sábado, 30 de julho de 2011

Cervejaria Caetano Carmignani / Carlos Carmignani & Irmão / Carmignani S/A


A Carmignani nasceu graças ao trabalho e empenho de Caetano Carmignani, filho de Giovacchino Carmignani e Maria Salvatore Papini Carmignani, nascido em 8 de novembro de 1875, na Itália, na cidade de Montecarlo, província de Lucca, veio como imigrante para o Brasil, em 1887, ainda criança com somente 12 anos de idade e foi morar nas proximidades de Piracicaba - SP. Até sua maioridade ajudou muito seus progenitores, pois tinha em seu pensamento o desejo de progredir, vencer na vida, já almejando seu futuro. Em 1904 já com 29 anos de idade teve a feliz idéia de instalar uma fábrica de cerveja.
Com visão ampla de progresso adquiriu da família Barão de Rezende uma área de 1.000 metros quadrados, onde construiu a fábrica e a sua residência.
Em 1907 a primitiva fábrica foi transferida para esse lugar, situava-se na Avenida Dona Francisca, nº. 60, praticamente na esquina com a Rua Monsenhor Gallo e com a aquisição de máquinas e outros equipamentos, começou a fabricar a cerveja preta Cavalinho de alta fermentação, assim como refrigerantes naturais.

Nesta ocasião Caetano Carmignani conheceu Rosa Zílio, com quem contraiu matrimônio em 20 de fevereiro de 1908.

O patriarca da família faleceu em 1932 e o controle da cervejaria passou aos filhos, alterando sua razão social para Carlos Carmignani e Irmãos.

A companhia, além de cerveja, produzia também Gengibirra, Cotubaina e vários refrigerantes. Por volta de 1934 eles começaram a fazer o engarrafamento de aguardente que denominaram Caninha Cavalinho.

Posteriormente com a transformação da empresa para Carmignani S/A Indústria e Comércio de Bebidas, vejam o esboço do novo rótulo da Caninha Cavalinho.

Por volta de 1989 engarrafavam as seguintes marcas de aguardente:


No início do ano de 2005, a produção de cachaça foi suspensa.

Em Dezembro de 2006, o Grupo Midas Bebidas, presente no mercado desde 2002, anunciou a aquisição das marcas de bebidas alcoólicas do Grupo Carmignani, que tem como carro-chefe a tradicional Caninha Cavalinho. As embalagens e os rótulos da Cavalinho foram reestilizados, mas mantiveram a identidade visual muito próxima daquelas utilizadas até 2005. O novo fornecedor exclusivo da aguardente é a Destilaria Capuava, empresa também centenária, situada em Piracicaba. A Caninha Cavalinho agora é comercializada em garrafas de vidro de 1 litro (incolor) e de 600 mililitros (âmbar) e garrafas de PET de 500 mililitros.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Henrique Stupakoff & Cia /Fábrica de Cerveja Bavária



Baseado nos textos:A Cidade de São Paulo em 1900 - Alfredo Moreira pinto
A Indústria no Estado de São Paulo em 1901 - Antonio Bandeira Júnior
Imagens: Marcas da virada do século XX no acervo da JUCESP: primeiras impressões - Frederico Saade Floeter e Priscila Lena Farias

Uma das mais antigas fabricações de cerveja que se tem notícia em São Paulo é a Cerveja Bávara fabricada por Henrique stupakoff (Heinrich Ferdinand Alexander Simon Stupakoff), descendente de russos, porém nascido em Hamburgo, Alemanha, no dia 24 de setembro de 1856.

Sua cerveja já era servida em 1877, quando da inauguração da cervejaria “Stadt de Berna” na Rua de São Bento 73 - São Paulo - SP, de propriedade de Vitor Nothman.

Por volta de 1890, partiu o senhor Stupakoff para a Alemanha onde se dedicou nas principais fábricas ao estudo da fabricação da cerveja, comprou os melhores e mais modernos aparelhos e de onde trouxe o necessário e habilitado pessoal.

Em 20 de outubro de 1892, das 14 às 15 horas da tarde, foram inauguradas as novas instalações da Fábrica de Cerveja Bavária de Henrique Stupakoff & Cia, nas terras de uma chácara do engenheiro Daniel Fox quando o arruamento ainda começava a ser definido. O prédio construído na Rua da Mooca 282, (depois Alameda Bavária, atual Avenida Presidente Wilson) no bairro da Mooca, subúrbio do Braz, à margem da Estrada de Ferro Ingleza.

Nesse bairro, a maior concentração de edificações industriais, localiza-se ao longo da faixa ferroviária. Ao ocupar esses terrenos, as indústrias e armazéns voltaram os fundos para a via férrea – recurso que permitia o recebimento e escoamento de produtos – e o acesso principal para ruas paralelas.

