segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Fábrica de Cerveja Cosmopolita


Baseado em vários jornais da época
Imagem do rótulo cedida pelo colecionador Paulo Antunes Júnior



Em 28 de março de 1916, o Jornal do Brasil publica que na sessão de 13 de março da Junta Comercial do Rio de Janeiro, foi arquivado o contrato comercial entre Salustiano Dominguez Lourido e Jesus Rodriguez Martinez para o fabrico de cervejas, com o capital de Rs. 30:000$00 sob a firma Dominguez Lourido & Rodriguez à Praça Duque de Caxias 9 (atual Largo do Machado).

O Largo do Machado adquiriu esse nome (ao que conta) por causa de um enorme machado de pau na porta do primeiro açougue ali instalado. Em 1843, com a construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Glória (não confundir com a Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro), passou a se chamar Largo da Glória. Em 1880, com a morte do Duque de Caxias, mudaram de novo seu nome para Praça Duque de Caxias. Só que os nomes novos não colaram, e o largo voltou à sua denominação tradicional: Largo do Machado, isso explica os rótulos um com endereço da Praça Duque de Caxias e outro do Largo do Machado.

Em 15 de abril de 1916, a Revista da Semana publicou o seguinte artigo: “....No dia 1º de abril de 1916 inaugurou-se a Fabrica de Cerveja Cosmopolita que foi instalada no número 9 da Praça Duque de Caxias (Largo do Machado), no Catete. São seus proprietários os Srs. Dominguez & Rodrigues, nomes muito conhecidos, que por si só é uma garantia de sucesso para o novo estabelecimento, que está montado com todos os requisitos do conforto e da higiene.

Nesse ponto a Fábrica de Cerveja Cosmopolita não teme confronto e nisto estão, sobretudo, os bons augúrios do seu futuro. Clara e arejada com belíssima decoração interna, devido aos pinceis dos artistas Justino Migueis e Gion Baptista Maggia. A inauguração foi assistida por muitas pessoas, representantes da imprensa, mostrando-se todos excelentemente impressionados pelo tratamento que receberam por parte dos referidos negociantes.

Aos presentes foi oferecida uma excelente mesa de doces finíssimos e a todos foi oferecida uma taça de champanhe, sendo levantados diversos brindes....”

O Diário Oficial da União de 23 de março de 1917 publica que na sessão de 1º de março da Junta Comercial do Rio de janeiro foram feitos os registros da cerveja Black Duques e da cerveja Cosmopolita, sob os números 11.981 e 11.982 respectivamente.

    
A Tragédia parece acompanhar as fábricas de cervejas, vários jornais do dia 25 de fevereiro de 1928 publicaram noticias sobre o violento temporal que atingiu o Rio de Janeiro no dia anterior e que fez com que uma avalanche de água e lama descesse do Morro de Santa Tereza e levasse tudo de roldão, fazendo com que desmoronassem três residências da vila de casas da Travessa Cassiano nº 6 e perecessem soterradas dez pessoas. Entre essas pessoas encontrava-se Dª Maria do Carmo Martinez esposa do senhor Jesus Rodriguez Martinez, sócio e químico responsável da Cervejaria Cosmopolita que residia na casa de número 3.

Em 29 de outubro de 1935 às 17:00 horas, no Hospital da Beneficiencia Espanhola,faleceu o Sr. Salustiano Dominguez Lourido, não tendo suportado uma melindrosa operação. Deixou viúva a senhora Rosa Gonzales Lourido e os filhos: Candido, Manoel, Clara, Olivia, Sara e Irene.

O Diário Oficial da União de 21 de maio de 1937 publica que na sessão de 13 de maio, da Diretoria da Secção do Comércio do Departamento Nacional da Indústria e Comércio, foi deferido o requerimento para dissolução da Firma Dominguez Lourido & Rodriguez pelo falecimento do sócio Salustiano Dominguez Lourido recebendo seus herdeiros a importância de Rs 18:363$364, ficando com o ativo e passivo o sócio Jesus Rodriguez Martinez.

Em 26 de junho de 1951, o jornal Diário da Noite publica o falecimento de Jesus Rodriguez Martinez.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Fábrica de Cerveja Austríaca / Grintzler


Baseado no blog Antonio Rigotti - Pouso Alegre MG.
Imagem do rótulo cedida pelo colecionador Paulo Antunes Júnior



A imigração italiana é um capítulo da história rico em experiências e escasso em informações. Os navios que chegavam aos portos (Vitória, Rio de Janeiro, Santos e Rio Grande) não forneciam em suas listagens as cidades de origem dos imigrantes. Mas pesquisar as origens italianas significa descobrir de que região, província e cidade vieram os ancestrais. A tarefa não é fácil. Exige respeito, paciência, perseverança, além de muita pesquisa e uma boa dose de sorte.

