sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Fábrica de Cerveja Beauclair / Germania



Baseado no texto:
Cervejas de Friburgo, Friburgo Brau, Suspiro e Germania - Janaína Botelho


Além dos primeiros colonos alemães que migraram para Friburgo em 1824, Nova Friburgo recebeu em 1892, 703 imigrantes alemães do total de 1.421 que imigraram para a região serrana.
É possível que Albano Beauclair tenha vindo neste grupo. E é a partir de então que se inicia a história da cerveja Friburgo-Brau.

“O Friburguense”, de 22 de novembro de 1891 nos dá notícia de que as firmas A. de Beauclair & Cia. e Gonçalves & Bastos solicitaram ao Conselho de Intendência do Município, permissão para conservarem abertas, aos domingos e feriados, depois das 3 horas da tarde, as portas de suas fábricas de cerveja. Isto nos leva à conclusão de que havia funcionando, ao mesmo tempo, duas fábricas de cerveja naquela época.

Em 1893, o sr. Albano Beauclair proprietário da Cervejaria Beauclair, fabricante da cerveja Friburgo-Brau anunciava a inauguração da sua nova fábrica localizada próximo ao “chalet” Mac Nivem, possivelmente em razão da excelente e notória qualidade da água de Friburgo, conhecida até mesmo por suas características medicinais. Situada à margem do Rio Santo Antonio, atual Rua Mac-Nivem, era um importante espaço de sociabilidade na cidade.

As novas instalações da Cervejaria Beauclair contava com os mais modernos equipamentos importados da Alemanha, com depósitos de fermentação, adegas subterrâneas e com pasteurização final do produto. A fabricação utilizava unicamente cevada e lúpulo, importados dos melhores fornecedores alemães.

A fábrica de cerveja Beauclair importara todos os aparelhos da Alemanha, onde produzia em média 22 mil garrafas mensalmente. Possuía ainda uma sofisticada máquina de lavar garrafas e outra que experimentava a resistência das mesmas, à base de gás de ácido carbônico. Para o verão, utilizava um resfriador Patent de Neubecker, um engenhoso aparelho para manter a cerveja sempre geladinha. A cervejaria Beauclair adotava o sistema de Munich não só quanto ao maquinário, como no processo de fabricação. O Sr. Albano de Beauclair tinha o diploma de mestre fabricante de cerveja, conferido pela Escola de Cervejaria de Worms, localizado na Alemanha. A fábrica produzia a famosa e saborosa cerveja Friburgo Brau, um produto especial da casa exportada para outras regiões, sendo considerada uma das melhores cervejas nacionais.

A Friburgo Brau era muito exaltada nos jornais e um dos orgulhos da cidade.
O jornal descrevia a Cervejaria Beauclair como “um sítio aprazível, onde a natureza traja sempre galas”, o que seria, na verdade, um Biergarten. O conceito de cervejaria que se difundira no século XIX, as denominadas Biergarten, eram locais situados em áreas arborizadas, com jardins, normalmente próximos a um rio, onde se espalhavam mesas e bancos de madeira.
Nestes locais, cada um levava seu próprio farnel ou refeição e consumia a cerveja vendida no local. Atualmente, na Baviera, a exemplo de Munique, as Biergarten conservam a mesma tradição de outrora. No entanto, já fornecem refeição aos frequentadores. Logo, a Cervejaria Beauclair aproximava-se desse conceito de Biergarten.

Em 1907, Albano Beauclair arrendou a fábrica a Bernardo Dias e companhia, mas continuou a prestar seus serviços. Ao que parece o sr. Beauclair falecera neste mesmo ano. O novo proprietário mudou o nome para Fábrica de Cerveja Germânia. Neste período, a Cervejaria Germânia já possuía diversas máquinas de pasteurização, lavagem das garrafas, arrolhamento, etc.

A cerveja Germânia era descrita como de cor topázio, de espuma argêntea e “aurivibrante”. As garrafas tinham rótulos litografados em letras art noveau com o nome de Germânia, impresso em tinta vermelha. Já se providenciava a substituição das rolhas de cortiça, presas a arame, por outras do sistema teutonia.

