sábado, 25 de setembro de 2010

Cervejaria Alfredo Sell / Rio Branco / Indústria de Bebidas Leonardo Sell



Em 5 de outubro de 1905, num pequeno lugarejo na estrada que subia a serra, à beira do rio Capivaras, próximo à divisa com Lauro Muller, hoje rodovia SC-438, alto da Serra Geral, o filho de imigrantes germânicos Alfredo Roberto Sell, auxiliado por 3 funcionários, instalou num galpão a primeira indústria da região, a Cervejaria Alfredo Sell que funcionava junto à praça do atual centro do município de Rancho Queimado, então distrito de São José em Santa Catarina. Praça que hoje leva o nome do filho do fundador da cervejaria, o empresário Leonardo Sell.





Três anos depois da fundação, em 1908, Alfredo Sell mudou a fábrica para o lugar antigamente conhecido como Vila Baixa, em Rancho Queimado, a cerca de um quilômetro do local original e mudou seu nome para Cervejaria Rio Branco. Ali a empresa funciona até hoje, na atual rua Leonardo Sell, 58. O motivo da mudança foi o melhor acesso à única fonte de energia então disponível: a água. O novo local ficava mais próximo do rio, que movimentava a roda d'água, responsável pela força mecânica usada na fábrica.

Foto de 1914 na cervejaria, da esquerda para a direita: Hilma Sell Fertig, Olga Sell Suhann, Alfredo Sell, Paulo Sell, Leonardo Sell


A cerveja que saía da fábrica chegava ao consumidor com a sugestiva marca "Tira-Prosa", um bom marketing para uma bebida tradicionalmente acompanhada de uma animada conversa.


Das sobras da matéria-prima utilizada na fabricação da bebida, a pequena indústria passou a produzir também um refresco não-alcoólico popularmente conhecido como "cerveja doce". Era envasado nas mesmas garrafas usadas para a cerveja alcoólica - mas sem rótulo - e vendido inicialmente apenas nos arredores. Não só a cerveja foi um sucesso, com a produção e a venda expandindo-se continuamente, como o refresco acabou deixando de ser um mero subproduto. Em 1926, a "cerveja doce" ganhou uma marca própria (Pureza) e o sabor guaraná. Na época o nome não designava apenas uma marca, mas o próprio produto, já que as expressões: "refrigerante" e "guaraná" ainda não eram comuns. Só mais tarde o rótulo da bebida ganharia essas especificações, por exigência de normas governamentais para o setor industrial.

Somente após 1927, a comercialização direta através do transporte em carroças se expandiu entre Bom Retiro e Florianópolis.

Ainda nos anos 1930, foram lançados os sabores limão, framboesa, laranjinha e abacaxi. Mais tarde, a família foi completada com as versões cola e laranja. Os sabores framboesa e cola, dependentes de matérias-primas importadas, deixaram de ser produzidos porque o volume de vendas já não compensava os custos.

As garrafas usadas nos primeiros tempos da Pureza eram bem diferentes das atuais. Mesmo pequenas, eram pesadas, pela quantidade de vidro empregado. Um curioso sistema de vedação impedia a perda do gás, antes que existissem as tampinhas de metal usadas atualmente. A parte interna da garrafa era dividida em duas, uma sobre a outra, ligadas por uma passagem mais estreita no meio, onde a parede de vidro era mais grossa. Dentro da parte superior ficava uma esfera de vidro, parecida com uma bola de gude. A pressão produzida pelo gás empurrava a bolinha de vidro para cima, pressionado-a contra um anel de borracha na parte interna do gargalo, e garantia a vedação. Para beber o refrigerante, era só empurrar a bolinha para dentro da garrafa, deixando parte do gás sair e aliviando a pressão.




Observação: Por não ter conseguido imagens brasileiras deste tipo de garrafas foram colocadas imagens de garrafas de refrigerantes utilizadas em Portugal para visualização do processo da bolinha.

Em 1940, a Cervejaria Rio Branco, tem seu nome alterado para Indústria de Bebidas Leonardo Sell Ltda, nome do filho do precursor.





Em 1954, já tinha como fortes concorrentes a Antarctica (mais antiga) e a Brahma, a cerveja Tira-Prosa deixou de ser fabricada, depois de quase meio século de produção.

Na década de 1960, foram lançados os refrigerantes: Framboesa, Limãozinho e Laranjinha, em garrafas de 200, 300 e 600 ml. Até esta década, a produção era manual e as garrafas eram enchidas uma de cada vez. Em 1970, a Leonardo Sell comprou sua primeira máquina semi-automática e, em abril de 1996, modernizou a produção com o uso de embalagens descartáveis.



Em 2008 a Refrigerantes Pureza, como atualmente é conhecida a Indústria de Bebidas Leonardo Sell que começou com 3 funcionários já conta com 52, investiu R$ 80 mil na aquisição de garrafas de vidro e outros R$ 200 mil para engradados padronizados. “A idéia é reavivar as garrafas, tendo o vidro como um foco da indústria do refrigerante”. Atualmente, mais de 70% da produção da empresa é comercializada através de embalagens plásticas






3 comentários:

Henrique Oliveira disse...

Leonardo Sell ainda produz cerveja?

Anônimo disse...

Apenas refrigerantes Henrique!

Anilson tadeu martins disse...

Incrível descoberta !