Antônio Rigotti, ou melhor, Antonio Bortollo Rigotti, nasceu na Vila de Sporminore, Região Autônoma de Trentino-Alto-Adige, região do Trento, Itália, em 3 de abril de 1865 e foi batizado na Parrochia Dell'addolorata.

Antonio é filho de Bortolo Francesco Rigotti e Domenica Remondini Rigotti e sendo seus irmãos: Giuseppe Michelle Rigotti, Lucia Rosa Rigotti, Giambattista Bortolomeo Rigotti, Luigi Giovanni Rigotti, Luigi Michelle Rigotti, Maria Luigia Rigotti e Teresa Lúcia Rigotti.

Antonio Rigotti, já casado com Luigia Teresa Nardelli nascida em 17 de junho de 1872 e também natural de Sporminore, veio para o Brasil em 1894 tendo embarcado no porto de Gênova em 29 de dezembro com destino a "mérica", a bordo do vapor Maranhão, em sua companhia vieram a esposa, a filha Paolina Luigia, de um ano de idade nascida em 28 de novembro de 1893, e um cunhado.

No Brasil a família de Antônio e Luigia aumentou. Nasceram os filhos Vitorino, Gregório, José, Inês, Maria, Erenice, Vitória, Francisco e Zenaide. Em 1899 Antônio Rigotti inaugurou uma fábrica de cerveja em Pouso Alegre MG.

Transcrevo a seguir trecho do site “Pouso Alegre – Passado e Presente/Industrias”:
O processo industrial pouso-alegrense teve o seu início no final do século 19, quando alguns de seus habitantes, sem a tecnologia de hoje, ousaram constituir pequenas indústrias, inaugurando uma nova etapa no desenvolvimento da cidade.

Os pioneiros, homens sem tecnologia moderna, naquele instante, tornaram-se fundamentais, pelo impacto que deram ao desenvolvimento da cidade e os empregos que ofereciam, além do novo ciclo que fundavam.

Em 1899, uma delas, muito recente, alegrava bastante os moradores da cidade, principalmente os homens. Era uma fábrica de cerveja de propriedade de Antônio Rigotti, um imigrante italiano que viera para Pouso Alegre - MG.

Sua história é simples e cheia de poesia: para fabricar a cerveja, Antônio Rigotti ia todo santo dia pegar água num chafariz que havia atrás Catedral. Este chafariz oferecia uma água límpida de mina, a mais pura da cidade, e ideal para a fabricação da cerveja, que se chamava "Austríaca". O primeiro local da fábrica foi na esquina da Adalberto Ferraz com o Largo do Mercado, do lado direito de quem desce.

Pouco tempo depois, ela se mudou para a "Casa do Canto Redondo", que ficava na esquina da Adalberto Ferraz com a Afonso Pena, onde hoje existe um prédio de mármore de três andares.

A “Casa do Canto Redondo” tinha esse nome porque suas laterais eram arredondadas e, pela sua singularidade, foi uma das mais famosas e conhecidas de Pouso Alegre, e nela a fábrica da cerveja “Austríaca” existiu por dez anos.

Em 1914, no período da 1ª Guerra Mundial, por questões políticas internacionais, mudou-se o nome da cerveja para "Grintzler", bem como o local, indo para onde hoje está a Marcenaria Rigotti, na rua Marechal Deodoro, que é propriedade de seus descendentes.

De 1915 a 1917, tempo em que os padres holandeses lecionavam no Ginásio São José, a cerveja foi considerada pelos padres, conhecedores da melhor cerveja mundial, a alemã, como de primeiríssima qualidade, dando inclusive preferência à cerveja do Rigotti, em lugar das outras mais famosas.

A fábrica encerrou suas atividades, aproximadamente, em 1918, dando lugar a um novo tipo de negócio, restando, ao contrário dos tempos modernos, o exemplo de se fazer produção com elementos da melhor qualidade, com competência e honestidade, dado pelo saudoso e honrado imigrante Antônio Rigotti, um magnífico italiano que escolheu Pouso Alegre para seu serviço, sua descendência e seu amor!