Até 1930, há informação de que a fábrica de cerveja ainda funcionava, tendo como proprietários Lima Jaccoud & Companhia.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Cervejaria Van De Kamp / Fábrica de Cerveja, Limonadas e Gelo Viúva Norberto Van De Kamp



Texto e imagem: Ton Roos e Margje Eshuis - Os Capixabas Holandeses
Imagens dos rótulos cedidas pelo colecionador Paulo Antunes Júnior

Em 1897, o holandês de nome Norbert Van De Kamp (Norberto), um visionário de inteligência e visão além do seu tempo, natural de Calcar, na então Renânia, atual Estado Federal mais populoso da Alemanha, cuja capital é Dusseldorf, inaugura uma fábrica de cerveja, limonada e gelo, com capacidade de produção compatível com aquele que era o maior e mais desenvolvido empório comercial do Espírito Santo, em Cachoeiro de Santa Leopoldina, atual Município de Santa Leopoldina.

O grande movimento de Cachoeiro de Santa Leopoldina assegurou uma posição social de relevo. Grandes firmas da Europa despachavam seus viajantes diretamente ao Porto de Cachoeiro. Só depois que faziam esta praça é que visitavam Vitória, a Capital, suas festas eram muito concorridas, vinham pessoas até do Rio de Janeiro na época do Carnaval. As ruas ficavam multicoloridas de confetes e serpentinas.

A Cervejaria Van De Kamp criou fama e seus produtos foram remetidos para várias partes do Estado. A fábrica, de porte, se localizava à Rua Porfírio Furtado, onde hoje em seu local está edificada a cadeia pública.
A bebida produzida por ele era muito bem recebida. Fabricava cervejas de alta fermentação, cervejas mais leves, branca, preta e dupla, assim como a célebre gasosa, de muita recordação para os mais antigos moradores do Município.

Com apenas 50 anos de idade, no dia 25 de abril de 1920, um ataque cardíaco o matou e não fosse sua morte prematura Van De Kamp teria se tornado um grande industrial no Espírito Santo. Sua morte interrompeu o sonho de crescimento da fábrica e infelizmente as receitas das cervejas foram enterradas com ele e sua esposa prosseguiu com a administração da cervejaria.
Em 19 de agosto de 1923, o Diário Oficial da União publica a relação oficial dos expositores, do Estado do Espírito Santo, premiados na Exposição Internacional do Centenário da Independencia, onde consta a premiação atribuida à Viúva Norberto Van De Kamp com medalha de bronze, na classe 57, cervejas e gazosas.
  
Apesar dos esforços feitos pelos filhos, para prosseguirem com a fabricação da bebida, nos padrões antigos, sem as receitas de seu pai nada conseguiram e assim, com o decorrer do tempo, a indústria acabou sendo fechada.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Cervejaria Amazonense de Miranda Correa & Cia



Baseado nos textos do site e blogs a seguir:
www.novomilenio.inf.br
Blog do Rocha Cervejaria Amazonense de Miranda Correa;
Blog do Coronel Roberto Cervejaria Amazonense - Inauguração

Imagens dos rótulos cedidas pelo colecionador Paulo Antunes Júnior

Em 1903 foi fundada a “casa de schopps” e a fábrica de "Gelo Crystal", pela família de Maximino Corrêa, oriunda do vizinho estado do Pará.
São sócios desta importante firma o sr. Miranda Corrêa e seus irmãos, três dos quais residem no Rio de Janeiro e dois outros no Pará. O chefe da firma é o dr. Antonino Carlos de Miranda Corrêa, nascido no Pará em 1872 e educado no Rio de Janeiro, onde se formou em Engenharia. Em seguida, cursou a Escola Militar, entrando como tenente para o Exército Brasileiro; pouco depois demitiu-se, vindo para Manaus, em 1896.

