quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Fábrica de Cerveja Brazil / Fabrica de Cerveja Luzitania / Companhia Cervejaria Lusitania S/A


Baseado nas publicações da época


Em 27 de setembro de 1906, é registrada na Junta Comercial, sob o nª 4.880, a Cerveja Brazil produzida na Fábrica de Cerveja Brazil de Alfredo Gomes & Cia. Esta firma estabelecida à Rua do Catete 107, bairro da Glória, Rio de Janeiro, é composta por Alfredo Ferreira Gomes Saavedra e os sócios de indústria: Joaquim da Silva Pereira e Francisco machado da Motta. Em 16 de março de 1907, o Diário Oficial da União, DOU, publica que na sessão de 7 de março da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro foi arquivado o contrato social para exploração de uma fábrica de cerveja, sob a firma Alfredo Gomes & Cia com o capital de Rs 20:000$000.

Em 1912, a Fabrica de Cerveja Brazil de Alfredo Gomes & Cia. passa a pertencer a Santos & Lyra.
O Jornal do Brasil de 10 de maio de 1915, publica que na sessão de 24 de abril da Junta Comercial, foi arquivado o contrato social feito entre os sócios Alfredo João Soares e Manoel Pinto Lyra para a exploração de fábrica de cerveja (Fábrica de Cerveja Brazil) à Rua do Catete 107, sob a firma Soares & Lyra, com o capital de Rs 48:000$000.

Em 22 de maio de 1915, o Diário Oficial da União, publica o deferimento do requerimento de Soares & Lyra feito à Junta Comercial do Rio de Janeiro, na sessão de 10 de maio de 1915, para o registro de sua firma.
É publicado no Diário Oficial da União, que na sessão de 4 de abril 1918 da Junta Comercial, foi arquivado o distrato da firma Soares & Lyra, com a saída do sócio Manoel Pinto Lyra que recebeu Rs 10:000$000, ficando o ativo e o passivo com o sócio Alfredo João Soares sendo seus haveres também de Rs 10:000$000.

O jornal “O Paiz”, de 31 de agosto de 1920, publica o contrato social entre Alfredo João Soares e Pedro Perez Diegues para a exploração de uma fábrica de cerveja (Fábrica de Cerveja Brazil) à Rua do Catete 107, com o capital de Rs 60:000$000, sob a firma Soares & Perez.

O Diário Oficial da União, de 21 de dezembro de 1921, publica o arquivamento da alteração do contrato social da firma Soares & Perez, pela admissão do sócio Manoel Alonso Veiga ficando o capital alterado para Rs 54:000$000 sob a firma Soares, Perez & Alonso. O Diário Oficial da União, de 14 de julho de 1922, publica a alteração do contrato de Soares, Perez & Alonso, pela saída do sócio Pedro Perez Diegues que recebeu a quantia de Rs 23:064$620. Ficando a firma alterada para A. Soares & Alonso com o capital de Rs 36:000$000.

Em 14 de junho de 1923, A. Soares & Alonso, estabelecidos à Rua do Catete nº 107, registraram na Junta Comercial do Rio de janeiro, a cerveja Luzitania, sob o nº 19.311. Este primeiro rótulo traz impressa a frase: “Engarrafada na Cervejaria Brazil”.

O Diário Oficial da União, de 29 de setembro de 1923 publica o deferimento do pedido de arquivamento do distrato da firma A. Soares & Alonso na Junta Comercial do Rio de Janeiro. O Correio da Manhã de 7 de novembro de 1923, publica que na sessão de 29 de outubro foi registrado o distrato da firma, onde retiram-se os sócios Alfredo João Soares que recebe a importância de Rs 49:088$554 e Manoel Alonso Veiga a importância de Rs 17:187$813.

O Correio da Manhã de 24 de novembro de 1923, publica que na sessão de 16 de novembro da Junta Comercial, foi arquivado o contrato social feito entre os sócios solidários: Alfredo João Soares, Manoel Alonso Veiga, João Antonio Figueiredo e Martinho Antonio Paredes, para exploração de fabrica de cerveja à Rua do Catete 107, sob a firma Alonso, Soares & Cia, com o capital de Rs 100:000$000. O Diário Oficial da União, de 27 de novembro de 1923, publica o arquivamento na Junta Comercial do Rio de Janeiro desse contrato.

O jornal Correio da Manhã de 31 de março de 1926, publica o deferimento da alteração de contrato da firma Alonso, Soares & Cia. para Alonso, Paredes & Gonçalves, na sessão de 25 de março de 1926 da Junta Comercial.

A primitiva fábrica (Fábrica de Cerveja Brazil), sob a firma Alonso, Paredes & Gonçalves, funcionou durante quatro anos na Rua do Catete 107, o consumo das duas principais marcas cresceu tanto que as instalações se tornaram acanhadas, no entanto não havia área maior para aproveitar. Os senhores: Manoel Alonso Veiga, Martinho José Paredes e Francisco Ferreira Gonçalves que constituem a firma Alonso, Paredes & Gonçalves, com sua larga visão deliberaram instalar um estabelecimento digno dos progressos da nossa capital, para esse fim adquiriram um vasto terreno de 33 metros de frente por 100 metros de fundo, à Rua Theodoro da Silva nº 371, em Vila Isabel. Encarregaram da construção do edifício o arquiteto Calixto Pereira de Carvalho.
O prédio é o que há de mais moderno, está colocado no centro do grande terreno, tem tres pavimentos, piso de cimento e paredes revestidas de ladrilhos. O seu maquinismo, todo elétrico, foi importado da Alemanha. Desde a fermentação até o engarrafamento não tem o homem necessidade de intervir senão de um modo indireto para acionar os maquinismos, tudo girando automaticamente. A maquinaria da fábrica de cerveja veio toda da Alemanha, importada pela firma Eduardo Pinto da Fonseca & Filhos, o aparelhamento compõe-se de: 40 toneis de depósito com capacidade de 2.500 garrafas cada um, duas grandes tinas de fermentação comportando 20.000 garrafas, um resfriador automático, um enorme depósito de cerveja, uma caldeira e um moderníssimo tanque de pasteurização a vapor. A Fábrica de Cerveja Luzitania é a primeira a adotar o processo de pasteurização.