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Fábrica de Cerveja Brazil / Fabrica de Cerveja Luzitania / Companhia Cervejaria Lusitania S/A


Baseado nas publicações da época


Em 27 de setembro de 1906, é registrada na Junta Comercial, sob o nª 4.880, a Cerveja Brazil produzida na Fábrica de Cerveja Brazil de Alfredo Gomes & Cia. Esta firma estabelecida à Rua do Catete 107, bairro da Glória, Rio de Janeiro, é composta por Alfredo Ferreira Gomes Saavedra e os sócios de indústria: Joaquim da Silva Pereira e Francisco machado da Motta. Em 16 de março de 1907, o Diário Oficial da União, DOU, publica que na sessão de 7 de março da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro foi arquivado o contrato social para exploração de uma fábrica de cerveja, sob a firma Alfredo Gomes & Cia com o capital de Rs 20:000$000.

Em 1912, a Fabrica de Cerveja Brazil de Alfredo Gomes & Cia. passa a pertencer a Santos & Lyra.
O Jornal do Brasil de 10 de maio de 1915, publica que na sessão de 24 de abril da Junta Comercial, foi arquivado o contrato social feito entre os sócios Alfredo João Soares e Manoel Pinto Lyra para a exploração de fábrica de cerveja (Fábrica de Cerveja Brazil) à Rua do Catete 107, sob a firma Soares & Lyra, com o capital de Rs 48:000$000.

Em 22 de maio de 1915, o Diário Oficial da União, publica o deferimento do requerimento de Soares & Lyra feito à Junta Comercial do Rio de Janeiro, na sessão de 10 de maio de 1915, para o registro de sua firma.
É publicado no Diário Oficial da União, que na sessão de 4 de abril 1918 da Junta Comercial, foi arquivado o distrato da firma Soares & Lyra, com a saída do sócio Manoel Pinto Lyra que recebeu Rs 10:000$000, ficando o ativo e o passivo com o sócio Alfredo João Soares sendo seus haveres também de Rs 10:000$000.

O jornal “O Paiz”, de 31 de agosto de 1920, publica o contrato social entre Alfredo João Soares e Pedro Perez Diegues para a exploração de uma fábrica de cerveja (Fábrica de Cerveja Brazil) à Rua do Catete 107, com o capital de Rs 60:000$000, sob a firma Soares & Perez.

O Diário Oficial da União, de 21 de dezembro de 1921, publica o arquivamento da alteração do contrato social da firma Soares & Perez, pela admissão do sócio Manoel Alonso Veiga ficando o capital alterado para Rs 54:000$000 sob a firma Soares, Perez & Alonso. O Diário Oficial da União, de 14 de julho de 1922, publica a alteração do contrato de Soares, Perez & Alonso, pela saída do sócio Pedro Perez Diegues que recebeu a quantia de Rs 23:064$620. Ficando a firma alterada para A. Soares & Alonso com o capital de Rs 36:000$000.

Em 14 de junho de 1923, A. Soares & Alonso, estabelecidos à Rua do Catete nº 107, registraram na Junta Comercial do Rio de janeiro, a cerveja Luzitania, sob o nº 19.311. Este primeiro rótulo traz impressa a frase: “Engarrafada na Cervejaria Brazil”.

O Diário Oficial da União, de 29 de setembro de 1923 publica o deferimento do pedido de arquivamento do distrato da firma A. Soares & Alonso na Junta Comercial do Rio de Janeiro. O Correio da Manhã de 7 de novembro de 1923, publica que na sessão de 29 de outubro foi registrado o distrato da firma, onde retiram-se os sócios Alfredo João Soares que recebe a importância de Rs 49:088$554 e Manoel Alonso Veiga a importância de Rs 17:187$813.

O Correio da Manhã de 24 de novembro de 1923, publica que na sessão de 16 de novembro da Junta Comercial, foi arquivado o contrato social feito entre os sócios solidários: Alfredo João Soares, Manoel Alonso Veiga, João Antonio Figueiredo e Martinho Antonio Paredes, para exploração de fabrica de cerveja à Rua do Catete 107, sob a firma Alonso, Soares & Cia, com o capital de Rs 100:000$000. O Diário Oficial da União, de 27 de novembro de 1923, publica o arquivamento na Junta Comercial do Rio de Janeiro desse contrato.

O jornal Correio da Manhã de 31 de março de 1926, publica o deferimento da alteração de contrato da firma Alonso, Soares & Cia. para Alonso, Paredes & Gonçalves, na sessão de 25 de março de 1926 da Junta Comercial.

