22 abril 2011

Cervejaria Gloria / E. Engelhardt & Cia.


Texto: Ademar Campos Bindé - Jornal O Reporter - 29 de maio de 2010.
Victor augustus Graziotto Silva e José Humberto Boguszewskilivro - Cervejarias de Curitiba - 2022.
Fotos: Coleção Família Beck - Acervo MADP

Sua história começa em 1882. Quando, incentivados pelo presidente da Província do Paraná, Lamenha Lins, muitos imigrantes vindos da Europa chegaram e se estabeleceram em Curitiba. Muitos procuraram o meio rural onde desenvolveram o cultivo do centeio e da cevada. A cevada era (e é) usada na fabricação da cerveja; o centeio, misturado à farinha de trigo, deu vida às broas; Os citadinos, buscaram fazer trabalhos que já conheciam: Eram pedreiros, marceneiros, ferreiros e funileiros.


Entre esses últimos estava o alemão Friedrich Philipp Ludwig Eduard Engelhardt, nascido em 1850, era pedreiro e carpinteiro na Alemanha, e que, como tantos, contratado para trabalhar na construção da catedral de Curitiba.

Eduard Engelhardt, casou em 1880 com Caroline Iser e tiveram nove filhos: Hulda, Ernesto, Edmundo karl, Eduardo Frederico junior, Clara Anna, otto, Oscar. Elza e Guilherme.

Em 1883, o primeiro Engelhardt “curitibano” então com 33 anos de idade, sofreu um acidente, uma queda que lhe custou a quebra de um braço e algumas costelas, deixando o trabalho na catedral.

Após sua recuperação foi um dos primeiros imigrantes alemães a tornar-se dono de uma cervejaria, em 1885 montou uma fábrica de licores na Rua São Francisco nº 47.
Em 1893, além de licores passa a produzir cerveja e registra a marca Ed. Engelhardt's Brauerei, ainda nesse ano, em 13 de julho, Eduardo Engelhardt registra a cerveja Fafel Bier sob o nº13 da Junta de Comércio do Paraná.




Em 1909, seu filho Edmundo se forma mestre cervejeiro em munique e retorna no ano seguinte para continuar atuando junto com seu pai, Eduardo senior, na cervejaria. Nesse ano alteram o nome para Cervejaria Glória e seus rótulos passam a ostentar a informação de ser a primeira cervejaria utilizando maquinaria a vapor.


Seu outro filho Eduardo Engelhardt Junior, com apenas 14 anos, deixou a cervejaria e foi aprender o ofício de padeiro na Padaria Batel, de Guilherme Bürgel. Foram os primeiros passos para ter sua própria padaria, que era também armazém de secos e molhados, tendo sido aberta em 1913, na esquina das ruas Sete de Setembro e Alferes Poli – ao lado da cervejaria do pai, de onde saía o fermento para o pão.
O estabelecimento ganhou em 1914 o nome de Padaria America quando houve a mudança de endereço para a então Rua América, hoje Rua Trajano Reis.
A cervejaria enfrentando dificuldades econômicas em 1913, coloca á venda seu maquinário que fica anunciado até 1914.


Em 1915, a Cervejaria Glória fechou e o padeiro Engelhardt saiu à procura de outro fermento. Como exigia qualidade, montou um pequeno laboratório e nele desenvolveu seu fermento: feito de um misto de cevada e de batata. Na década de 1930, o fermento industrializado Fleischmann foi lá experimentado e lançado nacionalmente.

De lá para cá, Ewaldo Ernesto (Bruda), o neto Alfonso Eduardo e, hoje, o bisneto Eduardo Henrique, assumiram o trabalho na padaria.

Em recente publicação nacional celebrando o pão e a indústria da panificação, a curitibana Padaria América foi considerada a mais antiga do país, ainda nas mãos da mesma família.

3 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pela matéria. A família Engelhardt - Padaria América agradece imensamente a oportunidade de relembrar nossa história.
Mais uma vez, o nosso muito obrigado.

Gostaria de pedir sua autorização para divulgarmos esta matéria em nosso site. (americapadaria.com.br)

Segue meu e-mail: patriciapadariaamerica@hotmail.com

Att,

Patricia Taguchi - Padaria América

Anônimo disse...

Historia de trabalho que nós descendentes nos orgulhamos e seguimos escrevendo.

O.Adolfo Engelhardt jr

Prof. Edson Bonu disse...

Belissima história.

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