Em 30 de outubro de 1927, foram inauguradas as novas instalações da Fábrica de Cerveja Luzitania Ltda., fabricante das cervejas Brasil e Luzitania que eram feitas na Fabrica de Cerveja Brasil à Rua do Catete nº 107.
Um ano após, em 1928, estão sendo montados mais 10 toneis de depósito, a capacidade que era inicialmente de 100.000 garrafas passa agora para 125.000. Para a entrega, já possui sete caminhões entre 2 e 4 toneladas. Nesse ano, não havendo mais necessidade vendem a Fábrica de Cerveja Brasil para Figueiredo, Carvalho, Rodrigues & Cia, passando a ficar somente com a Fabrica de Cerveja Luzitania Ltda.

  
Em 17 de outubro de 1935, o DOU publica alteração contratual motivada pelo falecimento do sócio Francisco Ferreira Gonçalves, em junho de 1930, tendo seus herdeiros recebido Rs 272:232$841 e continuando a sociedade com os demais sócios sob a firma Cervejaria Lusitania Ltda.

Em 10 de fevereiro de 1936, é constituída a Sociedade Anônima Companhia Cervejaria Lusitania, à Rua Teodoro da Silva, nº 749 a 753, tendo como fim o fabrico de cervejas, refrigerantes e produtos congêneres, com o capital de Rs 1.500:000$000 (Um mil e quinhentos contos de réis), dividido em 15.000 ações de Rs 100$000 (cem mil réis) cada uma, assim realizado: Rs 1.000:000$000, representados por 10.000 ações entregues aos senhores Manoel Alonso Veiga e Martinho José Paredes (5.000 a cada um) como parte da estimativa dos imóveis sito à Rua Teodoro da Silva, nº 749 a 753, maquinismos, acessórios, móveis e utensílios, mercadorias e matéria prima; bens de propriedade da firma Cervejaria Lusitania Ltda., ora incorporada e Rs 500.000$000 em moeda corrente, devido pelos subscritores das ações pela quantidade que subscreveram. A Companhia Cervejaria Lusitania, ora constituida, assume o ativo e o passivo verificado na Cervejaria Lusitania Ltda., da qual fica sendo sucessora, bem como a responsabilidade de todos os atos praticados até a data.

Èm 23 de setembro de 1936, o Decreto 1.113 concede à Sociedade Anônima Companhia Cervejaria Lusitania autorização para o funcionamento.
  
O Diário Oficial da União, de 21 de maio de 1937, publica o pedido da Companhia para que seja anotada a mudança de nome nas marcas Lusitania (registros: 19.311, 19.918, 46.510 a 46.512, 47.827 e 47828), Gaiata (registro 28.995), Branca Lusitania (registro 49.616) e Emblemática (registros: 49.617 e 49.618).

Em 1º de setembro de 1937, o Decreto 1.944, concede á sociedade anônima Companhia Cervejaria Lusitânia autorização para continuar a funcionar, com as alterações feitas nos respectivos estatutos em virtude de deliberação da assembléia geral extraordinária dos seus acionistas realizada a 7 de julho de 1937.

A assembleia de março de 1953 noticiou aos acionistas que: em 1952 com a aquisição de novas máquinas foi possível melhorar a produção de refrigerantes, devendo também a produção de cerveja ser melhorada com a chegada de mais máquinas já encomendadas e está em estudos a possibilidade de construir um andar sobre a atual garagem, isto é, em toda a área situada nos fundos a fim de ampliar as instalações existentes.

  
Em 1957, a cervejaria encomendou à firma Oficina Mecânica Caju Retiro Ltda., duas tinas de alumínio de 1,40 m de altura por 3,90m de diâmetro. De acordo com o contrato as chapas serão fornecidas pela cervejaria e o serviço de preparação das chapas será feito na oficina. Estando as mesmas prontas, serão remetidas em partes para a Cervejaria Luzitania, onde serão montadas e feito os serviços de acabamento, na impossibilidade de levá-las montadas.

O Diário Oficial da União de 10 de março de 1959 publica que o Departamento nacional da Indústria e Comércio, Divisão de Registro do Comércio, em 23 de fevereiro arquivou sob o nº 82.593, cópia da ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 31 de dezembro de 1958 que modificou parcialmente os estatutos e aprovou o aumento do capital para Cr$10.000.0000,00 (dez milhões de cruzeiros).

A Companhia Cervejaria Luzitania S.A. Possuía uma linha diversificada de produtos que compreendia além das tradicionais cervejas pretas (envasadas em garrafas “barrigudas”, também conhecidas por “achampanhadas’ e ainda nas tradicionais) uma linha de refrigerantes gasosos: guaraná, soda, água tônica e até mate espumante. Produzia também vários xaropes para refrescos, sobressaindo-se a famosa groselha, muito apreciada pelas crianças e também por grande número de adultos.

Em 1980, infelizmente, a mudança de hábitos com relação ao consumo da cerveja preta, que tinha nos europeus um público cativo, a concorrência enfrentada junto às grandes cervejarias e as dificuldades para importação e modernização do maquinário decretaram o fim da empresa e, conseqüentemente, a venda de seu imóvel. Hoje, no local da antiga fábrica está construído um grande edifício de apartamentos.