A primitiva fábrica (Fábrica de Cerveja Brazil), sob a firma Alonso, Paredes & Gonçalves, funcionou durante quatro anos na Rua do Catete 107, o consumo das duas principais marcas cresceu tanto que as instalações se tornaram acanhadas, no entanto não havia área maior para aproveitar. Os senhores: Manoel Alonso Veiga, Martinho José Paredes e Francisco Ferreira Gonçalves que constituem a firma Alonso, Paredes & Gonçalves, com sua larga visão deliberaram instalar um estabelecimento digno dos progressos da nossa capital, para esse fim adquiriram um vasto terreno de 33 metros de frente por 100 metros de fundo, à Rua Theodoro da Silva nº 371, em Vila Isabel. Encarregaram da construção do edifício o arquiteto Calixto Pereira de Carvalho.
O prédio é o que há de mais moderno, está colocado no centro do grande terreno, tem tres pavimentos, piso de cimento e paredes revestidas de ladrilhos. O seu maquinismo, todo elétrico, foi importado da Alemanha. Desde a fermentação até o engarrafamento não tem o homem necessidade de intervir senão de um modo indireto para acionar os maquinismos, tudo girando automaticamente. A maquinaria da fábrica de cerveja veio toda da Alemanha, importada pela firma Eduardo Pinto da Fonseca & Filhos, o aparelhamento compõe-se de: 40 toneis de depósito com capacidade de 2.500 garrafas cada um, duas grandes tinas de fermentação comportando 20.000 garrafas, um resfriador automático, um enorme depósito de cerveja, uma caldeira e um moderníssimo tanque de pasteurização a vapor. A Fábrica de Cerveja Luzitania é a primeira a adotar o processo de pasteurização.

Em 30 de outubro de 1927, foram inauguradas as novas instalações da Fábrica de Cerveja Luzitania Ltda., fabricante das cervejas Brasil e Luzitania que eram feitas na Fabrica de Cerveja Brasil à Rua do Catete nº 107.
Um ano após, em 1928, estão sendo montados mais 10 toneis de depósito, a capacidade que era inicialmente de 100.000 garrafas passa agora para 125.000. Para a entrega, já possui sete caminhões entre 2 e 4 toneladas. Nesse ano, não havendo mais necessidade vendem a Fábrica de Cerveja Brasil para Figueiredo, Carvalho, Rodrigues & Cia, passando a ficar somente com a Fabrica de Cerveja Luzitania Ltda.

  
Em 17 de outubro de 1935, o DOU publica alteração contratual motivada pelo falecimento do sócio Francisco Ferreira Gonçalves, em junho de 1930, tendo seus herdeiros recebido Rs 272:232$841 e continuando a sociedade com os demais sócios sob a firma Cervejaria Lusitania Ltda.

Em 10 de fevereiro de 1936, é constituída a Sociedade Anônima Companhia Cervejaria Lusitania, à Rua Teodoro da Silva, nº 749 a 753, tendo como fim o fabrico de cervejas, refrigerantes e produtos congêneres, com o capital de Rs 1.500:000$000 (Um mil e quinhentos contos de réis), dividido em 15.000 ações de Rs 100$000 (cem mil réis) cada uma, assim realizado: Rs 1.000:000$000, representados por 10.000 ações entregues aos senhores Manoel Alonso Veiga e Martinho José Paredes (5.000 a cada um) como parte da estimativa dos imóveis sito à Rua Teodoro da Silva, nº 749 a 753, maquinismos, acessórios, móveis e utensílios, mercadorias e matéria prima; bens de propriedade da firma Cervejaria Lusitania Ltda., ora incorporada e Rs 500.000$000 em moeda corrente, devido pelos subscritores das ações pela quantidade que subscreveram. A Companhia Cervejaria Lusitania, ora constituida, assume o ativo e o passivo verificado na Cervejaria Lusitania Ltda., da qual fica sendo sucessora, bem como a responsabilidade de todos os atos praticados até a data.

Èm 23 de setembro de 1936, o Decreto 1.113 concede à Sociedade Anônima Companhia Cervejaria Lusitania autorização para o funcionamento.
  
O Diário Oficial da União, de 21 de maio de 1937, publica o pedido da Companhia para que seja anotada a mudança de nome nas marcas Lusitania (registros: 19.311, 19.918, 46.510 a 46.512, 47.827 e 47828), Gaiata (registro 28.995), Branca Lusitania (registro 49.616) e Emblemática (registros: 49.617 e 49.618).

