sábado, 25 de setembro de 2010

Georg Maschke & Cia. - Cervejaria Brahma


Cervejaria Brahma (de 1894 a 1904)



Georg Maschke nasceu no sul da Alemanha, em 1866. Terminando o primário, começou a trabalhar aqui e acolá, empregando-se, finalmente numa cervejaria em Nuremberg, onde sua tarefa foi a limpeza dos barris. Ele avançou de cargo a cargo até chegar ao posto de mestre-cervejeiro. Em 1894, com 28 anos, resolveu emigrar para a Argentina. Na viagem, ouviu que Buenos Aires já possuia boas cervejarias ao contrário do Rio de Janeiro, resolveu estabelecer-se no Rio e adquirindo uma pequena fábrica de cerveja instalada num quintal começou a industrializá-la pouco a pouco com o intuito inicial de produzir cerveja pelo novo e mais adiantado método já existente: o de baixa fermentação e no mesmo local onde havia nascido a Brahma, Georg Maschke estabeleceu a sua empresa cervejeira:“Georg Maschke e Cia."

Por despacho da Junta Comercial na reunião de 16 de agosto de 1894, foi feita a transferência das marcas de cerveja Brahma para a firma “Georg Maschke e Cia - Cervejaria Brahma”, tendo sido anotada no mesmo documento de registro das marcas de Villiger.

Em 20 de agosto de 1894 a “Georg Maschke e Cia.” registrou a cerveja Franziskaner Brau e logo após a cerveja Brahma Bier (parda).



Em 1895, nesta sociedade foi admitido o comerciante alemão John Baptist Friederizi, a entrada dele para a recém fundada sociedade trouxe um novo vigor para o desenvolvimento de seus negócios. O sócio então admitido, além de representante e depositário da cerveja alemã Spatenbrau (conhecida como Cerveja Pá), era também proprietário do afamado restaurante "Stadt Munchen", na Praça Independência (atual Praça Tiradentes), no Largo do Rocio, na época. Nesse estabelecimento, não só se consumia a cerveja que ele representava como também já se vendia a denominada Franziskaner Brau a primeira marca idealizada por Georg Maschke.



Maschke assumiu o papel de sócio gerente responsável pelo dia a dia da cervejaria, Heinrich Hoelck, genro de Friederizi, como sócio gerente e Friederizi como sócio capitalista. Foram contratados como cervejeiros: o técnico Germano Thieme e o químico alemão Alois Driesler.

Em 30 de setembro de 1895 foi dada a autorização de funcionamento a firma, constituindo a sociedade em comandita de ações “Georg Maschke & Cia. - Cervejaria Brahma”. Tendo sido essa autorização publicada no Diário Oficial de 2 de outubro de 1895.

Para resolver o problema do gelo que vinha em veleiros do distante Canadá, Maschke adquiriu da Fundição Americana, estabelecida à Rua de São Diogo, uma pequena máquina frigorífica à base de anidrido sulfuroso.

Nesse mesmo ano iniciaram-se outras construções ao lado do prédio primitivo, tendo sido feitas novas instalações para a sala de brassagem e os tanques de fermentação a vácuo, im­portados dos Estados Unidos.

Já no ano seguinte, em 1896, com o desenvolvimento da indústria, foi adquirido da Maschinen Fabrik AugsburgNürnberg, Alemanha, um grande gerador de gelo. O técni­co Philip Neuser, incumbido de sua montagem, permaneceu no Brasil, como chefe de máquinas, até 1906.

Foi durante essa viagem a Alemanha, para comprar nova maquinaria, que Georg conheceu Gertrud Mayer, filha de Raphael Mayer, uma moça nascida em 1876. Ficaram noivos, realizando-se o casamento no Brasil em 13 de novembro de 1896. Durante o verão, fixaram residência em Petrópolis e ali, em 12 de novembro de 1897, nasceu Susanna, sua única filha.

No final de 1897, já se erguia um novo edifício destinado às adegas e ao depósito de cevada. O último pavimento, no estilo de chalé, foi reservado para residência do gerente.

Em 16 de setembro foi registrada a cerveja Crystal. É deste ano também o lançamento da marca Pilsener, registrada em 6 de dezembro, cerveja de cor clara, autêntica novidade, pois até essa data só se fabricava cerveja escura, tipo München.

A título de propaganda, nesse mesmo ano, é arrendado o grande Bar e Restaurante, então existente no Passeio Pú­blico, tendo sido designado para dirigí-lo um funcionário categorizado, Adalbert von Breitenbach, antigo oficial do império alemão.

A exportação para as regiões do Norte e Sul foi entregue à firma Herm, Stoltz & Cia., cujo gerente, o sr. Heinrich Hoelck, era genro do sr. Friederizi.



No ano de 1898 iniciou-se a construção do prédio para as salas de brassagem, adegas e engarrafamento, além de um comparti­mento destinado ao gerador.

Em 1899 festejou-se a inauguração, com a assistência de altas autoridades. Em 16 de janeiro foi registrada a “Cerveja Pilsen” e um mês depois, 16 de fevereiro, registrado o “Chopp Rápido e Expresso”.



Aliás, em princípios de novembro, a empresa cervejeira George Maschke - Cervejaria Brahma, fez um empréstimo de dez mil libras junto ao Brasilianische Bank für Deutschland e através de leilão da massa falida, adquiriu o controle acionário da Companhia Cervejaria Bavária, situada na Rua Pereira de Sequeira 14 A, no sopé do morro Pedra da Babilônia no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro – RJ, cujas atividades haviam se en­cerrado no ano anterior e a incor­pora à sua firma.