Às duas horas da tarde partiram da cidade bondes especiais levando numerosos convidados, entre os quais o Sr. Dr. Bernardino de Campos, presidente do Estado (atualmente seria governador), os Srs. Drs. Alfredo Maia e Siqueira Campos, secretários da Agricultura e da Justiça, alguns deputados e senadores, representantes da imprensa, comerciantes, industriais, etc. A inauguração foi iniciada com o hino Nacional sendo tocado por uma banda alemã, após foi feita uma visitação a toda a fábrica, compartimento por compartimento até as vastas adegas onde descança muita cerveja fabricada há 3 meses, encerrando com todos no térreo, onde foi servida em chopes, copos e cangirões de vidro, a Cerveja Bávara ao som da música alemã executada pela banda.

Em sessão de 7 de novembro de 1892 da Junta Comercial de São Paulo foram registradas e arquivadas, sob os ns. 23 e 24 do livro registro, as marcas: Export-Bier e Lager-Bier respectivamente.

Em 1893 os produtos da fábrica foram premiados na Exposição Columbiana de Chicago.

Em 15 de março de 1895 o Diário Oficial de São Paulo (DOSP) publica o contrato que entre si fazem: Henrique Stupakoff, Martinho Buchard, Mathaus Haussler, Herman Burchard, Dr. Manoel de Moraes barros, Augusto Tolle, Carlos Schorcht Júnior e Gustavo Yeep, sendo o primeiro solidário e os demais comanditários, para o comércio e fabricação da cerveja denominada "Bavária", nesta praça, com o capital de 500:000$000 (quinhentos contos de réis), sendo o fundo comanditário de 425:000$000, sob a firma de Henrique Stupakoff & Cia. em continuação à de igual nome.

Em 28 de outubro de 1898 são registradas as marcas das cervejas: Bavária Pilsen, Bavária München e Bavária Culmbach, sob os nº. 141, 143 e 145 do livro nº1 do registro de marcas na Junta Comercial de São Paulo.

Em 17 de outubro de 1899 são registradas as contramarcas: Gallo, Pato, Cavallo, Urso, Touro, Gato e Martello na Junta Comercial de São Paulo, sob os nº. de 195 a 201.

Nesse mesmo ano de 1899 a produção atingiu 40.000 hectolitros.

Em 1900, possui uma capacidade de produção de 13.000 litros diários, a fábrica ocupa uma extensão de 25.000 metros quadrados e o prédio principal de cinco pavimentos é dividido em tantas seções quantas são as fases da fabricação, o capital nela empregado foi de 4 mil contos de réis, sendo metade alemão e metade brasileiro. Todos os maquinismos são os mais modernos e foram construídos na Alemanha e Suíça, de onde também são importadas as matérias primas: cevada, lúpulo e fermentos.

O vapor do qual se utiliza para a movimentação das máquinas motrizes é produzido por três caldeiras, já estando uma quarta montada, mas ainda sem operar, cada uma tem um peso de cerca de 20 toneladas, uma superfície de aquecimento de 85 metros quadrados e uma força de 200 cavalos. Havendo três máquinas produtoras de gelo, do sistema Linde, tendo uma força de 80, 150 e 300 cavalos de força. Cada uma com 2 compressores que servem para resfriar 3 câmaras de refrigeração de 520 metros quadrados, uma ante-câmara e 12 câmaras adegas com 2025 metros quadrados que contém 48 tonéis, construídos na Europa, indo sua capacidade de 30 a 50 hectolitros. A grande adega, onde é feita a fermentação, contem 79 tinas de 3.000 litros de capacidade.

A água, base de toda fabricação, deve ser de pureza absoluta e por isso foram cavados dois poços de uma profundidade de 100 metros que produzem 32 metros cúbicos de água por hora, essa obra teve um custo de 150:000$. A água dos poços não só serve para a fabricação da cerveja como para a fabricação do gelo que está sendo fabricado em grande quantidade e está sendo vendido na cidade, em Santos e no Interior.

A fábrica conta com 120 animais de tração e 26 caroças e carretões para as entregas.

Em 14 de junho de 1901 a Bavária já conta com 200 funcionários, nesta mesma data é registrada a Cerveja União.

Em 6 de outubro deste mesmo ano é publicado no Diário Oficial da União o registro da Cerveja Alliança na Junta Comercial de São Paulo sob n. 294.
  


Em 20 de maio de 1902 é publicado no Diário Oficial da União o registro das cervejas: União e Tivoli na Junta Comercial de São Paulo, sob os nº. 360 e 361, respectivamente.