Em 1º de setembro de 1937, o Decreto 1.944, concede á sociedade anônima Companhia Cervejaria Lusitânia autorização para continuar a funcionar, com as alterações feitas nos respectivos estatutos em virtude de deliberação da assembléia geral extraordinária dos seus acionistas realizada a 7 de julho de 1937.

A assembleia de março de 1953 noticiou aos acionistas que: em 1952 com a aquisição de novas máquinas foi possível melhorar a produção de refrigerantes, devendo também a produção de cerveja ser melhorada com a chegada de mais máquinas já encomendadas e está em estudos a possibilidade de construir um andar sobre a atual garagem, isto é, em toda a área situada nos fundos a fim de ampliar as instalações existentes.

  
Em 1957, a cervejaria encomendou à firma Oficina Mecânica Caju Retiro Ltda., duas tinas de alumínio de 1,40 m de altura por 3,90m de diâmetro. De acordo com o contrato as chapas serão fornecidas pela cervejaria e o serviço de preparação das chapas será feito na oficina. Estando as mesmas prontas, serão remetidas em partes para a Cervejaria Luzitania, onde serão montadas e feito os serviços de acabamento, na impossibilidade de levá-las montadas.

O Diário Oficial da União de 10 de março de 1959 publica que o Departamento nacional da Indústria e Comércio, Divisão de Registro do Comércio, em 23 de fevereiro arquivou sob o nº 82.593, cópia da ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 31 de dezembro de 1958 que modificou parcialmente os estatutos e aprovou o aumento do capital para Cr$10.000.0000,00 (dez milhões de cruzeiros).

A Companhia Cervejaria Luzitania S.A. Possuía uma linha diversificada de produtos que compreendia além das tradicionais cervejas pretas (envasadas em garrafas “barrigudas”, também conhecidas por “achampanhadas’ e ainda nas tradicionais) uma linha de refrigerantes gasosos: guaraná, soda, água tônica e até mate espumante. Produzia também vários xaropes para refrescos, sobressaindo-se a famosa groselha, muito apreciada pelas crianças e também por grande número de adultos.

Em 1980, infelizmente, a mudança de hábitos com relação ao consumo da cerveja preta, que tinha nos europeus um público cativo, a concorrência enfrentada junto às grandes cervejarias e as dificuldades para importação e modernização do maquinário decretaram o fim da empresa e, conseqüentemente, a venda de seu imóvel. Hoje, no local da antiga fábrica está construído um grande edifício de apartamentos.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Cervejaria Deutsch Bier Brauerei / Fabrica de Cerveja Rudolph Homrich / Port & Homrich




A Colônia Santo Ângelo, na Depressão Central do centro do estado e à beira do Rio Jacuí, foi a 25ª colônia alemã, criada oficialmente por lei em 30 de novembro de 1855, mas definitivamente instalada em 1857, pertencente, então, ao município de Cachoeira.

Em 16 de novembro de 1857 desembarcaram na margem esquerda do rio Jacuí, em Cerro Chato, atual município de Agudo, cento e dezenove colonos alemães, os primeiros imigrantes germânicos, os pioneiros da Colônia Santo Ângelo, os quais iniciaram um núcleo de desenvolvimento cultural e econômico na região central da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.

A chegada desses imigrantes e posteriormente dos italianos impulsionou a economia da região através das várias culturas e principalmente do arroz, muita da força dessa economia colonial estava no comércio dos gêneros produzidos nas propriedades familiares. O centro regional de vendas dos produtos agrícolas era a sede do Município de Cachoeira, cerca de 70 km a sudeste da colônia.

A família Homrich originária da cidade de Erbelfeld, na antiga Província do Reno, composta por Carl Johann Homrich (carl Homrich Sênior) nascido em 1809, casado com Wilhelmine Elisabeth Hüsselmann nascida em 1823 e os filhos: Carl, Otto, Emílio e Roberto, chegou ao Brasil em 1851, tendo se estabelecido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Em 26 de dezembro de 1857, um mês depois dos primeiros colonos chegarem, o casal Homrich acompanhado do filho Carl Homrich Júnior, nascido em 11 de outubro de 1834, chegou à Colônia Santo Ângelo.