Estabelecida a Fábrica de Gelo, que em breve se tornou uma empresa rendosa. O gelo, que fora o produto básico vendido pelos irmãos Corrêa, a partir de 1905 deu partida ao elevado desempenho da firma Miranda Corrêa.
A Cervejaria Miranda Correa foi idealizada por Antonino, que em 1909, foi à Europa onde visitou as principais cervejarias e trouxe da Alemanha todo o maquinário e também dois técnicos especializados voltando a Manaus deu início ao projeto da grande empresa.

Instalada em Manaus em 6 de setembro de 1909 teve autorizada sua montagem por lei número 595. Em 20 de fevereiro de 1910, às nove horas da manhã, foi lançada a pedra fundamental da Fábrica Amazonense de Cerveja e Gelo de Miranda Corrêa e Cia, à margem esquerda do igarapé da Cachoeira Grande, em Manaus, Amazonas, sendo seu fundador Antonino Carlos de Miranda Corrêa.

Por se inserir em um período muito conturbado da história mundial e regional, a região sofre, neste momento, os primeiros indícios de uma eminente e possível crise na produção gomífera e a diminuição dos recursos que transformaram uma pequena vila em uma das cidades mais bonitas e modernas de sua época. Nesse contexto, surge a implantação da Cervejaria Amazonense Miranda Corrêa.

Em 12 de outubro de 1912,foi inaugurada a primeira cervejaria em Manaus, a Cervejaria Amazonense pela família Miranda Corrêa composta pelos irmãos Luís Maximino e Antonino Carlos (engenheiros), Altino Flávio (almirante) e Deocleto Clarivaldo (médico). Quando inaugurada, a fábrica serviu para a produção da cerveja XPTO e produtos afins, além de continuar com a fabricação de gelo cristal.

A cervejaria, com todo o seu aparato técnico de última geração impressionava até os mais pessimistas dos pessimistas. A maioria das pessoas não acreditava ser possível um empreendimento daquela magnitude.


No período de 1910 a 1920, o mundo passava por grandes transformações. A cidade de Manaus vivia o período que ficou conhecido por “Belle Epoque”, a sua década de ouro, com esplendor das mais importantes personalidades artísticas vindas para se apresentarem no teatro Amazonas. É claro que tal dinamismo e mecenato tinha que ter o dedo do Dr. Luiz Maximino de Miranda Corrêa, de personalidade marcante, era um homem que estava muitos anos à frente de seu tempo. Por uma questão muito peculiar, ele era um verdadeiro estrategista e profundo observador dos destinos desta terra.

Em 1914, Maximino de Miranda Correa, proprietário da Cervejaria Miranda Corrêa, fabricante da cerveja XPTO, e da Casa de “Schopps” (ortografia da época) localizada na Eduardo Ribeiro do cinema, compra o prédio do cinema Odeon, ao lado, e o fecha para reformas. Sua reabertura ocorre a 3 de maio, agora com programação da Agência Geral Cinematográfica. Em dezembro de 1914, o Odeon é arrendado para a empresa Fontenelle.

Os deslevos com a produção, levou a família a "importar" um edifício projetado na França, no estilo de um castelo bávaro para servir de fábrica, o qual ainda existe no bairro de Aparecida, localizado à margem do igarapé de São Raimundo. O local era bastante privilegiado, além da água em abundância, permitia uma visão panorâmica da cidade de Manaus.

Um edifício notável com seis andares e uma torre artística, a altura do edifício, desde o solo até o alto da torre, é de 160 pés. No interior, a torre é servida por um elevador elétrico (o primeiro instalado em manaus) de duas toneladas de capacidade e por um escada de caracol com 200 degraus. O edifício fica situado na margem do rio, no ponto terminal da linha de tramways elétricos do Plano Inclinado. No pavimento térreo fica situada a seção de despachos, em como os depósitos e salas de lavagem de garrafas e empacotamento. O primeiro e segundo andares são reservados ao tratamento final da cerveja, que a eles desce por um sistema não excedido em nenhum outro estabelecimento similar da América do Sul.

