, tendo requerido sua cidadania argentina, onde trabalhou alguns anos. Em 1900, Não tendo encontrado a terra ideal para viver, pensou em transferir-se para o Brasil, mais precisamente para o Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, onde existia uma organização cervejeira de certa fama, a Bopp, Sassen, Ritter e Cia, assumindo a Direção Técnica, e passando a apresentar excelentes produtos.

Em Porto Alegre, Jorge Barbieux casou-se com Maria Luiza Breier, a 08 de dezembro de 1900; contava, então, com 33 anos de idade e muita experiência de mundo.

Permaneceu em Porto Alegre como Técnico de uma grande cervejaria até 1914, quando tranferiu-se para Montenegro, onde dirigiu como técnico, a Fábrica de Cerveja Jahn.

Em 1914 iniciava-se a Primeira Guerra Mundial e Jorge, então com 4 filhos: Walter nascido em 1901, Constance em 1902, Bruno em 1904 e Dagmar em 1909, deixa a Direção Técnica da Cervejaria Jahn.

Transfere-se para Passo Fundo onde associando-se a Otto Bade dá início ao primeiro estabelecimento cervejeiro de expressão regional do Município, adquirindo em 1915, a pequena e modesta Cervejaria Bramatti & João Corá que foi ampliada e rebatizada em 1916 de Cervejaria Serrana Ltda., onde passou a fabricar a cerveja “Gaúcha”, considerada, na época, uma das melhores da Serra.

Em 19 de março de 1917 foram depositadas na da Junta Commercial da Capital Federal (RJ) o registro das marcas de cerveja Creoula e Serrana, de Bade Irmãos & Barbieux que já haviam sido registradas na Junta Commercial do Rio Grande do Sul, respectivamente sob os nº. 3.149 e 3.150.



Jorge Barbieux e Otto Bade tornaram-se durante anos consecutivos os fabricantes da melhor cerveja do interior rio-grandense. Eles implantaram o primeiro estabelecimento cervejeiro de importância em Passo Fundo, com produção capaz de atender à demanda no consumo desta imensa região.

Ao fixar-se em Passo Fundo como industrial, Jorge Barbieux requereu sua cidadania brasileira, como brasileiro naturalizado participou de muitas campanhas políticas de âmbito municipal, estadual e nacional.

Entre os seus descendentes, destacamos seu filho Walter Barbieux que também soube, como seu pai, dar a parcela de contribuição com o seu trabalho nas atividades comerciais para a prosperidade da Capital do Planalto.
Em fins de 1918, Walter Barbieux foi para Alemanha realizar o curso de técnico cervejeiro, estudando em Hamburgo entre 1919 e 1925 quando retornou e assumiu a cervejaria.

Com o retorno do jovem técnico cervejeiro, a indústria foi modernizada. Tudo foi eletrificado após a importação e a chegada de uma enorme caldeira para a geração de energia, as casas de todos os empregados que moravam nos arredores também foram iluminadas. Vários funcionários moravam próximos da cervejaria, o que acabou por formar uma comunidade mantida por meio dela.

A caldeira desembarcada em Porto Alegre, foi transportada de trem até Passo Fundo. O transporte da caldeira da estação ferroviária exigiu o concurso de dois caminhões: um à frente, puxando-a; outro atrás, segurando-a nos declives. Assim, chegou até indústria movida por dois caminhões, um que puxava e outro que empurrava. A cidade parou para ver a operação de transporte.

Com a reformulação e a ampliação da cervejaria, a produção passou a ser em larga escala e a cervejaria tornou-se responsável pelo abastecimento da região da serra até Santa Maria para as demais cidades a distribuição era feita via trem.

Além de cerveja, a indústria produzia guaraná e limonada gasosa. "O guaraná, natural, vinha do Amazonas em tonéis. A limonada gasosa era produzida com limão natural que vinha de Marcelino Ramos. Todos os produtos eram naturais, com água natural, de um poço artesiano perfurado especialmente para isso. O limão era pasteurizado e conservado em garrafas de vidro, por isso sempre, inverno e verão, podia ser produzida a limonada. Apenas a na água de soda, ia um produto químico, o sódio. Além da Cerveja Serrana, era fabricada a Cervejinha Preta Gauchita".


"As garrafas de cerveja eram acondicionadas em caixas de madeira, com quadradinhos também de madeira. Para transporte mais longo, as garrafas eram empalhadas com palha de cevada. O lúpulo da Tcheco-Eslováquia, enrolado em linho. A cevada era importada da Argentina. O transporte era feito em trens, e para onde estes não chegavam, através de carroças”

Algum tempo depois, Otto Bade vende sua parte para a Cervejaria Continental.

Jorge Barbieux viveu em Passo Fundo de 1915 até 1944, lutando diuturnamente pelo progresso industrial e pelo desenvolvimento econômico do Município, não esquecendo o engrandecimento espiritual de todos os passo-fundenses, no seio dos quais ele se harmonizava como se estivesse entre irmãos. Em 25 de janeiro de 1945, aos 78 anos de idade, falece em Porto Alegre, no Hospital São Francisco, cercado pelo carinho de seus familiares e amigos.

Seus familiares acabaram vendendo totalmente, em 1º de junho de 1947, a Cervejaria Serrana se transforma em filial da Cervejaria Brahma.

A chaminé da fábrica, referência preservada até hoje, emitia o apito que despertava a cidade a cada novo amanhecer e ao final de mais um dia cumprido. E assim foi até 1975. Terminando com o seu fechamento definitivo em 21 de abril de 1997.

O conjunto de prédios abriga atualmente a FAPLAN (Faculdade Planalto) fundada no dia 24 de Agosto de 2001.