Carl Júnior casado com Luize Philippine Dreyer, foi empregado de Augusto Rhode em 1858, tendo se tornado curtidor e seleiro, depois fixou residencia na Colonia Santa Cruz. Posteriormente foi para a Argentina, em 23 de março de 1870 retornou à Colonia Santo Angelo, em 1875 foi um dos fundadores do Gesangverein Hoffnung, o Coral Esperança, tendo sido eleito secretário. Foi professor do Estado e de aulas de confirmação e por último, em dezembro de 1894, escrivão civil. Faleceu em 20 de julho de 1920 em Agudo.

Karl Homrich Júnior e Philippine Dreyer (esposa)
Agudo, 19.1.1906

Em 2 de fevereiro de 1859, vindo de Porto Alegre, chegou na colônia um outro filho, Otto Homrich, nascido em 12 de julho de 1837 e que se tornou agricultor, cervejeiro e comerciante estabelecido na Picada Morro Pelado. Otto faleceu em 25 de novembro de 1926 em Agudo.

Otto Homrich e Mathilde Henriette Pötter (esposa)

A apreciação e consumo da cerveja é um dos traços marcantes da cultura alemã. Em 1858, a cevada plantada era utilizada, basicamente, para a produção de cerveja, em humildes fabriquetas, pelos próprios imigrantes.

Na década de 1880, a cidade possuía uma atividade econômica diversificada, com cinco estabelecimentos industriais, nove comerciais e dez de serviços. A indústria era composta pela fabricação de cerveja, tijolo, sabão e carne, além do beneficiamento de arroz; o setor comercial vendia tecidos, secos e molhados, ferragens, vinhos, carnes, artigos de ouro e relógios, pães e remédios; o setor de serviços abrangia alfaiates, barbeiros, casas de bilhar, funileiros, marceneiros, médicos, sapateiros e tamanqueiros, tipógrafos e hospedarias.

Da sua criação até 1882, a colônia esteve sob o controle da administração provincial, por meio de um diretor nomeado pelo Presidente da Província; a partir de então, teve abolida a sua autonomia administrativa e foi incorporada como distrito à administração de Cachoeira. No dia 4 de setembro de 1885, a Câmara Municipal de Cachoeira do Sul dividiu a Colônia Santo Ângelo em seis grandes complexos de acordo com a Lei nº 1.433 de janeiro de 1884, para arrecadação do imposto colonial. Neste momento, foi extinta a unidade e a autonomia da Colônia Santo Ângelo. A partir desta data, Santo Ângelo deixou de existir, surgindo em seu lugar distritos que deram origem a vários municípios: Agudo (1959), Restinga Seca (1959), Nova Palma (1960), Dona Francisca (1965), Paraíso do Sul (1988) e Cerro Branco (1989).


Nas dècadas de 1880-90, por causa das melhorias de infra-estrutura da cidade de Cachoeira, vários comerciantes e agricultores enriquecidos, provenientes da Colonia Santo Angelo, se instalaram na cidade.
Na Rua Sete de Setembro foram se instalando as casas comerciais de primeira classe, e sob a administração do Município de Cachoeira não foi diferente de quando os primeiros alemães se estabeleceram na Colônia Santo Ângelo, onde logo deram jeito de providenciar a fabricação das bebidas tão apreciadas, logo a Rua Sete de Setembro ficou pontilhada de chaminés das fábricas de cerveja.

Em 1883, a cidade tinha tres cervejarias e entre elas a Deutsch Bier Brauerei, fundada por Rodolpho(Rudolph) Homrich, filho do cervejeiro Otto Homrich.

Rodolpho foi uma pessoa muito dedicada aos assuntos da comunidade e sempre participou dos assuntos ligados à cidade. Em junho de 1893, foi um dos 27 fundadores da Comunidade Evangélica, tendo sido eleito um dos seus diretores quando resolveram adquirir uma casa, que servisse de Escola e de Capela. No dia doze do mesmo mês, uma comissão adquiriu, em nome da futura Comunidade, uma casa do senhor Antônio Neves por 2:750$000, situada ao leste da Praça José Bonifácio; Em agosto de 1896 participou da fundação do Schützen-Verein Eintracht (Sociedade dos atiradores Concórdia), hoje Sociedade Rio Branco, na residência de José Müller, na Rua 7 de Setembro, por 16 membros da Comunidade Alemã; Em 1904 foi presidente da Liga Operária; Em 1910 foi eleito membro da diretoria do Schützen-Verein Eintracht; Em junho de 1920 fez parte da comissão de angariadores de donativos para a festa do centenário de Cachoeira; Foi grande entusiasta do tênis, ciclismo e exímio atirador tendo recebido diversos prêmios.