Em 1904, a Companhia Antarctica Paulista (fundada em 1891, no bairro da Água Branca), sob controle da Zerrener, Bülow & Cia, através da assembléia de 20 de julho, com ata publicada em 30 de julho no Diário Oficial do Estado de São Paulo, assume o compromisso de compra da Cervejaria Bavária de Henrique Stupakoff & Cia. pela quantia total de 3.700:000$ sendo 1.200:000$ em ações e o resto em dinheiro.

Após a Primeira Guerra Mundial, Henrique Stupakoff retornou para Hamburgo onde faleceu em 11 de abril de 1920.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Cervejaria Kremer / Germania / Americana


Imagens:http://mariadoresguardo.blogspot.com/ e Almanak Administrativo, Comercial e Industrial

Alguns exemplos de comércio estabelecidos em Juiz de Fora - MG, ainda nos permitem adentrar no ambiente que marcou esta parte da cidade, entre a segunda metade do século XIX e o início do XX.

Em 1867, nas imediações da Igreja da Glória foi fundada a filial da Cervejaria Augusto Kremer & Cia, uma das mais antiga fábrica de cerveja de Petrópolis - RJ, datada de 1858. Construida num amplo terreno no Morro da Gratidão, na avenida dos Andradas (antiga Rua da Gratidão), adquirido à Cia. União e Indústria numa área desmembrada da Colônia Dom Pedro II (correspondente hoje aos terrenos do Jardim Glória, inclusive onde se situam as instalações do laticínio). A fábrica Kremer era um local de lazer para os juizdeforanos, onde se realizavam festividades e banquetes.

Em 31 de agosto de 1876, na Cervejaria Augusto Kremer & Cia separam-se comercialmente matriz e filial, ficando Frederico Guilherme Lindscheid com a fábrica de Petrópolis que passa a se chamar Imperial Fábrica de Cerveja Nacional e Augusto Kremer com a fábrica de Juiz de Fora que passa a se chamar Imperial Fábrica de Cerveja e Águas Mineraes de Augusto Kremer & Cia.



Em 1878, com a morte de Augusto Kremer, seu sócio e gerente José Weiss decidiu deixar a fábrica que passou a ser dirigida pela viúva, que altera o nome para Cervejaria Germânia e amparada por bons auxiliares continua em crescente desenvolvimento.





Correspondencia de novembro de 1906, consultando fornecedor.

Em 1906, foram feitas instalações completas de câmaras frigoríficas, das mais modernas; e mais recentemente, foram montados quatro grandes tonéis, com capacidade para 15 a 22.000 garrafas cada um. O processo da fabricação da cerveja está dividido por 6 seções e é feito de acordo com os melhores métodos. Estas seções ocupam-se respectivamente: da moagem da cevada, fabricação e cozimento, resfriamento, fermentação e decantação, engarrafamento e pasteurização e embalagem.

As máquinas são acionadas por dois motores, um elétrico de 30 cavalos e outro a vapor, tipo R. Wolf, de 28 cavalos. Há também um laboratório para o exame da matéria-prima e uma carpintaria para a fabricação de caixas. A produção é de 800.000 litros de cerveja, que atualmente é, toda ela, vendida no estado. A cervejaria emprega 32 operários.

O gerente técnico é o sr. Carlos Hugo Becker, que está no Brasil há 5 nos. Antes de vir para este país, tinha o sr. Becker trabalhado em diversas cervejarias da Alemanha. O guarda-livros é o sr. Bento Botelho Caldas. A empresa gira atualmente sob a firma Viúva Kremer de Castro e tem conquistado vários prêmios, em diversas exposições.

Por ocasião da Primeira Guerra Mundial, em 1914, a Cervejaria Germania teve seu nome mudado para Cervejaria Americana, ocasião em que foi mudada também a razão social, passando de Viúva Kremer de Castro para Viúva Catharina de Castro.

Publicado no Diário Oficial da União de 02/02/1923 tornando público que sua cerveja recebeu diploma de honra na Exposição Internacional do Centenário da Independência.

Subsistindo até meados da década de 30 quando só havia na cidade duas fábricas de cerveja – a Americana e a José Weiss. Já não existiam a Dois Leões nem a Stiebler. O mercado foi conquistado por empresas economicamente mais fortes e a cervejaria faliu, logo após o fechamento da cervejaria, todo o terreno foi comprado pela CCPL, Cooperativa Central dos Produtores de Leite, na época chamada de Laticínio Estrela Branca. Já em 2003, o local foi adquirido pela Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO e no dia 26 de agosto deste mesmo ano, a fachada do prédio e a chaminé da antiga CCPL foram tombados pelo patrimônio histórico e cultural de Juiz de Fora, através da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage - Funalfa.