Em 8 de janeiro de 1900 registrou na Junta Comercial sob nº 2838, a cerveja Ypiranga. (OBS. A imagem deste rótulo aparece com o endereço da Cervejaria Bavária incorporada no ano anterior).



Como conseqüência de todas essas iniciativas, para atender a grande procura das cervejas fabricadas pela sociedade, a sua produção foi consideravelmente aumentada. A marca Franziskaner Bräu, também conhecida por Franciscana, pas­sou nessa época a liderar o mercado.

O século XX veio encontrar a empresa de Maschke & Cia., em plena fase de crescimento e expansão. O princípio do século, com relação à vida interna da já progressista sociedade comercial, caracterizou-se por diversas medidas entre as quais várias remodelações no quadro da Administração. Em 1901 o Mestre-cer­vejeiro Germano Thieme seguiu para Berlim, com o objetivo de aper­feiçoar seus conhecimentos sobre novas técnicas e processos de fabrica­ção de cerveja. Em 1902, retirou-se da Brahma, por motivo de doença, o sr. John Baptist Friederizi, que foi substituído pelo sr. Joseph Klepsch, excelentemente relacionado nas colônias inglesa e alemã e possuindo grandes qualidades de propagandista.

Ainda sob o nome Georg Maschke & Cia. Em 17 de abril de 1902, registrou a Cerveja Preta München, em 25 de agosto registrou a cerveja Brahma Porter e a Cerveja Guarany e passou a produzir as marcas Ypiranga (antes pertencentes à Cervejaria Bavária).

Seus produtos foram divulgados por grandes e numerosos anúncios, geralmente de uma pagina inteira, com destaques para as cervejas Pilsener - Munchen - Teutônia - Bavaria - Culmbach - stout etc. Sem dispensar o nome da firma, Georg Maschke & C., incluiu-se, também Cervejaria Brahma, designação pela qual se tornou conhecida em todo o território nacional.

Foi ainda no segundo ano deste século que se tentou organizar um con­vênio entre as cervejarias do Rio e de São Paulo, a que se deu o nome de Federação, estabelecendo-se uma divisão geográfica de interesses. Por esse acordo, ficou a Brahma representando a Antarctica no Rio e, reciprocamente, a Antarctica passou a representar a Brahma em São Paulo. Foi de curta duração o ajuste entre as duas fábricas que, no entanto, continuaram a ter em comum a defesa de seus direitos perante as autori­dades fazendárias. Assim, no Rio, os interesses da Antarctica eram defen­didos pelos procuradores da Brahma, os inesquecíveis vultos que foram o grande advogado Dr. Ulysses Vianna, o General Francisco Glycerio e o Dr. Rodrigo Octavio (pai), em compensação, em São Paulo, o Dr. Asdrubal Nascimento, procurador da Antarctica, era também o repre­sentante da Brahma junto ao Fisco.

Em 5 de janeiro de 1903, foi registrada a Cerveja Clara Bock-Ale. Um outro acontecimento desse ano, merecedor de registro, foi a lei vo­tada pelo Congresso que aumentou os direitos aduaneiros sobre a cerveja estrangeira. O resultado prático dessa medida foi favorecer a expansão da cerveja de produção nacional. Convém, entretanto, ter presente que tudo era importado naquela época: garrafas, palhões, cápsulas para gar­rafas, rolhas de cortiça, arcos de Ferro; e até mesmo eram aproveitadas as caixas em que vinham acondicionadas as garrafas ou a cevada e que nos chegavam do exterior. Isso porque, parte desse material embora já fosse fabricado no Brasil, não o era em quantidade suficiente.

Neste ano de 1903 Georg Maschke & Cia. requereu na Junta Comercial, para anotar-se no primeiro registro da sua marca de cerveja Ypiranga, registrada em 8 de janeiro de 1900, a declaração de usarem a palavra Brahma, gravada por um processo especial nas garrafas daquele produto.

De 30 de abril até 1º de dezembro de 1904, teve lugar a "Louisiana Purchase Exposition" (Exposição Internacional de St. Louis) em Saint Louis, Missouri, Estados Unidos da América, na qual a Georg Maschke & Cia participou e sua cerveja recebeu como prêmio a medalha de ouro.

Apesar da grande produção que já se verificava, o transporte dos pro­dutos para os subúrbios era penoso, devido à falta de calçamento. Tal era a dificuldade encontrada, que, nos tempos chuvosos, enviava-se a cerveja em vagões da Central ou da Leopoldina. Para Niterói, eram utilizadas faluas a vela, pequeninos barcos que cortavam com sua silhue­ta esguia o majestoso panorama da Baía de Guanabara.

Em 12 de agosto de 1904 nasceu a Companhia Cervejaria Brahma Sociedade Anônima, com capital inicial de cinco mil contos de réis totalmente integralizados, resultante da fusão entre a Georg Maschke & Cia - Cervejaria Brahma e a Preiss Haussler & Cia.- Cervejaria Teutônia. A produção de chope em tonéis chega a 6 milhões de litros e a distribuição conta com 9 depósitos situados no centro do Rio de Janeiro. Neste momento, foram disponibilizadas 25.000 ações à participação pública e todas as marcas foram transferidas.

Em 30 de agosto, através do decreto 5298, é dada autorização para funcionamento da Companhia Cervejaria Brahma S/A.

A pedido da esposa, o casal mudou-se em 1904 para os Estados Unidos, e, poucos anos depois, para a Europa, residindo em Merano, na Áustria, onde Georg Maschke morreu. Sua esposa, Gertrud Maschke, voltou ao Brasil em 1948, falecendo nonagenária, em 3 de março de 1969, enterrada no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro. A filha Susanna esposou o sr. Elspach, falecendo em 1930, no nascimento de sua filha Hanna.


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