Em 1901 a Cerveja de Rodolpho Homrich foi premiada na Exposição Estadual.

Em 1907 Rodolpho Homrich se une a Pedro Fortunato Baptista para a fabricação de licores sob a firma Homrich & Baptista.

Em 5 de janeiro de 1912 por volta de 19 horas desabou forte temporal sobre a cidade, chuva torrencial e fortes ventos causaram, na cervejaria um prejuízo estimado em Rs 2:000$000.

Em 8 de julho de 1913 foi registrado, na Junta Comercial do Rio Grande do Sul, sob o número 2289, o segundo exemplar do rótulo da Cerveja Homrich.

Por volta de 1918 o Almanaque Laemert deixa de fazer referencia à cervejaria de Rodolpho Homrich, é possível que tenha encerrado a produção.


Em 3 de março de 1926 é publicado no jornal A Federação que, na sessão de 2 de março, na Junta Comercial foi despachado o requerimento para o arquivamento do contrato social feito entre Pedro Port e Rodolpho Homrich para a fabricação de bebidas em geral com o capital de Rs 340:000$000 sob a firma Port & Homrich.

Em 29 de novembro de 1928 é publicado no jornal A Federação a relação dos premiados na Grande Exposição Comercial, Industrial e Agropecuária do Rio do Grande do Sul, aparecendo nesta relação a firma Port & Homrich premiada com 2 medalhas de ouro, uma para a cerveja pilsen e outra para a Agua de Abacate, uma especialidade sem álcool.

Até 1932 esta cervejaria ainda estava em funcionamento.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Cerveja Caseira Krulowa / Agrícola e Comercial de Alimentos Barro Preto Ltda.


Baseado nos artigos: Cerveja feita em casa,tradição em Irati, no Paraná - O Estado de são Paulo - 11/06/2000 - Luciana Garbin e Vai uma cervejinha aí? Em Irati, o pessoal fabrica no quintal de casa – NQM comunicação - 26/03/2006


Este artigo foge um pouco da linha das antigas cervejarias, mas acho que é válido o registro desta fabricação que chegou a movimentar todo um município e chegou a ter repercução até no estrangeiro.

Irati, o município paranaense, que dista 147 quilômetros da capital Curitiba, brinda a chegada do novo ano, celebra o almoço de Páscoa e comemora aniversários e casamentos com uma bebida trazida no começo do século por imigrantes poloneses, ucranianos e alemães que começaram a chegar na cidade em 1908 e se intensificaram no período de 1911 a 1912.

Em Irati, polêmicas sobre fusões de grandes cervejarias são coisa de fora, pois o que interessa é ter uma boa receita de cerveja em casa para poder preparar o fermentado doce e espumante, feito de lúpulo e açúcar caramelizado.

De teor alcoólico muito baixo é apenas 0,7%, em comparação com cerca de 5% da bebida industrializada, a cerveja caseira de Irati pode ser encontrada desde em mamadeiras de crianças até em minimercados e festas de terceira idade. Além disso, é considerada uma das principais tradições do município. "Aqui em Irati cada um tem seu cervejeiro predileto e o costume de fazer cerveja em casa passa de mãe para filha".

O fermentado caseiro, no entanto, também tem seus inconvenientes. Ao contrário das cervejas de garrafa, continua a fermentar mesmo depois de envasado e, se for guardado por muito tempo, seu frasco pode estourar. Além disso, como costuma fazer muita espuma, causa transtornos na hora de abrir a garrafa e não tem muita saída em bares, por conter pouco álcool.

Assim, nada mais justo que Irati, seja um grande consumidor de cerveja caseira. Com tanta procura, o município é o maior consumidor de lúpulo no Paraná, uma espécie de planta aromática utilizada na fabricação da bebida.

O que era apenas uma bebida feita para parentes e amigos começou a virar um bom negócio para cerca de 25 produtores da cerveja caseira, em 1995, foi criada a primeira Festa Nacional da Cerveja Caseira. A produção atingiu 170 mil litros anuais e toda a fabricação teve venda garantida. “A cerveja ia para Santos, Curitiba, Brasília e até para o Mato Grosso”.