A cervejaria tem uma capacidade de produção de cinco milhões de litros. Os tubos serpentinas para o resfriamento são trazidos por quatro câmaras frigoríficas, cujas paredes são interiormente acolchoadas com cortiça e revestidas de acabamento em jaspe. O terceiro andar é o depósito para a fermentação, e aí ficam as retortas de fermentação, que distribuem o produto os andares inferiores por meio da força de gravidade. Esta seção está dividida em dois compartimentos - inferior e superior - de fino acabamento e decoração artística.

No quarto andar ficam o laboratório químico e escritório técnico. O quinto andar é reservado para armazenagem e tratamento da cevada, que a ele chega depois de ter passado pelo limpador no andar superior; aí fica também situada uma grande retorta para o lúpulo e o fermento. No sexto andar, fica o depósito de cevada, e aí está também instalado o engenhoso dispositivo para limpar a cevada e livrá-la das matérias estranhas que se lhe tenham juntado.

Tanto a cobertura como as paredes são todas à prova de fogo, sendo o vapor e água fria, para fins de manufatura e outros usos, supridos ao andar superior. Em cima do poço do elevador estão instalados dois tanques para água, com capacidade para 50.000 litros cada um. Do alto da torre se descortina uma esplêndida vista da cidade e do porto. A eletricidade para a luz e força motriz é produzida na usina geradora, situada ao lado do edifício principal.

A cevada e o lúpulo são importados da Alemanha e a água usada passa, previamente, por uma filtração completa, depois de ser retirada do rio. Ao lado da cervejaria fica situada a fábrica de gelo, a primeira estabelecida em Manaus; o seu maquinismo é movido por um motor de 500 hp, ao qual fornece o vapor uma enorme caldeira, tipo Lancashire. A instalação é americana e tem capacidade para produzir 40 toneladas de gelo diariamente, o qual é entregue duas vezes por dia à freguesia espalhada por toda a cidade e vendido por um preço que o torna de consumo geral na cidade.
Trabalham nesta fábrica cerca de 20 homens, havendo também um caminhão com 30 hp e vários carros automóveis e outros de tração animal, para o serviço de distribuição.

Com o início da produção de cerveja e chope em barris, que faria fama entre os manauenses. A XPTO sobreviveu aos seus criadores, continuando a ser fabricada por mais de 50 anos. Ganharam o mundo, pois eram servidas nos navios que saiam de Manaus rumo à Europa. XPTO, que a primeira vista é uma sigla, na realidade é abreviatura do nome de Cristo em grego (Christós: X (qui), P (ró), T (tau) e O (omicron). O historiador Antonio Loureiro, descobriu que XPTO é uma gíria usada em Portugal desde o século 20 e falada até hoje e significa “OK, é o máximo”. A tampinha que fechava a garrafa tinha desenhado o mapa do Amazonas e seus rios, circundado pela inscrição Cervejaria Miranda Corrêa. O rótulo apresentava uma águia entrelaçada com o nome XPTO. Uma cópia de um anúncio visto na Times Square, em Nova York, por Antonino quando esteve lá.

Bolacha de chope - anos 50


A empresa subsistiu por mais de meio século, apesar do definhamento da economia amazonense. Serviu aos lares e aos bares por décadas, até ser atingida pelos concorrentes e pelo desenvolvimento da capital amazonense.

A expansão do comércio com a instalação da Zona Franca de Manaus, a partir de 1967, levou a fabricante da cerveja XPTO a mudar de proprietário.

Em 1970, a empresa J. Macedo, com sede em Fortaleza - CE, comprou o controle acionário da Cervejaria Miranda Corrêa.

Em 1972, a J. Macedo, através de convênio começou a fabricar a cerveja Brahma, e com novos e modernos equipamentos aumentaram a produção, a XPTO deixou de ser fabricada, talvez não vissem sentido em produzir duas marcas de cervejas ou mesmo a Brahma não permitisse que eles produzissem outra.

Durou pouco a presença dessa empresa. Logo depois, passou ao gerenciamento da Brahma, então de conceito nacional, que construiu uma nova fábrica no mesmo local, abandonando o castelo.

Com a fusão da Brahma e Antarctica, as instalações foram novamente comercializadas, passando a pertencer à cervejaria Kaiser.