A primeira edição da festa da cerveja caseira teve dois degustadores de Yakima, cidade norte-americana produtora de lúpulo, e, como premio, viagens internacionais. A avaliação levava em conta sabor, aroma, coloração, limpidez e consistência de espuma. O evento reuniu 20 mil pessoas. Em dois dias, foram consumidos 15 mil litros de bebida caseira.

O primeiro iratiense que tentou produzir e comercializar a cerveja caseira em larga escala foi o engenheiro agrônomo José Luís Pabis. De olho na aceitação que a bebida tinha na região, decidiu fazer um teste: depois que a mãe, Bronislava Pabis, conseguiu o terceiro lugar no concurso de cerveja caseira em 1995, pediu a ela que preparasse 200 litros e distribuiu-os por bares da BR-277, que passa perto de Irati. Depois de três dias, o pessoal já tinha vendido tudo e estava pedindo mais, conta. Então passamos a produzi-la nos fundos de casa.

“O sabor continua caseiro, mas a bebida é produzida industrialmente”, afirma. O engenheiro agrônomo investiu cerca de R$ 150 mil em maquinário e chegou a ter 11 funcionários. Hoje, apenas ele e sua mãe fabricam o fermentado. “Para se fazer cerveja, é preciso ter amor. Falta pessoal qualificado para isso”, lamenta.

Em 1997, a família conseguiu o registro do produto no Ministério da Agricultura e instalou a primeira indústria de cerveja caseira do País, lançando oficialmente a marca Krulowa, que, em idioma polaco, significa rainha. Para evitar a concorrência da produção familiar em Irati, Pabis vendia a bebida em embalagens plásticas de um e dois litros para clientes de Curitiba, Guarapuava, União da Vitória e municípios próximos. “Enquanto a cerveja caseira era novidade ela foi uma febre, mas faltou divulgação”.

Em 1999, com a explosão do consumo das tubaínas, refrigerantes de tutti-frutti vendidos por baixo preço a garrafa, as vendas de cerveja caíram. O sucesso ficou também comprometido, de acordo com o empresário, pelo aumento de preços, principalmente de produtos importados, como o lúpulo, depois da desvalorização do dinheiro.

Em 2000, por causa da crise, a empresa da família, que tinha capacidade para produzir 2.400 litros de cerveja caseira por dia suspendeu as suas atividades, mantendo-se a partir daí a um nível residual. “Continuamos com a firma aberta, mas não estamos produzindo em consequênciacia dos custos", lamenta Pabis. "Ainda vou voltar a comercializar a Krulowa, mas faltam investimentos".

Duas pessoas em Irati possuem a autorização para fabricar a cerveja caseira, ou melhor, o fermentado de açúcar com lúpulo, a denominação correta do produto. Apenas José Luís Pabis, proprietário da fábrica Krulowa, continua em atividade.

A cerveja, que era vendida em mercados, bares e nos comércios na beira de estrada, está proibida de ser comercializada desde junho de 2005. Agora, apenas quem tem o registro no Ministério da Agricultura pode vender. No entanto, por determinação do ministério, o nome “cerveja caseira” está proibido. A denominação agora é “fermentado de açúcar com lúpulo”, o que causou estranheza entre os consumidores. Pelas normas brasileiras, a cerveja tem de possuir 7% de mosto de malte em sua composição, o que não acontece com a bebida feita em Irati, que não possui o ingrediente na sua receita. “Na Bélgica, bebidas sem malte são classificadas como cerveja”, compara José Luís Pabis, dono da única fábrica do fermentado na região.

  
Para aumentar as vendas, Pabis teve que usar uma estratégia de marketing. “As pessoas estranhavam o nome e acabavam não comprando”, lembra. Para isso, ele chegou a imprimir alguns cartazes para colocar nas gôndolas dos mercados com a denominação correta e em destaque a frase “popular cerveja caseira”.

Desde junho de 2005, a vigilância sanitária de Irati começou a cumprir um decreto do Ministério da Agricultura, que proíbe o comércio da bebida sem o devido registro, e exige o cumprimento de normas técnicas e sanitárias. A partir disso, os pequenos produtores viram uma oportunidade de ganhar dinheiro desaparecer e a proibição da venda inviabilizou a 11.ª edição da festa, que seria realizada em novembro desse ano.

Uma reunião entre a prefeitura, a vigilância sanitária da cidade e os fabricantes tentou mudar essa realidade. A proposta de criação de uma cooperativa foi discutida, mas os altos custos para comprar o maquinário exigido pelo ministério, cerca de R$ 120 mil, inviabilizaram o projeto.